AS SETE LEIS DO SUCESSO – parte final – DEEPAK CHOPRA

A SÉTIMA LEI: A LEI DO “DHARMA” OU DA FINALIDADE DA VIDA

Todas as pessoas possuem uma finalidade na vida… uma dádiva singular ou um talento especial para oferecer aos outros. E quando pomos o nosso talento especial ao serviço dos outros, experimentamos o êxtase e a exultação do nosso espírito, que é a finalidade suprema da vida. Quando trabalhamos somos como flautas e, ao nosso coração o murmúrio das horas soa como música. E o que é trabalhar com amor? É tecer o pano com os fios do coração, como se estivéssemos a tecer a roupa do nosso bem-amado… Kahlil Gibran, O Profeta A sétima lei espiritual do sucesso consiste na Lei do Dharma. Dharma é um termo sânscrito que significa “finalidade na vida”. A Lei do Dharma diz-nos que nos manifestamos sob a forma física para cumprir uma finalidade. A divindade constitui a essência do campo da potencialidade pura e, o divino toma a forma humana para cumprir uma finalidade. Segundo esta lei, todos temos um talento específico e uma forma singular de o exprimirmos. Há qualquer coisa que conseguimos fazer melhor do que qualquer outra pessoa no mundo e, cada talento específico com a sua forma singular de se exprimir, também requer necessidades especiais. Quando essas necessidades se combinam com a expressão criativa do nosso talento, gera-se a centelha que dá prosperidade. Exprimir os seus talentos para realizar aquilo que é necessário cria riqueza e abundância ilimitadas. Se ensinássemos isto às crianças desde pequenas, veríamos o efeito que teria na vida delas. Na verdade, fiz a experiência com os meus filhos. Repeti-lhes muitas e muitas vezes que havia uma razão para cada um de nós se encontrar neste mundo e que eles teriam de descobrir a razão por que existiam. Eles começaram a ouvir isto a partir dos quatro anos. Também os ensinei a meditar mais ou menos a partir dessa idade e disse-lhes: “Nunca, mas nunca se preocupem em ganhar a vossa vida. Se não forem capazes de ganhar a vossa vida quando crescerem, eu hei de sustentar-vos, portanto não se preocupem com isso. Não quero que se esforcem por obter bons resultados na escola. Não quero que se esforcem por obter as melhores notas ou por ir para os melhores colégios. Aquilo que quero é que se interroguem acerca de como podem servir a Humanidade e quais serão os vossos talentos especiais. Porque cada um de vós possui um talento especial, que ninguém mais possui e cada um de vós tem uma maneira especial de exprimir esse talento, que também ninguém mais possui.” Eles acabaram por vir a frequentar as melhores escolas, obtiveram as melhores notas, e mesmo na universidade são estudantes especiais, porque já são economicamente independentes, pois a vida deles focaliza-se naquilo que devem dar para cumprir a razão da sua existência aqui. E esta é a Lei do Dharma.

A Lei do Dharma possui três componentes. O primeiro diz-nos que cada um de nós se encontra aqui para descobrir o seu verdadeiro Eu, para descobrir por si próprio que o seu verdadeiro Eu é espiritual, que na essência somos seres espirituais manifestando-se sob uma forma física. Não somos seres humanos que têm experiências espirituais ocasionais, ao contrário, somos seres espirituais que têm experiências humanas ocasionais. Cada um de nós encontra-se aqui para descobrir o seu eu superior, ou o seu eu espiritual. Esse constitui o primeiro requisito da Lei do dharma. Temos de descobrir por nós mesmos o deus ou a deusa em embrião, que existe dentro de nós e deseja revelar-se, para podermos exprimir a nossa divindade.

O segundo componente da Lei do dharma consiste em exprimirmos os nossos talentos especiais. A Lei do dharma diz-nos que todo o ser humano possui um talento especial. Todos possuímos um talento, cuja expressão é de tal modo singular, que não existe mais ninguém vivo no planeta que possua esse talento ou essa forma de o exprimir. Isto significa que há uma coisa específica que cada um de nós sabe fazer melhor do que qualquer outra pessoa no mundo. Quando está a fazer isso, perde a noção do tempo. Quando exprime esse talento especial que possui ou, em muitos casos, os diversos talentos especiais, a expressão desse talento é transportada para o conhecimento do eterno.

 O terceiro componente da Lei do dharma consiste na vontade de servir a Humanidade. Servir os outros seres humanos é perguntar “Como posso eu ajudar? Como posso ajudar aqueles que me rodeiam?” Pondo a capacidade de exprimir o seu talento especial ao serviço da Humanidade, estará a aplicar totalmente a Lei do dharma. E se juntar a isto a experiência da sua própria espiritualidade, o campo da potencialidade pura, é impossível que não tenha acesso à abundância ilimitada, porque esta constitui a verdadeira forma de alcançar a abundância. Esta abundância não é temporária; é permanente, devido ao seu talento especial, à sua forma de o exprimir, aos serviços que presta e à dedicação que mostra pelos outros seres humanos, atitude que adquiriu, perguntando: “Como posso eu ajudar?”, em vez de: “O que posso eu obter?” A questão “O que posso eu obter?” constituí o diálogo interior do ego. Perguntar “Como posso eu ajudar? “ constitui o diálogo interior da alma. A alma representa o domínio do conhecimento onde experimentamos a nossa universalidade. Através da simples substituição, no nosso diálogo interior, da pergunta “O que posso eu obter?” pela outra “Como posso eu ajudar?”, passamos logo do plano do nosso ego para o domínio da nossa alma. Embora a meditação constitua a forma mais útil de entrar no domínio da alma, a simples mudança do nosso diálogo interior para “Como posso eu ajudar?” também nos dá acesso a alma, esse domínio do conhecimento onde experimentamos a nossa universalidade. Se quiser aproveitar ao máximo a Lei do dharma, terá de se comprometer a seguir algumas regras. A primeira regra é: Vou tentar descobrir o meu eu superior, que se encontra para além do meu ego, através da prática espiritual.

A segunda regra é: Vou descobrir os meus talentos especiais e, depois de os descobrir, vou entrar em estado de felicidade, pois o processo de felicidade ocorre quando adquiro o conhecimento do eterno. Nesse momento, entro em estado de beatitude. A terceira regra é: Vou perguntar a mim mesmo quais as minhas melhores qualidades para servir a Humanidade. Vou responder a essa pergunta e depois pôr em prática a atitude. Vou utilizar os meus talentos especiais para servir as necessidades dos outros seres humanos, vou combinar essas necessidades com o meu desejo de ajudar e servir os outros. Sente-se e faça uma lista das respostas a estas duas perguntas: Pergunte a si mesmo se o dinheiro não fosse uma preocupação para si e se tivesse todo o tempo e dinheiro do mundo, o que faria? se pensa que continuaria a fazer aquilo que faz no momento, isso significa que se encontra em dharma, porque tem uma paixão por aquilo que faz – exprime os seus talentos especiais. Depois, pergunte a si mesmo: “Quais as minhas melhores qualidades para servir a Humanidade?” Responda à pergunta e ponha a atitude em prática. Descubra a sua divindade, encontre o seu talento especial, utilize-o para servir a Humanidade e gerará toda a riqueza que quiser. Quando as suas expressões criativas responderem às necessidades dos outros seres humanos, a riqueza fluirá espontaneamente do não-manifesto para o manifesto, do âmbito da alma para o âmbito da forma. Começará a experimentar a vida como uma miraculosa expressão da divindade, não ocasionalmente, mas sempre. E conhecerá a verdadeira felicidade e o verdadeiro significado do sucesso, o êxtase e a exultação da sua própria alma.

