Reflexão sobre os votos de feliz ano novo

A cada passagem de ano, fazemos planos e refletimos sobre os objetivos a serem alcançados no próximo período de doze meses. Esse é um ritual que pratico há décadas. Os pedidos de sempre como saúde fazem parte das rezas diárias, não valem para compromissos de passagens de ano. As metas a serem atingidas em um futuro ano novo são um pouco mais específicas como “terei um emprego melhor” ou “terei um filho”, etc… Mas mesmo “brindados” com o emprego e o filho desejados, aparentemente nada “dá muito certo”.

E não dá certo por quê?

Como no conto do gênio da lâmpada, nem todo pedido é realizado exatamente como imaginamos. Muitas vezes, nossos sonhos se realizam através de caminhos surpreendentes e com detalhes indesejados.

Somos seres submissos a desejos e vontades. E quanto mais nossas vontades são realizadas mais ficamos, como dizer… “felizes”? Quando imaginamos um futuro melhor, pensamos em saúde sim, mas principalmente em nos sentirmos satisfeitos, em “sermos alguém”; em termos um “bom emprego”, reconhecimento, status, e quase sempre controle sobre o próprio universo, só nos reconhecendo nele quando nos interessa. E nossos pedidos geralmente são imaginados em forma de “brindes” externos, presentes caídos do céu em paraquedas para mudarem nossa vida radicalmente sem que precisemos fazer muito esforço. Exemplo? Ganhar na loteria para gastarmos nosso tempo com prazeres, materialidades e mulheres (ou homens).

“Só ganhar presentes” é como desejar que só haja sol e dias maravilhosos, que nunca fiquemos doentes ou que nunca tenhamos contrariedades… A vida não é assim. A vida é feita de luz e sombras. Crescemos e nos tornamos pessoas melhores, em razão de nossas próprias escolhas, assim como é sempre bom lembrar que nem tudo o que reluz é ouro. Ganhar algo é apenas continuar com a velha mentalidade de crianças que ganham presentes do Papai Noel, por terem sido boazinhas durante todo o ano. E o que é “ser bom”? Tirar boas notas e não questionar os pais? Sendo assim, mesmo na forma externa de adultos respeitáveis, continuamos a ser crianças e não comandantes dos nossos destinos. Continuamos a ser seres passivos sem responsabilidades, crianças que se satisfazem com barganhas como elogios, títulos ou presentes de Noel.

Sonhamos com dinheiro, mas não pensamos que dinheiro não é nada além de papel. Dinheiro não pensa, ele é um instrumento nas mãos dos que o tem. “Mas não se vive sem dinheiro”. Perfeito. Mas como é ganhar muito dinheiro e ser infeliz? Tudo nesta vida é uma soma de “conquistas” e “derrotas”, de luz e sombras. O desejo não realizado só pode ser ruim para quem não compreende que “derrotas” são parte do processo de aprendizagem. “Derrotas” ou “impossibilidades” deveriam ser compreendidas como parte do todo, como parte do pacote. Dinheiro, assim como toda energia, como toda ferramenta, serve para crescermos ou para nos aprisionarmos. Reflita sobre isso nesta passagem de ano. Nossa visão de vida pode ser pequena e limitada, compete a você decidir. Nossa visão de vida pode nos manter alienados e ignorantes, ao não pensarmos em detalhes “insignificantes”. Reflita sobre seus desejos e analise a contrapartida. O todo é a soma dos extremos.

1 – Desejo ficar rico, mas não penso em ser rico em sabedoria, discernimento, compreensão e amor.

2 – Quero ser uma linda mulher com aplicações de botox, plástica, silicone, mas não penso em ser uma linda mulher por dentro, em possuir uma beleza interna estonteante, que muitos podem nem ver.

3 – Quero ser feliz, mas não penso que minha felicidade pode ser egoísta, individualista, autocentrada.

4 – Quero encontrar um grande amor, mas não penso que podemos aprisionar o ser amado com individualismo, falta de respeito, carências, controle e ciúmes.

5 – Quero ser reconhecido, mas não reconheço o valor dos outros.

6 – Desejo a paz no mundo, mas pratico a guerra.

7 – Peço que me respeitem, mas não respeito os outros.

8 – Peço que me escutem, mas não escuto ninguém.

9 – Critico tudo e todos e não sou sincero e nada faço para melhorar.

10 – Tenho um discurso e uma ação diferentes.

 

Feliz 2012 e que você reflita sobre esses 10 exemplos e se possível, os concretize.

 

Pequenas Sincs de Natal (ou odes à sensação de estar sempre conectado):

Folheando uma revista sobre decoração, minha namorada me chamou a atenção sobre uma luminária no formato de um disco voador. No mesmo dia, ao entrarmos em uma casa, vimos a mesma luminária.

De manhã quis fazer um mimo à namorada e lhe dei um chocolate alpino. À noite ela ganhou um panetone alpino da tia.

