Este mundo é uma projeção?

Há momentos em que as sincronicidades pululam a nossa volta, com a graça de uma porta-bandeira. Mas cumpre afirmar que não somos os jurados, os responsáveis por lhes ofertar as notas. Na verdade, são as sincronicidades que se encantam quando somos encantados por elas.

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Nas últimas semanas, fiz várias anotações sobre alguns fenômenos, as horas em que ocorreram e as circunstâncias. Os eventos sincronísticos tanto se intensificaram, que muitas vezes, duvidei que tivessem ocorrido. Tentei ceder a explicações racionais, mas foram mais ilógicas. Irracionais. O que aconteceu, de fato aconteceu.

O mundo dos “sonhos” parece ser uma releitura, um reflexo distorcido, do que vivemos quando estamos estamos “acordados”. Escrevo “releitura” porque em sonhos, encontramos pessoas que conhecemos. Porém,  alguma intuição nos diz que essas pessoas não são quem dizem ser. Só para exemplificar: um pouco antes de dormir, já deitado, no estado de vigília, entre estar acordado e dormindo, uma ex-namorada se materializou ao meu lado na cama. O seu rosto estava fora de foco, mas o corpo era o mesmo dela. A cama afundou com o seu peso. Ela se ergueu e senti os seus joelhos dobrados sobre o colchão que cedeu. Tentei me mexer para afastá-la e não consegui: estava “congelado”. Me certifiquei de que não estava dormindo, ao me fazer perguntas e respondê-las mentalmente. Essa personagem sem rosto sentou-se sobre mim, e indefeso estava eu de barriga para cima. Ela deitou sobre mim e pude sentir-lhe o calor do corpo. Eu sabia que ela não era ela. Mentalizei bem forte e disse “não quero!”. Ela bem que tentou mas nada conseguiu porque naquele momento minha mente estava desperta. Sem conseguir seu intento, ela se desmaterializou e eu fui “solto”. Se eu estivesse dormindo, “zumbizado”, “sonâmbulizado” , sem domínio sobre minhas ações, ela poderia ter sido bem sucedida. Mas dessa vez, não foi.

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Esse foi um fenômeno estranho, mas aconteceu dessa forma que descrevi. Agora, vamos às sincronicidades da semana.

A vida nem sempre é um mar de rosas. Ela te propõe desafios. Desafios justos ou injustos, tanto faz. São situações que aparentemente se deve enfrentar. Meditando sobre as opções atuais, sobre o que deveria fazer para resolver algumas questões, senti, sem grandes emoções, que simplesmente deveria agir. Em alguns momentos da vida, damos  tempo ao tempo e aguardamos a passagem dos acontecimentos. Em outras fases, nos antecipamos. Mas desta vez, para que a vida pudesse seguir o seu rumo, o corpo e a alma me pediram foco e ação. Assim que me movimentei, assim que decidi agir, as sincronicidades  pulularam. E como uma ação leva a outra, as peças do quebra-cabeças se encaixaram perfeitamente, “se” montando, explicando os fatos, intuindo outros, mas sempre me colocando nos trilhos. Fui tomado por um sentimento de definição, como se a minha encarnação e as das pessoas ligadas a ela estivessem a caminho de definir nossas metas neste planeta.

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Algumas sincronicidades ocorridas em um dia.

Li na imprensa sobre a exumação do corpo do Presidente João Goulart que ocorrerá em 13 de novembro de 2013. Mal acabei de ler a nota, tive que sair de casa para um compromisso. Entrei em um ônibus que não sabia se me levaria ao local certo, mas entrei. 15 minutos depois, quem passou ao meu lado? O filho do Presidente: João Goulart Filho.

Em uma reunião, no canto da sala, vi um dicionário que conheço muito bem. Era o mesmo que o meu avô me dera há 4 décadas, ofertado com uma carinhosa dedicatória. No dicionário da anfitriã também havia uma dedicatória, de um tio, desencarnado, de quem a proprietária gostava muito.  Ela me contou algumas histórias, muitas de eventos em comum, que me intuíram que “tudo tem o seu tempo” e que “nada que nos acontece ocorre à toa”. Me pareceu que algumas pistas fragmentadas, como o livro que você guarda com carinho, as pessoas com quem nos envolvemos, ou o programa que se decide assistir, se comunicam conosco através de uma região mental, além do tempo e do espaço.

À noite, sonhei que estava em meu prédio, porém ele estava deserto, sem luz e cinza, sem qualquer ornamento. Tudo estava “nu”. Desci pela escada, toda em pedaços, que juntamente com o piso, haviam sido submetidos à várias britadeiras. Alcancei o térreo, e as primeiras luzes vindas de fora, ainda me perguntando o que significava aquilo. O porteiro, com seu uniforme azul, ainda dentro do prédio destruído, puxou conversa comigo, como se tudo estivesse normal.  Ele vagava só. Nenhuma morador. Sob seus pés, o piso em pedaços.

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Saí para entender o que estava acontecendo. Quando percebi que tudo estava aparentemente bem do lado de fora, me vi no alto de uma pedreira, perto de casa, que não existe mais (Pedreira do Baiano). Desci, meio que escorregando e quando olhei para cima, para ver o meu prédio, me deparei com uma casa de um andar, sem teto, e quase que demolida, talvez abandonada há décadas.