COMO APLICAR A LEI DO “DHARMA” OU DA FINALIDADE DA VIDA

Ponho em prática a Lei do dharma, seguindo estes passos:

1 Hoje vou dar toda a atenção e amor ao deus ou deusa em embrião que se oculta no mais fundo da minha alma. Darei toda a atenção à minha alma interior que dá vida ao meu corpo e ao meu espírito. Vou tentar despertar para a profunda serenidade que existe dentro do meu coração. A consciência da eternidade e do Ser eterno acompanhar-me-á sempre durante a minha experiência temporal.

2 Faço uma lista dos meus talentos especiais. Depois faço uma lista de todas as coisas de que gosto de fazer quando exprimo os meus talentos especiais. Exprimindo os meus talentos especiais e utilizando-os ao serviço da Humanidade, perco a noção do tempo e crio abundância na minha vida, assim como na vida dos outros.

3 Pergunto a mim mesmo todos os dias “Como posso eu servir?” e “Como posso eu ajudar?”. As respostas a estas questões vão permitir-me ajudar e servir os outros seres humanos com amor.

AS SETE LEIS PARA O SUCESSO – parte VI

A SEXTA LEI: A LEI DO DESPRENDIMENTO

 

No desprendimento se revela o conhecimento da incerteza. No conhecimento da incerteza se revela a libertação do passado, do conhecido, da prisão da circunstância do passado. E pela nossa vontade de entrar no desconhecido, no campo de todas as possibilidades, entregamo-nos ao espírito criativo que orquestra a dança do universo. Como dois pássaros de ouro empoleirados na mesma árvore, como amigos íntimos, o ego e o Eu habitam o mesmo corpo – o primeiro come os frutos doces e amargos da árvore da vida, enquanto o último observa com desprendimento.

 Mundaka Upanissad

 

A sexta lei espiritual, do sucesso consiste na Lei do Desprendimento.

A Lei do Desprendimento diz-nos que para adquirirmos qualquer coisa no universo físico temos de renunciar à nossa ligação a ela. Isto não significa que desistamos da intenção de criar o desejo. Não devemos desistir da intenção, nem devemos desistir do desejo. Devemos desistir da nossa ligação ao resultado. Esta atitude é muito poderosa. No momento em que renunciamos à ligação ao resultado, combinando ao mesmo tempo intenção dirigida e desprendimento, teremos aquilo que desejamos. Tudo o que quisermos pode adquirir-se através do desprendimento, já que este se baseia na fé inquestionável, no poder do nosso verdadeiro Eu. Por outro lado, a ligação ao resultado baseia-se no medo e na insegurança – e a necessidade de segurança baseia-se no fato de não conhecermos o nosso verdadeiro Eu. A fonte de riqueza, de abundância ou de qualquer outra coisa do mundo físico encontra-se no Eu; é a consciência que sabe como realizar todas as necessidades. Tudo o mais constitui um símbolo: carros, casas, contas bancárias, roupas e aviões. Os símbolos são transitórios; vêm e vão. Procurar obter estes símbolos é o mesmo que preferir o mapa ao território. Provoca ansiedade; acaba por nos fazer sentir ocos e vazios por dentro, porque estamos a trocar o nosso Eu pelos símbolos do nosso Eu.

A ligação ao resultado significa consciência da pobreza, pois esta ligação prende-se sempre aos símbolos. O desprendimento significa consciência da riqueza, pois ele traz-nos a liberdade para criar. Só com um envolvimento desprendido se pode obter alegria e prazer. Só assim obtemos os símbolos de riqueza, com espontaneidade e sem esforço. Sem o desprendimento, tornamo-nos prisioneiros de necessidades mundanas desesperadas e impossíveis, preocupações triviais, desespero passivo e tristeza. Marcas distintivas de uma existência quotidiana medíocre e da consciência da pobreza. A verdadeira consciência da riqueza consiste na capacidade para obtermos aquilo que queremos, quando quisermos, e com um mínimo de esforço.

Para chegar a esta experiência tem de se basear no conhecimento da incerteza. Na incerteza encontrará a liberdade para criar tudo o que quiser. As pessoas estão sempre à procura de segurança, mas com o tempo verão que a busca da segurança constitui uma coisa muito efêmera. Mesmo a ligação ao dinheiro constitui um sinal de insegurança. Pode dizer: “Quando eu possuir X milhões de escudos, estarei seguro. Serei economicamente independente e poderei reformar-me. Nessa altura, hei de fazer tudo aquilo que de facto quero fazer.” Mas isso nunca acontece – nunca. Aqueles que procuram segurança perdem-na para sempre e nunca a encontram. É uma atitude ilusória e efêmera, pois a segurança nunca pode vir apenas do dinheiro. A ligação ao dinheiro gerará sempre insegurança, independentemente da quantidade de dinheiro que tivermos no banco. Na verdade, algumas das pessoas mais inseguras são as que mais dinheiro têm. O desejo de segurança constitui uma ilusão. Nas antigas tradições de sabedoria, a solução para todo este dilema encontra-se no conhecimento da insegurança, ou no conhecimento da incerteza. Isto significa que o desejo de segurança e certezas, na verdade, constituem uma ligação ao conhecido. E o que é o conhecido? O conhecido é o nosso passado. o conhecido não é mais do que a prisão do condicionamento do passado. Não há evolução aqui absolutamente nenhuma. E quando não há evolução, surge a estagnação, a entropia, a desordem e a decadência. A incerteza, por sua vez, constitui o solo fértil da criatividade e da liberdade puras. A incerteza significa entrar no desconhecido em cada momento da nossa existência. O desconhecido constitui o campo de todas as possibilidades, sempre vivas, sempre novas, sempre abertas à criação de novas manifestações. Sem a incerteza e o desconhecido, a vida consiste apenas na repetição obsoleta e desgostosa de memórias. Tornamo-nos vítimas do passado – aquilo que vivemos ontem é o que nos atormenta hoje. Renuncie à sua ligação com o conhecido, entre no desconhecido e entrará no campo de todas as possibilidades. O conhecimento da incerteza constitui um elemento da vontade de entrar no desconhecido. Isto significa que, em cada momento da sua vida, terá emoção, aventura, mistério. Terá a experiência da alegria de viver a magia, a celebração, a alegria e a exultação do seu próprio espírito. Todos os dias pode procurar a emoção daquilo que virá a ocorrer no campo de todas as possibilidades.

