(RE) ENCONTROS

Alguém que você conheceu recentemente te contou que morava no mesmo prédio que você? Ou que estudou no seu colégio na sala ao lado e que você nunca a viu? Você já falou “não ponho mais os pés nesse lugar” e foi nesse lugar, que anos depois a sua vida mudou?

O processo inconsciente e sincrônico é fascinante, quando vivido, também, de forma “enviesada”, indireta. São acontecimentos não reconhecidos como importantes no exato momento em que ocorrem, mas que assumem a sua importância anos ou décadas depois.

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Recentemente, assisti a um documentário sobre Reidy, um arquiteto modernista. Desde menino, eu passava em frente a uma de suas obras, e nem sabia que ele a havia criado. Sempre fui fascinado pela beleza/feiura do “minhocão” ao lado do Planetário no bairro da Gávea no Rio de Janeiro. Reidy também é autor do famoso conjunto do Pedregulho em São Cristovão. Após ter visto o documentário, pesquisei sobre habitações populares nos anos 50 (o que de certa forma incluiria o conjunto dos prédios onde eu resido). Encontrei um trabalho acadêmico com as plantas de vários prédios construídos por associações ligadas a determinadas classes de trabalhadores. E durante a pesquisa, tive uma surpresa: um dos conjuntos se chamava 28 de agosto, data em que nasci, e na mesma página, surgiu um outro conjunto chamado Jorge Rudge, nome da rua de um grande amigo. Quando pesquisei sobre o conjunto 28 de agosto, mais e mais surpresas, como que me dizendo que datas, pessoas, escolhas e acontecimentos parecem ser pré-determinados.

Que relação poderia haver entre arquitetos, empreiteiros e alguém que apenas nasceu na data do nome do conjunto residencial? Eu não sei, mas nem por isso, pararei de buscar um por quê, nem que seja para me explicar os vários “erros” e “acertos” da vida. Nem que seja para me confortar. Durante a busca sobre este conjunto residencial, descobri um link surpreendente, que só pode ser explicado como uma questão kármica, isso se o leitor acreditar em karma.

Fui operado há alguns meses e dormi em um quarto com um leito a mais. Um paciente passou a noite comigo, e de manhã, a caminho do banheiro, dei bom dia ao desconhecido. O meu amigo da Jorge Rudge, citado acima, foi me visitar. Qual não foi a surpresa dele ao ver que ele conhecia a namorada do outro paciente?

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Alguém na rua já te chamou a atenção, e horas depois, você cruzou com a mesma pessoa, em outra rua, em outro bairro? Estranho, não é? Mas e quando isso acontece, cinco vezes, em bairros diferentes com a mesma pessoa e aparentemente isso não tem significado algum? Será que terá? Será que as decisões de uma pessoa que te chama a atenção, que está em contato indireto contigo, pode influir em sua vida?  A teoria dos seis graus de separação, seria uma resposta? Mas nem isso explicaria as várias nuances desses encontros.

Será que elocubro, imagino coisas, deliro?… Depois que vivenciamos essa experiência, não randomicamente,  certamente a pulga atrás da orelha fica tão pesada que não há mais como não pensar que há uma inteligência, uma conecção inconsciente que guia os passos de todos nós, para objetivos não muito claros.

No Espiritismo, se diz que tecemos acordos no além-vida antes de reencarnarmos. Seriam esses acordos tão extensos que nos envolveriam, como diria Jung, em uma teia quase tão extensa quanto a vida?

Essa “cola” que nos liga poderia se chamar Deus?

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