Sinc da revista

Anteontem enviei um e-mail para uma revista no exterior, para a qual nunca tinha escrito e nem pensado em escrever. Hoje de manhã, um conhecido, que não vejo há anos, me liga para encontrá-lo. Na minha frente, ele abre um pacote que havia recém chegado do correio: era a revista para a qual eu havia escrito.

Uma SINC leva à outra SINC (da Rainha ao Nixon até os Beatles passando pelo Frost)

 

Em uma postagem anterior escrevi sobre o filme The Queen (ou A Rainha) em “A SINCRONICIDADE ENTRE OS PAÍSES”. Um ou dois dias após tê-lo assistido (tenho o hábito de simplesmente ligar a TV e se estiver dando algo do meu interesse, mesmo que já seja um filme começado, eu paro e vejo), assisti à película Frost/Nixon sobre uma entrevista que o presidente americano Richard Nixon deu ao apresentador inglês David Frost nos anos 70, na qual Nixon abre o jogo sobre o escândalo de Watergate.

Procurando na internet, informações sobre o filme, já que ambos são obras sobre política, descobri que o Frost/Nixon foi baseado em uma peça de Peter Morgan, ele mesmo roteirista do filme The Queen.  Opa!

Uns dias, após ver os dois filmes, decidi – não sei o por quê – ver pela milionésima vez o último DVD da caixa Anthology dos Beatles. Quando começo a ver o clipe de “Hey Jude”, surge um apresentador tentando falar algo, mas Lennon não para de solar e o interrompe pelo menos duas vezes. Quando o sujeito consegue abrir a boca, ele manda uma piadinha: “A maior orquestra de salão de chá do mundo: os Beatles!” . Mas então, Lennon faz chacota com o nome do apresentador: DAVID FROST!

Já vi esse clipe milhões de vezes e nunca soube disso, nunca soube quem era esse Frost, nem o ligava a Nixon, apesar de estudar política. Depois é que fui me tocar de que os Beatles separados deram entrevistas para o mesmo Frost, para que um músico falasse mal dos outros.

Só soube mesmo quem era esse tal de Frost porque vi um filme sobre ele (sem ter escolhido vê-lo com antecedência) uns dias antes, que fez automaticamente o elo entre dois filmes e os Beatles, sobre fatos que desconhecia, ocorridos há décadas.

Há muito tempo não vejo filmes na TV, talvez mais de um ano. E os dois primeiros foram esses, ambos com várias ligações em comum.

Comecei a sorrir: realmente tudo está conectado.

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Tempo de escolher

 

Escolhas, dúvidas, decisões

TEMPO DE ESCOLHER

“Um homem não é grande pelo que faz, mas pelo que renuncia.”

(Albert Schweitzer)

Muitos amigos leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras. Alguns apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde estão. Outros admiram a estabilidade conquistada, mas não têm qualquer prazer no exercício de suas funções. Uns recebem propostas para mudar de emprego, financeiramente desfavoráveis, porém, desafiadoras. Outros têm diante de si um vasto leque de opções, muitas coisas para fazer, mas não conseguem abraçar tudo. Todas estas pessoas têm algo em comum: a necessidade premente de fazer escolhas. Lembro-me de Clarice Lispector: “Entre o ‘sim’ e o ‘não’, só existe um caminho: escolher.”

Acredito que quase todas as pessoas passam ao longo de sua trajetória pelo “dilema da virada”. Um momento especial em que uma decisão clara, específica e irrevogável tem que ser tomada  simplesmente porque a vida não pode continuar como está. Algumas pessoas passam por isso aos 15 anos, outras, aos 50. Algumas talvez nunca tomem esta decisão, e outras o façam várias vezes no decorrer de sua existência.

Fazer escolhas implica renunciar a alguns desejos para viabilizar outros. Você troca segurança por desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo pelo muito duvidoso. Assim, uma companhia que oferece estabilidade com apatia pode dar lugar a outra dotada de instabilidade com ousadia. Analogamente, a aventura de uma vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto de um casamento.

