Papa Francisco, materialismo e ativismo

Salomão em Eclesiastes 11:1-6 diz que “os caminhos de Deus são tão misteriosos quanto o caminho do vento, tão difíceis de se descobrir como a maneira pela qual se forma a alma de uma criança no ventre de sua mãe.”

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 A semana do Papa Francisco no Rio de Janeiro (julho de 2013) marcou a nossa história, assim como os protestos de semanas antes. Se a Jornada Mundial da Juventude não tivesse sido agendada há dois anos, até se poderia dizer que ela foi criada para esvaziar os protestos… Curioso, pensar nessa possiblidade. De fato, todos os fatos estão conectados por processos inconscientes.

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Escrevi este texto de hoje, após ter assistido à entrevista do Papa Francisco a Gerson Camarotti, da GloboNews, e em seguida, ao documentário Hashmatsa (Defamation) de Yoav Shamir  sobre antissemitismo no domingo, dia 28 de julho. Começarei o texto mais reflexivo e no final do texto relatarei o que vivi no sábado, dia 27.

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Fui e ainda sou muito crítico em relação a dogmas e religiões, mas também aprendi como é exprimir reflexões e não ser entendido. Palavras para serem compreendidas dependem do emissor e do receptor. Se o receptor não tem boa vontade, e possui uma natural limitação (preconceito, falta de discernimento, medo), nada que é dito serve para entabular uma conversação. Quero crer que estamos em constante crescimento, físico, intelectual e espiritual. E aqui, aprendemos e desaprendemos a toda hora. “Acertamos” e “erramos”.

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Como este é um blog sincronístico, espiritual e não um blog político me atenho à questões mais inconscientes, apesar do momento “revolucionário” que vivemos, com a participação da juventude católica e dos “black blockers”. Será o jovem católico alienado por que mostra a cara e sorri ou mais alienado é o jovem que esconde o rosto e que quebra instituições capitalistas, que ele mesmo usufrui? Estaremos submetidos apenas à “passividade” ou ao “enfrentamento”? Será este mundo apenas preto ou branco?

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Lobbys são parte do processo político, necessários para quem os pratica mas enfadonhos para a massa. Sejam de esquerda, direita, judeus contra palestinos, palestinos contra judeus ou o lobby gay, tanto faz.

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São armas usadas para reforçar o poder, e não “apenas” para construir uma sociedade mais justa. Os interesses dos lobistas são pessoais e nunca coletivos. Você é contra ou a favor do aborto? Você quer ou não que as drogas sejam liberadas? Você é “moderno” ou “antiquado”?

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Liberdade de expressão…

 Li argumentos de pessoas contrárias e a favor da visita do Papa ao Brasil. Estudei a respeito do Estado laico, pesquisei sobre o investimento público para financiar a visita de Francisco ao país. Há razões da lógica, e há as do coração. Uma cena, histórica, me chamou a atenção: jovens católicos fazendo uma barreira na praia de Copacabana para que os black blockers não invadissem a festa de Francisco. Muito simbólico…

Rui Barbosa em 28 de julho de 1921: “Enquanto as revoluções eram políticas tinham praias que as circundavam e lhes punham raias visíveis. Depois que se fizeram sociais (e hoje, sociais são todas), todas beiram esse mar tenebroso cujo torvo mistério assombra de ameaça as plagas do mundo contemporâneo.”

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Não vou à festa para a qual não fui convidado, mas muitos, por questões religiosas e políticas, o fazem. O radicalismo e o fanatismo te impulsionam a isso. Respeito? Desrespeito? Dever?…

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Teria o poderio da Globo (tão criticada durante os protestos) sido usado para favorecer uma religião em detrimento de outras, ou favorecer uma política contra o Estado laico? Me parece que sim. Mas essa é uma guerra antiga pelo poder, sem sombra de dúvidas. Assista à TV aberta à tarde (Band, CNT, Rede TV) e veja que os horários foram comprados pelos evangélicos. Não há liberdade religiosa, não há Estado laico.

Na Globo, à tarde está no ar a reprise da novela espírita O Profeta, uma “religião” com muito menos adeptos do que as evangélicas. Então, percebemos que essa “briga” não é uma questão comercial, pois a Globo ganharia mais apoiando os evangélicos, que em futuro breve serão metade da população brasileira. A Globo apoia a Igreja católica e os espíritas porque do outro lado do cabo de guerra estão, principalmente Edir Macedo, Silas Malafaia e R. R. Soares, que também querem manipular, todos em nome de Jesus.

Do blog do jornalista Ancelmo Góis em 30 de julho de 2013: “A Revista de História da Biblioteca Nacional publicou artigo sobre o crescimento dos Evangélicos no Brasil que foi reproduzido em francês em uma edição da Revista Courrier Internacional: “Enquanto nos últimos 50 anos a população brasileira cresceu 63,2%, o número de evangélicos quase dobrou de tamanho, aumentou 93%. A religião que mais cresce é aquela que resolve os problemas individuais e distribui benefícios imediatos, mas tem pouco a oferecer à sociedade”.”