Quando tiver a experiência da incerteza, encontra-se no caminho certo, por isso não desista. Não precisa de ter uma ideia rígida e completa daquilo que vai fazer na semana seguinte ou no próximo ano, pois se tiver ideias bem definidas acerca do que vai acontecer e se ficar muito preso a elas, fechará um grande número de possibilidades. Uma característica do campo de todas as possibilidades consiste na correlação infinita. o campo pode orquestrar uma infinidade de ocorrências espaço-temporais para chegar ao resultado pretendido. Mas quando nos deixamos prender, a nossa intenção fecha-se num estado de espírito rígido e perdemos a fluidez, a criatividade e a espontaneidade inerentes ao campo. Quando nos deixamos prender, retiramos ao desejo a sua infinita flexibilidade e fluidez, encerrando-o numa moldura fixa, que interfere com todo o processo de criação. A Lei do Desprendimento não interfere com a Lei da Intenção e do Desejo. Com a definição de um objetivo Mantemos a intenção de seguir em determinada direção, mantemos o nosso objetivo. Mas entre o ponto A e o ponto B há uma infinidade de possibilidades. Tendo interiorizado o elemento da incerteza, podemos mudar de direção em qualquer momento, se encontrarmos um ideal mais elevado ou uma coisa mais emocionante. Também nos encontramos menos dispostos a forçar as soluções para os problemas e isso permite-nos manter-nos atentos às oportunidades. A Lei do Desprendimento acelera todo o processo de evolução. Quando compreender esta lei, não se sentirá compelido a forçar soluções. Quando força soluções ou problemas, apenas cria novos problemas. Mas se aplicar a atenção na incerteza e observar a incerteza enquanto espera, atento, que a solução surja do caos e da confusão, aquilo que surgirá será qualquer coisa fabulosa e muito estimulante. Este estado de atenção, encontrar-se-á preparado no presente, no campo da incerteza, liga-se ao seu objetivo e à sua intenção e permite-lhe aproveitar a oportunidade. O que é a oportunidade? Encontra-se em cada problema que tiver na vida. O menor problema que tiver na vida constitui a semente para uma oportunidade de um benefício maior. Depois de ter percebido isso, abre um grande número de possibilidades e mantém vivos o mistério, a dúvida, a emoção e a aventura. Pode ver cada problema da sua vida como uma oportunidade para um benefício maior. Pode manter-se atento às oportunidades baseando-se no conhecimento da incerteza. Se estiver preparado e a oportunidade surgir, a solução aparecerá espontaneamente. Aquilo que daqui advém designa-se muitas vezes por “boa sorte”. A boa sorte consiste apenas no encontro entre a oportunidade e a pessoa que se encontra preparada para ela. Quando as duas se juntam com a observação atenta do caos, surge uma solução, que constituirá um benefício evolucionário para a pessoa e para todos aqueles que a rodeiam. Esta constitui a receita perfeita para o sucesso e baseia-se na Lei do Desprendimento, que é o melhor caminho para a liberdade. Entro no campo de todas as possibilidades e antecipo a emoção que pode ocorrer se eu me mantiver aberto às escolhas. Ao entrar no campo de uma infinidade de escolhas Ponho em prática a Lei do Desprendimento, seguindo todas as possibilidades, experimento toda a alegria, com estes passos: aventura, magia e mistério da vida.

 1 Hoje vou praticar o desprendimento. Darei a mim próprio e aos que me rodeiam a liberdade de sermos como somos. Não imporei ideias rígidas sobre como as coisas deviam ser. Não forçarei soluções para os problemas, pois isso criaria novos problemas. Participarei em tudo com um envolvimento desprendido.

 2 Hoje interiorizo a incerteza como um ingrediente essencial da minha experiência. A minha boa vontade para aceitar a incerteza fará com que as soluções surjam, espontâneas, dos problemas, da confusão, da desordem e do caos. Quanto mais incertas as coisas parecem, mais seguro me sentirei, porque a incerteza é uma fonte inesgotável.

 

 

AS SETE LEIS PARA O SUCESSO – parte V

 A QUINTA LEI: A LEI DA INTENÇÃO E DO DESEJO (Deepak Chopra)

 

Todas as intenções e todos os desejos contêm a sua própria possibilidade de realização. No campo da potencialidade pura, a intenção e o desejo possuem um poder organizador infinito. E quando introduzimos uma intenção no solo fértil da potencialidade pura, pomos esse poder organizador infinito a trabalhar por nós.

 No princípio era o desejo; que constituía a primeira semente do espírito, os sábios, meditando do fundo do coração, descobriram com o seu conhecimento a ligação entre o existente e o não-existente. O Hino da Criação, Ríg Veda

 A quinta lei espiritual do sucesso consiste na Lei da Intenção e do Desejo. Esta lei baseia-se no fato de a energia e a informação existirem em toda a parte da natureza. Na verdade, ao nível do campo quântico, não há nada senão energia e informação. O campo quântico constitui apenas outra designação para o campo da consciência e da potencialidade puras. E o campo quântico é influenciado pela intenção e pelo desejo. Vejamos este processo em pormenor. Se reduzirmos aos seus componentes essenciais uma flor, o arco-íris, uma árvore, uma folha de relva, um corpo humano, veremos que são constituídos por energia e informação. Todo o universo, na sua natureza essencial, representa o movimento da energia e informação. A única diferença entre um ser humano e uma árvore é o conteúdo da informação e a energia dos respectivos corpos. No plano material tanto o ser humano como a árvore são constituídos pelos mesmos elementos reciclados: basicamente, carbono, hidrogénio, oxigênio, nitrogênio, e outros elementos em menores quantidades.

Poderia adquirir esses elementos numa loja de hardware por pouco dinheiro. Portanto, aquilo que faz a diferença entre o ser humano e a árvore não é o carbono, nem o hidrogénio, nem o oxigênio. Na verdade, o ser humano e a árvore realizam trocas constantes de oxigênio um com o outro. A verdadeira diferença entre os dois reside na energia e na informação. No sistema da natureza, nós somos uma espécie privilegiada. Possuímos um sistema nervoso capaz de reconhecer o conteúdo de energia e informação do campo localizado que dá origem ao nosso corpo físico, Possuímos a experiência subjetiva desse campo, sob a forma dos nossos próprios pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, memórias, instintos, impulsos e Crenças. E também possuímos a experiência objetiva desse campo, através do corpo físico – e por meio do corpo físico, temos a experiência desse campo sob a forma do mundo, mas tudo constitui a mesma substância. Por isso os profetas antigos diziam “Eu sou isso, tu és isso e isso é tudo o que existe.”.

O nosso corpo não se encontra separado do corpo do universo, pois ao plano dos mecanismos quânticos não existem fronteiras bem definidas. Somos como linhas ondulantes, ondas, convulsões, redemoinhos, perturbações localizadas no imenso campo quântico. O imenso campo quântico, o universo, constitui uma extensão do nosso corpo. O sistema nervoso humano não só reconhece a informação e a energia do seu próprio campo quântico como também pode conscientemente modificar o conteúdo e a informação que origina o seu corpo físico, já que a consciência humana é infinitamente flexível, devido ao seu maravilhoso sistema nervoso. Podemos conscientemente mudar o conteúdo de informação e energia do nosso próprio corpo mecânico quântico e assim influenciar o conteúdo de energia e informação da extensão do nosso corpo – o nosso ambiente, o nosso mundo – e provocar nele a manifestação das coisas. Essa transformação consciente realiza-se através de duas qualidades inerentes à consciência: a atenção e a intenção.

A atenção transmite energia e a intenção transmite forma.

Damos força a todas as coisas da nossa vida às quais aplicamos a nossa atenção. As coisas às quais não aplicamos a nossa atenção enfraquecem, desintegram-se e desaparecem. A intenção, por sua vez, desencadeia a transformação da energia e da informação.

A intenção organiza a sua própria realização.

