MULTA

A história da semana.

Um conhecido passou um final de semana no Rio. Nos encontramos, conversamos, e falei sobre as diferenças entre as capitais. Disse que antigamente o metrô carioca não funcionava aos domingos e que as lojas não abriam, etc. Ele achou engraçado e comentei que a globalização unifica tudo como se as diferenças regionais/culturais não tivessem importância. “É o progresso”, comentei.

Sem nem saber direito o por quê falei sobre o guarda e o fiscal do cigarro e do pipi. Pois é…  É o Lixo Zero! Quem jogar lixo ou cigarro na rua ou urinar em via pública é multado. Todo governo que se preze – e com buraco nas finanças – descobre, mais cedo ou mais tarde, que além de aumentar ou criar impostos, o negócio é multar.

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O conhecido achou graça e perguntou: – Mas como se cobra?

– Te pedem a carteira de identidade e devem requerer que se pague na hora…

– Mas e se o cara não tiver dinheiro?

– Vai pra delegacia esquentar um banco – ri.

Nos despedimos e ele seguiu adiante. Ao se dirigir para um bar jogou a guimba do cigarro na rua. Em menos de um segundo, surgiram o fiscal e o policial que estendeu o bloco de notas para multá-lo. Ele lembrou do que eu havia contado minutos antes e não acreditou.

– Senhor policial, eu não sou daqui! Não joguei o cigarro no chão por mal!

– Turista ou não, ninguém pode sujar a rua.

– Por favor, seu policial. Não me multe!

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Um desconhecido em uma mesa ao lado intercedeu: – Eu também sou turista. Gostaria que em minha cidade multassem quem joga lixo na rua, mas por favor, seu guarda, deixe que o moço recolha o lixo para não ser multado.

Pressionado pela repentina notoriedade, o policial olha para o fiscal e ambos deixam o meu conhecido recolher o lixo para jogá-lo no lixo.

Aliviado, o meu amigo agradece ao estranho.

– Muito obrigado, amigo por ter me ajudado.

Se dão as mãos.

– Nunca mais jogo cigarro na rua, nem em minha cidade! Por falar nisso, de onde você é?

A resposta: a mesma cidade de onde veio o nosso personagem principal.

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Sobre Crianças e Escravos.

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Uma história.

No dia do meu aniversário, realizei um antigo sonho: conhecer o memorial dedicado aos “Pretos Novos”, os escravos recém chegados ao Rio de Janeiro, mas que ainda não haviam sido “adaptados” ou “amansados”, por isso mesmo chamados de “Novos”. Desde o início deste blog – que em final de setembro de 2015, comemora 5 anos – venho alardeando minha ligação com o número 28. Para tomar a decisão de ir ao Valongo, soube que neste cemitério haviam sido identificadas 28 ossadas.

A história do local, na verdade um sítio arqueológico, é fascinante: o casal Guimarães comprara uma antiga casa na Gamboa em 1996, zona portuária do Rio, mas ao fazer a reforma, os pedreiros descobriram ossos humanos sob as fundações. Arqueólogos e historiadores da Prefeitura concluíram que a casa havia sido erigida sobre o antigo Cemitério dos Pretos Novos, cuja localização havia se perdido no tempo, ou pior:  esquecida deliberadamente.

Idêntico aos fornos crematórios nazistas, milhares de escravos (oficialmente, cerca de 6 mil) foram atirados ao chão, e não enterrados em covas. Jogavam-lhes terra sobre os corpos em um espaço de 110 metros quadrados – cercado por muros baixos de casas residenciais. As análises dos fragmentos, feitas a partir de 1996, indicaram que os ossos foram queimados após a descarnação em busca de espaço para tamanho número de cadáveres.

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Estar ali, naquele local em 2015, e ver os ossos à flor da terra, me provocou um profundo pesar e reflexão. Mostra-se evidente uma triste característica de nossa “brasilidade”: a negação (ou esquecimento) e a não aceitação dos fatos. Fingir que nada aconteceu, responsabilizar as autoridades e negar o holocausto são faces da mesma moeda. Uma contradição chamada país que se diz amigável, festeiro, e “pacífico”. Todos sabem que “chover no molhado” é responsabilizar as “elites”, mas também é inegável que, como o país foi construído, e tem sido até hoje, quem determina o “modus operandi” é de fato a elite política e econômica.

A comparação entre a carbonização dos corpos no cemitério carioca entre os séculos XVIII (o século das “luzes”) e XIX e os nazistas no século XX é óbvia: os alemães, um povo desenvolvido, também foram capazes de fingir que não viam os judeus serem segregados. Desde que houvesse estabilidade econômica, o resto era perfeitamente aceitável.

Ao revelar ao mundo, os horrores dos campos de concentração alemães em 1945, o General americano Dwight Eisenhower exigiu que os cidadãos de Gotha, enterrassem as centenas de corpos encontrados em um sub-campo de Buchenwald, em Ohrdruf no sudoeste da Alemanha. Após testemunhar o horror, o prefeito de Gotha e a sua esposa se enforcaram.

O Brasil se desenvolveu graças à escravidão, fez vasta fortuna que não foi redistribuída, e ainda aprovou arduamente leis contra o tráfico negreiro, após décadas de muita discussão entre os Senadores. O fim da mão de obra escrava “acabaria com o país”, diziam, e a mudança de escravo para empregado assalariado deveria ser “lenta, gradual e segura”. A comparação com a ditadura implantada em 1964 e a Alemanha da Segunda Guerra são inevitáveis.

Uma questão espiritual e pessoal.

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Ajoelhado perante aqueles ossos, minha cabeça pesou e meu coração se encheu de remorso e vergonha. Senti uma energia tão forte vinda daquele solo, que perdi o ar. Isso me fez lembrar de algumas vivências que tive com escravos, a cultura negra e crianças.

A mais antiga me foi relatada por uma tia, há dez anos. Por volta dos meus dois anos, ela me viu “dar baforadas” e fazer sinais ritualísticos de Candomblé. Minha mãe, assustada, havia pedido para que nunca mais tocassem no assunto.

Quando criança, estudei em colégio público e tive amigos em comunidades próximas. Ao visitar um vizinho negro em um conjunto residencial de baixa renda, o irmão menor dele, talvez com uns 13 anos encostou o cano de um revólver na minha cabeça “de brincadeirinha”.

Com menos de 20 anos, vi a mãe de uma amiga, bastante nervosa, com a presença de um grupo de negros com lanças e escudos na sala de sua residência. Apenas achei curioso, mas fiquei alerta.

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Nesse período, presenciei em meu prédio um porteiro negro impedir uma visita de subir no elevador social porque era negra. Ela disse ser advogada e o porteiro alegou obedecer ordens do síndico. Depois, uma vizinha, professora de inglês, me perguntou por que eu recebia amigos negros em casa.

Uma década depois, vi a mãe de uma namorada incorporar um espírito infantil no dia das crianças e pedir para brincar de carrinho com ela, sentados nós dois, em meio à sala.

Passada mais uma década, um Exu me aconselhou a tomar cuidado com a pessoa invejosa ao meu lado. Era uma ex. Para amenizar, o Exu me pediu para tomar banho de ervas, lavar-me com Sabão da Costa – cuja origem é do Golfo da Guiné na África – e acender velas para as almas dos escravos na Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa, no centro do Rio. Ao estudar a história da igreja, soube que, a caminho da forca, Tiradentes fez ali as últimas preces em plena rua, pois condenados não podiam entrar em igrejas, e que se dizia que o escritor Machado de Assis (meu favorito) havia sido sacristão no local, o que é refutado pela falta de comprovação documental, mas fato é que a igreja da Lampadosa é citada no conto “Fulano”, publicado no livro Histórias Sem Data.

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Após essas dicas do destino, estudei a história da escravidão no Brasil e certo dia, há alguns anos, assisti a uma entrevista na TV Brasil com a dona da casa, onde hoje é o Memorial aos Pretos Novos. Foi a única vez que a ouvi citar um evento espiritual. Ela havia dito que ao entrar em um departamento do governo para tirar uma documentação sobre a casa, o atendente ficou lívido ao ver que atrás dela havia um grande número de escravos.

