A Sincronicidade PAPAL II

Julho de 2013, o Papa Francisco dos católicos está no Brasil para a Jornada Mundial para a Juventude. Ao ler as notícias, vi qual era o lema da JMJ e recordei de um fato sincronístico e inusitado, ocorrido há 5 anos.

papa

Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio de Janeiro. O prédio era tombado e como tal, não poderia receber certas reformas necessárias, o custo benefício ficaria desigual e transferiram a rádio para uma sede moderna, com um equipamento melhor em Niterói.

— Você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói – comentei com uma locutora.

— Sabe o que eu gostaria de fazer hoje? – perguntei a ela.

— O quê? – a locutora perguntou.

— J.K., o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui? Gostaria de visitá-lo antes que seja tarde.

— Converse com o porteiro. Ele tem a chave – a locutora deu a dica.

O porteiro, que não se mostrou muito simpático à ideia, pois só havia ele para tomar conta da portaria, explicou que para chegar ao escritório teríamos que fazer uns “atalhos”. Pedi encarecidamente, com o coração, que ele me ajudasse, expliquei que era meu último dia lá (sem ter certeza) e ele acatou. O porteiro subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés.

manchete, predio

Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave da porta, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

Após fazer o comentário, ele abriu a porta e se colocou de lado. Ele não entrou. Eu sim.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek em agosto de 1976. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papeis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Acreditei que havia achado o que procurava.

Assim que alcançamos o térreo, agradeci ao porteiro com gratidão. Realmente aquele havia sido o último dia que eu colocaria os pés na rádio. Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

O lema da Jornada de 2013, é curiosamente similar ao que “recebi” no escritório do Presidente em 2008. Dessa vez não é Marcos, mas Mateus, 28, versículo 19, ao citar a fala da pregação de Jesus na Galiléia aos discípulos: “Ide, fazei discípulos de todas as Nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

Este blog é um exemplo do que fiz a partir de 2008: me movimentar e contar o que vivo (“ide e pregai”); repartir com todos os amigos e leitores os fenômenos ou eventos sincronísticos que vivencio.

As sincronicidades não são exclusividade de um grupo seleto de escolhidos. Esses fatos (como digo são fatos, não criações) pertencem a todos, mas eles espelham o seu grau de compreensão e sua percepção do que é importante para você e do que você chama de realidade, a mesma que você cria, que inclui a sua zona de conforto, a sua crença, os seus conhecimentos e as suas alienações.

O que sinto, literalmente, não só com a  vinda do Papa, mas com as passagens da Bíblia abordadas neste texto, é que o ciclo de aprendizado dessa última meia década chega ao fim, para que outro se inicie, como um passo dado após o outro. Sempre em frente, mesmo aos tropeços, lá vamos nós.

Tudo é vitória, mesmo que não pareça.

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O Primeiro Livro de Adão e Eva (Apócrifos da Bíblia)

O PRIMEIRO LIVRO DE ADÃO E EVA

 

1. Ao terceiro dia Deus plantou o jardim a leste da terra, no extremo leste do mundo, além do qual, em direção ao levante, não se acha nada além de água que circunda o mundo inteiro e alcança os limites do céu.

2. E ao norte do jardim há um mar de água, claro e puro ao paladar, como nada iguala; de maneira que, através de sua transparência, pode-se olhar para as profundezas da terra.

3. E quando um homem lava-se nela, torna-se limpo por sua limpidez e branco por sua brancura, mesmo que ele estivesse escuro.

4. E Deus criou este mar de Seu próprio agrado, pois Ele sabia o que seria do homem que Ele iria fazer; assim, após deixar o jardim por causa de sua desobediência, nasceriam homens na terra, dentre os quais morreriam os justos cujas almas Deus faria ressurgir no último dia; quando então voltariam à sua carne, banhar-se-iam na água do mar e todos se arrependeriam de seus pecados.

5. Mas quando Deus fez Adão sair do jardim, Ele não o colocou na fronteira norte, para que não se aproximasse do mar de água e ele e Eva se lavassem nele e se tornassem limpos de seus pecados, esquecendo a desobediência cometida.

6. Então, novamente, quanto ao lado sul do jardim, não agradava a Deus permitir a Adão lá habitar; pois, quando o vento soprasse do norte, trar-lhe-ia, no lado sul, o delicioso aroma daquelas árvores do jardim.

7. Porisso Deus não colocou Adão ali para que não aspirasse o doce aroma daquelas árvores, esquecendo sua desobediência e encontrando alívio ao se deliciar com o aroma das árvores e assim se limpasse de sua desobediência.

8. Novamente, também, porque Deus é misericordioso e de grande piedade e governa todas as coisas de uma maneira que somente Ele sabe , Ele fez nosso pai Adão habitar na fronteira oeste do jardim, porque daquele lado a terra é muito extensa.

9. E deus ordenou-lhe que ali habitasse numa caverna dentro da rocha, a Caverna dos Tesouros, abaixo do jardim.

II

1. Mas quando nosso pai Adão e Eva saíram do jardim, palmilharam o chão com seus pés sem saber por onde caminhavam .

2. E quando chegaram à abertura dos portões do jardim e viram a terra vasta estendendo-se diante deles, coberta de pedras grandes e pequenas e de areia tiveram medo e tremeram, prostrando-se com suas faces no chão, acometidos pelo medo; e jaziam como mortos.

3. Porque haviam estado até então na terra do jardim, belamente plantada com toda espécie de árvores e agora se viam numa terra estranha que não conheciam e nunca tinham visto.

4. E porque naquele tempo eles eram cheios de graça e de uma natureza luminosa e não tinham o coração voltado para as coisas terrenas.

5. Por isso Deus teve piedade deles; E quando Ele os viu caídos defronte ao portão do jardim enviou Sua Palavra ao pai Adão e a Eva e ergueu-os de sua prostração.

III

1. Deus disse a Adão : “Eu ordenei os dias e os anos nesta terra e tu e tua descendência deverão habitar e caminhar nela, até se cumprirem os dias e os anos; Então Eu enviarei a Palavra que te criou e à qual tu desobedeceste, a Palavra que te fez sair do jardim e que te ergueu quando tu estavas caído.

2. “Sim, a Palavra que te salvará novamente quando os cinco dias e meio estiverem consumados. “

3. Mas ao ouvir estas palavras de Deus, acerca dos grandes cinco dias e meio, Adão não entendeu o seu significado.

4. Pois Adão estava pensando que haveria somente cinco dias e meio para ele até o fim do mundo.

5. E Adão chorou e suplicou a Deus que lhe explicasse isto.

6. Então Deus , em Sua Misericórdia por Adão, que fora feito segundo Sua própria imagem e semelhança, explicou-lhe que estes eram cinco mil e quinhentos anos; e como o Um viria para salvá-lo e à sua descendência.

7. Mas Deus fizera antes disso esta aliança com nosso pai Adão, nos mesmos termos, quando ele saiu do jardime se encontrava junto à árvore da qual Eva tomara do fruto e lho dera a comer.

8. Porquanto, ao sair do jardim, nosso pai Adão passou por aquela árvore e viu como Deus então havia mudado sua aparência para uma outra forma e como ela ressecara .

9. E aproximando-se dela Adão teve medo, tremeu e caiu; mas Deus, em Sua misericórdia, ergueu-o e então fez esta aliança com ele.

10. E, novamente, quando Adão estava junto ao portão do jardim e viu o querubim, com uma espada de fogo fulgurante na mão, encolerizar-se e fitá-lo com desagrado, tanto ele quanto Eva ficaram com medo dele e pensaram que ele tencionava matá-los. Assim eles prostraram-se e tremeram de medo.

11. Mas ele apiedou-se deles e mostrou-lhes misericórdia; E, voltando-se, subiu ao céu e suplicou ao Senhor e disse :

12. “Senhor, Vós me enviastes para guardar o portão do jardim com uma espada de fogo.

13. “Mas quando Vossos servos Adão e Eva viram-me, prostaram-se e ficaram como mortos. Ó meu Senhor, que devemos fazer com Vossos servos ?”

14. Então Deus apiedou-se deles e mostrou-lhes misericórdia, e enviou Seu anjo para guardar o jardim.

15. E a Palavra do Senhor veio a Adão e Eva e ergueu-os.

16. E o senhor disse a Adão: “Eu te disse que ao final dos cinco dias e meio Eu enviaria minha Palavra e salvar-te-ia.

17. “Fortalece pois teu coração e habita na Caverna dos Tesouros, da qual Eu te falei antes”

18. E quando Adão ouviu esta Palavra de Deus ele foi consolado pelo Deus que lhe tinha dito. Pois Ele lhe dissera como o salvaria.

 


IV

1.Mas Adão e Eva choraram por terem de sair do jardim, a sua primeira habitação.

2.E, certamente, quando Adão olhou para sua carne, que estava alterada, chorou amargamente, ele e Eva, pelo que haviam feito. E eles caminharam e desceram docilmente para a Caverna dos Tesouros.

3.E ao chegarem Adão lamentou-se e disse a Eva : “Olha para esta caverna que será nossa prisão neste mundo. É um lugar de castigo !

4.”Que é isto comparado com o jardim ? Que é esta estreiteza comparada com o espaço do outro? 

5.”Que é esta rocha ao lado destas grutas? Que são as trevas desta caverna comparadas à luz do jardim ?

6.”Que é esta lápide de rocha suspensa para nos abrigar comparada à misericórdia do Senhor que nos acolhia ?

7.”Que é o solo desta caverna comparado à terra do jardim ? Esta terra, coberta de pedras e aquela plantada com deliciosas árvores frutíferas ?”

8. E Adão disse a Eva : “Olha para teus olhos e para os meus, que dantes viam anjos no céu louvando; e eles, também, sem cessar.

9.”Mas agora nós não vemos como víamos: nossos olhos são de carne; não podem ver da mesma maneira como viam antes.”

10.Adão disse novamente a Eva : “Que é nosso corpo hoje comparado ao que era em dias passados, quando habitávamos no jardim ?”

