MEU ENCONTRO COM A VIRGEM DE FÁTIMA NA COVA DA IRIA.

O Natal, comemorado em 25 de Dezembro, é a data do nascimento de Jesus, o Cristo.

Para os que assistiram ao filme Zeitgeist, 25 de Dezembro era a mesma data de celebração ao nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno. Segundo vários estudiosos, a data foi adaptada pela Igreja Católica no terceiro século D.C., para comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré com o objetivo de converter os pagãos, durante o Império Romano.

O que pensar? Teria Jesus existido? Sua mãe, Maria realmente existiu? São respostas difíceis de dar, ainda mais porque se apoiam no relato de um livro considerado sagrado.

A cada um cabe a decisão baseada no tamanho de sua fé e de sua crença.

Pelo método científico, o mais aceito pelos ateus, cartesianos ou descrentes, só há um jeito: a necessidade de comprovação.

No plano espiritual, certamente as provas são mais lúdicas do que as factíveis comprovações documentadas em laboratório.

Esse depoimento que dou agora, é consequência do Natal, é claro mas também de uma mudança radical em minha vida.

Há pelo menos 25 anos vivencio fenômenos espirituais: já incorporei, presenciei poltergeists e minha mãe desencarnada já se comunicou comigo.

Há o momento de deixar o mundo espiritual ser uma realidade em sua vida e não ser apenas uma teoria. Há o momento de se calar, e o de aguardar o momento certo para falar, para se declarar.

Hoje falo de coração aberto: tive um encontro com a Virgem de Fátima há 15 anos.

Esta história está relatada no meu livro Mágica Vida Mágica. Abaixo faço um possível resumo do encontro, ocorrido em Leiria, Portugal em 1996 e incluo um mapa que mostra o caminho que segui (uma via-sacra) até o encontro com a Virgem.

 

“Estava em um hotel no centro de Lisboa em 1996. Havia ido a Portugal sem dinheiro, na verdade com dinheiro emprestado e naquela época enfrentava muitos problemas pessoais. As coisas que deveriam ser fáceis, se tornavam mais e mais difíceis graças a um conflito de energias, uma batalha real entre o novo e o velho, entre o bem e o mal. Quando comecei a pegar no sono, já de madrugada, ouvi uma voz que sussurrava no meu ouvido: “Fátima, Fátima…”. Como nunca conheci uma moça chamada Fátima, não entendi absolutamente nada e passei a me virar na cama, sem posição. Por volta das 4 da manhã, entendi que Fátima era uma outra cidade em Portugal, na qual no início do século XX, a Virgem havia aparecido para três crianças. Essa conclusão me apavorou, mas eu precisava fazer algo, ter um ato de coragem e determinação. A minha alma já sabia que só havia uma decisão a ser tomada.

Foi difícil levantar-me de madrugada, para tomar o caminho da rua, mas eu não poderia, em hipótese nenhuma, não ter tentado. Eu me puniria, talvez por toda a vida, se não tivesse me arriscado. Sem saber como chegar à Fátima desci na penumbra e perguntei para as poucas pessoas que encontrei na rua, sob o céu madrugador, que direção seguir. Um barbudo me ofereceu drogas ao invés de informação.

Cheguei ofegante, na maior correria, em uma estação de trens na hora em que o comboio estava prestes a sair. No trem, “puxei conversa” com uma senhora de óculos, que sentara ao meu lado, a respeito da estação de Fátima, onde descer, etc. Ela seguiu comigo até a metade do caminho, exatamente até uma baldeação para que eu pegasse um ônibus e prosseguisse em meu caminho. Antes de se despedir, ela me mostrou uma foto. “É do Brasil”, ela falou. “Do Brasil? O país é um pouco grande…”, pensei. Da sua bolsa, surgiu uma foto acobreada que para o meu espanto, exibia exatamente a minha casa, antes mesmo de ser construída. Sem haver me refeito do susto, olhei a imagem com atenção e vi que não existiam os edifícios que conheço.

— Esta é a última foto que meu irmão enviou do Brasil, ela explicou com tristeza e uma reticente esperança.

Não consegui lhe dizer que era exatamente ali onde eu morava. Era coincidência demais. Até eu mesmo fiquei horrorizado. Lhe prometi que tentaria localizar o endereço e anotei o seu endereço, que coloquei em uma mala que se extraviou na viagem de volta ao Rio de Janeiro. Pelo visto, não era para manter mais contato mesmo.

Assim que cheguei em Fátima, meu coração batia muito forte, entre feliz e assustado, mas convicto de que eu havia feito a coisa certa. Segui em frente com passos firmes. De longe, vi a cruz e a torre sineira e me senti diferente, anestesiado. Segui adiante, enquanto observava os peregrinos e os pagadores de promessas de joelhos, de costas para o mundo, em direção à Virgem. Emocionado, vi a árvore, a Azinheira Grande, sob a qual os pastores receberam as mensagens da Virgem.

Me aproximei da Capelinha das Aparições. Sentei para meditar sob o alpendre, enquanto se desenrolava uma missa. Depois de uma boa meia hora, levantei e segui até a Basílica onde sentei em um dos últimos bancos, sem conter as lágrimas de felicidade. Como algumas pessoas se incomodaram com o meu soluçar, deixei o templo. Me afastei da área dominada pela colunata e intuído por uma estranha curiosidade com jeito e cara de ordem, segui por uma rua à esquerda até um acesso a uma subida.

Percorri uma via-sacra (número 11 do mapa), que seguia até o alto, com os meus passos marcados por 15 capelinhas. Uma imagem de Nossa Senhora com os braços estendidos me acolheu ao final da caminhada (números 16 e 17). Agradeci e me sentei à sua frente, de costas para ela, para olhar a paisagem. Lá do alto, a cidade exibia suas muitas casas recobertas com o mesmo teto avermelhado sob a imensidão do céu azul. Refleti sobre os prós e contras daquela viagem, da minha vida que parecia sem sentido. Pedi uma resposta do fundo do coração, pois eu não tinha mais forças para lutar, estava cansado e desanimado. Alguns turistas japoneses e um vigilante deram as caras, mas não permaneceram durante muito tempo no local.

Repentinamente, se fez um estranho silêncio, pois não havia mais ninguém no alto do morro. Todos haviam se evaporado. Após alguns minutos, uma sutil mudança no ar tomou conta do ambiente. Sem esboçar qualquer reação, notei que a brisa e os sons haviam cessado. As folhas das árvores não me acenavam mais e nenhuma nuvem se movia no céu. Tentei falar e virar meu rosto, mas não consegui: estava com todos os músculos paralisados. O mundo emudecera, estacionara congelado e eu era a única testemunha. Não me desesperei, acatei. Não tentei explicar o que acontecia e nem me perguntei se somente aquele local havia parado no tempo, enquanto lá embaixo, a Terra continuava como antes. Talvez a viagem inteira tivesse sido uma desculpa muito bem engendrada para que eu estivesse ali, sozinho, para viver esse pequeno e grande milagre. Lembrei que os meus avós paternos, haviam deixado Portugal em busca de uma vida melhor no Brasil.

Emocionado e paralisado, vivi o milagre de dilatação do tempo sob um prisma religioso.

Então suavemente, uma luz cheia de presença massageou-me as costas. Fui abraçado por uma imensa e acolhedora luminosidade difusa vinda por trás. Era de dia e as duas formas diferentes de luz interagiram sem conflitos: a do sol acolheu a luminescência espiritual, sem que uma negasse a presença e a força da outra. Como não pude me virar, e nem ver com meus próprios olhos, só me restou vivenciar. Muitas pessoas precisam de provas, de fotos que comprovem os fatos, mas àquele momento, mais importante do que provas, ou ser posto à prova, foi ser a prova do amor transcendental.

Depois de algum tempo, que tanto poderia ser calculado em segundos como em horas, os sons e o vento retornaram mansamente à “normalidade”. Quase como um fóssil retornado à vida, mexi a ponta de um dedo, depois a mão inteira e por fim os braços. Respirei profundamente e estalei o pescoço, antes de me erguer. Quando me virei para saudar a imagem da Virgem de frente, abaixei o meu rosto em sinal de respeito e agradecimento. Havia uma placa logo abaixo da imagem: “Nesse local, ocorreu a última aparição da Virgem.”

Chorei convulsivamente.

Nesses primeiros meses de 1996, eu sabia que a pessoa que eu havia sido, estava se transformando, entrando em uma nova fase da vida.

Relatei essa história, durante os anos, a alguns conhecidos. Na maior parte das vezes, vi incredulidade, mas hoje, 15 anos depois desse encontro, não tenho nada a temer. Nada mais me preocupa, não me submeto ao julgamento alheio, só estou relatando a verdade.

Um pouco antes do livro Mágica Vida Mágica ser impresso, e 15 anos após eu ter estado em Portugal, uma Capelinha das Aparições, idêntica a de Fátima, foi inaugurada no bairro do Recreio no Rio de Janeiro em 2011, bairro para o qual meu irmão havia se mudado, um pouco antes. ”

Nada ocorre à toa nesta vida.

E nem em outras.

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LIVRE ARBÍTRIO

Há livre-arbítrio?

As pessoas que cruzam o seu caminho foram previamente escolhidas? O livre-arbítrio é algo palpável ou simplesmente a mente é capaz de criar situações inexplicáveis?

Cláudia Lessin Rodrigues

Minha vivência me sugere que o livre-arbítrio não é tão “maleável” e que não funciona como o senso comum o  compreende. A questão me parece ser de valores, de como entendemos esses mesmos valores, e de como nos entendemos.

