Nossa vida é um filme

Meu irmão me deu convites para um festival de cinema brasileiro. “Por acaso” o cinema é ao lado de casa, o que facilitou a vida. Como ele mora longe, doou os ingressos ao irmão fissurado em sétima arte. Os filmes foram escolhidos aleatoriamente. Ele apenas “saiu pegando” os convites que via pela frente antes que acabassem. Eu também não procurei muitas informações sobre as películas, apenas administrei meu tempo para assisti-las. Em um dos filmes, o escritor Ariano Suassuna disse qual foi o primeiro filme que ele havia visto na vida: o mesmo desconhecido filme dos anos 1930, que eu havia descoberto na internet há uns 6 anos para utilizar na edição de um vídeo. Ariano havia assistido a um filme “por acaso” para 70 anos depois, eu descobrir o mesmo filme “por acaso”. No momento, estou bem dedicado a escrever sobre o Brasil. Literatura e Brasil parecem uma forte e amorosa conexão com Suassuna.

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Em outro dia do festival, um documentário citou um jornalista, famoso por textos virulentos e matérias polêmicas no século XX: David Nasser.  Lembrei que o mesmo havia tentado polemizar com o médium Chico Xavier. Não sei se todos conhecem a história, relatada no filme de 2010 sobre o espírita, mas Nasser se passou por um jornalista estrangeiro, para entrevistá-lo. Ao fim da entrevista, Chico brinda os dois “gringos” (incluindo o cineasta/documentarista Jean Manzon) com livros autografados. O objetivo da entrevista era desancar o médium, acusando-o de charlatanismo por não ter desconfiado que os jornalistas o haviam enganado. Um tempo depois, Nasser recebe uma ligação telefônica de Manson que pede para que ele leia a dedicatória na primeira página do livro presenteado por Chico. Ao abrir o livro lá estava: “Ao meu irmão David Nasser, do espírito Emmanuel.” O mesmo havia ocorrido com Manson.

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Pronto para mais uma noitada de filmes, dessa vez com a atriz reclusa, Ana Paula Arósio, pensei em rever no dia seguinte, o trecho do David Nasser no filme sobre Chico Xavier. E lembrei-me que a única vez que vi Arósio em carne e osso, foi no Paço Imperial, no centro do Rio, em 2010, quando ela estava gravando uma série para a Globo, com o ator José Wilker.

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Quando os dois passaram por mim, não nego que senti algo, digamos “estranho”. Já escrevi em um texto anterior que o Wilker cruzou a rua junto comigo em 2014 e quando nos olhamos, vi o medo em seus olhos. Logo depois, ele morreu.

Essas lembranças antecedem o ato “final” do festival, “dramático” como uma peça de Shakespeare.

Fui sem quaisquer expectativas para assistir ao filme com Arósio. Na entrada, passei ao lado do ator Nelson Xavier e me perguntei o que ele estava fazendo ali. Nem lembrei que ele havia interpretado Chico Xavier no filme de 2010. Assim que a película teve início, vejo Chico Xavier na tela, ôps, Nelson Xavier e me dou conta do por que o ator estar presente no local. Então, em uma cena, Arósio põe um vinil para tocar. Xavier diz como a música é linda e a capa do LP é mostrada na tela: reconheço o único LP de música erudita que tenho e que “por acaso” não comprei: me foi emprestado há mais de 20 anos e nunca devolvido. Xavier diz no filme: “Que música maravilhosa a de Villa-Lobos e ainda regida por ele!”

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Um dos outros atores do filme é Fernando Alves Pinto, citado em outro texto deste blog (o encontrei na rua após ver o filme Nosso Lar de 2010 e isso me chamou a atenção). Ao estudar a sua vida, tomei conhecimento de sua história de superação. Em 96, ele sofreu um acidente, ficou em coma e perdeu a memória. As aulas de clarinete o ajudaram nesse processo de cura que durou dois longos anos. No momento, também estou passando por um outro processo de superação de uma questão que se desenrola (e me enrola) há pelo menos, 3 anos.

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Houve várias outras “coincidências” no filme, mas não há como citá-las sem transformar este texto em um livro e essa não é a ideia.

Os eventos ocorridos nesta semana parecem ser “a resposta” a vários desdobramentos anteriores, de anos e décadas atrás. Prefiro não afirmar categoricamente que tenho “certeza” que a conclusão seria essa ou aquela, ou que exista destino, até porque não imagino o que está sendo negociado no plano do subconsciente. É saudável não ter absolutas certezas e é muito mais saudável estar liberto.

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Sobre Crianças e Escravos.

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Uma história.

No dia do meu aniversário, realizei um antigo sonho: conhecer o memorial dedicado aos “Pretos Novos”, os escravos recém chegados ao Rio de Janeiro, mas que ainda não haviam sido “adaptados” ou “amansados”, por isso mesmo chamados de “Novos”. Desde o início deste blog – que em final de setembro de 2015, comemora 5 anos – venho alardeando minha ligação com o número 28. Para tomar a decisão de ir ao Valongo, soube que neste cemitério haviam sido identificadas 28 ossadas.

A história do local, na verdade um sítio arqueológico, é fascinante: o casal Guimarães comprara uma antiga casa na Gamboa em 1996, zona portuária do Rio, mas ao fazer a reforma, os pedreiros descobriram ossos humanos sob as fundações. Arqueólogos e historiadores da Prefeitura concluíram que a casa havia sido erigida sobre o antigo Cemitério dos Pretos Novos, cuja localização havia se perdido no tempo, ou pior:  esquecida deliberadamente.

