A SINCRONICIDADE ENTRE OS PAÍSES

Estamos nos comunicando neste momento, através da tecnologia, a grande ferramenta mágica, pela qual trocamos as nossas ternuras. Mas cuidado que cavalo não desce escada: a mesma tecnologia que expande, aprisiona. Toda opção advém da nossa visão, de como vemos o mundo, de como nos vemos. Se usamos lentes rosa, tudo é rosa, se nossa intuição e percepção são parciais, parciais somos, só ouvimos o que queremos ouvir, construímos o mundo à nossa imagem e semelhança. A maior parte de nós, não quer viver sem óculos, acredita que é melhor enxergar o mundo através de lentes parciais. E lentes desfocam, iludem, como as da televisão, das fotos e dos filmes. Vemos o que é visível e achamos que basta, sem discernir. Sobre isso que estamos conversando agora, como melhorar nossas vidas, só poderia ser feito há décadas por papos pessoais, cartas e livros, mas hoje temos a internet , muito útil, mas uma arma de dois gumes. (Inclusive o tema da próxima coluna é sobre essa história de conversar sobre fatos místicos com quem te pede, mas não te escuta.)

I put my finger on you

Enquanto escrevo este texto, assisto a o filme The Queen sobre a morte da princesa Diana e como a Família Real inglesa, a princípio, se recusou a fazer parte do velório, do lamento público, até mesmo em função do protocolo. O Primeiro Ministro Tony Blair falou diretamente com a Rainha que 25% da população já não queria mais saber da realeza por causa dessa atitude. O povo simplesmente não entendeu: pensou com o coração e não com a razão, como Elizabeth II e os familiares. Mas o que é mais importante: razão ou coração? A razão consciente ou o coração fajuto? Seria Diana, uma oportunista, marqueteira e demagoga? Talvez, mas o povo a adorava, ela soube se promover e esse mundo, mais do que verdade adora a aparência, as palavras doces, os “bons atos”. Em um dos diálogos da película, Elizabeth se surpreende com a mudança dos costumes, desde o fim da Segunda Guerra. Tanto se assusta, que atende aos apelos do Primeiro Ministro para pessoalmente demonstrar alguma humanidade e passear em frente ao portão do Palácio de Kensington, para exibir a solidariedade real.  Ao ler os cartões dos populares, postos em guirlandas e arranjos florais, com ofensas diretas à Monarquia, Elizabeth II caiu na real. “Eles não têm coração”, dizia um dos textos.

O que quero dizer com isso? Que as aparências enganam.

E como distinguir o que te serve para o bem, e o que te serve para o mal, sem que se saiba quem é quem?

A sincronicidade ajuda.

Se você é intrinsecamente uma pessoa boa (há divergências entre você, o Id e o Ego) em tese, a sua bondade pode aumentar, mas também pode aflorar uma parte indesejável da nossa personalidade: o demônio. A pressão e as facilidades da vida fazem isso muito bem: pressionar para que o inferno contido em sua alma, cresça e apareça.

Sincronicidade é coisa séria.


As sincronicidades se manifestam conversando em sua língua, elas te pegam de jeito. Se eu assisto TV, as sincronicidades surgem na telinha; caso você esteja andando na rua aparentemente “sem motivo”, elas te cercam para dizer algo, propor algo, mas a nossa confusão mental, muitas vezes, não nos permite ver exatamente o que é, o que querem dizer.

E até mesmo a “coincidência” te dá 3 opções: esquerda, não faz nada ou direita. Budisticamente, o caminho do meio é o melhor, mas simplesmente optar também é muito bom: melhor tomar uma decisão errada – se você, é claro, não consegue tomar a certa – , para que com um pouco de esforço e compreensão, possa cair na real e catar os pedaços, mas preparado para não errar mais e sabendo o por quê. “Agora eu sei – ou pelo menos, penso saber – o custo benefício da falha.”

