A CARTA DA MORTE

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Tenho por hábito tirar uma carta (dos arcanos maiores) de tarot, de manhã cedo, para que no final do dia, eu possa estabelecer uma correlação entre o arcano e o “resultado” (e a devida compreensão) das 24 horas. Muitas vezes, fico semanas sem tirar uma carta, ainda sentindo que a leitura dada pelo arcano, ainda não se desfez.

Esta postagem comenta uma carta do jogo de tarot, tirada “ao acaso”, e que me fez pensar mais uma vez sobre a vida. E a morte.

A partir dos 20 anos, realizei muitas coisas, e apesar dos conflitos internos, e das divergências. Ainda desejava realizar algo “dentro” deste mundo, realizações mais externas do que internas, por assim dizer. A década de 90 foi um período de estudos esotéricos, fenômenos e participação em  fraternidades e grupos espiritualistas. E comparativamente, o eu de hoje, ao analisar o eu do passado, “o vê” como um “produto do seu tempo” ou do tempo “dele”.  A cada nova década de vida, e principalmente após os 40 anos, deixei de acreditar em muitas coisas, e incrivelmente o mundo se tornou mais mágico.

Hoje, espero menos do mundo e das pessoas. Essa grande diferença – aprendida a duras penas, não nego  – é um dos caminhos para o desapego.

Esqueci de falar… Tirei a carta da morte.

Para quem a vivencia, a carta da morte é mais do que uma chance para mudar: é simplesmente a morte do que já não tem vida, é o fim do que não é mais necessário, do que não existe. Se recebemos a morte de braços abertos, ela apenas se comporta como um farol que alerta os navios para que não se percam no mar. Caso, se deseje correr da morte, aí sim, talvez o seu navio se choque nas rochas e afunde.

XIII-Morte

O alcance da morte é inusitado, pode não ter nada a ver necessariamente conosco, mas com as escolhas que fazemos e o universo criado – por nós – a nossa volta.

Vivenciei várias “mortes” nesta última semana, após a leitura da carta.

1 – Na última postagem falei sobre um parque público, no qual fui meditar há uma semana. Há uma belíssima mansão no local, cujo proprietário a mandou erigir na metade do século XX, para a mulher, uma cantora de ópera italiana. Ao estudar a história do parque, e da casa, encontrei o seguinte trecho:  “A escritora Marina Colasanti é sobrinha-neta de Gabrielle, a dona da casa.”  Marina é irmã do ator Arduíno Colasantique faleceu há 3 dias.

2 – No final de semana, assisti a uma entrevista do cantor Alceu Valença, na qual ele citava o violonista Paco de Lucia. Hoje, 3 dias depois, Paco falece no México.

3 – Há um vídeo na internet sobre o bate-boca entre um cineasta e um manifestante vestido de Batman, na porta de um shopping no Rio de Janeiro.

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O encontro ocorreu há mais ou menos um mês. Há duas semanas encontrei esse cineasta na esquina de casa e batemos um papo. Anteontem, antes de dormir, dei uma zappeada nos canais e vi que iria ser exibido um filme bem conhecido desse cineasta. Decidi assisti-lo. Um dos personagens era um vovó que não falava e que estava sempre em sua cadeira de rodas, assistindo a TV. Certa noite, os netos o encontram morto na sala: havia falecido em frente à TV… Um dos atores deste (grande) filme era o (também grande) Guará Rodrigues, que trabalhou em várias produções do cinema novo.

Guará Rodrigues
Guará Rodrigues

4 – Semana passada fui assistir à restauração do filme “Copacabana Mon Amour” de Rogério Sganzerla. Um dos atores que participaram do filme era o Guará Rodrigues.

Helena Ignez e Guará Rodrigues
Helena Ignez e Guará Rodrigues

Fiquei com a pulga atrás da orelha, nem sei direito o porquê e me meti a pesquisar ontem sobre o Guará. Para meu espanto, descobri que há alguns anos, ele foi encontrado morto, assistindo à TV… 

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AS SINCRONICIDADES SÃO NATURAIS COMO NOSSOS PENSAMENTOS

Perceba como as sincronicidades agem em nossas vidas, nos reconectando às nossas essências, nos permitindo tomar decisões baseadas não no voluntarismo, mas em questões inconscientes, para fora e além.

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Perceba e reflita sobre o dia-a-dia. É fácil ver gente nas ruas reclamando de tudo (no Rio, então…) e criticando umas as outras.  Outro dia, sorri quando um par feminino passou ao meu lado e uma delas comentou: “Você viu o cabelo da fulana? Que coisa horrível!”. Apesar de folclórico (tá… “engraçado”) e quase inofensivo, esse comportamento alheio não serviria para te aconselhar a ter mais cuidado com as críticas (externas) e principalmente com os seus pensamentos (internos)? Não abrir a boca, mas também manter pensamentos malignos, que crescem em sua mente, não é nada saudável. Não é saudável dizer o que se “pensa” sem refletir, como não é nada saudável perder tempo e energia perdendo tempo com pensamentos inúteis. Não concordar com o que os outros fazem é um direito seu, mas falar (a boca é livre) e não fazer nada para mudar é péssimo. A maior parte de nós não suporta qualquer crítica, porque fomos educados a nos manifestar através do ego. Ao sentir que vamos perder o controle, e não menos a razão – para não nos sentirmos uns zeros a esquerda – bloqueamos toda crítica externa e aceitamos todos os elogios. Nem 8 nem 80: não é para aceitar tudo o que despejam sobre você, pois não se sabe o real motivo das críticas serem feitas (há ego do outro lado também) mas é bom que se abra um espaço para a reflexão. A nossa natural “defesa” bloqueia o que não quer ouvir, reforçando uma autoimagem criada para a nossa proteção. O preconceito e as ideias fixas nascem da mesma fonte.

Há momentos na vida para deixar fluir e outros para tomar decisões.  Não conseguiríamos viver somente nos alienando (ou não… há controvérsias sobre isso).

Quando você tiver que tomar uma decisão e estiver sendo pressionado para isso, não se precipite. Equalize o tempo da consciência e o tempo do mundo. Medite calmamente antes de agir. Não pense em prós e contras, cale-se, silencie e deixe que o Ser Interno dialogue contigo. As sincronicidades abrirão um canal de diálogo, se antecipando no tempo-espaço, e te dando o amparo necessário. Não postergue além do tempo e nunca faça nada pelas costas, mesmo que façam contigo. Seja claro e educado, mas não deixe de agir, pois as energias da procrastinação são poderosas, são como cantos de sereia que afundam os barcos até o fundo do oceano.

Quanto mais expandimos a consciência para fora de nossas “cascas”, e quanto mais ela segue adiante, se reconectando a milhares de outros seres encarnados e desencarnados, mais somos (re)conduzidos ao nosso interior. Fazer essa viagem, em busca de respostas conscienciais, nos leva de volta a um tempo em que a nossa falta de experiência nos permitia, incrivelmente, nos impressionarmos com quase todas as experiências. Aproveitando o dia das crianças, pergunto-lhe se você lembra como era o ato diário de “descobrir a vida”?

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Você consegue recordar da primeira vez em que foi tocado pela água ao tomar banhinho? Você se lembra de colocar todos os objetos na boca para senti-los, ao invés de usar o tato? E… Você se lembra da primeira vez que teve prazer ao falar mal de alguém? Muitas vezes, o que foi, é e será. Crescemos em tamanho, mas a cabeça e a alma, nem sempre. A diferença é que a pureza anterior e o prazer pelas descobertas dá espaço a formas distorcidas de comportamento, todas influenciadas pelo medo.

As sincronicidades espelham o grau de compreensão de “sua” realidade, seja ela “inventada” ou “mais consciente”. Ninguém é superior a ninguém, cada um tem e merece vivenciar as próprias experiências.  Assim, como você pode ter várias sincronicidades que te conduzam a nada ou à realização de sua manifestação egoica. Cada caso é um caso. Por isso mesmo, como poderíamos julgar alguém?