Perguntei à dona do local sobre a história relatada na TV e ela me contou que uma médium americana, em visita ao Memorial, contou ter visto espíritos de crianças na área dos ossos, que pediam para brincar, como se nada houvesse acontecido, como se o tempo não tivesse passado.

O que muito me comove é que a descoberta das ossadas ocorreu em 1996, 108 anos após a Lei Áurea e 166 anos após o esquecimento do local do cemitério, em 1830.

Retorno à uma questão anterior e falo das chagas que ainda enlameiam a história de duas nações citadas, o Brasil e a Alemanha. Se esses países não tomarem medidas severas contra o preconceito, ainda reinante, e se não ensinarem às crianças, desde muito cedo, as consequências da cultura do ódio, inevitavelmente veremos os mesmos erros se repetirem.

O que fará a Europa sobre a chegada em massa de imigrantes africanos? Construirá novos campos de concentração? E o Brasil a respeito das domésticas e dos concursos públicos com cota para negros?

Então, de que adianta falar em fraternidade, e amor universal, se ainda acreditam em superioridade racial?

O DESENHO DA VIDA

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Acreditamos que a realidade é apenas a realidade, o reino do palpável. Porém, creio que o “real” seja mais fruto de nossas percepções e escolhas, do que de uma única realidade comum. Acredito que a visão tradicional da realidade é apenas uma parcela das inúmeras possibilidades, que não acessamos “normalmente”. Mesmo assim, várias possibilidades parecem interagir simultaneamente, quando, vivenciamos as sincronicidades.

Realidades paralelas?

A teoria das super cordas permite “calcular” o possível número de dimensões espaço-temporais.

“A grosso modo, é como medir a distância entre dois pontos. Se girássemos o nosso observador para um novo ângulo e a medíssemos novamente, a distância observada somente permaneceria a mesma se o universo tivesse um número particular de dimensões. Quando este cálculo é feito, o número de dimensões do universo não é quatro como esperado (três eixos espaciais e um no tempo), mas vinte e seis. Mais precisamente, a teoria bosônica das cordas tem 26 dimensões, enquanto a teoria das supercordas e a Teoria-M envolvem em torno de 10 ou 11 dimensões.” (Wikipedia.)

Uma, duas, mil realidades, mil possibilidades.

Este preâmbulo antecipa uma história pessoal de possibilidades e consequências, 40 anos depois.

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Meu primeiro sonho foi ser desenhista de quadrinhos, antes mesmo de fazer 10 anos. Meu avô era crítico de arte e colecionava pinturas. Minha mãe tinha medo do vovô, e talvez por causa disso, esse medo influenciasse o seu julgamento sobre arte em geral, para ela, algo incompreensível e inútil. Digo isso, porque ao confessar à mamãe que eu desejava ser artista, talvez com uns 10 anos, o mundo quase caiu. Ela me ameaçou para que eu desistisse, inclusive de me expulsar de casa. Convenhamos que ameaçar um adulto é uma coisa, mas ameaçar uma criança é outra bem diferente. Ela detestava que eu fosse diferente da maioria. Ela me disse isso com todas as palavras, que hoje interpreto como medo, o pavor de não ter controle sobre a situação. Eu possuía uma coleção de quadrinhos da editora Ebal, com algumas dezenas de revistas. Um dia, mamãe as pegou e na minha frente, as rasgou ao meio, uma a uma, me ordenando que eu me tornasse um “homem, com um emprego e uma família”. Eu me agarrei às pernas dela e implorava para que parasse, entre lágrimas, que não paravam de cair. Ela rasgou até a última das revistas, até sobrar, apenas, uma pilha de quadrinhos dilacerados, como se esperassem um fósforo para virarem fogueira. Foi a minha primeira dor excruciante. Isso seria o suficiente para chamá-la de monstro? Para mim, ainda não, até porque não lembro se algo a mais causou a sua ira. Talvez, alguma questão entre ela e papai, que ela preferiu descontar em mim…

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Não acredito que existam pessoas totalmente boas ou más. A monstruosidade espelha o seu grau de convicção em suas verdades e no tamanho de seu medo. Essas energias podem te levar a mentir, enganar, chantagear, caluniar, ser covarde, mas ainda assim não te transformam em um monstro, que só deveria ser considerado um, se as suas ações afetarem um grande número de pessoas.

 …

Estou passando, há alguns anos, por uma mudança pessoal/profissional, que tem tudo a ver com a história relatada acima.

Hoje acredito que por causa das revistas rasgadas, desisti da carreira de desenhista, para me tornar algo ainda mais incômodo: músico. Uma ação que gerou uma reação, até então inesperada, até mesmo para mim.

Tive uma carreira musical constante por mais de 30 anos, mas a música não tem despertado maiores interesses em mim, por não ser mais divertido como era. E hoje, preciso de um bom motivo para tocar ou compor, prioritariamente profissionais, enquanto que é bem mais fácil e prazeroso, escrever.

Já confidenciei neste blog, que uma de minhas paixões é História do Brasil. E as sincronicidades me fazem vivê-la, acredito, para que seja possível eu me entender e paralelamente, compreender o país e as pessoas.

 Relatando os casos dos dois últimos dias.

 Primeiro, os “históricos”.

 J. Carlos

J. Carlos

Retirei um velho livro de José do Patrocínio da prateleira para reler.  No mesmo dia, na TV exibiram um bom documentário sobre o jornalista/escritor. Dois dias antes, eu estava no centro da cidade e resolvi visitar o Museu de Belas Artes. Para minha surpresa, uma das exposições, era sobre um dos meus desenhistas favoritos, J. Carlos. Fiquei igual pinto no lixo, ainda mais que eu não sabia de nada. No mesmo local, há salas dedicadas ao trabalho de outro caricaturista, o Cavalcante.

Tim Maia desenhado por Cavalcante

Tim Maia desenhado por Cavalcante

Querendo saber mais sobre ele, fiz uma pesquisa na internet e sem querer, ao invés de Cavalcante saiu Di Cavalcanti. O texto era esse:

“Di Cavalcanti nasceu como Emiliano Augusto Cavalcanti de

Albuquerque e Melo, no Rio de Janeiro e na casa do famoso

abolicionista e republicano José de Patrocínio situada na rua do

Riachuelo, que na época era casado com a sua tia Maria

Henriqueta…”

 

Fala sério, né?…

Hoje de manhã, antes de escrever este texto, cismei de escutar uma das horrorozidades gravadas pelo casal John Lennon e Yoko Ono na fase final dos Beatles.  E sabem quem está hoje, na primeira página da Folha de São Paulo? Yoko, a Ono.

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Ontem, caminhando pelo Passeio Público, na cidade do Rio de Janeiro, vi que alguns prédios do século passado estão sendo reformados. Fiquei feliz, porque sou um preservacionista. Mas um deles, ainda em péssimo estado me chamou a atenção. É uma construção antiga, ao lado da Escola de Música, antes mesmo de chegar a Lapa.  Decidi entrar pelo menos no vestíbulo, pertinho da porta. O interior todo destruído, sem sinal de reforma e com apenas um vigilante, que estranhou a minha chegada. A placa dizia: “Proibido entrar sem equipamento de proteção”. Mas querem saber… Entrei um pouquinho, mesmo que fosse pouco, mas meu coração bateu acelerado. Senti a história pulsando dentro da enorme casa. Senti uma estranha sensação de que deveria colocar a minha segurança em risco, e subir as escadas até o final da construção. Mas não o fiz. Impressionado pelo que havia sentido, pesquisei sobre o prédio.

 O nome é Automóvel Clube, que no século XIX se chamava Cassino Fluminense, e era frequentado, também, pela Família Real.  Há pouco, o governo fez uma grande homenagem a Jango Goulart, ou Jango, o Presidente deposto pelos militares em 1964. A história fala muito sobre o famoso discurso de Jango na Central do Brasil, para milhares de trabalhadores, em 13 de março de 1964, o número invertido da data “oficial” do golpe: dia 31, mas foi exatamente neste Automóvel Clube que Jango fez o seu último e mais radical discurso, em 30 de março.