A qualidade da intenção aplicada ao objeto da atenção orquestra uma infinidade de ocorrências espaço-temporais que conduzem ao efeito pretendido, desde que sigamos as outras leis espirituais do sucesso. Isto acontece porque, no solo fértil da atenção, a intenção possui um poder organizador infinito. Este poder organizador infinito significa o poder de organizar uma infinidade de ocorrências espaço-temporais, todas ao mesmo tempo. Podemos ver a expressão deste poder organizador infinito em cada folha de relva, em cada flor de macieira, em cada célula do nosso corpo. Encontramo-lo em tudo o que está vivo. No sistema da natureza, todas as coisas se encontram ligadas umas às outras. A marmota sai de baixo da terra e sabemos que a Primavera está a chegar. Em certas épocas do ano, as aves começam a emigrar para locais determinados. A natureza constitui uma sinfonia. E essa sinfonia é orquestrada em silêncio no plano primordial da criação. o corpo humano constitui outro bom exemplo dessa sinfonia. Uma simples célula do corpo humano realiza cerca de seis triliões de coisas por segundo e tem de saber o que estão a fazer todas as outras células ao mesmo tempo. O corpo humano pode ao mesmo tempo tocar música, matar germes, fazer um bebé, recitar poesia e controlar o movimento das estrelas, pois o campo da correlação infinita faz parte do seu campo de informação. O sistema nervoso da espécie humana possui uma característica notável, um ser capaz de comandar o poder organizador infinito, através da intenção consciente. A intenção, na espécie humana, não se encontra fechada ou presa numa rede rígida de energia e informação. Possui uma flexibilidade infinita. Por outras palavras, se não violarmos as outras leis da natureza, através da intenção Poderemos literalmente comandar as leis da natureza, de forma a realizarmos os nossos sonhos e desejos. Podemos pôr o computador cósmico, com o seu infinito Poder organizador, a trabalhar para nós. Podemos, entrar no campo primordial da criação, introduzir nele uma intenção e só pelo fato de termos introduzido essa intenção estamos a ativar o campo da correlação infinita. A intenção constitui a base de suporte do fluxo fácil, espontâneo e corrente da potencialidade pura, procurando o manifesto para exprimir o não-manifesto. O nosso único cuidado deverá ser utilizar a intenção para o benefício da espécie humana. Isso acontecerá espontaneamente, se cumprirmos as Sete Leis Espirituais do Sucesso. A intenção constitui o verdadeiro poder por trás do desejo. A intenção, só por si, é muito poderosa, pois ela consiste no desejo, sem a preocupação do resultado. O desejo, só por si, é fraco, já que para a maioria das pessoas o desejo consiste na atenção ligada à preocupação.

 A intenção consiste no desejo, cumprindo estritamente todas as outras leis, mas em especial a Lei do Desprendimento, que constitui a Sexta Lei Espiritual do Sucesso.

A intenção combinada com o desprendimento conduz a um conhecimento do momento presente centrado na vida. E quando a ação se realiza no âmbito do conhecimento do momento presente, torna-se mais eficaz. A nossa intenção dirige-se ao futuro, mas a nossa atenção encontra-se no presente, a nossa intenção para o futuro virá a manifestar-se, porque é no presente que se cria o futuro. Devemos aceitar o presente tal como é. Aceitemos o presente e criemos intenções para o futuro. o futuro constitui algo que podemos sempre criar através da intenção desprendida, mas nunca devemos lutar contra o presente. O passado, o presente e o futuro representam propriedades da consciência. O passado constitui a recordação, a memória – o futuro representa antecipação; o presente representa conhecimento. Portanto, o tempo constitui o movimento do pensamento.

Tanto o passado como o futuro nascem na imaginação; apenas o presente, que representa conhecimento, se pode dizer real e eterno. Pode dizer-se que o presente é: A potencialidade da relação espaço-tempo, da matéria e da energia. Constitui um eterno campo de possibilidades da manifestação de forças abstratas, quer seja a luz, o calor, a eletricidade, O Magnetismo ou a gravidade. Essas forças não se situam no passado nem no futuro. Apenas são.

 

A nossa interpretação dessas forças abstratas dão-nos a experiência da forma e do fenómeno concreto. As interpretações rememorativas das forças abstratas geram a experiência do passado; as interpretações antecipadoras das mesmas forças abstratas criam o futuro. Elas constituem as qualidades da atenção na consciência. Quando essas qualidades se libertam do peso do passado, a ação no presente torna-se solo fértil para a criação do futuro. A intenção, baseada nesta liberdade despreocupada do presente, serve de catalisador para a mistura correta de matéria, energia e ocorrências espaço-temporais, de modo a criar tudo aquilo que desejar. Se possuir um conhecimento do presente centrado na vida, os obstáculos imaginários, que constituem mais de noventa por cento dos obstáculos conhecidos desintegram-se e desaparecem. Os restantes cinco a dez por cento dos obstáculos conhecidos podem transmutar-se em oportunidades com uma intenção dirigida. A intenção dirigida constitui a qualidade da atenção que se caracteriza pela firmeza inflexível do seu objetivo. A intenção dirigida significa que aplicamos a nossa atenção, no sentido de obter o resultado que desejamos, com uma firmeza de objetivos tão inflexível, que recusamos em absoluto qualquer obstáculo que possa consumir e dissipar a qualidade focalizada da nossa atenção. Na nossa consciência, dá-se uma exclusão total e completa de todos os obstáculos. Somos capazes de manter uma serenidade inabalável, ao mesmo tempo que nos entregamos ao nosso objetivo com uma paixão intensa. É este o poder simultâneo do conhecimento desprendido e da intenção focalizada e dirigida. Aprenda a aproveitar o poder da intenção e criar tudo o que desejar. Também pode obter resultados, através de um grande esforço e sofrimento mas isso tem custos, que podem ir desde o stress até ao ataque cardíaco, ou ao comprometimento das funções do seu sistema imunológico. É muito melhor cumprir as cinco regras seguintes da Lei da Intenção e do Desejo. Seguindo estas cinco regras para realizar os seus desejos, a intenção gerará o seu próprio poder:

1 Deslize pela abertura. Isto significa concentrar-se no espaço silencioso entre os pensamentos, entrar no silêncio – um nível do Ser que constitui o seu estado essencial.

2 Depois de estabelecido nesse estado do Ser, liberte as suas intenções e desejos. Na própria abertura, não há pensamentos nem intenções, mas quando sair da abertura, na junção entre a abertura e um pensamento, a intenção é introduzida. Se tiver diversos objetivos, escreva-os e focalize neles a sua intenção, antes de entrar na abertura. Se desejar uma carreira de sucesso, por exemplo, entre na abertura com essa intenção e a intenção já lá estará, como uma ténue luz de conhecimento. Ao libertar as suas intenções e desejos na abertura, está a plantá-las no solo fértil da potencialidade pura, espere que floresçam quando chegar a estação. Não deve escavar para ver se as sementes dos seus desejos estão a crescer, nem deve prender-se muito para ver como elas se vão desenvolver. A única coisa que deve fazer é libertá-las.

3 Mantenha-se no estado de autorreferência. Isto significa que deve manter-se no plano do conhecimento do seu verdadeiro Eu – a sua alma, a sua ligação ao campo da potencialidade pura. Também significa que não deve olhar para si próprio através dos olhos do mundo, Ou deixar-se influenciar pelas opiniões e críticas dos outros. Um bom meio para manter esse estado de autorreferência é guardar os seus desejos para si próprio; não os partilhe com mais ninguém, a menos que sejam pessoas que tenham exatamente os mesmos desejos que o leitor e estejam muito ligadas a si..

4 Renuncie à preocupação com os resultados. Isto significa que não se deve prender muito à expectativa de um resultado específico, mas sim viver com o conhecimento da incerteza. Significa que deve desfrutar todos os momentos da sua vida, mesmo desconhecendo os resultados.