11.Após isso, Adão não gostou de ter de entrar na caverna, sob a rocha suspensa, nem entraria nela jamais por vontade própria.

12.Mas curvou-se às ordens de Deus e disse a si mesmo : “A não ser que eu entre na caverna serei novamente desobediente”.

V

1.Então Adão e Eva entraram na caverna e permaneceram em pé, orando em sua própria língua, desconhecida para nós mas que eles bem conheciam.

2.E enquanto oravam, Adão ergueu os olhos e viu acima de sua cabeça a rocha e o teto da caverna que o cobria, de maneira que não podia ver nem o céu nem as criaturas de Deus. Então ele chorou e golpeou pesadamente seu peito até que caiu e ficou como morto.

3.E Eva sentou-se chorando pois acreditava que ele estivesse morto.

4.Então ela ergueu-se, estendeu suas mãos a Deus pedindo-lhe misericórdia e piedade e disse : “Ó Deus, perdoai-me o meu pecado, o pecado que cometi e não o volteis contra mim.

5.”Pois fui eu quem provocou a queda de Vosso servo, do jardim para este lugar perdido; da luz para esta escuridão; E da morada da alegria para esta prisão .

6.”Ó Deus, olhai para este Vosso servo assim caído e ressuscitai-o de sua morte para que ele possa se lamentar e arrepender de sua desobediência cometida através de mim.

7.”Não leveis sua alma desta vez; mas deixai-o viver para que ele possa expiar sua culpa segundo a medida de seu arrependimento e fazer Vossa vontade antes de sua morte.

8.”Mas se Vós não o ressucitardes, então, ó Deus, levai minha própria alma para que eu esteja com ele; E não me deixeis neste antro só e abandonada pois eu não suportaria ficar só neste mundo, mas com ele somente.

9. “Pois Vós, ó Deus, fizeste cair uma sonolência sobre ele e tomaste um osso de seu lado e restauraste a carne em seu lugar, por Vosso poder divino.

10.”E Vós me tomaste, o osso, e fizeste uma mulher, luminosa como ele, com coração, razão e fala; E de carne como ele mesmo; E Vós me fizeste à semelhança de seu semblante, por Vossa misericórdia e poder.

11.”Ó Senhor, eu e ele somos um e Vós, ó Deus, sois o nosso Criador, Vós sois Aquele que nos fez a ambos no mesmo dia.

12.”Portanto, ó Deus, dai-lhe vida para que ele possa estar comigo nesta terra estranha, enquanto nós morarmos nela por causa de nossa desobediência.

13.”Mas se Vós não quiserdes dar-lhe vida, então levai a mim, até a mim, como ele; Para que nós dois possamos morrer da mesma maneira.

14. E Eva chorou amargamente e caiu sobre nosso pai Adão, por causa de sua grande tristeza.

 

VI

1. Mas Deus olhou para eles; Pois eles se haviam matado pelo grande pesar.

2. Mas Ele queria ressuscita-los e consola-los.

3. Portanto enviou-lhes Sua Palavra a fim de que eles ficassem em pé e fossem ressuscitados imediatamente.

4. E o Senhor disse a Adão e Eva : “ Desobedecestes por vossa livre vontade, até que saístes do jardim no qual Eu vos havia colocado.

5. “ Por vossa própria e livre vontade desobedecestes por causa de vosso desejo de divindade, grandiosidade e condição sublime, tal qual Eu tenho; Assim Eu vos privei da natureza luminosa na qual estáveis então e vos fiz sair do jardim para esta terra rude e cheia de sofrimento.

6. “Se ao menos não tivésseis desobedecido ao Meu mandamento e tivésseis guardado Minha lei e não tivésseis comido do fruto da árvore, da qual Eu vos disse que não vos aproximásseis! E havia árvores frutíferas no jardim melhores que aquela .

7. “Mas o maldoso Satã, que não se manteve em sua primitiva condição nem conservou sua fé – nele não havia boa intenção em relação a Mim e, embora Eu o tivesse criado, ainda assim Me desprezou e buscou a divindade, de modo que Eu o atirei do céu para baixo – . ele foi quem fez a árvore parecer agradável a vossos olhos, até que comestes dela, obedecendo-lhe.

8. “Assim desobedecestes ao Meu mandamento e , portanto, Eu fiz cair sobre vós todas essas tristezas.

9. “Pois Eu sou Deus o Criador, aquele que quando criou as criaturas, não tencionava destruí-las. Mas depois de terem provocado grandemente Minha ira, Eu as puni com castigos atrozes, para que se arrependessem .

10. “Mas , se, ao contrário, elas ainda se mantivessem firmes em sua desobediência, serão amaldiçoadas para sempre . “

VII

1.Quando Adão e Eva ouviram estas palavras de Deus choraram e soluçaram ainda mais; mas fortaleceram seus corações em Deus, porque agora sentiam que o Senhor era para eles como um pai e uma mãe e, por esta mesa razão, choraram diante D´Ele e buscaram sua misericórdia.

2. Então Deus apiedou-se deles e disse : ” Ó Adão, Eu fiz Minha aliança contigo; e não voltarei atrás; nem permitirei que retornes ao Jardim até que Minha aliança dos grandes cinco dias e meio se cumpra”.

3. Então Adão disse a Deus: ” Ó Senhor, Vós nos criastes e nos fizestes aptos a estar no jardim; e antes de eu desobedecer, Vós fizestes todas as feras virem até mim a fim de que eu as nomeasse.

4. ” Vossa graça estava então sobre mim; e eu nomeei a cada uma de acordo com Vosso pensamento; e Vós as fizestes todas submissas a mim.

5. ” Mas, ó Senhor, agora que eu desobedeci ao Vosso mandamento, todas as feras levantar-seão contra mim e me devorarão e a Eva, Vossa serva; e eliminarão nossa vida da face da terra.

6. ” Suplico-Vos, portanto, ó Deus, que, desde que Vós nos fizestes sair do jardim e ficar numa terra estranha, não permitais que as feras nos causem mal.”

7. Quando o Senhor ouviu estas palavras de Adão apiedou-se dele e sentiu que ele dissera a verdade, que as feras do campo se levantariam e o devoraria e a Eva, porque Ele, o Senhor, estava irado com os doios por causa de sua desobediência.

8. Então Deus ordenou às feras e aos pássaros e a tudo que se move sobre a terra, que viessem a Adão e se afeiçoassem a ele e não o perturbassem, nem a Eva; nem ainda aos bons e justos dentre os de sua posteridade.

9. Então as feras prestaram obediência a Adão, de acordo com o mandamento de Deus; exceto a serpente, com quem Deus estava irado. Esta não veio a Adão, junto com as feras.

VIII

1. Então Adão chorou e disse: ” Ó Deus, quando eu morava no jardim e havia enlevo em nossos corações, víamos os anjos que cantavam louvores no céu, mas agora não os vemos mais; ao entrarmos na caverna, toda a criação ocultou-se de nós”.

2. Então Deus, o Senhor, disse a Adão : ” Quando tu eras obdiente a Mim, tinhas uma natureza luminosa em ti e por esta razão podias ver coisas muito distantes. Mas após tua desobediência a natureza luminosa foi-te retirada; e não te foi mais permitido ver coisas distantes mas apenas as bem próximas, aquelas ao alcance de tuas mãos e segundo a capacidade da carne; pois esta é grosseira” .

3. Após ouvirem estas palavras de Deus, Adão e Eva seguiram seu caminho louvando-O e adorando-O com o coração pesaroso.

4. E Deus interrompeu a comunicação com eles.

IX

1. Então Adão e Eva deixaram a Caverna dos Tesouros e aproximaram-se do portão do jardim e ali pararam a olhar para ele e choraram por dele terem saído.

2. E Adão e Eva partiram da frente do portão do jardim em direção ao sul e encontraram ali a água que irrigava o jardim, a água da raiz da Árvore da Vida e que se dividia em quatro rios que corriam pela terra.

3. Então eles vieram e aproximaram-se desta água e olharam para ela; e viram que era a água que brotava da raiz da Árvore da Vida que estava no jardim.

4. E Adão chorou e gemeu e golpeou seu peito por estar afastado do jardim; e disse a Eva :

5. ” E por que tu trouxeste sobre mim, sobre ti mesma e sobre nossa descendência tantos flagelos e castigos ?”

6. E Eva disse-lhe: ” Que foi que tu viste para chorar e falar-me assim ? “

7. E disse ele a Eva : ” Não vês esta água que estava conosco no jardim e que irrigava as árvores do jardim e de lá corria ?

8. ” E nós, quando estávamos no jardim, não nos importávamos com isto; mas desde que viemos para esta terra estranha, nós a amamos, e faremos uso dela para nosso corpo.”

9. Mas quando Eva ouviu dele essas palavras, chorouo; e cheios de dor e gemendo, caíram na água; e ali teriam acabdo consigo mesmos, a fim de nunca mais voltar a ver a criação; pois quando eles olharam para a obra da criação, sentiram que deviam pôr um fim a si mesmos.

 

X

1. Então Deus, misericordioso e benevolente, olhou para eles assim caídos na água tão próximos da morte e enviou um anjo que os tirou da água e deitou-os na praia como mortos.

2. Então o anjo subiu até Deus, foi bem-vindo e disse : ” Ó Deus, Vossas criaturas deram seu último suspiro.”

3. Então Deus enviou Sua Palavra a Adão e Eva e os ressuscitou de sua morte.

4. E Adão disse, após haver sido ressuscitado: “Ó Deus, enquanto estávamos no jardim nem nos importávamos com esta água nem dela necessitávamos; mas desde que viemos para esta terra não podemos passar sem ela “

5. Então Deus disse a Adão: ” Enquanto estavas sob Meu comando e eras um anjo luminoso, não conhecias esta água.”

6. ” Mas após teres desobedecido ao Meu mandamento, não podes passar sem água para lavar teu corpo e fazê-lo crescer; pois este é agora como o das feras e necessita de água.”

