Premonição

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Um amigo lembrou do seu antigo professor de educação física da época do colégio, que não via há várias décadas.  Ele me perguntou se uma lembrança, sem motivo aparente, poderia significar algo. Disse que dependia do caso, mas que provavelmente haveria alguma ligação, de alguma espécie, com o professor. “Mas eu nem me dava com ele!”, o amigo exclamou. “A gente nunca sabe…”, respondi.

De onde acessamos essas lembranças e por quê? Por qual motivo? A memória inconsciente pode não fazer parte do HD que carregamos conosco (o cérebro físico). Se guardássemos todas as memórias, alegrias e tristezas em nosso cérebro, talvez este HD interno explodisse. Então, o cérebro parece servir mais a propósitos próximos e práticos, para que lembremos e acionemos os dados mais pertinentes e necessários a nossa sobrevivência. As outras memórias – conscientes ou não – ficam gravadas em um HD universal externo ilimitado que pode ser acessado em determinadas circunstâncias.

O amigo nunca parou para se preocupar com essas coisas, sempre me diz que quando eu falo sobre isso, ele se assusta um pouco e que “é demais para a cabeça dele.”

Menos de uma semana depois de nossa conversa, o amigo me liga desesperado: ele havia recebido uma carta enviada pelo colégio comunicando a todos os ex-alunos, o falecimento do professor de educação física.

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Tragédia anunciada (Santa Maria e Niterói)

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A tragédia na boate em Santa Maria, Rio Grande do Sul, com 231 vítimas no domingo dia 27 de janeiro, expõe mais uma vez a nossa desorganização. Parece incrível, mas o corpo de bombeiros local havia autorizado o funcionamento da casa noturna, conhecida como “arapuca”. Mas esta postagem se refere a outra tragédia: a do Gran Circus Norte-Americano em Niterói em 17 de dezembro de 1961, na qual morreram cerca de 500 pessoas. Na maior parte, as matérias jornalísticas sobre o incêndio em Santa Maria citaram essa outra tragédia, ocorrida há um pouco mais de 50 anos.

Um antiquário veio aqui em casa em novembro de 2010, comprar um antigo quadro sobre o incêndio do Circo em Niterói. O quadro ficou parado no mesmo lugar por mais de 3 décadas, só saindo daqui em função dessa venda. Conversando, soube que o antiquário estudara na mesma faculdade que eu, nos mesmos anos. Logo depois, ele me contou sobre o irmão, que tocava violão e que havia acabado de comprar um instrumento novinho.

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“Não existem coincidências”…

2 dias depois que o antiquário esteve aqui, exatamente no dia 30 de novembro de 2010, fui ao show de um amigo. Na entrada, ganhei uma revista de História da Biblioteca Nacional de brinde. Ao folheá-la, vi uma matéria sobre o incêndio em  Niterói, exatamente o mesmo tema do quadro. A coincidência me chamou a atenção. A primeira sensação que tive é que o quadro “se foi” na hora certa. Não era mais para estar comigo. Porém, refletindo um pouco mais, achei que havia algo nessa partida relacionado à morte.

No  primeiro dia de dezembro de 2010, logo depois do show, o antiquário me disse que o seu jovem irmão havia morrido em um acidente de carro.

Matéria da Revista de História sobre o incêndio no Circo em 1961.

SINCS SEQUENCIAIS

“Seu Roberto, o pessoal do mundo antigo não está entendendo o mundo novo”. Foi o que Dona Maria disse ao meu amigo Roberto, que trabalha no atendimento de um Banco em Manaus. A senhora, cliente antiga, nunca soube que meu amigo tinha algo de “especial”, mas como não era boba, ela “percebeu” que ele poderia entendê-la.

“Não adianta ter professor para instruir porque eles não compreendem”, ela prosseguiu.

“O mundo antigo já acabou!”, sentenciou.

Por que inicio o texto com esse preâmbulo? Porque Roberto, esse amigo, passou alguns dias comigo no Rio nesse feriadão. Pois bem, quando você junta duas pessoas que têm características especiais, o que geralmente ocorre é um verdadeiro “sai-de-baixo”, um “tsunami energético”: a energia de cada um é amplificada e as sincronicidades se multiplicam. E após cada nova sinc diária, ríamos.

“Ô homem de pouca fé!”, eu brincava.

E ele respondia: “Quem disse que eu não acredito! Você é que é o cara dos FXs! (“efeitos especiais”: nossa alcunha para fenômenos) Meu professor de ioga me disse que tudo o que é antigo não vale mais para hoje em dia, seja religião ou filosofia.”

Durante sua estadia no Rio ocorreram muitas sincronicidades diárias, sempre da mesma maneira: a gente conversava sobre algo, sem prestar muita atenção, como se fosse um pensamento dito em voz alta e o pensamento se materializava fielmente no dia seguinte. Aqui listo algumas das mais folclóricas, todas ocorridas em uma semana.

Só me falta-me o Gramur!

1 – Tenho dois amigos, mais próximos, em Manaus. Um deles veio passar uns dias comigo, aqui em casa, por causa das suas férias e não em razão do feriadão. No dia posterior à sua chegada, toca o telefone: era o outro amigo de Manaus que havia chegado ao Rio. Eles não combinaram nada e o segundo amigo não veio para o Rio por causa das férias. Saímos todos. Em nossa conversa, comecei a imitar a Lady Kate. A namorada do segundo amigo riu e me disse que havia estudado com a atriz, Katiuscia Canoro.

Orfeu da Conceição

2 – Lembrei de uma história, assim que passamos perto de um viaduto ao lado do Sambódromo: “Subi nesse viaduto, uma única vez para ver o desfile das Escolas de Samba. Não dava para ver nada e desci. No meio do povo, uma voz me chamou: era um conhecido que não via há anos.” No dia seguinte à conversa, encontramos a pessoa que havia me chamado no viaduto.

