A vida ocorre agora. O resto é memória.

sinc_mae_20_8_15_1921-22 Pablo Picasso (Spanish artist, 1881–1973) Mother and Child.

Viver o hoje, o aqui e o agora é a solução para nos afastar das armadilhas da mente. É um exercício diário, constante, e a bem da verdade, complexo. A tentação é grande em vivermos entre comparações, entre o que foi e o que há. Quando, por exemplo, acreditamos que uma gripe anterior é “parte” de uma gripe atual, por assim dizer.

A mente funciona como uma câmara de eco. Idéias do passado, mágoas, lembranças de ontem batem na parede, e retornam ao ponto de origem amplificadas. E incorremos em grande perda de tempo ao valorizar ecos que não são reais. Uma boa forma de tratar um trauma é não dar-lhe importância. Não desprezá-lo, mas não valorizá-lo. As lembranças não devem nos impedir de agir. A vida ocorre agora. O resto é memória.

Você sabe que o passado “existe”, mas ele já ocorreu, não acontece neste segundo. Por isso todo o tempo usado remastigando o que já foi engolido só cria suco gástrico e úlceras mentais. O coração fica pesado e rubro. Paralisado. O que “resta” após as nossas experiências (do passado) é uma espécie de reflexão. O trauma é o excesso, o eco reamplificado. E quem alimenta tudo isso somos nós quando damos importância a ecos. É a mesma coisa que fazemos ao julgar os outros pelos nossos parâmetros. Cada um é uma experiência única. Mas a maioria precisa de líderes sejam religiosos ou políticos para dizer-lhes o que fazer. Você pode ser o seu líder sem ser alguém desumano ou egoísta. Se você consegue conviver com isso, ótimo. Se não consegue aprenda a negociar ou se afaste…

As coisas que eu posso resolver agora eu resolvo. As que não posso, ou não quero, deixo para quando for possível. É como administrar as contas. Não dá para pagar tudo quando nos vemos entre a cruz e a caldeirinha. Saldamos o que é prioridade e administramos as dívidas. Os luxos (ou excessos) passam a não ter importância. E se alguém depende “miseravelmente” dos luxos para viver…

A pergunta é: como podemos negociar as soluções?

As histórias que relato no texto de hoje dizem respeito a “tratar” o passado de forma terapêutica. Pelo menos é o que ocorre comigo, e tem servido como motivação.

sinc_mae_20_8_15

Tenho algumas histórias com minha mãe, muitas não muito agradáveis. Ela pode ter feito 80% de coisas ótimas, mas os 20% marcaram demais. Hoje, entendo vários dos seus “defeitos”, e não a julgo o que passou, mas sei que influenciaram o que ocorreria depois. Toda ação gera uma reação, muitas vezes inimaginável. Muitos pais, em sua autoridade – ou falta dela – se excedem, e alegam que não o fazem por “mal”, mas por “acharem” que fazem o “melhor para os filhos”. Muito disso é questionável. Mal comparando, é como a questão da maioridade penal ou de castigar os filhos. Há os contra e os favor. Quem ganha? Quem perde?

De todas as artes com as quais me envolvi, o desenho é – para mim – a mais terapêutica. Minha primeira paixão foram as histórias em quadrinhos. Colecionava várias revistas de superheróis, por volta de dez anos de idade. Certa vez, fiz alguma “malcriação” para minha mãe e ela rasgou cada uma das revistas – e era uma pilha -, bem na minha frente. Eu implorava, me agarrava em sua perna, chorando, para que ela parasse. Mamãe prosseguiu dizendo que eu deveria “virar homem”. Vi meus heróis virarem pó.

Para não dramatizar muito, mas já dramatizando, lembro que me ajoelhei perante àquele monte de papel e senti uma dor imensa, muito maior do que o meu tamanho, com apenas uma década de vida. Ninguém merece… Sei que apenas tive revistas rasgadas, e hoje, acho bobo ter chorado por causa disso, mas não eram revistas, eram sonhos. Conheci meninos da minha idade estuprados e vivendo em condições miseráveis, mas essa era a minha “realidade” de menino de classe média. Nunca vi criança de dez anos ter consciência social…

Desde àquela época decidi não mais desenhar. Perdi as forças, por assim dizer. Ainda tentei, mas não estudei, e nem me esforcei o suficiente e acabei deixando para lá. De certa forma, senti que não era mais para mim, que a “missão” era outra e que o tempo daria cabo ou resolveria a questão. Até parecia que eu fazia algo errado quando segurava um lápis… Muitos sofrem bullying no colégio. Meu primeiro bullying foi em casa…

Por que (re)conto essa história? Por que falo sobre não lembrarmos de traumas e recupero um? Para quê?

Passados 40 anos, um amigo me trouxe um presente: uma das revistas, uma das mais simbólicas, dos meus dez anos de idade. Ele nunca soube dessa história. O link entre os fatos foi inconsciente. O amigo serviu de ponte entre o passado e o presente para me intuir a respeito de um desejo relutante: retomar os pincéis.

Sabe a sensação de um filho sair pela porta de casa e voltar 40 anos depois? Qual seria a sua reação? Admoestá-lo ou perdoá-lo? Ter de novo a revista em minhas mãos apagou 4 décadas de intervalo entre um evento e outro. O religamento foi tão intenso que pesquisei na internet grande parte das revistas rasgadas. Nos anos 70, ninguém imaginaria ser possível “baixar” livros ou filmes. Era coisa de Jornada nas Estrelas. Aquela era a época do ter ou não ter. Hoje, grande parte do acervo mundial está disponível, como “energia” e não mais como algo físico, como “matéria”. Mesmo que não seja para lê-las, as baixei para recompor a partitura perdida, rasgada há tanto tempo, e principalmente para me perdoar e perdoar mamãe. Não mais me importa o fato de tê-las fisicamente ou não, isso não faz a menor diferença. Não se chora sobre o leite derramado. O que me importa hoje é compreender e me desapegar de todas as energias e lembranças ruins. E isso nada tem a ver com negação.

Tive vários insights poderosos ao recuperar as revistas rasgadas. O maior deles, voltar a desenhar. E é o que tenho feito. Esta arte abaixo foi feita ontem.

Todo dia é um novo dia para recomeçar.

rosto_moca_2

 

Anúncios

SINCs do dia-a-dia

sol_nascendo_na_montanha_1c992886f69f1c93f2645d1422df095d_sol_nascendo_na_montanha

 

Comentei sobre o filme espírita “Nosso Lar”. No dia seguinte, cruzei com o ator Fernando Alves Pinto – que trabalhou nessa película – descendo a esquina de casa.

Lembrei do caso do Imperador Maximiliano de Habsburgo-Lorena (primo-irmão de D. Pedro II, que pretendia se casar com Dona Maria Amélia, filha de D. Pedro I. O matrimônio não teve continuidade por causa da morte da princesa). Maximiliano foi elevado à Imperador do México, pelos franceses que o abandonaram à própria sorte. Maximiliano acabou por ser fuzilado pelos mexicanos. No dia seguinte, liguei a TV e assisti “por acaso” a um documentário sobre o pintor Édouard Manet que tornou mundialmente conhecida a cena do fuzilamento.

Pensei em determinada pessoa que não ouvia falar há mais de um ano, ela enviou um e-mail; depois pensei em outra (“Bem que ela poderia aparecer nessa hora”) e ela enviou outro e-mail no mesmo dia, algumas horas depois.

Para evitar fofocas e maledicências, opto por não esconder nada que possa ser mal interpretado (e muitas vezes, ocorre mesmo assim). Só de pensar nisso rolou um disse-me-disse. Expliquei o meu ponto de vista, antes que falassem mais do que eu havia dito. São as coisas chatas da vida que devem ser feitas. Nada a ver com quebra de confiança ou de promessas, foi uma conversa limpa e clara sem intermediários. Quando isso volta a acontecer sempre opto pela conversa, mas nunca deixo o meu ouvido ser lotado de reclamações que descarregam a pessoa e me sobrecarregam. Se a pessoa entender, ótimo, se houver um diálogo, ótimo. Caso contrário que cada um siga o seu caminho. Não é um processo indolor, mas separa alhos e bugalhos, o que sempre é melhor do que manter pessoas unidas à força. No mínimo, o processo de amadurecimento ou ruptura seguirá o seu caminho e a situação não mais ficará estagnada. Quando a sincronicidade indica esse caminho é o que faço.