 

PRAZER E VOCAÇÃO

Os anos ensinaram-me algumas lições. A primeira delas vem de Leonardo da Vinci, que dizia que “A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar daquilo que se faz”. Sempre imaginei que fosse o contrário, porém, refletindo, passei a compreender que quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos sentir completos, satisfeitos e plenos, ao passo que se apenas procurarmos fazer o que gostamos, estaremos sempre numa busca insaciável, porque o que gostamos hoje não será o mesmo que prezaremos amanhã.

Todavia, é indiscutivelmente importante aliar prazer às nossas aptidões; encontrar o talento que reside dentro de cada um de nós, ao que chamamos de vocação. Oriunda do latim vocatione e traduzida literalmente por “chamado”, simboliza uma espécie de predestinação imanente a cada pessoa, algo revestido de certa magia e divindade.(…)

Escolhas são feitas com base em nossas preferências. E aí recorro novamente à etimologia das palavras para descobrir que o verbo preferir vem do latim praeferere e significa “levar à frente”. Parece-me uma indicação clara de que nossas escolhas devem ser feitas com os olhos no futuro, no uso de nosso livre arbítrio.

O mundo corporativo nos guarda muitas armadilhas. Trocar de empresa ou de atribuição, por exemplo, são convites permanentes. O problema de recusá-los é passar o resto da vida se perguntando “O que teria acontecido se eu tivesse aceitado?”. Prefiro não carregar comigo o benefício desta dúvida, por isso opto por assumir riscos evidentemente calculados e seguir adiante. Dizem que somos livres para escolher, porém, prisioneiros das conseqüências…

Para aqueles insatisfeitos com seu ambiente de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e apresentar propostas são um bom caminho. De nada adianta assumir uma postura meramente defensiva e crítica. Lembre-se de que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas.

Por fim, combata a mediocridade em todas as suas vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados com sua vocação, de empresas que não valorizam funcionários, de relacionamentos falidos. Sob este aspecto, como diria Tolstoi, “Não se pode ser bom pela metade”.

Meias-palavras, meias-verdades, meias-mentiras, meio caminho para o fim.

Os gregos não escreviam obituários. Quando um homem morria, faziam uma pergunta: “Ele viveu com paixão?”.

QUAL SERIA A RESPOSTA PARA VOCÊ?

COELHO, Tom. Disponível em: id=6415>

A Sincronicidade de GOETHE

 

Goethe

Era no início o Verbo
Era no início o Poder
Era no início a Ação

Cito no texto anterior que Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), filósofo, poeta, estudioso da natureza, político e cientista nascido no final do século 18 em Frankfurt na Alemanha, nasceu no mesmo dia e mês desse que vos escreve. Por causa dessa pequena coincidência, cresceu meu interesse pela sua obra e história.

Pode haver uma correlação inconsciente entre fatos da vida de alguém que nasceu no seu dia e mês ou isso é apenas fruto da imaginação?

É fazer crer ou tanto desejar acreditar que a mais inocente pista se torna de fato uma verdade?

Mesmo que o leitor encare esse detalhe abaixo como uma mera “coincidência”, no mínimo vale a pena citar que curiosamente, Goethe escreveu três poemas sobre o Brasil (veja só!). Um deles está aqui:

Canção de morte de um prisioneiro brasileiro (1782)

Vinde com coragem, vinde todos,
E juntai-vos para o festim!
Pois com ameaças, com esperanças
Nunca me dobrareis.
Vede, aqui estou, sou prisioneiro,
Mas ainda não vencido.
Vinde, devorai meus membros,
E junto com eles, devorai
Vossos ancestrais, vossos pais,
Que foram meu alimentos.
Esta carne, que vos dou,
Insensatos, é a vossa,
E na minha medula está
Cravada a marca de vossos ancestrais.
Vinde, vinde, a cada mordida
Vossa boca poderá saboreá-los.