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Vejam o que a imprensa – e obviamente o lugar-comum – faz com figuras como Eike Batista. Há anos era endeusado, agora é tratado com escárnio pelos compatriotas, do senhor ao escravo. Teria o senhor Eike pagado agora, com juros, por erros do passado, pessoais e administrativos, ou toda essa revolução é o prenúncio do seu renascimento ou do nascimento de um ser humano?

As sincronicidades são naturais como são naturais os teus pensamentos. Basta discernir qual te fala mais  diretamente ao teu Ser Interno.

A história que relato agora, fala sobre as estranhas conecções e relações humanas.

Há um bom tempo, assisti a um vídeo no YouTube sobre uma advogada carioca que havia sido presa por agredir um policial com uma navalha, e é claro, por embriaguez. Na delegacia ela deu na cara de um policial, e ficou famosa com o bordão “me filma, me edita”. Há umas duas semanas, se não me engano, cismei de mostrar o vídeo a um amigo. Dias depois, lemos a notícia de que essa senhora do “me filma” veio a morrer, ao se atirar pela janela do apartamento da mãe, após ter tentado matá-la. Foi uma “coincidência” pensar em alguém que não conhecemos e  que veio a morrer dias depois? Foi uma previsão? Uma intuição sobre a morte de alguém?

Para além dessa notícia,  conversamos sobre várias coisas, trocamos experiências sincronísticas, e o amigo falou que ao passar em uma determinada rua, Vinícius de Moraes em Ipanema, no Rio, gostava de olhar os pequenos prédios de 3 andares e pensar nos dramas pessoais que certamente ocorriam em cada um deles.  

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Aí tivemos um estalo. Voltamos à matéria sobre a morte da advogada e vimos que o nome da rua era o mesmo. Lemos a declaração de um porteiro que dizia que o prédio da advogada era em frente a uma casa noturna, já fechada. Como detetives, fomos ao Google Maps e com um pouco de pesquisa, descobrimos o número da casa noturna, em frente à casa da advogada: 288. Eu nasci no dia 28 de agosto. Mais intrigante ainda é que havia uma lista de canções pintada na porta da casa noturna com o nome do autor da lista. Ficamos de cara: era o nome e o sobrenome de uma pessoa que havia casado com a irmã do amigo (de outro Estado).  E mais incrível ainda, para nossas caras pasmas, é que a irmã do cara do “nome na porta” foi casada durante dez anos com o irmão do meu amigo… Vai entender!…

Há mais laços inconscientes entre as pessoas e os fatos do que ousamos conjecturar. Estejamos nós separados pela distância, pelos modos ou pelas ideias. É como se uma imensa rede, ou uma teia de conecções com uma intrincada e delicada construção, pudesse unir elos infinitos, como se um espirro dado em um lado do planeta, afetasse alguém do outro lado do orbe e vice-versa.

Por isso é lícito, digno e fundamental tomar decisões baseadas em uma enlevada intuição e discernimento profundos. Não se deixe levar por ações motivadas pelo medo ou por relações de poder.

Obs: Há alguns anos, uma professora de astrologia leu o meu mapa natal e aconselhou: “Você deve lidar com a verdade sempre, em qualquer circunstância.  Mesmo que seja duro.”  É o que venho tentando fazer desde então, nem sempre com resultados, digamos, confortáveis.  Estamos unidos por simpatias, ideias afins e principalmente para vivenciarmos uma história coletiva, talvez em função dos nossos karmas. Não importa se você está certo ou errado, viver uma história mesmo que chegue ao fim é sábio. Não vivê-la por medo é um atraso. Não vivê-la por consciência é um direito. Porém, toda história boa tem o seu lado “ruim” e toda história “ruim” tem o seu lado bom.

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JUNG, Carl Gustav. Sincronicidade. Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 2000, 10ª edição, volume VIII/3 das Obras Completas.

NOTA: Os números em colchetes referem-se à numeração original dos parágrafos e serve como referência para citação bibliográfica.

[959] Talvez fosse indicado começar minha exposição, definindo o conceito do qual ela trata. Mas eu gostaria mais de seguir o caminho inverso e dar-vos primeiramente uma breve descrição dos fatos que devem ser entendidos sob a noção de sincronicidade. Como nos mostra sua etimologia, esse termo tem alguma coisa a ver com o tempo ou, para sermos mais exatos, com uma espécie de simultaneidade. Em vez de simultaneidade, poderíamos usar também o conceito de coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos. Casual é a ocorrência estatística — isto é, provável — de acontecimentos como a “duplicação de casos”, p. ex., conhecida nos hospitais. Grupos desta espécie podem ser constituídos de qualquer número de membros sem sair do âmbito da probabilidade e do racionalmente possível. Assim, pode ocorrer que alguém casualmente tenha a sua atenção despertada pelo número do bilhete do metro ou do trem. Chegando à casa, ele recebe um telefonema e a pessoa do outro lado da linha diz um número igual ao do bilhete. À noite ele compra um bilhete de entrada para o teatro, contendo esse mesmo número. Os três acontecimentos formam um grupo casual que, embora não seja freqüente, contudo não excede os limites da probabilidade. Eu gostaria de vos falar do seguinte grupo casual, tomado de minha experiência pessoal e constituído de não menos de seis termos:

[960] Na manhã do dia Iº de abril de 1949 eu transcrevera uma inscrição referente a uma figura que era metade homem, metade peixe. Ao almoço houve peixe. Alguém nos lembrou o costume do “Peixe de Abril” (primeiro de abril). De tarde, uma antiga paciente minha, que eu já não via por vários meses, me mostrou algumas figuras impressionantes de peixe. De noite, alguém me mostrou uma peça de bordado, representando um monstro marinho. Na manhã seguinte, bem cedo, eu vi uma outra antiga paciente, que veio me visitar pela primeira vez depois de dez anos. Na noite anterior ela sonhara com um grande peixe. Alguns meses depois, ao empregar esta série em um trabalho maior, e tendo encerrado justamente a sua redação, eu me dirigi a um local à beira do lago, em frente à minha casa, onde já estivera diversas vezes, naquela mesma manhã. Desta vez encontrei um peixe morto, mais ou menos de um pé de comprimento [cerca de 30 cm], sobre a amurada do Lago. Como ninguém pôde estar lá, não tenho idéia de como o peixe foi parar ali.

[961] Quando as coincidências se acumulam desta forma, é impossível que não fiquemos impressionados com isto, pois, quanto maior é o número dos termos de uma série desta espécie, e quanto mais extraordinário é o seu caráter, tanto menos provável ela se torna. Por certas razões que mencionei em outra parte e que não quero discutir aqui, admito que se trata de um grupo casual. Mas também devo reconhecer que é mais improvável do que, p. ex., uma mera duplicação.

Tragédia anunciada (Santa Maria e Niterói)

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A tragédia na boate em Santa Maria, Rio Grande do Sul, com 231 vítimas no domingo dia 27 de janeiro, expõe mais uma vez a nossa desorganização. Parece incrível, mas o corpo de bombeiros local havia autorizado o funcionamento da casa noturna, conhecida como “arapuca”. Mas esta postagem se refere a outra tragédia: a do Gran Circus Norte-Americano em Niterói em 17 de dezembro de 1961, na qual morreram cerca de 500 pessoas. Na maior parte, as matérias jornalísticas sobre o incêndio em Santa Maria citaram essa outra tragédia, ocorrida há um pouco mais de 50 anos.

Um antiquário veio aqui em casa em novembro de 2010, comprar um antigo quadro sobre o incêndio do Circo em Niterói. O quadro ficou parado no mesmo lugar por mais de 3 décadas, só saindo daqui em função dessa venda. Conversando, soube que o antiquário estudara na mesma faculdade que eu, nos mesmos anos. Logo depois, ele me contou sobre o irmão, que tocava violão e que havia acabado de comprar um instrumento novinho.

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“Não existem coincidências”…

2 dias depois que o antiquário esteve aqui, exatamente no dia 30 de novembro de 2010, fui ao show de um amigo. Na entrada, ganhei uma revista de História da Biblioteca Nacional de brinde. Ao folheá-la, vi uma matéria sobre o incêndio em  Niterói, exatamente o mesmo tema do quadro. A coincidência me chamou a atenção. A primeira sensação que tive é que o quadro “se foi” na hora certa. Não era mais para estar comigo. Porém, refletindo um pouco mais, achei que havia algo nessa partida relacionado à morte.

