Poesia 2014

encontros

2014

 (Carlos Lopes)

Pacientes, os anjos me fizeram crer

Que dos mortos em vida

Pudesse eu me erguer

Chegaram a me ligar, acreditem

De celular

Sussurraram que “chegara a hora”

Será?, duvidei torcendo sem demora

Subindo a montanha vi que topo não havia

Que nem regresso haveria

“Sois vós, o nosso irmão”

Foi o que disseram

“O anjo da morte que mata a toda ilusão”

Logo eu, que me encontrava

Entre lapsos descontínuos

Sem saber como proceder

Desci de casa em passo reto, contínuo

Atravessei tonto, a faixa àquela hora

Durante a travessia

Que nem Caronte, a moeda queria

Vem o conhecido estranho que me olha

Ao afundar-se em meus olhos

Soube ele ter chegado a hora

Sobressaiu-lhe um desgosto profundo

Desejará ainda aproveitar o que lhe resta neste mundo?

A cada segundo, senti-lhe mais culpado

Nos olhos do consulente, o vi completamente desarmado

Sem poder falar, anunciei-lhe calado

É chegada a morte da ilusão

O fim do ser amado

Após a faixa me ter atravessado

Como punhal cravado em dor

Parei na esquina sozinho

E percebi que um silencioso calceteiro se dava por satisfeito

Por ter terminado o caminho

Para que o atravessasse

O seu amor

De direito

 

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Fernando Pessoa e o sentido da vida

Queres pouco,
Terás tudo.
Queres nada,
Serás livre.

(Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa)

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura, que é o homem ?
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

(Fernando Pessoa, Mensagem)

POEMA DA SUPER LUA

“Não sei o que quero, mas pressinto que já consegui”

Quem é a minha família?

O que é a minha família?

A Lua cheia, minguante e crescente

Um coração gigante de mãe

Iluminado

Lá encontrei a minha família: o mundo, o céu, as estrelas

Antes eu buscava e achava que sabia o que queria, realmente acreditava

Possuía ou acreditava possuir uma visão e um foco claro, depois esses objetivos perderam a importância

A vida te obriga a perder a pureza para reconquistá-la

É o preço da compreensão

Antes o que era sólido virou poeira

Do pó vieste, para o pó voltarás

Aprendi a prestar atenção, não nos momentos, nas fases, nos “altos e baixos”

Mas na linha mestra: sempre há uma linha, pelo menos uma, que te liga do início ao fim

Início de onde?

Que fim?

De você mesmo?

Do mundo?

Certamente 2011 mudou, muito, para uma Lua gigante

Para uma Super Lua

Um Super Mundo

Queira Nietzche ou não

A Lua encanta

Canta

Se muitos ou poucos ouvem a melodia, não sei

Está tudo no ar é só pegar

Nada nos  pertence

O resto é ilusão

Morrerei campeão ou derrotado

Tanto faz, são apenas palavras

Títulos que agradam a Homens

E Mulheres

Mas creia-me: só compete a mim a competência de dizer SIM

De erguer a taça do meu coração

Tantos aplausos não de Homens… ou Mulheres

MAS de Querubins

Esses Sim

Esses SIM

Creio que a balança pendeu para um dos lados e voilá: não caí

NÃO caímos

ENFIM

Por que será?

Tadim de mim?

Que NADA

Os próximos capítulos são agora