Para florear a argumentação, e tornar nossa conversa mais interessante destilo os fatos mais curiosos da vida deste cavalheiro que ficou famoso por ter escrito e divulgado (mas não criado) o mito de Fausto, aquele mesmo que vendeu a alma para Mefistófeles.

 

Índio de Marc Ferrez

O primeiro contato de Goethe com as artes plásticas surgiu de um estranho fato: quando tinha 10 anos, sua cidade foi invadida pelos franceses. Sua casa tornou-se quartel general de um ocupante e nobre francês de nome Thoranc que lhe influenciou vivamente, ao convidar artistas importantes para visitá-lo. Daí em diante o rapaz estudou filosofia, filologia (estudo da língua e de documentos) e direito, tornando-se escritor e homem de Estado em poucos anos. Uma verdadeira ascensão, pensada passo a passo por sua tradicional família burguesa.

Em 1770 decidiu superar todas as fraquezas da carne e mente permanecendo dentro de cemitérios escuros para superar o medo, subindo nos lugares mais altos para acabar com o pavor da altura, e frequentemente encostando os ouvidos nos instrumentos de altíssimas bandas de música para suportar o volume excessivo etc.

Em 1771 – através do seu personagem Werther – pensou diversas vezes em acabar com a própria vida na ponta de uma lâmina. Preferiu falar sobre isso através da ficção, apaziguando a dor e as incertezas de estar apaixonado pela noiva de outro.
Em 1775 já era um verdadeiro superstar, aclamado e reconhecido como grande escritor, antes mesmo dos 30 anos. Sua obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther” tornou-se um sucesso estrondoso.

Educado para acreditar no modelo de uma família perfeita, logo viu seus sonhos desmoronarem pelo simples contato com o sexo oposto. Não era tão fácil como pensava. Apesar de Goethe ter investido demasiadamente em tudo – ciência, artes plásticas, poesia, política e história -, nada disso findava os seus problemas com as mulheres e nada lhe aventava a possibilidade de alcançar o prazer perfeito do contato físico: um dilema difícil para homem tão preparado.

Apaixonado por uma mulher casada, decidiu abandonar o papel incômodo de ser o outro, casando-se com Christiane Vulpius, uma plebéia simples, de traços meridionais e bastante independente. As pessoas viravam-lhe a cara por causa da esposa.

Em 1786/88 viajou – desencantado – para a Itália. Lá entre museus e exposições viveu uma grande crise espiritual que o debilitou mentalmente e fisicamente. Em compensação reviu sua própria vida e pensamentos, buscando o belo em todos os lugares, percebendo a riqueza dos detalhes em uma simples flor, vegetal ou pedra, inclusive tendo produzido diversos desenhos eróticos – somente publicados após a sua morte. Ao retornar à cidade natal, tornou-se ainda mais místico estabelecendo contato com a alquimia e textos de fraternidades espirituais. Após um bom tempo sem escrever, ordenou à pena que criasse clássicos, o que fez sem pestanejar. Começou uma nova e mais rica fase, que nem as paixões e nem o tempo nada puderam fazer contra.

Em 1790 publicou a primeira versão de A Metamorfose das Plantas, resultado dessa nova fase. Em 1806, Napoleão conquistou o Império Alemão. Goethe curtiu essa vitória (afinal o corso era quase francês), mas depois de conhecê-lo pessoalmente em 1808 mudou de idéia, tornando-se seu crítico ferrenho. Ainda nesse ano, Goethe fez a última revisão de Fausto, após mais de 35 anos de trabalho árduo. Confessou a um amigo que se não tivesse selado o livro, certamente ainda teria tentado revisá-lo mais vezes. Em 1808 tem o seu primeiro Fausto publicado. São mais de 12 mil versos. Entre 1790 e 1810 desenvolveu sua teoria cromática; citando os “daímones” (forças côsmicas) e outras “coisas demoníacas” fazendo um paralelo pseudo científico entre as cores, luz e sombra, teorias bem mal recebidas pela comunidade científica do seu tempo. Goethe acreditava que a observação atenta da natureza seria a chave para a compreensão dos fenômenos naturais, ao contrário de Newton, por exemplo. O alemão desenvolveu o princípio da polaridade e da elevação. Acreditava que um só princípio regesse todas as regras da natureza, apesar de manter-se afastado de conceitos religiosos tacanhos. Goethe acreditava que o confronto entre o espírito humano e o mundo material criava a arte, que fundamentava a sua teoria da elevação, provando que a natureza possui a capacidade de se superar infinitamente.

