Nossa vida é um filme

Meu irmão me deu convites para um festival de cinema brasileiro. “Por acaso” o cinema é ao lado de casa, o que facilitou a vida. Como ele mora longe, doou os ingressos ao irmão fissurado em sétima arte. Os filmes foram escolhidos aleatoriamente. Ele apenas “saiu pegando” os convites que via pela frente antes que acabassem. Eu também não procurei muitas informações sobre as películas, apenas administrei meu tempo para assisti-las. Em um dos filmes, o escritor Ariano Suassuna disse qual foi o primeiro filme que ele havia visto na vida: o mesmo desconhecido filme dos anos 1930, que eu havia descoberto na internet há uns 6 anos para utilizar na edição de um vídeo. Ariano havia assistido a um filme “por acaso” para 70 anos depois, eu descobrir o mesmo filme “por acaso”. No momento, estou bem dedicado a escrever sobre o Brasil. Literatura e Brasil parecem uma forte e amorosa conexão com Suassuna.

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Em outro dia do festival, um documentário citou um jornalista, famoso por textos virulentos e matérias polêmicas no século XX: David Nasser.  Lembrei que o mesmo havia tentado polemizar com o médium Chico Xavier. Não sei se todos conhecem a história, relatada no filme de 2010 sobre o espírita, mas Nasser se passou por um jornalista estrangeiro, para entrevistá-lo. Ao fim da entrevista, Chico brinda os dois “gringos” (incluindo o cineasta/documentarista Jean Manzon) com livros autografados. O objetivo da entrevista era desancar o médium, acusando-o de charlatanismo por não ter desconfiado que os jornalistas o haviam enganado. Um tempo depois, Nasser recebe uma ligação telefônica de Manson que pede para que ele leia a dedicatória na primeira página do livro presenteado por Chico. Ao abrir o livro lá estava: “Ao meu irmão David Nasser, do espírito Emmanuel.” O mesmo havia ocorrido com Manson.

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Pronto para mais uma noitada de filmes, dessa vez com a atriz reclusa, Ana Paula Arósio, pensei em rever no dia seguinte, o trecho do David Nasser no filme sobre Chico Xavier. E lembrei-me que a única vez que vi Arósio em carne e osso, foi no Paço Imperial, no centro do Rio, em 2010, quando ela estava gravando uma série para a Globo, com o ator José Wilker.

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Quando os dois passaram por mim, não nego que senti algo, digamos “estranho”. Já escrevi em um texto anterior que o Wilker cruzou a rua junto comigo em 2014 e quando nos olhamos, vi o medo em seus olhos. Logo depois, ele morreu.

Essas lembranças antecedem o ato “final” do festival, “dramático” como uma peça de Shakespeare.

Fui sem quaisquer expectativas para assistir ao filme com Arósio. Na entrada, passei ao lado do ator Nelson Xavier e me perguntei o que ele estava fazendo ali. Nem lembrei que ele havia interpretado Chico Xavier no filme de 2010. Assim que a película teve início, vejo Chico Xavier na tela, ôps, Nelson Xavier e me dou conta do por que o ator estar presente no local. Então, em uma cena, Arósio põe um vinil para tocar. Xavier diz como a música é linda e a capa do LP é mostrada na tela: reconheço o único LP de música erudita que tenho e que “por acaso” não comprei: me foi emprestado há mais de 20 anos e nunca devolvido. Xavier diz no filme: “Que música maravilhosa a de Villa-Lobos e ainda regida por ele!”

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Um dos outros atores do filme é Fernando Alves Pinto, citado em outro texto deste blog (o encontrei na rua após ver o filme Nosso Lar de 2010 e isso me chamou a atenção). Ao estudar a sua vida, tomei conhecimento de sua história de superação. Em 96, ele sofreu um acidente, ficou em coma e perdeu a memória. As aulas de clarinete o ajudaram nesse processo de cura que durou dois longos anos. No momento, também estou passando por um outro processo de superação de uma questão que se desenrola (e me enrola) há pelo menos, 3 anos.

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Houve várias outras “coincidências” no filme, mas não há como citá-las sem transformar este texto em um livro e essa não é a ideia.