Goethe

Acredito muito em datas na formação do caráter e karma. Um dia, descobri que o filósofo alemão Goethe nasceu no mesmo dia e mês que eu (ano não dá, né?) e recentemente “percebi” que conheci durante toda a vida, algumas pessoas que falam alemão e outros que são descendentes de judeus que fugiram da Alemanha nazista. Essas pessoas sempre cruzaram meu caminho e deixaram marcas, “boas e ruins” que tive que desenrolar. Todas me ensinaram muito e também me mostraram que para elas, o tempo para compreender a questão  – se quiserem é claro -, é outro. Para algumas, falta pouco, para outras, talvez nunca… O mais estranho dessa ligação , é que me vi estranhamente pertencente à uma nova categoria kármica, a “alemã’ apesar de ser muito brasileiro e não ter vínculos com a Alemanha. Essa semana, conversando sobre isso com um amigo de priscas eras, que não reside no Rio, ele também me confidenciou que, em meditação, descobriu que era isso o que nos ligava: a Alemanha, apesar de aparentemente nenhum de nós ter nada a ver com qualquer “alemanização”. Há alguns meses, um velho amigo que reencontrei há um ou dois anos, me disse que foi à Europa seguir os passos do filósofo alemão Nietzsche.

Nietzche

O círculo de pessoas a minha volta é limitado, por mil motivos, o mais importante deles para me centrar e ter as rédeas do meu destino em mãos. E se nesse ambiente, com poucas pessoas, as pistas te levam à mesma direção, a conclusão só pode ser: preste atenção. Só um cego não dá a devida atenção às evidências. E quem são os cegos? Nós, ninguém mais.

Essa história alemã prova que há encarnação? Prova que nos ligamos inconscientemente por fios misteriosos? Há uma boa evidência de que existe algo muito importante envolvido nessa história.

Uma dúvida dessas, sobre rastrear ou não os elos perdidos através dos séculos, pode e deve ser feito com a ferramenta da justa meditação. Mas o mundo nos cobra deveres, favores e contas a pagar. Parece que nunca há tempo para meditar, para ficarmos sozinhos, mas é bom arrumar um tempo e para isso, precisamos abrir mão de algo. Não dá para ter tudo. Mas dá para almejar e trabalhar pela completude, dividido.

Treino meditação do meu jeito desde os anos 90, pois na maior parte do meu tempo, simplesmente não consigo parar e meditar. Tive que criar uma meditação própria: caminhando, curtindo o movimento lento dos passos, vendo um passarinho dar seus saltinhos, as garças perto de casa, os cães no parque, a luz do sol refratada, o som da água batendo nas rochas e prestando muita atenção nos sons que pipocam nas ruas. Cada novo dia e experiência são únicos. Dando esse necessário tempo para mim, somente agora após 20 anos, comecei a  entender como funciona o processo, como se faz e através dessa escolha, as sincronicidades se tornaram muito fortes. Uma coisa puxa a outra. O que ocorreu é que minhas ‘lentes’ mudaram juntamente com a percepção, então me sinto em um novo corpo, como se eu não fosse o eu anterior e isso te dá uma serenidade estranhamente bonita,  em um ambiente lúdico e renovador.

Revolução egípcia

Assisti na TV a um “minúsculo” detalhe sobre a revolução popular ocorrida no Egito e me surpreendi.  Tive certeza de que essa “revolução” é da importância de um 11 de setembro, porque ocorreram sincronicidades muito significativas entre esse que vos escreve e os fatos egípcios. De início, tendi a questionar, mas logo em seguida, outro fato, através da TV, reconectou-me a um fato que me ligou a outro e a outro. Ficou evidente que se tratava de algo muito grande, que envolve povos, nações e indivíduos, do micro ao macro, do pouco ao tudo, do átomo às galáxias.

Tutankamon

Me perguntei (intelectualmente e racionalmente, digo): “Como pode um fato local ou mundial, histórico, estar intimamente conectado a você, de uma maneira que não se pode refutar?” O que isso quer dizer? Que tudo já estava escrito? Que as coisas boas e ruins que acontecem contigo, são escolhas suas e do universo?