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Tive uma sensação de presenciar algo absurdo, mas que deveria significar algo. Assim que pensei “isso não pode ser real”, despertei.

Dois dias depois, fui à uma festa de crianças. Ao me despedir do anfitrião, expliquei que precisava sair mais cedo para estudar. Uma menina sentada ao lado dele me perguntou o quê. Expliquei. Ela fará a mesma prova no mesmo dia. Voltei para casa e me preparei para estudar. Antes mesmo de pegar no batente, lembrei que seria exibido na TV, um documentário preto e branco sobre o Brasil no ano de 1961. Decidi assistir ao filme durante uma meia hora para depois começar a estudar. Mesmo sendo um filme sobre um país-continente, em menos de meia hora, apareceu uma cena do Presidente Eurico Gaspar Dutra lendo um livro na praça ao lado de casa onde cresci e no mesmo banquinho no qual sentei centenas de vezes. Fiquei meio “assim, assim”. Me senti “vítima das circunstâncias”. Não esperava por isso.

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Mal refeito da surpresa, logo em seguida, uma filmagem área mostrou o prédio onde eu resido, onde vivi minha vida inteira, muito de perto, e cercado por um imenso areal. Posso garantir que o quarteirão de 1961 não era nada parecido com o de hoje, com as diversas construções que cercam o prédio hoje. Se pudesse descrever a sensação que tive com esse encontro kármico, com uma distância de 52 anos, diria que foi surpreendente e assustadora. O filme era sobre o Brasil, não sobre o meu prédio ou sobre o bairro. O que afinal de contas, “eu” estava fazendo ali, retratado indiretamente na película? E tendo optado por assistir a um documentário, sem qualquer razão aparente?… Eu nasci no ano seguinte ao da produção do filme. Para mim, isso já significou algo. Meu peito disse que sim. Tudo estranho e admirável.  Mas de boa. Me sinto recomeçando, preparado para ressuscitar de escombros.

Antes mesmo de nascermos, tudo parece estar escrito e determinado. Como se o nosso inconsciente fosse o manda-chuva e não a nossa versão encarnada “consciente”. Que tipo de escolhas você tem, dentro deste teatro cósmico onde representamos os nossos papéis?

Me parece é que este mundo não é real: é apenas uma outra projeção.

 

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” -Vinicius de Moraes.

Papa Francisco, materialismo e ativismo

Salomão em Eclesiastes 11:1-6 diz que “os caminhos de Deus são tão misteriosos quanto o caminho do vento, tão difíceis de se descobrir como a maneira pela qual se forma a alma de uma criança no ventre de sua mãe.”

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 A semana do Papa Francisco no Rio de Janeiro (julho de 2013) marcou a nossa história, assim como os protestos de semanas antes. Se a Jornada Mundial da Juventude não tivesse sido agendada há dois anos, até se poderia dizer que ela foi criada para esvaziar os protestos… Curioso, pensar nessa possiblidade. De fato, todos os fatos estão conectados por processos inconscientes.

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Escrevi este texto de hoje, após ter assistido à entrevista do Papa Francisco a Gerson Camarotti, da GloboNews, e em seguida, ao documentário Hashmatsa (Defamation) de Yoav Shamir  sobre antissemitismo no domingo, dia 28 de julho. Começarei o texto mais reflexivo e no final do texto relatarei o que vivi no sábado, dia 27.

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Fui e ainda sou muito crítico em relação a dogmas e religiões, mas também aprendi como é exprimir reflexões e não ser entendido. Palavras para serem compreendidas dependem do emissor e do receptor. Se o receptor não tem boa vontade, e possui uma natural limitação (preconceito, falta de discernimento, medo), nada que é dito serve para entabular uma conversação. Quero crer que estamos em constante crescimento, físico, intelectual e espiritual. E aqui, aprendemos e desaprendemos a toda hora. “Acertamos” e “erramos”.

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Como este é um blog sincronístico, espiritual e não um blog político me atenho à questões mais inconscientes, apesar do momento “revolucionário” que vivemos, com a participação da juventude católica e dos “black blockers”. Será o jovem católico alienado por que mostra a cara e sorri ou mais alienado é o jovem que esconde o rosto e que quebra instituições capitalistas, que ele mesmo usufrui? Estaremos submetidos apenas à “passividade” ou ao “enfrentamento”? Será este mundo apenas preto ou branco?

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Lobbys são parte do processo político, necessários para quem os pratica mas enfadonhos para a massa. Sejam de esquerda, direita, judeus contra palestinos, palestinos contra judeus ou o lobby gay, tanto faz.

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São armas usadas para reforçar o poder, e não “apenas” para construir uma sociedade mais justa. Os interesses dos lobistas são pessoais e nunca coletivos. Você é contra ou a favor do aborto? Você quer ou não que as drogas sejam liberadas? Você é “moderno” ou “antiquado”?