No  primeiro dia de dezembro de 2010, logo depois do show, o antiquário me disse que o seu jovem irmão havia morrido em um acidente de carro.

Matéria da Revista de História sobre o incêndio no Circo em 1961.

ÁGUA BENTA

Ontem fui dormir na casa de um casal amigo. Passei uma noite agradável com Clarinha, a amada filhinha deles. Durante nossas brincadeiras, ela me perguntou se eu queria brincar de “águinha”. Disse que sim e ela espargiu o conteúdo de uma vasilhame de plástico sobre mim, no rosto, e nos meus cabelos . “Você vai tomar banho de águinha, tio Tarlos!”, ela disse com T mesmo. Feliz, a menina não parava de gargalhar.

Os pais pediram a ela, um intervalo das brincadeiras para que pudéssemos jantar. Sozinho, olhei para o quarto de brincar, todo enfeitado, e cercado de bonecos, brinquedos e um armário todo incrementado, me senti irmanado, em um ambiente puro, de criança. Era onde eu dormiria. Estava escrito no travesseiro: “Eu acredito em fadas.”

Quando o pai de Clarinha entrou no quarto, me perguntou que água era aquela que ela havia usado para me molhar. Eu apontei o vasilhame e ele me falou:

“Você não vai acreditar, mas essa é a água benta que compramos na missa de sétimo dia de sua mãe há 6 anos!”

Clarinha e a água benta

Adendo: Agora mesmo, zapeando, decidi parar na TV Cultura. Como está sendo exibido um filme brasileiro, preto e branco, dos anos 50, dei numa conferida. A história se passa no Rio de Janeiro e um dos personagens acabou de falar, em menos de 5 minutos de exibição: “Amanhã, às 3 da tarde no Jardim de Alá!”. Eu moro ao lado do local. O que acontecerá? Até mesmo pela curiosidade, vou checar que informação sincronística é essa!

A LUA e o CRISTO de 2 de agosto

 

Ontem, dia 2 de agosto foi um dia, especialmente “diferente”. Já sou uma pessoa muito sensível mas ontem, foi “além”. Over. Como uma lua cheia prenunciava tomar o céu de assalto, os fatos misteriosos e sincronísticos começaram a tomar forma logo de manhã. Bem cedo, uma brincadeira feita comigo, me deixou muito angustiado. Senti meu coração correr aceleradamente. Incapaz de mudar o destino, me percebi engessado e ao mesmo tempo resignado. A sensação foi ainda mais virótica porque não tenho com quem conversar ou dividir esses sentimentos, por isso os compartilho com os leitores, para que se sintam, talvez em suas solidões, que estamos todos  irmanados. E que sempre há solução.

Estou envolvido em um projeto, no qual trabalho diariamente, saindo de casa às 8 da manhã e chegando entre meia noite e uma da manhã em casa. Por acaso, ontem foi o primeiro dia em que “descansei”. Estava exausto, a cabeça tonta, sem pensar direito e o coração acelerado.

A sessão de sincronicidades começou cedo: um rapaz, fiscal do metrô, veio em casa às 9 da manhã, e falou sobre “coincidências” e autoajuda. Ele era do sul e estava há uma semana no Rio. O presenteei com meu livro sobre sincronicidades. Ele o abriu aleatoriamente, e sorrindo me mostrou a página: “Sincronicidade do Destino”.

O telefone tocou: era um amigo de Manaus, que precisava me transmitir uma mensagem espiritual. Recebi o comunicado com o coração palpitando, mas ciente de que aquela mensagem àquela hora não poderia ser à toa. “A hora chegou”, ele disse.

Logo depois, um outro amigo querido me escreveu para me avisar que há dias, pensava em mim e que precisava falar comigo para me passar outras mensagens e percepções. Mas me adiantou algo: “que dar felicidade às pessoas era o plano cósmico”. Respirei fundo.

No começo da tarde do dia 2, eu deveria participar de uma filmagem com uma equipe do sul do país (lembrem do friscal do metrô, também do sul). Como era para voltar à rua do meu antigo colégio – já demolido – lá fomos nós, com a equipe de filmagem. Não compraram uma garrafinha de água, porque acharam caro: o preço era 2,28. Eu nasci no dia 28 de agosto. Entramos na rua para filmar. O Cristo Redentor, bem lá em cima, estava lindo, sob um belo céu. Ele é lindo demais. Entramos na rua do colégio, e logo de cara vi uma casa de número 28. Mais vinte e oitos.

 

Cristo Redentor

Cristo Redentor (Photo credit: Thiago Trajano)

 

Percebi a rua com um carinho que nunca havia sentido antes. Eu ia para o colégio todos os dias, há 30 anos e nem percebia a beleza a minha volta porque eu sempre ia chateado. Eu não percebia a beleza que havia na rua, nas casas, nas árvores, no céu, no ar… eu não via a beleza do mundo. Hoje meus olhos e alma percebem tudo diferentemente, a sensibilidade aumentou, e a percepção.

Rua.

Lua.

Ao filmar, a diretora de fotografia viu um livro semiencoberto em uma bancada em frente à uma antiga loja. Para não entrar em pormenores, posso dizer que o título do livro encoberto era o mesmo nome do filme. Todos ficaram estupefatos. No final da filmagem, já a noite, debaixo de uma gigantesca lua cheia, mais “coincidências” sucederam-se.

Ao chegar em casa, com o dever cumprido, tudo já cheirava a passado. O que havia antes, um dia antes, havia se desfeito. Não havia traços ou vestígios do dia anterior. A energia mudara, transmutara radicalmente. Era tão visível, perceptível que me espantava que todos não vissem. Ainda me sentia angustiado, com o corpo energizado, peito palpitando. Coloquei meu destino e vida nas mãos de Deus. Assumi que não tenho mais força e capacidade para lutar, para me conduzir, e me doei. Entreguei-me ao destino. A sincronicidade não só aponta, como conduz os caminhos. Confio neles.

O mundo não nos pertence. Estou nele, faço parte, mas não sou ele. Podemos ser mais, menos, demais, de menos. Sou apenas um filete de água no fluxo do rio caudaloso e vivo, bruto e singelo, forte e sereno. Ondas de energia, marolas de consciência. A sensação que tenho de dissolução é gigantesca. Mas não posso mais me deixar abater: doei minha vida à sincronicidade. Que ela conduza meus caminhos submetidos à vontade do Criador e do Universo. A nave mãe não virá nos buscar, pois nós somos as suas extensões, somos ela. Se conseguiremos, ou não, estar na nave, depende de nós. Entre levantar e cair, vivemos. Entre amar, amar e amar, vivo.

 

Deutsch: Christus Erlöser in Rio de Janeiro Po...

Deutsch: Christus Erlöser in Rio de Janeiro Português: Cristo Redentor do Rio de Janeiro (Photo credit: Wikipedia)

 

Renasci mais uma vez, fiz aniversário antecipado em dia 2 de agosto, recebi presentes do Cosmos e ele me acarinhou. “Confie!” Pelo visto, datas não valem mais nada, mas números sim.

Sincronicidades sempre.

 

 

 

POUCOS MESES PARA O FIM DE 2012. ÍCARO E FÊNIX.

A maioria certamente aguarda o fim do mundo em dezembro de 2012 com curiosidade e descrença. Muitos não acreditam, e outros como eu, vivem reformas internas que podem ser consideradas como “fins do – velho – mundo”. Essas reformas se materializam no mundo externo primeiramente através de um novo olhar, um novo sentir que não encontra espaço no lugar comum. Primeiramente, se vive um “despertencimento” do externo. Não há nada no mundo externo que te encha os olhos. Tudo passa a ser uma bobagem, a única coisa que importa é colher a boa semente plantada na alma: o amor. Percebe-se que não há outro caminho a não ser adequar os fatos internos e externos, normalmente dissociados. O aprendiz ou adepto dessa “Nova Era”, pressente em seu coração, que não há mais como “pretender”, “fingir que é”, “interpretar” ou “achar que é”. Ou é ou não é.