No “impulso”, você pode ficar obcecado pelas respostas, pegar um avião (se tiver dinheiro) e ir para a Alemanha ou para o Egito, encontrar tudo ou não achar nada. (Fui compelido a fazer isso, por fatores externos favoráveis mesclados à minha vontade e ancestralidade, e fui para Portugal, como já contei aqui no blog, mas apesar de ter sido uma experiência incrivelmente forte, demorei a me tocar de várias coisas.) Muitas respostas que encontro são mais sobre o passado do que sobre o presente. Você acha os traços, os rastros, mas ainda tem que entender o que os sinais querem te dizer. Me refiro é claro, aos passos que ainda não foram dados, pois só existe o presente, não existe futuro. Tudo bem que quânticamente, passado, presente e futuro são uma coisa só, uma linha contínua, mas não dá para perder tempo pensando como será. Melhor resolver a questão agora, para que o futuro seja outro. Para essa tarefa, temos um grande aliado, um mestre pessoal ao nosso alcançe: a percepção, caso é claro, que ela te conduza à opções que abram as portas para bons caminhos. E o nosso maior inimigo é a cegueira que o Ego nos oferta, mas esse é o caminho dos pés descalços sobre vidro: pode ser feito sem dor ou não ser feito. Se as escolhas continuarem a te conduzir para os mesmos becos ou ruas sem saída, para as mesmas situações, a escolha é exclusivamente sua, por cegueira ou não. “Mas eu estou tão bem, por que mudar?”. Então, você é que sabe.

Aprisionado

Enfim… Essa é a busca, essa é a hora.

Agora sinto que a minha busca inicia uma nova fase. E a sua?

A busca pode terminar em algum ponto sim, mas nunca o aprendizado.

O amor é a resposta. Ele é uma das armas mais poderosas durante a caminhada.

A Sincronicidade da Escravidão

 

Na semana passada, o país ou mais precisamente o Rio de Janeiro, viveu momentos de tensão quando a polícia e o exército “retomaram” o Complexo do Alemão na Penha, subúrbio do Rio.

Muita coisa se falou, muitos foram a favor, poucos contra – da forma como foi feita  – e desses poucos, sociólogos avisaram que não basta falar em esperança, torcer por ela sem mudar a estrutura… é preciso muito mais do que falar. Para posar de esperançoso é preciso mudar as atitudes. Aqui não é o espaço para falarmos sobre política, mas esse é o espaço ideal para falarmos sobre aparências, discutir a diferença entre o discurso e o conteúdo da alma.

Essa conversa de “retomada” é curiosa. Retomar o que já é nosso? É a velha questão: o que não é tratado com carinho, o que é tratado com desprezo se perde e aí há que se falar em “retomada”, exatamente como ocorre no amor. A cena da “reconquista” do Alemão simbolizada pela bandeira brasileira tremulando no topo de uma edificação do PAC, não era, mas se assemelhava, de forma inconsciente, à dominação norte-americana do satélite lunar, com aquelas bandeirinhas duras fincadas na terra por astronautas com roupas de robô e assemelhava-se à bandeira russa hasteada em Berlim ou à cena (forjada) da bandeira americana hasteada na ilha japonesa de Iwo Jima. A batalha foi ganha, mas não a guerra e a imagem vale mais do que um terabyte de palavras.

Complexo do Alemão

É verdade que “bons” exemplos externos estimulam a melhora do ambiente e é melhor falar em esperança do que amaldiçoar tudo e todos, mas não basta torcer pela esperança, é preciso fazê-la florescer, gerar frutos, flores e raízes em nosso jardim interno.

 

Relato aqui os eventos ocorridos nos últimos dias.

 

Decidi comprar dois livros, um sobre o presidente Juscelino Kubitschek e outro sobre a Guerra de Canudos. Pesquisando as prateleiras encontrei um bem interessante sobre escravidão no Império e como não tinha grana para três livros, fiquei com o de Canudos e o da escravidão. O amigo-gerente da livraria de usados, insistiu para que eu levasse os três. Disse que não podia, apesar de querer. Ele fez um baita desconto que me fez “retomar” o do Juscelino.

Toda pequena ação, por mais pequenina que seja, se conecta às grandes, essas sim que abrem as portas. As pequenas são as pistas, miolos de pão indicando o caminho. Curioso, abri a primeira página do Juscelino, me perguntando porque o gerente quis que eu o levasse. Lá estava o nome da ex-proprietária com uma data e o bairro: o meu bairro. Sorri.