Sonhei com determinada pessoa. Como era uma energia ruim, preferi dar crédito a este sentimento inconsciente. Sem julgar muito o significado, mas tendo que fazer algo, para não me culpar depois, cancelei o encontro.

Há “amigos” de muitos anos que a gente até gosta, mas que mais aturamos do que realmente gostamos. Há os lamurientos, os exibidos, os carentes, os convencidos, mas há uma espécie que são os que reclamam de tudo, falam mal de todo mundo, te criticam sem parar e se acham seres superiores. Como no exemplo acima, não faço nada para magoar a pessoa até que o sinal vermelho é aceso. A pessoa me prometeu mil coisas, me fez assinar documentos e nada fez, me metendo em uma “pretensa” enrascada, que na verdade me amadureceu. Peguei tudo que pertencia a essa conhecida, meti em um saco e deixei com ela sem dar muitas explicações. Foi para “causar”? Claro que não. Acho que a maior explicação do que esse movimento não existe. Achei indigno jogar no lixo e também não queria mais dar uma de b….a. O movimento, me parece, que foi bom para ambos, se encaixou no padrão de cada um: eu segui o meu caminho, e a pessoa retornou a um estágio anterior sobre o qual ela sempre reclamava comigo.

Estava editando um vídeo gravado na cidade de Santa Isabel, interior de São Paulo e parei para descansar. Liguei a TV e estava dando um caso de disco-voador na cidade de…

Um amigo tem um monte de “medos” e um deles é andar de pedalinho – na água. Ele tem pavor de afundar. Prometi que lhe daria um presente caso ele aceitasse entrar em um pedalinho comigo no final de semana. Após anos de insistência ele topou. E qual não foi a nossa surpresa quando toda a água do lago do pedalinho evaporou por causa da seca que assola o sudeste do país?

De manhã, vi na TV que o beija-flor come duas vezes o seu peso. Sorri e pensei: “Daqui a pouco virarei um deles de tanto comer!”. Horas depois, à tarde, saí para comer. Subi até o terceiro andar de um prédio. Escolhi uma mesa, cercada por várias outras, todas lotadas. Um beija-flor surgiu do nada e estacionou em cima de minha mesa, durante microssegundos. A cena foi tão intensa, que aquele instante mínimo parecia em meu coração um longa-metragem.

O GUERREIRO E A BALANÇA

african_princess_by_dariojart-d5nwpgx

 

Sincronicidades são como sinais de uma vida interior pulsante.

Há alguns anos, talvez uns cinco, uma ideia para um projeto começava a me cutucar. Fui deixando que cutucasse mais – e que tomasse forma – e de tempos em tempos tentava imaginar como poderia fazê-la acontecer. Em primeiro lugar, e sem temor de ser criticado (o que de fato ocorreu) falei com algumas pessoas sobre a ideia. Ninguém deu muita importância. Acharam legalzinho, etc e tal, mas não viram viabilidade e para variar, me olharam como um sonhador. Ou um estranho. Mas nada disso me fez ficar chateado ou me desviar do “sonho”. Afinal de contas em primeiro lugar todo sonho é seu e depois vira realidade coletiva.

Fiz o que pude dentro de minhas possibilidades, sem parar de acreditar. Os lapsos de tempo ocorriam em função das demandas profissionais e pessoais. Às vezes deixava a ideia descansar, mas não parava de pensar nela e nem deixava que a afeição acabasse. Entre descansos e retomadas, fui adaptando a ideia às situações que surgiam. Desde o início do projeto, minha vida – e eu – parece ter mudado completamente. Objetivos mudaram, percepções de mundo se alteraram, separei mais alhos e bugalhos e o projeto continuava lá, em seu cantinho, hibernando. Hoje, consegui concretizar uma parte desta ideia, graças a sincronicidades que ocorreram muito intensamente há um ano. E é claro, que as sincronicidades de hoje estão fortemente ligadas, conectadas a eventos misteriosos ocorridos no início dos anos 2000. Ou seja: nada ocorre à toa, nada surge do nada. O nosso hoje é fruto de nossas percepções e escolhas. É como o Labirinto do Minotauro.

O meu lema é nunca desistir. Adaptar sim, mas nunca abrir mão do que teu coração, que a luz no âmago de sua alma, te aconselha a fazer. Saber ouvir a voz interna e fazer por onde. Não se deve ser orgulhoso de forma negativa, teimoso, é necessário saber ouvir, assim como é importante correr riscos, mas também é importante saber discernir. E no fundo do seu coração, longe de maledicências e achismos, há sempre uma voz de mãe para te guiar. Essa voz tranquiliza e também pode te preparar para tempos difíceis, mas parte da jornada que o guerreiro precisa enfrentar, para crescer, talvez mais internamente do que externamente, é nada temer. Ser sábio para seguir em frente com cuidado, mas nunca deixar o temor obscurecer a sua visão. Excalibur é sua. Mas não é para matar, para ferir quem quer que seja. É para servir de balança, a balança da vida. A jornada é como uma balança que pende de um lado a outro, até alcançarmos o desejado equilíbrio entre espírito e matéria. E este guerreiro, que ergue a balança, é você. Seja como a pomba e a cobra, aprenda a dobrar o seu corpo como junco ao vento, mas não deixe que o quebrem.

Irmão, Seja bem-vindo à fraternidade.

TODA AÇÃO TRAZ UMA MISSÃO

mission (1)

As melhores lembranças da vida são as agradáveis. É por aí mesmo. Rir é melhor do que chorar. Mas são as crises que nos fazem crescer ou cair no buraco de vez. É válido não esquecer os acontecimentos difíceis ou ruins, faz parte, nos ajuda a não repetir certas coisas, a seguir em frente. Viver só a alegria ou só a tristeza total, e sem entender o porquê, é uma péssima escolha. O equilíbrio entre os dois extremos é importante para a saúde mental, física e espiritual. Mas cada um que sabe o que é melhor para si, não dá para impor nada a ninguém. Dá para fazer tudo certo? Claro que não. Somos imperfeitos, porque perfeição não existe, ser imperfeito não é uma escolha nem opção, é como somos. E fazer o nosso melhor, quando você quer, sempre é uma missão. O defeito que você vê no seu amigo ou parceiro e que muito o incomoda, deveria servir para a compreensão de quem você é e como você age. Se você fizer um pouquinho de força, e conseguir se colocar no lugar do outro, com as limitações do outro, ajuda muito. Quando não der mais para perdoar, ou aturar, o melhor é dar tempo ao tempo, ou cair fora ou até mesmo aguardar que o próprio mundo dê algum jeito. E toda ação traz uma lição.

200380484-001

Assim como o tempo marcado pelo A.C. e o D.C., o antes e o depois, marco o desenrolar da vida com fatos importantes, agradáveis ou tristes e consigo ter uma visão mais ampla do que fui, sou e provavelmente serei. Ajuda muito a me entender quando revejo o passado e analiso as consequências. Para isso, delimito o tempo com “após” e “antes” de tal fato.  Dá para entender direitinho, o que era só fase ou o que é a sua personalidade; se foi uma conclusão particular, sua, própria, ou se a escolha foi influenciada pelo meio ambiente. Nessa análise, nessa revisão de vida, obviamente, entram muitas sincronicidades que revistas a posteriori, nos mostram conclusões até mesmo inusitadas. A conclusão que gosto mais, é a que tudo o que vivemos hoje está intimamente ligado a fatos do passado, que vem desde a infância. Você crê que a escolha que você faz hoje é derivada da sua percepção de adulto vivido, mas não é apenas: ela também é consequência de histórias (pode mudar a  palavra para “crenças”) que você viveu. Mamãe costumava se explicar dizendo que “mas é assim que me explicaram” ou “mas foi assim que me ensinaram”, sem se dar conta que dá para rever tudo, até mesmo o que nos ensinaram, porque foram ELEs que ensinaram e não NÓS que aprendemos.