Naturalmente, somos egoístas e autocentrados. Não há muita boa vontade em nos julgar, em descobrir que nós somos a causa número UM de nossos problemas. Nós nunca mentimos, fofocamos, nunca erramos, nunca corrompemos e facilmente apontamos o dedo acusador para o vizinho. Somos uma raça em guerra constante, conosco e com o “resto” da humanidade.

A questão da diferença de valores entre o ocidente e o oriente, entre o que é e o que significa “liberdade” é a questão central. O ocidental avança, o oriental espera, um acredita em ação, o outro em não ação.

Isso te lembra a questão da não-localidade na mecânica quântica? A mim, lembra e me inspira.

A sociedade humana, a ocidental principalmente, valoriza os ganhos (“Deus me premia financeiramente porque eu lhe dou parte dos meus ganhos” ou “sou um pecador por ter dinheiro” são faces da mesma moeda), o visível, a ostentação, os títulos, o consumismo e a aparência. Quando rezamos, ainda mais em momentos de crise, pedimos que “alguém lá de cima” nos ouça e atenda nossos pedidos. “Me dá dinheiro”, “me dá amor”, “me dá isso”, “me dá aquilo”, sempre tem um “me dá” na história. O pedinte fica no papel de filho que pede dinheiro/mesada ao pai e que se aborrece quando não é atendido. Sabe o que isso quer dizer? Que nunca deixamos de ser crianças dependentes e aborrecentes. A diferença entre pagar pelas promessas ou ofertar o dízimo é que a primeira celebra um pedido atendido e a segunda, em tese, a compreensão de que tudo o que o fiel possui, não é fruto do trabalho dele, mas da benevolência de um ser divino. É a mesma coisa que a velha tradição de, antes de beber, jogar um pouquinho de café ou cachaça ao chão, estilo “cafézinho do santo”. Certas coisas mudam de nome, certas pessoas vestem roupas diferentes mas não mudam internamente.

Pagar pela promessa também pode querer dizer que o requerente foi atendido. Se o pedido foi atendido não é porque ele “merecia”, mas porque determinadas questões kármicas, que ligam e conectam pessoas por todo o mundo, precisavam ser corrigidas, “remanejadas” e nesse caso específico, “aparentemente” o requerente é beneficiado. No caso do dízimo, a questão é um pouco mais melindrosa. Assim como o PM corrupto que entra na profissão para levar “um por fora”, a maior parte dos fieis que dão o dízimo não possuem a compreensão exata de que “dar” nem sempre quer dizer “receber” materialmente. Muitos pensam sempre na entrega do dízimo como uma questão material,  se “dou”, certamente vou “receber”. No popular, é ganhar dinheiro mesmo.

Quem foi que disse que sucesso material torna a pessoa mais esclarecida? Que todo endinheirado se torna santo, asceta e iogue?

Com esses exemplos, explico, parcialmente, como vejo a  questão do livre-arbítrio: como um cálculo matemático, acima de vontades pessoais, que envolve gerações, civilizações, culturas e ajustes espirituais.

Nós temos duas manias: a de pedir quando precisamos e a de achar que somos livres.

Nem sempre há um árbitro visível, um juiz à nossa frente, atuando no campo em que jogamos. A maior parte do nosso livre-arbítrio é previamente determinada. Só nos resta intuir qual é  a regra do jogo, e fazer escolhas durante toda a vida. Se você optar, direta ou indiretamente, por seguir determinados caminhos, uns difíceis e outros fáceis, sempre queimará karmas, antes ou depois, acertadamente ou aos tropeções, fará ajustes, que agradam e desagradam, que ano após ano, te empurram a passar de ano, com boa nota ou nota média, mas você caminhará, seguirá na senda do “livre-arbitrio” até que um dia, com ou sem promessa visível ou dízimo, seu coração e sua vida, juntos, te dirão: “Parabéns, você acaba de entender porque a sua vida é assim e se você acha isso pouco, volte ao início do jogo”.

O oriental diria que você desperdiçou energia ao lutar para alcançar determinado objetivo, gastou dinheiro demais e se estressou sem necessidade. Você o obteria de qualquer maneira sem fazer esforço, porque este resultado está acima de vontades e do “eu quero”. De fato, tudo nessa vida (e nas outras) tende a se ajustar, sempre em direção ao caminho do meio. Não há premiação nesse jogo, só escolhas. E você é sempre O RESPONSÁVEL.

Essa responsabilidade foi antecipadamente combinada por questões kármicas, que não são nada livres: são conscientes e necessárias para o crescimento individual e coletivo.  Nada ocorre à toa, pois até mesmo o local onde se reside, é imposto antes mesmo de nascermos.

Há algumas semanas, tive mais mais confirmações sobre esse fato, ao simplesmente conversar com uma vizinha e descobrir estranhas “coincidências” de datas de nascimento e locais onde nossos pais e avós moravam. Não dá para nada disso ser “à toa”, ser “sem querer”. Isso não existe. Não há coincidência. 

No final do meu livro Mágica Vida Mágica cito o caso de personagens das páginas policiais, das artes e da literatura que me sugeriram que eu resido em determinado espaço físico que me foi concedido por questões kármicas.

No final desta matéria há uma foto que comprova cada palavra escrita.

“Zapeando, assisti ao final de um documentário sobre o escritor Graciliano Ramos. O último bloco da matéria informou que o seu último endereço tinha sido na rua Desembargador Alfredo Russel no bairro do Leblon. Dois dias depois, assisti na TV a um filme do início dos anos 70 com a atriz Adriana Prieto, que faleceu no natal de 1974 no hospital Miguel Couto, também no Leblon. Em 1977, uma amiga da Adriana, chamada Cláudia Lessin Rodrigues, deprimida com o término de um namoro, foi convidada para uma festa. A última noite de Cláudia foi na casa de um menino suíço rico chamado Michel Frank, cujo pai era dono dos relógios Mondaine. Ela teve uma overdose e morreu no apartamento. Para se livrarem do flagrante, jogaram o corpo do alto das pedras em uma avenida à beira mar no mesmo bairro.

Graciliano Ramos

Baixei da internet um dos autos do processo e vi o endereço do suíço, acusado da morte da jovem: rua Desembargador Alfredo Russel. Desci para não perder o fio da meada, porque eu mesmo não acreditei na coincidência. Quando cheguei ao local fiquei sem palavras: o suíço morava no prédio ao lado do de Graciliano, colado um no outro, no mesmo lado da calçada.

Coincidência?

Depois de alguns meses, abandonado à própria sorte, revisei este livro (Mágica Vida Mágica), na mesma semana em que recebi outros dois: um sobre o cantor Wilson Simonal, cuja mãe trabalhou a 3 quarteirões de minha residência, na esquina da avenida principal do bairro e outro livro sobre o comediante Bussunda, que morava a 3 quarteirões na esquina à direita.

Literalmente, eu estava cercado.”

Cláudia à esquerda e Graciliano à direita, lado a lado.

As SINCRONICIDADES de BRASÍLIA.

 A SECA EGÍPCIA EM BRASÍLIA:

 

AKHENATON OU JK?

Na tarde da quarta-feira, dia 7 de setembro, o Distrito Federal registrou umidade do ar de 11% e calor de 31.4º C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Há quase 3 meses não chove em Brasília, que literalmente está se transformando em um deserto. Ao ler essa notícia não tive como não comparar o que ocorre hoje com uma teoria que diz que Juscelino Kubitschek, o fundador de Brasília, teria sido a reencarnação do faraó Akhenaton, nascido por volta de 1350 a.C. Amenhotep IV, ou Akhenaton, esposo da rainha Nefertit, transferiu a capital do Egito para o interior do país para a adoração do deus Athon (deus Sol); Akhetaton foi edificada em menos de quatro anos assim como Brasília, também organizada em setores, curiosamente distribuídos em “asas” de uma grande ave voando em direção leste – figura de Íbis, uma divindade egípcia guardiã das pirâmides e dos mortos. Devido ao intenso calor e baixa umidade do novo endereço egípcio, um lago artificial chamado Moeris foi criado, sendo esse o primeiro lago artificial do mundo. Cá entre nós, esse detalhe não lembra o Lago Paranoá, construído com a mesma finalidade?

JK ou Akhenaton?

Exatamente como o faraó, Juscelino (que conheceu a história de Akhenaton, após visitar o Egito, na época em que foi fazer especialização na Europa) construiu a nossa capital em menos de quatro anos, e morreu de forma misteriosa em um acidente de carro, 16 anos após a fundação da nova capital. Curiosamente, Akhenaton também faleceu em circunstâncias estranhas. Suspeita-se que tenha sido assassinado a mando dos sacerdotes, prejudicados por sua administração austera, diferentemente de JK que precisou fazer um verdadeiro “pacto com o diabo” para construir a cidade, inflacionando o país. A ideia “absurda”, mas necessária, e prometida por vários presidentes (na verdade, desde o Marquês de Pombal e José Bonifácio) de transferir a capital do Brasil para o interior, provocou uma inflação monstro e várias acusações , nunca comprovadas, de corrupção e desvio de verba.

“Brasília Secreta” – Enigma do Antigo Egito (Iara Kern e Ernani Figueiras Pimentel, Editora Pórtico) é uma tese arqueológica de Iara Kern, autora de “De Akhenaton a J.K – Das pirâmides a Brasília”, que mostra inúmeras semelhanças entre a construção de Brasília e a capital do Egito, Akhetaton, que existiu há 3580 anos.