 Aquele local onde senti algo muito forte, foi palco de duas grandes mudanças. Ambos, a Família Real e Jango, foram depostos por militares e em ambos os casos, a história deste país foi profundamente afetada.

 O caso dos desenhistas.

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Um conhecido de outro Estado pediu para ficar uma noite aqui em casa. Com ele, veio um amigo dele, que me falou ser neto do desenhista Eugênio Colonnese, um de meus ídolos de infância. E o rapaz falou que era fã do meu trabalho.  As conecções me soaram interessantes, como se o fato de eu gostar do trabalho do avô dele, o trouxesse, inconscientemente, a mim. Seria uma conecção sendo refeita e resgatando o meu antigo desejo de ser desenhista? Ainda não possuía subsídios para julgar e aguardei por mais “provas”.

 Jayme Cortez

Jayme Cortez

Ontem fui pesquisar sobre o Colonnese e encontrei na internet mais dois idolos do passado, o Jayme Cortez e o Ivan Wasth Rodrigues.

 Há meses, tenho jogado várias coisas fora. No bonde da limpeza, separei vários álbuns de figurinhas e dois Atlas antigos do colégio. Gosto muito de um deles, mas nem sabia direito o porquê. Simplesmente, separei os dois Atlas para jogar fora, mas me senti mal,e  só joguei fora o primeiro, preferi guardar o segundo. Isso ocorreu há menos de duas semanas. Ontem, descobri em uma entrevista na internet, que o Atlas que salvei havia sido desenhado pelo Ivan Wasth… Um dos desenhistas descritos na trindade acima.

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Ivan Wasth Rodrigues

E ontem, ao me lembrar de minhas antigas revistas rasgadas, pesquisei a história da editora Ebal, para mais vez comprovar a existência de um ciclo, que me pareceu muito plausível e me convenceu que uma nova vida se inicia, que um novo período de possibilidades ocorre, agora, em nossas vidas, mesmo que acreditemos que estamos cansados demais para o novo, ou que já fizemos tudo ao nosso alcance.

A nossa vida começa AGORA. Mesmo que ela tenha sido adiada. Não importa o por quê.

Dia dos Mortos.

Hoje, 2 de novembro, o blog presta uma homenagem ao dia dos mortos. Isso é, se o leitor acreditar que exista “morte”.

As duas histórias, que relato aqui, reproduzidas do livro “Mágica Vida Mágica”, falam sobre a continuidade da vida (e de comunicações) após o desencarne. Uma delas versa sobre o presidente Juscelino Kubitschek e outra sobre minha própria mãe.

A Sincronicidade do Presidente.

 

JK ou Akhenaton?

JK ou Akhenaton?

Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio.

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— Você já soube da mudança de endereço?, me perguntou a locutora durante a programação. — Mas não há data certa, pode ser na próxima semana ou daqui a seis meses, ninguém sabe.

— Pois é, você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói. Sabe o que eu gostaria de fazer hoje?, perguntei a ela.

— O quê?

— JK, o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui?

— Sim, já fui lá. É muito legal.

— Gostaria de visitá-lo ainda hoje.

— Fale com o porteiro. Ele tem a chave. Certamente ele te levará.

Desci, conversei com o porteiro responsável. Ele explicou que não tinha a chave e que teríamos que fazer uns “atalhos”. Insisti, ele subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés. Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave certa, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

— De quem? Dele?

— Acho que sim, mal terminou de falar a porta se abriu, fantasmagoricamente.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papéis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Achei que era isso o que procurava.

Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do tal versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

Pouquíssimo tempo depois, um conhecido “das antigas” me convidou a ficar uns dias em sua casa em Brasília, cidade que não visitava há mais de uma década. Fui.

Em um domingo, último dia da visita à capital, fomos conhecer a Catedral e no comecinho da tarde, pedi que me levassem a um museu sobre o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Fui até lá com a esposa do amigo, que me confidenciou que nunca se interessara em conhecer o local, cercado por um sereno espelho de água. Para entrar no memorial é preciso descer uma rampa em declive para uma entrada subterrânea, como se estivéssemos adentrando um templo egípcio. No centro da ampla sala do segundo andar, me deparei com uma espécie de nave no centro da construção, como uma bola de metal perdida entre colunas enigmáticas. A intuição me conduziu ao seu interior. Tremi de emoção assim que entrei. Um anjo surgido de um vitral avermelhado no teto me acolheu, com um quase imperceptível e doce movimento de rosto. Sua angélica mão direita suspendia uma coroa de louros sobre um túmulo de granito negro, na penumbra. Claro que era JK, só podia ser.

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Com os olhos úmidos, me lembrei do escritório no prédio da Rede Manchete no Rio e refleti sobre a inusitada caminhada da minha cidade até o repouso final do Presidente. Diante do túmulo de JK, explodi em um choro tranquilizador, de quem finalmente se depara com o seu destino: – Sei que minha história de agora em diante está ligada a esta cidade!”.

3 anos depois, meu primeiro e único filho nasceria em Brasília, a mesma cidade fundada por JK.

 …

A Sincronicidade das Despedidas.

Mamãe estava viva, mas debilitada pelo mal de Alzheimer.

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Cheguei em casa à noite em um final de semana. Precisava ligar para alguém e usei o telefone na sala. Antes, verifiquei se a acompanhante e mamãe estavam dormindo no quarto no fim do corredor. Parecia tudo bem. Me sentei no lado direito do sofá na sala, em frente ao corredor. A luz do teto e da sala estavam sempre acesas para qualquer eventualidade. Desde que minha mãe adoecera, nunca mais consegui dormir em paz. Mais cochilava do que dormia, sempre acordando sobressaltado. Sendo assim, a porta do meu quarto nunca era fechada.

Eis que sentado no sofá e tendo o fone na mão direita, vi uma forma fluídica, como uma pequena nuvem elétrica, cruzar a janela aberta e estacionar em frente ao corredor. Não interrompi a pessoa no outro lado da linha, talvez a tenha escutado menos, não sei, mas não parei de ouvi-la, enquanto mantive a atenção focada no fenômeno. A mancha que começou a se parecer mais e mais com uma daquelas nuvens em céu tumultuado com relâmpagos piscando dentro da sua área, assumiu uma forma humana. A sombra luminosa, preenchida por raios que flamejavam, andou passo a passo até a porta do quarto da mamãe, ao mesmo tempo em que piscava como se fosse uma antiga imagem de televisão fora de sintonia. Me ergui com o aparelho na mão e torci o meu corpo à direita para ver a luz atravessar a porta do quarto de mamãe. Pedi desculpas, interrompi a ligação e abri a porta sem desespero. Estava tudo escuro, nada havia de estranho.

Não falei com ninguém sobre o assunto. Passaram-se alguns dias.

A acompanhante de minha mãe era uma pessoa humilde e evangélica. Ela não era dada a inventar coisas, mas surpreendentemente, ela veio ter comigo, após o fato que eu presenciei, ter ocorrido.

— O senhor entrou no quarto agora?

— Não. Acabei de chegar. Por quê?

— Aconteceu algo muito estranho e estou assustada. Eu não acredito nessas coisas, mas preciso te contar. Eu estava deitada quando senti uma presença dentro do quarto. Me virei e havia uma mulher olhando para a sua mãe. Perguntei: “Quem é você?” A mulher não falou nada e desapareceu. Estou com medo, não quero dormir no quarto.

— Como era essa mulher?

— Uma senhora alta e magra com um corte de cabelo bem curto…

— Meu Deus, pela sua descrição, é a mãe dela.

— O que isso quer dizer?, ela me perguntou assustada.

— Não sei, não sei…

No fundo eu já sabia. Mamãe estava partindo, ou segundo o escritor argentino Jorge Luis Borges, “se encantando”.