Após a morte da esposa Vulpius em 1816 volta a investir nas esposas dos outros, granjeando os favores sexuais da também casada Marianne Willemer. Depois investiu ainda mais pesado: com 74 anos se relaciona sexualmente com Ulrike von Levetzow de apenas 19 anos.

Aos 82 anos de idade, concluiu a segunda parte do Fausto. “Minha missão está encerrada” ele disse. Morreu alguns dias depois em 22 de março de 1832.

“Vivi cada linha que escrevi, mas não as escrevi tal como foram vividas”

“Onde não há poesia não pode existir verdade e vice-versa”

 

Sincronicidade de ÓRION

Hoje dia 16 de fevereiro de 2011, enquanto edito o clipe para a música ORION surge essa noticia no jornal:

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/02/observatorio-europeu-divulga-foto-de-nebulosa-perto-das-tres-marias.html

A nebulosa Messier 78, a 1.350 anos-luz de distância da Terra, foi fotografada pelo telescópio MPG/ESO no Observatório La Silla, no Chile. O local faz parte do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). A foto foi divulgada nesta quarta-feira (16) e mostra uma nuvem de poeira e gás que reflete a radiação ultravioleta de estrelas ao redor. Messier 78 pode ser vista com um telescópio pequeno perto do grupo de estrelas conhecido no Brasil como Três Marias, na constelação de Órion (Foto: Igor Chekalin / ESO)

A SINCRONICIDADE ENTRE OS PAÍSES

Estamos nos comunicando neste momento, através da tecnologia, a grande ferramenta mágica, pela qual trocamos as nossas ternuras. Mas cuidado que cavalo não desce escada: a mesma tecnologia que expande, aprisiona. Toda opção advém da nossa visão, de como vemos o mundo, de como nos vemos. Se usamos lentes rosa, tudo é rosa, se nossa intuição e percepção são parciais, parciais somos, só ouvimos o que queremos ouvir, construímos o mundo à nossa imagem e semelhança. A maior parte de nós, não quer viver sem óculos, acredita que é melhor enxergar o mundo através de lentes parciais. E lentes desfocam, iludem, como as da televisão, das fotos e dos filmes. Vemos o que é visível e achamos que basta, sem discernir. Sobre isso que estamos conversando agora, como melhorar nossas vidas, só poderia ser feito há décadas por papos pessoais, cartas e livros, mas hoje temos a internet , muito útil, mas uma arma de dois gumes. (Inclusive o tema da próxima coluna é sobre essa história de conversar sobre fatos místicos com quem te pede, mas não te escuta.)

I put my finger on you

Enquanto escrevo este texto, assisto a o filme The Queen sobre a morte da princesa Diana e como a Família Real inglesa, a princípio, se recusou a fazer parte do velório, do lamento público, até mesmo em função do protocolo. O Primeiro Ministro Tony Blair falou diretamente com a Rainha que 25% da população já não queria mais saber da realeza por causa dessa atitude. O povo simplesmente não entendeu: pensou com o coração e não com a razão, como Elizabeth II e os familiares. Mas o que é mais importante: razão ou coração? A razão consciente ou o coração fajuto? Seria Diana, uma oportunista, marqueteira e demagoga? Talvez, mas o povo a adorava, ela soube se promover e esse mundo, mais do que verdade adora a aparência, as palavras doces, os “bons atos”. Em um dos diálogos da película, Elizabeth se surpreende com a mudança dos costumes, desde o fim da Segunda Guerra. Tanto se assusta, que atende aos apelos do Primeiro Ministro para pessoalmente demonstrar alguma humanidade e passear em frente ao portão do Palácio de Kensington, para exibir a solidariedade real.  Ao ler os cartões dos populares, postos em guirlandas e arranjos florais, com ofensas diretas à Monarquia, Elizabeth II caiu na real. “Eles não têm coração”, dizia um dos textos.