Os eventos ocorridos nesta semana parecem ser “a resposta” a vários desdobramentos anteriores, de anos e décadas atrás. Prefiro não afirmar categoricamente que tenho “certeza” que a conclusão seria essa ou aquela, ou que exista destino, até porque não imagino o que está sendo negociado no plano do subconsciente. É saudável não ter absolutas certezas e é muito mais saudável estar liberto.

Medo, escolhas e convenções sociais.

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O texto de hoje fala sobre o medo, escolhas e convenções sociais, as pequenas mentiras que perpetuamos, principalmente, pelo receio de sermos criticados.

Muitas vezes, falo de minha vida pessoal como um livro aberto. No período adolescente me preocupava com o julgamento alheio, pois eu tinha uma visão, adequada à idade e ao conhecimento que possuía na época. Já ouvi pessoas próximas a mim me confidenciarem que eu não deveria fazer isso. Mas se eu iniciei este blog é para repartir experiências. Aqui, de alguma forma, contribuo.

Grande parte da minha família se foi a partir da segunda metade da década de 2000. Certamente foi um ritual de passagem para quem, como eu, aos 10 anos, nunca imaginaria que as pessoas desencarnassem. Não fui educado para as mudanças. Aprendi sozinho.

Antes de desencarnar, minha mãe dizia que não queria morrer porque tinha receio do que pudesse acontecer comigo, por eu não ter um emprego formal e nem família. Estabilidade. Para ela (como para muitos) se não se tem um salário e filhos você nada tem. Eu argumentava, desde a adolescência, que essas coisas poderiam dar estabilidade, mas que não garantiriam a paz duradoura e nem o conhecimento interior. Ela nunca respeitou meu ponto de vista, apesar de minha própria mãe ter um emprego que não propiciou-lhe um final de carreira digno – ao ficar doente – e nem ter meu pai como companheiro fiel – inclusive na doença . Meu pai era um homem falador, cheio de amantes e que não escondia a infidelidade – sumia de casa por mais de uma semana e nada dizia ao voltar -, apesar de minha mãe aparentar ter uma vida equilibrada.

Nos anos 90, em uma aula de astrologia, de leitura de mapas, a professora leu o meu mapa natal para a turma. Ela permaneceu algum tempo calada, de costas para a classe. Depois se virou para mim, e disse: – Eu não queria ter nascido com o seu mapa, mas Deus sabe o que faz. Ele só dá a cruz a quem consegue carregá-la.

Como se fosse pouco, ela completou: – Somente a verdade poderá salvá-lo do que está por vir. Jamais falte com a verdade, ela é o seu escudo, e está gravada em seu nome e no seu mapa. Erga o escudo e bata alto as asas de águia.

Essa análise ocorreu no mesmo período em que fui sagrado em uma Ordem como Mestre da Chama Violeta. Parece coisa bonita e grandiosa, digna de um grande merecedor, mas também ouvi de uma “entidade” acoplada ao corpo de um dos médiuns: – Você foi sagrado nessa chama porque a sua missão é a mais difícil deste grupo. É uma escada que deve ser subida degrau a degrau.

Não posso negar que saí um pouco convencido e assustado com as duas mensagens. Hoje, 20 anos depois, agradeço por cada “tragédia” que vivi, por cada “traição” da qual fui “vítima”, por cada “erro” que cometi, por cada “acerto” e por cada “descoberta”. Quando olho para trás, agradeço por quem sou, e pelo o que ocorreu. Curiosamente, nada do que vivi parece real, tudo parece ter sido um sonho, não sinto como se tivesse sofrido na carne. Hoje toda a experiência anterior está introjetada e mimetizada em mim, e continuo aprendendo. A vida é eterna. Vivo e acredito no poder da percepção, na vontade e desejo do guerreiro de usar o coração e a espada quando necessários. Somos frutos de todas as experiências passadas, presentes e futuras, mas não adianta teorizar, temos que vivê-las e fazer escolhas para que possamos aprender. Sem risco não há possibilidade de nos tornarmos anjos. Anjos não são apenas criaturas de luz, são conhecedores da chama e da responsabilidade do que carregam.

Não sou especial e nem vim de Marte, mas desde muito novo, tenho tido experiências tão humanas como fora do normal. Tanto lido com o físico como com o inconsciente,e  como disse, ousando, errando, acertando, caindo, me erguendo. Não há melhor mestre.