7. Quando Adão e Eva ouviram essas palavras de Deus choraram um choro amargo; e Adão suplicou a Deus que lhe permitisse voltar ao jardime olhar para ele uma vez mais.

8. Mas Deus disse a Adão: “Eu te fiz uma promessa; quando esta promessa for cumprida, Eu te trarei de volta ao jardim, a ti e à tua descendência justa”. E Deus parou de se comunicar com Adão.

XI

1. Então Adão e Eva sentiram-se queimando de sede e calor e tristeza.

2. E Adão disse a Eva: “Não devemos beber desta água, mesmo se morrermos. Ó Eva, quando esta água penetrar em nossas entranhas, aumentará nossos castigos e os de nossos filhos que virão depois de nós”.

3. Adão e Eva abstiveram-se então da água e não beberam nada; Mas caminharam e entraram na Caverna dos Tesouros.

4. Mas uma vez dentro dela Adão não podia ver Eva; ele apenas ouvia o ruído que ela fazia. Nem ela podia ver Adão, mas ouvia o ruído que ele fazia.

5. Então Adão chorou em profundo sofrimento e golpeou seu peito; e erguendo-se disse a Eva : “Onde estás?”

6. E ela lhe disse : “Vê, eu estou nesta escuridão”.

7. Ele então lhe disse : “Recorda-te da natureza luminosa na qual vivíamos enquanto habitávamos no jardim!”

8.”Ó Eva! Recorda-te da glória que repousava em nós no jardim. Ó Eva! Recorda-te das árvores que faziam sombra sobre nós no jardim enquanto nos movíamos entre elas”.

9.”Ó Eva! Recorda-te de que, enquanto estávamos no jardim, não conhecíamos nem a noite nem o dia. Pensa na Árvore da Vida, de sob a qual brotava a água e que derramava brilho sobre nós! Recorda-te, ó Eva, da terra do jardim e da sua luminosidade !”

10. “Pensa, oh!, pensa neste jardim onde não havia escuridão enquanto morávamos nele!”

11.“Enquanto que, tão logo chegamos a esta Caverna dos Tesouros, a escuridão envolveu-nos; tanto que não mais podemos ver-nos um ao outro; e todo o prazer desta vida chegou a um fim “.

XII

1. Então Adão golpeou seu peito, e também Eva, e eles prantearam a noite inteira até a aurora se aproximar, e eles lamentaram suspirando a noite longa em Miyazia.

2. E Adão agrediu-se e jogou-se no chão da caverna, em amargo pesar, e por causa da escuridão, ali permaneceu como morto.

3. Mas Eva ouviu o barulho que ele fez ao cair ao chão. E ela tateou à sua volta procurando-o e encontrou-o como um cadáver.

4. Então ela ficou com medo, sem fala e permaneceu junto dele.

5. Mas o Senhor misericordioso olhou para a morte de Adão e para o silêncio de Eva por causa do medo da escuridão.

6. E a Palavra de Deus chegou a Adão e ressuscitou-o de sua morte, e abriu a boca de Eva para que ela voltasse a falar.

7. Então Adão ergueu-se na caverna e disse : “Ó Deus, por que a luz nos deixou e a escuridão nos acometeu ? Por que nos deixais nesta longa escuridão ? Por que nos quereis assim castigar ?”

8. “E esta escuridão, ó Senhor, onde estava, antes de nos acometer ? Ela é tamanha que não podemos ver um ao outro”.

9. “Pois, enquanto estávamos no jardim, não vimos nem mesmo sabíamos o que é a escuridão. E eu não fiquei oculto de Eva, nem ela ficou oculta de mim, até que agora ela não me pode ver; e nenhuma escuridão nos havia acometido antes, separando-nos um do outro”.

10. “Mas ela e eu estávamos ambos numa única luz brilhate. Eu a via e ela a mim. Mas agora desde que entramos nesta caverna, a escuridão nos envolveu e nos separou, assim que eu não a vejo e ela não vê a mim”.

11. “Ó Senhor, quereis então castigar-nos com esta escuridão ?”

XIII

1. Então , quando Deus, que é misericordioso e cheio de piedade, ouviu a voz de Adão, lhe disse

2. “Ó Adão, enquanto o bom anjo foi obediente a Mim, a luz brilhante repousava nele e em suas hostes”

3. “Mas quando ele desobedeceu Meu mandamento, Eu o privei dessa natureza luminosa, e ele se tornou opaco”.

4.” E quando ele estava nos céus, nos domínios de luz, ele não conhecia nada da escuridão”.

5. “Mas ele desobedeceu e Eu o fiz cair do céu para a terra; e foi esta escuridão que lhe sobreveio”.

6. “E sobre ti, ó Adão, enquanto em Meu jardim e obediente a Mim, esta luz brilhante repousou também sobre ti”.

7. “Mas quando Eu soube de tua desobediência, privei-te desta luz brilhante. Ainda assim, por Minha misericórdia, não te transformei em escuridão, mas fiz teu corpo de carne , e sobre ele estendi esta pele, a fim de que suporte o frio e o calor”.

8. “Tivesse Eu permitido à Minha ira cair pesadamente sobre ti, serias destruído; e tivesse Eu te transformado em escuridão, seria como se Eu te matasse”.

9. “Mas, em Minha misericórdia, fiz-te como és, quando tu desobedeceste ao meu mandamento, ó Adão, expulsei-te do jardim e te fiz chegar a esta terra; e ordenei-te habitar nesta caverna; e a escuridão caiu sobre ti, como caiu sobre aquele que desobedeceu ao Meu mandamento” .

10. “Neste caso, ó Adão, esta noite te enganou. A noite não há de durar para sempre; mas por doze horas apenas; quando terminar, a luz do dia retornará”

11. “Não lamentes, portanto, nem te alteres, e não digas em teu coração que esta escuridão é longa e se arrasta devagar; e não digas em teu coração que Eu te estou castigando com isto”.

12. “Fortalece teu coração e não tenhas medo. Esta escuridão não é castigo. Mas, ó Adão, Eu fiz o dia e coloquei nele o sol para dar luz, a fim de que tu e teus filhos fizésseis o vosso trabalho.

13. “Pois Eu sabia que tu irias pecar e desobedecer, e vir para esta terra. Ainda assim Eu não te forçaria, nem seria duro contigo, nem te confinaria; nem te condenaria por tua queda; nem por tua saída da luz para a escuridão; nem mesmo por tua saída do jardim para esta terra”.

14. “Pois Eu te fiz de luz; e quis gerar de ti filhos de luz, semelhantes a ti”.

15. “Mas um dia tu não guardaste Meu mandamento; antes que Eu terminasse a criação e abençoasse tudo nela”.

16. “Então Eu te dei um mandamento acerca da árvore, de não comeres dela. Mesmo assim Eu sabia que Satã , que enganou-se a si próprio, também te enganaria.

17. “Assim Eu te fiz saber, por meio da árvore, que não te aproximasses dele. E Eu te disse para que não comesses do seu fruto, nem dele provasses, nem te sentasses debaixo dela”.

18. “Não tivesse Eu falado a ti, ó Adão, acerca da árvore, e te deixasse sem um aviso, e tu tivesses pecado, teria sido uma maldade de Minha parte não te dar nenhum aviso; tu te voltarias e Me culparias por isto”.

19. “Mas Eu te dei o mandamento e te preveni, e tu caíste. Assim, Minhas criaturas não me podem culpar; porém a culpa recai sobre elas somente”.

20. “E, ó Adão, Eu fiz o dia para ti e para teus descendentes que virão depois de ti, para nele trabalhares e labutarem. E Eu fiz a noite para eles descansarem nela do seu trabalho; e para os animais do campo saírem à noite e procurarem seu alimento”.

21. “Porém, é pouca a escuridão que te resta agora, ó Adão; pois a luz do dia logo surgirá”.

XIV

1. Então Adão disse a Deus : “Ó Senhor, levai minh’alma , e não me deixeis mais ver estas trevas; ou levai-me a algum lugar onde não haja escuridão”.

2. Mas Deus o Senhor disse a Adão: “Em verdade Eute digo, esta escuridão passará por ti todos os dias que determinei para ti até o cumprimento da Minha aliança; quando então Eu te salvarei e te levarei de novo para o jardim, para a morada de luz que tu almejas, onde não há escuridão. Eu o trarei a ele, ao reino do céu”.

3. Novamente Deus disse a Adão: “Toda esta miséria que acarretaste sobre ti por causa da tua desobediência não te libertará das mãos de Satã e ele não te salvará”.

4. “Mas Eu, sim, salvar-te-ei. Quando Eu descer do céu e tornar-Me carne da tua descendência, e tomar sobre Mim a enfermidade da qual tu padeces, então a escuridão que caiu sobre ti nesta caverna virá sobre Mim no túmulo, quando Eu estiver na carne da tua descendência”.

5. “E Eu, que sou eterno, estarei sujeito à contagem dos anos, dos tempos, dos meses e dos dias, ,e serei considerado como um dos filhos dos homens, para te salvar”.

6. E Deus parou de se comunicar com Adão.

XV

1. Então Adão e Eva choraram e entristeceram-se por causa das palavras que Deus lhe dissera, que eles não voltariam ao jardim até o cumprimento dos dias decretados para eles; mas principalmente por haver Deus dito que Ele deveria sofrer para salvá-los.

XVI

O primeiro alvorecer. Adão e Eva pensam que é um fogo vindo para exterminá-los.

1. Depois disso Adão e Eva não pararam de orar e chorar na caverna até que a manhã desceu sobre eles.

2. E ao ver a luz sendo-lhes devolvida, deixaram de ter medo e fortaleceram seus corações.

3. Então Adão começou a sair da caverna. E quando chegou na boca da caverna, parou e voltou sua face em direção do leste, viu o sol levantar-se em raios brilhantes e sentiu o seu calor no seu corpo; teve medo dele e pensou em seu coração que esta chama vinha para castigá-lo.