O que vimos e vivemos no passado influencia, inconscientemente, tudo o que virá. Por exemplo, hoje, você pode viver uma situação igual a de um livro que você leu há 20 anos, ou a sua vida atual pode estar se desenrolando sincronizada com as histórias de uma novela gravada há 36 anos! Ou pode ter sido influenciado por algo que falaram ao largo, quando você tinha apenas 10 anos e na época você não entendeu nada, mas ficou guardadinho no seu interior, aguardando o momento para aflorar. Sim, isso é possível. Isso é mais real do que a realidade. Muita gente, e porque não, encontra a verdade nas páginas da Bíblia, mas olha só: você pode ouvir a palavra de Deus através de uma novela. Assim como você pode perder o seu tempo com as duas, caso você não entenda o que está acontecendo e que continue aceitando o que “te ensinaram”. Essas palavras, isso que escrevo agora, também, podem ser interpretadas conforme a sua conveniência. Tem quem parta logo para o colo de Satã, e diga que todo o mundo atual é uma droga por causa do seu namorado, da sua mãe, do catolicismo, do judaísmo, do Brasil, da Dilma, do PT, do PSDB, dos muçulmanos, dos nigerianos, da Argentina, dos EUA, da Rússia, etc, etc, etc. Tanto faz o nome. Estamos todos conectados? Sim. Se um país rico espirra, o pobre pega gripe? Sim. Mas dá para ser diferente, fazer diferente e mesmo assim interagir com o mundo sem que ele mande em você, 24 horas por dia. A questão é você e não os outros. Isso não tem nada a ver com egoísmo, que é uma história completamente diferente, tem só a ver com escolhas, motivadas por valores aprendidos ou ensinados. John Lennon dizia uma coisa forte, e típica de sua época: que não há fronteiras. Que fronteiras e países são ilusões, porque foi como NOS ensinaram. Todo mundo sabe que no mundo “real” há fronteiras, mas todos gostaríamos que não houvesse fronteiras, porque somos todos irmãos, celularmente falando. Todos somos energia, células, átomos. E quando vistos do espaço, somos mais células ainda. Aí sim não mais diferença entre humanos e animais.

Você tá chateado? A sua vida é uma droga? A de muita gente também é, por várias razões, mas eu tenho os meus motivos e eles os deles. Não dá para generalizar. Todo mundo é um universo. Mas, só dói mesmo quando cai na sua cabeça ou dói no seu bolso. Mas dá para você escolher o caminho a  seguir, mesmo debaixo de um bombardeio. Não se esqueça, nunca, que estamos todos ligados, conectados. Ninguém vive sozinho, porque para a água sair pela sua torneira, você depende de gente que você nunca conhecerá, mas que afeta a sua vida diariamente. Mas a escolha é sua. E a consequência também. Toda ação traz uma missão.

Mission

AS SINCRONICIDADES SÃO NATURAIS COMO NOSSOS PENSAMENTOS

Perceba como as sincronicidades agem em nossas vidas, nos reconectando às nossas essências, nos permitindo tomar decisões baseadas não no voluntarismo, mas em questões inconscientes, para fora e além.

image014

Perceba e reflita sobre o dia-a-dia. É fácil ver gente nas ruas reclamando de tudo (no Rio, então…) e criticando umas as outras.  Outro dia, sorri quando um par feminino passou ao meu lado e uma delas comentou: “Você viu o cabelo da fulana? Que coisa horrível!”. Apesar de folclórico (tá… “engraçado”) e quase inofensivo, esse comportamento alheio não serviria para te aconselhar a ter mais cuidado com as críticas (externas) e principalmente com os seus pensamentos (internos)? Não abrir a boca, mas também manter pensamentos malignos, que crescem em sua mente, não é nada saudável. Não é saudável dizer o que se “pensa” sem refletir, como não é nada saudável perder tempo e energia perdendo tempo com pensamentos inúteis. Não concordar com o que os outros fazem é um direito seu, mas falar (a boca é livre) e não fazer nada para mudar é péssimo. A maior parte de nós não suporta qualquer crítica, porque fomos educados a nos manifestar através do ego. Ao sentir que vamos perder o controle, e não menos a razão – para não nos sentirmos uns zeros a esquerda – bloqueamos toda crítica externa e aceitamos todos os elogios. Nem 8 nem 80: não é para aceitar tudo o que despejam sobre você, pois não se sabe o real motivo das críticas serem feitas (há ego do outro lado também) mas é bom que se abra um espaço para a reflexão. A nossa natural “defesa” bloqueia o que não quer ouvir, reforçando uma autoimagem criada para a nossa proteção. O preconceito e as ideias fixas nascem da mesma fonte.

Há momentos na vida para deixar fluir e outros para tomar decisões.  Não conseguiríamos viver somente nos alienando (ou não… há controvérsias sobre isso).

Quando você tiver que tomar uma decisão e estiver sendo pressionado para isso, não se precipite. Equalize o tempo da consciência e o tempo do mundo. Medite calmamente antes de agir. Não pense em prós e contras, cale-se, silencie e deixe que o Ser Interno dialogue contigo. As sincronicidades abrirão um canal de diálogo, se antecipando no tempo-espaço, e te dando o amparo necessário. Não postergue além do tempo e nunca faça nada pelas costas, mesmo que façam contigo. Seja claro e educado, mas não deixe de agir, pois as energias da procrastinação são poderosas, são como cantos de sereia que afundam os barcos até o fundo do oceano.

Quanto mais expandimos a consciência para fora de nossas “cascas”, e quanto mais ela segue adiante, se reconectando a milhares de outros seres encarnados e desencarnados, mais somos (re)conduzidos ao nosso interior. Fazer essa viagem, em busca de respostas conscienciais, nos leva de volta a um tempo em que a nossa falta de experiência nos permitia, incrivelmente, nos impressionarmos com quase todas as experiências. Aproveitando o dia das crianças, pergunto-lhe se você lembra como era o ato diário de “descobrir a vida”?

bebes-conversando-imagenes-de-amistad

Você consegue recordar da primeira vez em que foi tocado pela água ao tomar banhinho? Você se lembra de colocar todos os objetos na boca para senti-los, ao invés de usar o tato? E… Você se lembra da primeira vez que teve prazer ao falar mal de alguém? Muitas vezes, o que foi, é e será. Crescemos em tamanho, mas a cabeça e a alma, nem sempre. A diferença é que a pureza anterior e o prazer pelas descobertas dá espaço a formas distorcidas de comportamento, todas influenciadas pelo medo.

As sincronicidades espelham o grau de compreensão de “sua” realidade, seja ela “inventada” ou “mais consciente”. Ninguém é superior a ninguém, cada um tem e merece vivenciar as próprias experiências.  Assim, como você pode ter várias sincronicidades que te conduzam a nada ou à realização de sua manifestação egoica. Cada caso é um caso. Por isso mesmo, como poderíamos julgar alguém?

eike_2

Vejam o que a imprensa – e obviamente o lugar-comum – faz com figuras como Eike Batista. Há anos era endeusado, agora é tratado com escárnio pelos compatriotas, do senhor ao escravo. Teria o senhor Eike pagado agora, com juros, por erros do passado, pessoais e administrativos, ou toda essa revolução é o prenúncio do seu renascimento ou do nascimento de um ser humano?

As sincronicidades são naturais como são naturais os teus pensamentos. Basta discernir qual te fala mais  diretamente ao teu Ser Interno.

A história que relato agora, fala sobre as estranhas conecções e relações humanas.

Há um bom tempo, assisti a um vídeo no YouTube sobre uma advogada carioca que havia sido presa por agredir um policial com uma navalha, e é claro, por embriaguez. Na delegacia ela deu na cara de um policial, e ficou famosa com o bordão “me filma, me edita”. Há umas duas semanas, se não me engano, cismei de mostrar o vídeo a um amigo. Dias depois, lemos a notícia de que essa senhora do “me filma” veio a morrer, ao se atirar pela janela do apartamento da mãe, após ter tentado matá-la. Foi uma “coincidência” pensar em alguém que não conhecemos e  que veio a morrer dias depois? Foi uma previsão? Uma intuição sobre a morte de alguém?

Para além dessa notícia,  conversamos sobre várias coisas, trocamos experiências sincronísticas, e o amigo falou que ao passar em uma determinada rua, Vinícius de Moraes em Ipanema, no Rio, gostava de olhar os pequenos prédios de 3 andares e pensar nos dramas pessoais que certamente ocorriam em cada um deles.  