O que quero dizer com isso? Que as aparências enganam.

E como distinguir o que te serve para o bem, e o que te serve para o mal, sem que se saiba quem é quem?

A sincronicidade ajuda.

Se você é intrinsecamente uma pessoa boa (há divergências entre você, o Id e o Ego) em tese, a sua bondade pode aumentar, mas também pode aflorar uma parte indesejável da nossa personalidade: o demônio. A pressão e as facilidades da vida fazem isso muito bem: pressionar para que o inferno contido em sua alma, cresça e apareça.

Sincronicidade é coisa séria.


As sincronicidades se manifestam conversando em sua língua, elas te pegam de jeito. Se eu assisto TV, as sincronicidades surgem na telinha; caso você esteja andando na rua aparentemente “sem motivo”, elas te cercam para dizer algo, propor algo, mas a nossa confusão mental, muitas vezes, não nos permite ver exatamente o que é, o que querem dizer.

E até mesmo a “coincidência” te dá 3 opções: esquerda, não faz nada ou direita. Budisticamente, o caminho do meio é o melhor, mas simplesmente optar também é muito bom: melhor tomar uma decisão errada – se você, é claro, não consegue tomar a certa – , para que com um pouco de esforço e compreensão, possa cair na real e catar os pedaços, mas preparado para não errar mais e sabendo o por quê. “Agora eu sei – ou pelo menos, penso saber – o custo benefício da falha.”

Goethe

Acredito muito em datas na formação do caráter e karma. Um dia, descobri que o filósofo alemão Goethe nasceu no mesmo dia e mês que eu (ano não dá, né?) e recentemente “percebi” que conheci durante toda a vida, algumas pessoas que falam alemão e outros que são descendentes de judeus que fugiram da Alemanha nazista. Essas pessoas sempre cruzaram meu caminho e deixaram marcas, “boas e ruins” que tive que desenrolar. Todas me ensinaram muito e também me mostraram que para elas, o tempo para compreender a questão  – se quiserem é claro -, é outro. Para algumas, falta pouco, para outras, talvez nunca… O mais estranho dessa ligação , é que me vi estranhamente pertencente à uma nova categoria kármica, a “alemã’ apesar de ser muito brasileiro e não ter vínculos com a Alemanha. Essa semana, conversando sobre isso com um amigo de priscas eras, que não reside no Rio, ele também me confidenciou que, em meditação, descobriu que era isso o que nos ligava: a Alemanha, apesar de aparentemente nenhum de nós ter nada a ver com qualquer “alemanização”. Há alguns meses, um velho amigo que reencontrei há um ou dois anos, me disse que foi à Europa seguir os passos do filósofo alemão Nietzsche.

Nietzche

O círculo de pessoas a minha volta é limitado, por mil motivos, o mais importante deles para me centrar e ter as rédeas do meu destino em mãos. E se nesse ambiente, com poucas pessoas, as pistas te levam à mesma direção, a conclusão só pode ser: preste atenção. Só um cego não dá a devida atenção às evidências. E quem são os cegos? Nós, ninguém mais.

Essa história alemã prova que há encarnação? Prova que nos ligamos inconscientemente por fios misteriosos? Há uma boa evidência de que existe algo muito importante envolvido nessa história.

