Papa Francisco, materialismo e ativismo

Salomão em Eclesiastes 11:1-6 diz que “os caminhos de Deus são tão misteriosos quanto o caminho do vento, tão difíceis de se descobrir como a maneira pela qual se forma a alma de uma criança no ventre de sua mãe.”

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 A semana do Papa Francisco no Rio de Janeiro (julho de 2013) marcou a nossa história, assim como os protestos de semanas antes. Se a Jornada Mundial da Juventude não tivesse sido agendada há dois anos, até se poderia dizer que ela foi criada para esvaziar os protestos… Curioso, pensar nessa possiblidade. De fato, todos os fatos estão conectados por processos inconscientes.

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Escrevi este texto de hoje, após ter assistido à entrevista do Papa Francisco a Gerson Camarotti, da GloboNews, e em seguida, ao documentário Hashmatsa (Defamation) de Yoav Shamir  sobre antissemitismo no domingo, dia 28 de julho. Começarei o texto mais reflexivo e no final do texto relatarei o que vivi no sábado, dia 27.

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Fui e ainda sou muito crítico em relação a dogmas e religiões, mas também aprendi como é exprimir reflexões e não ser entendido. Palavras para serem compreendidas dependem do emissor e do receptor. Se o receptor não tem boa vontade, e possui uma natural limitação (preconceito, falta de discernimento, medo), nada que é dito serve para entabular uma conversação. Quero crer que estamos em constante crescimento, físico, intelectual e espiritual. E aqui, aprendemos e desaprendemos a toda hora. “Acertamos” e “erramos”.

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Como este é um blog sincronístico, espiritual e não um blog político me atenho à questões mais inconscientes, apesar do momento “revolucionário” que vivemos, com a participação da juventude católica e dos “black blockers”. Será o jovem católico alienado por que mostra a cara e sorri ou mais alienado é o jovem que esconde o rosto e que quebra instituições capitalistas, que ele mesmo usufrui? Estaremos submetidos apenas à “passividade” ou ao “enfrentamento”? Será este mundo apenas preto ou branco?

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Lobbys são parte do processo político, necessários para quem os pratica mas enfadonhos para a massa. Sejam de esquerda, direita, judeus contra palestinos, palestinos contra judeus ou o lobby gay, tanto faz.

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São armas usadas para reforçar o poder, e não “apenas” para construir uma sociedade mais justa. Os interesses dos lobistas são pessoais e nunca coletivos. Você é contra ou a favor do aborto? Você quer ou não que as drogas sejam liberadas? Você é “moderno” ou “antiquado”?

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Liberdade de expressão…

 Li argumentos de pessoas contrárias e a favor da visita do Papa ao Brasil. Estudei a respeito do Estado laico, pesquisei sobre o investimento público para financiar a visita de Francisco ao país. Há razões da lógica, e há as do coração. Uma cena, histórica, me chamou a atenção: jovens católicos fazendo uma barreira na praia de Copacabana para que os black blockers não invadissem a festa de Francisco. Muito simbólico…

Rui Barbosa em 28 de julho de 1921: “Enquanto as revoluções eram políticas tinham praias que as circundavam e lhes punham raias visíveis. Depois que se fizeram sociais (e hoje, sociais são todas), todas beiram esse mar tenebroso cujo torvo mistério assombra de ameaça as plagas do mundo contemporâneo.”

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Não vou à festa para a qual não fui convidado, mas muitos, por questões religiosas e políticas, o fazem. O radicalismo e o fanatismo te impulsionam a isso. Respeito? Desrespeito? Dever?…

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Teria o poderio da Globo (tão criticada durante os protestos) sido usado para favorecer uma religião em detrimento de outras, ou favorecer uma política contra o Estado laico? Me parece que sim. Mas essa é uma guerra antiga pelo poder, sem sombra de dúvidas. Assista à TV aberta à tarde (Band, CNT, Rede TV) e veja que os horários foram comprados pelos evangélicos. Não há liberdade religiosa, não há Estado laico.

Na Globo, à tarde está no ar a reprise da novela espírita O Profeta, uma “religião” com muito menos adeptos do que as evangélicas. Então, percebemos que essa “briga” não é uma questão comercial, pois a Globo ganharia mais apoiando os evangélicos, que em futuro breve serão metade da população brasileira. A Globo apoia a Igreja católica e os espíritas porque do outro lado do cabo de guerra estão, principalmente Edir Macedo, Silas Malafaia e R. R. Soares, que também querem manipular, todos em nome de Jesus.

Do blog do jornalista Ancelmo Góis em 30 de julho de 2013: “A Revista de História da Biblioteca Nacional publicou artigo sobre o crescimento dos Evangélicos no Brasil que foi reproduzido em francês em uma edição da Revista Courrier Internacional: “Enquanto nos últimos 50 anos a população brasileira cresceu 63,2%, o número de evangélicos quase dobrou de tamanho, aumentou 93%. A religião que mais cresce é aquela que resolve os problemas individuais e distribui benefícios imediatos, mas tem pouco a oferecer à sociedade”.”

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Minha formação é católica, sou devoto da Virgem de Fátima, gosto de São Francisco. Tenho imagens em casa, não sou evangélico, mas também não sou católico tradicional pois não me sinto à vontade em missas.

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Desde que vivi meu primeiro fenômeno “não-católico”, abri minha mente, e questionei muitas coisas do catolicismo. A compreensão dos fenômenos depende de questões científicas, assim como da fé de cada um. Porém, também tenho críticas ao espiritismo, aos espíritas, como tenho aos evangélicos e ateus. Ninguém é perfeito. Perfeição não existe. Não existe “verdade”.

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Os anos 90 foram férteis em fazer pensar. Acompanhei a reação jovem católica, os carismáticos há 20 anos. Vi na Rede Manchete, os festivais de rock evangélico promovidos pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo (dos pastores Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes) e na Globo, assisti Edson Celulari como Edir Macedo na minissérie Decadência em 1995, mesmo ano do pastor Sérgio Von Helde da Igreja Universal (IURD) chutando a imagem da Nossa Senhora Aparecida porque era aniversário dela (12 de outubro), porque era uma imagem e porque era… negra.

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“Há 05 canais de TV evangélicos, 05 canais católicos, dados de 1999. Há 271 rádios evangélicas, 180 rádios católicas. Dados para o ano de 1999. 80% da programação religiosa na TV brasileira é evangélica. Em 2001 havia a exibição de 90hs/semana de programas religiosos (fonte: Alexandre Brasil Fonseca, em Evangélicos e Mídia no Brasil; Associação Brasileira de Editores Cristãos (ABEC), Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (ABIEE), Fundação Perseu Abramo e Site Louvornet.com). No Congresso Nacional há uma agremiação chamada FPE – Frente Parlamentar Evangélica, formada por deputados e senadores eleitos de diversas igrejas.” (A ascensão da mídia evangélica – uma (mútua) interferência política, econômica e tecnológica. Heinrich Araújo FONTELES).

 Li muitos livros de autoajuda e esotéricos. Vários me foram muito úteis. Porém um dia tive um insight, após reouvir que o Brasil era atrasado porque católico (religião que “criminaliza” o dinheiro) e não materialmente evoluído como os Estados Unidos, que cresceram com conceitos como “livre mercado”, “capitalismo” e viés evangélico e ou judeu que associam o lucro e o sucesso material ao sucesso espiritual (23,9% da população norte americana é de católicos romanos, 16,1% de ateus e 51,3% de protestantes). Certo dia, compreendi que livros como “O Segredo” foram escritos por americanos, porque para eles a concepção de ganho material é a sua própria religião. Não falo que dinheiro não é bom, apenas compreendi que usar o seu poder mental para obtê-lo é uma forma egóica, que não te torna um ser humano melhor.  Só mais materialista.

 Voltando aos dias de hoje, o único testemunho que posso dar é que, graças a Deus, estamos vivendo tempos novos, revolucionários. Sejam eles, compreensíveis ou não. E toda mudança é boa, quando vem do coração e é claro, cumpre o seu papel de tornar melhor a vida da população.

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 Assim como vários, simpatizei com a eleição de um Papa franciscano e latino americano. Mas mesmo assim, as perguntas prosseguem: teria Sua Santidade sido eleita por causa do declínio do catolicismo? Teria ele apoiado a repressão militar e a ditadura na Argentina? De fato, essas questões são importantes, mas neste exato momento, e neste (con)texto a questão é dignamente humana e pessoal. Quanto ao Papa, como muitos, eu o admiro como pessoa, teólogo e político. Também não acredito em “homens”, mas não perdi 100% de esperança. Resolvo minhas questões sem depender do Papa, mas gosto que ele exista.