PREDIO-NARua-Vinicius-de-Moraes-277-incluido-na-Apac-de-IpanemaFoto-de-arquivo-de-Gabriel-de-PaivaO-Globo

Aí tivemos um estalo. Voltamos à matéria sobre a morte da advogada e vimos que o nome da rua era o mesmo. Lemos a declaração de um porteiro que dizia que o prédio da advogada era em frente a uma casa noturna, já fechada. Como detetives, fomos ao Google Maps e com um pouco de pesquisa, descobrimos o número da casa noturna, em frente à casa da advogada: 288. Eu nasci no dia 28 de agosto. Mais intrigante ainda é que havia uma lista de canções pintada na porta da casa noturna com o nome do autor da lista. Ficamos de cara: era o nome e o sobrenome de uma pessoa que havia casado com a irmã do amigo (de outro Estado).  E mais incrível ainda, para nossas caras pasmas, é que a irmã do cara do “nome na porta” foi casada durante dez anos com o irmão do meu amigo… Vai entender!…

Há mais laços inconscientes entre as pessoas e os fatos do que ousamos conjecturar. Estejamos nós separados pela distância, pelos modos ou pelas ideias. É como se uma imensa rede, ou uma teia de conecções com uma intrincada e delicada construção, pudesse unir elos infinitos, como se um espirro dado em um lado do planeta, afetasse alguém do outro lado do orbe e vice-versa.

Por isso é lícito, digno e fundamental tomar decisões baseadas em uma enlevada intuição e discernimento profundos. Não se deixe levar por ações motivadas pelo medo ou por relações de poder.

Obs: Há alguns anos, uma professora de astrologia leu o meu mapa natal e aconselhou: “Você deve lidar com a verdade sempre, em qualquer circunstância.  Mesmo que seja duro.”  É o que venho tentando fazer desde então, nem sempre com resultados, digamos, confortáveis.  Estamos unidos por simpatias, ideias afins e principalmente para vivenciarmos uma história coletiva, talvez em função dos nossos karmas. Não importa se você está certo ou errado, viver uma história mesmo que chegue ao fim é sábio. Não vivê-la por medo é um atraso. Não vivê-la por consciência é um direito. Porém, toda história boa tem o seu lado “ruim” e toda história “ruim” tem o seu lado bom.

 jung cor

JUNG, Carl Gustav. Sincronicidade. Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 2000, 10ª edição, volume VIII/3 das Obras Completas.

NOTA: Os números em colchetes referem-se à numeração original dos parágrafos e serve como referência para citação bibliográfica.

[959] Talvez fosse indicado começar minha exposição, definindo o conceito do qual ela trata. Mas eu gostaria mais de seguir o caminho inverso e dar-vos primeiramente uma breve descrição dos fatos que devem ser entendidos sob a noção de sincronicidade. Como nos mostra sua etimologia, esse termo tem alguma coisa a ver com o tempo ou, para sermos mais exatos, com uma espécie de simultaneidade. Em vez de simultaneidade, poderíamos usar também o conceito de coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos. Casual é a ocorrência estatística — isto é, provável — de acontecimentos como a “duplicação de casos”, p. ex., conhecida nos hospitais. Grupos desta espécie podem ser constituídos de qualquer número de membros sem sair do âmbito da probabilidade e do racionalmente possível. Assim, pode ocorrer que alguém casualmente tenha a sua atenção despertada pelo número do bilhete do metro ou do trem. Chegando à casa, ele recebe um telefonema e a pessoa do outro lado da linha diz um número igual ao do bilhete. À noite ele compra um bilhete de entrada para o teatro, contendo esse mesmo número. Os três acontecimentos formam um grupo casual que, embora não seja freqüente, contudo não excede os limites da probabilidade. Eu gostaria de vos falar do seguinte grupo casual, tomado de minha experiência pessoal e constituído de não menos de seis termos:

[960] Na manhã do dia Iº de abril de 1949 eu transcrevera uma inscrição referente a uma figura que era metade homem, metade peixe. Ao almoço houve peixe. Alguém nos lembrou o costume do “Peixe de Abril” (primeiro de abril). De tarde, uma antiga paciente minha, que eu já não via por vários meses, me mostrou algumas figuras impressionantes de peixe. De noite, alguém me mostrou uma peça de bordado, representando um monstro marinho. Na manhã seguinte, bem cedo, eu vi uma outra antiga paciente, que veio me visitar pela primeira vez depois de dez anos. Na noite anterior ela sonhara com um grande peixe. Alguns meses depois, ao empregar esta série em um trabalho maior, e tendo encerrado justamente a sua redação, eu me dirigi a um local à beira do lago, em frente à minha casa, onde já estivera diversas vezes, naquela mesma manhã. Desta vez encontrei um peixe morto, mais ou menos de um pé de comprimento [cerca de 30 cm], sobre a amurada do Lago. Como ninguém pôde estar lá, não tenho idéia de como o peixe foi parar ali.

[961] Quando as coincidências se acumulam desta forma, é impossível que não fiquemos impressionados com isto, pois, quanto maior é o número dos termos de uma série desta espécie, e quanto mais extraordinário é o seu caráter, tanto menos provável ela se torna. Por certas razões que mencionei em outra parte e que não quero discutir aqui, admito que se trata de um grupo casual. Mas também devo reconhecer que é mais improvável do que, p. ex., uma mera duplicação.

(RE) ENCONTROS

Alguém que você conheceu recentemente te contou que morava no mesmo prédio que você? Ou que estudou no seu colégio na sala ao lado e que você nunca a viu? Você já falou “não ponho mais os pés nesse lugar” e foi nesse lugar, que anos depois a sua vida mudou?

O processo inconsciente e sincrônico é fascinante, quando vivido, também, de forma “enviesada”, indireta. São acontecimentos não reconhecidos como importantes no exato momento em que ocorrem, mas que assumem a sua importância anos ou décadas depois.

encontros_praia

Recentemente, assisti a um documentário sobre Reidy, um arquiteto modernista. Desde menino, eu passava em frente a uma de suas obras, e nem sabia que ele a havia criado. Sempre fui fascinado pela beleza/feiura do “minhocão” ao lado do Planetário no bairro da Gávea no Rio de Janeiro. Reidy também é autor do famoso conjunto do Pedregulho em São Cristovão. Após ter visto o documentário, pesquisei sobre habitações populares nos anos 50 (o que de certa forma incluiria o conjunto dos prédios onde eu resido). Encontrei um trabalho acadêmico com as plantas de vários prédios construídos por associações ligadas a determinadas classes de trabalhadores. E durante a pesquisa, tive uma surpresa: um dos conjuntos se chamava 28 de agosto, data em que nasci, e na mesma página, surgiu um outro conjunto chamado Jorge Rudge, nome da rua de um grande amigo. Quando pesquisei sobre o conjunto 28 de agosto, mais e mais surpresas, como que me dizendo que datas, pessoas, escolhas e acontecimentos parecem ser pré-determinados.

Que relação poderia haver entre arquitetos, empreiteiros e alguém que apenas nasceu na data do nome do conjunto residencial? Eu não sei, mas nem por isso, pararei de buscar um por quê, nem que seja para me explicar os vários “erros” e “acertos” da vida. Nem que seja para me confortar. Durante a busca sobre este conjunto residencial, descobri um link surpreendente, que só pode ser explicado como uma questão kármica, isso se o leitor acreditar em karma.

Fui operado há alguns meses e dormi em um quarto com um leito a mais. Um paciente passou a noite comigo, e de manhã, a caminho do banheiro, dei bom dia ao desconhecido. O meu amigo da Jorge Rudge, citado acima, foi me visitar. Qual não foi a surpresa dele ao ver que ele conhecia a namorada do outro paciente?

encontros

Alguém na rua já te chamou a atenção, e horas depois, você cruzou com a mesma pessoa, em outra rua, em outro bairro? Estranho, não é? Mas e quando isso acontece, cinco vezes, em bairros diferentes com a mesma pessoa e aparentemente isso não tem significado algum? Será que terá? Será que as decisões de uma pessoa que te chama a atenção, que está em contato indireto contigo, pode influir em sua vida?  A teoria dos seis graus de separação, seria uma resposta? Mas nem isso explicaria as várias nuances desses encontros.

Será que elocubro, imagino coisas, deliro?… Depois que vivenciamos essa experiência, não randomicamente,  certamente a pulga atrás da orelha fica tão pesada que não há mais como não pensar que há uma inteligência, uma conecção inconsciente que guia os passos de todos nós, para objetivos não muito claros.