5 Deixe os pormenores ao cuidado do universo. As suas intenções e os seus desejos, depois de libertos na abertura, possuem um poder organizador infinito. Confie no poder organizador infinito da intenção. Ele organiza-lhe todos os detalhes. Lembre-se de que a sua verdadeira natureza é pura alma. Mantenha sempre a consciência da sua alma, onde quer que vá, liberte com suavidade os seus desejos, e o universo cuidará por si dos pormenores. Não deixarei nenhum obstáculo consumir e dissipar a qualidade da minha atenção no momento presente. Aceitarei o presente tal como é, e deixarei que o futuro se revele através dos meus desejos e intenções mais profundos.

 

COMO APLICAR A LEI DA INTENÇÃO, E DOS DESEJOS mais queridos.

Ponho em prática a Lei da Intenção e do Desejo, seguindo estes passos:

1 Faço uma lista de todos os meus desejos. Trago sempre comigo esta lista, para onde quer que vá. Leio sempre esta lista antes de entrar em silêncio e meditação. Também a leio antes de ir dormir, à noite. Volto a lê-la ao acordar de manhã.

2 Entrego e submeto esta lista de desejos ao movimento da criação, confiando que quando as coisas não parecerem conformes aos meus desejos há uma razão para isso e que o plano cósmico possui para mim desígnios ainda mais grandiosos do que aquilo que eu alguma vez imaginei.

3 Lembro-me de que devo praticar o conhecimento do momento presente em todas as minhas ações.

 

AS SETE LEIS PARA O SUCESSO – parte IV

Quarta parte do livro AS SETE LEIS PARA O SUCESSO de Deepak Chopra.

A LEI DO MENOR ESFORÇO

 A inteligência da natureza funciona com um mínimo de esforço, com despreocupação, harmonia e amor. E quando aproveitamos as forças da harmonia, da alegria e do amor geramos sucesso e felicidade com um mínimo de esforço. Um ser integral conhece sem agir, vê sem olhar e realiza sem fazer.

Lao Tzu.

Lao Tzu

A quarta lei espiritual do sucesso é a Lei do Menor Esforço. Esta lei baseia-se no fato de a inteligência e a natureza funcionarem com um mínimo de esforço e total despreocupação. Este constitui o princípio da mais reduzida ação, da não resistência. Constitui, portanto, o princípio da harmonia e do amor. Quando aprendemos esta lição da natureza, realizamos os nossos desejos com facilidade. Se observarmos a natureza em ação, veremos como o esforço despendido é mínimo. A relva não se esforça Para crescer, cresce apenas. Os peixes não se esforçam para nadar, mas nadam. As flores não tentam florescer, apenas florescem. As aves não tentam voar, mas voam. É intrínseco à natureza. A terra não se esforça para girar em torno do seu eixo; faz parte da natureza. O estado de beatitude faz parte da natureza dos bebês. Brilhar faz parte da natureza do sol. Brilhar e cintilar faz parte da natureza das estrelas. Pertence à natureza humana fazer com que os sonhos se manifestem sob a forma física, com um mínimo de esforço. Na ciência védica, a ancestral filosofia da índia, que é conhecida como o princípio da economia de esforço, ou “faça menos e realize mais”. Acaba por Ir, dar a um estado em que não faz nada e realiza tudo. Isto significa que existe apenas uma tênue ideia e a manifestação dessa ideia surge sem esforço. Aquilo que vulgarmente se designa por “milagre”, na verdade constitui uma expressão da Lei do Menor Esforço.

Ganância

A inteligência da natureza funciona sem esforço, na fricção, com espontaneidade. É não-linear; é intuiticalística e estimulante. E quando uma pessoa se encontra em harmonia com a natureza, quando já, adquiriu conhecimento do seu verdadeiro Eu, pode aplicar a lei do Menor Esforço. Despendemos o menor esforço quando as ações são motivadas pelo amor, porque a natureza é estruturada pela energia do amor. Quando procuramos poder e controle em relação às outras pessoas, quando procuramos dinheiro ou poder, usamos a energia de que desfrutamos para satisfazer o ego, gastamos energias atrás de uma ilusão de felicidade, em vez de desfrutarmos da felicidade do momento. Quando procuramos dinheiro apenas para nosso lucro pessoal, interrompemos o nosso fluxo de energia e interferimos na expressão da inteligência da natureza. Mas quando as nossas ações são motivadas pelo amor, a nossa energia multiplica-se e acumula excesso de energia que possuímos e, que pode ser canalizada para criar aquilo que quisermos, incluindo riqueza ilimitada. Pense no seu corpo físico como um instrumento de controle de energia: ele pode gerar, armazenar e despender energia. Se souber como gerar, armazenar e desprender energia de modo eficiente, poderá criar toda a riqueza que quiser. A atenção dirigida para o ego consome uma grande parte da energia. Quando o nosso Ponto de referência interior é o ego, quando procuramos Poder e controle em relação às outras pessoas ou a aprovação dos outros, desperdiçamos as nossas energias. Quando essa energia se encontra liberta, pode ser canalizada e aplicada, de modo a criar tudo o que quisermos. Quando a alma constitui o nosso ponto de referência interior, quando nos tornamos imunes à crítica e deixamos de temer desafios, podemos aproveitar o poder do amor e utilizar a energia de forma criativa, no sentido da prosperidade e da evolução. Em The Art of Dreamíng, Don Juan diz a Carlos Castaneda: “… gastamos a maior parte da nossa energia para preservarmos a nossa importância. Se fôssemos capazes de perder alguma dessa importância, duas coisas extraordinárias aconteceriam. Primeiro, libertaríamos a nossa energia do esforço para mantermos a ideia ilusória da nossa grandeza; segundo, ganharíamos energia suficiente para captar um relance da verdadeira grandeza do universo.”

Aceitação

 A Lei do Menor Esforço possui três componentes, três coisas que pode fazer para pôr em prática este princípio de “faça menos e realize mais”. O primeiro componente é a capacidade de aceitação. A capacidade de aceitação requer apenas que estabeleça a seguinte regra: “Hoje vou aceitar as pessoas, as situações, as circunstâncias e os acontecimentos tal como eles ocorrerem.” isto significa que sabemos que aquele momento foi aquilo que devia ser, e como deveria ser. Esse momento pelo qual está a passar agora constitui o culminar de todos os momentos que viveu no passado. Esse momento é como é, porque todo o universo é como é. Quando luta contra esse momento, está de fato a lutar contra todo o universo. Em vez disso, pode tomar a decisão de hoje não lutar contra todo o universo, lutando contra esse momento.

Isso significa que a sua aceitação desse momento é total e completa.

Aceita as coisas como elas são, não como gostaria que fossem. É importante perceber isto. Pode desejar que no futuro as coisas sejam diferentes, mas nesse momento tem de aceitar as coisas como elas são. Quando se sentir frustrado ou aborrecido por uma pessoa ou situação, lembre-se de que não está a reagir a essa pessoa ou a essa situação, mas aos seus sentimentos acerca da pessoa ou da situação. Esses são os seus sentimentos e os seus sentimentos não são da responsabilidade dos outros. Quando reconhecer e compreender isto na totalidade, encontra-se preparado para aceitar a responsabilidade por aquilo que sente e para modificar os seus sentimentos. E se conseguir aceitar as coisas como são, encontra-se preparado para se responsabilizar pela sua situação e por todas as ocorrências que lhe parecem problemas.