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No sábado, dia 27, após a melhora de uma retornada gripe (ou virose) que me derrubou mais uma vez, decidi dar uma voltinha até o início de Copacabana,  por volta de 17h para comer meu querido hamburger de soja na Francisco (olha só.. FRANCISCO!) Otaviano, mas a loja estava fechada. Comi uma salada de frutas e dei uma olhada na rua, nas pessoas, vi como estava o movimento. Defronte ao Forte de Copacabana, às minhas costas um grupo de quatro jovens cantavam canções mariachi (e muito bem por sinal). O clima estava eufórico, mas como sempre, em tudo ao que se refere ao Rio de Janeiro, “exótico” para dizer o mínimo. Vi duas representantes de biquíni da marcha das vadias e um senhor negro que passou atrás de mim, meio bêbado e com ódio, conversando com ele mesmo, dizendo que tudo aquilo era racismo… Por perto, um outro senhor sentado em uma motocicleta, na verdade em um triciclo, todo enfeitado com filas de leds azuis, uma monstruosidade de mal gosto, atraía jovens, com o mesmo mal gosto, que sentavam no banco ao lado do motorista para tirar fotos.

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Não havia propriamente uma “multidão” em frente ao Forte de Copacabana, mas sim um bom número de pessoas, o que permitiu que chegasse bem perto da avenida da praia. Repentinamente, surge um Papa Móvel com o… Papa que acenou a todos sob a luz de refletores das câmeras. Fiquei feliz de estar ali, vendo a história viva, fosse por “acaso”, “coincidência”, ou “sincronicidade”. O fato é que me senti bem ao ver o Papa, que emanava um bom astral, claro que “iluminado” pela histeria e pelos refletores. Pensei nos milhares de peregrinos, há horas e dias, passando “aperto” nas ruas para ter um vislumbre de Francisco, o Papa Pop. E acima de tudo pensei no coração dos missionários em busca de reforço a sua fé. Certamente, Francisco é um Papa que tem uma missão difícil: recuperar valores de honestidade e simplicidade, dentro e fora dos muros do Vaticano, em meio a este mundo materialista.

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Palavras de Francisco:

 “Deus está nos pedindo mais simplicidade.”

 “Gays não devem ser marginalizados, mas integrados à sociedade.”

 “Nosso povo exige a pobreza de nossos sacerdotes. Exige no bom sentido, não pede. O povo se ofende quando pessoas consagradas se apegam ao dinheiro.”

 “Não gosto do jovem que não protesta. O jovem gosta da utopia e utopia nem sempre é ruim.O jovem tem mais energia para defender suas ideias, porém os jovens devem se cuidar para não serem manipulados.”

 “Maria é mais importante que os apóstolos.”

 “Sejam revolucionários.”

 “É mais fácil ouvir uma árvore cair do que um bosque crescer.”

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A Sincronicidade PAPAL II

Julho de 2013, o Papa Francisco dos católicos está no Brasil para a Jornada Mundial para a Juventude. Ao ler as notícias, vi qual era o lema da JMJ e recordei de um fato sincronístico e inusitado, ocorrido há 5 anos.

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Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio de Janeiro. O prédio era tombado e como tal, não poderia receber certas reformas necessárias, o custo benefício ficaria desigual e transferiram a rádio para uma sede moderna, com um equipamento melhor em Niterói.

— Você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói – comentei com uma locutora.

— Sabe o que eu gostaria de fazer hoje? – perguntei a ela.

— O quê? – a locutora perguntou.

— J.K., o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui? Gostaria de visitá-lo antes que seja tarde.

— Converse com o porteiro. Ele tem a chave – a locutora deu a dica.

O porteiro, que não se mostrou muito simpático à ideia, pois só havia ele para tomar conta da portaria, explicou que para chegar ao escritório teríamos que fazer uns “atalhos”. Pedi encarecidamente, com o coração, que ele me ajudasse, expliquei que era meu último dia lá (sem ter certeza) e ele acatou. O porteiro subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés.

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Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave da porta, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

Após fazer o comentário, ele abriu a porta e se colocou de lado. Ele não entrou. Eu sim.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek em agosto de 1976. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papeis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Acreditei que havia achado o que procurava.

Assim que alcançamos o térreo, agradeci ao porteiro com gratidão. Realmente aquele havia sido o último dia que eu colocaria os pés na rádio. Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

O lema da Jornada de 2013, é curiosamente similar ao que “recebi” no escritório do Presidente em 2008. Dessa vez não é Marcos, mas Mateus, 28, versículo 19, ao citar a fala da pregação de Jesus na Galiléia aos discípulos: “Ide, fazei discípulos de todas as Nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

Este blog é um exemplo do que fiz a partir de 2008: me movimentar e contar o que vivo (“ide e pregai”); repartir com todos os amigos e leitores os fenômenos ou eventos sincronísticos que vivencio.

As sincronicidades não são exclusividade de um grupo seleto de escolhidos. Esses fatos (como digo são fatos, não criações) pertencem a todos, mas eles espelham o seu grau de compreensão e sua percepção do que é importante para você e do que você chama de realidade, a mesma que você cria, que inclui a sua zona de conforto, a sua crença, os seus conhecimentos e as suas alienações.

O que sinto, literalmente, não só com a  vinda do Papa, mas com as passagens da Bíblia abordadas neste texto, é que o ciclo de aprendizado dessa última meia década chega ao fim, para que outro se inicie, como um passo dado após o outro. Sempre em frente, mesmo aos tropeços, lá vamos nós.

Tudo é vitória, mesmo que não pareça.

Parábola de Jesus a Maria Madalena (Apócrifos da Bíblia)

Este Evangelho foi escrito provavelmente no século II. Foi através de um fragmento copta, que ele chegou até nós. O destaque fica para a estranha parábola que Jesus conta para Maria Madalena. Esta passagem ocorreu após a sua crucificação.  

 FRAGMENTO DO EVANGELHO SEGUNDO MARIA MADALENA

 

Salvador disse: “Todas as espécies, todas as formações, todas as criaturas estão unidas, elas dependem umas das  outras,  e  se  separarão  novamente  em  sua  própria  origem.  Pois  a essência  da  matéria  somente  se  separará  de  novo  em  sua  própria  essência.  Quem tem ouvidos para ouvir que ouça”. 

 Pedro lhe disse: “Já que nos explicaste tudo, dize-nos  isso  também: o que é o pecado do mundo?”  Jesus  disse:  Não  há  pecado;  sois  vós  que  os  criais,  quando  fazeis  coisas  da mesma espécie que o adultério, que é chamado ‘pecado’. Por isso Deus Pai veio para o meio de vós, para a essência de cada espécie, para conduzi-la a sua origem.” 

 Em seguida disse:  Por  isso  adoeceis  e  morreis  […].  Aquele  que  compreende  minhas  palavras, que as coloque-as em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário  à Natureza Divina. A partir daí,  todo o corpo  se desequilibra. Essa é a  razão  por  que  vos  digo:  tende  coragem,  e  se  estiverdes desanimados, procurais força das diferentes manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.” 

 Quando o Filho de Deus assim  falou,  saudou  a  todos  dizendo:  “A  Paz  esteja  convosco. Recebei minha  paz.  Tomai  cuidado  para  ninguém  vos  afaste  do  caminho,  dizendo:  ‘Por aqui’ ou  ‘Por lá’, Pois o Filho do Homem está dentro de vós. Segui-o. Quem o procurar, o encontrará. Prossegui agora, então, pregai o Evangelho do Reino. Não estabeleçais outras regras, além das que vos mostrei, e não  instituais como  legislador, senão sereis cerceados por elas”. Após dizer tudo isto partiu. 

 Mas eles estavam  profundamente  tristes. E falavam: “Como vamos  pregar  aos  gentios  o Evangelho ao Reino do Filho do Homem? Se eles não o procuraram, vão poupar a nós?”

Maria  Madalena  se  levantou,  cumprimentou  a  todos  e  disse  a  seus  irmãos:  “Não  vos lamentais  nem  sofrais,  nem  hesiteis,  pois  sua  graça  estará  inteiramente  convosco  e  vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens”. Após Maria ter dito isso, eles entregaram seus corações a Deus e começaram a conversar sobre as palavras do Salvador. 

 Pedro disse a Maria: “Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as de que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos.”  

 Maria Madalena respondeu dizendo: ” Esclarecerei a vós o que está oculto”. E ela começou a falar essas palavras: “Eu”, disse ela, “eu tive uma visão do Senhor e contei a Ele: ‘Mestre, apareceste-me hoje numa visão’. Ele respondeu e me disse: ‘Bem aventurada sejas, por não teres fraquejado ao me ver. Pois, onde está a mente há um tesouro’. Eu lhe disse:  ‘Mestre, aquele que tem uma visão vê com a alma ou como espírito?’ Jesus respondeu e disse: “Não vê nem com a alma nem com o espírito, mas com a consciência, que está entre ambos  – assim é que tem a visão […]”.  