Cansado, sentei em um banco da pracinha. No corredor em frente havia uma placa com o número 2808. Eu nasci no dia 28 de agosto.

Falei sobre um filme que gosto. Dois dias depois passando pelos canais à noite vimos o mesmo filme do início. Em um mesmo dia zapeando pelos canais (abertos) vi dois atores da série Lost em dois filmes diferentes. À noite fui convidado a ir ao cinema e um dos primeiros atores do filme também havia feito parte de Lost.

MEU ENCONTRO COM A VIRGEM DE FÁTIMA NA COVA DA IRIA.

O Natal, comemorado em 25 de Dezembro, é a data do nascimento de Jesus, o Cristo.

Para os que assistiram ao filme Zeitgeist, 25 de Dezembro era a mesma data de celebração ao nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno. Segundo vários estudiosos, a data foi adaptada pela Igreja Católica no terceiro século D.C., para comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré com o objetivo de converter os pagãos, durante o Império Romano.

O que pensar? Teria Jesus existido? Sua mãe, Maria realmente existiu? São respostas difíceis de dar, ainda mais porque se apoiam no relato de um livro considerado sagrado.

A cada um cabe a decisão baseada no tamanho de sua fé e de sua crença.

Pelo método científico, o mais aceito pelos ateus, cartesianos ou descrentes, só há um jeito: a necessidade de comprovação.

No plano espiritual, certamente as provas são mais lúdicas do que as factíveis comprovações documentadas em laboratório.

Esse depoimento que dou agora, é consequência do Natal, é claro mas também de uma mudança radical em minha vida.

Há pelo menos 25 anos vivencio fenômenos espirituais: já incorporei, presenciei poltergeists e minha mãe desencarnada já se comunicou comigo.

Há o momento de deixar o mundo espiritual ser uma realidade em sua vida e não ser apenas uma teoria. Há o momento de se calar, e o de aguardar o momento certo para falar, para se declarar.

Hoje falo de coração aberto: tive um encontro com a Virgem de Fátima há 15 anos.

Esta história está relatada no meu livro Mágica Vida Mágica. Abaixo faço um possível resumo do encontro, ocorrido em Leiria, Portugal em 1996 e incluo um mapa que mostra o caminho que segui (uma via-sacra) até o encontro com a Virgem.

 

“Estava em um hotel no centro de Lisboa em 1996. Havia ido a Portugal sem dinheiro, na verdade com dinheiro emprestado e naquela época enfrentava muitos problemas pessoais. As coisas que deveriam ser fáceis, se tornavam mais e mais difíceis graças a um conflito de energias, uma batalha real entre o novo e o velho, entre o bem e o mal. Quando comecei a pegar no sono, já de madrugada, ouvi uma voz que sussurrava no meu ouvido: “Fátima, Fátima…”. Como nunca conheci uma moça chamada Fátima, não entendi absolutamente nada e passei a me virar na cama, sem posição. Por volta das 4 da manhã, entendi que Fátima era uma outra cidade em Portugal, na qual no início do século XX, a Virgem havia aparecido para três crianças. Essa conclusão me apavorou, mas eu precisava fazer algo, ter um ato de coragem e determinação. A minha alma já sabia que só havia uma decisão a ser tomada.

Foi difícil levantar-me de madrugada, para tomar o caminho da rua, mas eu não poderia, em hipótese nenhuma, não ter tentado. Eu me puniria, talvez por toda a vida, se não tivesse me arriscado. Sem saber como chegar à Fátima desci na penumbra e perguntei para as poucas pessoas que encontrei na rua, sob o céu madrugador, que direção seguir. Um barbudo me ofereceu drogas ao invés de informação.

Cheguei ofegante, na maior correria, em uma estação de trens na hora em que o comboio estava prestes a sair. No trem, “puxei conversa” com uma senhora de óculos, que sentara ao meu lado, a respeito da estação de Fátima, onde descer, etc. Ela seguiu comigo até a metade do caminho, exatamente até uma baldeação para que eu pegasse um ônibus e prosseguisse em meu caminho. Antes de se despedir, ela me mostrou uma foto. “É do Brasil”, ela falou. “Do Brasil? O país é um pouco grande…”, pensei. Da sua bolsa, surgiu uma foto acobreada que para o meu espanto, exibia exatamente a minha casa, antes mesmo de ser construída. Sem haver me refeito do susto, olhei a imagem com atenção e vi que não existiam os edifícios que conheço.

— Esta é a última foto que meu irmão enviou do Brasil, ela explicou com tristeza e uma reticente esperança.

Não consegui lhe dizer que era exatamente ali onde eu morava. Era coincidência demais. Até eu mesmo fiquei horrorizado. Lhe prometi que tentaria localizar o endereço e anotei o seu endereço, que coloquei em uma mala que se extraviou na viagem de volta ao Rio de Janeiro. Pelo visto, não era para manter mais contato mesmo.