Idêntico aos fornos crematórios nazistas, milhares de escravos (oficialmente, cerca de 6 mil) foram atirados ao chão, e não enterrados em covas. Jogavam-lhes terra sobre os corpos em um espaço de 110 metros quadrados – cercado por muros baixos de casas residenciais. As análises dos fragmentos, feitas a partir de 1996, indicaram que os ossos foram queimados após a descarnação em busca de espaço para tamanho número de cadáveres.

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Estar ali, naquele local em 2015, e ver os ossos à flor da terra, me provocou um profundo pesar e reflexão. Mostra-se evidente uma triste característica de nossa “brasilidade”: a negação (ou esquecimento) e a não aceitação dos fatos. Fingir que nada aconteceu, responsabilizar as autoridades e negar o holocausto são faces da mesma moeda. Uma contradição chamada país que se diz amigável, festeiro, e “pacífico”. Todos sabem que “chover no molhado” é responsabilizar as “elites”, mas também é inegável que, como o país foi construído, e tem sido até hoje, quem determina o “modus operandi” é de fato a elite política e econômica.

A comparação entre a carbonização dos corpos no cemitério carioca entre os séculos XVIII (o século das “luzes”) e XIX e os nazistas no século XX é óbvia: os alemães, um povo desenvolvido, também foram capazes de fingir que não viam os judeus serem segregados. Desde que houvesse estabilidade econômica, o resto era perfeitamente aceitável.

Ao revelar ao mundo, os horrores dos campos de concentração alemães em 1945, o General americano Dwight Eisenhower exigiu que os cidadãos de Gotha, enterrassem as centenas de corpos encontrados em um sub-campo de Buchenwald, em Ohrdruf no sudoeste da Alemanha. Após testemunhar o horror, o prefeito de Gotha e a sua esposa se enforcaram.

O Brasil se desenvolveu graças à escravidão, fez vasta fortuna que não foi redistribuída, e ainda aprovou arduamente leis contra o tráfico negreiro, após décadas de muita discussão entre os Senadores. O fim da mão de obra escrava “acabaria com o país”, diziam, e a mudança de escravo para empregado assalariado deveria ser “lenta, gradual e segura”. A comparação com a ditadura implantada em 1964 e a Alemanha da Segunda Guerra são inevitáveis.

Uma questão espiritual e pessoal.

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Ajoelhado perante aqueles ossos, minha cabeça pesou e meu coração se encheu de remorso e vergonha. Senti uma energia tão forte vinda daquele solo, que perdi o ar. Isso me fez lembrar de algumas vivências que tive com escravos, a cultura negra e crianças.

A mais antiga me foi relatada por uma tia, há dez anos. Por volta dos meus dois anos, ela me viu “dar baforadas” e fazer sinais ritualísticos de Candomblé. Minha mãe, assustada, havia pedido para que nunca mais tocassem no assunto.

Quando criança, estudei em colégio público e tive amigos em comunidades próximas. Ao visitar um vizinho negro em um conjunto residencial de baixa renda, o irmão menor dele, talvez com uns 13 anos encostou o cano de um revólver na minha cabeça “de brincadeirinha”.

Com menos de 20 anos, vi a mãe de uma amiga, bastante nervosa, com a presença de um grupo de negros com lanças e escudos na sala de sua residência. Apenas achei curioso, mas fiquei alerta.

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Nesse período, presenciei em meu prédio um porteiro negro impedir uma visita de subir no elevador social porque era negra. Ela disse ser advogada e o porteiro alegou obedecer ordens do síndico. Depois, uma vizinha, professora de inglês, me perguntou por que eu recebia amigos negros em casa.

Uma década depois, vi a mãe de uma namorada incorporar um espírito infantil no dia das crianças e pedir para brincar de carrinho com ela, sentados nós dois, em meio à sala.

Passada mais uma década, um Exu me aconselhou a tomar cuidado com a pessoa invejosa ao meu lado. Era uma ex. Para amenizar, o Exu me pediu para tomar banho de ervas, lavar-me com Sabão da Costa – cuja origem é do Golfo da Guiné na África – e acender velas para as almas dos escravos na Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa, no centro do Rio. Ao estudar a história da igreja, soube que, a caminho da forca, Tiradentes fez ali as últimas preces em plena rua, pois condenados não podiam entrar em igrejas, e que se dizia que o escritor Machado de Assis (meu favorito) havia sido sacristão no local, o que é refutado pela falta de comprovação documental, mas fato é que a igreja da Lampadosa é citada no conto “Fulano”, publicado no livro Histórias Sem Data.

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Após essas dicas do destino, estudei a história da escravidão no Brasil e certo dia, há alguns anos, assisti a uma entrevista na TV Brasil com a dona da casa, onde hoje é o Memorial aos Pretos Novos. Foi a única vez que a ouvi citar um evento espiritual. Ela havia dito que ao entrar em um departamento do governo para tirar uma documentação sobre a casa, o atendente ficou lívido ao ver que atrás dela havia um grande número de escravos.

Perguntei à dona do local sobre a história relatada na TV e ela me contou que uma médium americana, em visita ao Memorial, contou ter visto espíritos de crianças na área dos ossos, que pediam para brincar, como se nada houvesse acontecido, como se o tempo não tivesse passado.

O que muito me comove é que a descoberta das ossadas ocorreu em 1996, 108 anos após a Lei Áurea e 166 anos após o esquecimento do local do cemitério, em 1830.

Retorno à uma questão anterior e falo das chagas que ainda enlameiam a história de duas nações citadas, o Brasil e a Alemanha. Se esses países não tomarem medidas severas contra o preconceito, ainda reinante, e se não ensinarem às crianças, desde muito cedo, as consequências da cultura do ódio, inevitavelmente veremos os mesmos erros se repetirem.