No Espiritismo, se diz que tecemos acordos no além-vida antes de reencarnarmos. Seriam esses acordos tão extensos que nos envolveriam, como diria Jung, em uma teia quase tão extensa quanto a vida?

Essa “cola” que nos liga poderia se chamar Deus?

O CORNETEIRO E O ALMIRANTE.

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Diariamente convivemos com as sincronicidades. Se estão constantemente conosco, não nos surpreendemos tanto, as tratamos como amigas. Se tardam a ocorrer, as tratamos como fenômenos. Hoje, quarta dia 17 de abril de 2013 completou-se um ciclo de acontecimentos sincronísticos.

Logo de manhã, o interfone do apartamento que pouco toca, “me chamou”. Quando o atendi ouvi uma senhora com a voz muito parecida com a de minha mãe, desencarnada há 6 anos,  chamar pela “Lurdinha”, que era o nome de uma de suas melhores amigas. Disse à senhora que era engano, mas depois que desliguei imaginei o seguinte diálogo:

– Oi Mãe! Sou eu, seu filho.

– Oi meu filho, como você está?

– Tô bem, Mãe, mas esse telefonema não foi uma desculpa para falar comigo?

– Sim, meu filho… (ela confessa) Liguei para te dizer que está tudo bem.

Os sinais? Visíveis.

Ao assistir hoje, dia 17 de abril, ao jornal de meio-dia, descobri que um ônibus havia perdido a direção às 9h30 da manhã e se chocado contra uma banca de jornais e a portaria de um prédio aqui perto de casa. Graças a Deus não houve mortes, mas além do desastre físico, senti o evento como uma mensagem que referendava a “mensagem de mamãe”: que estava tudo bem. Na esquina do acidente, há uma estátua que adoro: a do corneteiro Lopes (meu sobrenome), que participou de um dos eventos mais bizarros durante os conflitos pela nossa independência em 1822.

Corneteiro Lopes.

Corneteiro Lopes.

Na matéria da TV sobre o acidente não dava para saber se o monumento ao corneteiro Lopes havia sido atingido. Desci para saber. Incrivelmente, a estátua estava intacta e tudo ao redor destruído. Dava para ver a marca dos pneus no asfalto que passaram rente ao monumento… Quando vi o Lopes inteiro, senti a proteção espiritual em andamento, o olho que tudo vê. A intocabilidade da estátua era um evento sincronístico do mesmo nível da sincronicidade que relato ao final deste texto, como se fossem a cauda e a boca do Ouroboros.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/04/onibus-invade-calcada-em-ipanema-na-zona-sul-do-rio.html

Essa semana fez 101 anos do afundamento do Titanic. Estou acompanhando uma série sobre a tragédia e revi um documentário de 2 horas sobre a mais detalhada pesquisa feita nas profundezas do oceano. A série fala sobre os conflitos humanos à bordo do transatlântico. Conflitos humanos… A conclusão da história do Titanic, o transatlântico que “nem Deus afundaria” em 1912, é que a humanidade parece ter buscado a primeira e segunda guerras mundiais, graças a tanto preconceito, belicismo, racismo, e falta de noção. E tudo isso bem exemplificado no universo de um navio.

Titanic_Trailer

Ano passado, ao assistir ao mesmo documentário – por causa dos 100 anos do afundamento -, penetrei em uma nova fase da vida, um marco entre o antes e o depois. Misteriosamente, os acontecimentos que vivi e vivo, desde então, foram profetizados por um conhecido, exatamente como vieram a acontecer. Sinais fortes como choros convulsivos e inexplicáveis, sempre perante a mesma cena, ocorreram durante 3 anos consecutivos. O que percebi, e o que acredito, é que tudo o que ocorre conosco foi planejado antes mesmo de encarnarmos. Acredito que todo o mal e o bem são ilusões e farsa – no sentido teatral – com o objetivo de interpretarmos nossos papeis neste teatro cósmico para, obviamente, aprendermos algo. Hoje na quarta, dia 17,  logo após o telefonema, “nem sei bem o por quê”, li esta passagem na wikipédia que explica o que, creio, ocorre comigo e provavelmente com os leitores:

revista

“Em seu livro Muitas Vidas, Uma Só Alma, o Doutor Brian Weiss apresenta uma nova concepção sobre a teoria reencarnacionista: o estado hipnótico de progressão a vidas futuras. Segundo o psiquiatra, tais progressões poderiam ser consideradas alucinações se não houvessem concordância com a realidade, contudo, afirma o psiquiatra que milhares de seus pacientes que chegaram neste estágio hipnótico acabaram por revelar semelhança entre os fatos que viam, como o reconhecimento de si mesmo nessas ações futuras, sendo elas consequências das escolhas feitas pelo indivíduo no decorrer de sua vida atual ou de muitas de suas vidas. Esse conceito é exposto, com outras nomenclaturas, por exemplo, na filosofia contemporânea do pensador francês Jean-Paul Sartre, o qual, embora não crendo em qualquer existência de uma alma, afirma que o indivíduo é um “ser” simplesmente por sua capacidade de fazer escolhas e que tais escolhas são a projeção desse indivíduo no mundo e também as responsáveis pela definição de seu futuro”.

O que quero dizer é que as escolhas que geram os fatos que acontecem hoje, foram feitas antes mesmo de encarnarmos, antes mesmo de sabermos quem somos, ou quem achamos que somos.

Há pouco tempo, começaram a construir uma estação do metrô na porta de casa, na verdade na praça onde cresci, ao lado do apartamento. Mas a avenida em frente de casa foi interditada e assim ficará durante anos. Para prosseguir com a obra, decidiram matar a minha amiga árvore que me acompanhou durante toda a vida. A proximidade era tanta que a árvore encostava em minha janela. Para mim era natural olhar pela janela e ver uma floresta formada por várias árvores, mas havia uma, especial, que me acompanhou a vida inteira e com quem me comuniquei durante décadas.

Aperto de mãos.

Aperto de mãos.

Um dia, acordei enjoado. Foi quando ouvi o barulho de uma motoserra. Eram 10 da manhã. Só deu tempo de pegar a câmera e registrar os últimos minutos de minha amiga. A cumprimentei antes que fosse cortada em mil pedaços. Ela se foi porque o progresso a condenou.

A pedra no sapato.

A pedra no sapato.

Desmatamento.

Desmatamento.

A morte de minha amiga-árvore me levou a encontrar uma foto minha com 4 meses na praça onde será erguida a estação do metrô. Quando vi a foto fiquei abismado… No fundo está o monumento à Saldanha da Gama, revoltoso da segunda revolta da Armada contra o governo Floriano Peixoto.

Pai e Filho.

Pai e Filho.

Em frente a  este mesmo monumento, em 15 de setembro de 2012, tive uma das experiências sincronísticas mais fortes de minha vida: saber o nome definitivo do meu filho. Um nome, para dizer o mínimo, escolhido por Deus. Quando esta foto foi tirada em 1962, ela já antecipava, como uma máquina do tempo, que o meu filho nasceria em 2012.

Tudo está escrito. O antes e o depois. Um quarteirão é o mundo inteiro. As sincronicidades são as portas e está tudo bem.

https://sincronicidademagica.wordpress.com/2012/09/16/razao-de-alegria/

https://historiacantada.wordpress.com/2011/10/25/saldanha-da-gama/

A Sincronicidade Papal.

Escrevo em um momento no qual as sincronicidades se sucedem de forma ininterrupta, quase que afogando toda e qualquer possibilidade de neutralizá-las. Tão fortes são, que fazem o favor de referendar toda racionalidade e de refutá-las paralelamente. Significa que as duas energias pretensamente opositoras (luz e trevas) estão em paz, harmônicas, em profunda compreensão de si mesmas. Esse é um grande sinal, um símbolo de esperança, e de grandes mudanças prestes a acontecer.

Mesmo que muitos leitores não estejam vivendo o que relato aqui, sinto que todos os que sintonizarem com a fonte-mater – até mesmo porque estão aqui -, viverão os fenômenos em pouquíssimo tempo. E por que, digo isso? Porque há marcas externas, visíveis, palpáveis do inconsciente coletivo em ação, agindo no plano material. Quando a história externa referenda a interna, é porque já emergiu.

É importante frisar que a energia se expressa em aceitação e não-aceitação, leveza e não-leveza. Os elementos se fundem e dissociam. Percepção imediata de fenômenos espaço-temporais.