Assim que cheguei em Fátima, meu coração batia muito forte, entre feliz e assustado, mas convicto de que eu havia feito a coisa certa. Segui em frente com passos firmes. De longe, vi a cruz e a torre sineira e me senti diferente, anestesiado. Segui adiante, enquanto observava os peregrinos e os pagadores de promessas de joelhos, de costas para o mundo, em direção à Virgem. Emocionado, vi a árvore, a Azinheira Grande, sob a qual os pastores receberam as mensagens da Virgem.

Me aproximei da Capelinha das Aparições. Sentei para meditar sob o alpendre, enquanto se desenrolava uma missa. Depois de uma boa meia hora, levantei e segui até a Basílica onde sentei em um dos últimos bancos, sem conter as lágrimas de felicidade. Como algumas pessoas se incomodaram com o meu soluçar, deixei o templo. Me afastei da área dominada pela colunata e intuído por uma estranha curiosidade com jeito e cara de ordem, segui por uma rua à esquerda até um acesso a uma subida.

Percorri uma via-sacra (número 11 do mapa), que seguia até o alto, com os meus passos marcados por 15 capelinhas. Uma imagem de Nossa Senhora com os braços estendidos me acolheu ao final da caminhada (números 16 e 17). Agradeci e me sentei à sua frente, de costas para ela, para olhar a paisagem. Lá do alto, a cidade exibia suas muitas casas recobertas com o mesmo teto avermelhado sob a imensidão do céu azul. Refleti sobre os prós e contras daquela viagem, da minha vida que parecia sem sentido. Pedi uma resposta do fundo do coração, pois eu não tinha mais forças para lutar, estava cansado e desanimado. Alguns turistas japoneses e um vigilante deram as caras, mas não permaneceram durante muito tempo no local.

Repentinamente, se fez um estranho silêncio, pois não havia mais ninguém no alto do morro. Todos haviam se evaporado. Após alguns minutos, uma sutil mudança no ar tomou conta do ambiente. Sem esboçar qualquer reação, notei que a brisa e os sons haviam cessado. As folhas das árvores não me acenavam mais e nenhuma nuvem se movia no céu. Tentei falar e virar meu rosto, mas não consegui: estava com todos os músculos paralisados. O mundo emudecera, estacionara congelado e eu era a única testemunha. Não me desesperei, acatei. Não tentei explicar o que acontecia e nem me perguntei se somente aquele local havia parado no tempo, enquanto lá embaixo, a Terra continuava como antes. Talvez a viagem inteira tivesse sido uma desculpa muito bem engendrada para que eu estivesse ali, sozinho, para viver esse pequeno e grande milagre. Lembrei que os meus avós paternos, haviam deixado Portugal em busca de uma vida melhor no Brasil.

Emocionado e paralisado, vivi o milagre de dilatação do tempo sob um prisma religioso.

Então suavemente, uma luz cheia de presença massageou-me as costas. Fui abraçado por uma imensa e acolhedora luminosidade difusa vinda por trás. Era de dia e as duas formas diferentes de luz interagiram sem conflitos: a do sol acolheu a luminescência espiritual, sem que uma negasse a presença e a força da outra. Como não pude me virar, e nem ver com meus próprios olhos, só me restou vivenciar. Muitas pessoas precisam de provas, de fotos que comprovem os fatos, mas àquele momento, mais importante do que provas, ou ser posto à prova, foi ser a prova do amor transcendental.

Depois de algum tempo, que tanto poderia ser calculado em segundos como em horas, os sons e o vento retornaram mansamente à “normalidade”. Quase como um fóssil retornado à vida, mexi a ponta de um dedo, depois a mão inteira e por fim os braços. Respirei profundamente e estalei o pescoço, antes de me erguer. Quando me virei para saudar a imagem da Virgem de frente, abaixei o meu rosto em sinal de respeito e agradecimento. Havia uma placa logo abaixo da imagem: “Nesse local, ocorreu a última aparição da Virgem.”

Chorei convulsivamente.

Nesses primeiros meses de 1996, eu sabia que a pessoa que eu havia sido, estava se transformando, entrando em uma nova fase da vida.

Relatei essa história, durante os anos, a alguns conhecidos. Na maior parte das vezes, vi incredulidade, mas hoje, 15 anos depois desse encontro, não tenho nada a temer. Nada mais me preocupa, não me submeto ao julgamento alheio, só estou relatando a verdade.

Um pouco antes do livro Mágica Vida Mágica ser impresso, e 15 anos após eu ter estado em Portugal, uma Capelinha das Aparições, idêntica a de Fátima, foi inaugurada no bairro do Recreio no Rio de Janeiro em 2011, bairro para o qual meu irmão havia se mudado, um pouco antes. ”

Nada ocorre à toa nesta vida.

E nem em outras.

Fernando Pessoa e o sentido da vida

Queres pouco,
Terás tudo.
Queres nada,
Serás livre.

(Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa)

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura, que é o homem ?
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

(Fernando Pessoa, Mensagem)