CosMos – Unindo Ciência e Espiritualidade para um novo entendimento do universo e de nós mesmos

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CosMos – Unindo Ciência e Espiritualidade para um novo entendimento do universo e de nós mesmos. Ervin Laszlo e Jude Currivan – 208 páginas – Cultrix.

“A ciência sem a religião é aleijada e a religião sem a ciência é cega.”

“Deus sempre escolhe o caminho mais simples.”

“Todas as religiões, artes e ciências são ramos da mesma árvore.”

Albert Einstein.

 Nos tempos antigos, muitas informações, que hoje são dadas de bandeja eram conseguidas a muito custo. Isso sem falar na compreensão das mesmas, algo bem mais sutil e complexo do que parece. O filósofo, futurista e cientista sistêmico, autor de mais de 80 livros, Ervin Laszlo (indicado duas vezes ao Prêmio Nobel da Paz), juntamente com a cosmóloga, agente de cura e mística, Jude Currivan, explicam em CosMos, que o propósito do ser humano é ser cocriador consciente do próprio futuro. As pessoas podem e estão literalmente mudando a face da Terra, e a consciência humana está se expandindo à medida que os antigos paradigmas já dão lugar a novos conceitos. Todas as “crises” atuais são resultado da percepção humana limitada. Este livro nos mostra que caminhos para uma nova civilização, em harmonia com a Terra e com o todo, já estão abertos. O que chamamos de “realidade” e o Cosmos estão totalmente integrados.

Graças à descoberta da não localidade das entidades quânticas – a natureza entrelaçada das partículas gêmeas – sabemos hoje que o universo é, inerentemente, uma totalidade. Basicamente é como se uma partícula, que tivesse uma irmã gêmea, repetissem os mesmos movimentos, mesmo à distância. Isso prova que ações e pensamentos, por exemplo, interagem e afetam a realidade. Na biologia, há cada vez mais evidências, de que o “molde” informacional de um organismo é uma parte dele que é tão real quanto as suas células, coração ou membros. E que todos os organismos – inclusive nós mesmos – são “sistemas quânticos macroscópicos” que não podem ser reduzidos à soma de suas partes. Em 2005, moléculas orgânicas complexas foram entrelaçadas com sucesso, mostrando que, em teoria, não há limite de escala para tais estados entrelaçados. As evidências mostram que os sistemas “naturais”, como os padrões meteorológicos são holográficos, mas que organismos biológicos, ecossistemas e os fenômenos “feitos pelo homem” (sistemas econômicos inclusive) e até a web, estão todos interligados. A teoria mais recente afirma que o nosso universo, foi informado no seu nascimento por um universo anterior, tornando-se assim, progressivamente mais bem informado, o que confirma a visão dos sábios védicos da Índia. Passado, presente e futuro: uma mesma realidade.

Dados e informações medem e descrevem o passado, enquanto o conhecimento que surge de tal percepção nos permite avaliar o presente e forma um degrau, ou trampolim para percebermos as possibilidades do nosso futuro. Entretanto, em nossa época de computadores, somos ensinados a conceber a informação de uma maneira limitada, em forma de símbolos, números ou da sintaxe formal da linguagem verbal e escrita.

Nosso uso comum da palavra informação descreve essencialmente dados “brutos”, sem contexto ou significado. Porém, no sentido científico emergente, a informação é muito mais do que isso – ela é a natureza fundamental da realidade. Tudo o que chamamos de realidade “física” é, em última instância, ordenado de maneira harmônica e holográfica. Sendo assim, não há como nos excluir da natureza holográfica e coerente do universo.

A medição do Q.I. humano, que reflete nossa capacidade intelectual, não muda significativamente desde a infância. Em 1996, o psicólogo Daniel Goleman descobriu que o sucesso na vida prece depender menos do Q.I. e mais de nossa capacidade para desenvolver e lidar com nossa inteligência emocional, ou seja: o nosso coração. Os nossos pensamentos, emoções e ações e suas consequências sobre as outras pessoas.

Estamos despertando para a compreensão de que somos parte integral do mundo-totalidade. O que chamamos de realidade é mediado por relações, assim como os princípios da natureza. A dança das experiências humanas é compartilhadas por miríades de polaridades, cuja interação entre luz e sombra dá origem às nossas percepções e as reflete. O que percebemos como mundo “físico” é incompleto.

Há mais de dois mil anos, Buda descreveu o Cosmos como uma teia de fios dourados unindo miríades de joias multifacetadas, cada uma delas refletindo a luz de múltiplas nuances de todas as outras. Sua bela e simbólica visão está sendo comprovada pela ciência moderna, nos mais longínquos estudos sobre a consciência.

Jude e Ervin explicam essa nova visão de como o ser humano pode se relacionar com o mundo, como um ser criador e consciente. Tudo isso, embasado pelas mais recentes pesquisas científicas nos campos da física e da cosmologia.

Uma das últimas partes do livro, a que se refere à felicidade, mostra, a partir de estudos sociais, que os passos para alcançar essa meta são simples: se desligar do dinheiro e do materialismo, desenvolver boas habilidades sociais, buscar objetivos significativos e ter prazer no que se faz, desfrutar as pequenas coisas da vida, manter-se ativo, equilibrar trabalho e lazer, atuar como voluntário em ajudar as pessoas e manter o senso de humor.

 E quando a ciência, tão complexa, comprova a simplicidade de ensinamentos simples, todos ficam felizes, inclusive o nosso querido Einstein.

DESCOBRIDORES DO INFINITO – A Vida Espiritual de Atletas Radicais e Suas Experiências de quase Morte, Paranormal e o Contato com o Além

DESCOBRIDORES DO INFINITO – A Vida Espiritual de Atletas Radicais e Suas Experiências de quase Morte, Paranormal e o Contato com o Além – Mary Coffey – 256 páginas – Lafonte.

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A premissa deste livro é fantástica e de certa forma, “incômoda” para os cartesianos: de que a prática de esportes radicais pode levar os desportistas à experiências com o divino e em alguns casos, de quase morte. E.Q.M. são estágios em que a nossa consciência parece sair do corpo físico, mas nos quais não há morte. Ao planarem sobre os corpos, que dormem ou estão inconscientes, as consciências despertas nos dão a dimensão de que o corpo é apenas uma parte e não a totalidade, e nos mostram que a consciência age independentemente do corpo. É bastante comum, retornar à vida com as lembranças da experiência, com as memórias do quase “pós-vida”.

A sobrevivência dos esportistas depende de manterem o foco constante e a atenção na escorregadia natureza. Um acidente ocorrido em uma fração de segundos, os faz recorrer à experiências passadas. Esse é o processo que os estudiosos chamam de “fatias finas” em que são descobertos padrões em situações e comportamentos baseados em segmentos muito exíguos da experiência. É o que se chama de intuição, ou melhor ainda, de “saber sem saber”. Uma experiência incrível que a autora teve, e que não conseguiu explicar racionalmente, foi a de ter sido ajudada pelo “espírito de um rio”, que impediu que bandidos a assaltassem. A autora e jornalista inglesa Coffey escreve colunas sobre esportes radicais e também pratica algumas dessas modalidades. Ela nunca havia pensado em semelhante tema antes, assuntos espirituais, mas apesar de sua anterior incredulidade, ela confessa que só se deu conta do assunto, ao viver 3 experiências, sendo que a mais forte delas ocorreu em uma viagem. Ao escalar o Scafell Pike, na Inglaterra, Coffey sonhou que o namorado, que estava escalando o Everest no Himalaia, havia morrido. De fato, três semanas depois, ela comprovou a morte do namorado, durante a tal escalada no Himalaia. Fora que, mesmo desencarnado, o namorado voltou a visitá-la e isso acabou com as suas dúvidas. Essa experiência a levou a pesquisar o assunto e surpreendentemente ela comprovou que durante a prática de esportes radicais, nos momentos mais extremos, alguns praticantes têm experiências de cunho espiritual. Entre os entrevistados, pelo menos os que resolveram falar e deixar os pudores de lado, havia mergulhadores de profundidade (Tanya Streeter, campeã mundial), alpinistas (Dean Potter), paraquedistas, praticantes de voo livre, surfistas, o montanhista himalaico Lou Whittaker, o piloto de longa distância Dick Rutan, e o pioneiro no esqui Kristen Ulmer, entre outros. Para embasar a pesquisa, a autora buscou análises de cientistas, além de estudar filosofia e espiritualidade. Em uma pesquisa feita pelo instituto Gallup nos Estados Unidos em 2005, entre mil entrevistados, 47% acreditam em percepção extrassensorial; 32% em fantasmas; 26% em clarividência e 21% na possibilidade de contato com os mortos.

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 Depoimentos:

“Passei boa parte dos meus 20 anos me drogando. Quando fui apresentada à escalada no gelo, descobri um novo tipo de risco, que canalizava minha energia desassossegada. Escaladores são viciados, não na atividade em si, mas no estado mental, que a escalada lhes proporciona. Hoje sei que escalar e fazer o trabalho espiritual são atividades que se completam, uma alimenta a outra. Estava em meditação profunda, quando chegaram as mensagens da minha amiga Karen McNeill, que havia desaparecido durante uma escalada. Oficialmente, o pessoal da expedição que foi procurá-las, disse que ela e uma amiga foram derrubadas pelos ventos da montanha. Recebi visões de como ela havia morrido e foi dentro de uma caverna. McNeill me enviou visões do que ela havia vivido, antes de morrer. Eu a via tão relaxada quanto possível, em uma caverna no gelo. Captei o medo e a ansiedade dela, ouvi o ronco dos aviões em sua busca. O que ela queria é que recuperassem o seu corpo e essa era a minha missão.”

(Margo Talbot)

“Fui guiado durante uma terrível tempestade no K2, o segundo pico mais alto do mundo, com o auxílio de espíritos das montanhas e do fantasma de um escalador que tinha morrido naquela encosta. Uma coisa eu sei: depois que você tem essas experiências, fica mais fácil passar por elas novamente. Você abre o canal. Por isso é que eu queria escalar sozinho e indo por trilhas tão difíceis. É uma espécie de vício espiritual.”

(Carlos Carsolio, escalador mexicano)

“Senti que estava sintonizado com algo muito maior do que eu mesmo, algo muito maior do que o planeta visível pela janela do console da Apollo 14. Algo incompreensivelmente grande. Até hoje, aquela percepção ainda me tira o fôlego… olhando mais além da Terra e enxergando a magnificência do panorama todo, tive um instante de compreensão de que a natureza do universo não era o que tinham me ensinado. Minha noção de separação, da relativa independência do movimento daqueles corpos cósmicos, foi feita em pedaços. Fui inundado pela sensação de uma nova compreensão, associada à experiência de uma harmonia generalizada, à interligação com os corpos celestes em torno de uma espaçonave… lembro vividamente de saber que eu estava separado das estrelas e dos corpos planetários, mas ao mesmo tempo saber que eu era uma parte integrante do mesmo processo. Não havia uma sensação de união e totalidade com o cosmo, mas de dualidade.”