Uma dúvida dessas, sobre rastrear ou não os elos perdidos através dos séculos, pode e deve ser feito com a ferramenta da justa meditação. Mas o mundo nos cobra deveres, favores e contas a pagar. Parece que nunca há tempo para meditar, para ficarmos sozinhos, mas é bom arrumar um tempo e para isso, precisamos abrir mão de algo. Não dá para ter tudo. Mas dá para almejar e trabalhar pela completude, dividido.

Treino meditação do meu jeito desde os anos 90, pois na maior parte do meu tempo, simplesmente não consigo parar e meditar. Tive que criar uma meditação própria: caminhando, curtindo o movimento lento dos passos, vendo um passarinho dar seus saltinhos, as garças perto de casa, os cães no parque, a luz do sol refratada, o som da água batendo nas rochas e prestando muita atenção nos sons que pipocam nas ruas. Cada novo dia e experiência são únicos. Dando esse necessário tempo para mim, somente agora após 20 anos, comecei a  entender como funciona o processo, como se faz e através dessa escolha, as sincronicidades se tornaram muito fortes. Uma coisa puxa a outra. O que ocorreu é que minhas ‘lentes’ mudaram juntamente com a percepção, então me sinto em um novo corpo, como se eu não fosse o eu anterior e isso te dá uma serenidade estranhamente bonita,  em um ambiente lúdico e renovador.

Revolução egípcia

Assisti na TV a um “minúsculo” detalhe sobre a revolução popular ocorrida no Egito e me surpreendi.  Tive certeza de que essa “revolução” é da importância de um 11 de setembro, porque ocorreram sincronicidades muito significativas entre esse que vos escreve e os fatos egípcios. De início, tendi a questionar, mas logo em seguida, outro fato, através da TV, reconectou-me a um fato que me ligou a outro e a outro. Ficou evidente que se tratava de algo muito grande, que envolve povos, nações e indivíduos, do micro ao macro, do pouco ao tudo, do átomo às galáxias.

Tutankamon

Me perguntei (intelectualmente e racionalmente, digo): “Como pode um fato local ou mundial, histórico, estar intimamente conectado a você, de uma maneira que não se pode refutar?” O que isso quer dizer? Que tudo já estava escrito? Que as coisas boas e ruins que acontecem contigo, são escolhas suas e do universo?

No “impulso”, você pode ficar obcecado pelas respostas, pegar um avião (se tiver dinheiro) e ir para a Alemanha ou para o Egito, encontrar tudo ou não achar nada. (Fui compelido a fazer isso, por fatores externos favoráveis mesclados à minha vontade e ancestralidade, e fui para Portugal, como já contei aqui no blog, mas apesar de ter sido uma experiência incrivelmente forte, demorei a me tocar de várias coisas.) Muitas respostas que encontro são mais sobre o passado do que sobre o presente. Você acha os traços, os rastros, mas ainda tem que entender o que os sinais querem te dizer. Me refiro é claro, aos passos que ainda não foram dados, pois só existe o presente, não existe futuro. Tudo bem que quânticamente, passado, presente e futuro são uma coisa só, uma linha contínua, mas não dá para perder tempo pensando como será. Melhor resolver a questão agora, para que o futuro seja outro. Para essa tarefa, temos um grande aliado, um mestre pessoal ao nosso alcançe: a percepção, caso é claro, que ela te conduza à opções que abram as portas para bons caminhos. E o nosso maior inimigo é a cegueira que o Ego nos oferta, mas esse é o caminho dos pés descalços sobre vidro: pode ser feito sem dor ou não ser feito. Se as escolhas continuarem a te conduzir para os mesmos becos ou ruas sem saída, para as mesmas situações, a escolha é exclusivamente sua, por cegueira ou não. “Mas eu estou tão bem, por que mudar?”. Então, você é que sabe.

Aprisionado

Enfim… Essa é a busca, essa é a hora.

Agora sinto que a minha busca inicia uma nova fase. E a sua?

A busca pode terminar em algum ponto sim, mas nunca o aprendizado.

O amor é a resposta. Ele é uma das armas mais poderosas durante a caminhada.