Pensei: esses três livros sobre o Brasil querem me dizer algo sobre “a retomada” do Alemão e me veio à mente, a imagem dos bandidos da Vila Cruzeiro, fugindo em debandada da polícia como mostraram as emblemáticas imagens exibidas pela Rede Globo. Quando vi essas cenas ao vivo, e como os traficantes estavam a uma boa distância, não foi possível ver-lhes os rostos, somente era perceptível que eram negros e muitos estavam sem camisa. O local da fuga era no alto de um morro, a estrada de terra, não havia asfalto e o mato campeava ao largo, nada de diferente da época da colônia. A TV parecia uma máquina do tempo para o Brasil colonial. Estava com o livro sobre Canudos na mão. Olhei-o com atenção e virei o rosto para o livro sobre escravos. Negros sem camisas, fugindo. Canudos não deixava de ser uma favela de excluídos e foi devastada pelo Estado por ser considerada monarquista, foco de resistência.

De um Quilombo...

A fuga dos traficantes de um quilombo para outro.

 

Minha percepção fez o resto: o Brasil não muda, vive de mudanças em conta gotas, que se fossem feitas a tempo, poupariam o país de muitos sofrimentos. A invasão do Alemão é um ato para a audiência. Para a “retomada” da alma é preciso muito mais, coisas que câmeras não mostram e que não dão audiência.

Quem tem que mudar somos nós.

A impressão inicial falou muita coisa sobre o que vivemos hoje em 2010, que não é muito diferente do que ocorria no final do século XIX. A promiscuidade da Casa Grande e Senzala continua.

José Bonifácio tentou incluir o fim da escravidão na Constituição de 1823. Não conseguiu. Bonifácio me lembra o antropólogo Luiz Eduardo Soares que mais de 150 anos depois teve que se exilar, como Bonifácio que foi exilado, por tentar consertar velhos erros.

O maior argumento da oposição escravocrata era que os negros tinham teto e comida assegurados e que na rua morreriam de fome. Patrões piedosos e escravos desprotegidos.

Erros sociais, erros espirituais.

 

Correntes

Os proprietários dos escravos tinham medo de uma revolta, nem podiam dormir direito com receio de que os africanos os esfaqueassem à noite em suas camas, exatamente como ocorre hoje quando a classe média e alta se tranca em prédios cercados por seguranças e grades. No passado, os donos engravidavam as escravas, tanto pela mania brasileira de ter vantagem, como pelo fato de que eles eram donos dos seus corpos. Hoje, a questão é que há um grande consumo de drogas e é estranho ouvir os mesmos consumidores pedirem que os traficantes sejam eliminados e as favelas “pacificadas”.

“… A CORJA IGNARA QUE POVOA AS FAVELAS TUDO PODE (…) O PRÓXIMO PASSO É NOS TRANSFORMARMOS NUM HAITI, O ÚLTIMO DEGRAU DA DECADÊNCIA HUMANA…MAS NÃO ESTAREI VIVO ATÉ LÁ…” Esse é um texto que encontrei na internet escrito recentemente por um senhor a respeito dos negros de classe média baixa e pobres residentes no mesmo bairro de classse alta. Provavelmente o autor da “reflexão” participa de missas e cultos, lê a Bíblia e se jacta de ser religioso, mas não entende o que a própria Bíblia explica.

Tropa de Elite ou Capitões do Mato?

As esposas dos senhores de engenho passavam as tardes conversando com as escravas, para não enfrentarem a própria solidão. À noite as escravas dividiam a cama com o patrão.

Ontem, quando adentrei na fila de apostadores esperançosos na lotérica mais próxima, o sistema estava fora do ar, breves momentos nos quais o sistema verdadeiramente cai, e ouvi: “Tenho 80 anos, esse país não tem jeito!”, vociferou a senhora, que não aparentava possuir as tais 8 décadas de “suplício”, com contas a pagar na primeira posição da fila de idosos, impaciente, por ter que esperar.

“Eu acredito no MEU país”, disse sem altercação.

Quando a respondi, não disse que acreditava em UM Brasil, no Brasil de todos, pois são MUITOS os Brasis, como são muitas as almas. Disse que acreditava e acredito no país que posso construir a minha volta, à minha imagem e semelhança.

Esse país é MEU porque eu não posso viver sem acreditar, como não posso esperar a contribuição sem contribuir, não posso caminhar se não acredito na força das minhas pernas. Como querer paz se não dou paz, como querer amor se não dou amor?

Eu não reclamo, faço. Mas isso parece que não vale nada em um mundo de aparências.

Na saída da lotérica, passei na porta do shopping bem alimentado e uma jovem bem alimentada, carregada de bolsas de grife, emitiu o seguinte pensamento para o seu amigo sob o jugo benéfico do ar condicionado:

“Tem que matar. Não pode deixar criminoso em penitenciária de segurança, tem que matar”, a “sinhá-moça” repetiu com seus óculos de grife.