(Edgar Mitchell, o sexto homem a pisar na Lua em 1971)

 

 “Um instante antes de Thomas entrar no carro, para subir ao penhasco a 480 metros e saltar de paraquedas, eu me aproximei para lhe dar a mão. Só que isso não era uma coisa que eu normalmente fazia. Thomas reagiu de uma maneira também incomum, ele fincou os olhos em mim e disse: “Nunca mais me olhe desse jeito.” Thomas entrou no carro sem falar nada e se foi. Vimos quando ele correu pelo ponto de saída e o perdemos de vista. Alguns segundos depois, meu celular tocou. Era uma das pessoas da equipe gritando. Thomas tinha aberto o paraquedas muito depois da hora. Quando seus olhos ficam travados em outra pessoa, às vezes você vê um espelho de si mesmo. “Nunca mais olhe para mim desse jeito.” Meia hora depois de Thomas ter dito isso, ele estava morto. Eu acredito que eu tive uma premonição da morte e isso transpareceu no meu olhar, que Thomas percebeu e isso confirmou, em algum nível, o que ele já sabia.”

 

Trecho de entrevista com a autora para mteverestmindcamp.wordpress.com.

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Como você descreve a importância dos insights em suas viagens pelo mundo?

 Eles me ajudam a entender que o meu impulso espiritual está conectado à Terra, à natureza. Quando nos aventuramos em explorar o mundo selvagem, deixamos a segurança de lado e nos conectamos à intuição, que reproduz o estado em que nossos ancestrais viviam, quando o perigo era mais presente. Esses caçadores viviam em um estado de constante perigo, o que fazia suas intuições serem mais fortes e em maior harmonia em um meio ambiente que venera os elementos, os animais selvagens. A vida deles era conduzida pela espiritualidade conectada à terra. Isso ainda está dentro de nós, e explica por que pessoas se reencontram em locais distantes, se reconectam quando estão nesses lugares. Quando eu estava praticando caiaque na Índia no rio Ganges, fiquei profundamente comovida pelos rituais que vi ao longo do caminho, como os peregrinos fazendo lingams, o símbolo fálico de Shiva, na lama e os espargindo com flores e os oferecendo em suas mãos ao sol nascente. Durante nossa viagem de seis semanas, segui a tradição hindu de me imergir três vezes no rio a cada dia, para pedir a proteção à deusa que eles acreditam viver em suas águas. Foi um ato instintivo. Depois eu perguntei se estava enlouquecendo, mas o meu trabalho com o livro, me mostrou que eu simplesmente havia percebido minha ligação profunda com a terra, com o rio no qual eu estava viajando. Ah, e por falar nisso, eu nunca fiquei doente naquela expedição, apesar de todas as imersões e de ter bebido a água do Ganges em várias ocasiões!

 

Em sua entrevista na rádio com a Oprah, você menciona que ao entrarem em contato profundo com a natureza, alpinistas e outros aventureiros fortalecem a intuição interior ou o sexto sentido que todos nós temos, ainda em estado adormecido. Para alguém que não está inclinado a ser atlético ou aventureiro, como se pode descobrir e despertar esse sexto sentido na vida cotidiana?

A abertura a esse sexto sentido pode ocorrer em uma experiência de quase morte, através de um luto ou experiências extremas. Hoje, percebo que se abrem canais para outros reinos de consciência. Mais tarde, quando expandi meus próprios limites durante uma das expedições de caiaque, eu me conscientizei disso novamente. Para ter contato profundo com a natureza, não é preciso que você se atire de um penhasco. Isso pode acontecer no seu quintal ou na sua varanda. O que poderia ser mais elementar do que plantar uma semente no solo, alimentar o crescimento da planta, comer seus frutos ou desfrutar de suas flores? A chave é estar aberto ao milagre e prestar atenção. Da janela do seu apartamento, se pode prestar atenção aos ciclos da lua, para que direção o vento está indo, como as mudanças das nuvens pressagiam uma mudança no clima. Você pode estar em qualquer cidade e pensar em como uma árvore cresce em meio ao concreto, e em todos os pássaros que se abrigam em seus ramos. Ou, simplesmente, como é maravilhoso estar de pé em um planeta que está girando através do espaço!

DEUS está na sua cola.

As sincronicidades fluem contínuas e suas “caudas” se estendem por dias, meses, anos, dimensões.

A vivência que relato hoje já foi comentada em uma postagem anterior, mas após o último mês  houve a continuidade do seu efeito.

No dia 21 de outubro houve uma ativação mundial, que é uma mentalização feita na mesma hora por centenas/milhares de pessoas, para torná-la mais poderosa. A ativação coletiva ocorreu no horário do Rio de Janeiro, onde resido, às 22h. Antes eu havia ido à casa de uma amiga. Lá, ela me encheu de livros para eu trazer para casa. Insisti que não queria pois estava chovendo, mas ela queria se livrar deles e me encheu de livros grandes e pequenos, foi como que os arrancando das prateleiras e jogando em meus braços. Peguei um saco plástico, os coloquei dentro e voltei para casa. Estava chovendo muito. No ônibus, já na metade do meu bairro, um amigo da cidade de Manaus me liga às 22h, hora da ativação, sem que nem eu e nem ele soubéssemos de nada. Ele me contou que decidira se mudar para o Rio por causa de um insight poderoso. Como ele trabalha em banco, só teria que pedir transferência.

Durante a ligação, descobri que estava no ônibus errado, saltei e vim caminhando debaixo de chuva por uns 6 quarteirões/quadras. Ele ficou comigo falando ao celular, como que nos “ativando”.

O amigo ligou durante a ativação e estava chovendo. Chuva sempre é um sinal poderoso para mim.

Esse amigo vai morar no apartamento de uma amiga tambem de Manaus que há um ano reside no Rio. O amigo de Manaus pediu a um gerente de uma agência carioca do Banco do Brasil, que é amigo dele, para que arrumasse uma vaga por aqui.

O gerente perguntou – Você tem onde ficar?
Meu amigo disse – Ficarei na casa de uma amiga no condomínio X.
O gerente – Mas como assim? Eu moro no condomínio X!!!

Depois dessa história, sem qualquer relação, decidi pesquisar na internet sobre Eckhart Tolle, pois havia ganho um livro dele em meu aniversário. Achei um vídeo no qual ele entrevistava o escritor Donald Walsh de Conversando com Deus, de quem nunca havia ouvido falar. Quem havia postado o video com legendas em português no YouTube foi a mulher do técnico de gravação do último CD que gravei, há três meses! Como assim?, me perguntei. Que mundo pequeno!

Me interessei pelo Walsh e baixei o filme e os livros de Conversando com Deus. Nem sei o porquê, e sem relação alguma, mas peguei o tal do saco plástico dos livros da amiga, lembram? Quando mexi neles, encontrei um Conversando com Deus, em espanhol! O único livro “místico” que havia entre eles.

O Primeiro Livro de Adão e Eva (Apócrifos da Bíblia)

O PRIMEIRO LIVRO DE ADÃO E EVA

 

1. Ao terceiro dia Deus plantou o jardim a leste da terra, no extremo leste do mundo, além do qual, em direção ao levante, não se acha nada além de água que circunda o mundo inteiro e alcança os limites do céu.

2. E ao norte do jardim há um mar de água, claro e puro ao paladar, como nada iguala; de maneira que, através de sua transparência, pode-se olhar para as profundezas da terra.

3. E quando um homem lava-se nela, torna-se limpo por sua limpidez e branco por sua brancura, mesmo que ele estivesse escuro.

4. E Deus criou este mar de Seu próprio agrado, pois Ele sabia o que seria do homem que Ele iria fazer; assim, após deixar o jardim por causa de sua desobediência, nasceriam homens na terra, dentre os quais morreriam os justos cujas almas Deus faria ressurgir no último dia; quando então voltariam à sua carne, banhar-se-iam na água do mar e todos se arrependeriam de seus pecados.

5. Mas quando Deus fez Adão sair do jardim, Ele não o colocou na fronteira norte, para que não se aproximasse do mar de água e ele e Eva se lavassem nele e se tornassem limpos de seus pecados, esquecendo a desobediência cometida.

6. Então, novamente, quanto ao lado sul do jardim, não agradava a Deus permitir a Adão lá habitar; pois, quando o vento soprasse do norte, trar-lhe-ia, no lado sul, o delicioso aroma daquelas árvores do jardim.

7. Porisso Deus não colocou Adão ali para que não aspirasse o doce aroma daquelas árvores, esquecendo sua desobediência e encontrando alívio ao se deliciar com o aroma das árvores e assim se limpasse de sua desobediência.

8. Novamente, também, porque Deus é misericordioso e de grande piedade e governa todas as coisas de uma maneira que somente Ele sabe , Ele fez nosso pai Adão habitar na fronteira oeste do jardim, porque daquele lado a terra é muito extensa.

9. E deus ordenou-lhe que ali habitasse numa caverna dentro da rocha, a Caverna dos Tesouros, abaixo do jardim.

II

1. Mas quando nosso pai Adão e Eva saíram do jardim, palmilharam o chão com seus pés sem saber por onde caminhavam .

2. E quando chegaram à abertura dos portões do jardim e viram a terra vasta estendendo-se diante deles, coberta de pedras grandes e pequenas e de areia tiveram medo e tremeram, prostrando-se com suas faces no chão, acometidos pelo medo; e jaziam como mortos.

3. Porque haviam estado até então na terra do jardim, belamente plantada com toda espécie de árvores e agora se viam numa terra estranha que não conheciam e nunca tinham visto.

4. E porque naquele tempo eles eram cheios de graça e de uma natureza luminosa e não tinham o coração voltado para as coisas terrenas.

5. Por isso Deus teve piedade deles; E quando Ele os viu caídos defronte ao portão do jardim enviou Sua Palavra ao pai Adão e a Eva e ergueu-os de sua prostração.

III

1. Deus disse a Adão : “Eu ordenei os dias e os anos nesta terra e tu e tua descendência deverão habitar e caminhar nela, até se cumprirem os dias e os anos; Então Eu enviarei a Palavra que te criou e à qual tu desobedeceste, a Palavra que te fez sair do jardim e que te ergueu quando tu estavas caído.

2. “Sim, a Palavra que te salvará novamente quando os cinco dias e meio estiverem consumados. “

3. Mas ao ouvir estas palavras de Deus, acerca dos grandes cinco dias e meio, Adão não entendeu o seu significado.

4. Pois Adão estava pensando que haveria somente cinco dias e meio para ele até o fim do mundo.

5. E Adão chorou e suplicou a Deus que lhe explicasse isto.

6. Então Deus , em Sua Misericórdia por Adão, que fora feito segundo Sua própria imagem e semelhança, explicou-lhe que estes eram cinco mil e quinhentos anos; e como o Um viria para salvá-lo e à sua descendência.

7. Mas Deus fizera antes disso esta aliança com nosso pai Adão, nos mesmos termos, quando ele saiu do jardime se encontrava junto à árvore da qual Eva tomara do fruto e lho dera a comer.

8. Porquanto, ao sair do jardim, nosso pai Adão passou por aquela árvore e viu como Deus então havia mudado sua aparência para uma outra forma e como ela ressecara .