4. Ele chorou então e golpeou seu peito, e prostou-se com a face na terra e fez seu pedido dizendo:

5. “Ó senhor, não me castigueis, nem me destruais, nem tireis já minha vida da terra”

6. Pois ele pensou que o sol era Deus.

7. Já que enquanto estava no jardim e ouvia a voz de Deus e o som que Ele fazia no jardim e O temia, Adão nunca vira a luz brilhante do sol, nem seu calor flamejante tocara seu corpo.

8. Porisso ele ficou com medo do sol quando seus raios ardentes o alcançaram. Ele pensou que com isto Deus tencionava castigá-lo todos os dias decretados por ele.

9. Pois Adão também disse em seus pensamentos: “Já que Deus não nos castigou com a escuridão, eis que Ele fez este sol nascer para castigar-nos, queimando-nos com seu calor”.

10. Mas, enquanto ele assim pensava no seu coração, a Palavra de Deus veio e lhe disse :

11. “Ó Adão, levanta-te e põe-teem pé. Estesol não é Deus; mas foi criado para iluminar o dia. Foi o que Eu te falei na caverna dizendo que a aurora irromperia e haveria luz durante o dia.

XVII

A serpente

1. Então Adão e Eva saíram pela boca da caverna e caminharam em direção ao jardim.

2. Mas ao aproximarem-se dele, defronte ao portão oeste, do qual viera Satã quando enganou Adão e Eva, encontraram a serpente que se tornara Satã e que tristemente lambia o pó e se arrastava com seu peito no chão, por causa da maldição de Deus.

3. Aserpente, que antes tinha sido o mais sublime de todos os animais, agora estava mudada e se tornara escorregadia e o pior de todos eles e arrastava-se sobre seu peito e andava sobre seu ventre.

4. Considerando que fora o mais belo de todos os animais, mudada, tornou-se o mais feio de todos eles. Em vez de alimentar-se do melhor, agora comia o pó. Em vez de habitar, como antes, os melhores lugares, agora viva no pó.

5. E, enquanto era o mais belo de todos os animais, todos emudeciam perante sua beleza; agora tornara-se abominável.

6. E, novamente, enquanto ela habitara uma bela morada, todos os outros animais para ali acorriam; e onde bebesse, eles também bebiam; agora, depois de se tornar venenosa pela maldição de Deus, todos os animais fugiam de sua morada, e não bebiam mais da água que ela bebesse; mas fugiam desta.

XVIII

O combate mortal com a serpente

1. Quando a amaldiçoada serpente viu Adão e Eva, inclinou a cabeça, pôs-se sobre sua cauda e, com os olhos injetados de sangue, fez menção de matá-los.

2. E avançou diretamente para Evae lançou-se atrás dela; enquanto Adão, de lado, chorava por não ter uma vara em suas mãos com a qual pudesse golpear a serpente, e não sabia como matála.

3. Mas, com o coração ardendo por Eva, Adão aproximou-se da serpente e a segurou pela cauda; quando então ela se voltou em sua direção e disse :

4. “Ó Adão, por causa de ti e de Eva eu sou escorregadia e ando sobre meu ventre.” Então, sendo grande sua força, derrubou Adão e Eva e os esmagou, com intenção de matá-los.

5. Mas Deus mandou um anjo que lançou a serpente para longe deles e os ergueu.

6. Então a Palavra de Deus veio à serpente, dizendo: “Da primeira vez Eu te fiz loquaz e te fiz andar sobre teu ventre; mas Eu não te havia privado da fala.

7. “Agora, ,entretanto, sê muda; e não mais falarás, tu e tua raça; porque da primeira vez a ruína das minhas criaturas aconteceu através de ti, e agora tu querias matá-las”.

8. Então a serpente emudeceu e não mais falou.

9. E soprou um vento do céu por ordem de Deus e carregou a serpente para longe de Adão e Eva, jogando-a na beira do mar, e ela foi parar na Índia.

 XIX

1. Mas Adão e Eva choraram perante Deus. E Adão disse-Lhe :

2. “Ó Senhor, quando eu estava na caverna Vos disse, meu Senhor, que os animais do campo se levantariam e me devorariam e eliminariam minha vida na terra”

3. Então Adão, por causa do que lhe havia acontecido, golpeou seu peito e prostrou-se em terra como um cadáver; então sobreveio a Palavra de Deus que o ergueu e disse-lhe :

4. “Ó Adão, nenhum desses animais poderá ferir-te porque quando Eu fiz estes animais e outras coisas moventes virem até ti na caverna, não permiti à serpente vir com eles, para que não se levantasse contra vós e vos fizeste tremer; e o medo que sentiríeis penetrasse em vossos corações.

5. “Pois Eu sabia que esta amaldiçoada é maldosa; porisso Eu não lhe permiti chegar perto de vós com os outros animais.

6. “Mas agora fortalece teu coração e não tenhas medo. Eu estou contigo até o fim dos dias que determinei para ti”.

XX

1. Então Adão chorou e disse : “Ó Deus, levai-nos para algum outro lugar, onde a serpente não possa novamente aproximar-se e levantar-se contra nós. Para que não encontre Vossa criada Eva sozinha e a mate, pois seus olhos são medonhos e maus”

2. Mas Deus disse a Adão e Eva : “Daqui por diante não tenhais medo, não permitirei que ela se aproxime de vós; Eu a afastei de vós, dessa montanha; nem permitirei que ela de modo algum vos machuque”

3. Então Adão e Eva adoraram a Deus e deram-lhe graças, e louvaram-no por livrá-los da morte.

 

Os Apócrifos da Bíblia – Parte II (José de Arimatéia)

DECLARAÇÃO DE JOSÉ DE ARIMATÉIA


CAPÍTULO 1

Eu sou José de Arimatéia, aquele que pediu a Pilatos o corpo do Senhor Jesus para
sepultá-lo, e que por este motivo se encontra agora acorrentado e oprimido pelos Judeus, assassinos e rebeldes a Deus, os quais, além disso, tendo a lei em seu poder, foram a causa de aflições para o próprio Moisés e, depois de enraivecer o legislador e de não haverem reconhecido a Deus, crucificaram o Filho de Deus, coisa que ficou bem caracterizada para quem conhecia a condição do Crucificado. Sete dias antes da paixão de Cristo, foram enviados de Jericó ao governador Pilatos dois ladrões cujas culpas eram as seguintes: O primeiro, chamado Gestas, costumava matar viajantes com a espada, ou deixava-os nus. Quanto às mulheres, ele as pendurava pelos tornozelos, de cabeça para baixo, para depois cortar-lhes os seios. Tinha predileção por beber o sangue das crianças. Nunca conheceu a Deus, não obedecia às leis e, violento com era, vinha executando tais ações desde o início de sua vida.
O segundo, por sua vez, chamava-se Dimas, era de origem galiléia e possuía uma
pousada. Assaltava os ricos, mas favorecia os pobres. Mesmo sendo ladrão, parecia-se a Tobias, já que costumava sepultar os mortos. Dedicava-se a saquear a turba dos judeus. Roubou os Livros da Lei em Jerusalém, deixou nua a filha de Caifás, que era na época a sacerdotisa do santuário, e até mesmo furtou o depósito secreto, colocado por Salomão. Tais eram seus feitos.

Também Jesus foi detido na tarde do dia 3 antes da Páscoa. E não havia festa nem para Caifás nem para a turba dos judeus, mas sim uma enorme aflição, por causa do roubo do santuário, que havia sido praticado pelo ladrão. Chamando a Judas Iscariotes, falaram com ele. É necessário dizer que este era sobrinho de Caifás, não era discípulo sincero de Jesus, mas havia sido dolosamente instigado por toda a turba de judeus para que o seguisse. E isto, não com a finalidade de que se deixasse convencer pelas façanhas que Ele operava, nem para que O reconhecesse, mas sim para apanhar-Lhe em alguma mentira. E por esta gloriosa empreitada, davam-lhe presentes e um dracma de ouro por dia. Na época, já estava há dois anos na companhia de Jesus, como disse um dos discípulos, chamado João.

Três dias antes de Jesus haver sido detido, Judas disse aos judeus:
— Eia! Usemos o pretexto de que não foi o ladrão que furtou os Livros da Lei, mas,
sim, Jesus em pessoa. Eu próprio comprometo-me a fazer a acusação.
Enquanto isto era dito, Nicodemus, encarregado das chaves do santuário, veio juntar-se a nós e dirigiu-se a todos, dizendo:
— Não façam tal coisa.
Sabe-se que Nicodemus era mais sincero do que todos os judeus juntos. Mas a filha de Caifás, chamada Sara, disse aos gritos:
— Pois ele falou deste lugar santo na frente de todos: sou capaz de destruir este templo e levantá-lo em três dias.
Ao que os judeus responderam:
— Damos-te todos os nossos votos de confiança, — já que tinham-na como profetisa.
Uma vez realizado consenso, Jesus foi detido.