O que fará a Europa sobre a chegada em massa de imigrantes africanos? Construirá novos campos de concentração? E o Brasil a respeito das domésticas e dos concursos públicos com cota para negros?

Então, de que adianta falar em fraternidade, e amor universal, se ainda acreditam em superioridade racial?

A vida ocorre agora. O resto é memória.

sinc_mae_20_8_15_1921-22 Pablo Picasso (Spanish artist, 1881–1973) Mother and Child.

Viver o hoje, o aqui e o agora é a solução para nos afastar das armadilhas da mente. É um exercício diário, constante, e a bem da verdade, complexo. A tentação é grande em vivermos entre comparações, entre o que foi e o que há. Quando, por exemplo, acreditamos que uma gripe anterior é “parte” de uma gripe atual, por assim dizer.

A mente funciona como uma câmara de eco. Idéias do passado, mágoas, lembranças de ontem batem na parede, e retornam ao ponto de origem amplificadas. E incorremos em grande perda de tempo ao valorizar ecos que não são reais. Uma boa forma de tratar um trauma é não dar-lhe importância. Não desprezá-lo, mas não valorizá-lo. As lembranças não devem nos impedir de agir. A vida ocorre agora. O resto é memória.

Você sabe que o passado “existe”, mas ele já ocorreu, não acontece neste segundo. Por isso todo o tempo usado remastigando o que já foi engolido só cria suco gástrico e úlceras mentais. O coração fica pesado e rubro. Paralisado. O que “resta” após as nossas experiências (do passado) é uma espécie de reflexão. O trauma é o excesso, o eco reamplificado. E quem alimenta tudo isso somos nós quando damos importância a ecos. É a mesma coisa que fazemos ao julgar os outros pelos nossos parâmetros. Cada um é uma experiência única. Mas a maioria precisa de líderes sejam religiosos ou políticos para dizer-lhes o que fazer. Você pode ser o seu líder sem ser alguém desumano ou egoísta. Se você consegue conviver com isso, ótimo. Se não consegue aprenda a negociar ou se afaste…

As coisas que eu posso resolver agora eu resolvo. As que não posso, ou não quero, deixo para quando for possível. É como administrar as contas. Não dá para pagar tudo quando nos vemos entre a cruz e a caldeirinha. Saldamos o que é prioridade e administramos as dívidas. Os luxos (ou excessos) passam a não ter importância. E se alguém depende “miseravelmente” dos luxos para viver…

A pergunta é: como podemos negociar as soluções?

As histórias que relato no texto de hoje dizem respeito a “tratar” o passado de forma terapêutica. Pelo menos é o que ocorre comigo, e tem servido como motivação.

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Tenho algumas histórias com minha mãe, muitas não muito agradáveis. Ela pode ter feito 80% de coisas ótimas, mas os 20% marcaram demais. Hoje, entendo vários dos seus “defeitos”, e não a julgo o que passou, mas sei que influenciaram o que ocorreria depois. Toda ação gera uma reação, muitas vezes inimaginável. Muitos pais, em sua autoridade – ou falta dela – se excedem, e alegam que não o fazem por “mal”, mas por “acharem” que fazem o “melhor para os filhos”. Muito disso é questionável. Mal comparando, é como a questão da maioridade penal ou de castigar os filhos. Há os contra e os favor. Quem ganha? Quem perde?

De todas as artes com as quais me envolvi, o desenho é – para mim – a mais terapêutica. Minha primeira paixão foram as histórias em quadrinhos. Colecionava várias revistas de superheróis, por volta de dez anos de idade. Certa vez, fiz alguma “malcriação” para minha mãe e ela rasgou cada uma das revistas – e era uma pilha -, bem na minha frente. Eu implorava, me agarrava em sua perna, chorando, para que ela parasse. Mamãe prosseguiu dizendo que eu deveria “virar homem”. Vi meus heróis virarem pó.

Para não dramatizar muito, mas já dramatizando, lembro que me ajoelhei perante àquele monte de papel e senti uma dor imensa, muito maior do que o meu tamanho, com apenas uma década de vida. Ninguém merece… Sei que apenas tive revistas rasgadas, e hoje, acho bobo ter chorado por causa disso, mas não eram revistas, eram sonhos. Conheci meninos da minha idade estuprados e vivendo em condições miseráveis, mas essa era a minha “realidade” de menino de classe média. Nunca vi criança de dez anos ter consciência social…

Desde àquela época decidi não mais desenhar. Perdi as forças, por assim dizer. Ainda tentei, mas não estudei, e nem me esforcei o suficiente e acabei deixando para lá. De certa forma, senti que não era mais para mim, que a “missão” era outra e que o tempo daria cabo ou resolveria a questão. Até parecia que eu fazia algo errado quando segurava um lápis… Muitos sofrem bullying no colégio. Meu primeiro bullying foi em casa…

Por que (re)conto essa história? Por que falo sobre não lembrarmos de traumas e recupero um? Para quê?

Passados 40 anos, um amigo me trouxe um presente: uma das revistas, uma das mais simbólicas, dos meus dez anos de idade. Ele nunca soube dessa história. O link entre os fatos foi inconsciente. O amigo serviu de ponte entre o passado e o presente para me intuir a respeito de um desejo relutante: retomar os pincéis.