E foi o que realmente aconteceu.

Este mundo é uma projeção?

Há momentos em que as sincronicidades pululam a nossa volta, com a graça de uma porta-bandeira. Mas cumpre afirmar que não somos os jurados, os responsáveis por lhes ofertar as notas. Na verdade, são as sincronicidades que se encantam quando somos encantados por elas.

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Nas últimas semanas, fiz várias anotações sobre alguns fenômenos, as horas em que ocorreram e as circunstâncias. Os eventos sincronísticos tanto se intensificaram, que muitas vezes, duvidei que tivessem ocorrido. Tentei ceder a explicações racionais, mas foram mais ilógicas. Irracionais. O que aconteceu, de fato aconteceu.

O mundo dos “sonhos” parece ser uma releitura, um reflexo distorcido, do que vivemos quando estamos estamos “acordados”. Escrevo “releitura” porque em sonhos, encontramos pessoas que conhecemos. Porém,  alguma intuição nos diz que essas pessoas não são quem dizem ser. Só para exemplificar: um pouco antes de dormir, já deitado, no estado de vigília, entre estar acordado e dormindo, uma ex-namorada se materializou ao meu lado na cama. O seu rosto estava fora de foco, mas o corpo era o mesmo dela. A cama afundou com o seu peso. Ela se ergueu e senti os seus joelhos dobrados sobre o colchão que cedeu. Tentei me mexer para afastá-la e não consegui: estava “congelado”. Me certifiquei de que não estava dormindo, ao me fazer perguntas e respondê-las mentalmente. Essa personagem sem rosto sentou-se sobre mim, e indefeso estava eu de barriga para cima. Ela deitou sobre mim e pude sentir-lhe o calor do corpo. Eu sabia que ela não era ela. Mentalizei bem forte e disse “não quero!”. Ela bem que tentou mas nada conseguiu porque naquele momento minha mente estava desperta. Sem conseguir seu intento, ela se desmaterializou e eu fui “solto”. Se eu estivesse dormindo, “zumbizado”, “sonâmbulizado” , sem domínio sobre minhas ações, ela poderia ter sido bem sucedida. Mas dessa vez, não foi.

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Esse foi um fenômeno estranho, mas aconteceu dessa forma que descrevi. Agora, vamos às sincronicidades da semana.

A vida nem sempre é um mar de rosas. Ela te propõe desafios. Desafios justos ou injustos, tanto faz. São situações que aparentemente se deve enfrentar. Meditando sobre as opções atuais, sobre o que deveria fazer para resolver algumas questões, senti, sem grandes emoções, que simplesmente deveria agir. Em alguns momentos da vida, damos  tempo ao tempo e aguardamos a passagem dos acontecimentos. Em outras fases, nos antecipamos. Mas desta vez, para que a vida pudesse seguir o seu rumo, o corpo e a alma me pediram foco e ação. Assim que me movimentei, assim que decidi agir, as sincronicidades  pulularam. E como uma ação leva a outra, as peças do quebra-cabeças se encaixaram perfeitamente, “se” montando, explicando os fatos, intuindo outros, mas sempre me colocando nos trilhos. Fui tomado por um sentimento de definição, como se a minha encarnação e as das pessoas ligadas a ela estivessem a caminho de definir nossas metas neste planeta.

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Algumas sincronicidades ocorridas em um dia.

Li na imprensa sobre a exumação do corpo do Presidente João Goulart que ocorrerá em 13 de novembro de 2013. Mal acabei de ler a nota, tive que sair de casa para um compromisso. Entrei em um ônibus que não sabia se me levaria ao local certo, mas entrei. 15 minutos depois, quem passou ao meu lado? O filho do Presidente: João Goulart Filho.

Em uma reunião, no canto da sala, vi um dicionário que conheço muito bem. Era o mesmo que o meu avô me dera há 4 décadas, ofertado com uma carinhosa dedicatória. No dicionário da anfitriã também havia uma dedicatória, de um tio, desencarnado, de quem a proprietária gostava muito.  Ela me contou algumas histórias, muitas de eventos em comum, que me intuíram que “tudo tem o seu tempo” e que “nada que nos acontece ocorre à toa”. Me pareceu que algumas pistas fragmentadas, como o livro que você guarda com carinho, as pessoas com quem nos envolvemos, ou o programa que se decide assistir, se comunicam conosco através de uma região mental, além do tempo e do espaço.

À noite, sonhei que estava em meu prédio, porém ele estava deserto, sem luz e cinza, sem qualquer ornamento. Tudo estava “nu”. Desci pela escada, toda em pedaços, que juntamente com o piso, haviam sido submetidos à várias britadeiras. Alcancei o térreo, e as primeiras luzes vindas de fora, ainda me perguntando o que significava aquilo. O porteiro, com seu uniforme azul, ainda dentro do prédio destruído, puxou conversa comigo, como se tudo estivesse normal.  Ele vagava só. Nenhuma morador. Sob seus pés, o piso em pedaços.

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Saí para entender o que estava acontecendo. Quando percebi que tudo estava aparentemente bem do lado de fora, me vi no alto de uma pedreira, perto de casa, que não existe mais (Pedreira do Baiano). Desci, meio que escorregando e quando olhei para cima, para ver o meu prédio, me deparei com uma casa de um andar, sem teto, e quase que demolida, talvez abandonada há décadas.

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Tive uma sensação de presenciar algo absurdo, mas que deveria significar algo. Assim que pensei “isso não pode ser real”, despertei.

Dois dias depois, fui à uma festa de crianças. Ao me despedir do anfitrião, expliquei que precisava sair mais cedo para estudar. Uma menina sentada ao lado dele me perguntou o quê. Expliquei. Ela fará a mesma prova no mesmo dia. Voltei para casa e me preparei para estudar. Antes mesmo de pegar no batente, lembrei que seria exibido na TV, um documentário preto e branco sobre o Brasil no ano de 1961. Decidi assistir ao filme durante uma meia hora para depois começar a estudar. Mesmo sendo um filme sobre um país-continente, em menos de meia hora, apareceu uma cena do Presidente Eurico Gaspar Dutra lendo um livro na praça ao lado de casa onde cresci e no mesmo banquinho no qual sentei centenas de vezes. Fiquei meio “assim, assim”. Me senti “vítima das circunstâncias”. Não esperava por isso.

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Mal refeito da surpresa, logo em seguida, uma filmagem área mostrou o prédio onde eu resido, onde vivi minha vida inteira, muito de perto, e cercado por um imenso areal. Posso garantir que o quarteirão de 1961 não era nada parecido com o de hoje, com as diversas construções que cercam o prédio hoje. Se pudesse descrever a sensação que tive com esse encontro kármico, com uma distância de 52 anos, diria que foi surpreendente e assustadora. O filme era sobre o Brasil, não sobre o meu prédio ou sobre o bairro. O que afinal de contas, “eu” estava fazendo ali, retratado indiretamente na película? E tendo optado por assistir a um documentário, sem qualquer razão aparente?… Eu nasci no ano seguinte ao da produção do filme. Para mim, isso já significou algo. Meu peito disse que sim. Tudo estranho e admirável.  Mas de boa. Me sinto recomeçando, preparado para ressuscitar de escombros.

Antes mesmo de nascermos, tudo parece estar escrito e determinado. Como se o nosso inconsciente fosse o manda-chuva e não a nossa versão encarnada “consciente”. Que tipo de escolhas você tem, dentro deste teatro cósmico onde representamos os nossos papéis?

Me parece é que este mundo não é real: é apenas uma outra projeção.

 

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” -Vinicius de Moraes.

AS SINCRONICIDADES SÃO NATURAIS COMO NOSSOS PENSAMENTOS

Perceba como as sincronicidades agem em nossas vidas, nos reconectando às nossas essências, nos permitindo tomar decisões baseadas não no voluntarismo, mas em questões inconscientes, para fora e além.