9. E aproximando-se dela Adão teve medo, tremeu e caiu; mas Deus, em Sua misericórdia, ergueu-o e então fez esta aliança com ele.

10. E, novamente, quando Adão estava junto ao portão do jardim e viu o querubim, com uma espada de fogo fulgurante na mão, encolerizar-se e fitá-lo com desagrado, tanto ele quanto Eva ficaram com medo dele e pensaram que ele tencionava matá-los. Assim eles prostraram-se e tremeram de medo.

11. Mas ele apiedou-se deles e mostrou-lhes misericórdia; E, voltando-se, subiu ao céu e suplicou ao Senhor e disse :

12. “Senhor, Vós me enviastes para guardar o portão do jardim com uma espada de fogo.

13. “Mas quando Vossos servos Adão e Eva viram-me, prostaram-se e ficaram como mortos. Ó meu Senhor, que devemos fazer com Vossos servos ?”

14. Então Deus apiedou-se deles e mostrou-lhes misericórdia, e enviou Seu anjo para guardar o jardim.

15. E a Palavra do Senhor veio a Adão e Eva e ergueu-os.

16. E o senhor disse a Adão: “Eu te disse que ao final dos cinco dias e meio Eu enviaria minha Palavra e salvar-te-ia.

17. “Fortalece pois teu coração e habita na Caverna dos Tesouros, da qual Eu te falei antes”

18. E quando Adão ouviu esta Palavra de Deus ele foi consolado pelo Deus que lhe tinha dito. Pois Ele lhe dissera como o salvaria.

 


IV

1.Mas Adão e Eva choraram por terem de sair do jardim, a sua primeira habitação.

2.E, certamente, quando Adão olhou para sua carne, que estava alterada, chorou amargamente, ele e Eva, pelo que haviam feito. E eles caminharam e desceram docilmente para a Caverna dos Tesouros.

3.E ao chegarem Adão lamentou-se e disse a Eva : “Olha para esta caverna que será nossa prisão neste mundo. É um lugar de castigo !

4.”Que é isto comparado com o jardim ? Que é esta estreiteza comparada com o espaço do outro? 

5.”Que é esta rocha ao lado destas grutas? Que são as trevas desta caverna comparadas à luz do jardim ?

6.”Que é esta lápide de rocha suspensa para nos abrigar comparada à misericórdia do Senhor que nos acolhia ?

7.”Que é o solo desta caverna comparado à terra do jardim ? Esta terra, coberta de pedras e aquela plantada com deliciosas árvores frutíferas ?”

8. E Adão disse a Eva : “Olha para teus olhos e para os meus, que dantes viam anjos no céu louvando; e eles, também, sem cessar.

9.”Mas agora nós não vemos como víamos: nossos olhos são de carne; não podem ver da mesma maneira como viam antes.”

10.Adão disse novamente a Eva : “Que é nosso corpo hoje comparado ao que era em dias passados, quando habitávamos no jardim ?”

11.Após isso, Adão não gostou de ter de entrar na caverna, sob a rocha suspensa, nem entraria nela jamais por vontade própria.

12.Mas curvou-se às ordens de Deus e disse a si mesmo : “A não ser que eu entre na caverna serei novamente desobediente”.

V

1.Então Adão e Eva entraram na caverna e permaneceram em pé, orando em sua própria língua, desconhecida para nós mas que eles bem conheciam.

2.E enquanto oravam, Adão ergueu os olhos e viu acima de sua cabeça a rocha e o teto da caverna que o cobria, de maneira que não podia ver nem o céu nem as criaturas de Deus. Então ele chorou e golpeou pesadamente seu peito até que caiu e ficou como morto.

3.E Eva sentou-se chorando pois acreditava que ele estivesse morto.

4.Então ela ergueu-se, estendeu suas mãos a Deus pedindo-lhe misericórdia e piedade e disse : “Ó Deus, perdoai-me o meu pecado, o pecado que cometi e não o volteis contra mim.

5.”Pois fui eu quem provocou a queda de Vosso servo, do jardim para este lugar perdido; da luz para esta escuridão; E da morada da alegria para esta prisão .

6.”Ó Deus, olhai para este Vosso servo assim caído e ressuscitai-o de sua morte para que ele possa se lamentar e arrepender de sua desobediência cometida através de mim.

7.”Não leveis sua alma desta vez; mas deixai-o viver para que ele possa expiar sua culpa segundo a medida de seu arrependimento e fazer Vossa vontade antes de sua morte.

8.”Mas se Vós não o ressucitardes, então, ó Deus, levai minha própria alma para que eu esteja com ele; E não me deixeis neste antro só e abandonada pois eu não suportaria ficar só neste mundo, mas com ele somente.

9. “Pois Vós, ó Deus, fizeste cair uma sonolência sobre ele e tomaste um osso de seu lado e restauraste a carne em seu lugar, por Vosso poder divino.

10.”E Vós me tomaste, o osso, e fizeste uma mulher, luminosa como ele, com coração, razão e fala; E de carne como ele mesmo; E Vós me fizeste à semelhança de seu semblante, por Vossa misericórdia e poder.

11.”Ó Senhor, eu e ele somos um e Vós, ó Deus, sois o nosso Criador, Vós sois Aquele que nos fez a ambos no mesmo dia.

12.”Portanto, ó Deus, dai-lhe vida para que ele possa estar comigo nesta terra estranha, enquanto nós morarmos nela por causa de nossa desobediência.

13.”Mas se Vós não quiserdes dar-lhe vida, então levai a mim, até a mim, como ele; Para que nós dois possamos morrer da mesma maneira.

14. E Eva chorou amargamente e caiu sobre nosso pai Adão, por causa de sua grande tristeza.

 

VI

1. Mas Deus olhou para eles; Pois eles se haviam matado pelo grande pesar.

2. Mas Ele queria ressuscita-los e consola-los.

3. Portanto enviou-lhes Sua Palavra a fim de que eles ficassem em pé e fossem ressuscitados imediatamente.

4. E o Senhor disse a Adão e Eva : “ Desobedecestes por vossa livre vontade, até que saístes do jardim no qual Eu vos havia colocado.

5. “ Por vossa própria e livre vontade desobedecestes por causa de vosso desejo de divindade, grandiosidade e condição sublime, tal qual Eu tenho; Assim Eu vos privei da natureza luminosa na qual estáveis então e vos fiz sair do jardim para esta terra rude e cheia de sofrimento.

6. “Se ao menos não tivésseis desobedecido ao Meu mandamento e tivésseis guardado Minha lei e não tivésseis comido do fruto da árvore, da qual Eu vos disse que não vos aproximásseis! E havia árvores frutíferas no jardim melhores que aquela .

7. “Mas o maldoso Satã, que não se manteve em sua primitiva condição nem conservou sua fé – nele não havia boa intenção em relação a Mim e, embora Eu o tivesse criado, ainda assim Me desprezou e buscou a divindade, de modo que Eu o atirei do céu para baixo – . ele foi quem fez a árvore parecer agradável a vossos olhos, até que comestes dela, obedecendo-lhe.

8. “Assim desobedecestes ao Meu mandamento e , portanto, Eu fiz cair sobre vós todas essas tristezas.

9. “Pois Eu sou Deus o Criador, aquele que quando criou as criaturas, não tencionava destruí-las. Mas depois de terem provocado grandemente Minha ira, Eu as puni com castigos atrozes, para que se arrependessem .

10. “Mas , se, ao contrário, elas ainda se mantivessem firmes em sua desobediência, serão amaldiçoadas para sempre . “

VII

1.Quando Adão e Eva ouviram estas palavras de Deus choraram e soluçaram ainda mais; mas fortaleceram seus corações em Deus, porque agora sentiam que o Senhor era para eles como um pai e uma mãe e, por esta mesa razão, choraram diante D´Ele e buscaram sua misericórdia.

2. Então Deus apiedou-se deles e disse : ” Ó Adão, Eu fiz Minha aliança contigo; e não voltarei atrás; nem permitirei que retornes ao Jardim até que Minha aliança dos grandes cinco dias e meio se cumpra”.

3. Então Adão disse a Deus: ” Ó Senhor, Vós nos criastes e nos fizestes aptos a estar no jardim; e antes de eu desobedecer, Vós fizestes todas as feras virem até mim a fim de que eu as nomeasse.

4. ” Vossa graça estava então sobre mim; e eu nomeei a cada uma de acordo com Vosso pensamento; e Vós as fizestes todas submissas a mim.

5. ” Mas, ó Senhor, agora que eu desobedeci ao Vosso mandamento, todas as feras levantar-seão contra mim e me devorarão e a Eva, Vossa serva; e eliminarão nossa vida da face da terra.

6. ” Suplico-Vos, portanto, ó Deus, que, desde que Vós nos fizestes sair do jardim e ficar numa terra estranha, não permitais que as feras nos causem mal.”

7. Quando o Senhor ouviu estas palavras de Adão apiedou-se dele e sentiu que ele dissera a verdade, que as feras do campo se levantariam e o devoraria e a Eva, porque Ele, o Senhor, estava irado com os doios por causa de sua desobediência.

8. Então Deus ordenou às feras e aos pássaros e a tudo que se move sobre a terra, que viessem a Adão e se afeiçoassem a ele e não o perturbassem, nem a Eva; nem ainda aos bons e justos dentre os de sua posteridade.

9. Então as feras prestaram obediência a Adão, de acordo com o mandamento de Deus; exceto a serpente, com quem Deus estava irado. Esta não veio a Adão, junto com as feras.

VIII

1. Então Adão chorou e disse: ” Ó Deus, quando eu morava no jardim e havia enlevo em nossos corações, víamos os anjos que cantavam louvores no céu, mas agora não os vemos mais; ao entrarmos na caverna, toda a criação ocultou-se de nós”.

2. Então Deus, o Senhor, disse a Adão : ” Quando tu eras obdiente a Mim, tinhas uma natureza luminosa em ti e por esta razão podias ver coisas muito distantes. Mas após tua desobediência a natureza luminosa foi-te retirada; e não te foi mais permitido ver coisas distantes mas apenas as bem próximas, aquelas ao alcance de tuas mãos e segundo a capacidade da carne; pois esta é grosseira” .

3. Após ouvirem estas palavras de Deus, Adão e Eva seguiram seu caminho louvando-O e adorando-O com o coração pesaroso.

4. E Deus interrompeu a comunicação com eles.

IX

1. Então Adão e Eva deixaram a Caverna dos Tesouros e aproximaram-se do portão do jardim e ali pararam a olhar para ele e choraram por dele terem saído.

2. E Adão e Eva partiram da frente do portão do jardim em direção ao sul e encontraram ali a água que irrigava o jardim, a água da raiz da Árvore da Vida e que se dividia em quatro rios que corriam pela terra.

3. Então eles vieram e aproximaram-se desta água e olharam para ela; e viram que era a água que brotava da raiz da Árvore da Vida que estava no jardim.

4. E Adão chorou e gemeu e golpeou seu peito por estar afastado do jardim; e disse a Eva :

5. ” E por que tu trouxeste sobre mim, sobre ti mesma e sobre nossa descendência tantos flagelos e castigos ?”