Sabe a sensação de um filho sair pela porta de casa e voltar 40 anos depois? Qual seria a sua reação? Admoestá-lo ou perdoá-lo? Ter de novo a revista em minhas mãos apagou 4 décadas de intervalo entre um evento e outro. O religamento foi tão intenso que pesquisei na internet grande parte das revistas rasgadas. Nos anos 70, ninguém imaginaria ser possível “baixar” livros ou filmes. Era coisa de Jornada nas Estrelas. Aquela era a época do ter ou não ter. Hoje, grande parte do acervo mundial está disponível, como “energia” e não mais como algo físico, como “matéria”. Mesmo que não seja para lê-las, as baixei para recompor a partitura perdida, rasgada há tanto tempo, e principalmente para me perdoar e perdoar mamãe. Não mais me importa o fato de tê-las fisicamente ou não, isso não faz a menor diferença. Não se chora sobre o leite derramado. O que me importa hoje é compreender e me desapegar de todas as energias e lembranças ruins. E isso nada tem a ver com negação.

Tive vários insights poderosos ao recuperar as revistas rasgadas. O maior deles, voltar a desenhar. E é o que tenho feito. Esta arte abaixo foi feita ontem.

Todo dia é um novo dia para recomeçar.

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A SINCRONICIDADE DA PADARIA.

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A SINCRONICIDADE DA PADARIA

 

Uma amiga – que chamarei de X – procurou um quarto para alugar. O acordo foi fechado por um quarto e parte da sala para trabalhar. Tudo correu bem até que, uma manhã, minha amiga acordou sobressaltada nas primeiras horas do dia. A vizinha de baixo – era um prédio pequeno, com apenas dois andares – batia portas e andava sobressaltada. Impressionada, X presenciou a vizinha sair pela porta da frente, furiosa, e dobrar a esquina agitada.

Com vontade de tomar um café, X foi a uma padaria duas esquinas adiante. mas desistiu por causa do clima ruim e do péssimo serviço.

Poucos dias depois, a proprietária do apartamento comentou que uma vizinha seria despejada, e pediu a permissão da minha amiga para recebê-la com hóspede por alguns dias e abrigar as suas coisas.

A vizinha era a dona da padaria em que X havia desistido de tomar o café.  Além de ser despejada de casa, a padeira estava falida.

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Apesar de o filho da dona da padaria ter preferido morar na própria padaria – até segunda ordem -, a mãe não quis se desfazer dos móveis, novinhos em folha.

A situação inusitada consistia de: uma moradora que pagava aluguel, mas que não podia mais usar a sala e uma nova moradora que vivia de favor em um pequeno apartamento de dois quartos. Como a dona do imóvel se recusou a dar um desconto à locatária e sugerir um prazo para a amiga padeira procurar onde morar, a inquilina preferiu sair.

Um ano depois de deixar o apartamento, X conversava com um amigo, que trabalha com locação e venda de imóveis. Este amigo, na verdade, a auxiliou na questão de um aluguel impagável.

Após a conversa, o corretor disse que passaria a tarde fazendo visitas, à procura de uma padaria para um cliente. X citou a padaria de um ano antes.

– Onde é? – o rapaz perguntou.

Ao ouvir o endereço, ele disse que por “coincidência”, era a mesma padaria que ele havia recentemente dado 400 mil reais para que um novo sócio pudesse colocar a casa em ordem.

– Mas vou te falar… – o corretor acrescentou. – Essa dona é muito enrolada, má administradora, difícil de conversar e os 400 mil não saldarão todas as dívidas, inclusive trabalhistas.

Muitas são as conclusões que nos servem, inclusive sobre como administramos as nossas vidas, mas a que mais me chama a atenção é que se nada aprendemos com os desafios, e principalmente se não buscamos o autoconhecimento e o entendimento de como podemos contribuir com o nosso crescimento e com o do planeta, seremos apenas uma alma penada a vagar apontando o dedo aos “responsáveis” pelos nossos “fracassos” sem nos conscientizarmos de nossas responsabilidades.

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Medo, escolhas e convenções sociais.

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O texto de hoje fala sobre o medo, escolhas e convenções sociais, as pequenas mentiras que perpetuamos, principalmente, pelo receio de sermos criticados.

Muitas vezes, falo de minha vida pessoal como um livro aberto. No período adolescente me preocupava com o julgamento alheio, pois eu tinha uma visão, adequada à idade e ao conhecimento que possuía na época. Já ouvi pessoas próximas a mim me confidenciarem que eu não deveria fazer isso. Mas se eu iniciei este blog é para repartir experiências. Aqui, de alguma forma, contribuo.

Grande parte da minha família se foi a partir da segunda metade da década de 2000. Certamente foi um ritual de passagem para quem, como eu, aos 10 anos, nunca imaginaria que as pessoas desencarnassem. Não fui educado para as mudanças. Aprendi sozinho.

Antes de desencarnar, minha mãe dizia que não queria morrer porque tinha receio do que pudesse acontecer comigo, por eu não ter um emprego formal e nem família. Estabilidade. Para ela (como para muitos) se não se tem um salário e filhos você nada tem. Eu argumentava, desde a adolescência, que essas coisas poderiam dar estabilidade, mas que não garantiriam a paz duradoura e nem o conhecimento interior. Ela nunca respeitou meu ponto de vista, apesar de minha própria mãe ter um emprego que não propiciou-lhe um final de carreira digno – ao ficar doente – e nem ter meu pai como companheiro fiel – inclusive na doença . Meu pai era um homem falador, cheio de amantes e que não escondia a infidelidade – sumia de casa por mais de uma semana e nada dizia ao voltar -, apesar de minha mãe aparentar ter uma vida equilibrada.

Nos anos 90, em uma aula de astrologia, de leitura de mapas, a professora leu o meu mapa natal para a turma. Ela permaneceu algum tempo calada, de costas para a classe. Depois se virou para mim, e disse: – Eu não queria ter nascido com o seu mapa, mas Deus sabe o que faz. Ele só dá a cruz a quem consegue carregá-la.