 E o desejo disse à alma: ‘Não te vi descer, mas agora te vejo subir. Por que falas mentira, já que pertences a mim?’  A  alma  respondeu  e  disse: ‘Eu  te  vi.  Não me viste, nem  me reconheceste. Usaste-me como acessório e não me reconheceste.’ Depois de dizer  isso,  a alma  foi  embora,  exultante  de  alegria.  “De novo alcançou a terceira potência ,  chamada ignorância. A potência, inquiriu a alma dizendo: ‘Onde vais? Estás aprisionada à maldade. Estás aprisionada, não julgues!’ E a alma disse: ‘ Por que me julgaste apesar de eu não haver julgado? Eu estava aprisionada; no entanto, não aprisionei. Não fui reconhecida que o Todo se está desfazendo, tanto as coisas terrenas quanto as celestiais.’ “Quando a alma venceu a terceira potência, subiu e viu a quarta potência, que assumiu sete formas. A primeira forma, trevas; a segunda , desejo; a terceira, ignorância,; a quarta, é a comoção da morte; a quinta, é o reino da carne; a sexta, é a vã sabedoria da carne; a sétima, a sabedoria irada. Essas são as sete potências da ira. Elas perguntaram à alma: ´De onde vens, devoradoras de homens, ou onde vais, conquistadora do espaço?’ A alma respondeu dizendo: ‘ O que me subjugava foi eliminado e o que me  fazia  voltar  foi  derrotado…,  e meu  desejo  foi  consumido  e  a ignorância morreu. Num mundo fui libertada de outro mundo; num tipo fui libertada de um tipo celestial e também dos  grilhões  do  esquecimento,  que  são  transitórios.  Daqui  em diante, alcançarei em silêncio o final do tempo propício, do reino eterno’.” 

 Depois de ter dito isso, Maria Madalena se calou, pois até aqui o Salvador lhe tinha falado. Mas André respondeu  e disse  aos  irmãos: “Dizei o que  tendes para dizer  sobre o que  ela falou.  Eu,  de  minha  parte,  não  acredito  que  o  Salvador  tenha  dito  isso.  Pois esses ensinamentos carregam ideias estranhas”. Pedro respondeu e falou sobre as mesmas coisas.

Ele os inquiriu sobre o Salvador:“Será que ele realmente conversou em particular com uma mulher  e  não  abertamente  conosco? Devemos mudar  de  opinião  e  ouvirmos  ela?  Ele  a preferiu a nós?” Então Maria Madalena se lamentou e disse a Pedro: “Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo isso no mau coração ou que estou mentindo

sobre o Salvador?” Levi respondeu a Pedro: “Pedro, sempre fostes exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a nós.  É antes, o caso de  nos  envergonharmos  e  assumirmos  o  homem  perfeito  e  nos separaremos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou.” 

 Depois que Levi disse essas palavras, eles começaram a sair para anunciar e pregar.

Os Apócrifos da Bíblia – Parte II (José de Arimatéia)

DECLARAÇÃO DE JOSÉ DE ARIMATÉIA


CAPÍTULO 1

Eu sou José de Arimatéia, aquele que pediu a Pilatos o corpo do Senhor Jesus para
sepultá-lo, e que por este motivo se encontra agora acorrentado e oprimido pelos Judeus, assassinos e rebeldes a Deus, os quais, além disso, tendo a lei em seu poder, foram a causa de aflições para o próprio Moisés e, depois de enraivecer o legislador e de não haverem reconhecido a Deus, crucificaram o Filho de Deus, coisa que ficou bem caracterizada para quem conhecia a condição do Crucificado. Sete dias antes da paixão de Cristo, foram enviados de Jericó ao governador Pilatos dois ladrões cujas culpas eram as seguintes: O primeiro, chamado Gestas, costumava matar viajantes com a espada, ou deixava-os nus. Quanto às mulheres, ele as pendurava pelos tornozelos, de cabeça para baixo, para depois cortar-lhes os seios. Tinha predileção por beber o sangue das crianças. Nunca conheceu a Deus, não obedecia às leis e, violento com era, vinha executando tais ações desde o início de sua vida.
O segundo, por sua vez, chamava-se Dimas, era de origem galiléia e possuía uma
pousada. Assaltava os ricos, mas favorecia os pobres. Mesmo sendo ladrão, parecia-se a Tobias, já que costumava sepultar os mortos. Dedicava-se a saquear a turba dos judeus. Roubou os Livros da Lei em Jerusalém, deixou nua a filha de Caifás, que era na época a sacerdotisa do santuário, e até mesmo furtou o depósito secreto, colocado por Salomão. Tais eram seus feitos.

Também Jesus foi detido na tarde do dia 3 antes da Páscoa. E não havia festa nem para Caifás nem para a turba dos judeus, mas sim uma enorme aflição, por causa do roubo do santuário, que havia sido praticado pelo ladrão. Chamando a Judas Iscariotes, falaram com ele. É necessário dizer que este era sobrinho de Caifás, não era discípulo sincero de Jesus, mas havia sido dolosamente instigado por toda a turba de judeus para que o seguisse. E isto, não com a finalidade de que se deixasse convencer pelas façanhas que Ele operava, nem para que O reconhecesse, mas sim para apanhar-Lhe em alguma mentira. E por esta gloriosa empreitada, davam-lhe presentes e um dracma de ouro por dia. Na época, já estava há dois anos na companhia de Jesus, como disse um dos discípulos, chamado João.

Três dias antes de Jesus haver sido detido, Judas disse aos judeus:
— Eia! Usemos o pretexto de que não foi o ladrão que furtou os Livros da Lei, mas,
sim, Jesus em pessoa. Eu próprio comprometo-me a fazer a acusação.
Enquanto isto era dito, Nicodemus, encarregado das chaves do santuário, veio juntar-se a nós e dirigiu-se a todos, dizendo:
— Não façam tal coisa.
Sabe-se que Nicodemus era mais sincero do que todos os judeus juntos. Mas a filha de Caifás, chamada Sara, disse aos gritos:
— Pois ele falou deste lugar santo na frente de todos: sou capaz de destruir este templo e levantá-lo em três dias.
Ao que os judeus responderam:
— Damos-te todos os nossos votos de confiança, — já que tinham-na como profetisa.
Uma vez realizado consenso, Jesus foi detido.

CAPÍTULO 2

No dia seguinte, que era quarta-feira, levaram-nO ao palácio de Caifás à hora nona. E
Anás e Caifás perguntaram-Lhe:
— Ouve, por que roubaste nossa Lei e levaste a leilão público as promessas de Moisés
e dos profetas?
Jesus nada respondeu. E, diante de toda a assembléia reunida, indagaram dEle:
— Por que pretendes desfazer num único momento o santuário que Salomão erigiu em quarenta e seis anos?
Jesus nada respondeu a esta pergunta. Sabe-se que o santuário da sinagoga havia sido saqueado pelo ladrão. Mas ao cair a tarde de quarta-feira, a turba dispunha-se a queimar a filha de Caifás porque os Livros da Lei se haviam perdidos e não sabiam como celebrar a Páscoa. Mas ele lhes disse:
— Esperai, filhos, que mataremos este Jesus e encontraremos a Lei e a santa festa
celebrar-se-á com toda a solenidade.
Então Anás e Caifás entregaram às escondidas a Judas Iscariotes uma boa quantidade de ouro e lhe confiaram a seguinte missão:
— Dize, conforme nos afirmastes: eu sei que a Lei foi furtada por Jesus, para que o
delito recaia sobre ele e não sobre esta irrepreensível donzela.
Quando se puseram de acordo neste particular, Judas disse-lhes:
— Que o povo não saibas que me haveis dado instruções para fazer isto contra Jesus. É melhor soltá-lo e eu me encarregarei de convencer o povo de que a coisa é assim.
Assim, astutamente puseram Jesus em liberdade.
Assim, então, quinta-feira, ao amanhecer, Judas entrou no Santuário e disse a todo o
povo:
— Que me dareis se eu entregar aquele que fez desaparecer a Lei e roubou os Profetas?
Os judeus responderam:
— Se o entregares, dar-te-emos trinta moedas de ouro.
O povo não sabia, porém, que Judas se referia a Jesus, já que muitos reconheciam que era o filho de Deus. Então Judas ficou com as trinta moedas de ouro. Tendo saído durante a quarta e a quinta hora, encontrou Jesus passeando no átrio. Já estando a tarde por cair, disse aos judeus:
— Dai-me uma escolta de soldados armados de espadas e paus e eu pô-lo-ei em vossas mãos.
Deram-lhe, então, força para prendê-lo. Enquanto iam caminhando, Judas disse-lhes:
— Agarrai aquele a quem eu beijar, pois terá sido ele quem roubou a Lei e os Profetas.
Depois aproximou-se de Jesus e beijou-O dizendo:
— Salve, Mestre.
Era então a tarde de sexta-feira. E, uma vez preso, puseram-nO nas mãos de Caifás e
dos pontífices, dizendo-lhes Judas:
— Este é aquele que furtou a Lei e os Profetas.
Os judeus, então, submeteram Jesus a um injusto interrogatório, dizendo:
— Por que fizeste isto? — mas ele nada respondeu.
Então, Nicodemus e eu, José, diante daquela cátedra de pestilência, separamo-nos
deles, dispostos que estávamos a não perecer juntamente com o conselho dos ímpios.