Nada é negativo nesse estágio evolutivo, são ações internas mais importantes do que palavras, são mudanças incompreendidas pelo olhar exterior, que prima pelo “social”, pelo pior aspecto do coletivo: o medo, o julgar, o medir, o pensar negativo sobre os outros, ao invés de procurar as soluções em você mesmo. Há uma guerra descomunal entre as externalidades, que lutam desesperadamente para manterem-se no topo e uma nova força ascendente, interna, aparentemente sem ter como “competir”, dona de uma energia ensolarada, transformadora. O “choque” entre as duas energias é motivado pela necessidade de o planeta transcender ao estágio anterior, o estágio do querer ser, do pensar e não conseguir fazer, do perder-se de si mesmo por causa do julgamento confuso.

O novo estágio está além de religiões e valores sociais. Quando digo julgamento, me refiro à diferença entre o olhar interno e o externo. O viver em sociedade é moldado por valores irrealistas, que uniformizam o ser humano em atitudes externas que não encontram respaldo nas necessidades da nova alma.

Fortes mudanças externas mostram que o bebê gestado dentro de mim precisa vir à tona. E que está prestes a nascer.

Há alguns meses precisei de uma segunda vida de carteira de identidade. Para isso precisei de minha certidão de nascimento. Ao procurá-la descobri que ela havia desaparecido. Encontrei uma única cópia xerox com firma reconhecida. A sensação que tive é que eu não havia nascido ou que havia morrido. Motivado pela inexistência de um papel, para me referendar, para me dar “vida”, me senti inexistente ou “morto” pela falta da documentação. Precisei me recompor. Foi uma sensação estranha, angustiante. Consegui dar entrada no R.G. com o xerox e no mesmo dia, procurei me informar sobre o cartório para tirar uma segunda vida da certidão de nascimento. O cartório não existia. Pela circunscrição, fui até o novo endereço. Ao chegar lá, vejo operários derrubando o prédio. Me assustei. Me senti literalmente “demolido”. Ao perguntar a um porteiro no prédio ao lado, se ele sabia onde era o cartório, ele escreveu São João Batista, o endereço de um conhecido cemitério. Em seguida, o porteiro acrescentou um número: 28. O dia em que eu nasci. O recado estava dado. Nesse mesmo dia, me senti morto (o antigo sem documentos) e em seguida redivivo, por ajustar o interno com o externo (a documentação).

Vivi o estágio da fênix.

A partir desse mesmo mês, saldei dívidas inesperadas e investi em um projeto profissional ousado, que se mostrou bem sucedido. Era Ícaro rumo ao sol. Trabalhei sob uma saraivada de críticas, e descrédito de muitos, inclusive de pessoas que amo. Foi difícil, houve momentos angustiantes, mas segui adiante, voei com minhas asas de cera, cada vez mais alto, não por mim, mas pelo meu coração, pelo filho gerado dentro de mim, pela alma criança que tudo pode, pelo amor. Não consegui comemorar ao atingir o objetivo. Em meu coração não havia motivo para sentir júbilo, havia ganho uma batalha em meio a uma guerra de energias. Havia cumprido meu papel e não senti alívio, nem me senti especial. Na verdade foi importante, necessário mas cansativo.

O resgate de meus documentos, me fez sentir vivo de novo, mas não mais ligado ao mundo que conheci. Os documentos velhos se foram, porque eu não era mais a mesma pessoa. Decidi jogar muita coisa fora, doei roupas, dei móveis, quadros, pintei meu quarto em busca desse mesmo amor, fiz obras externas para referendar o interno, dei aulas para crianças em busca da pureza e de mais aprendizado, e cumpri as metas de 2012.

A proximidade do sol, não derreteu minhas asas, mas mostrou que o mundo de minha infância, da minha pureza “pura” estava ultrapassado. Aprendi com a  nova pureza a não me deixar contaminar pela maldade, pela incompreensão, pelas críticas. Rezei forte, muitas vezes para não cair em tentação, para não retaliar quem me atacava, para não responder à altura. A única solução possível para minhas necessidades materiais e espirituais seria seguir as sincronicidades e prencher meu coração com resoluções internas que nem sempre precisavam de respaldo externo. O aprendizado do passado me fez chegar até o hoje, é fato, mas era insuficiente para as novas resoluções. Cada vez mais, cada novo dia se tornava um novo dia. Cada bater de asas te eleva, mas te cobra mais determinação. Eu nunca havia vivido 24 horas como vivo hoje. Antes, as horas voavam, passavam. Hoje, sinto cada hora como UMA hora e não mais como minutos. Apesar de o tempo parecer mais acelerado, as sensações são muito diferentes.

Encarno o espírito dos novos tempos, trago em mim 2013 e ele é misteriosamente belo, transformador e revolucionário. Grandes asas e grandes metas. Era de  uma hélice a mais e de nova configuração para os “velhos” ADNs. 2013 antecipado faz meu corpo tremer, me desasossega e me rejubila. Me sinto o amanhã que não existe hoje. Me sinto família, pai e filho. Vishnu e Shiva. Sou o nada e o tudo, a esquerda e a direita, me amedronto e me rejubilo, porque estou a caminho da liberdade, e a liberdade de uma nave em pleno espaço aperta o coração. O Ícaro de asas abertas impressiona e assusta.

Em outros textos, detalhei experiências e vivências minhas e de pessoas próximas. Nesses últimos meses, vivi crises pessoais, dilemas, insights poderosos. Recebi amor e incompreensões demais, tudo em excesso. Nada era pouco, era como uma chuva torrencial, após a seca. Não sei em relação a todos os leitores, mas os sinais, não de um fim do mundo coletivo, mas do começo de outro, completamente diferente, são muito mais do que palpáveis. São tão reais que já nem acredito mais neles, simplesmente os vivo. Não são fáceis de entender, mas são mais do que sinais, são cartazes gigantes, outdoors de energia radiante. Esses sinais são mais complexos do que os de antes, que agora me parecem imaturos, fantasiosos. As experiências sincronísticas de antes, hoje me parecem muito distantes. Não fazem o mínimo sentido. As sincronicidades de hoje são como faca afiada, não vêm para colar pedaços, mas para retalhar o antigo. A complexidade das sincronicidades mais recentes tornam todas as experiências sincronísticas, verdadeiras experiências de quase-morte. E é muito difícil falar sobre isso, abrir o coração dessa forma, mas foi por esse motivo que iniciei o blog: para expor experiências muito fortes, radicais.

Não há como ter esperança no amanhã, sem que o coração esteja conectado, cumprindo as metas individuais que são na verdade, coletivas, ou ligadas a um determinado grau de evolução e cumprimento de ajustes na rede dos acontecimentos.

Nesses últimos meses houve muitas reviravoltas em minha vida, e na de amigos mais próximos, planos que se desfizeram ao sabor da mudança do vento, situações que necessitam de ajuste e que ainda estão em clima de espera, dores profundas da alma que ainda sangram, movimentos em zigue zague, e mudanças radicais, muito radicais, mudanças de quase-morte-em-vida. Fases de renascimento. Não sei em relação a vocês, mas hoje tudo para mim é excessivo, é sobressalente. Só me importa o básico, a vida, o amor. Estudei demais e concluí que a sabedoria do mundo está na simplicidade. Andei demais e vi que a nossa esquina é o quarteirão do mundo. Meu coração hoje diz claramente que não só o amanhã se faz hoje, como que eu não “estarei mais”, mas que “serei” e que viverei cada vez mais conectado aos desígnios da alma. 2012 nos faz sentir como cápsulas libertas no espaço. As cápsulas podem retornar à nave mãe, mas como não desejam fazer isso, estão prestes a cair na imensidão negra, misteriosa do universo, do espaço infinito, mas essa possibilidade é assustadora, não pelo medo, mas pelas possibilidades múltiplas. O grão de areia é o cosmos. O coração palpita, próximo à resolução.