Como se fosse pouco, ela completou: – Somente a verdade poderá salvá-lo do que está por vir. Jamais falte com a verdade, ela é o seu escudo, e está gravada em seu nome e no seu mapa. Erga o escudo e bata alto as asas de águia.

Essa análise ocorreu no mesmo período em que fui sagrado em uma Ordem como Mestre da Chama Violeta. Parece coisa bonita e grandiosa, digna de um grande merecedor, mas também ouvi de uma “entidade” acoplada ao corpo de um dos médiuns: – Você foi sagrado nessa chama porque a sua missão é a mais difícil deste grupo. É uma escada que deve ser subida degrau a degrau.

Não posso negar que saí um pouco convencido e assustado com as duas mensagens. Hoje, 20 anos depois, agradeço por cada “tragédia” que vivi, por cada “traição” da qual fui “vítima”, por cada “erro” que cometi, por cada “acerto” e por cada “descoberta”. Quando olho para trás, agradeço por quem sou, e pelo o que ocorreu. Curiosamente, nada do que vivi parece real, tudo parece ter sido um sonho, não sinto como se tivesse sofrido na carne. Hoje toda a experiência anterior está introjetada e mimetizada em mim, e continuo aprendendo. A vida é eterna. Vivo e acredito no poder da percepção, na vontade e desejo do guerreiro de usar o coração e a espada quando necessários. Somos frutos de todas as experiências passadas, presentes e futuras, mas não adianta teorizar, temos que vivê-las e fazer escolhas para que possamos aprender. Sem risco não há possibilidade de nos tornarmos anjos. Anjos não são apenas criaturas de luz, são conhecedores da chama e da responsabilidade do que carregam.

Não sou especial e nem vim de Marte, mas desde muito novo, tenho tido experiências tão humanas como fora do normal. Tanto lido com o físico como com o inconsciente,e  como disse, ousando, errando, acertando, caindo, me erguendo. Não há melhor mestre.

O equilíbrio entre o que “deve ser feito” ou o “que podemos fazer” é tão sutil, como caminhar em papel de arroz. Não estamos sós em qualquer dos mundos e toda ação sempre gera uma reação. Como diz o Budismo, a vida é impermanência.

Em paz, agradeço.

Somos aquilo que possuímos. O homem que possui dinheiro é o dinheiro. O homem que se identifica com a propriedade é a propriedade, ou a casa ou o mobiliário. Analogamente com ideias ou com pessoas, e quando há possessividade, não há relação. Mas a maioria de nós possui porque nada mais temos se não possuirmos. Somos conchas vazias se não possuirmos, se não preenchermos a nossa vida com mobiliário, com música, com conhecimento, com isto ou com aquilo. E essa concha faz muito barulho, e a esse barulho chamamos de viver, e com isso ficamos satisfeitos. E quando há uma interrupção, um separar-se disso, então há sofrimento porque nessa altura subitamente você se descobre a si mesmo tal como realmente é – uma concha vazia, sem muito significado.

Krishnamurti, The Collected Works vol V, p 297

J.Krisnamurti, The Book of Life

DESCOBRIDORES DO INFINITO – A Vida Espiritual de Atletas Radicais e Suas Experiências de quase Morte, Paranormal e o Contato com o Além

DESCOBRIDORES DO INFINITO – A Vida Espiritual de Atletas Radicais e Suas Experiências de quase Morte, Paranormal e o Contato com o Além – Mary Coffey – 256 páginas – Lafonte.

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A premissa deste livro é fantástica e de certa forma, “incômoda” para os cartesianos: de que a prática de esportes radicais pode levar os desportistas à experiências com o divino e em alguns casos, de quase morte. E.Q.M. são estágios em que a nossa consciência parece sair do corpo físico, mas nos quais não há morte. Ao planarem sobre os corpos, que dormem ou estão inconscientes, as consciências despertas nos dão a dimensão de que o corpo é apenas uma parte e não a totalidade, e nos mostram que a consciência age independentemente do corpo. É bastante comum, retornar à vida com as lembranças da experiência, com as memórias do quase “pós-vida”.

A sobrevivência dos esportistas depende de manterem o foco constante e a atenção na escorregadia natureza. Um acidente ocorrido em uma fração de segundos, os faz recorrer à experiências passadas. Esse é o processo que os estudiosos chamam de “fatias finas” em que são descobertos padrões em situações e comportamentos baseados em segmentos muito exíguos da experiência. É o que se chama de intuição, ou melhor ainda, de “saber sem saber”. Uma experiência incrível que a autora teve, e que não conseguiu explicar racionalmente, foi a de ter sido ajudada pelo “espírito de um rio”, que impediu que bandidos a assaltassem. A autora e jornalista inglesa Coffey escreve colunas sobre esportes radicais e também pratica algumas dessas modalidades. Ela nunca havia pensado em semelhante tema antes, assuntos espirituais, mas apesar de sua anterior incredulidade, ela confessa que só se deu conta do assunto, ao viver 3 experiências, sendo que a mais forte delas ocorreu em uma viagem. Ao escalar o Scafell Pike, na Inglaterra, Coffey sonhou que o namorado, que estava escalando o Everest no Himalaia, havia morrido. De fato, três semanas depois, ela comprovou a morte do namorado, durante a tal escalada no Himalaia. Fora que, mesmo desencarnado, o namorado voltou a visitá-la e isso acabou com as suas dúvidas. Essa experiência a levou a pesquisar o assunto e surpreendentemente ela comprovou que durante a prática de esportes radicais, nos momentos mais extremos, alguns praticantes têm experiências de cunho espiritual. Entre os entrevistados, pelo menos os que resolveram falar e deixar os pudores de lado, havia mergulhadores de profundidade (Tanya Streeter, campeã mundial), alpinistas (Dean Potter), paraquedistas, praticantes de voo livre, surfistas, o montanhista himalaico Lou Whittaker, o piloto de longa distância Dick Rutan, e o pioneiro no esqui Kristen Ulmer, entre outros. Para embasar a pesquisa, a autora buscou análises de cientistas, além de estudar filosofia e espiritualidade. Em uma pesquisa feita pelo instituto Gallup nos Estados Unidos em 2005, entre mil entrevistados, 47% acreditam em percepção extrassensorial; 32% em fantasmas; 26% em clarividência e 21% na possibilidade de contato com os mortos.