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Liberdade de expressão…

 Li argumentos de pessoas contrárias e a favor da visita do Papa ao Brasil. Estudei a respeito do Estado laico, pesquisei sobre o investimento público para financiar a visita de Francisco ao país. Há razões da lógica, e há as do coração. Uma cena, histórica, me chamou a atenção: jovens católicos fazendo uma barreira na praia de Copacabana para que os black blockers não invadissem a festa de Francisco. Muito simbólico…

Rui Barbosa em 28 de julho de 1921: “Enquanto as revoluções eram políticas tinham praias que as circundavam e lhes punham raias visíveis. Depois que se fizeram sociais (e hoje, sociais são todas), todas beiram esse mar tenebroso cujo torvo mistério assombra de ameaça as plagas do mundo contemporâneo.”

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Não vou à festa para a qual não fui convidado, mas muitos, por questões religiosas e políticas, o fazem. O radicalismo e o fanatismo te impulsionam a isso. Respeito? Desrespeito? Dever?…

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Teria o poderio da Globo (tão criticada durante os protestos) sido usado para favorecer uma religião em detrimento de outras, ou favorecer uma política contra o Estado laico? Me parece que sim. Mas essa é uma guerra antiga pelo poder, sem sombra de dúvidas. Assista à TV aberta à tarde (Band, CNT, Rede TV) e veja que os horários foram comprados pelos evangélicos. Não há liberdade religiosa, não há Estado laico.

Na Globo, à tarde está no ar a reprise da novela espírita O Profeta, uma “religião” com muito menos adeptos do que as evangélicas. Então, percebemos que essa “briga” não é uma questão comercial, pois a Globo ganharia mais apoiando os evangélicos, que em futuro breve serão metade da população brasileira. A Globo apoia a Igreja católica e os espíritas porque do outro lado do cabo de guerra estão, principalmente Edir Macedo, Silas Malafaia e R. R. Soares, que também querem manipular, todos em nome de Jesus.

Do blog do jornalista Ancelmo Góis em 30 de julho de 2013: “A Revista de História da Biblioteca Nacional publicou artigo sobre o crescimento dos Evangélicos no Brasil que foi reproduzido em francês em uma edição da Revista Courrier Internacional: “Enquanto nos últimos 50 anos a população brasileira cresceu 63,2%, o número de evangélicos quase dobrou de tamanho, aumentou 93%. A religião que mais cresce é aquela que resolve os problemas individuais e distribui benefícios imediatos, mas tem pouco a oferecer à sociedade”.”

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Minha formação é católica, sou devoto da Virgem de Fátima, gosto de São Francisco. Tenho imagens em casa, não sou evangélico, mas também não sou católico tradicional pois não me sinto à vontade em missas.

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Desde que vivi meu primeiro fenômeno “não-católico”, abri minha mente, e questionei muitas coisas do catolicismo. A compreensão dos fenômenos depende de questões científicas, assim como da fé de cada um. Porém, também tenho críticas ao espiritismo, aos espíritas, como tenho aos evangélicos e ateus. Ninguém é perfeito. Perfeição não existe. Não existe “verdade”.

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Os anos 90 foram férteis em fazer pensar. Acompanhei a reação jovem católica, os carismáticos há 20 anos. Vi na Rede Manchete, os festivais de rock evangélico promovidos pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo (dos pastores Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes) e na Globo, assisti Edson Celulari como Edir Macedo na minissérie Decadência em 1995, mesmo ano do pastor Sérgio Von Helde da Igreja Universal (IURD) chutando a imagem da Nossa Senhora Aparecida porque era aniversário dela (12 de outubro), porque era uma imagem e porque era… negra.

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“Há 05 canais de TV evangélicos, 05 canais católicos, dados de 1999. Há 271 rádios evangélicas, 180 rádios católicas. Dados para o ano de 1999. 80% da programação religiosa na TV brasileira é evangélica. Em 2001 havia a exibição de 90hs/semana de programas religiosos (fonte: Alexandre Brasil Fonseca, em Evangélicos e Mídia no Brasil; Associação Brasileira de Editores Cristãos (ABEC), Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (ABIEE), Fundação Perseu Abramo e Site Louvornet.com). No Congresso Nacional há uma agremiação chamada FPE – Frente Parlamentar Evangélica, formada por deputados e senadores eleitos de diversas igrejas.” (A ascensão da mídia evangélica – uma (mútua) interferência política, econômica e tecnológica. Heinrich Araújo FONTELES).

 Li muitos livros de autoajuda e esotéricos. Vários me foram muito úteis. Porém um dia tive um insight, após reouvir que o Brasil era atrasado porque católico (religião que “criminaliza” o dinheiro) e não materialmente evoluído como os Estados Unidos, que cresceram com conceitos como “livre mercado”, “capitalismo” e viés evangélico e ou judeu que associam o lucro e o sucesso material ao sucesso espiritual (23,9% da população norte americana é de católicos romanos, 16,1% de ateus e 51,3% de protestantes). Certo dia, compreendi que livros como “O Segredo” foram escritos por americanos, porque para eles a concepção de ganho material é a sua própria religião. Não falo que dinheiro não é bom, apenas compreendi que usar o seu poder mental para obtê-lo é uma forma egóica, que não te torna um ser humano melhor.  Só mais materialista.

 Voltando aos dias de hoje, o único testemunho que posso dar é que, graças a Deus, estamos vivendo tempos novos, revolucionários. Sejam eles, compreensíveis ou não. E toda mudança é boa, quando vem do coração e é claro, cumpre o seu papel de tornar melhor a vida da população.