6. E Eva disse-lhe: ” Que foi que tu viste para chorar e falar-me assim ? “

7. E disse ele a Eva : ” Não vês esta água que estava conosco no jardim e que irrigava as árvores do jardim e de lá corria ?

8. ” E nós, quando estávamos no jardim, não nos importávamos com isto; mas desde que viemos para esta terra estranha, nós a amamos, e faremos uso dela para nosso corpo.”

9. Mas quando Eva ouviu dele essas palavras, chorouo; e cheios de dor e gemendo, caíram na água; e ali teriam acabdo consigo mesmos, a fim de nunca mais voltar a ver a criação; pois quando eles olharam para a obra da criação, sentiram que deviam pôr um fim a si mesmos.

 

X

1. Então Deus, misericordioso e benevolente, olhou para eles assim caídos na água tão próximos da morte e enviou um anjo que os tirou da água e deitou-os na praia como mortos.

2. Então o anjo subiu até Deus, foi bem-vindo e disse : ” Ó Deus, Vossas criaturas deram seu último suspiro.”

3. Então Deus enviou Sua Palavra a Adão e Eva e os ressuscitou de sua morte.

4. E Adão disse, após haver sido ressuscitado: “Ó Deus, enquanto estávamos no jardim nem nos importávamos com esta água nem dela necessitávamos; mas desde que viemos para esta terra não podemos passar sem ela “

5. Então Deus disse a Adão: ” Enquanto estavas sob Meu comando e eras um anjo luminoso, não conhecias esta água.”

6. ” Mas após teres desobedecido ao Meu mandamento, não podes passar sem água para lavar teu corpo e fazê-lo crescer; pois este é agora como o das feras e necessita de água.”

7. Quando Adão e Eva ouviram essas palavras de Deus choraram um choro amargo; e Adão suplicou a Deus que lhe permitisse voltar ao jardime olhar para ele uma vez mais.

8. Mas Deus disse a Adão: “Eu te fiz uma promessa; quando esta promessa for cumprida, Eu te trarei de volta ao jardim, a ti e à tua descendência justa”. E Deus parou de se comunicar com Adão.

XI

1. Então Adão e Eva sentiram-se queimando de sede e calor e tristeza.

2. E Adão disse a Eva: “Não devemos beber desta água, mesmo se morrermos. Ó Eva, quando esta água penetrar em nossas entranhas, aumentará nossos castigos e os de nossos filhos que virão depois de nós”.

3. Adão e Eva abstiveram-se então da água e não beberam nada; Mas caminharam e entraram na Caverna dos Tesouros.

4. Mas uma vez dentro dela Adão não podia ver Eva; ele apenas ouvia o ruído que ela fazia. Nem ela podia ver Adão, mas ouvia o ruído que ele fazia.

5. Então Adão chorou em profundo sofrimento e golpeou seu peito; e erguendo-se disse a Eva : “Onde estás?”

6. E ela lhe disse : “Vê, eu estou nesta escuridão”.

7. Ele então lhe disse : “Recorda-te da natureza luminosa na qual vivíamos enquanto habitávamos no jardim!”

8.”Ó Eva! Recorda-te da glória que repousava em nós no jardim. Ó Eva! Recorda-te das árvores que faziam sombra sobre nós no jardim enquanto nos movíamos entre elas”.

9.”Ó Eva! Recorda-te de que, enquanto estávamos no jardim, não conhecíamos nem a noite nem o dia. Pensa na Árvore da Vida, de sob a qual brotava a água e que derramava brilho sobre nós! Recorda-te, ó Eva, da terra do jardim e da sua luminosidade !”

10. “Pensa, oh!, pensa neste jardim onde não havia escuridão enquanto morávamos nele!”

11.“Enquanto que, tão logo chegamos a esta Caverna dos Tesouros, a escuridão envolveu-nos; tanto que não mais podemos ver-nos um ao outro; e todo o prazer desta vida chegou a um fim “.

XII

1. Então Adão golpeou seu peito, e também Eva, e eles prantearam a noite inteira até a aurora se aproximar, e eles lamentaram suspirando a noite longa em Miyazia.

2. E Adão agrediu-se e jogou-se no chão da caverna, em amargo pesar, e por causa da escuridão, ali permaneceu como morto.

3. Mas Eva ouviu o barulho que ele fez ao cair ao chão. E ela tateou à sua volta procurando-o e encontrou-o como um cadáver.

4. Então ela ficou com medo, sem fala e permaneceu junto dele.

5. Mas o Senhor misericordioso olhou para a morte de Adão e para o silêncio de Eva por causa do medo da escuridão.

6. E a Palavra de Deus chegou a Adão e ressuscitou-o de sua morte, e abriu a boca de Eva para que ela voltasse a falar.

7. Então Adão ergueu-se na caverna e disse : “Ó Deus, por que a luz nos deixou e a escuridão nos acometeu ? Por que nos deixais nesta longa escuridão ? Por que nos quereis assim castigar ?”

8. “E esta escuridão, ó Senhor, onde estava, antes de nos acometer ? Ela é tamanha que não podemos ver um ao outro”.

9. “Pois, enquanto estávamos no jardim, não vimos nem mesmo sabíamos o que é a escuridão. E eu não fiquei oculto de Eva, nem ela ficou oculta de mim, até que agora ela não me pode ver; e nenhuma escuridão nos havia acometido antes, separando-nos um do outro”.

10. “Mas ela e eu estávamos ambos numa única luz brilhate. Eu a via e ela a mim. Mas agora desde que entramos nesta caverna, a escuridão nos envolveu e nos separou, assim que eu não a vejo e ela não vê a mim”.

11. “Ó Senhor, quereis então castigar-nos com esta escuridão ?”

XIII

1. Então , quando Deus, que é misericordioso e cheio de piedade, ouviu a voz de Adão, lhe disse

2. “Ó Adão, enquanto o bom anjo foi obediente a Mim, a luz brilhante repousava nele e em suas hostes”

3. “Mas quando ele desobedeceu Meu mandamento, Eu o privei dessa natureza luminosa, e ele se tornou opaco”.

4.” E quando ele estava nos céus, nos domínios de luz, ele não conhecia nada da escuridão”.

5. “Mas ele desobedeceu e Eu o fiz cair do céu para a terra; e foi esta escuridão que lhe sobreveio”.

6. “E sobre ti, ó Adão, enquanto em Meu jardim e obediente a Mim, esta luz brilhante repousou também sobre ti”.

7. “Mas quando Eu soube de tua desobediência, privei-te desta luz brilhante. Ainda assim, por Minha misericórdia, não te transformei em escuridão, mas fiz teu corpo de carne , e sobre ele estendi esta pele, a fim de que suporte o frio e o calor”.

8. “Tivesse Eu permitido à Minha ira cair pesadamente sobre ti, serias destruído; e tivesse Eu te transformado em escuridão, seria como se Eu te matasse”.

9. “Mas, em Minha misericórdia, fiz-te como és, quando tu desobedeceste ao meu mandamento, ó Adão, expulsei-te do jardim e te fiz chegar a esta terra; e ordenei-te habitar nesta caverna; e a escuridão caiu sobre ti, como caiu sobre aquele que desobedeceu ao Meu mandamento” .

10. “Neste caso, ó Adão, esta noite te enganou. A noite não há de durar para sempre; mas por doze horas apenas; quando terminar, a luz do dia retornará”

11. “Não lamentes, portanto, nem te alteres, e não digas em teu coração que esta escuridão é longa e se arrasta devagar; e não digas em teu coração que Eu te estou castigando com isto”.

12. “Fortalece teu coração e não tenhas medo. Esta escuridão não é castigo. Mas, ó Adão, Eu fiz o dia e coloquei nele o sol para dar luz, a fim de que tu e teus filhos fizésseis o vosso trabalho.

13. “Pois Eu sabia que tu irias pecar e desobedecer, e vir para esta terra. Ainda assim Eu não te forçaria, nem seria duro contigo, nem te confinaria; nem te condenaria por tua queda; nem por tua saída da luz para a escuridão; nem mesmo por tua saída do jardim para esta terra”.

14. “Pois Eu te fiz de luz; e quis gerar de ti filhos de luz, semelhantes a ti”.

15. “Mas um dia tu não guardaste Meu mandamento; antes que Eu terminasse a criação e abençoasse tudo nela”.

16. “Então Eu te dei um mandamento acerca da árvore, de não comeres dela. Mesmo assim Eu sabia que Satã , que enganou-se a si próprio, também te enganaria.

17. “Assim Eu te fiz saber, por meio da árvore, que não te aproximasses dele. E Eu te disse para que não comesses do seu fruto, nem dele provasses, nem te sentasses debaixo dela”.

18. “Não tivesse Eu falado a ti, ó Adão, acerca da árvore, e te deixasse sem um aviso, e tu tivesses pecado, teria sido uma maldade de Minha parte não te dar nenhum aviso; tu te voltarias e Me culparias por isto”.

19. “Mas Eu te dei o mandamento e te preveni, e tu caíste. Assim, Minhas criaturas não me podem culpar; porém a culpa recai sobre elas somente”.

20. “E, ó Adão, Eu fiz o dia para ti e para teus descendentes que virão depois de ti, para nele trabalhares e labutarem. E Eu fiz a noite para eles descansarem nela do seu trabalho; e para os animais do campo saírem à noite e procurarem seu alimento”.

21. “Porém, é pouca a escuridão que te resta agora, ó Adão; pois a luz do dia logo surgirá”.

XIV

1. Então Adão disse a Deus : “Ó Senhor, levai minh’alma , e não me deixeis mais ver estas trevas; ou levai-me a algum lugar onde não haja escuridão”.

2. Mas Deus o Senhor disse a Adão: “Em verdade Eute digo, esta escuridão passará por ti todos os dias que determinei para ti até o cumprimento da Minha aliança; quando então Eu te salvarei e te levarei de novo para o jardim, para a morada de luz que tu almejas, onde não há escuridão. Eu o trarei a ele, ao reino do céu”.

3. Novamente Deus disse a Adão: “Toda esta miséria que acarretaste sobre ti por causa da tua desobediência não te libertará das mãos de Satã e ele não te salvará”.

4. “Mas Eu, sim, salvar-te-ei. Quando Eu descer do céu e tornar-Me carne da tua descendência, e tomar sobre Mim a enfermidade da qual tu padeces, então a escuridão que caiu sobre ti nesta caverna virá sobre Mim no túmulo, quando Eu estiver na carne da tua descendência”.

5. “E Eu, que sou eterno, estarei sujeito à contagem dos anos, dos tempos, dos meses e dos dias, ,e serei considerado como um dos filhos dos homens, para te salvar”.

6. E Deus parou de se comunicar com Adão.

XV

1. Então Adão e Eva choraram e entristeceram-se por causa das palavras que Deus lhe dissera, que eles não voltariam ao jardim até o cumprimento dos dias decretados para eles; mas principalmente por haver Deus dito que Ele deveria sofrer para salvá-los.