CAPÍTULO 3

E depois daquela noite fizeram outras coisas terríveis contra Jesus; na madrugada de
sexta-feira foram entregá-lo ao governador Pilatos para crucificá-lo; e com este intuito todos acorreram. E o governador Pilatos, depois de interrogá-lo, ordenou que fosse crucificado na companhia de dois ladrões. E foram crucificados, juntamente com Jesus, à esquerda, Gestas, à direita, Dimas.
E o da esquerda começou a gritar, dizendo a Jesus:
— Olha quantas coisas más fiz sobre a terra, e até se soubesse que tu eras rei, teria
acabado também contigo. Por que te chamas a ti mesmo de Filho de Deus, se não podes socorrer-te em caso de necessidade? Como, então, prestarás auxílio a qualquer um que o peça? Se tu és o Cristo, desce da cruz para que eu possa crer em ti. Mas, neste momento não te considero como homem, senão como uma besta selvagem que está perecendo juntamente comigo.
E começou a dizer muitas outras coisas contra Jesus enquanto blasfemava e fazia
ranger os dentes contra Ele, pois o ladrão tinha sido preso no laço do diabo.
Mas o da direita, cujo nome era Dimas, vendo a graça divina de Jesus, gritava deste
modo:
— Conheço-te, ó Jesus Cristo, e sei que és o Filho de Deus. Vejo-Te como Cristo
adorado por miríades de anjos. Perdoa os pecados que cometi. Não faças os astros virem contra mim no momento do meu julgamento, ou a lua, quando julgares toda a terra, posto que foi à noite que realizei meus maus propósitos. Não movas o sol, que agora escurece por Ti, para que eu possa manifestar as maldades de meu coração. Já sabes que não posso oferecer-Te presente algum pela remissão dos meus pecados. A morte já se joga em cima de mim por causa das minhas maldades, mas Tu tens o poder para expiá-las. Livrai-me, Senhor universal, do teu terrível julgamento. Não concedas ao inimigo poder para engolir-me e fazer-se herdeiro de minha alma, como o é desse que está pendurado à esquerda, pois estou vendo como o diabo recolhe sua alma, enquanto suas carnes desaparecem. Tampouco me ordenes passar para o lado dos judeus, pois vejo-os submergir num grande pranto a Moisés e aos profetas, enquanto o diabo se ri às suas costas. Senhor, antes que minha alma
saia, ordena que meus pecados sejam apagados e lembra-te de mim, pecador, em teu reino, quando julgares as doze tribos por sobre o trono grande e alto, pois é grande e tormento que preparaste para o teu mundo por tua própria causa.
E, quando o ladrão terminou de dizes isto, Jesus respondeu-lhe:
— Em verdade, em verdade digo-te, Dimas, que hoje mesmo estarás comigo no
paraíso. Mas os filhos do reino, os descendentes de Abraão, de Isaac, de Jacó e de Moisés serão arremessados fora, para as trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mas tu serás o único que habitará o paraíso até a minha segunda vinda, quando julgarei aqueles que não reconheceram meu nome.
E acrescentou:
— Vai agora e dize aos querubins e aos anjos da sexta hierarquia, que estão brandindo a espada de fogo e guardando o paraíso de Adão, a primeira das criaturas, que depois de ter vivido ali foi arremessado por haver prevaricado e por não ter guardado meus mandamentos: nenhum dos primeiros verá o paraíso até que eu venha de novo para julgar os vivos e os mortos. Assim disse Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que desceu das alturas dos céus, aquele que saiu inseparavelmente do seio do Pai invisível e desceu ao mundo para encarnar-se e ser crucificado para salvar Adão, a quem formou, para conhecimento das milícias dos arcanjos, guardiões do paraíso e ministros de meu Pai. Quero e ordeno que adentre aquele que está crucificado comigo, e que receba por mim a remissão de seus pecados e que entre no paraíso com o corpo incorruptível e engalanado, e que habite onde ninguém jamais poderá habitar.
E eis que, quando disse isto, Jesus entregou seu espírito. Isto aconteceu numa sextafeira, à nona hora. As trevas cobriram a terra inteira e sobreveio um grande terremoto que derrubou o santuário e o pináculo do templo.

CAPÍTULO 4

Então eu, José, reclamei o corpo de Jesus e coloquei-o num sepulcro novo, ainda não usado. O cadáver daquele que estava à direita não pôde ser encontrado, enquanto que o da esquerda tinha adquirido o aspecto de um dragão. Pelo fato de ter pedido o corpo de Jesus para dar-lhe sepultura, os judeus, deixando-se levar por um impulso de cólera, encarceraram-me no mesmo lugar onde se costumava colocar os malfeitores. Isto aconteceu-me na tarde do Sabat em que nossa nação estava prevaricando. Quantas terríveis atribulações este Sabat infligiu à nossa mesma nação!
Precisamente na tarde do primeiro dia da semana, na quinta hora, quando me
encontrava na prisão, Jesus veio ter comigo, acompanhado daquele que tinha sido
crucificado à sua direita e a quem enviara ao paraíso. Havia uma grande luz no recinto.

Imediatamente a casa ficou suspensa em seus quatro ângulos, o espaço interior ficou e eu pude sair. Então reconheci primeiro a Jesus e depois ao ladrão, que trazia uma carta para Jesus. Enquanto caminhávamos até a Galiléia, brilhou uma luz tamanha que a criação não podia suportá-la. O ladrão, por sua vez, exalava um forte perfume procedente do paraíso.

Depois, Jesus sentou-se e leu assim:
— Os querubins e os hexaptérigos receberam de tua divindade a ordem de guardar o
jardim do paraíso. Soubemos disto pelo ladrão que foi crucificado juntamente Contigo, por tua disposição. Ao ver nele o sinal dos pregos e o resplendor das letras da tua divindade, o fogo extinguiu-se, já que não podia suportar o sinal ofuscante. Nós, tomados de um grande temor, ficamos amedrontados, pois ouvimos o autor do céu e da terra e da criação inteira que descia das alturas até as partes mais baixas da terra por causa de Adão, a primeira das criaturas. Ao ver a cruz imaculada, que fulgurava em meio ao ladrão e que fazia reverberar um resplendor sete vezes maior que o do sol, um grande temor apoderou-se de nós, presas da agitação dos infernos.

E nós e os ministros do inferno, em coro, dissemos aos brados:
“Santo, Santo, Santo é Aquele que impera nas alturas”. E as divindades deixavam escapar este grito: “Senhor, Tu Te manifestaste no céu e sobre a terra, dando a alegria dos séculos, depois de ter salvo a própria criatura da morte”.

CAPÍTULO 5

Enquanto eu ia contemplando isto, a caminho da Galiléia, em companhia de Jesus e do ladrão, Aquele transfigurou-se e já não era o mesmo de antes da crucificação, senão que era luz por completo. Os anjos serviam-no continuamente, e Jesus mantinha conversação com eles. Passei por três dia ao seu lado, sem que nenhum dos seus discípulos O acompanhasse, mas tão somente o ladrão.
Em meio à festa dos ázimos, veio o seu discípulo João, e até então não havíamos visto o ladrão nem sabíamos o que tinha sido feito dele. João então perguntou a Jesus:
— Quem é este, já que ainda não mo permitiste vê-lo?
Mas Jesus não respondeu nada. Então ele atirou-se aos seus pés e disse:
— Senhor, sei que desde o princípio me amaste. Por que não me fazes ver aquele
homem?
Jesus disse-lhe:
— Por que vais em busca do mistério? És obtuso de inteligência? Não sentes o perfume do paraíso que inundou este lugar? Não percebes quem era? O ladrão suspenso da cruz tornou-se herdeiro do paraíso. Em verdade, em verdade te digo que somente ele o é até que chegue o grande dia.
E João disse:
— Faze-me digno de vê-lo”.
Enquanto João ainda estava falando, o ladrão apareceu de repente. Então aquele,
atônito, caiu ao chão. O ladrão não conservava a mesma figura que tinha antes da chegada de João, mas parecia-se com um rei majestoso ao extremo, engalanado como estava com a cruz. Ouviu-se uma voz, emitida por uma grande multidão, que dizia assim:
— Chegaste ao lugar do paraíso que te havia sido preparado. Nós fomos designados
por Aquele que te enviou para servir-te até que venha o grande dia.
Ao produzir-se esta voz, o ladrão e eu ficamos invisíveis. Então encontrei-me em
minha própria casa e já não via Jesus.