Em dezembro de 2012, o meu, o nosso antigo mundo estará terminado, se assim quisermos e fizermos por onde. Ícaro e Fênix. O grão de areia, o cosmos inteiro.

Cada novo mês para mim é um avanço, uma nova compreensão, cada semana mais uma batalha vencida em busca de respostas e cada dia é um novo dia. Não vivo como antes medindo meu tempo em planejamentos, planos, certezas ou sonhos. Nem sei mais o que é me desiludir, se me desiludo ou venco um obstáculo, não comemoro mais, não há vitórias ou derrotas, só há a vida, só há o rio em movimento e não há por quê julgá-lo, não há por quê medir o seu curso, ele só é o que é. Hoje não sonho, vivo. Nem sou triste ou feliz, apenas sou. Não tenho paciência para novidades, para internet, para TV, para papo furado, conversa jogada fora, gente que sabe demais, gente que nada sabe, enfim… Estou “morto” em relação aos “vivos” e como a carta do tarô do louco, estou livre para renascer, para reencarnar em vida. As sincronicidades abençoam e nos alertam de que a hora está próxima. A realidade é mais palpável para mim do que era antes e essa realidade é bem diferente da anterior.

Todos somos irmãos, geneticamente, espiritualmente e miticamente como Caim e Abel. Todos nós fazemos parte de um mesmo grão, de uma mesma célula, brigamos e nos entendemos, aceitamos e refutamos. Somos escolhas. Parte da mudança depende de nós, outra parte depende do “destino”, engenhoso estrategista que nos apresenta charadas inteligentíssimas, que nos induzem a decifrá-las ou simplesmente nos intuir em que direção ir. O mais fantástico de 2012 é que o antigo sistema de karma parece estar chegando ao seu inexorável fim: já não há mais karma e correntes que nos prendam a ações passadas. Já não há mais karma, não há mais cobranças. É o sonho de qualquer ser que pretenda se libertar, se tornar Ícaro e seguir rumo ao sol, sem que as asas de cera se derretam. 2012 marca escolhas que não se podem mais nos punir. As antigas instituições morrem cada vez mais rápido e o novo Deus menino está prestes a nascer até antes que 2012 se encerre.

Ícaro e Fênix. O grão de areia, o cosmos inteiro.

Escolha A

ESCOLHA A

Hoje.

Vi  um DVD na mesa da sala de uma amiga as 10 da manhã. Ela me perguntou se eu queria levar emprestado para assistir. Agradeci, mas disse não: “Meu aparelho de DVD quebrou e não gosto de assistir nada no computador”. 6 horas depois em casa, ligo a TV e sem querer, assisto ao mesmo DVD, exibido na TV. No final do filme, vejo uma parte que me explica o por quê desse filme vir até mim. Comecei a chorar.

Não houve como não me emocionar.

 

Bem, vamos à coluna de hoje.

 

Sumi de cena durante alguns meses por questões pessoais, questões tão sérias para mim, como descobrir que os Maias, de fato, estavam certíssimos ao profetizar sobre o fim do mundo em 2012. E como todos sabem, ou intuem, amigos e leitores, não há fim ou começo. No fim está o seu princípio. Não há luz e trevas, erros e acertos, vida sem morte, nascimentos sem conflitos.

Só HÁ.

Em setembro do ano passado, falei para alguns amigos, meio na intuição e entre risos: “Exatamente daqui há um ano serei rico”.

E a intuição deu certo. Daqui a alguns meses, entre meu aniversário em agosto de 2012 e o mês seguinte, um ano depois da “profecia”, minha vida será brindada com uma novidade revolucionária. Quando falei por falar, era apenas uma profecia misturada a desejo, uma esperança transformada em ação. Em setembro de 2011, meu coração intuía o resultado, apenas intuía, e me deixei levar. Como tudo nesta vida, não há luz sem sombras e sombras sem luz. E há várias formas de riqueza.

A vida é maravilhosa.

Como sou uma pessoa mais vulcânica do que pacífica, não é muito fácil para mim ver o futuro claramente entre aspas e desassossegos, de forma passiva. Eu tento agir meio na teimosia, intuído, mas sabendo que o resultado de 2 mais 2 provavelmente será 4, porém com o sabor quântico de 4,5. Acredito que as pessoas que não esquentam a cabeça, vivem “melhor”, mas também não podem chorar por não terem tentado. E assumo que choro muito, sempre chorei, sou lágrimas de dor e alegria. Enfim, “há muito mais coisas entre a capital e a ex-capital, do que supõe a nossa vã política”.

Apesar e por quase de 2012, as sincronicidades não me deixaram em paz, graças a Deus, apesar de eu andar engessado há meses.

Como citei antes, passo por uma grande transformação. Em direção a uma escolha, como a de Sofia. Poderia ser mais fácil, bastaria escolher, mas nem sempre é assim. Toda decisão é revolucionária, amparada pelo destino ou pelas dificuldades, por pedras ou flores no caminho. E a escolha é um simples sim ou não. A ou B.

O destino, as sincronicidades, não apenas me forçam a escolher uma opção claramente, mas também me aconselham que os meios para a escolha se concretizar estão a caminho.

Dia 1 – Encontrei um velho conhecido no metrô anteontem. Não o via talvez há dez, quinze anos, não sei.  Ele conversou comigo, contou algumas histórias e em meio a vários papos, ele colocou a mão em meu ombro e me disse: “Escolha A”. Há noite, algumas horas mais tarde, encontrei um amigo. Conversei sobre a situação com ele. Uma desconhecida se levantou por trás dele, sentada em outra mesa, passou ao meu lado e tocou meu ombro (o mesmo gesto de horas antes) e me disse: “Desculpe, mas eu não pude deixar de ouvir a conversa de vocês. Sou médium espírita. Escolha A”.

Dia 2 – Voltando para casa, senti que era para dar “uma passadinha” no correio do meu bairro. Fui atendido por uma pessoa que sempre converso, a  Claudinha. Ela me perguntou se estava ocorrendo algo, falei por alto e ela parou para falar comigo, compenetrada, e deixou os clientes para lá. A nossa conversa era mais importante. Ela me aconselhou: “A”.

 

“Isto não é o fim. Não é sequer o princípio do fim. Mas é, talvez, o fim do princípio.”  Winston Churchill.

Operação Espiritual e Fim do Mundo – um testemunho.

Muito se fala do fim do mundo em 2012.

 Vivi meu primeiro fim do mundo em 1999 e também minha primeira operação espiritual conduzida por entidades, anjos ou extraterrestres, tanto faz. Chame-os como você preferir após ler meu testemunho.

 Desde cedo, sentia um certo desconforto devido ao noticiário – prioritariamente internacional – sobre o eclipse de 11 de agosto de 1999, data em que haveria um eclipse que só seria visível plenamente em partes da Europa. No Brasil não veríamos nada, mas estávamos conectados à moda do fim dos tempos e para complementar muitos ainda achavam o Brasil o fim do mundo. Diziam que Nostradamus havia predito o fim dos fins para esta data. Como tudo que vem do primeiro mundo vira notícia rapidamente, os meios de comunicação não falavam em outra coisa.  Muitos tinham certeza que o mundo iria acabar. A TV preencheu o tempo ocioso com tolas reportagens sobre o que as pessoas fariam se o mundo chegasse ao fim…  Enquanto ouvia piadas sobre as consequências nefastas do eclipse, ficou claro que as chacotas encobriam o medo dos que não acreditavam.  Nada, absolutamente nada deveria alterar o rumo normal de suas vidas, mas meu íntimo dizia que o fenômeno celeste seria algo muito especial.

