POUCOS MESES PARA O FIM DE 2012. ÍCARO E FÊNIX.

A maioria certamente aguarda o fim do mundo em dezembro de 2012 com curiosidade e descrença. Muitos não acreditam, e outros como eu, vivem reformas internas que podem ser consideradas como “fins do – velho – mundo”. Essas reformas se materializam no mundo externo primeiramente através de um novo olhar, um novo sentir que não encontra espaço no lugar comum. Primeiramente, se vive um “despertencimento” do externo. Não há nada no mundo externo que te encha os olhos. Tudo passa a ser uma bobagem, a única coisa que importa é colher a boa semente plantada na alma: o amor. Percebe-se que não há outro caminho a não ser adequar os fatos internos e externos, normalmente dissociados. O aprendiz ou adepto dessa “Nova Era”, pressente em seu coração, que não há mais como “pretender”, “fingir que é”, “interpretar” ou “achar que é”. Ou é ou não é.

Nada é negativo nesse estágio evolutivo, são ações internas mais importantes do que palavras, são mudanças incompreendidas pelo olhar exterior, que prima pelo “social”, pelo pior aspecto do coletivo: o medo, o julgar, o medir, o pensar negativo sobre os outros, ao invés de procurar as soluções em você mesmo. Há uma guerra descomunal entre as externalidades, que lutam desesperadamente para manterem-se no topo e uma nova força ascendente, interna, aparentemente sem ter como “competir”, dona de uma energia ensolarada, transformadora. O “choque” entre as duas energias é motivado pela necessidade de o planeta transcender ao estágio anterior, o estágio do querer ser, do pensar e não conseguir fazer, do perder-se de si mesmo por causa do julgamento confuso.

O novo estágio está além de religiões e valores sociais. Quando digo julgamento, me refiro à diferença entre o olhar interno e o externo. O viver em sociedade é moldado por valores irrealistas, que uniformizam o ser humano em atitudes externas que não encontram respaldo nas necessidades da nova alma.

Fortes mudanças externas mostram que o bebê gestado dentro de mim precisa vir à tona. E que está prestes a nascer.

Há alguns meses precisei de uma segunda vida de carteira de identidade. Para isso precisei de minha certidão de nascimento. Ao procurá-la descobri que ela havia desaparecido. Encontrei uma única cópia xerox com firma reconhecida. A sensação que tive é que eu não havia nascido ou que havia morrido. Motivado pela inexistência de um papel, para me referendar, para me dar “vida”, me senti inexistente ou “morto” pela falta da documentação. Precisei me recompor. Foi uma sensação estranha, angustiante. Consegui dar entrada no R.G. com o xerox e no mesmo dia, procurei me informar sobre o cartório para tirar uma segunda vida da certidão de nascimento. O cartório não existia. Pela circunscrição, fui até o novo endereço. Ao chegar lá, vejo operários derrubando o prédio. Me assustei. Me senti literalmente “demolido”. Ao perguntar a um porteiro no prédio ao lado, se ele sabia onde era o cartório, ele escreveu São João Batista, o endereço de um conhecido cemitério. Em seguida, o porteiro acrescentou um número: 28. O dia em que eu nasci. O recado estava dado. Nesse mesmo dia, me senti morto (o antigo sem documentos) e em seguida redivivo, por ajustar o interno com o externo (a documentação).

Vivi o estágio da fênix.

A partir desse mesmo mês, saldei dívidas inesperadas e investi em um projeto profissional ousado, que se mostrou bem sucedido. Era Ícaro rumo ao sol. Trabalhei sob uma saraivada de críticas, e descrédito de muitos, inclusive de pessoas que amo. Foi difícil, houve momentos angustiantes, mas segui adiante, voei com minhas asas de cera, cada vez mais alto, não por mim, mas pelo meu coração, pelo filho gerado dentro de mim, pela alma criança que tudo pode, pelo amor. Não consegui comemorar ao atingir o objetivo. Em meu coração não havia motivo para sentir júbilo, havia ganho uma batalha em meio a uma guerra de energias. Havia cumprido meu papel e não senti alívio, nem me senti especial. Na verdade foi importante, necessário mas cansativo.

O resgate de meus documentos, me fez sentir vivo de novo, mas não mais ligado ao mundo que conheci. Os documentos velhos se foram, porque eu não era mais a mesma pessoa. Decidi jogar muita coisa fora, doei roupas, dei móveis, quadros, pintei meu quarto em busca desse mesmo amor, fiz obras externas para referendar o interno, dei aulas para crianças em busca da pureza e de mais aprendizado, e cumpri as metas de 2012.

A proximidade do sol, não derreteu minhas asas, mas mostrou que o mundo de minha infância, da minha pureza “pura” estava ultrapassado. Aprendi com a  nova pureza a não me deixar contaminar pela maldade, pela incompreensão, pelas críticas. Rezei forte, muitas vezes para não cair em tentação, para não retaliar quem me atacava, para não responder à altura. A única solução possível para minhas necessidades materiais e espirituais seria seguir as sincronicidades e prencher meu coração com resoluções internas que nem sempre precisavam de respaldo externo. O aprendizado do passado me fez chegar até o hoje, é fato, mas era insuficiente para as novas resoluções. Cada vez mais, cada novo dia se tornava um novo dia. Cada bater de asas te eleva, mas te cobra mais determinação. Eu nunca havia vivido 24 horas como vivo hoje. Antes, as horas voavam, passavam. Hoje, sinto cada hora como UMA hora e não mais como minutos. Apesar de o tempo parecer mais acelerado, as sensações são muito diferentes.