Tendo sido testemunha ocular destas coisas, deixei-as escritas para que todos acreditem em Jesus Cristo crucificado, nosso Senhor, e já não sirvam à Lei de Moisés, senão que dêem crédito aos milagres e maravilhas operados por Ele, de maneira que, crendo, sejam herdeiros da vida eterna e possamos encontrar-nos todos no reino dos céus. Porque a Ele lhe convém glória, força, bem-aventurança e majestade pelos séculos dos séculos.

Amém.

MEU ENCONTRO COM A VIRGEM DE FÁTIMA NA COVA DA IRIA.

O Natal, comemorado em 25 de Dezembro, é a data do nascimento de Jesus, o Cristo.

Para os que assistiram ao filme Zeitgeist, 25 de Dezembro era a mesma data de celebração ao nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno. Segundo vários estudiosos, a data foi adaptada pela Igreja Católica no terceiro século D.C., para comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré com o objetivo de converter os pagãos, durante o Império Romano.

O que pensar? Teria Jesus existido? Sua mãe, Maria realmente existiu? São respostas difíceis de dar, ainda mais porque se apoiam no relato de um livro considerado sagrado.

A cada um cabe a decisão baseada no tamanho de sua fé e de sua crença.

Pelo método científico, o mais aceito pelos ateus, cartesianos ou descrentes, só há um jeito: a necessidade de comprovação.

No plano espiritual, certamente as provas são mais lúdicas do que as factíveis comprovações documentadas em laboratório.

Esse depoimento que dou agora, é consequência do Natal, é claro mas também de uma mudança radical em minha vida.

Há pelo menos 25 anos vivencio fenômenos espirituais: já incorporei, presenciei poltergeists e minha mãe desencarnada já se comunicou comigo.

Há o momento de deixar o mundo espiritual ser uma realidade em sua vida e não ser apenas uma teoria. Há o momento de se calar, e o de aguardar o momento certo para falar, para se declarar.

Hoje falo de coração aberto: tive um encontro com a Virgem de Fátima há 15 anos.

Esta história está relatada no meu livro Mágica Vida Mágica. Abaixo faço um possível resumo do encontro, ocorrido em Leiria, Portugal em 1996 e incluo um mapa que mostra o caminho que segui (uma via-sacra) até o encontro com a Virgem.

 

“Estava em um hotel no centro de Lisboa em 1996. Havia ido a Portugal sem dinheiro, na verdade com dinheiro emprestado e naquela época enfrentava muitos problemas pessoais. As coisas que deveriam ser fáceis, se tornavam mais e mais difíceis graças a um conflito de energias, uma batalha real entre o novo e o velho, entre o bem e o mal. Quando comecei a pegar no sono, já de madrugada, ouvi uma voz que sussurrava no meu ouvido: “Fátima, Fátima…”. Como nunca conheci uma moça chamada Fátima, não entendi absolutamente nada e passei a me virar na cama, sem posição. Por volta das 4 da manhã, entendi que Fátima era uma outra cidade em Portugal, na qual no início do século XX, a Virgem havia aparecido para três crianças. Essa conclusão me apavorou, mas eu precisava fazer algo, ter um ato de coragem e determinação. A minha alma já sabia que só havia uma decisão a ser tomada.

Foi difícil levantar-me de madrugada, para tomar o caminho da rua, mas eu não poderia, em hipótese nenhuma, não ter tentado. Eu me puniria, talvez por toda a vida, se não tivesse me arriscado. Sem saber como chegar à Fátima desci na penumbra e perguntei para as poucas pessoas que encontrei na rua, sob o céu madrugador, que direção seguir. Um barbudo me ofereceu drogas ao invés de informação.

Cheguei ofegante, na maior correria, em uma estação de trens na hora em que o comboio estava prestes a sair. No trem, “puxei conversa” com uma senhora de óculos, que sentara ao meu lado, a respeito da estação de Fátima, onde descer, etc. Ela seguiu comigo até a metade do caminho, exatamente até uma baldeação para que eu pegasse um ônibus e prosseguisse em meu caminho. Antes de se despedir, ela me mostrou uma foto. “É do Brasil”, ela falou. “Do Brasil? O país é um pouco grande…”, pensei. Da sua bolsa, surgiu uma foto acobreada que para o meu espanto, exibia exatamente a minha casa, antes mesmo de ser construída. Sem haver me refeito do susto, olhei a imagem com atenção e vi que não existiam os edifícios que conheço.

— Esta é a última foto que meu irmão enviou do Brasil, ela explicou com tristeza e uma reticente esperança.

Não consegui lhe dizer que era exatamente ali onde eu morava. Era coincidência demais. Até eu mesmo fiquei horrorizado. Lhe prometi que tentaria localizar o endereço e anotei o seu endereço, que coloquei em uma mala que se extraviou na viagem de volta ao Rio de Janeiro. Pelo visto, não era para manter mais contato mesmo.

Assim que cheguei em Fátima, meu coração batia muito forte, entre feliz e assustado, mas convicto de que eu havia feito a coisa certa. Segui em frente com passos firmes. De longe, vi a cruz e a torre sineira e me senti diferente, anestesiado. Segui adiante, enquanto observava os peregrinos e os pagadores de promessas de joelhos, de costas para o mundo, em direção à Virgem. Emocionado, vi a árvore, a Azinheira Grande, sob a qual os pastores receberam as mensagens da Virgem.

Me aproximei da Capelinha das Aparições. Sentei para meditar sob o alpendre, enquanto se desenrolava uma missa. Depois de uma boa meia hora, levantei e segui até a Basílica onde sentei em um dos últimos bancos, sem conter as lágrimas de felicidade. Como algumas pessoas se incomodaram com o meu soluçar, deixei o templo. Me afastei da área dominada pela colunata e intuído por uma estranha curiosidade com jeito e cara de ordem, segui por uma rua à esquerda até um acesso a uma subida.

Percorri uma via-sacra (número 11 do mapa), que seguia até o alto, com os meus passos marcados por 15 capelinhas. Uma imagem de Nossa Senhora com os braços estendidos me acolheu ao final da caminhada (números 16 e 17). Agradeci e me sentei à sua frente, de costas para ela, para olhar a paisagem. Lá do alto, a cidade exibia suas muitas casas recobertas com o mesmo teto avermelhado sob a imensidão do céu azul. Refleti sobre os prós e contras daquela viagem, da minha vida que parecia sem sentido. Pedi uma resposta do fundo do coração, pois eu não tinha mais forças para lutar, estava cansado e desanimado. Alguns turistas japoneses e um vigilante deram as caras, mas não permaneceram durante muito tempo no local.

Repentinamente, se fez um estranho silêncio, pois não havia mais ninguém no alto do morro. Todos haviam se evaporado. Após alguns minutos, uma sutil mudança no ar tomou conta do ambiente. Sem esboçar qualquer reação, notei que a brisa e os sons haviam cessado. As folhas das árvores não me acenavam mais e nenhuma nuvem se movia no céu. Tentei falar e virar meu rosto, mas não consegui: estava com todos os músculos paralisados. O mundo emudecera, estacionara congelado e eu era a única testemunha. Não me desesperei, acatei. Não tentei explicar o que acontecia e nem me perguntei se somente aquele local havia parado no tempo, enquanto lá embaixo, a Terra continuava como antes. Talvez a viagem inteira tivesse sido uma desculpa muito bem engendrada para que eu estivesse ali, sozinho, para viver esse pequeno e grande milagre. Lembrei que os meus avós paternos, haviam deixado Portugal em busca de uma vida melhor no Brasil.

Emocionado e paralisado, vivi o milagre de dilatação do tempo sob um prisma religioso.

Então suavemente, uma luz cheia de presença massageou-me as costas. Fui abraçado por uma imensa e acolhedora luminosidade difusa vinda por trás. Era de dia e as duas formas diferentes de luz interagiram sem conflitos: a do sol acolheu a luminescência espiritual, sem que uma negasse a presença e a força da outra. Como não pude me virar, e nem ver com meus próprios olhos, só me restou vivenciar. Muitas pessoas precisam de provas, de fotos que comprovem os fatos, mas àquele momento, mais importante do que provas, ou ser posto à prova, foi ser a prova do amor transcendental.

Depois de algum tempo, que tanto poderia ser calculado em segundos como em horas, os sons e o vento retornaram mansamente à “normalidade”. Quase como um fóssil retornado à vida, mexi a ponta de um dedo, depois a mão inteira e por fim os braços. Respirei profundamente e estalei o pescoço, antes de me erguer. Quando me virei para saudar a imagem da Virgem de frente, abaixei o meu rosto em sinal de respeito e agradecimento. Havia uma placa logo abaixo da imagem: “Nesse local, ocorreu a última aparição da Virgem.”

Chorei convulsivamente.

Nesses primeiros meses de 1996, eu sabia que a pessoa que eu havia sido, estava se transformando, entrando em uma nova fase da vida.