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 Assim como vários, simpatizei com a eleição de um Papa franciscano e latino americano. Mas mesmo assim, as perguntas prosseguem: teria Sua Santidade sido eleita por causa do declínio do catolicismo? Teria ele apoiado a repressão militar e a ditadura na Argentina? De fato, essas questões são importantes, mas neste exato momento, e neste (con)texto a questão é dignamente humana e pessoal. Quanto ao Papa, como muitos, eu o admiro como pessoa, teólogo e político. Também não acredito em “homens”, mas não perdi 100% de esperança. Resolvo minhas questões sem depender do Papa, mas gosto que ele exista.

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No sábado, dia 27, após a melhora de uma retornada gripe (ou virose) que me derrubou mais uma vez, decidi dar uma voltinha até o início de Copacabana,  por volta de 17h para comer meu querido hamburger de soja na Francisco (olha só.. FRANCISCO!) Otaviano, mas a loja estava fechada. Comi uma salada de frutas e dei uma olhada na rua, nas pessoas, vi como estava o movimento. Defronte ao Forte de Copacabana, às minhas costas um grupo de quatro jovens cantavam canções mariachi (e muito bem por sinal). O clima estava eufórico, mas como sempre, em tudo ao que se refere ao Rio de Janeiro, “exótico” para dizer o mínimo. Vi duas representantes de biquíni da marcha das vadias e um senhor negro que passou atrás de mim, meio bêbado e com ódio, conversando com ele mesmo, dizendo que tudo aquilo era racismo… Por perto, um outro senhor sentado em uma motocicleta, na verdade em um triciclo, todo enfeitado com filas de leds azuis, uma monstruosidade de mal gosto, atraía jovens, com o mesmo mal gosto, que sentavam no banco ao lado do motorista para tirar fotos.

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Não havia propriamente uma “multidão” em frente ao Forte de Copacabana, mas sim um bom número de pessoas, o que permitiu que chegasse bem perto da avenida da praia. Repentinamente, surge um Papa Móvel com o… Papa que acenou a todos sob a luz de refletores das câmeras. Fiquei feliz de estar ali, vendo a história viva, fosse por “acaso”, “coincidência”, ou “sincronicidade”. O fato é que me senti bem ao ver o Papa, que emanava um bom astral, claro que “iluminado” pela histeria e pelos refletores. Pensei nos milhares de peregrinos, há horas e dias, passando “aperto” nas ruas para ter um vislumbre de Francisco, o Papa Pop. E acima de tudo pensei no coração dos missionários em busca de reforço a sua fé. Certamente, Francisco é um Papa que tem uma missão difícil: recuperar valores de honestidade e simplicidade, dentro e fora dos muros do Vaticano, em meio a este mundo materialista.

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Palavras de Francisco:

 “Deus está nos pedindo mais simplicidade.”

 “Gays não devem ser marginalizados, mas integrados à sociedade.”

 “Nosso povo exige a pobreza de nossos sacerdotes. Exige no bom sentido, não pede. O povo se ofende quando pessoas consagradas se apegam ao dinheiro.”

 “Não gosto do jovem que não protesta. O jovem gosta da utopia e utopia nem sempre é ruim.O jovem tem mais energia para defender suas ideias, porém os jovens devem se cuidar para não serem manipulados.”

 “Maria é mais importante que os apóstolos.”

 “Sejam revolucionários.”

 “É mais fácil ouvir uma árvore cair do que um bosque crescer.”

A Sincronicidade PAPAL II

Julho de 2013, o Papa Francisco dos católicos está no Brasil para a Jornada Mundial para a Juventude. Ao ler as notícias, vi qual era o lema da JMJ e recordei de um fato sincronístico e inusitado, ocorrido há 5 anos.

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Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio de Janeiro. O prédio era tombado e como tal, não poderia receber certas reformas necessárias, o custo benefício ficaria desigual e transferiram a rádio para uma sede moderna, com um equipamento melhor em Niterói.

— Você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói – comentei com uma locutora.

— Sabe o que eu gostaria de fazer hoje? – perguntei a ela.

— O quê? – a locutora perguntou.

— J.K., o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui? Gostaria de visitá-lo antes que seja tarde.

— Converse com o porteiro. Ele tem a chave – a locutora deu a dica.

O porteiro, que não se mostrou muito simpático à ideia, pois só havia ele para tomar conta da portaria, explicou que para chegar ao escritório teríamos que fazer uns “atalhos”. Pedi encarecidamente, com o coração, que ele me ajudasse, expliquei que era meu último dia lá (sem ter certeza) e ele acatou. O porteiro subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés.

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Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave da porta, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

Após fazer o comentário, ele abriu a porta e se colocou de lado. Ele não entrou. Eu sim.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek em agosto de 1976. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papeis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Acreditei que havia achado o que procurava.