Democracia de exceção, que beleza! O que serve para uns não deve servir para todos.  Muitos pensam assim, ela não é única mas a sinhá-moça deu o azar de passar por mim, que não admito ouvir isso e ficar calado. Não me assustaria de saber que ela faz parte de um grupo religioso ou tem amigos em ONGs.

A sensação, melhor dizendo, a regressão que vi – ou revi – nesses últimos dias é que nada mudará no país, no mundo, sem uma mudança interna. “Ter” uma religião ou uma posição social não é suficiente para te transformar em uma pessoa melhor, mas no mundo das aparências vale muito. De fato, as pessoas querem ser iludidas. A sinhá-moça sabe, com toda a certeza, que matar ou expulsar traficantes escravos não é o suficiente sem que os filhos dos senhores dos engenhos mudem, que abram mão de alguns dos seus prazeres em prol do coletivo, mas apesar disso ela não quer saber.

A verdadeira mudança é feita em silêncio. O clamor das massas serve para dopar e não para consertar, pode até servir para alertar, mas depois de uma boa noite de sono sem nenhum escravo pronto a clamar por liberdade na ponta da faca, não há quem não resista em acreditar que tudo está melhor, que há ordem e progresso.

Muitas vezes quando escrevo penso em apagar tudo e não publicar mais nada, pois me sinto falando com as paredes. Mas cada um desses exemplos citados, ao invés de me desestimularem, me forçam a seguir em frente, seja eu um Dom Quixote, um Profeta Gentileza ou eu mesmo.

Pena tenho, dos Escravos dos próprios prazeres e mentiras que NÃO se libertam, mesmo com a chave nas mãos.

Se falta AMOR, falta TUDO.

CORJA IGNARA.

A Sincronicidade dos Deuses Astronautas

 

No dia 9 de agosto, desci às 17h para meditar na igrejinha do bairro. A energia estava razoável e depois saí. Na escadaria da igreja, encontrei um palito de picolé de plástico laranja, com ranhuras para serem encaixados uns nos outros. Não sei se isso voltou a ser moda agora, mas certamente não era o mesmo palito que eu juntava nos anos 70, certamente não.

Com o palito na palma da mão, minha infância retornou à vida em questão de segundos, fragmentos de uma memória perdida se refizeram, não visuais mas sentimentais. Recordei que juntei  vários desses para montar várias coisas, dar asas à imaginação. Me perguntei  o que isso significava, pois procuro significados em quase tudo e quase sempre há um, sem exagero.

Ações externas estão ligadas às internas. Sempre.

Talvez o palito mágico estivesse me dizendo que eu deveria “voltar ao ponto de partida”, e isso para mim significa pureza, o ato puro de me libertar das pedras carregadas nas costas que atrasam o caminhar, a simbologia que me faz crer que é necessário abrir mão de quase tudo o que é desnecessário, para que a pureza e o amor pela vida possam reinar, sem traumas ou escândalos.

Só de acreditar nessa inspiração, várias ideias afloraram: projetos pessoais e profissionais, todos ligados em uma corrente do bem que soma alta estima, paciência, trabalho constante, objetivo, foco etc. Todos os meus sonhos são puros como a água mais fluídica, pois eu não busco nada que possa prejudicar quem quer que seja, eu me interesso em ter o meu espaço, e poder trabalhar livremente, e ser recompensado por isso dignamente. Não busco poder, sexo, fama ou status. Celebro o amor à vida e aos estudos sem vícios ou objetivos obscuros. Por isso me considero puro.

Já na rua, e inspirado, pensei que deveria seguir em direção à outra igreja, distante a uns 30 minutos a pé. Cheguei na missa das 18h, a igreja estava apinhada. Sentei, meditei e senti a vibração bombando, poderosa. É um negócio tão louco (e gostoso) que nesse estado de catarse, a sua mente dialoga livremente em um ambiente fluídico, onde nitidamente o “cliente” se desliga dos pensamentos mundanos do dia-a-dia (e inclusive de quem está sentado ao seu lado) para refletir sobre o que é realmente útil para sermos felizes. Nesse estado, uma assistente do padre começou a recitar um trecho do Profeta Ezequiel que relata o seu encontro com Deus:

(1,4) – Eu olhei: havia um vento tempestuoso que soprava do norte, uma grande nuvem e um fogo chamejante; em torno de uma grande claridade e no centro algo que parecia electro, no meio do fogo. (1,5) No centro, algo com a forma semelhante a quatro animais, mas cuja aparência fazia lembrar uma forma humana. (1,6) Cada qual tinha quatro faces e quatro asas.