"A culpa é sua!" Isso conduz-nos ao segundo componente da Lei do Menor Esforço: responsabilidade. O que significa responsabilidade? A responsabilidade significa não culpar ninguém, nem a si próprio, pela sua situação. Depois de ter aceitar determinada circunstância, ocorrência, ou problema, a responsabilidade significa a capacidade de ter uma resposta criativa à situação tal como ela se apresenta no momento. Se conseguir isto, todas as famosas situações problemáticas poderão tornar-se uma oportunidade para a criação de coisas novas e boas, e todas as pessoas atormentadoras e tiranas lhe servirão para aprender mais a realidade e constituir uma interpretação. E se escolher interpretar a realidade desta forma, aproveitará muitos ensinamentos e terá muitas oportunidades de evoluir. Sempre que tiver de enfrentar alguém tirano ou atormentador, um professor, um amigo, ou um adversário (todos significam a mesma coisa) lembre-se disto: “Este momento é aquilo que deveria ser.” Sejam quais forem as relações que tenha trazido para a sua vida, serão sempre aquelas de que necessita no momento que passa. Há Um significado oculto por trás de tudo o que acontece, e esse significado oculto serve a nossa evolução.

Distanciamento

O terceiro componente da Lei do Menor Esforço é o distanciamento, o que significa que o seu conhecimento se deve estruturar através do distanciamento e que deverá renunciar à necessidade de convencer ou persuadir os outros dos seus pontos de vista. Se observar as pessoas à sua volta, verá que elas passam noventa e nove por cento do tempo a defender os seus pontos de vista. Se renunciar à necessidade de defender os seus pontos de vista, por meio dessa renúncia ganhará acesso a imensas quantidades de energia que antes tinham sido desperdiçadas. Quando se torna defensivo, culpa os outros e não aceita render-se ao momento presente, a sua vida encontra resistência. Sempre que encontrar resistência, o melhor é reconhecer que se forçar a situação, apenas aumentará a resistência. Não deve manter-se rígido como os altos carvalhos que a tempestade quebra e derruba. Em vez disso, deve ser flexível como o junco que dobra durante a tempestade, mas sobrevive. Desista de todo de defender os seus pontos de vista. Se não tiver nenhum ponto de vista para defender, não dar ocasião a que surjam argumentos. Se praticar isto com consistência, se deixar de lutar e resistir, experimentará a plenitude do presente, que constitui uma dádiva.

 Alguém disse um dia: “O passado é história, o futuro, um mistério, este momento é uma dádiva.” Por isso este momento se chama presente. Se aproveitar o presente e formar com ele uma unidade, fundindo-se nele, sentirá um fogo, um brilho, uma centelha de êxtase vibrando em todos os seres vivos sensitivos. Quando começamos a sentir esta exultação da alma em todos os seres vivos, quando nos começamos a familiarizar com essa sensação, a alegria nasce dentro de nós, liberta-nos das terríveis amarras e obstáculos criados pelas pessoas defensivas, ressentidas e angustiadas. Só então sentiremos alegria, despreocupação, prazer e liberdade. Dotado desta liberdade simples e cheia de alegria, o seu coração sabe sem dúvida que você terá as coisas que deseja quando quiser, porque os seus desejos provêm do plano da felicidade, não do plano da ansiedade e do medo.

Não precisa de se justificar; reserve apenas a sua intenção para si próprio e conhecerá a realização, o deleite, a alegria, a liberdade e a autonomia em todos os momentos da sua vida. comprometa-se a seguir o caminho da não-resistência. Este constitui o caminho através do qual a inteligência da natureza se desdobra espontaneamente, sem fricção e sem esforço. Quando conseguir a delicada combinação aceitação, responsabilidade e distanciamento, sentirá o fluir da vida, sem nenhum esforço. Se nos mantivermos abertos a todos os pontos de vista, se não nos prendermos com rigidez a um único, os nossos sonhos e desejos fluem com os desejos da natureza. Então podemos libertar as nossas intenções, com distanciamento, e esperar pela altura própria para os nossos desejos se tornarem realidade. Podemos ter a certeza de que quando chegar a altura própria, eles se manifestarão. Esta é a Lei do Menor Esforço.

COMO APLICAR A LEI DO MENOR ESFORÇO

 Ponho em prática a Lei do Menor Esforço, seguindo estes passos:

 1 Terei de praticar a Aceitação. Hoje aceito pessoas, situações, circunstâncias e acontecimentos, tal como eles ocorrerem. Reconhecerei que este momento é aquilo que deveria ser, porque todo o universo é como deveria ser. Não lutarei contra todo o universo, lutando contra o momento presente. A minha aceitação é total e completa. Aceito as coisas como elas são no momento, não como eu gostaria que fossem.

 2 Depois de ter aceite as coisas como elas são, aceitarei a Responsabilidade pela minha situação e por todas as ocorrências que me aparecem. Sei que aceitar a responsabilidade significa não culpar ninguém, nem nada, pela minha situação (incluindo eu próprio). Também sei que em cada problema se encontra oculta uma oportunidade e o fato de me manter atento às oportunidades permite-me aceitar o momento que passa e torná-lo melhor.

 3 Hoje o meu conhecimento refere-se ao Distanciamento. Renuncio à necessidade de defender os meus pontos de vista. Não sentirei necessidade de convencer nem de persuadir os outros a aceitarem os meus pontos de vista. Permanecerei aberto a todos os pontos de vista e não me prenderei com rigidez a nenhum deles.

JUNG era MÉDIUM? “Não necessito crer em Deus. Eu sei”.

“Eu considerava os fenômenos ocultos fascinantes. Eles acrescentavam uma nova dimensão à minha vida: o mundo ganhava amplitude e profundidade”

 Carl Gustav Jung (1875 – 1961) e Freud (1856 – 1939) começaram a se corresponder em 1906. “Jung viu nos conceitos psicanalíticos de Freud um arcabouço para suas próprias ideias, incluindo as que pretendiam explicar o `oculto´ ”, bem explicado nas palavras de Martin Ebon.

Freud, o pai da psicanálise, ficou muito impressionado com o jovem de Zurique, que àquele momento representava mais do que um estudante interessado. Jung era uma resposta à pressão dos psiquiatras ortodoxos contra o grupo de Viena (Freud fundou a “Sociedade das Quartas-feiras” em 1902 a qual veio a se tornar a Associação de Psicanálise de Viena, em 1908). Em 1907, Jung, Freud e Eugen Bleuler (psiquiatra e diretor do Hospital Psiquiátrico Burgholzli de Zurique onde Jung iniciou sua carreira em 1900, como assistente de Bleuler) coordenaram a publicação do anuário psicanalítico. Em 25 de março de 1909, houve um encontro em Viena, após Jung ter deixado o hospital. O jovem Carl perguntou a Freud o que ele achava de precognição (faculdade parapsicológica. Conhecimento espiritual direto do futuro) e parapsicologia. O mestre classificou como um absurdo todos os fenômenos ocultos. “Eu tive que me conter para não retrucar com certa violência”, revelou Jung. E não parou aí. O conflito entre os dois progrediu.

Jung escreveu: “Enquanto Freud quase gritava para me convencer de que os fenômenos parapsicológicos não existiam, tive uma sensação curiosa: meu diafragma parecia feito de aço e um estranho calor começou a subir pelo meu peito, como se algo fosse explodir. Nesse exato momento escutamos um estrondo na estante que ficava logo atrás de nós. Levantamos assustados, temendo que ela fosse cair. Entendi tudo e expliquei a Freud: “Aí está um bom fenômeno de exteriorização catalítica”. Furioso, ele disse que tudo aquilo era uma bobagem. Insisti: “Não é besteira e o senhor está totalmente enganado, professor. Para provar o que estou dizendo, afirmo que vamos ouvir outro estrondo daqui a pouco”. Mal acabei de falar, a estante voltou a produzir aquele ruído. Não sei o que me deu aquela certeza, mas eu sabia que o ruído ia se repetir. Freud limitou-se a olhar desconfiado para mim. Não sei exatamente o que significou aquele olhar, nem o que passou por sua mente naquela hora. O fato é que ele se sentiu agredido”.