CAPÍTULO 2

No dia seguinte, que era quarta-feira, levaram-nO ao palácio de Caifás à hora nona. E
Anás e Caifás perguntaram-Lhe:
— Ouve, por que roubaste nossa Lei e levaste a leilão público as promessas de Moisés
e dos profetas?
Jesus nada respondeu. E, diante de toda a assembléia reunida, indagaram dEle:
— Por que pretendes desfazer num único momento o santuário que Salomão erigiu em quarenta e seis anos?
Jesus nada respondeu a esta pergunta. Sabe-se que o santuário da sinagoga havia sido saqueado pelo ladrão. Mas ao cair a tarde de quarta-feira, a turba dispunha-se a queimar a filha de Caifás porque os Livros da Lei se haviam perdidos e não sabiam como celebrar a Páscoa. Mas ele lhes disse:
— Esperai, filhos, que mataremos este Jesus e encontraremos a Lei e a santa festa
celebrar-se-á com toda a solenidade.
Então Anás e Caifás entregaram às escondidas a Judas Iscariotes uma boa quantidade de ouro e lhe confiaram a seguinte missão:
— Dize, conforme nos afirmastes: eu sei que a Lei foi furtada por Jesus, para que o
delito recaia sobre ele e não sobre esta irrepreensível donzela.
Quando se puseram de acordo neste particular, Judas disse-lhes:
— Que o povo não saibas que me haveis dado instruções para fazer isto contra Jesus. É melhor soltá-lo e eu me encarregarei de convencer o povo de que a coisa é assim.
Assim, astutamente puseram Jesus em liberdade.
Assim, então, quinta-feira, ao amanhecer, Judas entrou no Santuário e disse a todo o
povo:
— Que me dareis se eu entregar aquele que fez desaparecer a Lei e roubou os Profetas?
Os judeus responderam:
— Se o entregares, dar-te-emos trinta moedas de ouro.
O povo não sabia, porém, que Judas se referia a Jesus, já que muitos reconheciam que era o filho de Deus. Então Judas ficou com as trinta moedas de ouro. Tendo saído durante a quarta e a quinta hora, encontrou Jesus passeando no átrio. Já estando a tarde por cair, disse aos judeus:
— Dai-me uma escolta de soldados armados de espadas e paus e eu pô-lo-ei em vossas mãos.
Deram-lhe, então, força para prendê-lo. Enquanto iam caminhando, Judas disse-lhes:
— Agarrai aquele a quem eu beijar, pois terá sido ele quem roubou a Lei e os Profetas.
Depois aproximou-se de Jesus e beijou-O dizendo:
— Salve, Mestre.
Era então a tarde de sexta-feira. E, uma vez preso, puseram-nO nas mãos de Caifás e
dos pontífices, dizendo-lhes Judas:
— Este é aquele que furtou a Lei e os Profetas.
Os judeus, então, submeteram Jesus a um injusto interrogatório, dizendo:
— Por que fizeste isto? — mas ele nada respondeu.
Então, Nicodemus e eu, José, diante daquela cátedra de pestilência, separamo-nos
deles, dispostos que estávamos a não perecer juntamente com o conselho dos ímpios.

CAPÍTULO 3

E depois daquela noite fizeram outras coisas terríveis contra Jesus; na madrugada de
sexta-feira foram entregá-lo ao governador Pilatos para crucificá-lo; e com este intuito todos acorreram. E o governador Pilatos, depois de interrogá-lo, ordenou que fosse crucificado na companhia de dois ladrões. E foram crucificados, juntamente com Jesus, à esquerda, Gestas, à direita, Dimas.
E o da esquerda começou a gritar, dizendo a Jesus:
— Olha quantas coisas más fiz sobre a terra, e até se soubesse que tu eras rei, teria
acabado também contigo. Por que te chamas a ti mesmo de Filho de Deus, se não podes socorrer-te em caso de necessidade? Como, então, prestarás auxílio a qualquer um que o peça? Se tu és o Cristo, desce da cruz para que eu possa crer em ti. Mas, neste momento não te considero como homem, senão como uma besta selvagem que está perecendo juntamente comigo.
E começou a dizer muitas outras coisas contra Jesus enquanto blasfemava e fazia
ranger os dentes contra Ele, pois o ladrão tinha sido preso no laço do diabo.
Mas o da direita, cujo nome era Dimas, vendo a graça divina de Jesus, gritava deste
modo:
— Conheço-te, ó Jesus Cristo, e sei que és o Filho de Deus. Vejo-Te como Cristo
adorado por miríades de anjos. Perdoa os pecados que cometi. Não faças os astros virem contra mim no momento do meu julgamento, ou a lua, quando julgares toda a terra, posto que foi à noite que realizei meus maus propósitos. Não movas o sol, que agora escurece por Ti, para que eu possa manifestar as maldades de meu coração. Já sabes que não posso oferecer-Te presente algum pela remissão dos meus pecados. A morte já se joga em cima de mim por causa das minhas maldades, mas Tu tens o poder para expiá-las. Livrai-me, Senhor universal, do teu terrível julgamento. Não concedas ao inimigo poder para engolir-me e fazer-se herdeiro de minha alma, como o é desse que está pendurado à esquerda, pois estou vendo como o diabo recolhe sua alma, enquanto suas carnes desaparecem. Tampouco me ordenes passar para o lado dos judeus, pois vejo-os submergir num grande pranto a Moisés e aos profetas, enquanto o diabo se ri às suas costas. Senhor, antes que minha alma
saia, ordena que meus pecados sejam apagados e lembra-te de mim, pecador, em teu reino, quando julgares as doze tribos por sobre o trono grande e alto, pois é grande e tormento que preparaste para o teu mundo por tua própria causa.
E, quando o ladrão terminou de dizes isto, Jesus respondeu-lhe:
— Em verdade, em verdade digo-te, Dimas, que hoje mesmo estarás comigo no
paraíso. Mas os filhos do reino, os descendentes de Abraão, de Isaac, de Jacó e de Moisés serão arremessados fora, para as trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mas tu serás o único que habitará o paraíso até a minha segunda vinda, quando julgarei aqueles que não reconheceram meu nome.
E acrescentou:
— Vai agora e dize aos querubins e aos anjos da sexta hierarquia, que estão brandindo a espada de fogo e guardando o paraíso de Adão, a primeira das criaturas, que depois de ter vivido ali foi arremessado por haver prevaricado e por não ter guardado meus mandamentos: nenhum dos primeiros verá o paraíso até que eu venha de novo para julgar os vivos e os mortos. Assim disse Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que desceu das alturas dos céus, aquele que saiu inseparavelmente do seio do Pai invisível e desceu ao mundo para encarnar-se e ser crucificado para salvar Adão, a quem formou, para conhecimento das milícias dos arcanjos, guardiões do paraíso e ministros de meu Pai. Quero e ordeno que adentre aquele que está crucificado comigo, e que receba por mim a remissão de seus pecados e que entre no paraíso com o corpo incorruptível e engalanado, e que habite onde ninguém jamais poderá habitar.
E eis que, quando disse isto, Jesus entregou seu espírito. Isto aconteceu numa sextafeira, à nona hora. As trevas cobriram a terra inteira e sobreveio um grande terremoto que derrubou o santuário e o pináculo do templo.

CAPÍTULO 4

Então eu, José, reclamei o corpo de Jesus e coloquei-o num sepulcro novo, ainda não usado. O cadáver daquele que estava à direita não pôde ser encontrado, enquanto que o da esquerda tinha adquirido o aspecto de um dragão. Pelo fato de ter pedido o corpo de Jesus para dar-lhe sepultura, os judeus, deixando-se levar por um impulso de cólera, encarceraram-me no mesmo lugar onde se costumava colocar os malfeitores. Isto aconteceu-me na tarde do Sabat em que nossa nação estava prevaricando. Quantas terríveis atribulações este Sabat infligiu à nossa mesma nação!
Precisamente na tarde do primeiro dia da semana, na quinta hora, quando me
encontrava na prisão, Jesus veio ter comigo, acompanhado daquele que tinha sido
crucificado à sua direita e a quem enviara ao paraíso. Havia uma grande luz no recinto.

Imediatamente a casa ficou suspensa em seus quatro ângulos, o espaço interior ficou e eu pude sair. Então reconheci primeiro a Jesus e depois ao ladrão, que trazia uma carta para Jesus. Enquanto caminhávamos até a Galiléia, brilhou uma luz tamanha que a criação não podia suportá-la. O ladrão, por sua vez, exalava um forte perfume procedente do paraíso.

Depois, Jesus sentou-se e leu assim:
— Os querubins e os hexaptérigos receberam de tua divindade a ordem de guardar o
jardim do paraíso. Soubemos disto pelo ladrão que foi crucificado juntamente Contigo, por tua disposição. Ao ver nele o sinal dos pregos e o resplendor das letras da tua divindade, o fogo extinguiu-se, já que não podia suportar o sinal ofuscante. Nós, tomados de um grande temor, ficamos amedrontados, pois ouvimos o autor do céu e da terra e da criação inteira que descia das alturas até as partes mais baixas da terra por causa de Adão, a primeira das criaturas. Ao ver a cruz imaculada, que fulgurava em meio ao ladrão e que fazia reverberar um resplendor sete vezes maior que o do sol, um grande temor apoderou-se de nós, presas da agitação dos infernos.

E nós e os ministros do inferno, em coro, dissemos aos brados:
“Santo, Santo, Santo é Aquele que impera nas alturas”. E as divindades deixavam escapar este grito: “Senhor, Tu Te manifestaste no céu e sobre a terra, dando a alegria dos séculos, depois de ter salvo a própria criatura da morte”.

CAPÍTULO 5

Enquanto eu ia contemplando isto, a caminho da Galiléia, em companhia de Jesus e do ladrão, Aquele transfigurou-se e já não era o mesmo de antes da crucificação, senão que era luz por completo. Os anjos serviam-no continuamente, e Jesus mantinha conversação com eles. Passei por três dia ao seu lado, sem que nenhum dos seus discípulos O acompanhasse, mas tão somente o ladrão.
Em meio à festa dos ázimos, veio o seu discípulo João, e até então não havíamos visto o ladrão nem sabíamos o que tinha sido feito dele. João então perguntou a Jesus:
— Quem é este, já que ainda não mo permitiste vê-lo?
Mas Jesus não respondeu nada. Então ele atirou-se aos seus pés e disse:
— Senhor, sei que desde o princípio me amaste. Por que não me fazes ver aquele
homem?
Jesus disse-lhe:
— Por que vais em busca do mistério? És obtuso de inteligência? Não sentes o perfume do paraíso que inundou este lugar? Não percebes quem era? O ladrão suspenso da cruz tornou-se herdeiro do paraíso. Em verdade, em verdade te digo que somente ele o é até que chegue o grande dia.
E João disse:
— Faze-me digno de vê-lo”.
Enquanto João ainda estava falando, o ladrão apareceu de repente. Então aquele,
atônito, caiu ao chão. O ladrão não conservava a mesma figura que tinha antes da chegada de João, mas parecia-se com um rei majestoso ao extremo, engalanado como estava com a cruz. Ouviu-se uma voz, emitida por uma grande multidão, que dizia assim:
— Chegaste ao lugar do paraíso que te havia sido preparado. Nós fomos designados
por Aquele que te enviou para servir-te até que venha o grande dia.
Ao produzir-se esta voz, o ladrão e eu ficamos invisíveis. Então encontrei-me em
minha própria casa e já não via Jesus.