XVI

O primeiro alvorecer. Adão e Eva pensam que é um fogo vindo para exterminá-los.

1. Depois disso Adão e Eva não pararam de orar e chorar na caverna até que a manhã desceu sobre eles.

2. E ao ver a luz sendo-lhes devolvida, deixaram de ter medo e fortaleceram seus corações.

3. Então Adão começou a sair da caverna. E quando chegou na boca da caverna, parou e voltou sua face em direção do leste, viu o sol levantar-se em raios brilhantes e sentiu o seu calor no seu corpo; teve medo dele e pensou em seu coração que esta chama vinha para castigá-lo.

4. Ele chorou então e golpeou seu peito, e prostou-se com a face na terra e fez seu pedido dizendo:

5. “Ó senhor, não me castigueis, nem me destruais, nem tireis já minha vida da terra”

6. Pois ele pensou que o sol era Deus.

7. Já que enquanto estava no jardim e ouvia a voz de Deus e o som que Ele fazia no jardim e O temia, Adão nunca vira a luz brilhante do sol, nem seu calor flamejante tocara seu corpo.

8. Porisso ele ficou com medo do sol quando seus raios ardentes o alcançaram. Ele pensou que com isto Deus tencionava castigá-lo todos os dias decretados por ele.

9. Pois Adão também disse em seus pensamentos: “Já que Deus não nos castigou com a escuridão, eis que Ele fez este sol nascer para castigar-nos, queimando-nos com seu calor”.

10. Mas, enquanto ele assim pensava no seu coração, a Palavra de Deus veio e lhe disse :

11. “Ó Adão, levanta-te e põe-teem pé. Estesol não é Deus; mas foi criado para iluminar o dia. Foi o que Eu te falei na caverna dizendo que a aurora irromperia e haveria luz durante o dia.

XVII

A serpente

1. Então Adão e Eva saíram pela boca da caverna e caminharam em direção ao jardim.

2. Mas ao aproximarem-se dele, defronte ao portão oeste, do qual viera Satã quando enganou Adão e Eva, encontraram a serpente que se tornara Satã e que tristemente lambia o pó e se arrastava com seu peito no chão, por causa da maldição de Deus.

3. Aserpente, que antes tinha sido o mais sublime de todos os animais, agora estava mudada e se tornara escorregadia e o pior de todos eles e arrastava-se sobre seu peito e andava sobre seu ventre.

4. Considerando que fora o mais belo de todos os animais, mudada, tornou-se o mais feio de todos eles. Em vez de alimentar-se do melhor, agora comia o pó. Em vez de habitar, como antes, os melhores lugares, agora viva no pó.

5. E, enquanto era o mais belo de todos os animais, todos emudeciam perante sua beleza; agora tornara-se abominável.

6. E, novamente, enquanto ela habitara uma bela morada, todos os outros animais para ali acorriam; e onde bebesse, eles também bebiam; agora, depois de se tornar venenosa pela maldição de Deus, todos os animais fugiam de sua morada, e não bebiam mais da água que ela bebesse; mas fugiam desta.

XVIII

O combate mortal com a serpente

1. Quando a amaldiçoada serpente viu Adão e Eva, inclinou a cabeça, pôs-se sobre sua cauda e, com os olhos injetados de sangue, fez menção de matá-los.

2. E avançou diretamente para Evae lançou-se atrás dela; enquanto Adão, de lado, chorava por não ter uma vara em suas mãos com a qual pudesse golpear a serpente, e não sabia como matála.

3. Mas, com o coração ardendo por Eva, Adão aproximou-se da serpente e a segurou pela cauda; quando então ela se voltou em sua direção e disse :

4. “Ó Adão, por causa de ti e de Eva eu sou escorregadia e ando sobre meu ventre.” Então, sendo grande sua força, derrubou Adão e Eva e os esmagou, com intenção de matá-los.

5. Mas Deus mandou um anjo que lançou a serpente para longe deles e os ergueu.

6. Então a Palavra de Deus veio à serpente, dizendo: “Da primeira vez Eu te fiz loquaz e te fiz andar sobre teu ventre; mas Eu não te havia privado da fala.

7. “Agora, ,entretanto, sê muda; e não mais falarás, tu e tua raça; porque da primeira vez a ruína das minhas criaturas aconteceu através de ti, e agora tu querias matá-las”.

8. Então a serpente emudeceu e não mais falou.

9. E soprou um vento do céu por ordem de Deus e carregou a serpente para longe de Adão e Eva, jogando-a na beira do mar, e ela foi parar na Índia.

 XIX

1. Mas Adão e Eva choraram perante Deus. E Adão disse-Lhe :

2. “Ó Senhor, quando eu estava na caverna Vos disse, meu Senhor, que os animais do campo se levantariam e me devorariam e eliminariam minha vida na terra”

3. Então Adão, por causa do que lhe havia acontecido, golpeou seu peito e prostrou-se em terra como um cadáver; então sobreveio a Palavra de Deus que o ergueu e disse-lhe :

4. “Ó Adão, nenhum desses animais poderá ferir-te porque quando Eu fiz estes animais e outras coisas moventes virem até ti na caverna, não permiti à serpente vir com eles, para que não se levantasse contra vós e vos fizeste tremer; e o medo que sentiríeis penetrasse em vossos corações.

5. “Pois Eu sabia que esta amaldiçoada é maldosa; porisso Eu não lhe permiti chegar perto de vós com os outros animais.

6. “Mas agora fortalece teu coração e não tenhas medo. Eu estou contigo até o fim dos dias que determinei para ti”.

XX

1. Então Adão chorou e disse : “Ó Deus, levai-nos para algum outro lugar, onde a serpente não possa novamente aproximar-se e levantar-se contra nós. Para que não encontre Vossa criada Eva sozinha e a mate, pois seus olhos são medonhos e maus”

2. Mas Deus disse a Adão e Eva : “Daqui por diante não tenhais medo, não permitirei que ela se aproxime de vós; Eu a afastei de vós, dessa montanha; nem permitirei que ela de modo algum vos machuque”

3. Então Adão e Eva adoraram a Deus e deram-lhe graças, e louvaram-no por livrá-los da morte.

 

O aleatório em nossas vidas (Livro O Andar do Bêbado)

“Deus é o próprio conjunto de leis que rege a natureza”, Leonard Mlodinow.

Se o físico superstar Stephen Hawking disse que o livro O Andar do Bêbado do físico Leonard Mlodinow (Editora Zahar) é “um guia maravilhoso e acessível sobre como o aleatório se manifesta em nossas vidas“, quem sou eu para refutá-lo?

Curiosamente, Mlodinow é um dos sobreviventes do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. Coincidência? Acaso?

Como não acredito em coincidência ou acaso, muito me interessei pela obra, para que eu pudesse ter contato com um ponto de vista “não-junguiano” sobre o assunto “acaso” e “causa-efeito”. O autor (que esteve no Brasil para a Bienal do Livro no Rio, e que trabalhou nos anos 1980, como roteirista nas séries McGyver e Jornada nas Estrelas: A Nova Geração) se põe contra a intuição e alega que tudo o que ocorre conosco é apenas resultado de opções lógicas, muitas desprezadas.

Mlodinow diz que “a resposta humana à incerteza é tão complexa que, por vezes, distintas estruturas cerebrais chegam a conclusões diferentes e aparentemente lutam entre si para determinar qual delas dominará as demais. Quando lidamos com processos aleatórios – seja em situações militares ou esportivas, questões de negócios ou médicas –, as crenças e a intuição muitas vezes nos deixam em maus lençóis”.

 Será?

E como fica a intuição nessa história? Seria o vilão? Para o autor, a intuição até pode dar certo, mas não é comum, é incomum. Há aleatoriedade e incerteza antes. Para os familiarizados com ficção científica e teorias quânticas, há um paradoxo que prega que se um viajante do tempo voltasse ao passado para impedir que um evento futuro ocorresse, ele de fato, conseguiria mudar o “futuro”, mas esse “novo futuro”, a nova possibilidade, não faria parte da linha do tempo original, mas de uma linha paralela, ou seja: o futuro não seria afetado na linha de tempo original, mas essa mudança ocorreria sim, em um outro plano. A história teria então, duas possibilidades e não mais uma como anteriormente, mas ambas não se misturariam. Seria como um backup universal que duplicaria a ação, mas não apagaria a matriz oficial. Esse é o paradoxo do não livre-arbítrio.

 E o que o livro de Mlodinow explica é que não há livre-arbítrio, mas possibilidades matemáticas, por mais absurdas que sejam. A insistência é um desses fatores que levam ao sucesso, como por exemplo na questão dos autores que ouvem vários nãos em relação aos seus livros, uma rejeição repetida, antes que suas obras se tornem grandes sucessos. A lista dos autores desprezados é imensa. Os que desistem ficam fora da disputa.

 “O sucesso resulta tanto de fatores aleatórios quanto de habilidade, preparação e esforço. Portanto, a realidade que percebemos não é um reflexo direto das pessoas ou circunstâncias que a compõem, e sim uma imagem borrada pelos efeitos randomizantes de forças externas imprevisíveis ou variáveis”.

 “A teoria da aleatoriedade é fundamentalmente uma codificação do bom senso. Mas também é uma área de sutilezas, uma área em que grandes especialistas cometeram equívocos famosos e apostadores experientes acertaram de maneira infame”.

 Leonard Mlodinow

O livro (re)apresenta conceitos matemáticos (lógicos per se) que explicam que os ciclos de sucesso/fracasso/acerto/erro não são resultantes exclusivamente de escolhas humanas (apesar de estarem intimamente ligados a) mas de aleatoriedades. Um dos exemplos que o autor dá, é curiosamente interessante para nós brasileiros: o técnico de futebol. Há um ciclo de vitórias quando o técnico chega e algum tempo depois, até mesmo após ter sido campeão brasileiro, ocorre um ciclo de fracassos e crises. Esse elemento desagregador não seria responsabilidade nem do técnico, da imprensa e nem do time, mas de um ciclo inevitável de subidas e quedas, e mais especificamente do acaso, da aleatoriedade, segundo teses matemáticas modernas, quase quânticas.

 Nos anos 1930, o tcheco-americano Kurt Gödel – amigo de Einstein – provou que a maior parte da matemática deve ser inconsistente ou então conter verdades que não podem ser provadas.

 Mlodinow inicia o livro com um exemplo paterno:

 “Às vezes ocorrem coisas que não podem ser previstas”, disse-lhe o pai. “Ele me contou de quando, em Buchenwald, o campo de concentração nazista em que ficou preso, já quase morrendo de fome, roubou um pão da padaria. O padeiro fez com que a Gestapo reunisse todos os que poderiam ter cometido o crime e alinhasse os suspeitos. “Quem roubou o pão?”, perguntou o padeiro. Como ninguém respondeu, ele disse aos guardas que fuzilassem os suspeitos um a um, até que estivessem todos mortos ou que alguém confessasse. Meu pai deu um passo à frente para poupar os outros. Ele não tentou se pintar em tons heroicos, disse-me apenas que fez aquilo porque, de qualquer maneira, já esperava ser fuzilado. Em vez de mandar fuzilá-lo, porém, o padeiro deu a ele um bom emprego como seu assistente”.