Bob Zé

 3 – O amigo me perguntou: “Você já ouviu o disco do Zé Ramalho no qual ele canta Bob Dylan?”. No dia seguinte, Zé Ramalho passa na rua pelo meu amigo.

4 – Sonhei com um conhecido que cruzou comigo, de cabeça baixa – no sonho – e não me viu. No dia seguinte, o amigo de Manaus me pergunta sobre uma banda, na qual a pessoa com quem eu havia sonhado cantava. Mas ele não sabia disso.

 5 – Contei para ele que o mago Aleister Crowley não era tão ruim como querem pintar, ainda mais em um mundo (o atual) no qual uma de suas sentenças é glorificada: “Todo homem e toda mulher é uma estrela.”

Todos juntos vamos...

Muitas vezes o “mal” também pode se associar ao “bem” para derrotarem o “mal maior”. No final das contas, mal e bem são apenas pontos de vista, é claro. Contei ao amigo que na Segunda Guerra, Hitler e o povo alemão uniram-se numa “tsunami energética” ao erguerem os braços na saudação nazista, que podemos dizer simbolizava o “mal”, ao reincorporarem o velho mundo simbólico dos conquistadores romanos, com suas águias, flâmulas e galhardetes; a escravização de povos” inferiores”  e conceitos opressores de civilização. Inebriados com a campanha militar vitoriosa (até invadiram Paris!) o povo e os líderes alemães eram uma coisa só.  Entre 1936 e 1939, Crowley fez uma série de visitas à Alemanha. Uma mulher chamada Martha Kunzel tentou convencer Hitler de adotar o Livro da Lei de Crowley como a sua “Bíblia”.  Hitler rejeitou a sugestão, pois para ele o “Mein Kampf”  era o livro sagrado da Alemanha.

V

 Ser amigo de Crowley não era uma primazia do poeta português Fernando Pessoa ;  Winston Churchill, o novo velho homem escolhido para liderar a Inglaterra, como primeiro-ministro, em tempos de guerra, consultou o mago a respeito da saudação nazista. O que Churchill, um homem que também acreditava em primazia racial, desejava era combater o nazismo em duas frentes: no físico e no astral. Crowley sugeriu-lhe que adotasse o símbolo do V com os dois dedos erguidos para anular a saudação nazista.

 Meu amigo não lembra de ter sonhos diários, mas aqui em casa ele sonhava toda noite, exatamente como eu: com histórias longas e vários personagens. Na madrugada, ele foi atacado por alguma entidade e lembrando da nossa conversa, felizmente usou o V juntamente com conjurações de amor. Ele acordou dizendo que os “inimigos” saíram em debandada.

Excalibur

6 – Simbologias são muito poderosas e é preciso compreendê-las para ter o controle sobre a sua vida, principalmente a inconsciente. Tomei conhecimento de um fato, que claramente era mera reprodução (retorno e recorrência) de outro ocorrido há exatos 25 anos. Como indiretamente me envolvia de várias formas e todas nada muito boas, pensei em cortar o mal pela raiz. Em um sonho, soube que deveria resgatar um objeto físico que se ligava indiretamente a essas pessoas. E apesar de aparentemente a missão ser difícil, senti que sairia vitorioso. A imagem que me veio à mente era a da espada de Excalibur sendo retirada da pedra. Isso me deu a convicção de que eu deveria e poderia cumprir a missão. Em uma semana, fui bem-sucedido. A convicção do sucesso era tamanha que eu simplesmente segui adiante. O que ocorrerá com os personagens envolvidos na teia do retorno e recorrência não é mais meu problema. Nunca mais.

 Roberto

7 – Falávamos sobre a morte da filha do cantor Roberto Carlos e durante a conversa, ele fez algumas críticas sobre a minha forma de viver: ele me sugeriu que eu colocasse meu sonhos de lado e eu respondi que “preciso vencer sendo quem sou, com meus sonhos. Não me interessa vencer sendo outra pessoa”. Na rua, passamos em frente a uma igreja que gosto e sugeri que entrássemos. A princípio, ele não quis, alegando que “isso é um processo seu”, mas entrei e ele veio atrás. Quem comandava a missa era o padre Antônio Maria, que pediu que rezássemos por Roberto Carlos e completou: “O amigo que está em sua casa deve respeitá-lo e aceitar a sua maneira de ver o mundo”.

Padre Antônio Maria

Eu sei bem o que é isso, pois lido com o descrédito constantemente. Os incrédulos nem são bons nem maus, não estão certos ou errados, eles têm outras missões, outras funções, outros objetivos, outras necessidades, outras certezas, que não são as minhas, mas curiosamente querem que eu passe para o lado deles e eles nunca querem passar para o meu, sabem por quê? Porque o meu caminho é o mais difícil, mas é meu: eu tenho o prazer e a obrigação de cumpri-lo de cabeça erguida. Honra e valor.

Pedidos, Promessas

8 – Durante uma fase conturbada na minha vida, pedi uma graça em uma igreja de escravos há 4 anos. Aparentemente a graça não foi alcançada (disse, “aparentemente”) e nunca mais pensei no assunto. Hoje, no dia em que escrevi este texto, passei com meu amigo em frente à mesma igreja. Na hora, passou pela minha cabeça que eu deveria “desfazer” a promessa. Fiz exatamente a mesma coisa, com o mesmo procedimento. Desfiz? Não sei, mas saberia menos se não o fizesse. O que houve de concreto é que a vibração foi fortíssima, as paredes tremeram. Muitas respostas e grandes soluções são inconscientes: apenas cumpra a sua missão com amor.