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Perceba e reflita sobre o dia-a-dia. É fácil ver gente nas ruas reclamando de tudo (no Rio, então…) e criticando umas as outras.  Outro dia, sorri quando um par feminino passou ao meu lado e uma delas comentou: “Você viu o cabelo da fulana? Que coisa horrível!”. Apesar de folclórico (tá… “engraçado”) e quase inofensivo, esse comportamento alheio não serviria para te aconselhar a ter mais cuidado com as críticas (externas) e principalmente com os seus pensamentos (internos)? Não abrir a boca, mas também manter pensamentos malignos, que crescem em sua mente, não é nada saudável. Não é saudável dizer o que se “pensa” sem refletir, como não é nada saudável perder tempo e energia perdendo tempo com pensamentos inúteis. Não concordar com o que os outros fazem é um direito seu, mas falar (a boca é livre) e não fazer nada para mudar é péssimo. A maior parte de nós não suporta qualquer crítica, porque fomos educados a nos manifestar através do ego. Ao sentir que vamos perder o controle, e não menos a razão – para não nos sentirmos uns zeros a esquerda – bloqueamos toda crítica externa e aceitamos todos os elogios. Nem 8 nem 80: não é para aceitar tudo o que despejam sobre você, pois não se sabe o real motivo das críticas serem feitas (há ego do outro lado também) mas é bom que se abra um espaço para a reflexão. A nossa natural “defesa” bloqueia o que não quer ouvir, reforçando uma autoimagem criada para a nossa proteção. O preconceito e as ideias fixas nascem da mesma fonte.

Há momentos na vida para deixar fluir e outros para tomar decisões.  Não conseguiríamos viver somente nos alienando (ou não… há controvérsias sobre isso).

Quando você tiver que tomar uma decisão e estiver sendo pressionado para isso, não se precipite. Equalize o tempo da consciência e o tempo do mundo. Medite calmamente antes de agir. Não pense em prós e contras, cale-se, silencie e deixe que o Ser Interno dialogue contigo. As sincronicidades abrirão um canal de diálogo, se antecipando no tempo-espaço, e te dando o amparo necessário. Não postergue além do tempo e nunca faça nada pelas costas, mesmo que façam contigo. Seja claro e educado, mas não deixe de agir, pois as energias da procrastinação são poderosas, são como cantos de sereia que afundam os barcos até o fundo do oceano.

Quanto mais expandimos a consciência para fora de nossas “cascas”, e quanto mais ela segue adiante, se reconectando a milhares de outros seres encarnados e desencarnados, mais somos (re)conduzidos ao nosso interior. Fazer essa viagem, em busca de respostas conscienciais, nos leva de volta a um tempo em que a nossa falta de experiência nos permitia, incrivelmente, nos impressionarmos com quase todas as experiências. Aproveitando o dia das crianças, pergunto-lhe se você lembra como era o ato diário de “descobrir a vida”?

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Você consegue recordar da primeira vez em que foi tocado pela água ao tomar banhinho? Você se lembra de colocar todos os objetos na boca para senti-los, ao invés de usar o tato? E… Você se lembra da primeira vez que teve prazer ao falar mal de alguém? Muitas vezes, o que foi, é e será. Crescemos em tamanho, mas a cabeça e a alma, nem sempre. A diferença é que a pureza anterior e o prazer pelas descobertas dá espaço a formas distorcidas de comportamento, todas influenciadas pelo medo.

As sincronicidades espelham o grau de compreensão de “sua” realidade, seja ela “inventada” ou “mais consciente”. Ninguém é superior a ninguém, cada um tem e merece vivenciar as próprias experiências.  Assim, como você pode ter várias sincronicidades que te conduzam a nada ou à realização de sua manifestação egoica. Cada caso é um caso. Por isso mesmo, como poderíamos julgar alguém?

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Vejam o que a imprensa – e obviamente o lugar-comum – faz com figuras como Eike Batista. Há anos era endeusado, agora é tratado com escárnio pelos compatriotas, do senhor ao escravo. Teria o senhor Eike pagado agora, com juros, por erros do passado, pessoais e administrativos, ou toda essa revolução é o prenúncio do seu renascimento ou do nascimento de um ser humano?

As sincronicidades são naturais como são naturais os teus pensamentos. Basta discernir qual te fala mais  diretamente ao teu Ser Interno.

A história que relato agora, fala sobre as estranhas conecções e relações humanas.

Há um bom tempo, assisti a um vídeo no YouTube sobre uma advogada carioca que havia sido presa por agredir um policial com uma navalha, e é claro, por embriaguez. Na delegacia ela deu na cara de um policial, e ficou famosa com o bordão “me filma, me edita”. Há umas duas semanas, se não me engano, cismei de mostrar o vídeo a um amigo. Dias depois, lemos a notícia de que essa senhora do “me filma” veio a morrer, ao se atirar pela janela do apartamento da mãe, após ter tentado matá-la. Foi uma “coincidência” pensar em alguém que não conhecemos e  que veio a morrer dias depois? Foi uma previsão? Uma intuição sobre a morte de alguém?

Para além dessa notícia,  conversamos sobre várias coisas, trocamos experiências sincronísticas, e o amigo falou que ao passar em uma determinada rua, Vinícius de Moraes em Ipanema, no Rio, gostava de olhar os pequenos prédios de 3 andares e pensar nos dramas pessoais que certamente ocorriam em cada um deles.  

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Aí tivemos um estalo. Voltamos à matéria sobre a morte da advogada e vimos que o nome da rua era o mesmo. Lemos a declaração de um porteiro que dizia que o prédio da advogada era em frente a uma casa noturna, já fechada. Como detetives, fomos ao Google Maps e com um pouco de pesquisa, descobrimos o número da casa noturna, em frente à casa da advogada: 288. Eu nasci no dia 28 de agosto. Mais intrigante ainda é que havia uma lista de canções pintada na porta da casa noturna com o nome do autor da lista. Ficamos de cara: era o nome e o sobrenome de uma pessoa que havia casado com a irmã do amigo (de outro Estado).  E mais incrível ainda, para nossas caras pasmas, é que a irmã do cara do “nome na porta” foi casada durante dez anos com o irmão do meu amigo… Vai entender!…

Há mais laços inconscientes entre as pessoas e os fatos do que ousamos conjecturar. Estejamos nós separados pela distância, pelos modos ou pelas ideias. É como se uma imensa rede, ou uma teia de conecções com uma intrincada e delicada construção, pudesse unir elos infinitos, como se um espirro dado em um lado do planeta, afetasse alguém do outro lado do orbe e vice-versa.

Por isso é lícito, digno e fundamental tomar decisões baseadas em uma enlevada intuição e discernimento profundos. Não se deixe levar por ações motivadas pelo medo ou por relações de poder.

Obs: Há alguns anos, uma professora de astrologia leu o meu mapa natal e aconselhou: “Você deve lidar com a verdade sempre, em qualquer circunstância.  Mesmo que seja duro.”  É o que venho tentando fazer desde então, nem sempre com resultados, digamos, confortáveis.  Estamos unidos por simpatias, ideias afins e principalmente para vivenciarmos uma história coletiva, talvez em função dos nossos karmas. Não importa se você está certo ou errado, viver uma história mesmo que chegue ao fim é sábio. Não vivê-la por medo é um atraso. Não vivê-la por consciência é um direito. Porém, toda história boa tem o seu lado “ruim” e toda história “ruim” tem o seu lado bom.

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JUNG, Carl Gustav. Sincronicidade. Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 2000, 10ª edição, volume VIII/3 das Obras Completas.

NOTA: Os números em colchetes referem-se à numeração original dos parágrafos e serve como referência para citação bibliográfica.