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Minha formação é católica, sou devoto da Virgem de Fátima, gosto de São Francisco. Tenho imagens em casa, não sou evangélico, mas também não sou católico tradicional pois não me sinto à vontade em missas.

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Desde que vivi meu primeiro fenômeno “não-católico”, abri minha mente, e questionei muitas coisas do catolicismo. A compreensão dos fenômenos depende de questões científicas, assim como da fé de cada um. Porém, também tenho críticas ao espiritismo, aos espíritas, como tenho aos evangélicos e ateus. Ninguém é perfeito. Perfeição não existe. Não existe “verdade”.

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Os anos 90 foram férteis em fazer pensar. Acompanhei a reação jovem católica, os carismáticos há 20 anos. Vi na Rede Manchete, os festivais de rock evangélico promovidos pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo (dos pastores Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes) e na Globo, assisti Edson Celulari como Edir Macedo na minissérie Decadência em 1995, mesmo ano do pastor Sérgio Von Helde da Igreja Universal (IURD) chutando a imagem da Nossa Senhora Aparecida porque era aniversário dela (12 de outubro), porque era uma imagem e porque era… negra.

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“Há 05 canais de TV evangélicos, 05 canais católicos, dados de 1999. Há 271 rádios evangélicas, 180 rádios católicas. Dados para o ano de 1999. 80% da programação religiosa na TV brasileira é evangélica. Em 2001 havia a exibição de 90hs/semana de programas religiosos (fonte: Alexandre Brasil Fonseca, em Evangélicos e Mídia no Brasil; Associação Brasileira de Editores Cristãos (ABEC), Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (ABIEE), Fundação Perseu Abramo e Site Louvornet.com). No Congresso Nacional há uma agremiação chamada FPE – Frente Parlamentar Evangélica, formada por deputados e senadores eleitos de diversas igrejas.” (A ascensão da mídia evangélica – uma (mútua) interferência política, econômica e tecnológica. Heinrich Araújo FONTELES).

 Li muitos livros de autoajuda e esotéricos. Vários me foram muito úteis. Porém um dia tive um insight, após reouvir que o Brasil era atrasado porque católico (religião que “criminaliza” o dinheiro) e não materialmente evoluído como os Estados Unidos, que cresceram com conceitos como “livre mercado”, “capitalismo” e viés evangélico e ou judeu que associam o lucro e o sucesso material ao sucesso espiritual (23,9% da população norte americana é de católicos romanos, 16,1% de ateus e 51,3% de protestantes). Certo dia, compreendi que livros como “O Segredo” foram escritos por americanos, porque para eles a concepção de ganho material é a sua própria religião. Não falo que dinheiro não é bom, apenas compreendi que usar o seu poder mental para obtê-lo é uma forma egóica, que não te torna um ser humano melhor.  Só mais materialista.

 Voltando aos dias de hoje, o único testemunho que posso dar é que, graças a Deus, estamos vivendo tempos novos, revolucionários. Sejam eles, compreensíveis ou não. E toda mudança é boa, quando vem do coração e é claro, cumpre o seu papel de tornar melhor a vida da população.

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 Assim como vários, simpatizei com a eleição de um Papa franciscano e latino americano. Mas mesmo assim, as perguntas prosseguem: teria Sua Santidade sido eleita por causa do declínio do catolicismo? Teria ele apoiado a repressão militar e a ditadura na Argentina? De fato, essas questões são importantes, mas neste exato momento, e neste (con)texto a questão é dignamente humana e pessoal. Quanto ao Papa, como muitos, eu o admiro como pessoa, teólogo e político. Também não acredito em “homens”, mas não perdi 100% de esperança. Resolvo minhas questões sem depender do Papa, mas gosto que ele exista.

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No sábado, dia 27, após a melhora de uma retornada gripe (ou virose) que me derrubou mais uma vez, decidi dar uma voltinha até o início de Copacabana,  por volta de 17h para comer meu querido hamburger de soja na Francisco (olha só.. FRANCISCO!) Otaviano, mas a loja estava fechada. Comi uma salada de frutas e dei uma olhada na rua, nas pessoas, vi como estava o movimento. Defronte ao Forte de Copacabana, às minhas costas um grupo de quatro jovens cantavam canções mariachi (e muito bem por sinal). O clima estava eufórico, mas como sempre, em tudo ao que se refere ao Rio de Janeiro, “exótico” para dizer o mínimo. Vi duas representantes de biquíni da marcha das vadias e um senhor negro que passou atrás de mim, meio bêbado e com ódio, conversando com ele mesmo, dizendo que tudo aquilo era racismo… Por perto, um outro senhor sentado em uma motocicleta, na verdade em um triciclo, todo enfeitado com filas de leds azuis, uma monstruosidade de mal gosto, atraía jovens, com o mesmo mal gosto, que sentavam no banco ao lado do motorista para tirar fotos.