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 Depoimentos:

“Passei boa parte dos meus 20 anos me drogando. Quando fui apresentada à escalada no gelo, descobri um novo tipo de risco, que canalizava minha energia desassossegada. Escaladores são viciados, não na atividade em si, mas no estado mental, que a escalada lhes proporciona. Hoje sei que escalar e fazer o trabalho espiritual são atividades que se completam, uma alimenta a outra. Estava em meditação profunda, quando chegaram as mensagens da minha amiga Karen McNeill, que havia desaparecido durante uma escalada. Oficialmente, o pessoal da expedição que foi procurá-las, disse que ela e uma amiga foram derrubadas pelos ventos da montanha. Recebi visões de como ela havia morrido e foi dentro de uma caverna. McNeill me enviou visões do que ela havia vivido, antes de morrer. Eu a via tão relaxada quanto possível, em uma caverna no gelo. Captei o medo e a ansiedade dela, ouvi o ronco dos aviões em sua busca. O que ela queria é que recuperassem o seu corpo e essa era a minha missão.”

(Margo Talbot)

“Fui guiado durante uma terrível tempestade no K2, o segundo pico mais alto do mundo, com o auxílio de espíritos das montanhas e do fantasma de um escalador que tinha morrido naquela encosta. Uma coisa eu sei: depois que você tem essas experiências, fica mais fácil passar por elas novamente. Você abre o canal. Por isso é que eu queria escalar sozinho e indo por trilhas tão difíceis. É uma espécie de vício espiritual.”

(Carlos Carsolio, escalador mexicano)

“Senti que estava sintonizado com algo muito maior do que eu mesmo, algo muito maior do que o planeta visível pela janela do console da Apollo 14. Algo incompreensivelmente grande. Até hoje, aquela percepção ainda me tira o fôlego… olhando mais além da Terra e enxergando a magnificência do panorama todo, tive um instante de compreensão de que a natureza do universo não era o que tinham me ensinado. Minha noção de separação, da relativa independência do movimento daqueles corpos cósmicos, foi feita em pedaços. Fui inundado pela sensação de uma nova compreensão, associada à experiência de uma harmonia generalizada, à interligação com os corpos celestes em torno de uma espaçonave… lembro vividamente de saber que eu estava separado das estrelas e dos corpos planetários, mas ao mesmo tempo saber que eu era uma parte integrante do mesmo processo. Não havia uma sensação de união e totalidade com o cosmo, mas de dualidade.”

(Edgar Mitchell, o sexto homem a pisar na Lua em 1971)

 

 “Um instante antes de Thomas entrar no carro, para subir ao penhasco a 480 metros e saltar de paraquedas, eu me aproximei para lhe dar a mão. Só que isso não era uma coisa que eu normalmente fazia. Thomas reagiu de uma maneira também incomum, ele fincou os olhos em mim e disse: “Nunca mais me olhe desse jeito.” Thomas entrou no carro sem falar nada e se foi. Vimos quando ele correu pelo ponto de saída e o perdemos de vista. Alguns segundos depois, meu celular tocou. Era uma das pessoas da equipe gritando. Thomas tinha aberto o paraquedas muito depois da hora. Quando seus olhos ficam travados em outra pessoa, às vezes você vê um espelho de si mesmo. “Nunca mais olhe para mim desse jeito.” Meia hora depois de Thomas ter dito isso, ele estava morto. Eu acredito que eu tive uma premonição da morte e isso transpareceu no meu olhar, que Thomas percebeu e isso confirmou, em algum nível, o que ele já sabia.”

 

Trecho de entrevista com a autora para mteverestmindcamp.wordpress.com.

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Como você descreve a importância dos insights em suas viagens pelo mundo?

 Eles me ajudam a entender que o meu impulso espiritual está conectado à Terra, à natureza. Quando nos aventuramos em explorar o mundo selvagem, deixamos a segurança de lado e nos conectamos à intuição, que reproduz o estado em que nossos ancestrais viviam, quando o perigo era mais presente. Esses caçadores viviam em um estado de constante perigo, o que fazia suas intuições serem mais fortes e em maior harmonia em um meio ambiente que venera os elementos, os animais selvagens. A vida deles era conduzida pela espiritualidade conectada à terra. Isso ainda está dentro de nós, e explica por que pessoas se reencontram em locais distantes, se reconectam quando estão nesses lugares. Quando eu estava praticando caiaque na Índia no rio Ganges, fiquei profundamente comovida pelos rituais que vi ao longo do caminho, como os peregrinos fazendo lingams, o símbolo fálico de Shiva, na lama e os espargindo com flores e os oferecendo em suas mãos ao sol nascente. Durante nossa viagem de seis semanas, segui a tradição hindu de me imergir três vezes no rio a cada dia, para pedir a proteção à deusa que eles acreditam viver em suas águas. Foi um ato instintivo. Depois eu perguntei se estava enlouquecendo, mas o meu trabalho com o livro, me mostrou que eu simplesmente havia percebido minha ligação profunda com a terra, com o rio no qual eu estava viajando. Ah, e por falar nisso, eu nunca fiquei doente naquela expedição, apesar de todas as imersões e de ter bebido a água do Ganges em várias ocasiões!