Relatei essa história, durante os anos, a alguns conhecidos. Na maior parte das vezes, vi incredulidade, mas hoje, 15 anos depois desse encontro, não tenho nada a temer. Nada mais me preocupa, não me submeto ao julgamento alheio, só estou relatando a verdade.

Um pouco antes do livro Mágica Vida Mágica ser impresso, e 15 anos após eu ter estado em Portugal, uma Capelinha das Aparições, idêntica a de Fátima, foi inaugurada no bairro do Recreio no Rio de Janeiro em 2011, bairro para o qual meu irmão havia se mudado, um pouco antes. ”

Nada ocorre à toa nesta vida.

E nem em outras.

Imagem de Nossa Senhora Chora

“Padre, a imagem está viva!”.

 

Foto revela o exato instante em que meninos e meninas da Paróquia dos Santos Anjos, no Leblon, se surpreendem com uma lágrima que teria brotado do olho direito da imagem de Nossa Senhora da Conceição | Fotos: Divulgação e Paula Beatriz Brasil (O Dia online)

Frequento algumas igrejas no Rio, não para participar de missas, mas para meditar. Tenho algumas favoritas como a da Lampadosa, N.S. do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, Santa Luzia, a maioria no centro histórico e algumas perto de casa. Uma delas virou notícia há alguns dias: a Igreja dos Santos Anjos no Leblon, por causa de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, que chorou. O fenômeno, presenciado pela maioria das 40 crianças presentes e alguns adultos que participavam da cerimônia, no final da tarde do último sábado, foi registrado em fotos. O fato teria acontecido durante missa em que a santa foi coroada. Inicialmente, concentrados na missa e aturdidos pelos “cupins do calor” que invadiram a templo, ninguém percebeu o fenômeno, a não ser as crianças de 9 anos de idade que fazem catecismo.

Chorando, a pedagoga Cláudia Talesfero, 45, e o marido, o advogado Gilmar Talesfero, 49, que moram no Méier, na Zona Norte, foram de manhã à missa na paróquia e, assim como dezenas de pessoas, fizeram questão de visitar a imagem. “É emocionante”, comentou Cláudia.

Depois da missa, ninguém mais viu mais o líquido na rosto da santa.

Segundo o padre Marcos Belizário, não é a primeira vez que paroquianos da Igreja dos Santos Anjos, na Avenida Afrânio de Melo Franco, viram algo incomum durante as missas. No dia 27 de setembro de 2009, durante a celebração, vários fieis avisaram o pároco que viram o rosto de Jesus Cristo projetado no altar.

O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, vai mandar investigar a suposta lágrima que teria brotado do olho direito da imagem de Nossa Senhora da Conceição.  Para o assessor de imprensa da arquidiocese, Adionel Carlos da Cunha, “é certo que houve, de fato, algo fora do normal, que carece de ser estudado”.

Os Apócrifos da Bíblia, parte I

“Se manifestarem aquilo que têm em si, isso que manifestarem os salvará. Se não manifestarem o que têm em si, isso que não manifestarem os destruirá.” Jesus, O Vivo.

O rosto de Jesus segundo Sai Baba

Hoje conversando com um amigo sobre os Apócrifos (Apocryphom literalmente livro secreto) da Bíblia, ou Evangelhos Gnósticos, pensei em criar uma nova série de postagens, dessa vez selecionando trechos de vários apócrifos, que divergem da doutrina oficial.

A história é essa: em 1945, o camponês Muhamad Ali Salmman, encontrou um grande pote vermelho de cerâmica, contendo treze livros de papiro encadernados em couro em uma pequena localidade no Alto Egito em Nag Hammadi. No total descobriram cinquenta e dois textos.  Os papiros encontrados em Nag Hammadi, tinham cerca de 1.500 anos, e eram traduções em copta de manuscritos ainda mais antigos feitos em grego e na língua do Novo Testamento, como constatou-se, ao verificar que parte destes manuscritos tinham sido encontrados em outros locais, como por exemplo alguns fragmentos do chamado Evangelho de Tomé. As datas dos textos originais estão estimadas entre os anos 50 e 180, pois em 180, Irineu o bispo ortodoxo de Lyon, declarou que os hereges “dizem possuir mais evangelhos do que os que realmente existem”.

A primeira linha traduzida do copta foi: “Essas são as palavras secretas que Jesus, O Vivo, proferiu, e que seu gêmeo, Judas Tomé, anotou”.

Acredita-se que os manuscritos foram enterrados por volta do século IV, quando na época da conversão do imperador Constantino, os bispos cristãos, passaram ao poder e desencadearam uma campanha contra as heresias. Então, algum monge do mosteiro de São Pacômio, nas cercanias de Nag Hammadi, tomou os livros proibidos e os escondeu no pote de barro, onde permaneceram enterrados por 1.600 anos.

  Além dos Evangelhos (ensinamentos atribuídos a Jesus Cristo através de seus apóstolos) outros textos compõe o legado de Nag Hammadi, de cunho teológico e filosófico.

Pôncio Pilatos

RELATÓRIO DE PONCIO PILATOS A TIBÉRIO CÉSAR

 Relatório de Pilatos enviado a Tibério César sobre o novo personagem que surgiu em Jerusalém:

 Excelência: O relatório que lhe farei procede do fato de sentir-me coibido pelo temor e pelo tremor. Pois já sabeis que nesta província que governo, única entre as cidades quanto ao nome de Jerusalém, o povo judeu em massa entregou-me um homem chamado Jesus, acusando-o de muitos crimes que não puderam demonstrar com suficientes razões. Havia entre eles uma facção sua inimiga porque Jesus dizia-lhes que o Sabbath não era dia de descanso nem de festa para ser guardado. Ele, efetivamente, operou muitas curas nesse dia: devolveu a visão a cegos e a faculdade de andar a coxos; ressuscitou os mortos; limpou os leprosos; curou os paralíticos, incapazes de ter impulsos corporais ou ereção de nervos, mas somente voz e articulações, dando-lhes forças para andar e correr. E extirpava qualquer enfermidade somente com o uso de sua palavra.

 Outra nova ação mais assombrosa, desconhecida entre nossos deuses: ressuscitou um morto de quatro dias somente dirigindo-lhe a palavra; e é de se notar que o morto já tinha o sangue coagulado e estava putrefato por causa dos vermes que saíam de seu corpo e exalava um mal cheiro de cão. Vendo-o, então, imóvel como estava no sepulcro, ordenou que se levantasse e corresse; e ele, como se não tivesse um mínimo de cadáver, mas fosse como um esposo que sai do quarto nupcial, assim saiu do sepulcro, transbordante de perfume. E a alguns estrangeiros, totalmente endemoniados, que moravam nos desertos e comiam suas próprias carnes, conduzindo-se como bestas e répteis, também a eles tornou-os honrados cidadãos, fê-los prudente com a sua palavra e preparou-os para serem sábios, poderosos e gloriosos e para confraternizarem com todos os que odiavam os espíritos imundos e perniciosos que habitavam neles anteriormente, os quais arremessou nas profundezas do mar.

O verdadeiro rosto de Jesus?

 Além disso, havia outro que tinha a mão seca. Melhor dizendo, não somente a mão, mas toda a metade do seu corpo estava petrificada, de maneira que não tinha nem a figura de um homem nem dilatação de músculos. Também este foi curado com somente uma palavra e ficou sadio.

 Havia uma outra mulher com problemas hemorrágicos, cujas articulações e veias estavam esgotadas pelo fluxo de sangue, a tal ponto que já nem sequer se podia dizer que tinha um corpo humano mais se assemelhava a um cadáver. Havia ficado até sem voz. Tal era a gravidade de seu estado que nenhum médico do território encontrou uma forma de curá-la ou sequer de lhe dar uma esperança de vida. Certa vez Jesus passava por ali em segredo e a mulher, retirando forças da sombra dele, tocou, por detrás, a fímbria de sua túnica. Imediatamente sentiu uma força que preenchia seus vazios e, como se nunca tivesse estado doente, começou a correr agilmente em direção à sua cidade, Cafarnaum, caminhando de tal forma que quase igualava qualquer pessoa que percorresse de uma só vez seis jornadas.

 Isto que acabo de relatar com toda a ponderação, Jesus fez num Sabbath. Além disso, operou outros milagres maiores do que estes, de maneira que chego a pensar que suas façanhas são superiores àquelas que fazem os deuses venerados por nós.

 Este, pois, é aquele a quem Herodes, e Arquelao, e Filipo, Anás e Caifás, entregaram-me para que eu o julgasse. E assim, embora sem haver constatado de sua parte nenhum tipo de delito ou má ação, mandei que o crucificassem depois de submetê-lo à flagelação.