[959] Talvez fosse indicado começar minha exposição, definindo o conceito do qual ela trata. Mas eu gostaria mais de seguir o caminho inverso e dar-vos primeiramente uma breve descrição dos fatos que devem ser entendidos sob a noção de sincronicidade. Como nos mostra sua etimologia, esse termo tem alguma coisa a ver com o tempo ou, para sermos mais exatos, com uma espécie de simultaneidade. Em vez de simultaneidade, poderíamos usar também o conceito de coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos. Casual é a ocorrência estatística — isto é, provável — de acontecimentos como a “duplicação de casos”, p. ex., conhecida nos hospitais. Grupos desta espécie podem ser constituídos de qualquer número de membros sem sair do âmbito da probabilidade e do racionalmente possível. Assim, pode ocorrer que alguém casualmente tenha a sua atenção despertada pelo número do bilhete do metro ou do trem. Chegando à casa, ele recebe um telefonema e a pessoa do outro lado da linha diz um número igual ao do bilhete. À noite ele compra um bilhete de entrada para o teatro, contendo esse mesmo número. Os três acontecimentos formam um grupo casual que, embora não seja freqüente, contudo não excede os limites da probabilidade. Eu gostaria de vos falar do seguinte grupo casual, tomado de minha experiência pessoal e constituído de não menos de seis termos:

[960] Na manhã do dia Iº de abril de 1949 eu transcrevera uma inscrição referente a uma figura que era metade homem, metade peixe. Ao almoço houve peixe. Alguém nos lembrou o costume do “Peixe de Abril” (primeiro de abril). De tarde, uma antiga paciente minha, que eu já não via por vários meses, me mostrou algumas figuras impressionantes de peixe. De noite, alguém me mostrou uma peça de bordado, representando um monstro marinho. Na manhã seguinte, bem cedo, eu vi uma outra antiga paciente, que veio me visitar pela primeira vez depois de dez anos. Na noite anterior ela sonhara com um grande peixe. Alguns meses depois, ao empregar esta série em um trabalho maior, e tendo encerrado justamente a sua redação, eu me dirigi a um local à beira do lago, em frente à minha casa, onde já estivera diversas vezes, naquela mesma manhã. Desta vez encontrei um peixe morto, mais ou menos de um pé de comprimento [cerca de 30 cm], sobre a amurada do Lago. Como ninguém pôde estar lá, não tenho idéia de como o peixe foi parar ali.

[961] Quando as coincidências se acumulam desta forma, é impossível que não fiquemos impressionados com isto, pois, quanto maior é o número dos termos de uma série desta espécie, e quanto mais extraordinário é o seu caráter, tanto menos provável ela se torna. Por certas razões que mencionei em outra parte e que não quero discutir aqui, admito que se trata de um grupo casual. Mas também devo reconhecer que é mais improvável do que, p. ex., uma mera duplicação.

Papa Francisco, materialismo e ativismo

Salomão em Eclesiastes 11:1-6 diz que “os caminhos de Deus são tão misteriosos quanto o caminho do vento, tão difíceis de se descobrir como a maneira pela qual se forma a alma de uma criança no ventre de sua mãe.”

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 A semana do Papa Francisco no Rio de Janeiro (julho de 2013) marcou a nossa história, assim como os protestos de semanas antes. Se a Jornada Mundial da Juventude não tivesse sido agendada há dois anos, até se poderia dizer que ela foi criada para esvaziar os protestos… Curioso, pensar nessa possiblidade. De fato, todos os fatos estão conectados por processos inconscientes.

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Escrevi este texto de hoje, após ter assistido à entrevista do Papa Francisco a Gerson Camarotti, da GloboNews, e em seguida, ao documentário Hashmatsa (Defamation) de Yoav Shamir  sobre antissemitismo no domingo, dia 28 de julho. Começarei o texto mais reflexivo e no final do texto relatarei o que vivi no sábado, dia 27.

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Fui e ainda sou muito crítico em relação a dogmas e religiões, mas também aprendi como é exprimir reflexões e não ser entendido. Palavras para serem compreendidas dependem do emissor e do receptor. Se o receptor não tem boa vontade, e possui uma natural limitação (preconceito, falta de discernimento, medo), nada que é dito serve para entabular uma conversação. Quero crer que estamos em constante crescimento, físico, intelectual e espiritual. E aqui, aprendemos e desaprendemos a toda hora. “Acertamos” e “erramos”.

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Como este é um blog sincronístico, espiritual e não um blog político me atenho à questões mais inconscientes, apesar do momento “revolucionário” que vivemos, com a participação da juventude católica e dos “black blockers”. Será o jovem católico alienado por que mostra a cara e sorri ou mais alienado é o jovem que esconde o rosto e que quebra instituições capitalistas, que ele mesmo usufrui? Estaremos submetidos apenas à “passividade” ou ao “enfrentamento”? Será este mundo apenas preto ou branco?

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Lobbys são parte do processo político, necessários para quem os pratica mas enfadonhos para a massa. Sejam de esquerda, direita, judeus contra palestinos, palestinos contra judeus ou o lobby gay, tanto faz.

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São armas usadas para reforçar o poder, e não “apenas” para construir uma sociedade mais justa. Os interesses dos lobistas são pessoais e nunca coletivos. Você é contra ou a favor do aborto? Você quer ou não que as drogas sejam liberadas? Você é “moderno” ou “antiquado”?

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Liberdade de expressão…

 Li argumentos de pessoas contrárias e a favor da visita do Papa ao Brasil. Estudei a respeito do Estado laico, pesquisei sobre o investimento público para financiar a visita de Francisco ao país. Há razões da lógica, e há as do coração. Uma cena, histórica, me chamou a atenção: jovens católicos fazendo uma barreira na praia de Copacabana para que os black blockers não invadissem a festa de Francisco. Muito simbólico…

Rui Barbosa em 28 de julho de 1921: “Enquanto as revoluções eram políticas tinham praias que as circundavam e lhes punham raias visíveis. Depois que se fizeram sociais (e hoje, sociais são todas), todas beiram esse mar tenebroso cujo torvo mistério assombra de ameaça as plagas do mundo contemporâneo.”

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Não vou à festa para a qual não fui convidado, mas muitos, por questões religiosas e políticas, o fazem. O radicalismo e o fanatismo te impulsionam a isso. Respeito? Desrespeito? Dever?…

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Teria o poderio da Globo (tão criticada durante os protestos) sido usado para favorecer uma religião em detrimento de outras, ou favorecer uma política contra o Estado laico? Me parece que sim. Mas essa é uma guerra antiga pelo poder, sem sombra de dúvidas. Assista à TV aberta à tarde (Band, CNT, Rede TV) e veja que os horários foram comprados pelos evangélicos. Não há liberdade religiosa, não há Estado laico.

Na Globo, à tarde está no ar a reprise da novela espírita O Profeta, uma “religião” com muito menos adeptos do que as evangélicas. Então, percebemos que essa “briga” não é uma questão comercial, pois a Globo ganharia mais apoiando os evangélicos, que em futuro breve serão metade da população brasileira. A Globo apoia a Igreja católica e os espíritas porque do outro lado do cabo de guerra estão, principalmente Edir Macedo, Silas Malafaia e R. R. Soares, que também querem manipular, todos em nome de Jesus.

Do blog do jornalista Ancelmo Góis em 30 de julho de 2013: “A Revista de História da Biblioteca Nacional publicou artigo sobre o crescimento dos Evangélicos no Brasil que foi reproduzido em francês em uma edição da Revista Courrier Internacional: “Enquanto nos últimos 50 anos a população brasileira cresceu 63,2%, o número de evangélicos quase dobrou de tamanho, aumentou 93%. A religião que mais cresce é aquela que resolve os problemas individuais e distribui benefícios imediatos, mas tem pouco a oferecer à sociedade”.”

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Minha formação é católica, sou devoto da Virgem de Fátima, gosto de São Francisco. Tenho imagens em casa, não sou evangélico, mas também não sou católico tradicional pois não me sinto à vontade em missas.

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Desde que vivi meu primeiro fenômeno “não-católico”, abri minha mente, e questionei muitas coisas do catolicismo. A compreensão dos fenômenos depende de questões científicas, assim como da fé de cada um. Porém, também tenho críticas ao espiritismo, aos espíritas, como tenho aos evangélicos e ateus. Ninguém é perfeito. Perfeição não existe. Não existe “verdade”.