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Não havia propriamente uma “multidão” em frente ao Forte de Copacabana, mas sim um bom número de pessoas, o que permitiu que chegasse bem perto da avenida da praia. Repentinamente, surge um Papa Móvel com o… Papa que acenou a todos sob a luz de refletores das câmeras. Fiquei feliz de estar ali, vendo a história viva, fosse por “acaso”, “coincidência”, ou “sincronicidade”. O fato é que me senti bem ao ver o Papa, que emanava um bom astral, claro que “iluminado” pela histeria e pelos refletores. Pensei nos milhares de peregrinos, há horas e dias, passando “aperto” nas ruas para ter um vislumbre de Francisco, o Papa Pop. E acima de tudo pensei no coração dos missionários em busca de reforço a sua fé. Certamente, Francisco é um Papa que tem uma missão difícil: recuperar valores de honestidade e simplicidade, dentro e fora dos muros do Vaticano, em meio a este mundo materialista.

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Palavras de Francisco:

 “Deus está nos pedindo mais simplicidade.”

 “Gays não devem ser marginalizados, mas integrados à sociedade.”

 “Nosso povo exige a pobreza de nossos sacerdotes. Exige no bom sentido, não pede. O povo se ofende quando pessoas consagradas se apegam ao dinheiro.”

 “Não gosto do jovem que não protesta. O jovem gosta da utopia e utopia nem sempre é ruim.O jovem tem mais energia para defender suas ideias, porém os jovens devem se cuidar para não serem manipulados.”

 “Maria é mais importante que os apóstolos.”

 “Sejam revolucionários.”

 “É mais fácil ouvir uma árvore cair do que um bosque crescer.”

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A Sincronicidade PAPAL II

Julho de 2013, o Papa Francisco dos católicos está no Brasil para a Jornada Mundial para a Juventude. Ao ler as notícias, vi qual era o lema da JMJ e recordei de um fato sincronístico e inusitado, ocorrido há 5 anos.

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Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio de Janeiro. O prédio era tombado e como tal, não poderia receber certas reformas necessárias, o custo benefício ficaria desigual e transferiram a rádio para uma sede moderna, com um equipamento melhor em Niterói.

— Você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói – comentei com uma locutora.

— Sabe o que eu gostaria de fazer hoje? – perguntei a ela.

— O quê? – a locutora perguntou.

— J.K., o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui? Gostaria de visitá-lo antes que seja tarde.

— Converse com o porteiro. Ele tem a chave – a locutora deu a dica.

O porteiro, que não se mostrou muito simpático à ideia, pois só havia ele para tomar conta da portaria, explicou que para chegar ao escritório teríamos que fazer uns “atalhos”. Pedi encarecidamente, com o coração, que ele me ajudasse, expliquei que era meu último dia lá (sem ter certeza) e ele acatou. O porteiro subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés.

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Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave da porta, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

Após fazer o comentário, ele abriu a porta e se colocou de lado. Ele não entrou. Eu sim.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek em agosto de 1976. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papeis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Acreditei que havia achado o que procurava.

Assim que alcançamos o térreo, agradeci ao porteiro com gratidão. Realmente aquele havia sido o último dia que eu colocaria os pés na rádio. Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

O lema da Jornada de 2013, é curiosamente similar ao que “recebi” no escritório do Presidente em 2008. Dessa vez não é Marcos, mas Mateus, 28, versículo 19, ao citar a fala da pregação de Jesus na Galiléia aos discípulos: “Ide, fazei discípulos de todas as Nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

Este blog é um exemplo do que fiz a partir de 2008: me movimentar e contar o que vivo (“ide e pregai”); repartir com todos os amigos e leitores os fenômenos ou eventos sincronísticos que vivencio.

As sincronicidades não são exclusividade de um grupo seleto de escolhidos. Esses fatos (como digo são fatos, não criações) pertencem a todos, mas eles espelham o seu grau de compreensão e sua percepção do que é importante para você e do que você chama de realidade, a mesma que você cria, que inclui a sua zona de conforto, a sua crença, os seus conhecimentos e as suas alienações.

O que sinto, literalmente, não só com a  vinda do Papa, mas com as passagens da Bíblia abordadas neste texto, é que o ciclo de aprendizado dessa última meia década chega ao fim, para que outro se inicie, como um passo dado após o outro. Sempre em frente, mesmo aos tropeços, lá vamos nós.

Tudo é vitória, mesmo que não pareça.