 E enquanto o crucificavam sobrevieram algumas trevas que cobriam toda a terra, deixando o sol obscurecido em pleno meio-dia e fazendo aparecer as estrelas, as quais não resplandeciam; a luz parou de brilhar, como se tudo estivesse tingido de sangue, e o mundo dos infernos foi absorvido; e, com a queda dos infernos, até mesmo o que era chamado santuário desapareceu da vista dos próprios judeus. Finalmente, pelo eco repetido dos trovões, produziu-se uma fenda na terra.

 E quando ainda o pânico se fazia sentir apareceram alguns mortos que haviam ressuscitado, como testemunharam os próprios judeus, e disseram ser Abraão, Isaac, Jacó, os doze patriarcas, Moisés e Job, e, como eles diziam, os primeiros dos que haviam falecido três mil e quinhentos anos antes. E muitíssimos deles, que eu também pude ver que apareceram fisicamente, lamentavam-se por sua vez, por causa dos judeus, pela prevaricação que estavam cometendo, pela sua perdição e pela perdição de sua lei. O medo do terremoto durou desde a sexta até à nona hora da sexta-feira. E, ao chegar a tarde do primeiro dia da semana, ouviu-se um eco vindo do céu, que por sua vez adquirira um resplendor sete vezes mais vivo que todos os dias. Na terceira hora da noite chegou a aparecer o sol, brilhando mais que nunca e embelezando todo o firmamento. E da mesma forma que no inverno os relâmpagos sobrevêm de repente, assim também apareceram, subitamente alguns varões, excelsos pelas suas vestes e pela sua glória, que tinham vozes semelhantes ao soar de um enorme trovão, dizendo: “Jesus, o que foi crucificado acaba de ressuscitar. Levantai do abismo aqueles que estão presos nas profundezas do inferno”. E a fenda da terra era tamanha que parecia não ter fundo, já que deixava ver os próprios fundamentos da terra, entre os gritos daqueles que estavam no céu e passeavam fisicamente no meio dos mortos que acabavam de ressuscitar. aquele que deu vida aos mortos e acorrentou o inferno dizia: “Dai este aviso aos meus discípulos: Ele segue à vossa frente até a Galiléia. ali poderão vê-lo”.

 Durante toda aquela noite a luz não deixou de brilhar. E muitos dos judeus pereceram absorvidos pela fenda da terra, de maneira que no dia seguinte grande parte dos que haviam estado contra Jesus já não estavam ali. Outros viram aparições de ressucitados que nenhum de nós havia visto. E em Jerusalém não ficou nem uma só sinagoga dos judeus, pois todos desapareceram naquele terremoto. Assim, estando fora de mim devido àquele pânico e tolhido ao extremo por um horrível tremor, fiz para vossa excelência o relatório escrito do que meus olhos viram naqueles momentos. E, além disso, rememorando o que os judeus fizeram contra Jesus, remeto este relatório à vossa divindade, oh Senhor!”.

Advogado carioca se comunica com a Virgem

Imagens da Virgem fotografadas na igreja de SANTO ELESBÃO E SANTA IFIGENIA no centro do Rio, uma igreja de escravos.

Vídeo do texto abaixo: http://www.facebook.com/video/video.php?v=10150195667594301

Muitos pontos me tocaram, como espectador, filho, amigo e discípulo de Fátima nessa entrevista do advogado Pedro Siqueira (para o programa da Ana Maria Braga) que mantém contato com a Virgem desde criança, mas um detalhe me chamou a atenção: Nossa Senhora pode se manifestar através de um simples fenômeno como a chuva…

Sabe o que acho mais fascinante dessa história toda? Cada um, dependendo de vários fatores (educação, compreensão, fé, religião etc) tem uma perspectiva muito própria do fenômeno. Creio que cada um de nós reinterpreta e vive o fenômeno à sua imagem e semelhança: se você é criativo, os fenômenos também o serão. Como o advogado Pedro Siqueira é muito católico, o fenômeno também é muito católico. Mas nenhuma das formas de contato pode ser considerada certa ou errada: são extensões da mesma luz, da mesma fonte.

Há um depoimento nesta entrevista, de uma moça, a última a falar, que presenciou juntamente com o grupo em Fátima, Portugal,  uma cruz surgida do céu com raios vermelhos, e uma auréola que cercava o sol… Na entrevista há uma foto dessa depoente no mesmo local em Fátima onde tive a honra, o prazer e a emoção de ter tido contato com a Virgem, em uma fase muito confusa da minha vida, em uma fase na qual eu precisava ardentemente me desligar do velho, da roupa velha para me despir, me deixar nu e aí sim poder me reencontrar com quem eu havia me esquecido que era. E esse processo dura até hoje, é um caminho progressivo, contínuo e maravilhoso. E graças a Deus, sem retorno: sempre à frente e com a Virgem.

A Lua do Buda

Depois dizem que esse negócio de Lua Cheia não significa nada…

Bem, e qual é o significado de uma Lua Cheia com bastante Chuva? Te parece estranho o brilho da lua com uma boa torrente de água celeste? Que nada!, isso é bom sinal e bota bom nisso: o encontro desses gigantes naturais causou, de fato, a mais pura emoção em mim, mostrou-me mais uma vez que não há “coincidências”.

 A Lua do Buda, a lua espiritual se manifestou com toda a força na terça, dia 17 de maio, com uma energia poderosa. De amor.

Diz a lenda que a iluminação do Buda se deu nesta lunação, que representa o espírito fecundando a matéria. Diz a lenda de Wesak que nesta data ocorre uma bênção espiritual do plano espiritual à Terra. O Céu penetra a Terra e a fecunda. Esta bênção acontece uma vez ao
ano, na Lua Cheia em Escorpião e Sol em Touro: a Lua Cheia da iluminacão do
Buda.  Esta lunação traz a oportunidade de compreendermos profundamente os porquês de nossas atitudes e sentimentos, o porquê de nossas escolhas.

É preciso mais do que nunca atentar aos detalhes, valorizar as pequenas coisas, se quisermos ver de fato as grandes.


É óbvio que sincronicidades ocorreram em abundância sob a noite lunar de hoje, mas dessa vez, a SINC se manifestou na forma de encontros com pessoas conhecidas e desconhecidas.  Certamente, tudo tem uma explicação, pouco racional e muito emotiva, mas tem.

Pois bem,  encontros só são possíveis devido a um intrincado sistema de escolhas (nossas) entre mil opções mais as possibilidades que o universo de Minotauro nos dá. Você cruza com alguém na rua porque ambos têm uma espécie de magnetismo que nos faz tomar as decisões “corretas” ou “erradas” para encontros e desencontros mil.

Vamos do início: hoje, choveu quase o dia inteiro.

Fui dar uma aula no bairro X a convite de um técnico que trabalhava no estúdio Y. Tudo correu bem, mas a chuva causou atrasos e passei da hora. Depois da aula, voltei para casa.

Cheguei em meu bairro bem atrasado, devido às ruas engarrafadas e inundadas.

Este é quase o final do meu dia, mas antes de contar o que tenho de contar, voltarei alguns dias no tempo.

 Um bom amigo foi pai nesta semana. Ele escolheu um nome bíblico para o filho, João, e passou uma tarde comigo lendo o trecho da Bíblia que tece comentários sobre o nome santo. Deus o brindou com essa incrível experiência em vida, de ser pai, e ele escolheu João, nome do livro favorito da Bíblia de muitos, que conta a história e os ensinamentos de Jesus após o seu batismo. Ele teve esse filho depois de uma experiência pessoal complicada, que ocorreu durante a catástrofe no interior do Estado do Rio em Janeiro deste ano. Uma grande amiga dele faleceu, com a maior parte da família dela, nesse acidente. Agora, 4 meses depois, – pois parece que janeiro está lá atrás: faz uma eternidade -, meu amigo é brindado com a paternidade, suas consequências e o natural amadurecimento. De fato, há equilíbrio em tudo: após a morte, surge a vida, não há fim, há um novo início e onde há dor há alegria.

Hoje, chegando em casa à noite, com a chuva estiando, cruzo a rua pela faixa de pedestres tendo ao meu lado, a mãe do amigo que acabou de ser pai, mãe essa que não conheço, apenas por fotografias. Vesti a cara de pau e me apresentei, atravessando a rua, sem esperar chegarmos à calçada. Ela sorriu expansivamente e falou que o meu amigo está translumbrante. Achei curioso conhecê-la dessa forma, em movimento. Dois quarteirões depois, quase à porta de casa, uma pessoa escondida entre dois prédios, bem oculta para falar a verdade, me pergunta, assim que passo por ela: “Não conhece os amigos, mais não é?”