Tendo sido testemunha ocular destas coisas, deixei-as escritas para que todos acreditem em Jesus Cristo crucificado, nosso Senhor, e já não sirvam à Lei de Moisés, senão que dêem crédito aos milagres e maravilhas operados por Ele, de maneira que, crendo, sejam herdeiros da vida eterna e possamos encontrar-nos todos no reino dos céus. Porque a Ele lhe convém glória, força, bem-aventurança e majestade pelos séculos dos séculos.

Amém.

Os Apócrifos da Bíblia, parte I

“Se manifestarem aquilo que têm em si, isso que manifestarem os salvará. Se não manifestarem o que têm em si, isso que não manifestarem os destruirá.” Jesus, O Vivo.

O rosto de Jesus segundo Sai Baba

Hoje conversando com um amigo sobre os Apócrifos (Apocryphom literalmente livro secreto) da Bíblia, ou Evangelhos Gnósticos, pensei em criar uma nova série de postagens, dessa vez selecionando trechos de vários apócrifos, que divergem da doutrina oficial.

A história é essa: em 1945, o camponês Muhamad Ali Salmman, encontrou um grande pote vermelho de cerâmica, contendo treze livros de papiro encadernados em couro em uma pequena localidade no Alto Egito em Nag Hammadi. No total descobriram cinquenta e dois textos.  Os papiros encontrados em Nag Hammadi, tinham cerca de 1.500 anos, e eram traduções em copta de manuscritos ainda mais antigos feitos em grego e na língua do Novo Testamento, como constatou-se, ao verificar que parte destes manuscritos tinham sido encontrados em outros locais, como por exemplo alguns fragmentos do chamado Evangelho de Tomé. As datas dos textos originais estão estimadas entre os anos 50 e 180, pois em 180, Irineu o bispo ortodoxo de Lyon, declarou que os hereges “dizem possuir mais evangelhos do que os que realmente existem”.

A primeira linha traduzida do copta foi: “Essas são as palavras secretas que Jesus, O Vivo, proferiu, e que seu gêmeo, Judas Tomé, anotou”.

Acredita-se que os manuscritos foram enterrados por volta do século IV, quando na época da conversão do imperador Constantino, os bispos cristãos, passaram ao poder e desencadearam uma campanha contra as heresias. Então, algum monge do mosteiro de São Pacômio, nas cercanias de Nag Hammadi, tomou os livros proibidos e os escondeu no pote de barro, onde permaneceram enterrados por 1.600 anos.

  Além dos Evangelhos (ensinamentos atribuídos a Jesus Cristo através de seus apóstolos) outros textos compõe o legado de Nag Hammadi, de cunho teológico e filosófico.

Pôncio Pilatos

RELATÓRIO DE PONCIO PILATOS A TIBÉRIO CÉSAR

 Relatório de Pilatos enviado a Tibério César sobre o novo personagem que surgiu em Jerusalém:

 Excelência: O relatório que lhe farei procede do fato de sentir-me coibido pelo temor e pelo tremor. Pois já sabeis que nesta província que governo, única entre as cidades quanto ao nome de Jerusalém, o povo judeu em massa entregou-me um homem chamado Jesus, acusando-o de muitos crimes que não puderam demonstrar com suficientes razões. Havia entre eles uma facção sua inimiga porque Jesus dizia-lhes que o Sabbath não era dia de descanso nem de festa para ser guardado. Ele, efetivamente, operou muitas curas nesse dia: devolveu a visão a cegos e a faculdade de andar a coxos; ressuscitou os mortos; limpou os leprosos; curou os paralíticos, incapazes de ter impulsos corporais ou ereção de nervos, mas somente voz e articulações, dando-lhes forças para andar e correr. E extirpava qualquer enfermidade somente com o uso de sua palavra.

 Outra nova ação mais assombrosa, desconhecida entre nossos deuses: ressuscitou um morto de quatro dias somente dirigindo-lhe a palavra; e é de se notar que o morto já tinha o sangue coagulado e estava putrefato por causa dos vermes que saíam de seu corpo e exalava um mal cheiro de cão. Vendo-o, então, imóvel como estava no sepulcro, ordenou que se levantasse e corresse; e ele, como se não tivesse um mínimo de cadáver, mas fosse como um esposo que sai do quarto nupcial, assim saiu do sepulcro, transbordante de perfume. E a alguns estrangeiros, totalmente endemoniados, que moravam nos desertos e comiam suas próprias carnes, conduzindo-se como bestas e répteis, também a eles tornou-os honrados cidadãos, fê-los prudente com a sua palavra e preparou-os para serem sábios, poderosos e gloriosos e para confraternizarem com todos os que odiavam os espíritos imundos e perniciosos que habitavam neles anteriormente, os quais arremessou nas profundezas do mar.

O verdadeiro rosto de Jesus?

 Além disso, havia outro que tinha a mão seca. Melhor dizendo, não somente a mão, mas toda a metade do seu corpo estava petrificada, de maneira que não tinha nem a figura de um homem nem dilatação de músculos. Também este foi curado com somente uma palavra e ficou sadio.

 Havia uma outra mulher com problemas hemorrágicos, cujas articulações e veias estavam esgotadas pelo fluxo de sangue, a tal ponto que já nem sequer se podia dizer que tinha um corpo humano mais se assemelhava a um cadáver. Havia ficado até sem voz. Tal era a gravidade de seu estado que nenhum médico do território encontrou uma forma de curá-la ou sequer de lhe dar uma esperança de vida. Certa vez Jesus passava por ali em segredo e a mulher, retirando forças da sombra dele, tocou, por detrás, a fímbria de sua túnica. Imediatamente sentiu uma força que preenchia seus vazios e, como se nunca tivesse estado doente, começou a correr agilmente em direção à sua cidade, Cafarnaum, caminhando de tal forma que quase igualava qualquer pessoa que percorresse de uma só vez seis jornadas.

 Isto que acabo de relatar com toda a ponderação, Jesus fez num Sabbath. Além disso, operou outros milagres maiores do que estes, de maneira que chego a pensar que suas façanhas são superiores àquelas que fazem os deuses venerados por nós.

 Este, pois, é aquele a quem Herodes, e Arquelao, e Filipo, Anás e Caifás, entregaram-me para que eu o julgasse. E assim, embora sem haver constatado de sua parte nenhum tipo de delito ou má ação, mandei que o crucificassem depois de submetê-lo à flagelação.

 E enquanto o crucificavam sobrevieram algumas trevas que cobriam toda a terra, deixando o sol obscurecido em pleno meio-dia e fazendo aparecer as estrelas, as quais não resplandeciam; a luz parou de brilhar, como se tudo estivesse tingido de sangue, e o mundo dos infernos foi absorvido; e, com a queda dos infernos, até mesmo o que era chamado santuário desapareceu da vista dos próprios judeus. Finalmente, pelo eco repetido dos trovões, produziu-se uma fenda na terra.

 E quando ainda o pânico se fazia sentir apareceram alguns mortos que haviam ressuscitado, como testemunharam os próprios judeus, e disseram ser Abraão, Isaac, Jacó, os doze patriarcas, Moisés e Job, e, como eles diziam, os primeiros dos que haviam falecido três mil e quinhentos anos antes. E muitíssimos deles, que eu também pude ver que apareceram fisicamente, lamentavam-se por sua vez, por causa dos judeus, pela prevaricação que estavam cometendo, pela sua perdição e pela perdição de sua lei. O medo do terremoto durou desde a sexta até à nona hora da sexta-feira. E, ao chegar a tarde do primeiro dia da semana, ouviu-se um eco vindo do céu, que por sua vez adquirira um resplendor sete vezes mais vivo que todos os dias. Na terceira hora da noite chegou a aparecer o sol, brilhando mais que nunca e embelezando todo o firmamento. E da mesma forma que no inverno os relâmpagos sobrevêm de repente, assim também apareceram, subitamente alguns varões, excelsos pelas suas vestes e pela sua glória, que tinham vozes semelhantes ao soar de um enorme trovão, dizendo: “Jesus, o que foi crucificado acaba de ressuscitar. Levantai do abismo aqueles que estão presos nas profundezas do inferno”. E a fenda da terra era tamanha que parecia não ter fundo, já que deixava ver os próprios fundamentos da terra, entre os gritos daqueles que estavam no céu e passeavam fisicamente no meio dos mortos que acabavam de ressuscitar. aquele que deu vida aos mortos e acorrentou o inferno dizia: “Dai este aviso aos meus discípulos: Ele segue à vossa frente até a Galiléia. ali poderão vê-lo”.

 Durante toda aquela noite a luz não deixou de brilhar. E muitos dos judeus pereceram absorvidos pela fenda da terra, de maneira que no dia seguinte grande parte dos que haviam estado contra Jesus já não estavam ali. Outros viram aparições de ressucitados que nenhum de nós havia visto. E em Jerusalém não ficou nem uma só sinagoga dos judeus, pois todos desapareceram naquele terremoto. Assim, estando fora de mim devido àquele pânico e tolhido ao extremo por um horrível tremor, fiz para vossa excelência o relatório escrito do que meus olhos viram naqueles momentos. E, além disso, rememorando o que os judeus fizeram contra Jesus, remeto este relatório à vossa divindade, oh Senhor!”.

Advogado carioca se comunica com a Virgem

Imagens da Virgem fotografadas na igreja de SANTO ELESBÃO E SANTA IFIGENIA no centro do Rio, uma igreja de escravos.