O Congresso Nacional dá a LUZ

Brasília foi fundada em 21 de abril, curiosamente a mesma data de dois fatos importantíssimos em nossa história: em 21 de abril de 1500, os portugueses descobriram o Brasil e Tiradentes foi enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792. Isso sem contar as construções de Brasília qye remetem ao Egito: o Centro de Convenções; o Teatro Nacional, o maior monumento piramidal de Brasília, comparado à pirâmide de Kéops;  a Rodoviária: em forma de um “H” deitado, que representa o homem mortal; o  Congresso Nacional, em forma de “H” em pé, representando o homem imortal, espiritual e suas duas conchas, o côncavo e o convexo, com a finalidade de captar energia cósmica e telúrica; a Esplanada dos Ministérios semelhante às avenidas de Akhetaton; o Lago Paranoá, semelhante ao lago Moeris; a Pirâmide da CEB (Central Energética de Brasília): semelhante à pirâmide de Sakara; o  Edifício Bittar II, construção semelhante à tumba do faraó Ramsés II fora as várias pirâmides da cidade como o famoso Templo da Boa Vontade, Ordem Rosa Cruz, Grande Oriente do Brasil, Catedral Metropolitana, Igreja Messiânica, Igreja Rainha da Paz, Memorial JK, entre outras.

   VÁRIAS EXPERIÊNCIAS   PESSOAIS OCORRIDAS ENTRE RJ & DF ATRAVÉS DAS DÉCADAS:

 Recebi um convite para visitar a capital do país em 2009. Algumas semanas antes desse convite, encontrei no Rio, um amigo das antigas da capital federal, que não via há mais de uma década. Ele me apresentou a esposa e passamos a tarde juntos. O dia foi tão especial, que àquela tarde quem passou na esquina de casa, foi a atriz Katie Holmes, que estava no Rio, com a filha Suri e o marido Tom Cruise. Refleti como o mundo, realmente, é pequeno. Alguns anos antes desse encontro de esquinas e almas, gostava de assistir a séries americanas e uma de minhas favoritas, ou a  única que eu assistia que se referia à questões adolescentes, era Dawson´s Creek cuja atriz principal era a Katie Holmes. Tê-la na minha esquina, no mesmo dia do encontro com um amigo de Brasília,  que não via há anos, era uma baita sincronicidade. Ou melhor dizendo: um aviso do que iria acontecer: parte do meu passado, não sei se do Egito, ou daqui mesmo, estava no Planalto Central. Haviam me ofertado mais uma peça do grande quebra-cabeças kármico que  regia a minha encarnação.

A Filha de Tom Cruise e Katie Holmes, Suri, dando uma voltinha na esquina de casa.

— Morei em São Paulo durante um bom tempo. Ganhei uma grana trabalhando com uma banda, mas foi um período terrível, bebida e drogas…, o amigo de Brasília deu início à conversa.

— Qual era a banda?, perguntei.

“A banda Y”, ele disse sem perceber qualquer alteração em meus olhos, que fascinados piscaram ao relembrar outra e significativa sincronicidade ocorrida há 20 anos.

— Há dez anos, contei ao amigo de Brasília, minha banda tocou com essa mesma banda Y em um festival. No hotel, o baixista deles me contou a seguinte história: “Há uma década estive no Rio e meus amigos de Brasília que moravam lá me disseram que “a moda” era ser careca, skin-head, para tirar onda. Raspei a cabeça, coloquei suspensórios, calça malhada e fomos zoar à noite. Como eu estava com a perna machucada, outro “careca” me carregou nas costas. Quando passamos em frente a um cabeludo otário, sentado na frente de um banco, eu, em cima do amigo, puxei o cabelo do cara para jogá-lo no chão. O negócio era meter medo mesmo, marcar território. O cara se levantou e nos encarou. Um dos outros carecas queria enfiar a porrada nele, porque o cara era abusado, mas cada um foi para o seu lado. Foi muito engraçado”, ele me contou rindo.  E eu respondi: “Pois é, esse otário era eu.”

— Você está falando sério?, o colega de Brasília me perguntou, admirado.

— O conflito com os carecas ocorreu bem aqui nessa esquina onde estamos, apontei. Por falar nisso, vamos almoçar?

Convite aceito, escolhemos uma mesa para três em um restaurante próximo. Estava bem quente, com aquele mormaço desestabilizador próximo aos 40 graus. Assim que retomamos a conversa, a esposa do amigo nos chamou a atenção: “Olha quem está passando na esquina, aqui ao nosso lado!” Era o governador de Brasília com short e chinelos, totalmente à vontade com a família.

Depois dessa, ninguém precisava me contar que o meu próximo destino seria a Capital Federal da Nação, onde tive vários insights poderosos, crises de choro “sem motivo” (choros de felicidade) e sincronicidades literalmente absurdas, descritas em pormenores no livro “Mágica Vida Mágica”.

A RESPOSTA SEMPRE ESTÁ AO NOSSO ALCANCE.

Faz um ano que iniciei este blog. Então vamos lá: “Parabéns pra você nessa data querida!”

Há um ano eu nem imaginava que teria um livro lançado sobre sincronicidades, agora em setembro de 2011, exatamente um ano após a criação do blog. A sequência da história é essa: o parapsicólogo Waldo Vieira me aconselhou a escrever um livro, e ainda sem saber qual seria o assunto, intuí que deveria ser sobre sincronicidades, tão constantes em minha vida. O escrevi (quero dizer, a primeira versão dele) e o deixei encostado durante meses, esperando o momento certo. Dúvidas e certezas, na mesma proporção, me impulsionavam e tomei algumas decisões, uma delas apelar para a lei do menor esforço. A primeira escolha que fiz, logo que 2011 nasceu, foi não fazer mais do que eu podia e nem perder meu tempo com quem em nada contribuía para o crescimento coletivo. Durante décadas, assoviei, chupei cana e me equilibrei à beira do precipício, mas eu me disse “chega!” e cumpri a promessa. Reparto responsabilidades e faço a minha parte, somente a minha parte. Não tenho mais cabeça ou energia para fazer o trabalho dos outros. Uma vez ou outra, é até aceitável, mas cobrir os outros toda hora é repetir erros passados e o pior… viver em um círculo kármico do qual não conseguimos nos libertar. Dou amor para receber amor em troca, não contarei história aqui ao dizer que dou amor sem desejar receber amor. Se NÃO há intercâmbio, passo a bola adiante e caio fora. Às vezes demoro demais para tomar a decisão de “cortar o mal pela raiz”, mas estou aprendendo… Mas se “corto”, nunca faço pelo EGO, pelas “minhas” vontades e “meus” desejos. Há que tomar decisões em função do AMOR. Sempre.

Já gastei muito meu “latim” com pessoas que me pediam conselhos e que não me davam ouvidos,  como já fui grosseiramente interrompido ou agredido por quem se recusava a me deixar falar por discordar das minhas ideias. Para mim, hoje, tanto faz me calar ou falar. De preferência, prefiro nem falar, apenas ajo e faço da minha vida, o meu próprio sacerdócio e  do meu corpo e mente, um templo de milagres. Elogiar ou criticar, falar para quem não te ouve ou ser interrompido por quem ouve dá no mesmo: é como a história do policial mauzinho e do bonzinho.

Para estarmos aqui e agora, tivemos que passar pelos anos anteriores, pelo nosso nascimento, pelo encontro entre nossos pais, avós, antepassados, pela criação da humanidade. É uma estrada longa, cheia de percalços e descobertas.

Praça das Garças, Graças e Sincronicidades. Olha o Cristo ao fundo!

Então te faço uma pergunta: como tem sido o teu setembro? Como tem sido o teu ano de 2011?

Para mim, 2011 tem sido um desabrochar de possibilidades após longos anos de planos interrompidos, esperanças frustradas e batalhas árduas por resultados pífios. E é claro, tudo consequência de minhas escolhas, muito bem intencionadas, mas que dependiam de circunstâncias literalmente “além da imaginação”. E que dependiam da boa vontade de outras pessoas.

Xamanismo.

Há 3 dias, um amigo me contou que se casou em um ritual xamânico no interior do Estado do Rio. Ao citar o nome dos condutores da missa, quase caí para trás: são antigos vizinhos do sexto andar do meu prédio, pessoas que me conhecem desde criança. Esse mundo é um ovo mesmo…  Pensemos juntos, escolhas sempre escolhas: casar ou não casar; morar no mesmo prédio ou não morar etc. As linhas e caminhos cruzados fazem parte de quem somos e explicam por que fomos colocados uns nas frentes dos outros. O resto é saber distinguir os chamados, os chamamentos, saber ouvir o sininho da fada. Muitas vezes as respostas estão estampadas em nossas caras, onde sempre estiveram, o tempo inteiro. Nós é que não as vemos.

Existe algum culpado pela nossa “cegueira”? Claro que não. Em primeiro lugar não há cegueira ou erro, só escolhas. O mundo à nossa volta é o nosso reflexo e não dá para ser diferente. Deus é cruel conosco por nos deixar errar, por nos deixar entregues à cegueira? Não, ele só nos oferta a possibilidade de escolhermos entre a linha reta ou a angulosa, entre usar óculos ou não. Mas ao mesmo tempo, inconscientemente, almejamos as linhas tortas para termos certeza absoluta de nossas escolhas, para sabermos, de fato, o custo-benefício de toda essa história. DEUS escreve certo por linhas “tortas”? SIM! A filha dileta de DEUS, a sincronicidade sussurra possibilidades, antecipa caminhos, te entrega os óculos com o grau certo, mas não é oculista.