FREUD & JUNG

Três semanas depois, uma longa carta de Freud acusava Jung de ter forjado o incidente para humilhá-lo. Freud escreveu: “É muito sintomático que, àquela noite em que eu definitivamente paternalmente o adotava como meu filho mais velho, e em que eu lhe transmitia o desejo de que fosse meu sucessor, você tenha tentado ferir minha dignidade paternal. E parece que me agredir deu-lhe tanto prazer quanto deu a mim deu livrar-me de você. Minha eventual disposição em considerar seus pontos de vista desapareceu completamente diante de sua atitude visivelmente comprometida. Continua me parecendo muito implausível que qualquer coisa daquele gênero possa ocorrer. A estante permanece à minha frente, fria e muda. Eu ainda me permito advertir meu caro filho de que é preferível não entender alguma coisa do que sacrificar a própria lucidez no esforço de entender a qualquer custo. Enfim, compreendo que os jovens são assim mesmo: eles gostam das caminhadas difíceis e ousadas, em que o nosso fôlego já curto e nossas pernas cansadas não nos permitem acompanhá-los. Ainda assim aguardo notícias sobre suas pesquisas, com o interesse de quem aprecia uma bela alucinação”.

FREUD não acredita em fantasmas

No ano seguinte, Freud lhe deu-lhe o definitivo ultimato em 1910: defender a teoria freudiana da sexualidade e abandonar as idéias ocultistas. Em 1911, Jung assumiu a presidência da Sociedade Psicanalítica Internacional, – também por influência de Freud -, mesmo ano que teve um sonho onde participava de uma assembléia com os espíritos ilustres da antiguidade.  Em 1912, o livro “Metamorfoses e Símbolos da Libido” de Jung estremeceu ainda mais a relação dos dois até romperem definitivamente no ano seguinte, após Jung ter escrito uma dura crítica a respeito do livro de Freud, “A Psicologia do Inconsciente”. Em uma última carta a Freud, Jung se demite do cargo de editor do Jornal Internacional da Psicanálise.

 

A família de JUNG, a real, não a fantasma.

A Família Fantasma

 De acordo com Amiela Jaffé, assistente de Jung durante muito tempo, a avó de Jung, Augusta Preíswerk via fantasmas. Sua família atribuía essas tendências mediúnicas ao fato de que, quando menina, Augusta sofreu um ataque, que ninguém sabe explicar de quê, a deixou virtualmente morta por 36 horas. Emilie, a filha dela e mãe de Jung registrava visões e premonições em seu diário. Ela escreveu que quando criança “protegeu” o pai contra fantasmas que o rondavam quando ele se sentava para escrever seus sermões para a Congregação dos Reformados da Basiléia. No verão de 1899, passou o verão com a mãe, já viúva, e a irmã. Um dia, uma enorme mesa de nogueira que pertencera a sua avó Augusta partiu no meio emitindo um ruído semelhante a um tiro de pistola. Duas semanas depois, ele ouviu exatamente o mesmo ruído, vindo do armário de guardar louças. Dentro dele, Jung encontrou uma faca de pão, cuja lâmina tinha se separado do cabo e partida em 4 pedaços. Amiela Jaffé escreveu em “Vida e Obra de Carl Jung”, que, em seu primeiro dia de trabalho com Jung, ele abriu uma espécie de cofre no escritório, e dele retirou os pedaços da faca quebrada. Jung pediu-lhe que os juntasse. Quando Amiela reconstituiu a faca, Jung lhe disse que era só, para o primeiro dia. Isso demonstra que aquela experiência o tinha marcado profundamente.

Naquele verão de 1899, um grupo de parentes estava realizando sessões espíritas na casa da mãe de Jung. Ele participou de algumas. A jovem médium com 15 anos era prima de Jung. Ela incorporava duas entidades: o próprio avô, que não conhecera vivo, e uma menina de nome Ulrich Gerbenstein. Segundo ele, o que o avô dizia não passava de conversa fiada e o que a menina – que só tinha de interessante o nome masculino – só falava bobagens. A médium, que Jung chamava de S.W., eventualmente recorria a pequenas fraudes para renovar a atenção. Em sua autobiografia “Memórias, Sonhos e Reflexões”, Jung escreveu: “Depois de muitas experiências todos nós nos cansamos. O que me fez acabar de vez com as sessões foi constatar que a médium lançava mão de truques para produzir falsos fenômenos. Hoje me arrependo de não ter prosseguido com a experiência, só para observar o comportamento de S.W., que segundo descobri mais tarde, era uma dessas pessoas que amadurecem muito precocemente e possuem uma personalidade misteriosa e extraordinária. Ela morreu de tuberculose aos 26 anos”.

O Velho do Sonho

Sonhos e espíritos

 Entre 1913 e 1917 visões e sonhos com seus ancestrais exerceram papel fundamental na vida de Jung.

No outono de 1913, Jung começou a ter visões repetitivas e proféticas com imagens sangrentas e de morte envolvendo uma grande catástrofe. Uma voz lhe dizia que tudo aquilo iria acontecer. Ele achou que era alguma espécie de psicose. As visões duraram quase um ano. No ano seguinte teve início a Primeira Grande Guerra.

 Nesses quatro anos ocorreram comunicações telepáticas e precognições. Os colegas, obviamente diziam que o coitado sofria de alucinações. É desta safra uma história fascinante: Jung sonhava com Philemon, o “velho” cuja morte foi causada por Fausto no drama escrito por Goethe e nessas “aparições” conversavam durante horas. Era um velho com chifres e asas de martín pescador, que carregava 4 chaves. Philemon ensinou a Jung a “objetividade psíquica”, a distinção entre o si mesmo e os objetos dos seus pensamentos.

Philemon e outras figuras de minhas fantasias me provaram que existem coisas na minha psique que não produzo, mais que se produzem sozinhos e que têm vida própria. Philemon representava uma força que eu não conhecia. Em alguns momentos, ele me parecia real, principalmente quando andávamos pelo jardim, lado a lado conversando. Nesses momentos ele fazia o papel de um guru e me dizia coisas nas quais não havia ainda pensado conscientemente”.

Outra dessas grandes figuras, era Ka um sábio egípcio. Jung o entendia como uma espécie de demônio, um espírito da natureza, um elemental em outras palavras. Nessa época, Jung se despreendeu do corpo físico e voou conscientemente. Mas não levou essa experiência ao “pé da palavra”. Ele começou a ser dominado por uma intensa inquietação; dizia que os mortos queriam alguma coisa dele que ele não sabia o que era. A descrição de dois dias dessa fase: “A casa inteira parecia tomada pelos espíritos dos mortos. A atmosfera ao meu redor me oprimia. Minha filha mais velha viu uma figura passar pelo quarto; minha segunda filha contou que por duas vezes `alguém´ arrancou suas cobertas, e meu filho de 9 anos, na mesma noite, teve um sonho inquietante. Isso foi em um sábado. No dia seguinte, a situação chegou a um clímax. Por volta de 5 da tarde, a campainha da porta da frente tocou com insistência. Todos em casa ouvimos. Quando fomos ver, não havia ninguém. O clima era o mesmo da véspera, denso, sufocante, opressor. Falei em voz alta: “Pelo amor de Deus, o que significa isso tudo? Então ouvi vozes respondendo em coro: `Voltamos de Jerusalém, onde não encontramos o que procurávamos´ ”. Esse episódio deu origem a um documento importante: “Septem Sermones ad Mortuos” ou “Sete Conversas com os Mortos”, para “satisfazer as persistentes exigências dos mortos” segundo Jung. Depois disso nada mais ocorreu. “A paz voltou à casa. O mais interessante é que eu não tinha muito controle sobre o que escrevia; o fato é que escrevi durante três noites seguidas. É claro que toda essa experiência esteve ligada ao meu estado emocional da época, favorável aos fenômenos parapsicológicos.”