 E concluiu: “Não teve nada a ver com você, foi um lance de sorte, mas se o desfecho fosse diferente, você nunca teria nascido.”

 Que coisa né? É uma forma de ver a vida: a aleatoriedade.

 “O papel do acaso em nossas vidas não é exclusividade dos extremos. O desenho de nossas vidas é continuamente conduzido em novas direções por diversos eventos aleatórios que, juntamente com nossas reações a eles, determinam nosso destino. Como resultado, a vida é ao mesmo tempo difícil de prever e difícil de interpretar”.

 Leonard Mlodinow se debruça sobre as mais diversas teorias matemáticas, explicadas com muita exatidão, até mesmo para pessoas que como eu, não gostam de cálculos. O livro é um primor de humor e exatidão logística, explicando todas as teses, como por exemplo o fenômeno chamado de “efeito borboleta”, que prediz que ínfimas alterações atmosféricas, como as causadas pelo bater das asas de uma borboleta, poderiam ter um grande efeito nos subsequentes padrões atmosféricos globais. O autor confessa que “essa noção pode parecer absurda – é equivalente à ideia de que a xícara de café que você tomou de manhã poderia levar a alterações profundas em sua vida. No entanto, isso é efetivamente o que acontece”.

 Para fechar a resenha, mais uma história deliciosa:

 “NO OUTONO DE 1941, alguns meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor, um agente de Tóquio pediu a um espião em Honolulu que fizesse um relatório sobre os navios presentes no porto. O pedido foi interceptado e enviado ao Escritório de Inteligência Naval. A mensagem chegou a Washington, decodificada e traduzida, em 9 de outubro.

 Algumas semanas depois, ocorreu um incidente curioso: os monitores americanos perderam o sinal das comunicações de rádio de todos os porta-aviões conhecidos na primeira e segunda frotas japonesas, perdendo com isso todas as informações sobre sua localização. Então, no início de dezembro, a Unidade de Inteligência em Combate relatou que os japoneses haviam alterado seus códigos que identificam a fonte de uma transmissão de rádio.

 Em tempos de guerra, esses códigos revelam a identidade de uma fonte, não só para os aliados, mas também para os inimigos; por isso, são alterados periodicamente. O fato de que os japoneses os tivessem alterado duas vezes em 30 dias era considerado “um passo na preparação de operações em grande escala”.

 Dois dias depois, foram interpretadas e decodificadas mensagens japonesas enviadas a representações diplomáticas para que destruíssem imediatamente a maior parte de seus códigos e queimassem todos os documentos confidenciais. Por volta dessa época, o FBI também interceptou uma ligação telefônica de um cozinheiro do consulado havaiano para alguém em Honolulu, informando, muito empolgado, que os oficiais estavam queimando todos os documentos importantes. O diretor-assistente da principal unidade de inteligência do Exército, tenente-coronel George W. Bicknell, levou uma das mensagens interceptadas a seu chefe quando este se preparava para sair para jantar com o chefe do Departamento Havaiano do Exército. Era o final da tarde de sábado, 6 de dezembro, um dia antes do ataque. O superior de Bicknell levou cinco minutos para analisar a mensagem, depois a deixou de lado, considerando que não tinha importância, e saiu para jantar. Quando analisados em retrospecto, esses eventos parecem anunciar um grande mau presságio; por que, estando de posse dessas informações, ninguém foi capaz de prever o ataque?

Resposta: Em qualquer série complexa de eventos na qual cada evento se desenrola com algum elemento de incerteza, existe uma assimetria fundamental entre o passado e o futuro”.

AS SETE LEIS PARA O SUCESSO – parte V

 A QUINTA LEI: A LEI DA INTENÇÃO E DO DESEJO (Deepak Chopra)

 

Todas as intenções e todos os desejos contêm a sua própria possibilidade de realização. No campo da potencialidade pura, a intenção e o desejo possuem um poder organizador infinito. E quando introduzimos uma intenção no solo fértil da potencialidade pura, pomos esse poder organizador infinito a trabalhar por nós.

 No princípio era o desejo; que constituía a primeira semente do espírito, os sábios, meditando do fundo do coração, descobriram com o seu conhecimento a ligação entre o existente e o não-existente. O Hino da Criação, Ríg Veda

 A quinta lei espiritual do sucesso consiste na Lei da Intenção e do Desejo. Esta lei baseia-se no fato de a energia e a informação existirem em toda a parte da natureza. Na verdade, ao nível do campo quântico, não há nada senão energia e informação. O campo quântico constitui apenas outra designação para o campo da consciência e da potencialidade puras. E o campo quântico é influenciado pela intenção e pelo desejo. Vejamos este processo em pormenor. Se reduzirmos aos seus componentes essenciais uma flor, o arco-íris, uma árvore, uma folha de relva, um corpo humano, veremos que são constituídos por energia e informação. Todo o universo, na sua natureza essencial, representa o movimento da energia e informação. A única diferença entre um ser humano e uma árvore é o conteúdo da informação e a energia dos respectivos corpos. No plano material tanto o ser humano como a árvore são constituídos pelos mesmos elementos reciclados: basicamente, carbono, hidrogénio, oxigênio, nitrogênio, e outros elementos em menores quantidades.

Poderia adquirir esses elementos numa loja de hardware por pouco dinheiro. Portanto, aquilo que faz a diferença entre o ser humano e a árvore não é o carbono, nem o hidrogénio, nem o oxigênio. Na verdade, o ser humano e a árvore realizam trocas constantes de oxigênio um com o outro. A verdadeira diferença entre os dois reside na energia e na informação. No sistema da natureza, nós somos uma espécie privilegiada. Possuímos um sistema nervoso capaz de reconhecer o conteúdo de energia e informação do campo localizado que dá origem ao nosso corpo físico, Possuímos a experiência subjetiva desse campo, sob a forma dos nossos próprios pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, memórias, instintos, impulsos e Crenças. E também possuímos a experiência objetiva desse campo, através do corpo físico – e por meio do corpo físico, temos a experiência desse campo sob a forma do mundo, mas tudo constitui a mesma substância. Por isso os profetas antigos diziam “Eu sou isso, tu és isso e isso é tudo o que existe.”.

O nosso corpo não se encontra separado do corpo do universo, pois ao plano dos mecanismos quânticos não existem fronteiras bem definidas. Somos como linhas ondulantes, ondas, convulsões, redemoinhos, perturbações localizadas no imenso campo quântico. O imenso campo quântico, o universo, constitui uma extensão do nosso corpo. O sistema nervoso humano não só reconhece a informação e a energia do seu próprio campo quântico como também pode conscientemente modificar o conteúdo e a informação que origina o seu corpo físico, já que a consciência humana é infinitamente flexível, devido ao seu maravilhoso sistema nervoso. Podemos conscientemente mudar o conteúdo de informação e energia do nosso próprio corpo mecânico quântico e assim influenciar o conteúdo de energia e informação da extensão do nosso corpo – o nosso ambiente, o nosso mundo – e provocar nele a manifestação das coisas. Essa transformação consciente realiza-se através de duas qualidades inerentes à consciência: a atenção e a intenção.

A atenção transmite energia e a intenção transmite forma.

Damos força a todas as coisas da nossa vida às quais aplicamos a nossa atenção. As coisas às quais não aplicamos a nossa atenção enfraquecem, desintegram-se e desaparecem. A intenção, por sua vez, desencadeia a transformação da energia e da informação.

A intenção organiza a sua própria realização.

A qualidade da intenção aplicada ao objeto da atenção orquestra uma infinidade de ocorrências espaço-temporais que conduzem ao efeito pretendido, desde que sigamos as outras leis espirituais do sucesso. Isto acontece porque, no solo fértil da atenção, a intenção possui um poder organizador infinito. Este poder organizador infinito significa o poder de organizar uma infinidade de ocorrências espaço-temporais, todas ao mesmo tempo. Podemos ver a expressão deste poder organizador infinito em cada folha de relva, em cada flor de macieira, em cada célula do nosso corpo. Encontramo-lo em tudo o que está vivo. No sistema da natureza, todas as coisas se encontram ligadas umas às outras. A marmota sai de baixo da terra e sabemos que a Primavera está a chegar. Em certas épocas do ano, as aves começam a emigrar para locais determinados. A natureza constitui uma sinfonia. E essa sinfonia é orquestrada em silêncio no plano primordial da criação. o corpo humano constitui outro bom exemplo dessa sinfonia. Uma simples célula do corpo humano realiza cerca de seis triliões de coisas por segundo e tem de saber o que estão a fazer todas as outras células ao mesmo tempo. O corpo humano pode ao mesmo tempo tocar música, matar germes, fazer um bebé, recitar poesia e controlar o movimento das estrelas, pois o campo da correlação infinita faz parte do seu campo de informação. O sistema nervoso da espécie humana possui uma característica notável, um ser capaz de comandar o poder organizador infinito, através da intenção consciente. A intenção, na espécie humana, não se encontra fechada ou presa numa rede rígida de energia e informação. Possui uma flexibilidade infinita. Por outras palavras, se não violarmos as outras leis da natureza, através da intenção Poderemos literalmente comandar as leis da natureza, de forma a realizarmos os nossos sonhos e desejos. Podemos pôr o computador cósmico, com o seu infinito Poder organizador, a trabalhar para nós. Podemos, entrar no campo primordial da criação, introduzir nele uma intenção e só pelo fato de termos introduzido essa intenção estamos a ativar o campo da correlação infinita. A intenção constitui a base de suporte do fluxo fácil, espontâneo e corrente da potencialidade pura, procurando o manifesto para exprimir o não-manifesto. O nosso único cuidado deverá ser utilizar a intenção para o benefício da espécie humana. Isso acontecerá espontaneamente, se cumprirmos as Sete Leis Espirituais do Sucesso. A intenção constitui o verdadeiro poder por trás do desejo. A intenção, só por si, é muito poderosa, pois ela consiste no desejo, sem a preocupação do resultado. O desejo, só por si, é fraco, já que para a maioria das pessoas o desejo consiste na atenção ligada à preocupação.

 A intenção consiste no desejo, cumprindo estritamente todas as outras leis, mas em especial a Lei do Desprendimento, que constitui a Sexta Lei Espiritual do Sucesso.

A intenção combinada com o desprendimento conduz a um conhecimento do momento presente centrado na vida. E quando a ação se realiza no âmbito do conhecimento do momento presente, torna-se mais eficaz. A nossa intenção dirige-se ao futuro, mas a nossa atenção encontra-se no presente, a nossa intenção para o futuro virá a manifestar-se, porque é no presente que se cria o futuro. Devemos aceitar o presente tal como é. Aceitemos o presente e criemos intenções para o futuro. o futuro constitui algo que podemos sempre criar através da intenção desprendida, mas nunca devemos lutar contra o presente. O passado, o presente e o futuro representam propriedades da consciência. O passado constitui a recordação, a memória – o futuro representa antecipação; o presente representa conhecimento. Portanto, o tempo constitui o movimento do pensamento.