 

Em sua entrevista na rádio com a Oprah, você menciona que ao entrarem em contato profundo com a natureza, alpinistas e outros aventureiros fortalecem a intuição interior ou o sexto sentido que todos nós temos, ainda em estado adormecido. Para alguém que não está inclinado a ser atlético ou aventureiro, como se pode descobrir e despertar esse sexto sentido na vida cotidiana?

A abertura a esse sexto sentido pode ocorrer em uma experiência de quase morte, através de um luto ou experiências extremas. Hoje, percebo que se abrem canais para outros reinos de consciência. Mais tarde, quando expandi meus próprios limites durante uma das expedições de caiaque, eu me conscientizei disso novamente. Para ter contato profundo com a natureza, não é preciso que você se atire de um penhasco. Isso pode acontecer no seu quintal ou na sua varanda. O que poderia ser mais elementar do que plantar uma semente no solo, alimentar o crescimento da planta, comer seus frutos ou desfrutar de suas flores? A chave é estar aberto ao milagre e prestar atenção. Da janela do seu apartamento, se pode prestar atenção aos ciclos da lua, para que direção o vento está indo, como as mudanças das nuvens pressagiam uma mudança no clima. Você pode estar em qualquer cidade e pensar em como uma árvore cresce em meio ao concreto, e em todos os pássaros que se abrigam em seus ramos. Ou, simplesmente, como é maravilhoso estar de pé em um planeta que está girando através do espaço!

Pai Nosso no metrô

No último dia útil de 2014, os operários e engenheiros se reuniram nas obras do metrô carioca para rezar um Pai Nosso. Nesse momento não importa a luta de classes, a religião, o time de futebol ou o governo. Terminar o ano, inteiros, é uma espécie de missão para todos. Entre conquistas, aprendizados e dificuldades lá vamos nós para mais um ano, sem mágoas e culpas. Agradeço a Deus todos os dias por mais um dia. Peço sempre menos e agradeço cada vez mais.

 

O GUERREIRO E A BALANÇA

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Sincronicidades são como sinais de uma vida interior pulsante.

Há alguns anos, talvez uns cinco, uma ideia para um projeto começava a me cutucar. Fui deixando que cutucasse mais – e que tomasse forma – e de tempos em tempos tentava imaginar como poderia fazê-la acontecer. Em primeiro lugar, e sem temor de ser criticado (o que de fato ocorreu) falei com algumas pessoas sobre a ideia. Ninguém deu muita importância. Acharam legalzinho, etc e tal, mas não viram viabilidade e para variar, me olharam como um sonhador. Ou um estranho. Mas nada disso me fez ficar chateado ou me desviar do “sonho”. Afinal de contas em primeiro lugar todo sonho é seu e depois vira realidade coletiva.

Fiz o que pude dentro de minhas possibilidades, sem parar de acreditar. Os lapsos de tempo ocorriam em função das demandas profissionais e pessoais. Às vezes deixava a ideia descansar, mas não parava de pensar nela e nem deixava que a afeição acabasse. Entre descansos e retomadas, fui adaptando a ideia às situações que surgiam. Desde o início do projeto, minha vida – e eu – parece ter mudado completamente. Objetivos mudaram, percepções de mundo se alteraram, separei mais alhos e bugalhos e o projeto continuava lá, em seu cantinho, hibernando. Hoje, consegui concretizar uma parte desta ideia, graças a sincronicidades que ocorreram muito intensamente há um ano. E é claro, que as sincronicidades de hoje estão fortemente ligadas, conectadas a eventos misteriosos ocorridos no início dos anos 2000. Ou seja: nada ocorre à toa, nada surge do nada. O nosso hoje é fruto de nossas percepções e escolhas. É como o Labirinto do Minotauro.

O meu lema é nunca desistir. Adaptar sim, mas nunca abrir mão do que teu coração, que a luz no âmago de sua alma, te aconselha a fazer. Saber ouvir a voz interna e fazer por onde. Não se deve ser orgulhoso de forma negativa, teimoso, é necessário saber ouvir, assim como é importante correr riscos, mas também é importante saber discernir. E no fundo do seu coração, longe de maledicências e achismos, há sempre uma voz de mãe para te guiar. Essa voz tranquiliza e também pode te preparar para tempos difíceis, mas parte da jornada que o guerreiro precisa enfrentar, para crescer, talvez mais internamente do que externamente, é nada temer. Ser sábio para seguir em frente com cuidado, mas nunca deixar o temor obscurecer a sua visão. Excalibur é sua. Mas não é para matar, para ferir quem quer que seja. É para servir de balança, a balança da vida. A jornada é como uma balança que pende de um lado a outro, até alcançarmos o desejado equilíbrio entre espírito e matéria. E este guerreiro, que ergue a balança, é você. Seja como a pomba e a cobra, aprenda a dobrar o seu corpo como junco ao vento, mas não deixe que o quebrem.

Irmão, Seja bem-vindo à fraternidade.