Fatores externos:

 1 – O Papa renunciou. Não há nada mais simbólico: o Papa falou em deixar o “mundo de vaidades” para viver isolado.  Alguns aguardam a chegada do Papa “negro” de Nostradamus, que pode não ser etnicamente negro, mas alguém que trará a “escuridão” ou que a antecipe.

2 – Às 17h25 de sexta dia 15 de fevereiro, um asteróide, símbolo imemorial de grandes mudanças, do tamanho da metade de um campo de futebol, passa a 27 mil quilômetros da Terra, uma distância considerada bem pequena. Asteróides e meteoros são símbolos mágicos desde a antiguidade.

3 – Ocorrerá um aspecto astrológico chamado Stellium (conjunção múltipla) em Peixes, com Netuno, Quíron, Marte, Lua, Sol em Mercúrio, todos em Peixes entre 10 e 12 de março. Peixes é o signo do entendimento espiritual, da iluminação, da prisão, da destruição (ou da autossabotagem), da confusão e do desconhecido, dependendo de como as suas energias são usadas. “Há um foco intensamente espiritual que ou desafia a nossa humanidade ou nos capacita a nos alinharmos plenamente com a nossa divindade”.

Fatos diários:

Já havia escrito que quando encontro com algum “buscador” com quem tenha intimidade ou se estivermos em busca de respostas inconscientes, a dupla de amigos somatiza as energias, que se avolumam e quantificam-se, em termos de mecânica quântica mesmo. Ficamos mais sintonizados e isso nos proporciona o acesso ao tempo futuro. E um futuro próximo.

O que pensamos se materializa no minuto seguinte. Se você foca a sua mente em algum assunto continuamente, se foca em um aspecto, não há lucro, mas perda de tempo, perda de energia, pois coloca-se o ego, as vontades pessoais acima do “acaso”, do livre viver. A energia sincronística não é para ser pensada, reforçada, mas para ser deixada em paz para que ela flua.

Desde o início do ano, percebemos que através de simples diálogos, frases naturais saídas do “nada”, comentadas entre pessoas com energias afins, os pensamentos m,ais inusitados se materializam, em poucos minutos, ou no máximo em poucas horas e o “descarrego” é impactante, tipo um-atrás-do-outro.

O fenômeno mostra que a nossa percepção extrassensorial está sendo aprimorada, como um gigantesco e ilimitado arquivo de respostas disponível para os interessados na forma de um www espiritual que acessamos inconscientemente. As respostas nos dão esperança, nos fortalecem e nos preparam para os dias vindouros.

1 – Vemos o futuro próximo com bastante facilidade e leveza através de simples ideias que nos ocorrem.

2 – As nossas falas se concretizam fisicamente através do veículo que estiver mais à mão, na maior parte dos casos à sua frente, na rua ou em casa, através de um computador ou TV.

3 – A percepção desse “futuro” envolve links com o passado distante que se reconectam no presente. Atemporalidade.

No final de janeiro vivi 5 dias seguidos com tantas mas tantas sincronicidades, como nunca havia vivido antes. Foi fascinante. Nesta semana, a semana do Papa, praticamente quase tudo o que falávamos ou pensávamos, sem muita substância deu as caras. Dois dias de pensamentos sem qualquer sentido, entre outros mais profundos, se materializaram na TV. E como isso acontecia? Eu zapeava pelos canais, sem qualquer lógica, apenas obedecendo uma “vontade”, a uma “sensação” de “vou parar por aqui”… A cada canal uma sincronicidade, uma materialização. Uma fala dita horas antes, se transformava em fato na TV; ao mudar para outro canal o mesmo acontecia com outro pensamento. Foram mais de 30 materializações, das mais singelas às intrincadas, na sequência. Para mim, um recorde.

Não há como listar todas as sincronicidades, esse é apenas um curioso resumo do resumo…

   14_Sandra-Brea-capa-Veja-1993

Lembramos de artistas do passado – recente – esquecidos neste mundo de famosidades. E lembrei de Sandra Bréa, de como a Globo deu-lhe algum espaço, ou pontas em novelas para ela ganhar um dinheiro extra, durante a doença. Falamos de aids e preconceito… Uma amiga usou o termo “sumida”, “defenestrada”, e o termo mais louco: “invisível”… Comentei como seria legal se o Canal Viva exibisse o programa musical da Sandra Bréa. Horas mais tarde, La Bréa surgiu em uma micro-ponta de novela, sem falas, sem olhar diretamente para a câmera, totalmente “invisível”…

Na semana passada, uma “intuição” me “aconselhou” a comprar no supermercado, o molho importado Heinz assim que o vi. Nunca me interessei pela marca, nem gosto de molho. Hoje, no dia que posto este texto vejo no noticiário que um grupo de empresários brasileiros comprou a… Heinz.

Um amigo querido tem uma relação pessoal muito especial com a cidade de Laguna. Assim que liguei a TV, caí no canal NGT, que exibe filmes  dos anos 30 e 40. No primeiro segundo, em um filme americano preto e branco surgiu uma boate com o nome Laguna. Esse amigo mora próximo a Vila Isabel, a Vila ganhou o carnaval do Rio.

À tarde ouvi uma música do Queen na rua, mas estava tão distante que tive que prestar bastante atenção. Zapeando vi o Amin Khader falar sobre o Freddie Mercury no Rock In Rio 1985.

Comentei sobre a história do Morro da Conceição. Um dia depois na TV, vi parte de um documentário sobre o morro da…

Fui com um amigo ver uma exposição sobre desenhos animados. Vimos um trecho de um filme mudo em preto e branco sobre o navio Lusitânia afundado pelos alemães na primeira guerra. Vi no telão, que um grande desportista da época chamado Vanderbilt (Alfred Gwynne Vanderbilt /1877 – 1915) havia morrido no naufrágio. Lembrei do disco dos Wings – de Paul McCartney – com um tema com o mesmo nome. Me perguntei se poderia ter sido uma inspiração nascida dessa história, pois o Lusitânia havia partido do porto de Liverpool (terra dos Beatles). O mais incrível é que uma amiga descobriu que o tal Vanderbilt, que morreu no Lusitânia, teve uma intuição de não entrar no Titanic, intuição essa decidida tão em cima da hora de partir, que o nome Vanderbilt saiu na primeira lista de mortos do Titanic, isso sem ter morrido. Na TV, falaram que o filme Titanic será relançado (acho que foi isso que ouvi) em 3D.

Em uma exposição, vi a roupa do Marechal Deodoro da Fonseca. Na mesma semana, em um programa de TV que gosto, o personagem era o Marechal…

Brindamos o ano novo. Na rolha da bebida havia números e símbolos. Imagine que seu nome é Carlos Lopes e sua idade, 50 anos. Na parte superior da rolha estava escrito C.L. 50.

14_Carlos_Latas_Coca

Estava triste. No mesmo instante, uma amiga enviou uma foto feita em um supermercado com uma fila de Coca-Colas – que eu adoro – com meu nome.

Em uma praça, um menino, com menos de 5 aninhos, chamava o pai. A criança estava atrás de mim. O pai não aparecia e ele continuava a gritar: Pai! Pai! O pai apareceu – de saco cheio – e perguntou, o que foi. O menino apontou para o espaço à frente e disse aqui, aqui. O menino apontava para o chão, à altura dos olhos dele, como se visse algo. O pai ergueu o filho, colocou-o no ombro e o levou de volta, dizendo “não há nada aqui meu filho”. O menino, nas costas do pai, sem que ele visse, olhou para mim e acenou, rindo, como se nós dois víssemos algo que ninguém enxergava.

Falei sobre uma raça de cachorro que eu gostaria de ter. O cão passou com a cabeça de fora, na janela de um carro, um minutinho depois, latindo em minha direção.

Às 22h vi que seria exibido um filme na TV que poderia interessar a um amigo. Digitei mensagem de texto o avisando. Antes que terminasse o meu texto, chegou uma mensagem dele me avisando sobre o filme.

Vi na casa de uma amiga uma reprodução de um quadro de Bosch. Dias depois, liguei a TV e começou a ser exibido um documentário sobre o quadro.

Falei sobre Dom Quixote e os seus moinhos de vento. Um pouco depois, zapeando deixei em um canal de TV. Pouco depois, passou um documentário sobre moinhos de vento. Em seguida comentamos como Carmem Miranda, como a sua “figura” anda sumida do carnaval. Em um programa “nada a ver”, surgiram três “figuras” animadas, uma delas a Miranda.