Assim que alcançamos o térreo, agradeci ao porteiro com gratidão. Realmente aquele havia sido o último dia que eu colocaria os pés na rádio. Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

O lema da Jornada de 2013, é curiosamente similar ao que “recebi” no escritório do Presidente em 2008. Dessa vez não é Marcos, mas Mateus, 28, versículo 19, ao citar a fala da pregação de Jesus na Galiléia aos discípulos: “Ide, fazei discípulos de todas as Nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

Este blog é um exemplo do que fiz a partir de 2008: me movimentar e contar o que vivo (“ide e pregai”); repartir com todos os amigos e leitores os fenômenos ou eventos sincronísticos que vivencio.

As sincronicidades não são exclusividade de um grupo seleto de escolhidos. Esses fatos (como digo são fatos, não criações) pertencem a todos, mas eles espelham o seu grau de compreensão e sua percepção do que é importante para você e do que você chama de realidade, a mesma que você cria, que inclui a sua zona de conforto, a sua crença, os seus conhecimentos e as suas alienações.

O que sinto, literalmente, não só com a  vinda do Papa, mas com as passagens da Bíblia abordadas neste texto, é que o ciclo de aprendizado dessa última meia década chega ao fim, para que outro se inicie, como um passo dado após o outro. Sempre em frente, mesmo aos tropeços, lá vamos nós.

Tudo é vitória, mesmo que não pareça.

Dragão Chinês

Pessoas e fatos passados, presentes e futuros estão sempre conectados.

Cheguei de viagem há um dia. Hoje, sexta dia 31 de maio de 2013, uma amiga pediu que eu assistisse a um vídeo porque o entrevistado havia dito que nascera no meu dia e mês, 28 do 8. Era o depoimento de um senhor judeu, dado no Rio de Janeiro em 1997, sobre a família, campos de concentração e os horrores da segunda guerra. Além da data de nascimento, percebi na sala do entrevistado um dragão chinês azul (ver foto), o mesmo que há aqui na sala de casa há mais de uma década.

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A mãe de um jovem aluninho meu tinha um desses dragões (na verdade uma dupla) na sala. Uma vez o menino, então com 9 ou 10 anos se não me engano, me disse rindo que o maior homem do mundo era Hitler mas que ele não havia terminado de matar os judeus. Ele me disse que tinha aprendido isso no History Channel. Conversei com a mãe dele sobre isso. Dali em diante, soube que avó dele é minha vizinha, separada por um quarteirão e que ele havia nascido no mesmo dia e mês da minha sobrinha.

Voltando ao senhor judeu, de quem nunca havia ouvido falar, decidi pesquisar sobre ele hoje. Descobri que ele foi morto, dez anos após a entrevista, em um assalto ocorrido no centro do Rio, no dia  27 de maio de 2008. No mesmo 27 de maio, só que em 2013, eu estava em outra cidade vivendo dias emocionantes. 2008 é claro, dá 28…

Viajei no domingo dia 26 de maio de manhã em um voo previamente comprado em tarifa promocional. Um dia antes, no sábado, havia me despedido de um bom amigo que decidira voltar para o seu Estado natal, após uma temporada vivida no Rio. A partida dele seria na quarta dia 29, no mesmo instante em que eu estaria retornando à cidade. No astral, nossos caminhos provavelmente se encontraram e deve ter sido bonito. Durante sua temporada carioca, ele residiu com uma amiga, que raras vezes vi. Quando me preparo para embarcar no dia 26 de maio, quem aparece do nada? Essa mesma amiga, que me disse que havia comprado o bilhete um dia antes, por um valor alto, é claro. Mais surpresos ficamos, quando ela sentou no banco atrás de mim. Incrível… Se fosse só essa coincidência, já seria “alarmante”, mas pior foi que ao me levantar, vi que ao lado dela estava um radialista de um programa de esportes que assisto e o cara é botafoguense, o mesmo time que eu torço.

Para não aumentar este texto desconsiderei as pequenas sincronicidades diárias tais como ouvir determinada música por opção e ouvi-la um dia depois na TV; falar sobre algo e na rua alguém repetir a mesma coisa em seguida…

No dia 28 de maio, após vários atrasos, olhei para o relógio ao entrar “atrasado” no hotel: era 8 e 28 da noite, o inverso de 28 do 8. E durante o trajeto vi dois relógios de temperatura quebrados, que exibiam o misterioso 28 do 8! Podiam estar “quebrados”, mas para mim estavam conectados com a viagem no tempo e no espaço, além do mundo físico.

Ah… meu único irmão nasceu no dia 31, mesma data de hoje quando fui avisado sobre o vídeo/depoimento.

Vivi dias emocionantes nesta semana, a última de maio, verdadeiras conecções entre o passado e o futuro, tão bem explicitados na história do senhor judeu.

Tragédia anunciada (Santa Maria e Niterói)

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A tragédia na boate em Santa Maria, Rio Grande do Sul, com 231 vítimas no domingo dia 27 de janeiro, expõe mais uma vez a nossa desorganização. Parece incrível, mas o corpo de bombeiros local havia autorizado o funcionamento da casa noturna, conhecida como “arapuca”. Mas esta postagem se refere a outra tragédia: a do Gran Circus Norte-Americano em Niterói em 17 de dezembro de 1961, na qual morreram cerca de 500 pessoas. Na maior parte, as matérias jornalísticas sobre o incêndio em Santa Maria citaram essa outra tragédia, ocorrida há um pouco mais de 50 anos.