Me viro e vejo que quem havia feito a pergunta era um velho conhecido, o ex-sócio do estúdio Y , que não via há alguns anos. (Lembre que lá em cima, citei que fui dar aula hoje a convite de um ex-técnico do mesmo estúdio.) E eu gosto muito dele, assim como gosto do meu amigo que foi pai, e como gosto do amigo que me recomendou a aula no bairro X. Achei mais curioso ainda, encontrar essas duas pessoas em uma noite chuvosa, após tantos atrasos que ocorreram durante o dia por causa da chuva torrencial que abrasou a cidade. Fora que nenhum deles mora em meu bairro. Só foi possível encontrá-las, porque me atrasei, me “perdi”, o ônibus atrasou, a cidade estava engarrafada e me desviei do caminho previamente estabelecido.

Por fim, perguntei ao ex-dono do estúdio: “Onde você está morando?”

“No bairro X”, ele respondeu.

“O bairro de onde vim, que coisa…”, refleti.

Ah… E o nome de um dos novos alunos é João, o mesmo nome do recém-nascido filho do outro querido amigo, e o nome do outro novo aluno é Pedro, um outro apóstolo. É brincadeira?

A chuva, que seria, em tese, um elemento desagregador, desestruturador, que tira as pessoas da rua, serviu para unir, iniciar etapas, simbolizar a emoção dos encontros.

Ou seja: NÃO há atraso; NÃO há erro; NÃO há MÁ chuva; NÃO há engarrafamento; NÃO há desvio; NÃO há mudança de rumo.  SÓ HÁ, O QUE HÁ. E TUDO O QUE É, É BOM E BELO.

A vida é bela, assim como a Lua do Buda e a Chuva dos Céus.

Grandes Enigmas da Humanidade

 

Em busca de respostas, a humanidade tem esculpido há séculos a grande pedreira que une razão, ciência, ficção e superstição. A resultante nem sempre tem agradado, porque no final das contas, “todos queremos acreditar”, como se precisássemos desesperadamente preencher a nossa alma com o inexplicável, como se o mito fosse o único elemento capaz de perpetuar os nossos próprios desejos de galopar o impossível.

Por isso toda explicação racional nem sempre é bem-vinda.

E mitos existem aos montes, aos milhares, há séculos e quanto mais inexplicáveis, mais apaixonantes se tornam.

Grandes Enigmas da Humanidade

Grandes Enigmas da Humanidade (360 páginas – capa dura) lançado pela Larousse oferece uma boa parte dessas explicações. A capa dessa enciclopédia de mistérios exibe uma das famosas “áreas de pouso” para discos voadores em Nazca ao sul do Peru. Será? O livro descarta a hipótese ufológica e prefere assentar as explicações nas palavras dos arqueólogos que acreditam que os desenhos se referem a equinócios e solstícios ou a um calendário meteorológico, mas em compensação logo depois, o livro inclui a declaração do chefe do FBI, Edgar Hoover de que o exército havia “cravado as unhas” nos “discos recuperados” e que por causa disso, não lhe davam pleno acesso à informação.

 

Escrito por diversos autores franceses, e obviamente focando muitos fatos ocorridos na França (há um capítulo inteiro pra essa tarefa: os ancestrais franceses), a obra se divide em 12 capítulos: Entre mito e ciência; os mistérios da Bíblia e do cristianismo; O significado oculto revelado; Nas garras do diabo; No centro dos fenômenos paranormais; Criaturas e animais extraordinários; Nos segredos das língua, dos povos e das culturas; Construções misteriosas; Mistérios da história da França, Pretendentes e impostores; na sombra da história e Dramas modernos.

Assuntos, os mais variados, são tratados de forma objetiva e em alguns casos, para eventos inexplicáveis, o texto apresenta as teorias. Diferentemente de livros do gênero, o Enigmas trata, também, de polêmicos assuntos da história europeia.

Maias

A obra discute se o modelo inacabado do big bang ainda serve com explicação para a origem do universo; se a panspermia (hipótese da vida na Terra ter nascido de organismos extraterrestres) referenda a vida como consequência da queda dos meteoritos (muitos ricos em carbono e água); se houve o dilúvio como descrito na Bíblia e quem a escreveu (o século XVII o filósofo Baruch Spinoza questionou racionalmente a origem dos textos sagrados) e se há explicações plausíveis para os prodígios do livro sagrado (ressureição, travessia do Mar Vermelho, as dez pragas do Egito); os manuscritos do mar morto; onde realmente fica o túmulo de Cristo (que se trataria de um arcosolium, uma mesa encimada por um arco abobadado, sobre o qual se depositava o cadáver); onde ficava o reino do padre João Presbítero, um soberano cristão que havia derrotado os muçulmanos em 2 dias em 1141; onde fica de fato a sepultura de São Pedro; se o Sudário de Turim é real (exames feitos em outubro de 1978 detectaram vestígios de sangue do grupo AB); se houve um papa mulher; quem era o conde de Saint-Germain, figura que encantou Paris entre 1758 e 1760 (uma interessante história conta que o duque de Choiseul, que o detestava, contratou Gauve um comediante para se passar pelo conde e que contava a todos que havia bebido com Alexandre, o Grande; comido nas bodas de Canaã e que conhecendo pessoalmente Jesus o alertara sobre uma morte abominável, o que ao invés de ridicularizar Saint-Germain, o fez mais famoso); fala sobre os rosa-cruzistas; astrologia, profecias e adivinhações feitas no passado; Nostradamus; Nicolas Flamel e a pedra filosofal; Cagliostro e a franco-maçonaria egípcia; Mesmer e a hipnose; a confraria secreta, a Liga da Corte Sagrada que julgava todo tipo de delitos e que impunha suplícios atrozes aos réus no fim da Idade Média; as bruxas de Salém; os comedores de múmias (os europeus chegaram a  consumir múmias em pedaços, como se fosse remédio, na forma de uma pasta escura e como pó desde o fim da Idade Média até o século XVI).

As pirâmides que vos contemplam

O fantasma de Ana Bolena; combustão espontânea e o poltergeist (espíritos batedores); a premonição sobre o fim do Titanic antecipada em detalhes pelo escritor norte-americano Morgan Robertson catorze anos antes (Robertson escreveu sobre o “maior navio já construído pelo homem”  e nomeou-o Titan); as mesas girantes das irmãs Fox e o médium voador Daniel Dunglass Home no final do século XIX; a experiência de invisibilidade feita com um escoltador da marinha americana na Experiência Filadélfia em 1943; Gilles de Rais, marechal da França aos 25 anos e companheiro de Joanna D´Arc executado pelos crimes de homicídio, magia negra e sodomia em 1440; casos de crianças criadas por animais; o Yeti, o homem das neves; sereias, lobisomens e vampiros; a incompreendida língua etrusca; os intocáveis na Índia; foram os bascos salvos do dilúvio?; as Amazonas; a torre de Babel; onde se localizava a Atlântida; os alinhamentos de Carnac (o caminho formado por menires isolados poderiam ter sido vários observatórios?); Stonehenge (apesar das divergências entre astrônomos e arqueólogos, a precisão dos locais de  megálitos  é muito grande para ser obra do acaso); as estátuas da ilha de Páscoa (mil delas, os moais, habitam na ilha; as pirâmides (o primeiro ocidental a penetrar na grande pirâmide no Egito foi o coronel britânico Howard Vyse em 1830, que abriu os corredores obstruídos com dinamite); o desaparecimento dos maias (o ápice da sua civilização se deu entre 625  a 800 d.C.); os reis franceses poderiam curar com o toque de suas mãos?; os cátaros (reencarnacionistas e “heréticos”, massacrados pela Santa Inquisição no século XIII, acreditavam que o mundo foi criado pelo demônio); Napoleão foi envenenado com arsênico?; a dançarina holandesa Mata Hari fuzilada na Primeira Guerra em 1917 espionava para os inimigos alemães? (como ninguém reclamou o corpo, após o fuzilamento, foi entregue à faculdade de medicina para dissecação); o misterioso Kaspar Hausar que ficou trancafiado 16 anos em uma casa no século XIX poderia ter sido filho de Stephanie de Beauharnais, filha adotiva de Napoleão?).

Objeto não identificado

Joana d´Arc escapou da fogueira? (com a cabeça coberta por uma mitra que a deixava irreconhecível, muitos acham eu a verdadeira Joana não foi queimada em 1431);.o czar russo Alexandre I teria sumido e assumido a personalidade de um vagabundo chamado Fedor Kusmitch?; os mistérios de Nefertite (Semenkhare, o faraó co-regente seria Nefertite?); Ramsés III foi assassinado por suas mulheres?; Tutancâmon e os 27 mortos que participaram direta e indiretamente da abertura de sua tumba; a guerra de Troia realmente aconteceu?; Homero existiu?; os fenícios estiveram na América do Sul? (mais exatamente na Paraíba, dois mil anos antes da descoberta do Brasil); Nero pôs fogo em Roma?; o Rei Arthur existiu?; a filha de Nicolau II sobreviveu ao massacre da família real russa?; Hitler era influenciado por sociedades secretas?; o que aconteceu com o cadáver do führer?; por que assassinaram Kennedy?; os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos foram forjados?