(1,22) Sobre as cabeças do animal havia algo que parecia uma abóbada, brilhante como o cristal, estendido sobre suas cabeças, por cima delas. (1,24) Eu ouvia o ruído de suas asas, semelhante ao ruído de grandes águas, semelhante à voz de Shaddai; quando se moviam, havia um ruído como de uma tempestade, como de um acampamento; quando paravam, abaixavam as asas. (1,25) Houve um ruído. (1,26) Por cima da abóbada que ficava sobre suas cabeças havia algo que tinha a aparência de uma pedra de safira em forma de trono, e sobre esta forma de trono, bem no alto, havia um ser com aparência humana.

Ezequiel

De acordo com a Bíblia hebraica, Ezequiel (tradução: “Deus fortalecerá”, ou “Deus”), foi um sacerdote que profetizou por 22 anos durante o século VI a.C., através de visões que teve durante o exílio da Babilônia, tal como registrado no Livro de Ezequiel (wikipedia).

 

Mesmo em meu estado alterado, uma alegria imensa preencheu minha alma, por causa de uma “coincidência”: eu ouvi esse mesmo texto lido na igreja, sem que eu tivesse dado muita atenção,  em um documentário na TV, no dia 8 de agosto de 2010, ou seja no dia anterior. O programa televisivo era sobre um livro que li na adolescência: “Eram os Deuses Astronautas?”, escrito em 1968 pelo suíço Erich von Däniken, que apregoava que todos os deuses da antiguidade eram alienígenas.

Saí de lá, como o mais feliz dos felizes, não sei se por causa da sincronicidade dessa passagem da Bíblia, que reforçava imagens contraditórias, lúdicas e lógicas, ou porque quando me deparo com as sincronicidades me sinto abençoado. E olha, que esse sentimento não é uma alegria de quem comemora um gol, ou de quem ganhou o primeiro beijo da mulher amada, mas é uma confraternização entre você com o seu ser interno e o mundo sincronizado. É uma sensação bonita demais, mais do que de conforto, é uma completa realização prenhe de entendimento. Essa sincronicidade dos Deuses Astronautas me ligou às estrelas, aos mundos paralelos, aos monumentos influenciados por esses seres, feitos por culturas antiquíssimas, e me tirou dos meus problemas mundanos de 2010, me projetando para 8 mil anos antes de Cristo e para o futuro em galáxias distante a milhões de anos luz.

Havia esquecido do palito, mas ao lembrar que ele estava comigo, o ergui como se fosse a minha espada cerimonial, como se mil raios saltassem das nuvens para unirem-se em um único foco, me dando moral e energia inexplicáveis. Se não fosse pelo palito eu não teria ido à igreja para vivenciar essa sincronicidade mágica.

Caminhei em direção à praia, que é bem perto dessa igreja. Me diriji às estátuas de Dorival Caymmi e Carlos Drummond no início do calçadão na praia de Copacabana para cumprir o meu ritual de praxe: pedir a benção aos mestres da música e da literatura, para abençoarem o meu caminhar e minhas decisões. Então lembrei de mais uma: entre sábado e domingo assisti no canal Globo News a um documentário sobre Drummond e também ao programa Sarau, de música brasileira , que “por acaso” foi sobre Caymmi.  Claro que os assisti sem ter programado nada, a TV estava ligada e os programas passaram.

E para minha surpresa na quarta, dia 10 de agosto, foi publicada uma portaria no Diário Oficial da União, que orienta pilotos civis e militares, controladores e demais usuários dos serviços de controle de tráfego aéreo nacional a repassar ao Comando de Defesa Aeroespacial, em Brasília, seus relatos e provas documentais a respeito dos óvnis e demais aparições extraterrestres.

A Portaria 551/GC3, com data de 9 de agosto, ressalva que caberá à Força Aérea apenas registrar os relatos, em formulário próprio.