Um antiquário veio aqui em casa em novembro de 2010, comprar um antigo quadro sobre o incêndio do Circo em Niterói. O quadro ficou parado no mesmo lugar por mais de 3 décadas, só saindo daqui em função dessa venda. Conversando, soube que o antiquário estudara na mesma faculdade que eu, nos mesmos anos. Logo depois, ele me contou sobre o irmão, que tocava violão e que havia acabado de comprar um instrumento novinho.

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“Não existem coincidências”…

2 dias depois que o antiquário esteve aqui, exatamente no dia 30 de novembro de 2010, fui ao show de um amigo. Na entrada, ganhei uma revista de História da Biblioteca Nacional de brinde. Ao folheá-la, vi uma matéria sobre o incêndio em  Niterói, exatamente o mesmo tema do quadro. A coincidência me chamou a atenção. A primeira sensação que tive é que o quadro “se foi” na hora certa. Não era mais para estar comigo. Porém, refletindo um pouco mais, achei que havia algo nessa partida relacionado à morte.

No  primeiro dia de dezembro de 2010, logo depois do show, o antiquário me disse que o seu jovem irmão havia morrido em um acidente de carro.

Matéria da Revista de História sobre o incêndio no Circo em 1961.

Somos Especiais.

Anteontem perdi na rua, documentos, não muito importantes, mas os perdi. Não os retive conscientemente nas mãos e eles se foram. Não me senti culpado ou inconsequente, apenas percebi a falta deles e os procurei, mas não os vi mais. Se foram porque se foram, simples. Mas graças a DEUS, essa perda me alertou – mais uma vez – e me intuiu que é preciso focar. O mundo não pode e nem conseguirá me derrotar. O único responsável pela derrota sou eu.

O recado foi dado: preciso reduzir as tarefas. Não é uma questão de ter ou não prazer em fazê-las, é mais simples: administração da própria vida, para quando surgir o imponderável, que eu consiga administrá-lo, sempre sob as graças de DEUS. Cumprir nossas obrigações de peito aberto, para alcançarmos mais entendimento e completude.

O budismo nos orienta a não nos envolvermos em questões que não nos pertencem, que são alheias à nossa realidade. Isso não nos torna menos humanos, mas mantém o foco em nossas missões para que completas, possamos auxiliar a quem quer que seja, dentro de nossas possibilidades. E nunca fazendo pelos outros o que eles não fazem por si mesmos. Para minha geração, “não se envolver”  era uma atitude alienada, mas hoje espiritualmente tenho outra visão, bem diferente.

Por exemplo, eu não assisto muita TV; não escuto rádio; não sei o que está na parada de sucessos; não conheço os novos atores das novelas; não uso muita rede social na internet e não acompanho o noticiário. De certa forma, me alienei do mundo mas não perdi quase nada. DEUS nos fornece as experiências necessárias, não precisamos procurá-las: o que nos pertence virá até nós. Não se preocupe.

O que não te serve cai de podre, dá espaço a coisas boas e realizações em todas as áreas.

Minha vida hoje é muito melhor do que a de 2 anos ou de 4 anos atrás. Muitas das coisas que conquisto hoje tiveram inicio em fatos e escolhas lá atrás. Tudo é consequência de escolhas, de como você percebe e valoriza o mundo.

Mas somos especiais em um grupo de especiais.

As pessoas que têm a mesma faixa vibratória se encontram para terem experiencias conjuntas que prenunciam uma mudança coletiva externa de grande alcance.

Estou cansado não nego, do convivio com pessoas que não me acrescentam nada.
E o que faço? Peço à Consciencia Universal que me apresente as pessoas com as quais devo ter experiências fundamentais para o nosso crescimento. É o que tem ocorrido comigo há 2 anos, há apenas 2 anos.
Antes minha vida era outra, era bacana, mas diferente, hoje não me serve mais, eu tinha noção do que queria mas era “noção”… Hoje está cada vez mais claro.
As peças do jogo foram postas à frente e eu jogo.
O jogo está em andamento e as energias se adequando.
Estou focando em objetivos pontuais.

Hoje não posso mudar radicalmente algumas situações para melhor, mas mentalizo que o Universo me inspire para tomar as decisões certas e libertar nossos karmas, nos unirmos em prol do bem e do amor.

Neste dezembro de 2012 farei a faxina das faxinas de toda uma vida.

E sinto em todo o meu Ser, que o momento chegou para todos nós.

POUCOS MESES PARA O FIM DE 2012. ÍCARO E FÊNIX.

A maioria certamente aguarda o fim do mundo em dezembro de 2012 com curiosidade e descrença. Muitos não acreditam, e outros como eu, vivem reformas internas que podem ser consideradas como “fins do – velho – mundo”. Essas reformas se materializam no mundo externo primeiramente através de um novo olhar, um novo sentir que não encontra espaço no lugar comum. Primeiramente, se vive um “despertencimento” do externo. Não há nada no mundo externo que te encha os olhos. Tudo passa a ser uma bobagem, a única coisa que importa é colher a boa semente plantada na alma: o amor. Percebe-se que não há outro caminho a não ser adequar os fatos internos e externos, normalmente dissociados. O aprendiz ou adepto dessa “Nova Era”, pressente em seu coração, que não há mais como “pretender”, “fingir que é”, “interpretar” ou “achar que é”. Ou é ou não é.