No começo deste ano, não sabia que rumo tomar, estava grávido, mas ainda não havia dado a luz. Para engravidar, há que se começar de algum lugar, de um vislumbre, uma inspiração, mas a semente dessa nova vida deveria ter uma relação profunda comigo, deveria ser uma ideia/uma filha que fosse minha, mas que viesse tão intimamente do meu coração, que pudesse ser compreendida por todos os corações do mundo. O primeiro passo do universalismo é a esquina de sua casa, simples assim. Tinha que ser uma verdade indiscutível, inabalável. Para seguir adiante com a ideia, em primeiro lugar, disse NÃO a convites que me levariam a descaminhos ou a situações recorrentes, de recorrência mesmo, repetições de padrões, só para pagar contas e continuar fazendo o que “esperavam de mim”. Respirei fundo, contei até mil e disse não. Isso me causou alguns problemas, mas eu precisava ter fé, mesmo que fosse a derradeira fé.

E o que conferia a essa nova ideia de 2011, um aspecto diferente das várias ideias e projetos que tive através das últimas décadas e que “não deram certo”?

Primeiramente, o ano: 2011.

Além da data, simplesmente, decidi olhar para o meu umbigo e observar os sinais que estravam na minha cara o tempo inteiro. Antes eu andava olhando um pouco adiante, além da faixa de segurança “imposta pelo destino” e assim não pude ver com clareza o que deveria ter feito, o que poderia fazer. As respostas para as nossas dúvidas são tão inconscientes, como conscientes. Em um documentário da BBC, sobre relacionamentos e casais, vi que uma pesquisa comprovava que o homem se interessa pela mulher que tém a estrutura óssea, adequada para gerar um filho dele, mesmo que o macho não tenha olhos de raio-X. Como pode? Vê-se que até mesmo para se gerar um filho, é necessário uma confluência de interesses: há o engenheiro, mas também há o operário, não se constrói nada sozinho. Ideias não bastam, é necessário quem as realize. De preferência um anseio coletivo.

Saldanha da Gama, o cara.

No começo de 2011, dei uma de minhas “voltinhas” para refletir e fui à praça ao lado de casa. Sentei em frente à estátua de um militar, que jaz sobre uma escadaria que antes dos meus dez anos, eu temia subir por considerá-la muito alta para um ser pequenininho, que um dia já fui. Lembrei do meu tamanho e olhei a estátua com carinho, um carinho fora do normal. Me aproximei e li o nome do homenageado: Almirante Saldanha da Gama. Mas quem era esse tal Saldanha? Voltei para casa e procurei na internet, havia pouca informação. Catei um velho livro na biblioteca e achei um verbete que contava parte de sua fascinante história: de herói da Guerra do Paraguai a traidor da Pátria, por ter se insurgido contra um presidente-ditador. Saldanha comandou uma revolução, a revolta da Marinha (ou Armada) para depor o presidente Floriano Peixoto, que balançou, mas não caiu e nem renunciou.

Ao fechar o livro, acreditei que a resposta para a grande ideia de 2011 sempre esteve na minha cara, naquele mesmo lugar, no monumento que eu temerosamente escalava com menos de dez aninhos. Minha alma e cabeça começaram a ferver. Dali a alguns dias, comecei a escrever febrilmente, traçar planos, e somei minhas duas paixões: música e história. Pensei “Por que não contar a história do Brasil através de música?” e criei um projeto que sairá do papel ainda este ano, assim espero.

Ao estudar sobre a Guerra do Paraguai, a única amiga paraguaia que tenho, que já residiu no Rio, e com quem não falava há anos, me escreveu em 2011 para dizer que a mãe amada havia desencarnado e que ela havia começado a estudar Cabala. Ao pensar nela e ler sobre o conflito, descobri que um grupo indígena, chamado Kadiwéu, teve forte participação na Guerra do Paraguai. Guerreiros temidos por colonizadores portugueses e espanhóis, defenderam o Mato Grosso contra incursões paraguaias por várias vezes. Eram hábeis combatentes, e exímios cavaleiros. Sua participação salvou a coluna da Retirada da Laguna de ser totalmente destruída pelas forças paraguaias. Fiquei fascinado pelos Kadiwéu, comecei a estudá-los, passei a amar os desenhos feitos em seus vasos, os desenhos minuciosos e simétricos, estampados em seus rostos. Tomei um choque de realidade: me senti um ignorante por assistir seriado estrangeiro e não saber nada sobre os primeiros habitantes do nosso país. Voltei aos livros do meu Darcy Ribeiro amado e antropólogo (Kadiwéu – ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza – 1950).

Kadiwéu

Certa vez, há muitos anos, quando fui com essa amiga paraguaia ao Museu de Belas Artes no Rio, ela viu um dos quadros sobre a guerra e ficou horrorizada. Me falou, sentida, sobre o massacre do povo de seu país. Hoje, sabe-se que não houve heróis ou bandidos, mas infelizmente o ser humano necessita guerrear em função de sua não-compreensão e do não-entendimento do seu papel na construção de um mundo melhor.

Tudo começou a fazer muito sentido para mim.

Lembrei dessas “dicas” do passado e formatei o meu presente.

O que aprendi com essas observações? Que A RESPOSTA SEMPRE ESTÁ AO NOSSO ALCANCE.

Uma boa ideia depende de inspiração e maturidade, isso leva tempo, mas a resposta, essa SIM, sempre esteve por perto!

Mas era tão óbvia que eu me recusava a acreditar.

O nome disso é DESTINO? Não sei, mas a ideia é PURA SINCRONICIDADE.

Saldanha dando a direção.

Catolicismo Renovado, a Virgem e Pedro Siqueira.

“Se você quer voar, primeiro aprenda a andar.”

Friedrich Wilhelm Nietzsche.

Em uma postagem anterior publiquei um vídeo e um pequeno texto sobre Pedro Siqueira, um advogado carioca, autor do livro “Senhora das águas”, que diz receber mensagens da Virgem, seja de Fátima ou de Medjugorje.  Com um livro no mercado, tocando um bom violão, e sendo um sujeito carismático (sem trocadilhos) como ele não poderia fazer sucesso?

Pedro Siqueira, foto Extra On Line.

Havia escrito sobre o assunto para o nosso blog, mas como eu ainda não o havia presenciado, isso me incomodava um pouco. Acreditar por acreditar é questão de fé, mas a pulguinha do repórter investigativo andava soprando no meu ouvido… Inclusive recebi vários tipos de mensagens dos leitores: uns incrédulos e outros querendo acreditar e muito. Andei pensando em testemunhar o encontro com Siqueira, que ocorre em um bairro perto de casa, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Gávea, mas me faltava o toque da sincronicidade, ou melhor dizendo, uma forcinha do destino. Como os encontros ocorrem na última terça de cada mês, decidi presenciar a reunião de hoje, terça dia 30 de agosto, por causa de dois empurrõezinhos: fiz aniversário dois dias antes – a proximidade me motivou – e a minha , já famosa, vizinha do andar de cima, me disse que a irmã dela estudara na sala do Pedro, no colégio, antes desse bafafá todo.

E há dois dias, li várias críticas dirigidas a Siqueira, por ele se apresentar apenas em igrejas da zona sul, a parte mais rica da cidade. Enfim… Decidi testemunhar in loco.

Ciente de que muitos fiéis chegavam à pequena igreja da Gávea às 14h para o encontro às 19h30, decidi chegar cedo também. Às 16h20 eu estava lá, mas a igreja já estava lotada. Me dirigi a uma cadeira de plástico, próxima à porta, para não me sentir muito enclausurado. Bem, minha formação é católica, e amo estar em igrejas. Por adoração e respeito, desliguei o celular e saí do ar até o fim do encontro. Literalmente saí do ar mesmo, pois me concentro, medito e projeto minha consciência para fora do corpo, como que estabelecendo uma conversa com o inconsciente, termo esse não muito católico. Se eu desliguei o celular, muitas pessoas não o fizeram e a generalizada falação no templo obrigava os organizadores a intervirem frequentemente ao microfone pedindo serenidade, e que inclusive  deixassem de marcar lugares vazios com bolsas para que idosos em pé pudessem sentar. “Gente, Jesus admira a caridade, deem uma forcinha aí que todos serão recompensados!”, ouvi pelos alto-falantes. Mas sabe como é, pessoas são pessoas. As mentes não serenam e as bocas tagarelam, transformando igreja em feira, no clube Piraquê. Projetado, eu ouvia tantas vozes, que minha cabeça doía. O clima estava bastante tumultuado e eu sabia bem o porquê, só me faltava comprovar. As pessoas querem acreditar, mas precisam de alguém especial para isso, precisam de uma ponte, seja uma religião ou uma pessoa, um “veículo”, um “condutor físico”. Curioso foi reparar a existência de uma igreja evangélica do outro lado da calçada, VAZIA, e a católica com tanta gente que saía pela rua. Havia até projeção do encontro, esquema telão na parede externa da igreja, com som amplificado, para os que não conseguiram entrar. A igreja? LOTADA!  Hora da caça, hora do caçador.

Atrasado, Siqueira chegou às 20h e contou rindo, uma história curiosa sobre o recente nascimento do filho. Um padre amigo do casal, nascido em 19 de agosto, data do milagre de Fátima (19 de Agosto de 1917), disse que devido a Siqueira (nascido em agosto) ter decidido com a esposa (nascida em agosto) dar ao menino o nome do padre, por causa disso, ele também nasceria no mesmo 19! Siqueira não acreditou, mas não é que o menino veio ao mundo em… 19 de agosto!  Incrivelmente, durante o terço conduzido por Siqueira, os presentes sossegaram as matracas, entre manifestações de quase fanatismo, que a meu ver, e sentir, tem menos a ver com “viver a fé” e mais com “precisar de provas para ter fé”.