Um desconhecido veio falar comigo na rua. A tatuagem dele era a mesma do filho de uma amiga que estava ao meu lado.

Assisti a um documentário sobre uma posse presidencial, ocorrida no prédio da Biblioteca Nacional em 1922. Horas depois, uma amiga perguntou se eu poderia levá-la à Biblioteca Nacional…

Pope Benedict XVI waves as he leads the Sunday mass during his one day pastoral visit to the Italian southern city of Lamezia Terme

Por fim, comentei com amigos sobre  minhas renúncias atuais, de como me sentia e para coroar o que sentia, na mesma semana, o Papa Bento XVI renunciou… Acrescente-se a tudo isso um dado lembrado pelo teólogo Leonardo Boff: “Bento XVI é (…) um especialista em Santo Agostinho. Eu nasci no dia 28 de agosto, o mesmo dia e mês que Santo Agostinho “renunciou” à vida. O Papa Bento XVI renuncia em fevereiro no dia… 28.

O próprio Boff antecipou a renúncia – ou a desejou – na mesma entrevista para a revista IstoÉ em abril de 2010: “O papa, para o bem dele e da Igreja, deveria renunciar.”

A história do Papa negro tem início na profecia de São Malaquias que se referia “A glória da oliveira”, uma provável referência  à ordem da São Benedito, cujo símbolo é a oliveira e cujo santo, São Benedito, é negro. São Benedito nasceu no dia 31 de março, data de nascimento do meu único irmão.

 A centúria I, quadra 43 de Nostradamus:

 “Antes que advenha a mudança de império

Virá um caso bastante maravilhoso

 A fortaleza mudada, o pilar da rocha

Mas transmutado sobre o rochedo negro.”

 O Império = Igreja Católica, O caso maravilhoso = a renúncia do papa, A rocha = o primeiro papa, a primeira “pedra” é Pedro, A fortaleza que mudará = o pilar da rocha (papa) é o Vaticano, A rocha sendo transmutada = a mudança de papa, O rochedo negro = o papa negro.

 As Profecias de São Malaquias foram escritas depois de uma viagem a Roma, onde São Malaquias – nascido em 1094 na Irlanda –  foi recebido pelo Papa Inocêncio II. São compostas por 111 divisas em latim, correspondente a 111 pontificados, a contar do Papa Celestino II até ao último Papa. Foram publicadas pela primeira vez em 1595, na obra Lignum Vitae, pelo chamado Monge de Pádua, que também se intitula profeta e, ao que parece, as teria acrescentado, tais divisas prevêem fatos relacionados com cada um dos 111 pontificados (incluindo os 10 pontificados dos antipapas, do século XII a XV).

De acordo com as profecias, Bento XVI seria o penúltimo Papa da Igreja Católica Romana. Sobre o Papa que virá após Bento XVI, São Malaquias escreveu:

In persecutione extrema S.R.E. sedebit Petrus Romanus,

qui pascet oves in multis tribulationibus,

quibus transactis civitas septicollis diruetur,

et Iudex tremêndus iudicabit populum suum.

Finis.

O que pode ser traduzido por:

então Na perseguição final à sagrada Igreja Romana reinará Pedro Romano,

que alimentará o seu rebanho entre muitas turbulências,

sendo que então, a cidade das sete colinas (Roma) será destruída

e o formidável juíz julgará o seu povo.

Fim.

A esta divisa, o Monge de Pádua colou as seguintes palavras apocalípticas:

Na suprema desolação do mundo, reinará Pedro Romano, último Pontífice de Deus verdadeiro. Roma criminosa será destruída e o Juiz tremendo julgará, triunfante, todos os povos.

 

Os Mortos Falam

Sonhos, ou projeções inconscientes, são armas poderosas de contato entre o mundo tridimensional e o lúdico. Nas últimas semanas, tive alguns sonhos com desencarnmados. Pessoas próximas, de outros Estados inclusive, me ligaram para relatar seus sonhos comigo, sonhos esses de quem não conhece minhas intimidades, mas que foram descritas com minúcia.

Dois mortos entraram em contato comigo, um de forma mais direta, me avisando sobre sua morte e outro, de forma indireta.

1 – Primeiro foi o artista chileno Jorge Selarón que ficou famoso mundialmente por ter enfeitado uma escadaria do bairro da Lapa no Rio de Janeiro com ladrilhos e ter feito o dia-a-dia das pessoas mais feliz. No sonho, ele conversou comigo, um pouco assustado, olhando para os lados, como que temendo a presença de alguém. Dois dias depois do sonho, o seu corpo apareceu queimado – e eu não o conhecia. Até agora não sabem se foi “suicídio” ou se “ele se matou”, desgostoso da vida. O único link que poderia haver entre ele e eu é a arte, pois eu nunca conversei com ele pessoalmente e nem frequento a Lapa, que sinto como um local de vibrações muito baixas. O único recado que ele me deu durante o sonho foi a antecipação de sua morte ou o temor de que ela poderia ocorrer. Mas, o que eu poderia ter feito? Ter ido a Lapa conversar com ele?… Me pareceu que no sonho, ele já dava a sua morte como certa. E a última vez que fui à Lapa, tive uma experiência no mínimo surreal: algo para se pensar durante um bom tempo. E quanto à premonição, como se diz, de que adianta avisar alguém sobre um eminente perigo, se ele já está “aqui”; se ele, o perigo, é parte de um processo necessário?

Selarón-Foto-de-Camila-Uchôa

2 – Há pouco tempo, o ator Walmor Chagas se matou… Não importa as razões, catarata, abandono ou depressão, ele se desfez da vida neste plano. E caso ele tenha sido “suicidado”, isso não importa mais para um corpo cremado. Chagas nasceu em 28 de agosto – o mesmo dia que eu – e morreu com 82 anos (28 ao contrário). Só isso já me chamaria a atenção, ainda mais para quem, como eu, praticou um ritual de morte antes da passagem de 2012 a 2013.

Morte, mesmo que não seja física, é algo que eu objetivo: morte do EU, morte de um passado que já não me serve… Walmor não falou comigo em sonho, a  ligação foi a data de nascimento e uma informação – indireta – que soube dois dias depois. Antes de se matar, ele havia pedido para que as suas cinzas fossem jogadas na Serra da Mantiqueira. Na verdade, as cinzas foram depositas em seu sítio em Guaratinguetá, um município do Estado de São Paulo, localizado na região do Vale do Paraíba. Dois dias antes da morte do Walmor, assisti “sem querer” a um programa na TV Brasil sobre o vale, um programa instigante, diferente, lúdico. O programa Caminhos da Reportagem me chamou tanto a atenção, que o assisti na íntegra. Há pessoas residindo no vale, umas deprimidas, fora de sintonia, outras totalmente adaptadas ao mato, à falta de médicos, a falta de condições, mas cheias de vida. Uns disseram no programa que “tudo ali estava morto“, outros que “ali estava tudo bem”. Uma psicóloga falou sobre fantasmas de escravos em uma antiga Casa Grande da região. Depois, outro personagem falou sobre lobisomens. Enfim, talvez o programa tenha me encantado pela sua diferença de propostas, para quem como eu, vive em uma cidade grande. talvez tenha gostado pois estou cansado dessa correria e barulho, e mais conectado à simplicidade e a um ritmo mais lento, em que se desfruta mais a vida.

Mas havia outra informação, essa subliminar, e antecipada: que “alguém” nascido no meu dia e residindo no vale tomaria  a última das decisões, pelo menos NESTA vida.

walmor

Martin Luther King em seu mais famoso discurso em 28 de agosto de 1963 disse: “Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.”

Caminhos da Reportagem (vale do paraiba)

Em 10 minutos a mais antiga farmácia do Brasil que necessita ser restaurada e não há dinheiro
“Mares de morros” em 19 minutos (o desenvolvimento não chegou lá).
28h30 – ex-atriz que virou doceira e vive em um sitio no qual ela vende doces e aluga para pessoas que acampam as pessoas são mais felizes.
40h30 – escravos.

Dias 12 e 21 de dezembro de 2012: uma revolução.