Tanto o passado como o futuro nascem na imaginação; apenas o presente, que representa conhecimento, se pode dizer real e eterno. Pode dizer-se que o presente é: A potencialidade da relação espaço-tempo, da matéria e da energia. Constitui um eterno campo de possibilidades da manifestação de forças abstratas, quer seja a luz, o calor, a eletricidade, O Magnetismo ou a gravidade. Essas forças não se situam no passado nem no futuro. Apenas são.

 

A nossa interpretação dessas forças abstratas dão-nos a experiência da forma e do fenómeno concreto. As interpretações rememorativas das forças abstratas geram a experiência do passado; as interpretações antecipadoras das mesmas forças abstratas criam o futuro. Elas constituem as qualidades da atenção na consciência. Quando essas qualidades se libertam do peso do passado, a ação no presente torna-se solo fértil para a criação do futuro. A intenção, baseada nesta liberdade despreocupada do presente, serve de catalisador para a mistura correta de matéria, energia e ocorrências espaço-temporais, de modo a criar tudo aquilo que desejar. Se possuir um conhecimento do presente centrado na vida, os obstáculos imaginários, que constituem mais de noventa por cento dos obstáculos conhecidos desintegram-se e desaparecem. Os restantes cinco a dez por cento dos obstáculos conhecidos podem transmutar-se em oportunidades com uma intenção dirigida. A intenção dirigida constitui a qualidade da atenção que se caracteriza pela firmeza inflexível do seu objetivo. A intenção dirigida significa que aplicamos a nossa atenção, no sentido de obter o resultado que desejamos, com uma firmeza de objetivos tão inflexível, que recusamos em absoluto qualquer obstáculo que possa consumir e dissipar a qualidade focalizada da nossa atenção. Na nossa consciência, dá-se uma exclusão total e completa de todos os obstáculos. Somos capazes de manter uma serenidade inabalável, ao mesmo tempo que nos entregamos ao nosso objetivo com uma paixão intensa. É este o poder simultâneo do conhecimento desprendido e da intenção focalizada e dirigida. Aprenda a aproveitar o poder da intenção e criar tudo o que desejar. Também pode obter resultados, através de um grande esforço e sofrimento mas isso tem custos, que podem ir desde o stress até ao ataque cardíaco, ou ao comprometimento das funções do seu sistema imunológico. É muito melhor cumprir as cinco regras seguintes da Lei da Intenção e do Desejo. Seguindo estas cinco regras para realizar os seus desejos, a intenção gerará o seu próprio poder:

1 Deslize pela abertura. Isto significa concentrar-se no espaço silencioso entre os pensamentos, entrar no silêncio – um nível do Ser que constitui o seu estado essencial.

2 Depois de estabelecido nesse estado do Ser, liberte as suas intenções e desejos. Na própria abertura, não há pensamentos nem intenções, mas quando sair da abertura, na junção entre a abertura e um pensamento, a intenção é introduzida. Se tiver diversos objetivos, escreva-os e focalize neles a sua intenção, antes de entrar na abertura. Se desejar uma carreira de sucesso, por exemplo, entre na abertura com essa intenção e a intenção já lá estará, como uma ténue luz de conhecimento. Ao libertar as suas intenções e desejos na abertura, está a plantá-las no solo fértil da potencialidade pura, espere que floresçam quando chegar a estação. Não deve escavar para ver se as sementes dos seus desejos estão a crescer, nem deve prender-se muito para ver como elas se vão desenvolver. A única coisa que deve fazer é libertá-las.

3 Mantenha-se no estado de autorreferência. Isto significa que deve manter-se no plano do conhecimento do seu verdadeiro Eu – a sua alma, a sua ligação ao campo da potencialidade pura. Também significa que não deve olhar para si próprio através dos olhos do mundo, Ou deixar-se influenciar pelas opiniões e críticas dos outros. Um bom meio para manter esse estado de autorreferência é guardar os seus desejos para si próprio; não os partilhe com mais ninguém, a menos que sejam pessoas que tenham exatamente os mesmos desejos que o leitor e estejam muito ligadas a si..

4 Renuncie à preocupação com os resultados. Isto significa que não se deve prender muito à expectativa de um resultado específico, mas sim viver com o conhecimento da incerteza. Significa que deve desfrutar todos os momentos da sua vida, mesmo desconhecendo os resultados.

5 Deixe os pormenores ao cuidado do universo. As suas intenções e os seus desejos, depois de libertos na abertura, possuem um poder organizador infinito. Confie no poder organizador infinito da intenção. Ele organiza-lhe todos os detalhes. Lembre-se de que a sua verdadeira natureza é pura alma. Mantenha sempre a consciência da sua alma, onde quer que vá, liberte com suavidade os seus desejos, e o universo cuidará por si dos pormenores. Não deixarei nenhum obstáculo consumir e dissipar a qualidade da minha atenção no momento presente. Aceitarei o presente tal como é, e deixarei que o futuro se revele através dos meus desejos e intenções mais profundos.

 

COMO APLICAR A LEI DA INTENÇÃO, E DOS DESEJOS mais queridos.

Ponho em prática a Lei da Intenção e do Desejo, seguindo estes passos:

1 Faço uma lista de todos os meus desejos. Trago sempre comigo esta lista, para onde quer que vá. Leio sempre esta lista antes de entrar em silêncio e meditação. Também a leio antes de ir dormir, à noite. Volto a lê-la ao acordar de manhã.

2 Entrego e submeto esta lista de desejos ao movimento da criação, confiando que quando as coisas não parecerem conformes aos meus desejos há uma razão para isso e que o plano cósmico possui para mim desígnios ainda mais grandiosos do que aquilo que eu alguma vez imaginei.

3 Lembro-me de que devo praticar o conhecimento do momento presente em todas as minhas ações.

 

Waldo Vieira e Mágica Vida Mágica.

Waldo Vieira e livro Mágica Vida Mágica de Carlos Lopes – CEAEC – 25 / 09 / 2011.

A RESPOSTA SEMPRE ESTÁ AO NOSSO ALCANCE.

Faz um ano que iniciei este blog. Então vamos lá: “Parabéns pra você nessa data querida!”

Há um ano eu nem imaginava que teria um livro lançado sobre sincronicidades, agora em setembro de 2011, exatamente um ano após a criação do blog. A sequência da história é essa: o parapsicólogo Waldo Vieira me aconselhou a escrever um livro, e ainda sem saber qual seria o assunto, intuí que deveria ser sobre sincronicidades, tão constantes em minha vida. O escrevi (quero dizer, a primeira versão dele) e o deixei encostado durante meses, esperando o momento certo. Dúvidas e certezas, na mesma proporção, me impulsionavam e tomei algumas decisões, uma delas apelar para a lei do menor esforço. A primeira escolha que fiz, logo que 2011 nasceu, foi não fazer mais do que eu podia e nem perder meu tempo com quem em nada contribuía para o crescimento coletivo. Durante décadas, assoviei, chupei cana e me equilibrei à beira do precipício, mas eu me disse “chega!” e cumpri a promessa. Reparto responsabilidades e faço a minha parte, somente a minha parte. Não tenho mais cabeça ou energia para fazer o trabalho dos outros. Uma vez ou outra, é até aceitável, mas cobrir os outros toda hora é repetir erros passados e o pior… viver em um círculo kármico do qual não conseguimos nos libertar. Dou amor para receber amor em troca, não contarei história aqui ao dizer que dou amor sem desejar receber amor. Se NÃO há intercâmbio, passo a bola adiante e caio fora. Às vezes demoro demais para tomar a decisão de “cortar o mal pela raiz”, mas estou aprendendo… Mas se “corto”, nunca faço pelo EGO, pelas “minhas” vontades e “meus” desejos. Há que tomar decisões em função do AMOR. Sempre.

Já gastei muito meu “latim” com pessoas que me pediam conselhos e que não me davam ouvidos,  como já fui grosseiramente interrompido ou agredido por quem se recusava a me deixar falar por discordar das minhas ideias. Para mim, hoje, tanto faz me calar ou falar. De preferência, prefiro nem falar, apenas ajo e faço da minha vida, o meu próprio sacerdócio e  do meu corpo e mente, um templo de milagres. Elogiar ou criticar, falar para quem não te ouve ou ser interrompido por quem ouve dá no mesmo: é como a história do policial mauzinho e do bonzinho.

Para estarmos aqui e agora, tivemos que passar pelos anos anteriores, pelo nosso nascimento, pelo encontro entre nossos pais, avós, antepassados, pela criação da humanidade. É uma estrada longa, cheia de percalços e descobertas.

Praça das Garças, Graças e Sincronicidades. Olha o Cristo ao fundo!

Então te faço uma pergunta: como tem sido o teu setembro? Como tem sido o teu ano de 2011?

Para mim, 2011 tem sido um desabrochar de possibilidades após longos anos de planos interrompidos, esperanças frustradas e batalhas árduas por resultados pífios. E é claro, tudo consequência de minhas escolhas, muito bem intencionadas, mas que dependiam de circunstâncias literalmente “além da imaginação”. E que dependiam da boa vontade de outras pessoas.

Xamanismo.

Há 3 dias, um amigo me contou que se casou em um ritual xamânico no interior do Estado do Rio. Ao citar o nome dos condutores da missa, quase caí para trás: são antigos vizinhos do sexto andar do meu prédio, pessoas que me conhecem desde criança. Esse mundo é um ovo mesmo…  Pensemos juntos, escolhas sempre escolhas: casar ou não casar; morar no mesmo prédio ou não morar etc. As linhas e caminhos cruzados fazem parte de quem somos e explicam por que fomos colocados uns nas frentes dos outros. O resto é saber distinguir os chamados, os chamamentos, saber ouvir o sininho da fada. Muitas vezes as respostas estão estampadas em nossas caras, onde sempre estiveram, o tempo inteiro. Nós é que não as vemos.

Existe algum culpado pela nossa “cegueira”? Claro que não. Em primeiro lugar não há cegueira ou erro, só escolhas. O mundo à nossa volta é o nosso reflexo e não dá para ser diferente. Deus é cruel conosco por nos deixar errar, por nos deixar entregues à cegueira? Não, ele só nos oferta a possibilidade de escolhermos entre a linha reta ou a angulosa, entre usar óculos ou não. Mas ao mesmo tempo, inconscientemente, almejamos as linhas tortas para termos certeza absoluta de nossas escolhas, para sabermos, de fato, o custo-benefício de toda essa história. DEUS escreve certo por linhas “tortas”? SIM! A filha dileta de DEUS, a sincronicidade sussurra possibilidades, antecipa caminhos, te entrega os óculos com o grau certo, mas não é oculista.

No começo deste ano, não sabia que rumo tomar, estava grávido, mas ainda não havia dado a luz. Para engravidar, há que se começar de algum lugar, de um vislumbre, uma inspiração, mas a semente dessa nova vida deveria ter uma relação profunda comigo, deveria ser uma ideia/uma filha que fosse minha, mas que viesse tão intimamente do meu coração, que pudesse ser compreendida por todos os corações do mundo. O primeiro passo do universalismo é a esquina de sua casa, simples assim. Tinha que ser uma verdade indiscutível, inabalável. Para seguir adiante com a ideia, em primeiro lugar, disse NÃO a convites que me levariam a descaminhos ou a situações recorrentes, de recorrência mesmo, repetições de padrões, só para pagar contas e continuar fazendo o que “esperavam de mim”. Respirei fundo, contei até mil e disse não. Isso me causou alguns problemas, mas eu precisava ter fé, mesmo que fosse a derradeira fé.