Tom Zé e o inseto espiritual

Nós: a percepção individualizada de um instante reconfigurado no tempo-espaço. Nem tão verdadeiros por temos corpos físicos implacáveis e nem tão fluídicos, impalpáveis, porque também somos seres espirituais.

Tenho aprendido todos os dias, durante essa caminhada insistente, mas reconfortante em muitos aspectos, mesmo que seja “apenas” o resultado momentâneo, de um “momento estendido” e de uma compreensão progressiva.

 Esta introdução poetisa a sincronicidade que em 2013 tem mais e mais me convencido de que:

1 – Alguns fatos claramente possuem conecções com outros.

2 – Alguns fatos, ocorrem de forma pretensamente aleatória, conectam o tempo passado e o futuro, antes mesmo que as decisões sejam tomadas.

3 – Os fatos estão conectados a momentos, nos quais “algo” te indica o que fazer.

4 – Mais importante do que fantasiar ou traçar metas é estar atento ao momentum.

5 – Vivemos em um mundo e mente duais, enquanto que as sincronicidades perfazem várias camadas, várias dimensões de ação e entendimentos.

6 – Todo processo é coletivo e individual.

7 – Todo processo é invidividual.

8 – Todo processo é.

9 – Todo processo não é.

10 – Todo julgamento é bobo.

E além de tudo o que escrevi, devemos lembrar de um grande inimigo nosso: o ego. Toda hora que você usar a sua mediunidade para saber como será a vida, o amor, e os negócios, você estará dando substância ao ego. Isso joga ao chão quase todas as artes divinatórias, que adulam a egomania. Na verdade não me preocupo com nada disso há décadas. O nosso futuro é parte do fluxo sincronístico, é o que foi, é e será. Se queremos mudar ou não, isso já não me compete julgar ou decidir, apenas sigo o fluxo, feliz ou não e abandono a ilusão e toda felicidade superficial para me aprofundar no que existe hoje em várias camadas da percepção.

TomZe maior

Acabei de assistir a um documentário sobre o compositor Tom Zé. Ele acabou de falar de um período em que havia desistido da carreira. Ninguém lhe dava atenção, as pessoas corriam dele, não havia público. Então, Zé decidiu retornar para Irará (Bahia) e recomeçar a vida. Escolhera trabalhar no posto de gasolina de um primo. Nesse momento, um “americano” bate à porta da casa de Zé. O brasileiro diz que o gringo havia se enganado. Na verdade o cara não era “americano”, mas escocês. David Byrne (ex-Talking Heads) estava em busca do autor do LP “Estudando o Samba” dos anos 70. O cara era Tom Zé mesmo, não havia outro. A partir daí nasceu uma relação profissional e um novo período na vida do brasileiro, uma reconecção com a sua verdade interna através das mãos de outra pessoa sensível como Zé, uma pessoa que não se encontrava na América do Sul.

Zé era, é e será não-vulgar, mas até mesmo para ser assim, é necessário que haja tempo. A compreensão não nasce de uma hora para outra. É todo um processo.

“O defeito mais grave de todos é pensar.” (Tom Zé)

 TOMZE

Um fato sincronístico recente e curiosíssimo:

Fui assistir a um video espiritualista. Apertei o botão “errado” e caiu em outro vídeo postado há quase um ano atrás. Quando olhei a data, me surpreendi ao ver que o haviam postado na mesma data do meu aniversário há um ano, em um dia bastante complexo, com energias conflituosas. Mal o video foi exibido começou a chover do nada.

Cismei com um inseto no dia seguinte. A imagem e a presença dele me vinham à mente ininterruptamente. Decidi ler um livro e caí na página que citava o inseto… Eu hein. À tarde liguei a internet e vi na página de abertura uma postagem sobre o inseto. Soube que um amigo está fazendo tratamento espiritual comigo há distância, sem eu saber. Descobri no mesmo dia que decidi assistir a um documentário estrangeiro sobre curas mediúnicas. Uma paciente falou no documentário que havia sido tratada à distância no dia tal… , que por acaso era a mesma data acima. À noite decidi assistir a um filme e nele falaram o nome do inseto de novo! E esse, diga-se, não era um inseto qualquer…

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Uma das possíveis interpretações (livremente surfando na terapia analítica) é que esse inseto não pode ser visto, mas é capaz de causar mal. Como um “obsessor” ele não pode ser visto, mas pode ser sentido. A cura à distância higieniza o ambiente para eliminar os “invasores invisíveis”, mas nós também temos que fazer a  nossa parte, limpando a mente e nos desarmando. Concluí que realmente estava sendo alvo de ataques espirituais. E o que a gente faz para impedir isso? Muda, progride, fica mais atento, elimina o que não te serve mais, não julga, não reforça o ego, e acredita acima de tudo no amor.