Vídeo do texto abaixo: http://www.facebook.com/video/video.php?v=10150195667594301

Muitos pontos me tocaram, como espectador, filho, amigo e discípulo de Fátima nessa entrevista do advogado Pedro Siqueira (para o programa da Ana Maria Braga) que mantém contato com a Virgem desde criança, mas um detalhe me chamou a atenção: Nossa Senhora pode se manifestar através de um simples fenômeno como a chuva…

Sabe o que acho mais fascinante dessa história toda? Cada um, dependendo de vários fatores (educação, compreensão, fé, religião etc) tem uma perspectiva muito própria do fenômeno. Creio que cada um de nós reinterpreta e vive o fenômeno à sua imagem e semelhança: se você é criativo, os fenômenos também o serão. Como o advogado Pedro Siqueira é muito católico, o fenômeno também é muito católico. Mas nenhuma das formas de contato pode ser considerada certa ou errada: são extensões da mesma luz, da mesma fonte.

Há um depoimento nesta entrevista, de uma moça, a última a falar, que presenciou juntamente com o grupo em Fátima, Portugal,  uma cruz surgida do céu com raios vermelhos, e uma auréola que cercava o sol… Na entrevista há uma foto dessa depoente no mesmo local em Fátima onde tive a honra, o prazer e a emoção de ter tido contato com a Virgem, em uma fase muito confusa da minha vida, em uma fase na qual eu precisava ardentemente me desligar do velho, da roupa velha para me despir, me deixar nu e aí sim poder me reencontrar com quem eu havia me esquecido que era. E esse processo dura até hoje, é um caminho progressivo, contínuo e maravilhoso. E graças a Deus, sem retorno: sempre à frente e com a Virgem.

Grandes Enigmas da Humanidade

 

Em busca de respostas, a humanidade tem esculpido há séculos a grande pedreira que une razão, ciência, ficção e superstição. A resultante nem sempre tem agradado, porque no final das contas, “todos queremos acreditar”, como se precisássemos desesperadamente preencher a nossa alma com o inexplicável, como se o mito fosse o único elemento capaz de perpetuar os nossos próprios desejos de galopar o impossível.

Por isso toda explicação racional nem sempre é bem-vinda.

E mitos existem aos montes, aos milhares, há séculos e quanto mais inexplicáveis, mais apaixonantes se tornam.

Grandes Enigmas da Humanidade

Grandes Enigmas da Humanidade (360 páginas – capa dura) lançado pela Larousse oferece uma boa parte dessas explicações. A capa dessa enciclopédia de mistérios exibe uma das famosas “áreas de pouso” para discos voadores em Nazca ao sul do Peru. Será? O livro descarta a hipótese ufológica e prefere assentar as explicações nas palavras dos arqueólogos que acreditam que os desenhos se referem a equinócios e solstícios ou a um calendário meteorológico, mas em compensação logo depois, o livro inclui a declaração do chefe do FBI, Edgar Hoover de que o exército havia “cravado as unhas” nos “discos recuperados” e que por causa disso, não lhe davam pleno acesso à informação.

 

Escrito por diversos autores franceses, e obviamente focando muitos fatos ocorridos na França (há um capítulo inteiro pra essa tarefa: os ancestrais franceses), a obra se divide em 12 capítulos: Entre mito e ciência; os mistérios da Bíblia e do cristianismo; O significado oculto revelado; Nas garras do diabo; No centro dos fenômenos paranormais; Criaturas e animais extraordinários; Nos segredos das língua, dos povos e das culturas; Construções misteriosas; Mistérios da história da França, Pretendentes e impostores; na sombra da história e Dramas modernos.

Assuntos, os mais variados, são tratados de forma objetiva e em alguns casos, para eventos inexplicáveis, o texto apresenta as teorias. Diferentemente de livros do gênero, o Enigmas trata, também, de polêmicos assuntos da história europeia.

Maias

A obra discute se o modelo inacabado do big bang ainda serve com explicação para a origem do universo; se a panspermia (hipótese da vida na Terra ter nascido de organismos extraterrestres) referenda a vida como consequência da queda dos meteoritos (muitos ricos em carbono e água); se houve o dilúvio como descrito na Bíblia e quem a escreveu (o século XVII o filósofo Baruch Spinoza questionou racionalmente a origem dos textos sagrados) e se há explicações plausíveis para os prodígios do livro sagrado (ressureição, travessia do Mar Vermelho, as dez pragas do Egito); os manuscritos do mar morto; onde realmente fica o túmulo de Cristo (que se trataria de um arcosolium, uma mesa encimada por um arco abobadado, sobre o qual se depositava o cadáver); onde ficava o reino do padre João Presbítero, um soberano cristão que havia derrotado os muçulmanos em 2 dias em 1141; onde fica de fato a sepultura de São Pedro; se o Sudário de Turim é real (exames feitos em outubro de 1978 detectaram vestígios de sangue do grupo AB); se houve um papa mulher; quem era o conde de Saint-Germain, figura que encantou Paris entre 1758 e 1760 (uma interessante história conta que o duque de Choiseul, que o detestava, contratou Gauve um comediante para se passar pelo conde e que contava a todos que havia bebido com Alexandre, o Grande; comido nas bodas de Canaã e que conhecendo pessoalmente Jesus o alertara sobre uma morte abominável, o que ao invés de ridicularizar Saint-Germain, o fez mais famoso); fala sobre os rosa-cruzistas; astrologia, profecias e adivinhações feitas no passado; Nostradamus; Nicolas Flamel e a pedra filosofal; Cagliostro e a franco-maçonaria egípcia; Mesmer e a hipnose; a confraria secreta, a Liga da Corte Sagrada que julgava todo tipo de delitos e que impunha suplícios atrozes aos réus no fim da Idade Média; as bruxas de Salém; os comedores de múmias (os europeus chegaram a  consumir múmias em pedaços, como se fosse remédio, na forma de uma pasta escura e como pó desde o fim da Idade Média até o século XVI).

As pirâmides que vos contemplam

O fantasma de Ana Bolena; combustão espontânea e o poltergeist (espíritos batedores); a premonição sobre o fim do Titanic antecipada em detalhes pelo escritor norte-americano Morgan Robertson catorze anos antes (Robertson escreveu sobre o “maior navio já construído pelo homem”  e nomeou-o Titan); as mesas girantes das irmãs Fox e o médium voador Daniel Dunglass Home no final do século XIX; a experiência de invisibilidade feita com um escoltador da marinha americana na Experiência Filadélfia em 1943; Gilles de Rais, marechal da França aos 25 anos e companheiro de Joanna D´Arc executado pelos crimes de homicídio, magia negra e sodomia em 1440; casos de crianças criadas por animais; o Yeti, o homem das neves; sereias, lobisomens e vampiros; a incompreendida língua etrusca; os intocáveis na Índia; foram os bascos salvos do dilúvio?; as Amazonas; a torre de Babel; onde se localizava a Atlântida; os alinhamentos de Carnac (o caminho formado por menires isolados poderiam ter sido vários observatórios?); Stonehenge (apesar das divergências entre astrônomos e arqueólogos, a precisão dos locais de  megálitos  é muito grande para ser obra do acaso); as estátuas da ilha de Páscoa (mil delas, os moais, habitam na ilha; as pirâmides (o primeiro ocidental a penetrar na grande pirâmide no Egito foi o coronel britânico Howard Vyse em 1830, que abriu os corredores obstruídos com dinamite); o desaparecimento dos maias (o ápice da sua civilização se deu entre 625  a 800 d.C.); os reis franceses poderiam curar com o toque de suas mãos?; os cátaros (reencarnacionistas e “heréticos”, massacrados pela Santa Inquisição no século XIII, acreditavam que o mundo foi criado pelo demônio); Napoleão foi envenenado com arsênico?; a dançarina holandesa Mata Hari fuzilada na Primeira Guerra em 1917 espionava para os inimigos alemães? (como ninguém reclamou o corpo, após o fuzilamento, foi entregue à faculdade de medicina para dissecação); o misterioso Kaspar Hausar que ficou trancafiado 16 anos em uma casa no século XIX poderia ter sido filho de Stephanie de Beauharnais, filha adotiva de Napoleão?).

Objeto não identificado

Joana d´Arc escapou da fogueira? (com a cabeça coberta por uma mitra que a deixava irreconhecível, muitos acham eu a verdadeira Joana não foi queimada em 1431);.o czar russo Alexandre I teria sumido e assumido a personalidade de um vagabundo chamado Fedor Kusmitch?; os mistérios de Nefertite (Semenkhare, o faraó co-regente seria Nefertite?); Ramsés III foi assassinado por suas mulheres?; Tutancâmon e os 27 mortos que participaram direta e indiretamente da abertura de sua tumba; a guerra de Troia realmente aconteceu?; Homero existiu?; os fenícios estiveram na América do Sul? (mais exatamente na Paraíba, dois mil anos antes da descoberta do Brasil); Nero pôs fogo em Roma?; o Rei Arthur existiu?; a filha de Nicolau II sobreviveu ao massacre da família real russa?; Hitler era influenciado por sociedades secretas?; o que aconteceu com o cadáver do führer?; por que assassinaram Kennedy?; os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos foram forjados?

A Sincronicidade dos Deuses Astronautas

 

No dia 9 de agosto, desci às 17h para meditar na igrejinha do bairro. A energia estava razoável e depois saí. Na escadaria da igreja, encontrei um palito de picolé de plástico laranja, com ranhuras para serem encaixados uns nos outros. Não sei se isso voltou a ser moda agora, mas certamente não era o mesmo palito que eu juntava nos anos 70, certamente não.

Com o palito na palma da mão, minha infância retornou à vida em questão de segundos, fragmentos de uma memória perdida se refizeram, não visuais mas sentimentais. Recordei que juntei  vários desses para montar várias coisas, dar asas à imaginação. Me perguntei  o que isso significava, pois procuro significados em quase tudo e quase sempre há um, sem exagero.

Ações externas estão ligadas às internas. Sempre.