    Acordei em 11 de agosto de 1999 com um enjôo inexplicável, até mesmo sem vontade de tomar o café da manhã.  Entrei no carro de um amigo para ver o ensaio dele ao final da tarde. O hálito da gasolina e do estofado de couro sintético infestavam o ar do veículo e eu fiquei ainda mais enjoado.  Entrei na sala de ensaios, não comi ou bebi nada. Comecei a sentir algo maior do que um enjôo na região umbilical.  Tentei disfarçar o mal-estar, que beirava o insuportável. Agradeci internamente o término do ensaio, 2 horas depois e ainda sofri fisicamente na carona de volta à casa, gentilmente oferecida.  Me esforcei para dissimular a dor que subia às vísceras. Ao descer na porta de casa, senti-me menos ser humano e mais um projeto de grávida aos oito meses. As pontadas e chutes que vinham de dentro faziam tremer as paredes do corpo.  A dor se alastrava, como se uma febre repentina houvesse dominado a última das resistências. Nem caminhar em linha reta era possível.  Entrei em casa torto pelo excesso de dor.  Uma tristeza infinita tomou conta de mim, fazendo das lágrimas testemunhas de uma dor maior do que a meramente física.  Possivelmente era na alma.

   Minha mãe estava na sala, assistindo TV. Ela notou meu estado, perguntou algo, mas se satisfez com a resposta mentirosa, na verdade preocupada em não preocupá-la.

Os sons que vinham da TV estavam estranhamente mais nítidos, com os agudos mais agudos e os graves, tremendo o chão. Curioso, como minha mãe nada ouvia de diferente, só eu. As imagens estavam com cores esfuziantes, de tons cítricos, que doíam os olhos. Tudo aquilo me incomodava demais. Me ergui, passei a rodopiar por todo o apartamento como se qualquer interrupção pudesse despencar o meu corpo ao chão. Repentinamente, fiquei paralisado, olhando fixamente para uma fotografia dos meus pais sobre a mesa. Com um misto de surpresa e susto, percebi que meu pai estava mais desfocado em relação à mãe. Ainda assustado com a descoberta do que deveria ser considerado um fato banal – na verdade, a foto até ontem estava em foco -, senti meu corpo ainda mais entorpecido, como se tivesse ingerido qualquer alucinógeno.  Pensei na possibilidade de ter bebido algo suspeito. Nada… Essa explicação não colava.

Pedi licença e fui me deitar. Quem disse que adiantou algo? O enjôo era maior ainda, eu me virava na cama e não conseguia dormir. Decidi voltar à sala, uma meia hora depois. Estava tudo às escuras, minha mãe fora dormir. Voltei ao sofá da sala e liguei a TV. Nem me passou pela cabeça descer para a rua, ela me pareceria inexpugnável demais. Mas o que antes parecia ruim, ficou pior ainda: além dos sons ultra-equalizados e as cores excessivas da TV, os sons da rua pareciam estar no meio da sala. Ouvi uma conversa entre 2 mulheres e cada uma de suas palavras com clareza. Eu resido em uma rua principal de uma cidade grande no quarto andar do qual se pode ouvir o ruído das máquinas sufocadas, dos elevadores em movimento, da eletricidade sob o solo, mas não uma conversa clara, a não ser que fosse gritada. Incomodado, me dirigi à janela e vi as duas conversadeiras e um cachorrinho há 2 quarteirões (ou quadras) de distância. Ali, jogado contra a parede, percebi que meus sentidos estavam excitados: via tudo melhor, ouvia melhor e me sentia diferente. Surpreso, voltei ao sofá e para minha surpresa, assisti ao ambiente metamorfosear-se: o teto encheu-se de vida e se curvou sobre mim.  As paredes e o teto se comprimiram arredondadas, exatamente quando ajustamos as extremidades da tela de um computador.  Me senti acuado, mas não senti medo. Paralisado durante algum tempo, consegui mover-me para além daqueles centímetros, após minutos passados como uma estátua humana. Desse ponto em diante, nada mais me parecia natural, os sentidos haviam se alterado e a percepção trazia surpresas impressionantes.  Uma voz não falada sugeriu que fosse me deitar. Um coro de passarinhos cantava sem parar, em plena madrugada.  Uma orquestra fantasma de sinos passou a ecoar em minha cabeça, vozes de muito longe eram ouvidas com proverbial clareza, pensamentos perdidos na rua eram captados sem censura, em um frenesi de mentes e sensações que iam simplesmente chegando, mais e mais, entrando sem permissão. Os sons chegavam claros e audíveis. Já deitado, meu corpo não encontrou descanso: foi submetido a uma sequência de puxões, como se uma corda invisível o puxasse para o alto, gritando para que o meu espírito se libertasse. A cabeça e os pés ficavam nos mesmos lugares, mas o meio do corpo teimava em voar, provocando uma situação muito desconfortável.  “Por que isso está acontecendo?” perguntava, com certeza de que alguém estava me escutando, mesmo que não soubesse quem.

   A cama rangia de dor com as pancadas firmes contra o estrado, enquanto o meio do corpo alçava vôo, apesar da teimosia da cabeça e dos mesmos pés que, inconformados, permaneciam colados à cama. “Eu quero ficar aqui. Não quero ir embora!”, insisti que era necessário continuar onde estava, no meu mundo, e que não me interessava visitar outros. Minha mente confusa raciocinava como dois personagens se digladiando em divergência de julgamentos.  Após uma batalha desleal em posse do corpo, insisti e consegui esboçar uma reação, levantando-me, mas voltei a ser puxado à cama.  Conformado e entorpecido, obedeci à nova ordem de ficar de bruços, enquanto sentia uma energia, assumindo a forma de um tubo, sugando algo de dentro do meu corpo: era uma cirurgia espiritual. Palavras parecem incapazes de descrever uma situação como essa. Uma espécie de consciência externa sussurrou-me que eram doenças e algumas dores da alma que estavam me abandonando. Estavam me prestando um auxílio. Pediram-me que eu deitasse de barriga pra cima. Através de uma das narinas, outros males foram sugados pela luz em forma de um canudo translúcido.  Em seguida, mais deficiências foram expelidas pela outra narina. Pude ver uma luz transparente, como uma ponte luminosa saindo do meu nariz. Apesar do efeito de uma anestesia sem nome, percebi que não estava sozinho no quarto. Ao virar levemente a cabeça para o lado direito (não pude virar a cabeça muito, não conseguia. Apenas esticava o olho), pois no lado esquerdo estava a janela, vi um grupo de pessoas no canto direito da cama, de túnicas brancas e com os braços estendidos, comandando o show de luzes. Os “canudos” luminosos saíam das palmas de suas mãos para me curar, tudo em extremo silêncio. Os ruídos da minha mente e da rua haviam cessado. Surpreso, ainda consegui vislumbrar, por uma fração de milionésimo de segundos – que só os equipamentos fotográficos mais rápidos poderiam acessar – que havia quatro pessoas no quarto com fontes de luz que saíam das palmas de suas mãos, tocando-me por toda a extensão do corpo. Todos vestiam túnicas brancas. Lembro nitidamente de uma mulher loura de cabelos até o ombro; de um senhor com barba grisalha bem cortada e bigode, de uma outra mulher que não lembro de suas feições e de um extraterrestre da raça conhecida como “cinza”. Esse me chamou a atenção, pois era o último à minha direita, próximo aos meus pés. Apesar do receio inicial, já não se fazia necessária nenhuma resistência, pois o que havia começado há horas, com um ensaio enjoado, aparentemente estava chegando ao fim. Os sentimentos estavam emaranhados, mas não poderia acreditar em uma experiência que fosse perversa.  Senti e acreditei que estava em boas mãos. Talvez o medo tivesse que ser controlado por uma necessidade maior. Como saber? As “amarras” que prendiam meu corpo foram soltas assim que a operação terminou. Houve um silêncio mais silencioso, súbito, calmo, regenerador. O quarto pareceu ter ficado mais escuro, mas o ambiente estava higienizado, tudo na maior tranquilidade. Nenhuma presença no local. Apenas paz e silêncio. Foi-me dado o direito de voltar à sala, o que fiz sem pestanejar.  Claro que, anestesiado pelo impacto, cambaleei, ainda sem compreender o inusitado e a razão daquilo tudo, mas ficou evidente o quanto forças invisíveis interagem em nossas vidas.