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Os anos 90 foram férteis em fazer pensar. Acompanhei a reação jovem católica, os carismáticos há 20 anos. Vi na Rede Manchete, os festivais de rock evangélico promovidos pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo (dos pastores Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes) e na Globo, assisti Edson Celulari como Edir Macedo na minissérie Decadência em 1995, mesmo ano do pastor Sérgio Von Helde da Igreja Universal (IURD) chutando a imagem da Nossa Senhora Aparecida porque era aniversário dela (12 de outubro), porque era uma imagem e porque era… negra.

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“Há 05 canais de TV evangélicos, 05 canais católicos, dados de 1999. Há 271 rádios evangélicas, 180 rádios católicas. Dados para o ano de 1999. 80% da programação religiosa na TV brasileira é evangélica. Em 2001 havia a exibição de 90hs/semana de programas religiosos (fonte: Alexandre Brasil Fonseca, em Evangélicos e Mídia no Brasil; Associação Brasileira de Editores Cristãos (ABEC), Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (ABIEE), Fundação Perseu Abramo e Site Louvornet.com). No Congresso Nacional há uma agremiação chamada FPE – Frente Parlamentar Evangélica, formada por deputados e senadores eleitos de diversas igrejas.” (A ascensão da mídia evangélica – uma (mútua) interferência política, econômica e tecnológica. Heinrich Araújo FONTELES).

 Li muitos livros de autoajuda e esotéricos. Vários me foram muito úteis. Porém um dia tive um insight, após reouvir que o Brasil era atrasado porque católico (religião que “criminaliza” o dinheiro) e não materialmente evoluído como os Estados Unidos, que cresceram com conceitos como “livre mercado”, “capitalismo” e viés evangélico e ou judeu que associam o lucro e o sucesso material ao sucesso espiritual (23,9% da população norte americana é de católicos romanos, 16,1% de ateus e 51,3% de protestantes). Certo dia, compreendi que livros como “O Segredo” foram escritos por americanos, porque para eles a concepção de ganho material é a sua própria religião. Não falo que dinheiro não é bom, apenas compreendi que usar o seu poder mental para obtê-lo é uma forma egóica, que não te torna um ser humano melhor.  Só mais materialista.

 Voltando aos dias de hoje, o único testemunho que posso dar é que, graças a Deus, estamos vivendo tempos novos, revolucionários. Sejam eles, compreensíveis ou não. E toda mudança é boa, quando vem do coração e é claro, cumpre o seu papel de tornar melhor a vida da população.

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 Assim como vários, simpatizei com a eleição de um Papa franciscano e latino americano. Mas mesmo assim, as perguntas prosseguem: teria Sua Santidade sido eleita por causa do declínio do catolicismo? Teria ele apoiado a repressão militar e a ditadura na Argentina? De fato, essas questões são importantes, mas neste exato momento, e neste (con)texto a questão é dignamente humana e pessoal. Quanto ao Papa, como muitos, eu o admiro como pessoa, teólogo e político. Também não acredito em “homens”, mas não perdi 100% de esperança. Resolvo minhas questões sem depender do Papa, mas gosto que ele exista.

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No sábado, dia 27, após a melhora de uma retornada gripe (ou virose) que me derrubou mais uma vez, decidi dar uma voltinha até o início de Copacabana,  por volta de 17h para comer meu querido hamburger de soja na Francisco (olha só.. FRANCISCO!) Otaviano, mas a loja estava fechada. Comi uma salada de frutas e dei uma olhada na rua, nas pessoas, vi como estava o movimento. Defronte ao Forte de Copacabana, às minhas costas um grupo de quatro jovens cantavam canções mariachi (e muito bem por sinal). O clima estava eufórico, mas como sempre, em tudo ao que se refere ao Rio de Janeiro, “exótico” para dizer o mínimo. Vi duas representantes de biquíni da marcha das vadias e um senhor negro que passou atrás de mim, meio bêbado e com ódio, conversando com ele mesmo, dizendo que tudo aquilo era racismo… Por perto, um outro senhor sentado em uma motocicleta, na verdade em um triciclo, todo enfeitado com filas de leds azuis, uma monstruosidade de mal gosto, atraía jovens, com o mesmo mal gosto, que sentavam no banco ao lado do motorista para tirar fotos.

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Não havia propriamente uma “multidão” em frente ao Forte de Copacabana, mas sim um bom número de pessoas, o que permitiu que chegasse bem perto da avenida da praia. Repentinamente, surge um Papa Móvel com o… Papa que acenou a todos sob a luz de refletores das câmeras. Fiquei feliz de estar ali, vendo a história viva, fosse por “acaso”, “coincidência”, ou “sincronicidade”. O fato é que me senti bem ao ver o Papa, que emanava um bom astral, claro que “iluminado” pela histeria e pelos refletores. Pensei nos milhares de peregrinos, há horas e dias, passando “aperto” nas ruas para ter um vislumbre de Francisco, o Papa Pop. E acima de tudo pensei no coração dos missionários em busca de reforço a sua fé. Certamente, Francisco é um Papa que tem uma missão difícil: recuperar valores de honestidade e simplicidade, dentro e fora dos muros do Vaticano, em meio a este mundo materialista.

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Palavras de Francisco:

 “Deus está nos pedindo mais simplicidade.”

 “Gays não devem ser marginalizados, mas integrados à sociedade.”

 “Nosso povo exige a pobreza de nossos sacerdotes. Exige no bom sentido, não pede. O povo se ofende quando pessoas consagradas se apegam ao dinheiro.”

 “Não gosto do jovem que não protesta. O jovem gosta da utopia e utopia nem sempre é ruim.O jovem tem mais energia para defender suas ideias, porém os jovens devem se cuidar para não serem manipulados.”

 “Maria é mais importante que os apóstolos.”

 “Sejam revolucionários.”

 “É mais fácil ouvir uma árvore cair do que um bosque crescer.”

A Sincronicidade PAPAL II

Julho de 2013, o Papa Francisco dos católicos está no Brasil para a Jornada Mundial para a Juventude. Ao ler as notícias, vi qual era o lema da JMJ e recordei de um fato sincronístico e inusitado, ocorrido há 5 anos.

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Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio de Janeiro. O prédio era tombado e como tal, não poderia receber certas reformas necessárias, o custo benefício ficaria desigual e transferiram a rádio para uma sede moderna, com um equipamento melhor em Niterói.

— Você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói – comentei com uma locutora.

— Sabe o que eu gostaria de fazer hoje? – perguntei a ela.

— O quê? – a locutora perguntou.

— J.K., o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui? Gostaria de visitá-lo antes que seja tarde.

— Converse com o porteiro. Ele tem a chave – a locutora deu a dica.

O porteiro, que não se mostrou muito simpático à ideia, pois só havia ele para tomar conta da portaria, explicou que para chegar ao escritório teríamos que fazer uns “atalhos”. Pedi encarecidamente, com o coração, que ele me ajudasse, expliquei que era meu último dia lá (sem ter certeza) e ele acatou. O porteiro subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés.

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Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave da porta, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

Após fazer o comentário, ele abriu a porta e se colocou de lado. Ele não entrou. Eu sim.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek em agosto de 1976. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papeis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Acreditei que havia achado o que procurava.

Assim que alcançamos o térreo, agradeci ao porteiro com gratidão. Realmente aquele havia sido o último dia que eu colocaria os pés na rádio. Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

O lema da Jornada de 2013, é curiosamente similar ao que “recebi” no escritório do Presidente em 2008. Dessa vez não é Marcos, mas Mateus, 28, versículo 19, ao citar a fala da pregação de Jesus na Galiléia aos discípulos: “Ide, fazei discípulos de todas as Nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

Este blog é um exemplo do que fiz a partir de 2008: me movimentar e contar o que vivo (“ide e pregai”); repartir com todos os amigos e leitores os fenômenos ou eventos sincronísticos que vivencio.