Ezequiel Clássico

Essa é a passagem inicial do encontro de Ezequiel com Deus:

A visão da glória de Deus

1 No trigésimo ano, no dia cinco do quarto mês, encontrava-me eu entre os exilados, junto ao rio Cobar, quando os céus se abriram e contemplei visões divinas.

2 No dia cinco do mês (era o quinto ano do exílio do rei Joiaquin)

3 a palavra do SENHOR foi dirigida a Ezequiel filho do sacerdote Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Cobar. – Foi ali que a mão do SENHOR esteve sobre mim,

4 e eu vi que um vento impetuoso vinha do norte, uma grande nuvem envolta em claridade e relâmpagos, no meio da qual brilhava algo como se fosse ouro brilhante.

5 No centro aparecia a forma de quatro seres vivos. Este era seu aspecto: Tinham forma humana.

6 Cada um apresentava quatro faces e tinha quatro asas.

7 Quanto às pernas, tinham pernas retas e patas como as de bezerro; reluziam como o brilho do bronze polido.

8 Por baixo das asas tinham mãos humanas nos quatro lados, pois todos os quatro tinham rosto e asas.

9 As asas tocavam-se umas nas outras. Ao se moverem não se voltavam, mas cada um seguia para onde estava voltado o seu rosto.

10 Quanto à forma das faces, tinham rosto humano, rosto de leão do lado direito de cada um dos quatro, rosto de touro do lado esquerdo de cada um dos quatro, e rosto de águia cada um dos quatro.

11 Cada um tinha duas asas estendidas por cima, que se tocavam umas nas outras, e duas asas que cobriam o corpo.

12 Cada um caminhava para sua frente, para onde o vento os impelia, sem se voltar enquanto se movia.

13 No meio dos seres vivos aparecia algo como brasas; pareciam tochas acesas, faiscando entre os seres vivos. O fogo cintilava, e do meio do fogo saíam relâmpagos.

14 Os seres vivos coriscavam, parecendo raios.

15 Olhei para os seres vivos e vi que havia uma roda no chão, junto a cada um dos quatro seres vivos.

16 Quanto à forma e ao feitio, as rodas eram como o brilho do crisólito. Todas as quatro tinham o mesmo formato. Quanto à forma e ao feitio, eram como se uma roda estivesse no meio da outra.

17 Quando se moviam, podiam avançar em cada uma das quatro direções, sem se voltarem enquanto se moviam.

18 As rodas tinham aros, e eu vi que cada um dos quatro aros estava cheio de olhos ao redor.

19 Quando os seres vivos se movimentavam, moviam-se também as rodas ao lado deles. Quando os seres vivos se elevavam do chão, também as rodas se levantavam.

20 Iam para onde o vento os impelia. As rodas elevavam-se

junto com eles, pois o espírito dos seres vivos estava nas rodas.

21 As rodas moviam-se quando os seres vivos se moviam, paravam quando eles paravam e, quando se elevavam do chão, juntamente com eles elevavam-se as rodas, pois nelas estava o espírito dos seres vivos.

22 Acima das cabeças dos seres vivos havia uma espécie de firmamento, esplêndido como cristal, estendido sobre as cabeças.

23 Por baixo do firmamento estavam as asas estendidas, uma em direção à outra, sendo que duas delas lhes cobriam o corpo de um e de outro lado.

24 E eu ouvi o rumor das asas: Era como o rumor de muitas águas, como a voz do Poderoso; quando se moviam, seu ruído era como o estrépito de um acampamento militar. Quando paravam, abaixavam as asas.

25 Pois quando o ruído vinha de cima do firmamento que estava sobre as cabeças deles, eles paravam e abaixavam as asas.

26 Acima do firmamento que estava sobre as cabeças havia algo parecido com safira, em forma de trono, e sobre esta forma de trono, bem no alto, uma figura com aparência humana.

27 E eu vi como que um brilho de ouro brilhante, envolvendo-a como se fosse fogo, do lado de cima do que parecia ser a cintura. Do lado de baixo do que parecia ser a cintura vi algo como fogo. Estava toda envolta de resplendor.

28 O resplendor que a envolvia tinha o mesmo aspecto do arco-íris que se forma nas nuvens em dia de chuva. Tal era a aparência visível da glória do SENHOR. Ao ver isto, caí prostrado e ouvi a voz de alguém que falava.