   Na manhã seguinte lembrei-me das notícias sobre o eclipse. A maioria encarou o eclipse como uma brincadeira. Um excepcional e desconhecido matemático riscou no céu conjunções e oposições de Saturno, Júpiter, Mercúrio, Lua, Sol e Marte em conflitos e alianças. Não poderia ser autossugestão, nem coincidência o que acontecera comigo na hora do eclipse. Eu não poderia ser o único a ter passado por isso. Talvez tivesse influenciado muito mais pessoas em todo o mundo, mas todas mantiveram-se, estranhamente, caladas. Nenhuma nota em jornal, nenhum comentário. Uma boa quadra de Nostradamus que não se cumpria, e todos sentiram-se aliviados. “Ele errou! Nostradamus é uma farsa! Só o mundo visível é real!”, ouvi e sorri. Mas como se diz, os cães ladram e a caravana passa. É sempre necessário ver para crer? que nos cerca de dúvidas até que chegue o derradeiro momento da revelação. Os maiores estudiosos só decifram a charada após a profecia ter se cumprido e tem sido assim há séculos.  Quando não se realiza, metade suspira aliviada, metade faz pouco caso.

    Assim que amanheceu, fui caminhar para refletir sobre o ocorrido. Em muitos rostos pude reconhecer que eu não fôra o único a passar por uma experiência paranormal.  Quando nossos olhares de desconhecidos se cruzaram, era nítida a impressão de que conseguíamos traduzir nossos códigos de contactados nas pupilas. Operados, abduzidos ou o que quer que fosse, imediatamente suas vistas se desviavam da minha, por medo de serem descobertos, pelo medo do ridículo de se assumirem diferentes.  Era um segredo trocado por nossos olhares, que não poderia ser revelado.  Não era de bom tom perguntar por tais coisas a desconhecidos.  Meses depois, conversando com alguns mais próximos, certifiquei-me de que eu não havia sido o único – mesmo – a compartilhar tais experiências.  Certamente, aquela havia sido uma das noites mais estranhas em minha vida.  Uma madrugada para se refletir por anos.

Reflexão sobre os votos de feliz ano novo

A cada passagem de ano, fazemos planos e refletimos sobre os objetivos a serem alcançados no próximo período de doze meses. Esse é um ritual que pratico há décadas. Os pedidos de sempre como saúde fazem parte das rezas diárias, não valem para compromissos de passagens de ano. As metas a serem atingidas em um futuro ano novo são um pouco mais específicas como “terei um emprego melhor” ou “terei um filho”, etc… Mas mesmo “brindados” com o emprego e o filho desejados, aparentemente nada “dá muito certo”.

E não dá certo por quê?

Como no conto do gênio da lâmpada, nem todo pedido é realizado exatamente como imaginamos. Muitas vezes, nossos sonhos se realizam através de caminhos surpreendentes e com detalhes indesejados.

Somos seres submissos a desejos e vontades. E quanto mais nossas vontades são realizadas mais ficamos, como dizer… “felizes”? Quando imaginamos um futuro melhor, pensamos em saúde sim, mas principalmente em nos sentirmos satisfeitos, em “sermos alguém”; em termos um “bom emprego”, reconhecimento, status, e quase sempre controle sobre o próprio universo, só nos reconhecendo nele quando nos interessa. E nossos pedidos geralmente são imaginados em forma de “brindes” externos, presentes caídos do céu em paraquedas para mudarem nossa vida radicalmente sem que precisemos fazer muito esforço. Exemplo? Ganhar na loteria para gastarmos nosso tempo com prazeres, materialidades e mulheres (ou homens).

“Só ganhar presentes” é como desejar que só haja sol e dias maravilhosos, que nunca fiquemos doentes ou que nunca tenhamos contrariedades… A vida não é assim. A vida é feita de luz e sombras. Crescemos e nos tornamos pessoas melhores, em razão de nossas próprias escolhas, assim como é sempre bom lembrar que nem tudo o que reluz é ouro. Ganhar algo é apenas continuar com a velha mentalidade de crianças que ganham presentes do Papai Noel, por terem sido boazinhas durante todo o ano. E o que é “ser bom”? Tirar boas notas e não questionar os pais? Sendo assim, mesmo na forma externa de adultos respeitáveis, continuamos a ser crianças e não comandantes dos nossos destinos. Continuamos a ser seres passivos sem responsabilidades, crianças que se satisfazem com barganhas como elogios, títulos ou presentes de Noel.

Sonhamos com dinheiro, mas não pensamos que dinheiro não é nada além de papel. Dinheiro não pensa, ele é um instrumento nas mãos dos que o tem. “Mas não se vive sem dinheiro”. Perfeito. Mas como é ganhar muito dinheiro e ser infeliz? Tudo nesta vida é uma soma de “conquistas” e “derrotas”, de luz e sombras. O desejo não realizado só pode ser ruim para quem não compreende que “derrotas” são parte do processo de aprendizagem. “Derrotas” ou “impossibilidades” deveriam ser compreendidas como parte do todo, como parte do pacote. Dinheiro, assim como toda energia, como toda ferramenta, serve para crescermos ou para nos aprisionarmos. Reflita sobre isso nesta passagem de ano. Nossa visão de vida pode ser pequena e limitada, compete a você decidir. Nossa visão de vida pode nos manter alienados e ignorantes, ao não pensarmos em detalhes “insignificantes”. Reflita sobre seus desejos e analise a contrapartida. O todo é a soma dos extremos.

1 – Desejo ficar rico, mas não penso em ser rico em sabedoria, discernimento, compreensão e amor.

2 – Quero ser uma linda mulher com aplicações de botox, plástica, silicone, mas não penso em ser uma linda mulher por dentro, em possuir uma beleza interna estonteante, que muitos podem nem ver.

3 – Quero ser feliz, mas não penso que minha felicidade pode ser egoísta, individualista, autocentrada.

4 – Quero encontrar um grande amor, mas não penso que podemos aprisionar o ser amado com individualismo, falta de respeito, carências, controle e ciúmes.

5 – Quero ser reconhecido, mas não reconheço o valor dos outros.

6 – Desejo a paz no mundo, mas pratico a guerra.

7 – Peço que me respeitem, mas não respeito os outros.

8 – Peço que me escutem, mas não escuto ninguém.

9 – Critico tudo e todos e não sou sincero e nada faço para melhorar.

10 – Tenho um discurso e uma ação diferentes.

 

Feliz 2012 e que você reflita sobre esses 10 exemplos e se possível, os concretize.

 

Pequenas Sincs de Natal (ou odes à sensação de estar sempre conectado):

Folheando uma revista sobre decoração, minha namorada me chamou a atenção sobre uma luminária no formato de um disco voador. No mesmo dia, ao entrarmos em uma casa, vimos a mesma luminária.

De manhã quis fazer um mimo à namorada e lhe dei um chocolate alpino. À noite ela ganhou um panetone alpino da tia.

Cansado, sentei em um banco da pracinha. No corredor em frente havia uma placa com o número 2808. Eu nasci no dia 28 de agosto.

Falei sobre um filme que gosto. Dois dias depois passando pelos canais à noite vimos o mesmo filme do início. Em um mesmo dia zapeando pelos canais (abertos) vi dois atores da série Lost em dois filmes diferentes. À noite fui convidado a ir ao cinema e um dos primeiros atores do filme também havia feito parte de Lost.

MEU ENCONTRO COM A VIRGEM DE FÁTIMA NA COVA DA IRIA.

O Natal, comemorado em 25 de Dezembro, é a data do nascimento de Jesus, o Cristo.

Para os que assistiram ao filme Zeitgeist, 25 de Dezembro era a mesma data de celebração ao nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno. Segundo vários estudiosos, a data foi adaptada pela Igreja Católica no terceiro século D.C., para comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré com o objetivo de converter os pagãos, durante o Império Romano.

O que pensar? Teria Jesus existido? Sua mãe, Maria realmente existiu? São respostas difíceis de dar, ainda mais porque se apoiam no relato de um livro considerado sagrado.

A cada um cabe a decisão baseada no tamanho de sua fé e de sua crença.

Pelo método científico, o mais aceito pelos ateus, cartesianos ou descrentes, só há um jeito: a necessidade de comprovação.

No plano espiritual, certamente as provas são mais lúdicas do que as factíveis comprovações documentadas em laboratório.

