Tragédia anunciada (Santa Maria e Niterói)

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A tragédia na boate em Santa Maria, Rio Grande do Sul, com 231 vítimas no domingo dia 27 de janeiro, expõe mais uma vez a nossa desorganização. Parece incrível, mas o corpo de bombeiros local havia autorizado o funcionamento da casa noturna, conhecida como “arapuca”. Mas esta postagem se refere a outra tragédia: a do Gran Circus Norte-Americano em Niterói em 17 de dezembro de 1961, na qual morreram cerca de 500 pessoas. Na maior parte, as matérias jornalísticas sobre o incêndio em Santa Maria citaram essa outra tragédia, ocorrida há um pouco mais de 50 anos.

Um antiquário veio aqui em casa em novembro de 2010, comprar um antigo quadro sobre o incêndio do Circo em Niterói. O quadro ficou parado no mesmo lugar por mais de 3 décadas, só saindo daqui em função dessa venda. Conversando, soube que o antiquário estudara na mesma faculdade que eu, nos mesmos anos. Logo depois, ele me contou sobre o irmão, que tocava violão e que havia acabado de comprar um instrumento novinho.

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“Não existem coincidências”…

2 dias depois que o antiquário esteve aqui, exatamente no dia 30 de novembro de 2010, fui ao show de um amigo. Na entrada, ganhei uma revista de História da Biblioteca Nacional de brinde. Ao folheá-la, vi uma matéria sobre o incêndio em  Niterói, exatamente o mesmo tema do quadro. A coincidência me chamou a atenção. A primeira sensação que tive é que o quadro “se foi” na hora certa. Não era mais para estar comigo. Porém, refletindo um pouco mais, achei que havia algo nessa partida relacionado à morte.

No  primeiro dia de dezembro de 2010, logo depois do show, o antiquário me disse que o seu jovem irmão havia morrido em um acidente de carro.

Matéria da Revista de História sobre o incêndio no Circo em 1961.

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Os Mortos Falam

Sonhos, ou projeções inconscientes, são armas poderosas de contato entre o mundo tridimensional e o lúdico. Nas últimas semanas, tive alguns sonhos com desencarnmados. Pessoas próximas, de outros Estados inclusive, me ligaram para relatar seus sonhos comigo, sonhos esses de quem não conhece minhas intimidades, mas que foram descritas com minúcia.

Dois mortos entraram em contato comigo, um de forma mais direta, me avisando sobre sua morte e outro, de forma indireta.

1 – Primeiro foi o artista chileno Jorge Selarón que ficou famoso mundialmente por ter enfeitado uma escadaria do bairro da Lapa no Rio de Janeiro com ladrilhos e ter feito o dia-a-dia das pessoas mais feliz. No sonho, ele conversou comigo, um pouco assustado, olhando para os lados, como que temendo a presença de alguém. Dois dias depois do sonho, o seu corpo apareceu queimado – e eu não o conhecia. Até agora não sabem se foi “suicídio” ou se “ele se matou”, desgostoso da vida. O único link que poderia haver entre ele e eu é a arte, pois eu nunca conversei com ele pessoalmente e nem frequento a Lapa, que sinto como um local de vibrações muito baixas. O único recado que ele me deu durante o sonho foi a antecipação de sua morte ou o temor de que ela poderia ocorrer. Mas, o que eu poderia ter feito? Ter ido a Lapa conversar com ele?… Me pareceu que no sonho, ele já dava a sua morte como certa. E a última vez que fui à Lapa, tive uma experiência no mínimo surreal: algo para se pensar durante um bom tempo. E quanto à premonição, como se diz, de que adianta avisar alguém sobre um eminente perigo, se ele já está “aqui”; se ele, o perigo, é parte de um processo necessário?

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2 – Há pouco tempo, o ator Walmor Chagas se matou… Não importa as razões, catarata, abandono ou depressão, ele se desfez da vida neste plano. E caso ele tenha sido “suicidado”, isso não importa mais para um corpo cremado. Chagas nasceu em 28 de agosto – o mesmo dia que eu – e morreu com 82 anos (28 ao contrário). Só isso já me chamaria a atenção, ainda mais para quem, como eu, praticou um ritual de morte antes da passagem de 2012 a 2013.

Morte, mesmo que não seja física, é algo que eu objetivo: morte do EU, morte de um passado que já não me serve… Walmor não falou comigo em sonho, a  ligação foi a data de nascimento e uma informação – indireta – que soube dois dias depois. Antes de se matar, ele havia pedido para que as suas cinzas fossem jogadas na Serra da Mantiqueira. Na verdade, as cinzas foram depositas em seu sítio em Guaratinguetá, um município do Estado de São Paulo, localizado na região do Vale do Paraíba. Dois dias antes da morte do Walmor, assisti “sem querer” a um programa na TV Brasil sobre o vale, um programa instigante, diferente, lúdico. O programa Caminhos da Reportagem me chamou tanto a atenção, que o assisti na íntegra. Há pessoas residindo no vale, umas deprimidas, fora de sintonia, outras totalmente adaptadas ao mato, à falta de médicos, a falta de condições, mas cheias de vida. Uns disseram no programa que “tudo ali estava morto“, outros que “ali estava tudo bem”. Uma psicóloga falou sobre fantasmas de escravos em uma antiga Casa Grande da região. Depois, outro personagem falou sobre lobisomens. Enfim, talvez o programa tenha me encantado pela sua diferença de propostas, para quem como eu, vive em uma cidade grande. talvez tenha gostado pois estou cansado dessa correria e barulho, e mais conectado à simplicidade e a um ritmo mais lento, em que se desfruta mais a vida.

Mas havia outra informação, essa subliminar, e antecipada: que “alguém” nascido no meu dia e residindo no vale tomaria  a última das decisões, pelo menos NESTA vida.

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Martin Luther King em seu mais famoso discurso em 28 de agosto de 1963 disse: “Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.”

Caminhos da Reportagem (vale do paraiba)

Em 10 minutos a mais antiga farmácia do Brasil que necessita ser restaurada e não há dinheiro
“Mares de morros” em 19 minutos (o desenvolvimento não chegou lá).
28h30 – ex-atriz que virou doceira e vive em um sitio no qual ela vende doces e aluga para pessoas que acampam as pessoas são mais felizes.
40h30 – escravos.