 A palavra de Siqueira era venerada com a de um santo e a vibração do ambiente mudou completamente com a sua presença. Percebi que as mentes dos fiéis tornaram-se mais receptivas e serenas, acalmando o ambiente, não por que tivessem se educado em minutos, mas porque as pessoas só se concentram no que lhes interessa. A todo minuto alguém pisava no meu pé, se chocava com meus joelhos, me dava “ombradas”, e atrás de mim uma criança pequena me dava chutes nas costas, de tanta gente que insistia em entrar no recinto lotado, contrariando as contrariadas leis da física.

Durante uma hora, Siqueira rezou, cantou (bem por sinal) e entregou aos destinatários mensagens da Virgem, recados de conforto para casais em guerra; pais desesperados com filhos viciados; mães e filhos doentes e negócios quase falindo que não quebrarão. Siqueira, que vê e ouve a Virgem, cita os nomes dos presentes antes de lhes dar as mensagens. O advogado se dirigiu a uma moça que havia tentado se matar e lhe disse: “A Virgem te acompanha, tanto que ela sabe que sua cama é pequena, há um ventilador branco de teto e que seus chinelos estão em determinada posição, etc.”

De certa forma, Siqueira me lembrou Chico Xavier entregando psicografias, mesmo que os católicos mais católicos não gostem de ouvir isso. Mas não se diz que no Brasil, todo católico é espírita?

Às 21h, Siqueira encerrou o encontro e recomendou a todos rezar o terço. Na saída, ouvi uma testemunha, humilde por sinal, sem bolsas Louis Vuitton, relatar que ela havia recebido uma mensagem no encontro que presenciei. O que importa é que a “remetente” estava feliz. Se a questão é confortar as pessoas, um passo importante é dado por Siqueira e um passo que tem muito significado, mas enquanto as pessoas não aprenderem a andar sozinhas, como diz Nietzche, nunca poderão voar. E sempre serão projetos de pessoas, não pessoas livres, espiritualmente cônscias.

As SINCRONICIDADES de RENATO RUSSO

 

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há.”

Renato Russo (1960-1996), vocalista da Legião Urbana ganhará dois longa-metragens: “Somos Tão Jovens” do diretor Antonio Carlos da Fontoura e “Faroeste Caboclo” do estreante René Sampaio.

Lendo a matéria de André Miranda, do jornal O Globo sobre a película “Somos Tão Jovens”, encontrei essas pérolas sincronísticas:

“As coincidências que envolvem a produção de “Somos tão jovens” têm um quê místico por um lado e um cinematográfico por outro. Em 2006, Fontoura encontrou casualmente na rua, o produtor musical Luiz Fernando Borges, amigo próximo de Renato e pessoa incumbida pela família do cantor de cuidar da possibilidade de uma cinebiografia. Borges estava no Jardim Botânico, andando pela calçada a caminho da casa de Ed Motta quando avistou o diretor, com quem não tinha contato havia 25 anos, desde que eles participaram do mesmo grupo de terapia. A conversa foi breve, como costuma ocorrer nesses encontros. Perguntaram sobre a vida, relembraram alguns assuntos do passado e falaram de projetos futuros. O filme sobre Renato, que ainda era apenas um sonho, então, veio à tona. “Que bacana”, um disse. “Quer dirigir?”, o outro perguntou”.

“Era preciso arrumar patrocínio. “Religião Urbana” foi o primeiro título escolhido. Durante dois anos, porém, eles só ouviram respostas negativas de investidores, atrasando o projeto. Até que Dona Carminha Manfredini, mãe de Renato, chamou o diretor para um almoço e sugeriu a mudança do título para “Somos Tão Jovens”, argumentando que seu filho nunca foi pregador, religioso, nada parecido. A frase foi tirada da letra de “Tempo Perdido”, um dos maiores sucessos da Legião. Fontoura não tinha tempo a perder e prontamente aceitou o conselho. – Na semana seguinte, começamos a ganhar editais – lembra o diretor. – Eu acho que o Renato deve estar num universo paralelo dizendo o que cada um de nós deve fazer. A minha meta é que ele e quem o representa neste planeta fiquem felizes com o filme. A Legião Urbana sempre esteve presente no coração dos jovens. Este filme não é apenas sobre o Renato. É sobre todos esses jovens”.

(Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura)

 

Uma Tarde no Cemitério

“MEMENTO, HOMO, QUIS PULUIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS.”

Lembra-te, ó homem, de que és pó e ao pó hás de voltar.

Cimetière du Père Lachaise”, perguntaria-me o leitor? Não! Alegremente me dirigi ao Cemitério da Consolação em São Paulo.

Após mais de 25 anos de idas e vindas à Pauliceia, respirei fundo e decidi visitá-lo para conhecer o túmulo da famosa Domitila de Castro, a Marquesa de Santos (São Paulo, 27 de dezembro de 1797 — São Paulo, 3 de novembro de 1867), amante oficial e oficiosa do Imperador Dom Pedro I e mãe da Duquesa de Goiás, filha de Pedro “o demonão”.

Marquesa de Santos, "santa"?

Cheguei às 13h em busca de informações. Me dirigi a um funcionário muito prestativo, que demonstrou em poucas palavras o amor ao seu trabalho. Popó, o seu apelido. Na verdade, Francisvaldo Gomes nasceu em Crateús no Ceará.  A sua cidade natal, que já pertenceu ao Piauí até 1880, e que posteriormente foi anexada ao Ceará, já foi conhecida como “Príncipe Imperial” (atenção: funcionário em cemitério da Domitila nascido em cidade com nome real). Como citei anteriormente, fui ao cemitério, em primeiro lugar, para visitar o túmulo da “Titília”, mas sabendo que lá também estavam outros personagens que aprecio como Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral e os presidentes da República Velha: Campos Sales e Washington Luis. Literalmente, me senti em casa.

Munido de um guia de visitação – cedido pelo Popó -, segui pelas ruas e vielas, admirando a arte tumular e preparando o coração para os prementes encontros. Inevitavelmente refleti sobre vida e morte, perenidade e ocaso, sobre como a sociedade vive intensamente com receio de findar seus dias de glória em um… cemitério. Mas curiosamente, mesmo para mim, me senti muito bem entre os túmulos, entre lembranças que não me pertencem e ostentações post mortem eternizadas em esculturas lamuriosas. Refleti sobre a questão do poder: de como Presidentes da República que estavam distantes do povo em suas épocas, hoje estão tão disponíveis para nós, mesmo em versões tumulares.

O anjinho sapeca que vela Domitila

Me dirigi à Domitila, que está ao lado da capela e com ela conversei um pouco, até de forma irônica, comentando sobre como uma mulher (ou um amor) pode balançar um Império. Que coisa… Mas completei: “De certa forma é uma honra estar aqui, mas gostaria de deixar claro que sou fã da Leopoldina, a esposa legítima de Pedro I, tá?”. Ao lado de Domitila está um grande brasileiro: Luiz Gama, escravo nascido da relação patrão e empregada, prática ainda tão convencional em nosso Brasil, que aos 10 anos foi dado como pagamento por uma dívida de jogo. Sua história é fascinante: como “peça vendida” foi conduzido de Santos a Campinas, a pé. Depois aprendeu a ler, fugiu do cativeiro, virou militar e por fim tornou-se um grande jornalista abolicionista. Senti orgulho de estar ali frente a frente com esse lutador, cuja história me inspira. Logo adiante, me deparei com outro personagem fascinante: o liberal italiano Líbero Badaró, jornalista e médico, que por defender a queda das Dinastias e Impérios, foi assassinado em 1830 pelos defensores de Pedro I, que andava insatisfeito com as críticas.

Líbero Badaró

Morro defendendo a liberdade” foram as últimas palavras de Badaró. Em função dessa celeuma e outras, Pedro I abdicou no ano seguinte à morte do liberal e sem a coroa, partiu para Portugal onde tornou-se um herói.  E outra, Pedro Demonão sempre soube o que fez: seu insaciável amor pelas mulheres era regiamente pago em moeda de troca – muitas espertamente engravidavam do chefe da Nação para ganhar algum título, bens ou dinheiro. A Baronesa de Sorocaba, irmã da Marquesa de Santos, engravidou de Pedro e deu a luz a Rodrigo. Existe uma carta de Pedro I, de abril de 1830, preservada no Arquivo Histórico do Museu Imperial em Petrópolis, na qual ele menciona todos os filhos que teve e especialmente, destila um veneninho a respeito de Rodrigo, filho da irmã de sua amante favorita: “Aquele que foi feito (…) por um motivo bem simples, porque a mãe não era burra.”

Sítio do Picapau Amarelo

Segui adiante até me deparar com Monteiro Lobato. Com os olhos marejados, agradeci-lhe por ter lutado pelo Brasil, por ter acreditado que poderíamos ser grandes e principalmente por ter escrito e nos encantado com as maravilhas do Sítio do Picapau Amarelo, o primeiro livro que li e que literalmente mudou minha vida. Depois visitei meus queridos santos modernistas: Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade – que não eram irmãos – e me lembrei de uma séria rusga entre ambos, apesar de modernistas: em 1990, o amigo de Mário, Antonio Cândido se referiu diretamente ao assunto: “O Mário de Andrade era um caso muito complicado, era um bissexual, provavelmente.” O episódio do rompimento de relações entre eles se deu quando Oswald de Andrade ironizou que Mário (a quem chamava de “Miss São Paulo“) se “parecia com Oscar Wilde por detrás“.