Nada é negativo nesse estágio evolutivo, são ações internas mais importantes do que palavras, são mudanças incompreendidas pelo olhar exterior, que prima pelo “social”, pelo pior aspecto do coletivo: o medo, o julgar, o medir, o pensar negativo sobre os outros, ao invés de procurar as soluções em você mesmo. Há uma guerra descomunal entre as externalidades, que lutam desesperadamente para manterem-se no topo e uma nova força ascendente, interna, aparentemente sem ter como “competir”, dona de uma energia ensolarada, transformadora. O “choque” entre as duas energias é motivado pela necessidade de o planeta transcender ao estágio anterior, o estágio do querer ser, do pensar e não conseguir fazer, do perder-se de si mesmo por causa do julgamento confuso.

O novo estágio está além de religiões e valores sociais. Quando digo julgamento, me refiro à diferença entre o olhar interno e o externo. O viver em sociedade é moldado por valores irrealistas, que uniformizam o ser humano em atitudes externas que não encontram respaldo nas necessidades da nova alma.

Fortes mudanças externas mostram que o bebê gestado dentro de mim precisa vir à tona. E que está prestes a nascer.

Há alguns meses precisei de uma segunda vida de carteira de identidade. Para isso precisei de minha certidão de nascimento. Ao procurá-la descobri que ela havia desaparecido. Encontrei uma única cópia xerox com firma reconhecida. A sensação que tive é que eu não havia nascido ou que havia morrido. Motivado pela inexistência de um papel, para me referendar, para me dar “vida”, me senti inexistente ou “morto” pela falta da documentação. Precisei me recompor. Foi uma sensação estranha, angustiante. Consegui dar entrada no R.G. com o xerox e no mesmo dia, procurei me informar sobre o cartório para tirar uma segunda vida da certidão de nascimento. O cartório não existia. Pela circunscrição, fui até o novo endereço. Ao chegar lá, vejo operários derrubando o prédio. Me assustei. Me senti literalmente “demolido”. Ao perguntar a um porteiro no prédio ao lado, se ele sabia onde era o cartório, ele escreveu São João Batista, o endereço de um conhecido cemitério. Em seguida, o porteiro acrescentou um número: 28. O dia em que eu nasci. O recado estava dado. Nesse mesmo dia, me senti morto (o antigo sem documentos) e em seguida redivivo, por ajustar o interno com o externo (a documentação).

Vivi o estágio da fênix.

A partir desse mesmo mês, saldei dívidas inesperadas e investi em um projeto profissional ousado, que se mostrou bem sucedido. Era Ícaro rumo ao sol. Trabalhei sob uma saraivada de críticas, e descrédito de muitos, inclusive de pessoas que amo. Foi difícil, houve momentos angustiantes, mas segui adiante, voei com minhas asas de cera, cada vez mais alto, não por mim, mas pelo meu coração, pelo filho gerado dentro de mim, pela alma criança que tudo pode, pelo amor. Não consegui comemorar ao atingir o objetivo. Em meu coração não havia motivo para sentir júbilo, havia ganho uma batalha em meio a uma guerra de energias. Havia cumprido meu papel e não senti alívio, nem me senti especial. Na verdade foi importante, necessário mas cansativo.

O resgate de meus documentos, me fez sentir vivo de novo, mas não mais ligado ao mundo que conheci. Os documentos velhos se foram, porque eu não era mais a mesma pessoa. Decidi jogar muita coisa fora, doei roupas, dei móveis, quadros, pintei meu quarto em busca desse mesmo amor, fiz obras externas para referendar o interno, dei aulas para crianças em busca da pureza e de mais aprendizado, e cumpri as metas de 2012.

A proximidade do sol, não derreteu minhas asas, mas mostrou que o mundo de minha infância, da minha pureza “pura” estava ultrapassado. Aprendi com a  nova pureza a não me deixar contaminar pela maldade, pela incompreensão, pelas críticas. Rezei forte, muitas vezes para não cair em tentação, para não retaliar quem me atacava, para não responder à altura. A única solução possível para minhas necessidades materiais e espirituais seria seguir as sincronicidades e prencher meu coração com resoluções internas que nem sempre precisavam de respaldo externo. O aprendizado do passado me fez chegar até o hoje, é fato, mas era insuficiente para as novas resoluções. Cada vez mais, cada novo dia se tornava um novo dia. Cada bater de asas te eleva, mas te cobra mais determinação. Eu nunca havia vivido 24 horas como vivo hoje. Antes, as horas voavam, passavam. Hoje, sinto cada hora como UMA hora e não mais como minutos. Apesar de o tempo parecer mais acelerado, as sensações são muito diferentes.

Encarno o espírito dos novos tempos, trago em mim 2013 e ele é misteriosamente belo, transformador e revolucionário. Grandes asas e grandes metas. Era de  uma hélice a mais e de nova configuração para os “velhos” ADNs. 2013 antecipado faz meu corpo tremer, me desasossega e me rejubila. Me sinto o amanhã que não existe hoje. Me sinto família, pai e filho. Vishnu e Shiva. Sou o nada e o tudo, a esquerda e a direita, me amedronto e me rejubilo, porque estou a caminho da liberdade, e a liberdade de uma nave em pleno espaço aperta o coração. O Ícaro de asas abertas impressiona e assusta.