Encarno o espírito dos novos tempos, trago em mim 2013 e ele é misteriosamente belo, transformador e revolucionário. Grandes asas e grandes metas. Era de  uma hélice a mais e de nova configuração para os “velhos” ADNs. 2013 antecipado faz meu corpo tremer, me desasossega e me rejubila. Me sinto o amanhã que não existe hoje. Me sinto família, pai e filho. Vishnu e Shiva. Sou o nada e o tudo, a esquerda e a direita, me amedronto e me rejubilo, porque estou a caminho da liberdade, e a liberdade de uma nave em pleno espaço aperta o coração. O Ícaro de asas abertas impressiona e assusta.

Em outros textos, detalhei experiências e vivências minhas e de pessoas próximas. Nesses últimos meses, vivi crises pessoais, dilemas, insights poderosos. Recebi amor e incompreensões demais, tudo em excesso. Nada era pouco, era como uma chuva torrencial, após a seca. Não sei em relação a todos os leitores, mas os sinais, não de um fim do mundo coletivo, mas do começo de outro, completamente diferente, são muito mais do que palpáveis. São tão reais que já nem acredito mais neles, simplesmente os vivo. Não são fáceis de entender, mas são mais do que sinais, são cartazes gigantes, outdoors de energia radiante. Esses sinais são mais complexos do que os de antes, que agora me parecem imaturos, fantasiosos. As experiências sincronísticas de antes, hoje me parecem muito distantes. Não fazem o mínimo sentido. As sincronicidades de hoje são como faca afiada, não vêm para colar pedaços, mas para retalhar o antigo. A complexidade das sincronicidades mais recentes tornam todas as experiências sincronísticas, verdadeiras experiências de quase-morte. E é muito difícil falar sobre isso, abrir o coração dessa forma, mas foi por esse motivo que iniciei o blog: para expor experiências muito fortes, radicais.

Não há como ter esperança no amanhã, sem que o coração esteja conectado, cumprindo as metas individuais que são na verdade, coletivas, ou ligadas a um determinado grau de evolução e cumprimento de ajustes na rede dos acontecimentos.

Nesses últimos meses houve muitas reviravoltas em minha vida, e na de amigos mais próximos, planos que se desfizeram ao sabor da mudança do vento, situações que necessitam de ajuste e que ainda estão em clima de espera, dores profundas da alma que ainda sangram, movimentos em zigue zague, e mudanças radicais, muito radicais, mudanças de quase-morte-em-vida. Fases de renascimento. Não sei em relação a vocês, mas hoje tudo para mim é excessivo, é sobressalente. Só me importa o básico, a vida, o amor. Estudei demais e concluí que a sabedoria do mundo está na simplicidade. Andei demais e vi que a nossa esquina é o quarteirão do mundo. Meu coração hoje diz claramente que não só o amanhã se faz hoje, como que eu não “estarei mais”, mas que “serei” e que viverei cada vez mais conectado aos desígnios da alma. 2012 nos faz sentir como cápsulas libertas no espaço. As cápsulas podem retornar à nave mãe, mas como não desejam fazer isso, estão prestes a cair na imensidão negra, misteriosa do universo, do espaço infinito, mas essa possibilidade é assustadora, não pelo medo, mas pelas possibilidades múltiplas. O grão de areia é o cosmos. O coração palpita, próximo à resolução.

Em dezembro de 2012, o meu, o nosso antigo mundo estará terminado, se assim quisermos e fizermos por onde. Ícaro e Fênix. O grão de areia, o cosmos inteiro.

Cada novo mês para mim é um avanço, uma nova compreensão, cada semana mais uma batalha vencida em busca de respostas e cada dia é um novo dia. Não vivo como antes medindo meu tempo em planejamentos, planos, certezas ou sonhos. Nem sei mais o que é me desiludir, se me desiludo ou venco um obstáculo, não comemoro mais, não há vitórias ou derrotas, só há a vida, só há o rio em movimento e não há por quê julgá-lo, não há por quê medir o seu curso, ele só é o que é. Hoje não sonho, vivo. Nem sou triste ou feliz, apenas sou. Não tenho paciência para novidades, para internet, para TV, para papo furado, conversa jogada fora, gente que sabe demais, gente que nada sabe, enfim… Estou “morto” em relação aos “vivos” e como a carta do tarô do louco, estou livre para renascer, para reencarnar em vida. As sincronicidades abençoam e nos alertam de que a hora está próxima. A realidade é mais palpável para mim do que era antes e essa realidade é bem diferente da anterior.

Todos somos irmãos, geneticamente, espiritualmente e miticamente como Caim e Abel. Todos nós fazemos parte de um mesmo grão, de uma mesma célula, brigamos e nos entendemos, aceitamos e refutamos. Somos escolhas. Parte da mudança depende de nós, outra parte depende do “destino”, engenhoso estrategista que nos apresenta charadas inteligentíssimas, que nos induzem a decifrá-las ou simplesmente nos intuir em que direção ir. O mais fantástico de 2012 é que o antigo sistema de karma parece estar chegando ao seu inexorável fim: já não há mais karma e correntes que nos prendam a ações passadas. Já não há mais karma, não há mais cobranças. É o sonho de qualquer ser que pretenda se libertar, se tornar Ícaro e seguir rumo ao sol, sem que as asas de cera se derretam. 2012 marca escolhas que não se podem mais nos punir. As antigas instituições morrem cada vez mais rápido e o novo Deus menino está prestes a nascer até antes que 2012 se encerre.

Ícaro e Fênix. O grão de areia, o cosmos inteiro.

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