Oswald de Andrade

De volta à Marquesa, pois nosso papo ainda não havia terminado, encontrei uma pessoa à frente do túmulo: o visitante José de Nazaré, que apelidei de Nazareno (foto) e que me acompanhou durante o resto da jornada, pois não era nada fácil encontrar determinados jazigos.

O Nazareno da Consolação

Ele me disse que é espírita e eu citei que estava ali por dois motivos: para ver alguns dos personagens que me encantam e como um Indiana Jones, para descobrir alguma pista do por quê estar ali. Como tenho escrito há meses, eu não iniciei o blog para me esconder, mas para me revelar: eu acredito e comprovo dia a dia que tudo, absolutamente tudo o que se faz é ligado a um fato inconsciente e que através das sincronicidades podemos obter respostas. No dia anterior, havia tido uma conversa com um amigo evangélico e falei claramente que minha meta é saber quem sou, de onde vim e para onde vou. Ele me disse: “Deus não permite isso. Os homens não têm condições de saber certas verdades.” Eu lhe disse que respeitava o seu ponto de vista, mas que víamos a vida – ou a morte – diferentemente. “Também aceito que a maioria não tem como entender certas revelações”, mas sinceramente completei: “A questão é que eu não tenho nada a perder.”

Washington Luís

Washington Luís

Com “Nazareno”, visitei os descansos-finais de dois Presidentes da República Velha: Washington Luís e Campos Sales. Sobre o primeiro é interessante notar que o seu nome não consta do túmulo, apenas há uma lápide com uma frase famosa e sua assinatura, incompreensível para quem não o conhece, algo bem diferente do faustoso túmulo de Campos Sales.

Campos "Selos"

Há um detalhe interessantíssimo: Monteiro Lobato (inimigo dos modernistas por considerá-los “colonizados”) e o Presidente Washington Luís trabalharam juntos. Em 1927, Washington nomeou Lobato como adido comercial nos Estados Unidos e de Nova Iorque e Detroit, Lobato escreveu a Luís confirmando a tese presidencial de que “Governar é abrir Estradas“. Nos Estados Unidos, o escritor observou de perto, a tecnologia do aço e da prospecção de petróleo, o que fez o escritor compreender que a solução para muitos dos nossos males, seria a industrialização, que para variar, demorou muito a ocorrer. Mas ao apoiar Júlio Prestes, o candidato da situação, e do charmoso Washington, em carta datada de 28 de agosto (data do meu aniversário) de 1929, Lobato se enroscou todo. O golpe tenentista de Getúlio Vargas e seus asseclas em 1930 mandou Lobato, Prestes e Luís às favas. Outra curiosidade: quem também está enterrado neste cemitério, só que na outra extremidade é o historiador marxista Caio Prado Júnior, fundador da Editora Brasiliense que em 1943, negociou com Lobato a publicação de suas obras completas. Alguns anos depois, Lobato se tornaria sócio de Caio nessa mesma editora.

Caio Prado Júnior

Já se aproximando das 17h, ainda me sentia um pouco inseguro se ainda acharia algo que referendasse aquela visita. Visualizei o mapinha mais atentamente e localizei dois números, um ao lado do outro: 28 e 31, os dias do meu nascimento e do meu único irmão. O 29, dia do nascimento de nossa mãe estava próximo também. Segui na direção que apontavam e no 31, encontrei o descanso de Olívia Guedes Penteado (Campinas, 1872 — São Paulo, 9 de junho de 1934), uma das maiores incentivadoras do modernismo no Brasil e amiga de artistas-chave do movimento, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Heitor Villa-Lobos.

Olívia Guedes Penteado

Olívia se empenhou na causa revolucionária de 1932 e lutou a favor do voto feminino, conseguindo eleger a primeira mulher para uma constituinte. O seu túmulo é ornamentado pela escultura O Sepultamento, feita por um outro ídolo: o escultor Victor Brecheret. Ao observar o guia de visitação mais atentamente, reparei que o número 28, ao lado do 31, se referia à uma obra, uma escultura e não à pessoa em si. Procurei um outro 28 e o encontrei logo ali a algumas quadras de distância. Eu nasci no dia 28 e minha mãe nasceu em 1928. Ao me posicionar defronte ao túmulo, meu coração pareceu saltar da boca ao encontrar o “meu” 28: a filantropa e poetisa Anália Franco (Resende, 10 de fevereiro de 1856 — São Paulo, 20 de janeiro de 1919), que fundou mais de setenta escolas e mais de vinte asilos para crianças órfãs.

Anália Franco

Estudando sua linda história de vida, soube que à época da Lei do Ventre Livre (1871), ao tomar conhecimento de que os nascituros de escravas seriam encaminhados à roda dos expostos na Santa Casa de Misericórdia, ela usou o seu talento de escritora para dirigir-se às esposas dos fazendeiros e trocou um bom cargo na capital paulista por outro, no interior, a fim de socorrer as crianças necessitadas. Eis o texto retirado da wikipedia: “Graças à ajuda de uma dessas fazendeiras, num bairro de uma cidade no norte do estado de São Paulo obteve uma casa para instalar uma escola primária. Tendo a fazendeira lhe imposto a condição de segregação entre crianças brancas e afro-descendentes para a cessão gratuita do imóvel, Anália recusou-a terminantemente, passando a pagar um aluguel. Nessa primeira “Casa Maternal”, passou a receber as crianças que lhe batiam à porta, levadas por parentes ou recolhidas nos caminhos da região. A fazendeira, ressentida com a altivez da jovem professora e vendo que a sua casa, embora alugada, se transformara num albergue, recorreu ao prestígio do marido (um “coronel”), e este obteve a remoção de Anália. Indo para a cidade, alugou uma velha casa, consumindo com essa despesa a metade do seu salário. Como o restante era insuficiente para a alimentação das crianças, não hesitou em ir pessoalmente pedir esmolas para prover as crianças, que referia carinhosamente em seus escritos como os “meus alunos sem mães”. Numa folha local anunciou que, ao lado da escola pública, havia um pequeno “abrigo” para as crianças desamparadas. Embora essas práticas chocassem o setor conservador da cidade, Anália obteve o apoio de um grupo de abolicionistas e republicanos. Ao final da vida, Anália Franco constituiu 71 Escolas, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 Banda Musical Feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dramático, além de oficinas para manufatura em 24 cidades do interior e da capital”.

Trêmulo, e com o mapinha entre as mãos, várias sincronicidades me puseram de joelhos: Anália Franco, quadra 62, terreno 29 (o ano do meu aniversário e o dia do nascimento de minha mãe). Ao rever o endereço de Olívia Guedes Penteado vi: rua 35, terreno 1 e 2 (3 mais 5 = 8, mês do meu nascimento e interpretei o 1 e 2 de duas formas: 1 mais 2 = 3, mês do nascimento do meu irmão – março – e 31, o número do túmulo de Olívia no guia é o dia do nascimento do meu irmão e 12 é o mês que a nossa mãe nasceu). Tarsila do Amaral, pintora se localizava no número 29 do guia, dia do nascimento de mamãe. Simplesmente as datas completas de nossa mãe, minha e do meu irmão estavam ali na minha cara e ligadas a três mulheres artistas e educadoras que se doaram para mudar os rumos deste país e para auxiliar as pessoas. Essa me pareceu uma bela resposta: que não devo temer e nem me afastar do caminho artístico e educacional, que estava escrito antes mesmo de termos nascido.

Comecei a chorar com a alma aliviada.

(obs: antes de deixar São Paulo, que hoje me deu um dos melhores presentes de minha vida, tornarei a rever Pedro I, e minhas Imperatrizes Maria Leopoldina e Amélia Augusta na Cripta Imperial sob o Monumento do Ipiranga.)

Anália Franco

SINCS SEQUENCIAIS

“Seu Roberto, o pessoal do mundo antigo não está entendendo o mundo novo”. Foi o que Dona Maria disse ao meu amigo Roberto, que trabalha no atendimento de um Banco em Manaus. A senhora, cliente antiga, nunca soube que meu amigo tinha algo de “especial”, mas como não era boba, ela “percebeu” que ele poderia entendê-la.

“Não adianta ter professor para instruir porque eles não compreendem”, ela prosseguiu.

“O mundo antigo já acabou!”, sentenciou.

Por que inicio o texto com esse preâmbulo? Porque Roberto, esse amigo, passou alguns dias comigo no Rio nesse feriadão. Pois bem, quando você junta duas pessoas que têm características especiais, o que geralmente ocorre é um verdadeiro “sai-de-baixo”, um “tsunami energético”: a energia de cada um é amplificada e as sincronicidades se multiplicam. E após cada nova sinc diária, ríamos.

“Ô homem de pouca fé!”, eu brincava.

E ele respondia: “Quem disse que eu não acredito! Você é que é o cara dos FXs! (“efeitos especiais”: nossa alcunha para fenômenos) Meu professor de ioga me disse que tudo o que é antigo não vale mais para hoje em dia, seja religião ou filosofia.”

Durante sua estadia no Rio ocorreram muitas sincronicidades diárias, sempre da mesma maneira: a gente conversava sobre algo, sem prestar muita atenção, como se fosse um pensamento dito em voz alta e o pensamento se materializava fielmente no dia seguinte. Aqui listo algumas das mais folclóricas, todas ocorridas em uma semana.