As sincronicidades não são exclusividade de um grupo seleto de escolhidos. Esses fatos (como digo são fatos, não criações) pertencem a todos, mas eles espelham o seu grau de compreensão e sua percepção do que é importante para você e do que você chama de realidade, a mesma que você cria, que inclui a sua zona de conforto, a sua crença, os seus conhecimentos e as suas alienações.

O que sinto, literalmente, não só com a  vinda do Papa, mas com as passagens da Bíblia abordadas neste texto, é que o ciclo de aprendizado dessa última meia década chega ao fim, para que outro se inicie, como um passo dado após o outro. Sempre em frente, mesmo aos tropeços, lá vamos nós.

Tudo é vitória, mesmo que não pareça.

Dragão Chinês

Pessoas e fatos passados, presentes e futuros estão sempre conectados.

Cheguei de viagem há um dia. Hoje, sexta dia 31 de maio de 2013, uma amiga pediu que eu assistisse a um vídeo porque o entrevistado havia dito que nascera no meu dia e mês, 28 do 8. Era o depoimento de um senhor judeu, dado no Rio de Janeiro em 1997, sobre a família, campos de concentração e os horrores da segunda guerra. Além da data de nascimento, percebi na sala do entrevistado um dragão chinês azul (ver foto), o mesmo que há aqui na sala de casa há mais de uma década.

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A mãe de um jovem aluninho meu tinha um desses dragões (na verdade uma dupla) na sala. Uma vez o menino, então com 9 ou 10 anos se não me engano, me disse rindo que o maior homem do mundo era Hitler mas que ele não havia terminado de matar os judeus. Ele me disse que tinha aprendido isso no History Channel. Conversei com a mãe dele sobre isso. Dali em diante, soube que avó dele é minha vizinha, separada por um quarteirão e que ele havia nascido no mesmo dia e mês da minha sobrinha.

Voltando ao senhor judeu, de quem nunca havia ouvido falar, decidi pesquisar sobre ele hoje. Descobri que ele foi morto, dez anos após a entrevista, em um assalto ocorrido no centro do Rio, no dia  27 de maio de 2008. No mesmo 27 de maio, só que em 2013, eu estava em outra cidade vivendo dias emocionantes. 2008 é claro, dá 28…

Viajei no domingo dia 26 de maio de manhã em um voo previamente comprado em tarifa promocional. Um dia antes, no sábado, havia me despedido de um bom amigo que decidira voltar para o seu Estado natal, após uma temporada vivida no Rio. A partida dele seria na quarta dia 29, no mesmo instante em que eu estaria retornando à cidade. No astral, nossos caminhos provavelmente se encontraram e deve ter sido bonito. Durante sua temporada carioca, ele residiu com uma amiga, que raras vezes vi. Quando me preparo para embarcar no dia 26 de maio, quem aparece do nada? Essa mesma amiga, que me disse que havia comprado o bilhete um dia antes, por um valor alto, é claro. Mais surpresos ficamos, quando ela sentou no banco atrás de mim. Incrível… Se fosse só essa coincidência, já seria “alarmante”, mas pior foi que ao me levantar, vi que ao lado dela estava um radialista de um programa de esportes que assisto e o cara é botafoguense, o mesmo time que eu torço.

Para não aumentar este texto desconsiderei as pequenas sincronicidades diárias tais como ouvir determinada música por opção e ouvi-la um dia depois na TV; falar sobre algo e na rua alguém repetir a mesma coisa em seguida…

No dia 28 de maio, após vários atrasos, olhei para o relógio ao entrar “atrasado” no hotel: era 8 e 28 da noite, o inverso de 28 do 8. E durante o trajeto vi dois relógios de temperatura quebrados, que exibiam o misterioso 28 do 8! Podiam estar “quebrados”, mas para mim estavam conectados com a viagem no tempo e no espaço, além do mundo físico.

Ah… meu único irmão nasceu no dia 31, mesma data de hoje quando fui avisado sobre o vídeo/depoimento.

Vivi dias emocionantes nesta semana, a última de maio, verdadeiras conecções entre o passado e o futuro, tão bem explicitados na história do senhor judeu.

POSTO DE SAÚDE E SALA DE AULA

posto saude

Esta postagem fala sobre doença e pessoas… Claro que brasileiras, trabalhadoras, de todas as classes, que dentro de suas possibilidades, tentam fazer o melhor que podem para superar as dificuldades. Aqui, escrevo sobre os que ensinam e os que aprendem – ou quase isso – em um sistema que não deixa de nos ofertar uma incrível experiência espiritual e humana.

 

Estou fazendo exames há meses. Coincidentemente todos os dias marcados para consultas e exames, sem que eu pudesse opinar, foram datas significativas. Particularmente tão importantes que me fazem pensar  sobre a vida.

Fui ao posto de saúde nesta semana.

Havia um senhor à minha frente, tenso, andando de um lado para o outro, dizendo que havia sido agredido, que tinha o dedo quebrado. Parecia perturbado. Em sua angústia, deixava todos angustiados. Teve uma hora que ele falou: “A saúde neste Estado não melhora desde o (governador do Estado da Guanabara) Carlos Lacerda!”

“Por acaso” eu havia levado um livro do Carlos Lacerda para ler…

Primeira sinc do dia.

Marquei a consulta com a doutora, que chegou meia hora depois.  Eu seria o segundo a ser atendido, antes o senhor tenso… Durante essa espera, o paciente impaciente sentava e levantava no mesmo minuto, andava e voltava, falava mal do atraso e se erguia, andava para o outro lado, descia e subia escadas e voltava…
Olhei para ele que me pareceu familiar, mas não sabia de onde.
Quando a médica chegou, ele foi o primeiro a ser atendido.
O paciente entrou calminho e disse muito obrigado. Dali a pouco, ele já estava falando coisas meio desconexas sobre não ser bem tratado e a médica abriu a porta. Ele continuava falando, agora mais alto. A médica chamou outra profissional e entraram as duas e fecharam a porta. Maior climão. Daqui a alguns minutos, o paciente proferiu o nome.

Aí lembrei que ele já havia morado no meu prédio. Me lembrei dos porteiros falando das confusões que ele criava… O paciente saiu e bateu a porta. A doutora me disse que ele havia tido um surto e que precisava segurá-lo para que alguém da família viesse pegá-lo, mas o paciente desapareceu pela porta da frente.

Nesse interim, conversei com uma moça que esperava ser atendida. Ela me falou que é professora de história (!). História é uma grande paixão minha. Me perguntei “Para que a estou conhecendo? O que ela me dirá além disso?” Em poucos minutos eu saberia…

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Ela me contou que o salário de professora era 700 reais… Acrescentou que apesar de muitos alunos terem computador em salas de aula, na verdade em sua grande maioria são “analfabetos funcionais”. Ela acrescentou que tem por hábito contar fábulas para fazer pensar, mas que se surpreende porque os alunos não entendem as minúcias dos contos, das fábulas…

Por fim, ela confessou que o stress na vida pessoal e profissional lhe deram uma úlcera e vários quilos a mais.

Passamos a vida em busca do melhor, do ideal, de harmonia externa, de aceitação, quando em primeiro lugar, e sempre em primeiro lugar, deveríamos buscar a harmonia e a compreensão internas. O professor só pode ensinar o que já sabe, o médico só pode curar e receitar remédios para o que ele conhece. Ou não?… O ideal é que possamos nos entender, para descobrir quem somos, e para que assim possamos aceitar o próximo através de nossas/outras limitações. Em relação ao mundo externo, contamos com nossas percepções, e sincronicidades para nos guiar em busca de melhores escolhas, para sermos os médicos de nossas almas. O mundo é desarmônico e ele nos afeta com suas demandas… O que podemos fazer? Enlouquecer? Desistir? Só há uma resposta: amar e  perdoar, amar e  perdoar, amar e  perdoar. Não somos perfeitos, temos limitações, angústias que carregamos, mas podemos sim, ter maior clareza, maior discernimento, para escolher nossos caminhos ao deixar que nossas dúvidas, angústias, decepções, doenças sejam curadas pelo bem maior: o amor.