 

Entre os anos de 1918 e 1919 começou a desenhar mandalas, pequenas figuras circulares. Após refletir muito, chegou à conclusão que “tudo tende para o centro”. O Budismo diria “o caminho do meio”.

 Em 1920, passando os fins de semana do verão na casa de campo de uns amigos ingleses, Jung ouvia sons inexplicáveis à noite: batidas nas portas, zumbido de ventania, água caindo. E tudo isso acompanhado com um cheiro peculiar. Numa dessas noites, sem conseguir dormir devido ao barulho, Jung estava na cama olhando o teto quando notou, no travesseiro ao seu lado, a metade de uma cabeça de mulher, com o olho aberto, fitando-o. Jung acendeu uma vela e a cabeça desapareceu. O resto dessa noite ele passou em uma cadeira de balanço, naturalmente interpretando a visão como uma exteriorização de elementos existentes em seu inconsciente. Mas, coincidentemente ou não, a casa tinha fama de mal-assombrada – vários de seus inquilinos a haviam abandonado. A casa foi demolida logo após aquele verão.

 Jung percebeu que a maioria de suas visões estava relacionada com o temor da morte. Um dia, retornando do enterro de um amigo que morrera de repente – e pensando nas circunstâncias daquela morte -, sentiu nitidamente a presença do amigo no quarto. Jung não soube dizer se era uma aparição ou uma “imagem visual interior”, mas assim mesmo seguiu-o até o jardim, depois até a rua e finalmente até  a casa do amigo. Lá dentro, a figura mostrou à Jung o segundo dos cinco livros com lombada vermelha que ficavam na segunda prateleira, de cima para baixo, da estante. No dia seguinte, visitando a viúva, Jung pediu-lhe para visitar a biblioteca e lá encontrou os cinco livros vermelhos que “vira” na noite anterior. Eram livros de Emile Zola e o segundo dos cinco era A Herança dos Mortos.

 

Dúvidas sempre houve, explicações também. “Propositalmente em uma conferência sobre espíritos em Londres evitei a questão de se os espíritos existem por si próprios e se são capazes de produzir fenômenos visíveis materialmente. A única atenuante para tal atitude é que é extraordinariamente difícil encontrar provas creditáveis da existência de espíritos, uma vez que as comunicações espiritualísticas em geral não passam de produtos comuns do inconsciente do médium”.

 

Em 1927 desenhou a mandala “Janela para a Eternidade”. No sonho, que originou esse desenho, Jung estava em uma cidade de forma circular. O ambiente escurecido e nublado à sua volta. Havia um lugar com uma pequena ilha no centro da cidade onde se encontrava uma árvore de magnólias com luminosidade própria. Apesar de haver outras pessoas com ele, somente Jung percebeu a luz. Mais tarde escreveu: “O centro é a meta e tudo se dirige para o centro. Graças a este sonho compreendi que o “Self” é o princípio e o arquétipo da orientação e do significado… reconhecê-lo para mim quis dizer ter a intuição inicial de meu próprio mito”. No ano seguinte desenhou outra mandala: era um castelo de ouro no centro, com forma e cores que lhe sugeriam um toque chinês. No mesmo período, R. Wilhelm lhe enviou uma carta com um manuscrito de um tratado de alquimia taoísta titulado “O Mistério da Flor de Ouro”. A coincidência chamou a sua atenção para fatos correlacionados, sem aparente explicação. Isso foi chamado de sincronicidade. Por causa de “coincidências” como essa, Jung sentiu-se menos sozinho, o que lhe comprovou que existem pessoas com as quais temos afinidade para compartilhar idéias e sentimentos. Freud estava realmente ficando para trás.

Porém no volume 8 de suas Obras Escolhidas reviu a antiga explicação psicológica sobre os mortos: “Depois de 50 anos em contato direto ou indireto com experiências parapsicológicas de milhares de pessoas de diversos países, ponho em dúvida minha afirmação de 1919 sobre o caráter eminentemente psicológico das manifestações mediúnicas”.

 

No final de suas memórias escreveu: “Estou perplexo, desapontado, contente comigo mesmo, estou arrasado, deprimido, radiante. Estou sentindo tudo isso ao mesmo tempo, e não consigo obter o resultado da soma. Não sou capaz de determinar o que é ou o que não é, o que vale a pena e o que não vale. Não tenho qualquer julgamento a meu respeito ou a respeito de minha vida. Não existe nada de que eu tenha certeza absoluta”.

 Curiosidades:

Durante a primeira guerra, Jung serviu como comandante do campo de prisioneiros de Chateau d´Oex. A partir de 1933 especulou-se que Jung era simpatizante do nazismo, mas o próprio interpretava o social-nacionalismo como um fenômeno patológico. Em 1940, com a publicação do livro Psicologia e Religião, os nazistas proibiram e queimaram sua obra.

 

Jung construiu sua própria casa de campo em Bollingen, para local de meditação. O trabalho teve início em 1923 terminando em 1955. Nenhum pedreiro foi chamado. Alguns parentes o ajudaram no início, mas assim que a obra foi se tornando mais transparente ele não pediu mais ajuda a ninguém. A famosa torre da construção foi inspirada na arquitetura africana, continente que conheceu em 1920. Para ele a casa era “a representação em pedra dos meus mais íntimos pensamentos e dos conhecimentos que adquiri”. Está aí o processo de individuação. Não havia luz ou água encanada. O fogão era à lenha e só havia uma única e encardida panela de ferro para fazer toda a comida. E Jung era conhecido como um grande cozinheiro.

 Para Jung a religião era um fenômeno genuíno, uma função psíquica natural com múltiplas manifestações e sua importância no funcionamento da psique. Freud dizia que a religião era um derivado do complexo paterno e uma das sublimações do instinto sexual. Jung escreveu: “Entre todos os meus doentes, na segunda metade de suas vidas, isto é, com mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse a questão religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos, e nenhum curou-se realmente sem recorrer a atitude religiosa que lhe fosse própria”.

 Sobre Deus: “Como cheguei a minha certeza sobre Deus? (…) Não se trata de uma idéia, de algo que fosse fruto de minhas reflexões. (…) Por que certos filósofos pretendiam que Deus fosse uma idéia? É perfeitamente evidente que Ele existe. (…) Para mim Deus era uma experiência imediata das mais certas”. Em uma entrevista para a BBC de Londres às vésperas de completar 80 anos declarou: “Não necessito crer em Deus. Eu sei”.

 Na casa em Küsnacht, onde morou de 1909 até o fim da vida, está gravado em pedra no alto da porta o oráculo de Delfos: Invocado ou não, Deus está sempre presente.