Esse depoimento que dou agora, é consequência do Natal, é claro mas também de uma mudança radical em minha vida.

Há pelo menos 25 anos vivencio fenômenos espirituais: já incorporei, presenciei poltergeists e minha mãe desencarnada já se comunicou comigo.

Há o momento de deixar o mundo espiritual ser uma realidade em sua vida e não ser apenas uma teoria. Há o momento de se calar, e o de aguardar o momento certo para falar, para se declarar.

Hoje falo de coração aberto: tive um encontro com a Virgem de Fátima há 15 anos.

Esta história está relatada no meu livro Mágica Vida Mágica. Abaixo faço um possível resumo do encontro, ocorrido em Leiria, Portugal em 1996 e incluo um mapa que mostra o caminho que segui (uma via-sacra) até o encontro com a Virgem.

 

“Estava em um hotel no centro de Lisboa em 1996. Havia ido a Portugal sem dinheiro, na verdade com dinheiro emprestado e naquela época enfrentava muitos problemas pessoais. As coisas que deveriam ser fáceis, se tornavam mais e mais difíceis graças a um conflito de energias, uma batalha real entre o novo e o velho, entre o bem e o mal. Quando comecei a pegar no sono, já de madrugada, ouvi uma voz que sussurrava no meu ouvido: “Fátima, Fátima…”. Como nunca conheci uma moça chamada Fátima, não entendi absolutamente nada e passei a me virar na cama, sem posição. Por volta das 4 da manhã, entendi que Fátima era uma outra cidade em Portugal, na qual no início do século XX, a Virgem havia aparecido para três crianças. Essa conclusão me apavorou, mas eu precisava fazer algo, ter um ato de coragem e determinação. A minha alma já sabia que só havia uma decisão a ser tomada.

Foi difícil levantar-me de madrugada, para tomar o caminho da rua, mas eu não poderia, em hipótese nenhuma, não ter tentado. Eu me puniria, talvez por toda a vida, se não tivesse me arriscado. Sem saber como chegar à Fátima desci na penumbra e perguntei para as poucas pessoas que encontrei na rua, sob o céu madrugador, que direção seguir. Um barbudo me ofereceu drogas ao invés de informação.

Cheguei ofegante, na maior correria, em uma estação de trens na hora em que o comboio estava prestes a sair. No trem, “puxei conversa” com uma senhora de óculos, que sentara ao meu lado, a respeito da estação de Fátima, onde descer, etc. Ela seguiu comigo até a metade do caminho, exatamente até uma baldeação para que eu pegasse um ônibus e prosseguisse em meu caminho. Antes de se despedir, ela me mostrou uma foto. “É do Brasil”, ela falou. “Do Brasil? O país é um pouco grande…”, pensei. Da sua bolsa, surgiu uma foto acobreada que para o meu espanto, exibia exatamente a minha casa, antes mesmo de ser construída. Sem haver me refeito do susto, olhei a imagem com atenção e vi que não existiam os edifícios que conheço.

— Esta é a última foto que meu irmão enviou do Brasil, ela explicou com tristeza e uma reticente esperança.

Não consegui lhe dizer que era exatamente ali onde eu morava. Era coincidência demais. Até eu mesmo fiquei horrorizado. Lhe prometi que tentaria localizar o endereço e anotei o seu endereço, que coloquei em uma mala que se extraviou na viagem de volta ao Rio de Janeiro. Pelo visto, não era para manter mais contato mesmo.

Assim que cheguei em Fátima, meu coração batia muito forte, entre feliz e assustado, mas convicto de que eu havia feito a coisa certa. Segui em frente com passos firmes. De longe, vi a cruz e a torre sineira e me senti diferente, anestesiado. Segui adiante, enquanto observava os peregrinos e os pagadores de promessas de joelhos, de costas para o mundo, em direção à Virgem. Emocionado, vi a árvore, a Azinheira Grande, sob a qual os pastores receberam as mensagens da Virgem.

Me aproximei da Capelinha das Aparições. Sentei para meditar sob o alpendre, enquanto se desenrolava uma missa. Depois de uma boa meia hora, levantei e segui até a Basílica onde sentei em um dos últimos bancos, sem conter as lágrimas de felicidade. Como algumas pessoas se incomodaram com o meu soluçar, deixei o templo. Me afastei da área dominada pela colunata e intuído por uma estranha curiosidade com jeito e cara de ordem, segui por uma rua à esquerda até um acesso a uma subida.

Percorri uma via-sacra (número 11 do mapa), que seguia até o alto, com os meus passos marcados por 15 capelinhas. Uma imagem de Nossa Senhora com os braços estendidos me acolheu ao final da caminhada (números 16 e 17). Agradeci e me sentei à sua frente, de costas para ela, para olhar a paisagem. Lá do alto, a cidade exibia suas muitas casas recobertas com o mesmo teto avermelhado sob a imensidão do céu azul. Refleti sobre os prós e contras daquela viagem, da minha vida que parecia sem sentido. Pedi uma resposta do fundo do coração, pois eu não tinha mais forças para lutar, estava cansado e desanimado. Alguns turistas japoneses e um vigilante deram as caras, mas não permaneceram durante muito tempo no local.

Repentinamente, se fez um estranho silêncio, pois não havia mais ninguém no alto do morro. Todos haviam se evaporado. Após alguns minutos, uma sutil mudança no ar tomou conta do ambiente. Sem esboçar qualquer reação, notei que a brisa e os sons haviam cessado. As folhas das árvores não me acenavam mais e nenhuma nuvem se movia no céu. Tentei falar e virar meu rosto, mas não consegui: estava com todos os músculos paralisados. O mundo emudecera, estacionara congelado e eu era a única testemunha. Não me desesperei, acatei. Não tentei explicar o que acontecia e nem me perguntei se somente aquele local havia parado no tempo, enquanto lá embaixo, a Terra continuava como antes. Talvez a viagem inteira tivesse sido uma desculpa muito bem engendrada para que eu estivesse ali, sozinho, para viver esse pequeno e grande milagre. Lembrei que os meus avós paternos, haviam deixado Portugal em busca de uma vida melhor no Brasil.

Emocionado e paralisado, vivi o milagre de dilatação do tempo sob um prisma religioso.

Então suavemente, uma luz cheia de presença massageou-me as costas. Fui abraçado por uma imensa e acolhedora luminosidade difusa vinda por trás. Era de dia e as duas formas diferentes de luz interagiram sem conflitos: a do sol acolheu a luminescência espiritual, sem que uma negasse a presença e a força da outra. Como não pude me virar, e nem ver com meus próprios olhos, só me restou vivenciar. Muitas pessoas precisam de provas, de fotos que comprovem os fatos, mas àquele momento, mais importante do que provas, ou ser posto à prova, foi ser a prova do amor transcendental.

Depois de algum tempo, que tanto poderia ser calculado em segundos como em horas, os sons e o vento retornaram mansamente à “normalidade”. Quase como um fóssil retornado à vida, mexi a ponta de um dedo, depois a mão inteira e por fim os braços. Respirei profundamente e estalei o pescoço, antes de me erguer. Quando me virei para saudar a imagem da Virgem de frente, abaixei o meu rosto em sinal de respeito e agradecimento. Havia uma placa logo abaixo da imagem: “Nesse local, ocorreu a última aparição da Virgem.”

Chorei convulsivamente.

Nesses primeiros meses de 1996, eu sabia que a pessoa que eu havia sido, estava se transformando, entrando em uma nova fase da vida.

Relatei essa história, durante os anos, a alguns conhecidos. Na maior parte das vezes, vi incredulidade, mas hoje, 15 anos depois desse encontro, não tenho nada a temer. Nada mais me preocupa, não me submeto ao julgamento alheio, só estou relatando a verdade.

Um pouco antes do livro Mágica Vida Mágica ser impresso, e 15 anos após eu ter estado em Portugal, uma Capelinha das Aparições, idêntica a de Fátima, foi inaugurada no bairro do Recreio no Rio de Janeiro em 2011, bairro para o qual meu irmão havia se mudado, um pouco antes. ”

Nada ocorre à toa nesta vida.

E nem em outras.