O ano terminou  com duas datas de grande significado: os dias 12 e 21, ambas ocorridas no último mês do ano.  No Tarô, a carta 12 é o “pendurado” que significa mudança s e o 21 é o “mundo”, a ordem que surge do caos, a vitória, a finalização das obras. Uma repetição de números/datas no mesmo nível do 12 do 12 do 12 só ocorrerá novamente no primeiro dia de janeiro de 2101, ou seja, daqui a quase 89 anos. E o dia 21 marcou o fim do mundo (digo “marcou”, pois para mim marcou mesmo). Nada foi mais intenso do que 2012.

taro_dependurado

Muito se falou da importância dessas datas para uma percepção mais clara de como nos sentimos em relação ao mundo. Compreender o significado desses símbolos, no caso númericos,  nos faz compreender que espécie de sentimentos nos encaminham à determinadas opções pessoais e profissionais. A vida não é loteria e nem guerra, a vida é oportunidade e escolhas. Parece interessante que  o destino, a sorte nos acompanhe nesta jornada, porém melhor do que a sorte, podemos nos tornar os senhores de nossos destinos.

A data de 12 do 12 do 12 era boa demais para que passasse em claro (mesmo que já tivesse ocorrido no Japão. O que importa é o seu ponto de vista, a sua percepção da “realidade”). E melhor do que isso: teríamos dois horários para celebrar a data: à meia noite e doze minutos e ao meio dia e doze minutos.  Seria uma oportunidade única para quem sabe que o inconsciente é a resposta para toda ação consciente. Conectar-se aos números é como conectar-se a si mesmo: perceba as coincidências, sinta na alma o que elas te dizem, que decisões você poderia tomar, que caminho seguir. A sincronicidade te permite ver tudo com mais clareza.

12 do 12 do 12 às 12h12.

Combinei uma meditação coletiva com alguns amigos e recomendei que os mais “ocupados” dessem um “perdido” no trabalho, fossem ao banheiro,  se trancassem em algum local, mas que não deixassem de meditar.  Alguns conhecidos meus têm amigos da bola, outras da farra, eu tenho amigos sincrônicos ou sincronísticos, seja qual for o termo que o leitor achar mais adequado. Meus amigos literalmente não surgiram à toa em minha vida, eu não os escolhi por afinidades, nós nos escolhemos através de caminhos, anteriormente misteriosos, que se transformaram em odes à compreensão de quem somos.

Trabalhei desde cedo no dia 12 do 12, mas de bom grado, consegui dar o meu “perdido” e voltei para casa mais cedo. Calculei a duração da viagem de ônibus e consegui chegar em casa às 11h28. Não houve engarrafamentos ou interrupções, melhor assim. Em casa, tirei minha roupa suada e vesti uma camiseta branca. Faltava dez minutos quando recoloquei os pés na rua, mas não tinha planejado com antecedência onde meditar às 12h12. Só não quis meditar em casa. No mesmo instante, tive um insight que me fez seguir a direção de um parque ao lado de casa onde eu e meu irmão brincávamos.

carlos_crianc_praca

A praça é ladeada por um canal artificial, com águas turvas e paradas. Por acaso, a praça estava enfeitada com vários presépios em função do natal que se aproximava. Intuído,  me dirigi a um dos ancoradouros que ladeiam as margens da pracinha e vi que ele havia sido transformado em uma espécie de ateliê, com um banquinho e um quadro que exibia um estilizado nascimento de Cristo. Com o tempo voando e precisando meditar pelo menos um pouco antes da hora programada, sentei no banquinho, e concentrei toda a atenção na pintura, fechei os olhos e meditei prestando atenção ao palpitar do meu coração. Uma vibração poderosa tomou conta do meu corpo, que tremeu.

P12-12-12_12.23

Nesse momento, a partir do meio dia, os desejos, o meu e do universo se deram as mãos. Uma harmonia profunda me distanciou do notório dia-a-dia, muitas vezes, cansativo. Senti uma paz absoluta, relaxada, diferente das meditações que pratico. A vibração do 12 foi mais forte, como se estivessem me faxinando, e senti, de uma maneira não racional, mas simbólica, que as batalhas de 2012 haviam chegado a termo, que nada havia sido perdido. Calmamente ao abrir os olhos, vi o relógio: era 12h21. Sempre números… Os 21 minutos finais me lembraram da próxima – e importante – meditação: a do dia 21.

Dia 21 do 12 do 12, o fim do mundo.

Puxei uma carta do Tarô de manhã: deu 12.

Marcaram uma consulta médica para mim nesta data há pelo menos um mês e eu ainda não havia me dado conta de que era a data do fim do mundo. A médica que em atendeu tinah vitiligo e falamos menos de mim e mais dela. Quis ouvi-la e soube do preconceito que ela sofre por causa da doença, mas também a ouvi falar de sua paixão pela profissão, pelos filhos, e por Lacan. Ao sair da consulta, comecei a me sentir mal devido ao calor que faz na cidade (43 graus) e senti uma intensa dor física, que me prostrou durante o dia inteiro. A dor me fez intuir de minha limitação, das limitações de um corpo fragilizado contra uma mente em atividade. A dor me fez reduzir o ritmo, me fez descansar e ficar deitado.

A partir daí intuí que:

1 – Em primeiro lugar, deveria cuidar da minha saúde. Não dá para ajudar ninguém e nem cuidar do meu filho, sem condições.

2 – Faço coisas demais. Cortar os excessos e descansar.

3 – Morrer junto com o fim do mundo.

À noite, mesmo com alguma dor, voltei à pracinha dos presépios, que estava cheia de crianças, linda, iluminada sob uma lua cheia. Vi Mamães Noel, Papais Noel e gnomos dançando; havia famílias e crianças felizes, vivendo o lúdico, mesmo que por alguns instantes. Me lembrei das brincadeiras, na mesma praça, quando eu era criança. Senti o ímpeto de me dirigir a algum lugar, à algum presépio, para fazer parte de um “encontro”. Um amigo me conduziu, sem saber, para o meio de um deles, e exatamente entre os Reis Magos ou Apóstolos, senti uma energia de conecção atravessar meus corpos. Dirigi meu olhar para uma das figuras, que me conduziu em espírito aos 4 Evangelistas em frente à Catedral de Brasília.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Foi assustadoramente belo. A energia da escultura era a mesma do Apóstolo João. Meu corpo tremeu todo. Me sentei logo em seguida até poder voltar para casa. A partir desse dia 21, tomei várias decisões.

Praticar rituais fortalece a intuição, que gera mais insights que nos conduzem a respostas. Ao fortalecer o link com seu inconsciente, através de “jogos”, de “brincadeiras” com as sincronicidades, a sua voz interior se torna mais clara, sem véus de mistérios. Por exemplo, rezar ou meditar diariamente, desculpem-me a comparação, é a mesma coisa que desejar a mulher do próximo… Ambos são rituais nos quais  a mente e o espírito focam um determinado objetivo. Ambos são pedidos, não importa de que espécie sejam. Sem julgamentos. O nível de sua compreensão do mundo e de si mesmo, depende da qualidade do seu pensamento.

2012 é o encerramento de um ciclo que teve vários inícios, mais especificamente ao finalizar/iniciar um em 2008 e outro em 2010. Nesse caso, são ciclos evidentes de 2 em 2 anos.  O destino me levou a trabalhar com crianças entre 2010 e 2012, o que fez e faz toda a diferença em minha vida.

Intuído pelas datas de 12 e 21 decidi iniciar uma vida nova, real, antecedida por um forte ato simbólico. Escolhi renascer através da sequência Crística de crucificação, morte e ressureição, conforme é ensinado nas sociedades iniciáticas. Decidi praticar um ato de grande simbolismo e impacto emocional: enterrei minha carreira de 32 anos em caixas, túmulos/caixões.

100_5950

Para seguir ao encontro do próximo estágio de vida, visualizei a mudança mentalmente, e em seguida pratiquei um ritual de morte física. Nesse caso, o enterro de quem fui não é apenas um ato meramente simbólico, é real. Saber que meu EU anterior está enterrado é um ritual poderoso. Confesso que não há muita diferença entre literalmente saber que o passado “está lá” ou deixá-lo dentro de um caixão para apodrecer. Literalmente, queimar todo o material seria um ato extremamente rebelde e um tanto despropositado, mas nada, nada mesmo, impede que eu venha a fazer isso. Após ver as caixas cheias com mais de 3 décadas de alegrias, lágrimas e suor empacotadas, me senti transmutado e livre, pronto para o novo.