TODA AÇÃO TRAZ UMA MISSÃO

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As melhores lembranças da vida são as agradáveis. É por aí mesmo. Rir é melhor do que chorar. Mas são as crises que nos fazem crescer ou cair no buraco de vez. É válido não esquecer os acontecimentos difíceis ou ruins, faz parte, nos ajuda a não repetir certas coisas, a seguir em frente. Viver só a alegria ou só a tristeza total, e sem entender o porquê, é uma péssima escolha. O equilíbrio entre os dois extremos é importante para a saúde mental, física e espiritual. Mas cada um que sabe o que é melhor para si, não dá para impor nada a ninguém. Dá para fazer tudo certo? Claro que não. Somos imperfeitos, porque perfeição não existe, ser imperfeito não é uma escolha nem opção, é como somos. E fazer o nosso melhor, quando você quer, sempre é uma missão. O defeito que você vê no seu amigo ou parceiro e que muito o incomoda, deveria servir para a compreensão de quem você é e como você age. Se você fizer um pouquinho de força, e conseguir se colocar no lugar do outro, com as limitações do outro, ajuda muito. Quando não der mais para perdoar, ou aturar, o melhor é dar tempo ao tempo, ou cair fora ou até mesmo aguardar que o próprio mundo dê algum jeito. E toda ação traz uma lição.

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Assim como o tempo marcado pelo A.C. e o D.C., o antes e o depois, marco o desenrolar da vida com fatos importantes, agradáveis ou tristes e consigo ter uma visão mais ampla do que fui, sou e provavelmente serei. Ajuda muito a me entender quando revejo o passado e analiso as consequências. Para isso, delimito o tempo com “após” e “antes” de tal fato.  Dá para entender direitinho, o que era só fase ou o que é a sua personalidade; se foi uma conclusão particular, sua, própria, ou se a escolha foi influenciada pelo meio ambiente. Nessa análise, nessa revisão de vida, obviamente, entram muitas sincronicidades que revistas a posteriori, nos mostram conclusões até mesmo inusitadas. A conclusão que gosto mais, é a que tudo o que vivemos hoje está intimamente ligado a fatos do passado, que vem desde a infância. Você crê que a escolha que você faz hoje é derivada da sua percepção de adulto vivido, mas não é apenas: ela também é consequência de histórias (pode mudar a  palavra para “crenças”) que você viveu. Mamãe costumava se explicar dizendo que “mas é assim que me explicaram” ou “mas foi assim que me ensinaram”, sem se dar conta que dá para rever tudo, até mesmo o que nos ensinaram, porque foram ELEs que ensinaram e não NÓS que aprendemos.

O que vimos e vivemos no passado influencia, inconscientemente, tudo o que virá. Por exemplo, hoje, você pode viver uma situação igual a de um livro que você leu há 20 anos, ou a sua vida atual pode estar se desenrolando sincronizada com as histórias de uma novela gravada há 36 anos! Ou pode ter sido influenciado por algo que falaram ao largo, quando você tinha apenas 10 anos e na época você não entendeu nada, mas ficou guardadinho no seu interior, aguardando o momento para aflorar. Sim, isso é possível. Isso é mais real do que a realidade. Muita gente, e porque não, encontra a verdade nas páginas da Bíblia, mas olha só: você pode ouvir a palavra de Deus através de uma novela. Assim como você pode perder o seu tempo com as duas, caso você não entenda o que está acontecendo e que continue aceitando o que “te ensinaram”. Essas palavras, isso que escrevo agora, também, podem ser interpretadas conforme a sua conveniência. Tem quem parta logo para o colo de Satã, e diga que todo o mundo atual é uma droga por causa do seu namorado, da sua mãe, do catolicismo, do judaísmo, do Brasil, da Dilma, do PT, do PSDB, dos muçulmanos, dos nigerianos, da Argentina, dos EUA, da Rússia, etc, etc, etc. Tanto faz o nome. Estamos todos conectados? Sim. Se um país rico espirra, o pobre pega gripe? Sim. Mas dá para ser diferente, fazer diferente e mesmo assim interagir com o mundo sem que ele mande em você, 24 horas por dia. A questão é você e não os outros. Isso não tem nada a ver com egoísmo, que é uma história completamente diferente, tem só a ver com escolhas, motivadas por valores aprendidos ou ensinados. John Lennon dizia uma coisa forte, e típica de sua época: que não há fronteiras. Que fronteiras e países são ilusões, porque foi como NOS ensinaram. Todo mundo sabe que no mundo “real” há fronteiras, mas todos gostaríamos que não houvesse fronteiras, porque somos todos irmãos, celularmente falando. Todos somos energia, células, átomos. E quando vistos do espaço, somos mais células ainda. Aí sim não mais diferença entre humanos e animais.

Você tá chateado? A sua vida é uma droga? A de muita gente também é, por várias razões, mas eu tenho os meus motivos e eles os deles. Não dá para generalizar. Todo mundo é um universo. Mas, só dói mesmo quando cai na sua cabeça ou dói no seu bolso. Mas dá para você escolher o caminho a  seguir, mesmo debaixo de um bombardeio. Não se esqueça, nunca, que estamos todos ligados, conectados. Ninguém vive sozinho, porque para a água sair pela sua torneira, você depende de gente que você nunca conhecerá, mas que afeta a sua vida diariamente. Mas a escolha é sua. E a consequência também. Toda ação traz uma missão.

Mission

Sincronicidade Musical

Ontem, aqui em casa, um amigo comentou sobre a falta de espaço para o músico autoral no Rio de Janeiro e como, muitas vezes, há mais espaço para o artista brasileiro no exterior do que em seu próprio país.

Mal ele saiu, pensei em enviar-lhe alguns vídeos sobre a questão. No Canal (a cabo) Curta! estava sendo exibido um documentário sobre o renascimento da Bossa Nova no Japão.  Fui ao YouTube coletar os links do mesmo documentário. Mal copiei o terceiro link, o player do vídeo começou a tocar. Como que por encanto, a TV ao vivo e o link virtual sincronizaram-se.