Só me falta-me o Gramur!

1 – Tenho dois amigos, mais próximos, em Manaus. Um deles veio passar uns dias comigo, aqui em casa, por causa das suas férias e não em razão do feriadão. No dia posterior à sua chegada, toca o telefone: era o outro amigo de Manaus que havia chegado ao Rio. Eles não combinaram nada e o segundo amigo não veio para o Rio por causa das férias. Saímos todos. Em nossa conversa, comecei a imitar a Lady Kate. A namorada do segundo amigo riu e me disse que havia estudado com a atriz, Katiuscia Canoro.

Orfeu da Conceição

2 – Lembrei de uma história, assim que passamos perto de um viaduto ao lado do Sambódromo: “Subi nesse viaduto, uma única vez para ver o desfile das Escolas de Samba. Não dava para ver nada e desci. No meio do povo, uma voz me chamou: era um conhecido que não via há anos.” No dia seguinte à conversa, encontramos a pessoa que havia me chamado no viaduto.

Bob Zé

 3 – O amigo me perguntou: “Você já ouviu o disco do Zé Ramalho no qual ele canta Bob Dylan?”. No dia seguinte, Zé Ramalho passa na rua pelo meu amigo.

4 – Sonhei com um conhecido que cruzou comigo, de cabeça baixa – no sonho – e não me viu. No dia seguinte, o amigo de Manaus me pergunta sobre uma banda, na qual a pessoa com quem eu havia sonhado cantava. Mas ele não sabia disso.

 5 – Contei para ele que o mago Aleister Crowley não era tão ruim como querem pintar, ainda mais em um mundo (o atual) no qual uma de suas sentenças é glorificada: “Todo homem e toda mulher é uma estrela.”

Todos juntos vamos...

Muitas vezes o “mal” também pode se associar ao “bem” para derrotarem o “mal maior”. No final das contas, mal e bem são apenas pontos de vista, é claro. Contei ao amigo que na Segunda Guerra, Hitler e o povo alemão uniram-se numa “tsunami energética” ao erguerem os braços na saudação nazista, que podemos dizer simbolizava o “mal”, ao reincorporarem o velho mundo simbólico dos conquistadores romanos, com suas águias, flâmulas e galhardetes; a escravização de povos” inferiores”  e conceitos opressores de civilização. Inebriados com a campanha militar vitoriosa (até invadiram Paris!) o povo e os líderes alemães eram uma coisa só.  Entre 1936 e 1939, Crowley fez uma série de visitas à Alemanha. Uma mulher chamada Martha Kunzel tentou convencer Hitler de adotar o Livro da Lei de Crowley como a sua “Bíblia”.  Hitler rejeitou a sugestão, pois para ele o “Mein Kampf”  era o livro sagrado da Alemanha.

V

 Ser amigo de Crowley não era uma primazia do poeta português Fernando Pessoa ;  Winston Churchill, o novo velho homem escolhido para liderar a Inglaterra, como primeiro-ministro, em tempos de guerra, consultou o mago a respeito da saudação nazista. O que Churchill, um homem que também acreditava em primazia racial, desejava era combater o nazismo em duas frentes: no físico e no astral. Crowley sugeriu-lhe que adotasse o símbolo do V com os dois dedos erguidos para anular a saudação nazista.

 Meu amigo não lembra de ter sonhos diários, mas aqui em casa ele sonhava toda noite, exatamente como eu: com histórias longas e vários personagens. Na madrugada, ele foi atacado por alguma entidade e lembrando da nossa conversa, felizmente usou o V juntamente com conjurações de amor. Ele acordou dizendo que os “inimigos” saíram em debandada.

Excalibur

6 – Simbologias são muito poderosas e é preciso compreendê-las para ter o controle sobre a sua vida, principalmente a inconsciente. Tomei conhecimento de um fato, que claramente era mera reprodução (retorno e recorrência) de outro ocorrido há exatos 25 anos. Como indiretamente me envolvia de várias formas e todas nada muito boas, pensei em cortar o mal pela raiz. Em um sonho, soube que deveria resgatar um objeto físico que se ligava indiretamente a essas pessoas. E apesar de aparentemente a missão ser difícil, senti que sairia vitorioso. A imagem que me veio à mente era a da espada de Excalibur sendo retirada da pedra. Isso me deu a convicção de que eu deveria e poderia cumprir a missão. Em uma semana, fui bem-sucedido. A convicção do sucesso era tamanha que eu simplesmente segui adiante. O que ocorrerá com os personagens envolvidos na teia do retorno e recorrência não é mais meu problema. Nunca mais.

 Roberto

7 – Falávamos sobre a morte da filha do cantor Roberto Carlos e durante a conversa, ele fez algumas críticas sobre a minha forma de viver: ele me sugeriu que eu colocasse meu sonhos de lado e eu respondi que “preciso vencer sendo quem sou, com meus sonhos. Não me interessa vencer sendo outra pessoa”. Na rua, passamos em frente a uma igreja que gosto e sugeri que entrássemos. A princípio, ele não quis, alegando que “isso é um processo seu”, mas entrei e ele veio atrás. Quem comandava a missa era o padre Antônio Maria, que pediu que rezássemos por Roberto Carlos e completou: “O amigo que está em sua casa deve respeitá-lo e aceitar a sua maneira de ver o mundo”.

Padre Antônio Maria

Eu sei bem o que é isso, pois lido com o descrédito constantemente. Os incrédulos nem são bons nem maus, não estão certos ou errados, eles têm outras missões, outras funções, outros objetivos, outras necessidades, outras certezas, que não são as minhas, mas curiosamente querem que eu passe para o lado deles e eles nunca querem passar para o meu, sabem por quê? Porque o meu caminho é o mais difícil, mas é meu: eu tenho o prazer e a obrigação de cumpri-lo de cabeça erguida. Honra e valor.

Pedidos, Promessas

8 – Durante uma fase conturbada na minha vida, pedi uma graça em uma igreja de escravos há 4 anos. Aparentemente a graça não foi alcançada (disse, “aparentemente”) e nunca mais pensei no assunto. Hoje, no dia em que escrevi este texto, passei com meu amigo em frente à mesma igreja. Na hora, passou pela minha cabeça que eu deveria “desfazer” a promessa. Fiz exatamente a mesma coisa, com o mesmo procedimento. Desfiz? Não sei, mas saberia menos se não o fizesse. O que houve de concreto é que a vibração foi fortíssima, as paredes tremeram. Muitas respostas e grandes soluções são inconscientes: apenas cumpra a sua missão com amor.

A SINCRONICIDADE DO 28

“Viver não é necessário; o que é necessário é criar”. Fernando Pessoa – aquele que nada trazia de pequeno n´alma.

Em que dia você nasceu?

Há alguma coisa em sua data de nascimento que te desperta a atenção?

Você reconhece alguma coincidência significativa ligada a números?

Nasci no dia 28. Não sei se por aderência, carinho ou mania, o 28 não desgruda de mim. Achava estranho esse apego todo, mas com o tempo me acostumei e comecei a ver o lado positivo. Como ele me perseguia, eu comecei a persegui-lo: olho por olho, dente por dente. As brincadeiras com o número começaram em lugares inusitados como o valor de um produto no supermercado; os centavos no final de uma conta; 28 graus; acordar às 09:28; o CPF do meu irmão tem a data, dia e mês, do meu aniversário; ver um 28 perdido em meio a uma nova conta de banco; encontrar um 28 boiando em um novo número de telefone etc.

No aspecto da evolução da alma, o 2 representa a polaridade entre emoção e a mente (alma), e o 8, a consciência (espírito) que julga esses veículos.

Mas no 28, o que se destaca é o oito, não tem jeito. O número 8 representa a Justiça, o Julgamento, o equilíbrio entre matéria e espírito, o oitavo chakra Vibhuti. Tem relação direta com o Deus dos Mortos, Anúbis (Saturno) que quer teu coração mais leve do que uma pena.  O Nobre Caminho Óctuplo é, nos ensinamentos do Buda, um conjunto de oito práticas que correspondem à quarta Verdade Nobre do Budismo: o “caminho do meio”, baseado na moderação e na harmonia, sem cair em extremos. O Dharmachakra representa o Nobre Caminho Óctuplo.

Números são coisas matreiras, arteiras, como gênios brincalhões.

Essa tem tudo a ver com a experiência do 28 e do 8: fui ao banco pagar uma conta, mas como estava em atraso, tiveram que recalcular na hora. Eu tinha ideia de quanto seria, mas não sabia o valor exato. Deu X reais mais alguns centavos, um número bem quebrado tipo 35 centavos . O dinheiro que eu havia trazido era exatamente o valor X calculado em reais, mas não os centavos. Meti a mão no bolso de trás da calça e havia exatamente 35 centavos. Fiquei duro, mas paguei a conta. Matutei, meio aliviado e meio “bolado”: “Que coisa! Nem para dar uma folguinha? Precisava ser tão exato assim?” Rindo, vi o lado positivo da história: paguei a conta, cumpri com minhas obrigações. Palavra engraçada essa: obrigação. Obrigar a…

Colocando as coisas em pratos limpos no universo do 28: pago o que devo e quando não consigo, não fico desesperado nem me sentindo um péssimo pagador porque me empenhei, dei o meu melhor, não enganei, não menti, não enrolei, fui claro, mas não deu. A vida é assim. Simplesmente faço o possível e se não dá,  negocio; se não dá para negociar, faço o que posso e quando “nada dá certo” (certo para quem, né?) aceito o ocorrido e não brigo com ele. Curiosamente, tudo sempre dá certo e se resolve quando é chegada a hora, quando a sintonia está boa, quando os pêndulos estão alinhados em meio ao caos. A diplomacia e  a guerra são partes do processo, nem toda guerra é do mal e nem toda diplomacia é do bem, entender o mundo com uma visão maniqueísta não faz juz à grandeza do universo, que repito, é muito mais criativo do que supõe a nossa vã filosofia.