Talvez o palito mágico estivesse me dizendo que eu deveria “voltar ao ponto de partida”, e isso para mim significa pureza, o ato puro de me libertar das pedras carregadas nas costas que atrasam o caminhar, a simbologia que me faz crer que é necessário abrir mão de quase tudo o que é desnecessário, para que a pureza e o amor pela vida possam reinar, sem traumas ou escândalos.

Só de acreditar nessa inspiração, várias ideias afloraram: projetos pessoais e profissionais, todos ligados em uma corrente do bem que soma alta estima, paciência, trabalho constante, objetivo, foco etc. Todos os meus sonhos são puros como a água mais fluídica, pois eu não busco nada que possa prejudicar quem quer que seja, eu me interesso em ter o meu espaço, e poder trabalhar livremente, e ser recompensado por isso dignamente. Não busco poder, sexo, fama ou status. Celebro o amor à vida e aos estudos sem vícios ou objetivos obscuros. Por isso me considero puro.

Já na rua, e inspirado, pensei que deveria seguir em direção à outra igreja, distante a uns 30 minutos a pé. Cheguei na missa das 18h, a igreja estava apinhada. Sentei, meditei e senti a vibração bombando, poderosa. É um negócio tão louco (e gostoso) que nesse estado de catarse, a sua mente dialoga livremente em um ambiente fluídico, onde nitidamente o “cliente” se desliga dos pensamentos mundanos do dia-a-dia (e inclusive de quem está sentado ao seu lado) para refletir sobre o que é realmente útil para sermos felizes. Nesse estado, uma assistente do padre começou a recitar um trecho do Profeta Ezequiel que relata o seu encontro com Deus:

(1,4) – Eu olhei: havia um vento tempestuoso que soprava do norte, uma grande nuvem e um fogo chamejante; em torno de uma grande claridade e no centro algo que parecia electro, no meio do fogo. (1,5) No centro, algo com a forma semelhante a quatro animais, mas cuja aparência fazia lembrar uma forma humana. (1,6) Cada qual tinha quatro faces e quatro asas.

(1,22) Sobre as cabeças do animal havia algo que parecia uma abóbada, brilhante como o cristal, estendido sobre suas cabeças, por cima delas. (1,24) Eu ouvia o ruído de suas asas, semelhante ao ruído de grandes águas, semelhante à voz de Shaddai; quando se moviam, havia um ruído como de uma tempestade, como de um acampamento; quando paravam, abaixavam as asas. (1,25) Houve um ruído. (1,26) Por cima da abóbada que ficava sobre suas cabeças havia algo que tinha a aparência de uma pedra de safira em forma de trono, e sobre esta forma de trono, bem no alto, havia um ser com aparência humana.

Ezequiel

De acordo com a Bíblia hebraica, Ezequiel (tradução: “Deus fortalecerá”, ou “Deus”), foi um sacerdote que profetizou por 22 anos durante o século VI a.C., através de visões que teve durante o exílio da Babilônia, tal como registrado no Livro de Ezequiel (wikipedia).

 

Mesmo em meu estado alterado, uma alegria imensa preencheu minha alma, por causa de uma “coincidência”: eu ouvi esse mesmo texto lido na igreja, sem que eu tivesse dado muita atenção,  em um documentário na TV, no dia 8 de agosto de 2010, ou seja no dia anterior. O programa televisivo era sobre um livro que li na adolescência: “Eram os Deuses Astronautas?”, escrito em 1968 pelo suíço Erich von Däniken, que apregoava que todos os deuses da antiguidade eram alienígenas.

Saí de lá, como o mais feliz dos felizes, não sei se por causa da sincronicidade dessa passagem da Bíblia, que reforçava imagens contraditórias, lúdicas e lógicas, ou porque quando me deparo com as sincronicidades me sinto abençoado. E olha, que esse sentimento não é uma alegria de quem comemora um gol, ou de quem ganhou o primeiro beijo da mulher amada, mas é uma confraternização entre você com o seu ser interno e o mundo sincronizado. É uma sensação bonita demais, mais do que de conforto, é uma completa realização prenhe de entendimento. Essa sincronicidade dos Deuses Astronautas me ligou às estrelas, aos mundos paralelos, aos monumentos influenciados por esses seres, feitos por culturas antiquíssimas, e me tirou dos meus problemas mundanos de 2010, me projetando para 8 mil anos antes de Cristo e para o futuro em galáxias distante a milhões de anos luz.

Havia esquecido do palito, mas ao lembrar que ele estava comigo, o ergui como se fosse a minha espada cerimonial, como se mil raios saltassem das nuvens para unirem-se em um único foco, me dando moral e energia inexplicáveis. Se não fosse pelo palito eu não teria ido à igreja para vivenciar essa sincronicidade mágica.

Caminhei em direção à praia, que é bem perto dessa igreja. Me diriji às estátuas de Dorival Caymmi e Carlos Drummond no início do calçadão na praia de Copacabana para cumprir o meu ritual de praxe: pedir a benção aos mestres da música e da literatura, para abençoarem o meu caminhar e minhas decisões. Então lembrei de mais uma: entre sábado e domingo assisti no canal Globo News a um documentário sobre Drummond e também ao programa Sarau, de música brasileira , que “por acaso” foi sobre Caymmi.  Claro que os assisti sem ter programado nada, a TV estava ligada e os programas passaram.

E para minha surpresa na quarta, dia 10 de agosto, foi publicada uma portaria no Diário Oficial da União, que orienta pilotos civis e militares, controladores e demais usuários dos serviços de controle de tráfego aéreo nacional a repassar ao Comando de Defesa Aeroespacial, em Brasília, seus relatos e provas documentais a respeito dos óvnis e demais aparições extraterrestres.

A Portaria 551/GC3, com data de 9 de agosto, ressalva que caberá à Força Aérea apenas registrar os relatos, em formulário próprio.

Ezequiel Clássico

Essa é a passagem inicial do encontro de Ezequiel com Deus:

A visão da glória de Deus

1 No trigésimo ano, no dia cinco do quarto mês, encontrava-me eu entre os exilados, junto ao rio Cobar, quando os céus se abriram e contemplei visões divinas.

2 No dia cinco do mês (era o quinto ano do exílio do rei Joiaquin)

3 a palavra do SENHOR foi dirigida a Ezequiel filho do sacerdote Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Cobar. – Foi ali que a mão do SENHOR esteve sobre mim,

4 e eu vi que um vento impetuoso vinha do norte, uma grande nuvem envolta em claridade e relâmpagos, no meio da qual brilhava algo como se fosse ouro brilhante.

5 No centro aparecia a forma de quatro seres vivos. Este era seu aspecto: Tinham forma humana.

6 Cada um apresentava quatro faces e tinha quatro asas.

7 Quanto às pernas, tinham pernas retas e patas como as de bezerro; reluziam como o brilho do bronze polido.

8 Por baixo das asas tinham mãos humanas nos quatro lados, pois todos os quatro tinham rosto e asas.

9 As asas tocavam-se umas nas outras. Ao se moverem não se voltavam, mas cada um seguia para onde estava voltado o seu rosto.

10 Quanto à forma das faces, tinham rosto humano, rosto de leão do lado direito de cada um dos quatro, rosto de touro do lado esquerdo de cada um dos quatro, e rosto de águia cada um dos quatro.

11 Cada um tinha duas asas estendidas por cima, que se tocavam umas nas outras, e duas asas que cobriam o corpo.

12 Cada um caminhava para sua frente, para onde o vento os impelia, sem se voltar enquanto se movia.

13 No meio dos seres vivos aparecia algo como brasas; pareciam tochas acesas, faiscando entre os seres vivos. O fogo cintilava, e do meio do fogo saíam relâmpagos.

14 Os seres vivos coriscavam, parecendo raios.

15 Olhei para os seres vivos e vi que havia uma roda no chão, junto a cada um dos quatro seres vivos.

16 Quanto à forma e ao feitio, as rodas eram como o brilho do crisólito. Todas as quatro tinham o mesmo formato. Quanto à forma e ao feitio, eram como se uma roda estivesse no meio da outra.

17 Quando se moviam, podiam avançar em cada uma das quatro direções, sem se voltarem enquanto se moviam.

18 As rodas tinham aros, e eu vi que cada um dos quatro aros estava cheio de olhos ao redor.

19 Quando os seres vivos se movimentavam, moviam-se também as rodas ao lado deles. Quando os seres vivos se elevavam do chão, também as rodas se levantavam.

20 Iam para onde o vento os impelia. As rodas elevavam-se

junto com eles, pois o espírito dos seres vivos estava nas rodas.

21 As rodas moviam-se quando os seres vivos se moviam, paravam quando eles paravam e, quando se elevavam do chão, juntamente com eles elevavam-se as rodas, pois nelas estava o espírito dos seres vivos.

22 Acima das cabeças dos seres vivos havia uma espécie de firmamento, esplêndido como cristal, estendido sobre as cabeças.

23 Por baixo do firmamento estavam as asas estendidas, uma em direção à outra, sendo que duas delas lhes cobriam o corpo de um e de outro lado.

24 E eu ouvi o rumor das asas: Era como o rumor de muitas águas, como a voz do Poderoso; quando se moviam, seu ruído era como o estrépito de um acampamento militar. Quando paravam, abaixavam as asas.

25 Pois quando o ruído vinha de cima do firmamento que estava sobre as cabeças deles, eles paravam e abaixavam as asas.

26 Acima do firmamento que estava sobre as cabeças havia algo parecido com safira, em forma de trono, e sobre esta forma de trono, bem no alto, uma figura com aparência humana.

27 E eu vi como que um brilho de ouro brilhante, envolvendo-a como se fosse fogo, do lado de cima do que parecia ser a cintura. Do lado de baixo do que parecia ser a cintura vi algo como fogo. Estava toda envolta de resplendor.

28 O resplendor que a envolvia tinha o mesmo aspecto do arco-íris que se forma nas nuvens em dia de chuva. Tal era a aparência visível da glória do SENHOR. Ao ver isto, caí prostrado e ouvi a voz de alguém que falava.