E o que conferia a essa nova ideia de 2011, um aspecto diferente das várias ideias e projetos que tive através das últimas décadas e que “não deram certo”?

Primeiramente, o ano: 2011.

Além da data, simplesmente, decidi olhar para o meu umbigo e observar os sinais que estravam na minha cara o tempo inteiro. Antes eu andava olhando um pouco adiante, além da faixa de segurança “imposta pelo destino” e assim não pude ver com clareza o que deveria ter feito, o que poderia fazer. As respostas para as nossas dúvidas são tão inconscientes, como conscientes. Em um documentário da BBC, sobre relacionamentos e casais, vi que uma pesquisa comprovava que o homem se interessa pela mulher que tém a estrutura óssea, adequada para gerar um filho dele, mesmo que o macho não tenha olhos de raio-X. Como pode? Vê-se que até mesmo para se gerar um filho, é necessário uma confluência de interesses: há o engenheiro, mas também há o operário, não se constrói nada sozinho. Ideias não bastam, é necessário quem as realize. De preferência um anseio coletivo.

Saldanha da Gama, o cara.

No começo de 2011, dei uma de minhas “voltinhas” para refletir e fui à praça ao lado de casa. Sentei em frente à estátua de um militar, que jaz sobre uma escadaria que antes dos meus dez anos, eu temia subir por considerá-la muito alta para um ser pequenininho, que um dia já fui. Lembrei do meu tamanho e olhei a estátua com carinho, um carinho fora do normal. Me aproximei e li o nome do homenageado: Almirante Saldanha da Gama. Mas quem era esse tal Saldanha? Voltei para casa e procurei na internet, havia pouca informação. Catei um velho livro na biblioteca e achei um verbete que contava parte de sua fascinante história: de herói da Guerra do Paraguai a traidor da Pátria, por ter se insurgido contra um presidente-ditador. Saldanha comandou uma revolução, a revolta da Marinha (ou Armada) para depor o presidente Floriano Peixoto, que balançou, mas não caiu e nem renunciou.

Ao fechar o livro, acreditei que a resposta para a grande ideia de 2011 sempre esteve na minha cara, naquele mesmo lugar, no monumento que eu temerosamente escalava com menos de dez aninhos. Minha alma e cabeça começaram a ferver. Dali a alguns dias, comecei a escrever febrilmente, traçar planos, e somei minhas duas paixões: música e história. Pensei “Por que não contar a história do Brasil através de música?” e criei um projeto que sairá do papel ainda este ano, assim espero.

Ao estudar sobre a Guerra do Paraguai, a única amiga paraguaia que tenho, que já residiu no Rio, e com quem não falava há anos, me escreveu em 2011 para dizer que a mãe amada havia desencarnado e que ela havia começado a estudar Cabala. Ao pensar nela e ler sobre o conflito, descobri que um grupo indígena, chamado Kadiwéu, teve forte participação na Guerra do Paraguai. Guerreiros temidos por colonizadores portugueses e espanhóis, defenderam o Mato Grosso contra incursões paraguaias por várias vezes. Eram hábeis combatentes, e exímios cavaleiros. Sua participação salvou a coluna da Retirada da Laguna de ser totalmente destruída pelas forças paraguaias. Fiquei fascinado pelos Kadiwéu, comecei a estudá-los, passei a amar os desenhos feitos em seus vasos, os desenhos minuciosos e simétricos, estampados em seus rostos. Tomei um choque de realidade: me senti um ignorante por assistir seriado estrangeiro e não saber nada sobre os primeiros habitantes do nosso país. Voltei aos livros do meu Darcy Ribeiro amado e antropólogo (Kadiwéu – ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza – 1950).

Kadiwéu

Certa vez, há muitos anos, quando fui com essa amiga paraguaia ao Museu de Belas Artes no Rio, ela viu um dos quadros sobre a guerra e ficou horrorizada. Me falou, sentida, sobre o massacre do povo de seu país. Hoje, sabe-se que não houve heróis ou bandidos, mas infelizmente o ser humano necessita guerrear em função de sua não-compreensão e do não-entendimento do seu papel na construção de um mundo melhor.

Tudo começou a fazer muito sentido para mim.

Lembrei dessas “dicas” do passado e formatei o meu presente.

O que aprendi com essas observações? Que A RESPOSTA SEMPRE ESTÁ AO NOSSO ALCANCE.

Uma boa ideia depende de inspiração e maturidade, isso leva tempo, mas a resposta, essa SIM, sempre esteve por perto!

Mas era tão óbvia que eu me recusava a acreditar.

O nome disso é DESTINO? Não sei, mas a ideia é PURA SINCRONICIDADE.

Saldanha dando a direção.

O TEMPO NÃO PARA – Cazuza, Lucinha e a força nossa de cada dia.

“É a falta que nos impulsiona na vida. Estamos sempre querendo alguma coisa que não temos, por isso tentamos preencher os vazios. Também por isso sobrevivi.” Lucinha Araújo.

Cazuza e Lucinha.

Há várias formas de amar: a desprovida de cobranças, que liberta para ser liberto, e a mais frequente, que é o amor egoísta, possessivo. Nem sempre o amor é compreendido como um ato além do carnal. Pena. Mas é assim que a humanidade caminha desde a sua criação. Enfim, Errare humanum est. Como no amor e na vida, há exemplos edificantes, daqueles que suplantam toda dor e dificuldades com uma força interna invejável. O Brasil ainda é um país desprovido de pessoas inspiradoras que possam guiar, que indiquem caminhos, que sejam aceitos. Pode-se contar nos dedos. Elogiar é fácil, difícil é fazer, mudar a própria conduta.

Cazuza, que teria completado 53 anos em abril de 2011, é conhecido por ter sido vocalista do Barão Vermelho e por ter dado sequência, após a saída da banda, à uma belíssima carreira solo.  Ele também fez história ao tornar pública a sua doença em uma época com muito mais preconceito e desconhecimento.  Os comentários à época foram, como era de se esperar, jocosos, para dizer o mínimo: que como artista, ele usou a doença para se promover – ou para dar um tapa na cara da sociedade (a piscina cheia de ratos de ”O Tempo Não Para”). Também era comum ouvir que Cazuza possuía condições de se tratar, diferentemente da maioria da população, e que a sua doença era resultado de uma vida “promíscua”. A bem da verdade ou das meias verdades, o que importa é que Cazuza fez história, sempre com personalidade.

Para não morrer em vida, juntamente com o seu filho, Lucinha Araújo organizou um show para angariar fundos para associações que cuidassem de aidéticos, em 17 de outubro de 1990, sem imaginar que ela estava dando o primeiro passo para descobrir o próprio destino. Apesar de conhecer parte da história da fundação da Sociedade Viva Cazuza em 1991, – que cuida de crianças e bebês portadores de HIV positivo -, o que mais me impressionou no livro, apesar de saber que não seria diferente, é a dificuldade em implantar um projeto desses. As pedras no sapato foram depositadas por pessoas de ONGs, do governo, particulares, colaboradores e até mesmo médicos. Mas, os poucos e bons que estenderam os braços para apoiar Lucinha nessa jornada foram fundamentais para a continuação da obra. É o mesmo descaso que se vê no dia a dia, dentro dos ônibus nos quais jovens não dão o lugar a idosos e grávidas. Até parece que para fazer o mal é bem mais fácil e popular. E deve ser mesmo.

Conforme O TEMPO NÃO PARA – Viva Cazuza – Lucinha Araújo (depoimento a Christina Moreira da Costa  – 256 páginas – Editora Globo), a Sociedade Viva Cazuza vive, até hoje, de direitos autorais (a cada dia menores), eventos beneficentes, de doações de poucas pessoas e de convênios eventuais com órgãos públicos. E remando a favor do preconceito, há várias entidades do mal, inclusive colégios que não aceitaram as crianças ao perceberem que vinham da Sociedade (e nós, brasileiros, tão bonzinhos, só lembramos do caso dos nove estudantes negros  recebidos por uma multidão branca enfurecida no Alabama em 1957 ou de James Meredith, que em setembro de 1962,  tentou inscrever-se como o primeiro estudante negro na história da Universidade de Mississippi).

Os primeiros bebês a serem cuidados pela Sociedade são descritos, emotivamente, como os reais fundadores da obra, os palpáveis ventos dessa nova era de alegrias e dificuldades.  Marcel, entregue aos cuidados da Sociedade, veio com o nome “encomenda” em uma Kombi velha com faixa pintada do SUS (Ministério da Saúde). O outro, Newton, foi abandonado em um abrigo público. O pai, catador de lixo e a mãe moradora da Fazenda Modelo, para população de rua. Logo depois, chegaram Inês e Fernando, que se pareciam fisicamente, mas que não eram irmãos e o pequeno Marcelo de sete anos, levado pela tia que não podia – ou não queria – mais cuidar dele. No fim de 1994, a Sociedade contava com dez crianças que necessitavam de atenção constante, médica e psicológica.

“Piolho, sarnas, infecções, antirretrovirais, febre, dores de garganta, de ouvido.”

Em 1995, o inevitável ocorreu: a primeira perda. As crianças precisavam ser internadas em hospitais públicos: os particulares eram muito caros e os planos de saúde se recusavam a atender pacientes HIV positivos. E assim, foram internados Ana Clara e Marcelo. Clara reclamou que queria voltar para “casa” (a Sociedade Viva Cazuza) porque o hospital era sujo e havia uma barata em sua cama (que havia mesmo). Como ela estava pertinho do amiguinho Marcelo, os responsáveis pela Sociedade a transferiram para outro quarto, para que ela não visse a piora do companheirinho, o que veio a ocorrer logo: Marcelinho se foi em 12 de março de 1995. O saldo positivo é que mais de setenta crianças passaram pela casa: algumas permaneceram, outras foram adotadas, outras reintegradas às famílias e umas transferidas para abrigos.

Em 2002, Lucinha descobre que tem câncer de mama e em 2008, implanta um marca-passo. A guerra não para, assim como o tempo e a guerreira não pode parar. Ela não pode deixar a piscina cheia de ratos.

Por fim, transcrevo uma última declaração de Lucinha, prova de que o amor supera barreiras, inclusive físicas: “Outro dia, acordei no meio da noite e vi Cazuza, ali ao pé da cama. Olhei para ele várias vezes, abri e fechei os olhos para ter certeza, e  aos poucos, seu rosto foi mudando – estava mais velho com barba. Depois, olhei de novo e vi uma mulher, já idosa, que deitava a cabeça em seu ombro. Quis acordar João (o marido), mas não ousei. Reconheci minha mãe e gostei de saber que ela está com Cazuza.”

Amém, Lucinha.