Escher vendo Escher

A imprensa noticiou: “Sábado e domingo são os últimos dias da exposição O MUNDO MÁGICO DE ESCHER do artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972).”

Obviamente, como quase todos os brasileiros deixam tudo para cima da hora, a história não poderia ter sido diferente: fiquei na fila durante uma hora e meia antes de entrar no prédio. E sabe aquelas perguntas que a gente se faz? “Por que não vim antes? Por que deixei para a última hora?” ”  Todas passaram pela minha cabeça. Mas uns cinco minutos depois a alma sossega, eu não fico  reclamando, é chato. A gente se aborrece com a nossa “falta de tempo”, mas quer saber? Antes tarde do que nunca. Ficar “plantado em pé” é um problema menor: eu estava lá para ver o grande Escher, que mais eu poderia querer? Como fã de arte, me senti realizado. “Furada”, nesse caso, é um conceito relativo.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/ultimo+dia+de+exposicao+de+escher+no+rio+reune+milhares/n1300007298311.html

Mas eu não deixaria a história ser tão simples assim, também gosto de complicar um pouco, vamos colocar dessa forma. Superficialidade não é a minha, então eu faço a minha vida ser dignamente profunda e artística. Também gosto do inusitado, ele não me assusta, dá um medinho, mas é um bom medinho, por assim dizer, é parte da brincadeira.

Assim que me aproximei do museu às 11 da manhã, no centro do Rio, e vi o tamanho da fila, senti que não era para entrar. Pelo menos, não àquele momento. Pensei, “mais tarde esse povo desiste e a fila fica menor”. Santa ingenuidade…  Em frente ao museu, há uma Igreja: a da Candelária. Em outra coluna, creio, falei sobre uma visita que fiz à mesma igreja há muitos anos, com minha mãe durante um encontro para ver a Imagem original de Nossa Senhora de Fátima. Entrei na Igreja e sentei em um dos primeiros bancos para meditar. Foi bem legal. Tirei fotos das imagens e desse anjo portentoso, sustentáculo de um parlatório, em cuja frente sentei.

Anjão

inclina avrem tvam et suscipe verba intellectus: Incline-se diante dele e receba as palavras da Inteligência.

Ao sair da igreja, por volta de meio dia e vendo que a fila não havia diminuído, preferi arriscar e ver qual era a exposição no prédio ao lado, no Centro Cultural dos Correios. Para minha surpresa: era sobre Fernando Pessoa, um dos meus poetas favoritos, se não o favorito.

A Pessoa do Fernando

Mal entrei na fila, com poucas pessoas, a porta foi aberta para que todos desfrutássemos do momento mágico, ou de um momento “Pessoa”. Após me deixar levar e flutuar entre as poesias transformadas em mil imagens, entrei em uma sala onde havia uma grande mesa com vários livros de Pessoa para quem quisesse ler. Sentei e logo à minha frente, vi um pocket book de Álvaro de Campos. Fernando, que foi amigo do mago Aleister Crowley devia ter sido mago também e não só das palavras: não satisfeito em ser Um escritor ou Um poeta, foi vários. Pessoa repartiu seu talento em heterônimos, múltipla personalidades, personagens extraídos de si, e o mais famoso deles estava ali à minha frente em forma de pocket: Álvaro de Campos.

Minha poesia favorita, como a de várias pessoas, é Tabacaria.

“Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,

Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,

Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,

Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,

Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,

Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada”.

Assim que abri o livro, vi que o texto completo de Tabacaria se distribuía por três páginas: a primeira sugestivamente começava em 287. Como nasci no dia 28 de agosto imaginei que haveria alguma surpresa na 288. É claro que havia. Ao abrir o livro, no final da página 288 – que fotografei, mas peço desculpas pela má resolução – encontrei exatamente essa parte:

“O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo”.

Começava assim a primeira linha no alto da página 289:

“Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu”.

A última quadra na página 288  – diagramada assim pelo destino ou pelo inconsciente do diagramador – falou demais àquele instante, falou como um buraco negro que engole todo o universo no meu peito. Creio que não há necessidade de me explicar mais. Curiosamente, a 289 confirmou que eu não estava ali à toa, que àquele livro não estava inutilmente ao alcance da mão e que todas as estradas conduzem a Roma.

Página 228

Havia postado a mais nova edição da revista O Martelo no dia anterior à visita ao museu e para ela escrevi sobre Kant.

Nossa Senhora de Fátima

Me ergui e mais uma vez, do lado de fora da exposição sobre Pessoa, soube que não era para entrar na fila do Escher. “Não é agora”, refleti. Saí de lá, atravessei o centro inteiro com uma energia renovada e fui à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, perto do Sambódromo para agradecer. De volta ao museu, por volta de 16h da tarde, ingressei na fila “amarradão”.

Calor? Que calor?

Dor? Que dor?

Cansaço? Que cansaço?

Escher é bom demais. É o próprio Yin Yang

E a vida é Yang para quem não se impõe, para quem conversa em silêncio com ela, como Yin, pois sabe-se que essa dama chamada VIDA é matreira como um 28.

Obs:  O primeiro disco que gravei em 1984 se chamou Ultimatum. Álvaro de Campos, autor de Tabacaria escreveu Ultimatum em  novembro de 1917, que também fala sobre o Brasil:

             tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
 Que nem te queria descobrir
 Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
 Que confundis tudo

Tempo de escolher

 

Escolhas, dúvidas, decisões

TEMPO DE ESCOLHER

“Um homem não é grande pelo que faz, mas pelo que renuncia.”

(Albert Schweitzer)

Muitos amigos leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras. Alguns apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde estão. Outros admiram a estabilidade conquistada, mas não têm qualquer prazer no exercício de suas funções. Uns recebem propostas para mudar de emprego, financeiramente desfavoráveis, porém, desafiadoras. Outros têm diante de si um vasto leque de opções, muitas coisas para fazer, mas não conseguem abraçar tudo. Todas estas pessoas têm algo em comum: a necessidade premente de fazer escolhas. Lembro-me de Clarice Lispector: “Entre o ‘sim’ e o ‘não’, só existe um caminho: escolher.”

Acredito que quase todas as pessoas passam ao longo de sua trajetória pelo “dilema da virada”. Um momento especial em que uma decisão clara, específica e irrevogável tem que ser tomada  simplesmente porque a vida não pode continuar como está. Algumas pessoas passam por isso aos 15 anos, outras, aos 50. Algumas talvez nunca tomem esta decisão, e outras o façam várias vezes no decorrer de sua existência.

Fazer escolhas implica renunciar a alguns desejos para viabilizar outros. Você troca segurança por desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo pelo muito duvidoso. Assim, uma companhia que oferece estabilidade com apatia pode dar lugar a outra dotada de instabilidade com ousadia. Analogamente, a aventura de uma vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto de um casamento.

 

PRAZER E VOCAÇÃO

Os anos ensinaram-me algumas lições. A primeira delas vem de Leonardo da Vinci, que dizia que “A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar daquilo que se faz”. Sempre imaginei que fosse o contrário, porém, refletindo, passei a compreender que quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos sentir completos, satisfeitos e plenos, ao passo que se apenas procurarmos fazer o que gostamos, estaremos sempre numa busca insaciável, porque o que gostamos hoje não será o mesmo que prezaremos amanhã.

Todavia, é indiscutivelmente importante aliar prazer às nossas aptidões; encontrar o talento que reside dentro de cada um de nós, ao que chamamos de vocação. Oriunda do latim vocatione e traduzida literalmente por “chamado”, simboliza uma espécie de predestinação imanente a cada pessoa, algo revestido de certa magia e divindade.(…)

Escolhas são feitas com base em nossas preferências. E aí recorro novamente à etimologia das palavras para descobrir que o verbo preferir vem do latim praeferere e significa “levar à frente”. Parece-me uma indicação clara de que nossas escolhas devem ser feitas com os olhos no futuro, no uso de nosso livre arbítrio.

O mundo corporativo nos guarda muitas armadilhas. Trocar de empresa ou de atribuição, por exemplo, são convites permanentes. O problema de recusá-los é passar o resto da vida se perguntando “O que teria acontecido se eu tivesse aceitado?”. Prefiro não carregar comigo o benefício desta dúvida, por isso opto por assumir riscos evidentemente calculados e seguir adiante. Dizem que somos livres para escolher, porém, prisioneiros das conseqüências…

Para aqueles insatisfeitos com seu ambiente de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e apresentar propostas são um bom caminho. De nada adianta assumir uma postura meramente defensiva e crítica. Lembre-se de que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas.

Por fim, combata a mediocridade em todas as suas vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados com sua vocação, de empresas que não valorizam funcionários, de relacionamentos falidos. Sob este aspecto, como diria Tolstoi, “Não se pode ser bom pela metade”.

Meias-palavras, meias-verdades, meias-mentiras, meio caminho para o fim.

Os gregos não escreviam obituários. Quando um homem morria, faziam uma pergunta: “Ele viveu com paixão?”.

QUAL SERIA A RESPOSTA PARA VOCÊ?

COELHO, Tom. Disponível em: id=6415>