Em outros textos, detalhei experiências e vivências minhas e de pessoas próximas. Nesses últimos meses, vivi crises pessoais, dilemas, insights poderosos. Recebi amor e incompreensões demais, tudo em excesso. Nada era pouco, era como uma chuva torrencial, após a seca. Não sei em relação a todos os leitores, mas os sinais, não de um fim do mundo coletivo, mas do começo de outro, completamente diferente, são muito mais do que palpáveis. São tão reais que já nem acredito mais neles, simplesmente os vivo. Não são fáceis de entender, mas são mais do que sinais, são cartazes gigantes, outdoors de energia radiante. Esses sinais são mais complexos do que os de antes, que agora me parecem imaturos, fantasiosos. As experiências sincronísticas de antes, hoje me parecem muito distantes. Não fazem o mínimo sentido. As sincronicidades de hoje são como faca afiada, não vêm para colar pedaços, mas para retalhar o antigo. A complexidade das sincronicidades mais recentes tornam todas as experiências sincronísticas, verdadeiras experiências de quase-morte. E é muito difícil falar sobre isso, abrir o coração dessa forma, mas foi por esse motivo que iniciei o blog: para expor experiências muito fortes, radicais.

Não há como ter esperança no amanhã, sem que o coração esteja conectado, cumprindo as metas individuais que são na verdade, coletivas, ou ligadas a um determinado grau de evolução e cumprimento de ajustes na rede dos acontecimentos.

Nesses últimos meses houve muitas reviravoltas em minha vida, e na de amigos mais próximos, planos que se desfizeram ao sabor da mudança do vento, situações que necessitam de ajuste e que ainda estão em clima de espera, dores profundas da alma que ainda sangram, movimentos em zigue zague, e mudanças radicais, muito radicais, mudanças de quase-morte-em-vida. Fases de renascimento. Não sei em relação a vocês, mas hoje tudo para mim é excessivo, é sobressalente. Só me importa o básico, a vida, o amor. Estudei demais e concluí que a sabedoria do mundo está na simplicidade. Andei demais e vi que a nossa esquina é o quarteirão do mundo. Meu coração hoje diz claramente que não só o amanhã se faz hoje, como que eu não “estarei mais”, mas que “serei” e que viverei cada vez mais conectado aos desígnios da alma. 2012 nos faz sentir como cápsulas libertas no espaço. As cápsulas podem retornar à nave mãe, mas como não desejam fazer isso, estão prestes a cair na imensidão negra, misteriosa do universo, do espaço infinito, mas essa possibilidade é assustadora, não pelo medo, mas pelas possibilidades múltiplas. O grão de areia é o cosmos. O coração palpita, próximo à resolução.

Em dezembro de 2012, o meu, o nosso antigo mundo estará terminado, se assim quisermos e fizermos por onde. Ícaro e Fênix. O grão de areia, o cosmos inteiro.

Cada novo mês para mim é um avanço, uma nova compreensão, cada semana mais uma batalha vencida em busca de respostas e cada dia é um novo dia. Não vivo como antes medindo meu tempo em planejamentos, planos, certezas ou sonhos. Nem sei mais o que é me desiludir, se me desiludo ou venco um obstáculo, não comemoro mais, não há vitórias ou derrotas, só há a vida, só há o rio em movimento e não há por quê julgá-lo, não há por quê medir o seu curso, ele só é o que é. Hoje não sonho, vivo. Nem sou triste ou feliz, apenas sou. Não tenho paciência para novidades, para internet, para TV, para papo furado, conversa jogada fora, gente que sabe demais, gente que nada sabe, enfim… Estou “morto” em relação aos “vivos” e como a carta do tarô do louco, estou livre para renascer, para reencarnar em vida. As sincronicidades abençoam e nos alertam de que a hora está próxima. A realidade é mais palpável para mim do que era antes e essa realidade é bem diferente da anterior.

Todos somos irmãos, geneticamente, espiritualmente e miticamente como Caim e Abel. Todos nós fazemos parte de um mesmo grão, de uma mesma célula, brigamos e nos entendemos, aceitamos e refutamos. Somos escolhas. Parte da mudança depende de nós, outra parte depende do “destino”, engenhoso estrategista que nos apresenta charadas inteligentíssimas, que nos induzem a decifrá-las ou simplesmente nos intuir em que direção ir. O mais fantástico de 2012 é que o antigo sistema de karma parece estar chegando ao seu inexorável fim: já não há mais karma e correntes que nos prendam a ações passadas. Já não há mais karma, não há mais cobranças. É o sonho de qualquer ser que pretenda se libertar, se tornar Ícaro e seguir rumo ao sol, sem que as asas de cera se derretam. 2012 marca escolhas que não se podem mais nos punir. As antigas instituições morrem cada vez mais rápido e o novo Deus menino está prestes a nascer até antes que 2012 se encerre.

Ícaro e Fênix. O grão de areia, o cosmos inteiro.