O equilíbrio entre o que “deve ser feito” ou o “que podemos fazer” é tão sutil, como caminhar em papel de arroz. Não estamos sós em qualquer dos mundos e toda ação sempre gera uma reação. Como diz o Budismo, a vida é impermanência.

Em paz, agradeço.

Somos aquilo que possuímos. O homem que possui dinheiro é o dinheiro. O homem que se identifica com a propriedade é a propriedade, ou a casa ou o mobiliário. Analogamente com ideias ou com pessoas, e quando há possessividade, não há relação. Mas a maioria de nós possui porque nada mais temos se não possuirmos. Somos conchas vazias se não possuirmos, se não preenchermos a nossa vida com mobiliário, com música, com conhecimento, com isto ou com aquilo. E essa concha faz muito barulho, e a esse barulho chamamos de viver, e com isso ficamos satisfeitos. E quando há uma interrupção, um separar-se disso, então há sofrimento porque nessa altura subitamente você se descobre a si mesmo tal como realmente é – uma concha vazia, sem muito significado.

Krishnamurti, The Collected Works vol V, p 297

J.Krisnamurti, The Book of Life

Premonição

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Um amigo lembrou do seu antigo professor de educação física da época do colégio, que não via há várias décadas.  Ele me perguntou se uma lembrança, sem motivo aparente, poderia significar algo. Disse que dependia do caso, mas que provavelmente haveria alguma ligação, de alguma espécie, com o professor. “Mas eu nem me dava com ele!”, o amigo exclamou. “A gente nunca sabe…”, respondi.

De onde acessamos essas lembranças e por quê? Por qual motivo? A memória inconsciente pode não fazer parte do HD que carregamos conosco (o cérebro físico). Se guardássemos todas as memórias, alegrias e tristezas em nosso cérebro, talvez este HD interno explodisse. Então, o cérebro parece servir mais a propósitos próximos e práticos, para que lembremos e acionemos os dados mais pertinentes e necessários a nossa sobrevivência. As outras memórias – conscientes ou não – ficam gravadas em um HD universal externo ilimitado que pode ser acessado em determinadas circunstâncias.

O amigo nunca parou para se preocupar com essas coisas, sempre me diz que quando eu falo sobre isso, ele se assusta um pouco e que “é demais para a cabeça dele.”

Menos de uma semana depois de nossa conversa, o amigo me liga desesperado: ele havia recebido uma carta enviada pelo colégio comunicando a todos os ex-alunos, o falecimento do professor de educação física.

A CARTA DA MORTE

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Tenho por hábito tirar uma carta (dos arcanos maiores) de tarot, de manhã cedo, para que no final do dia, eu possa estabelecer uma correlação entre o arcano e o “resultado” (e a devida compreensão) das 24 horas. Muitas vezes, fico semanas sem tirar uma carta, ainda sentindo que a leitura dada pelo arcano, ainda não se desfez.

Esta postagem comenta uma carta do jogo de tarot, tirada “ao acaso”, e que me fez pensar mais uma vez sobre a vida. E a morte.

A partir dos 20 anos, realizei muitas coisas, e apesar dos conflitos internos, e das divergências. Ainda desejava realizar algo “dentro” deste mundo, realizações mais externas do que internas, por assim dizer. A década de 90 foi um período de estudos esotéricos, fenômenos e participação em  fraternidades e grupos espiritualistas. E comparativamente, o eu de hoje, ao analisar o eu do passado, “o vê” como um “produto do seu tempo” ou do tempo “dele”.  A cada nova década de vida, e principalmente após os 40 anos, deixei de acreditar em muitas coisas, e incrivelmente o mundo se tornou mais mágico.

Hoje, espero menos do mundo e das pessoas. Essa grande diferença – aprendida a duras penas, não nego  – é um dos caminhos para o desapego.

Esqueci de falar… Tirei a carta da morte.

Para quem a vivencia, a carta da morte é mais do que uma chance para mudar: é simplesmente a morte do que já não tem vida, é o fim do que não é mais necessário, do que não existe. Se recebemos a morte de braços abertos, ela apenas se comporta como um farol que alerta os navios para que não se percam no mar. Caso, se deseje correr da morte, aí sim, talvez o seu navio se choque nas rochas e afunde.

XIII-Morte

O alcance da morte é inusitado, pode não ter nada a ver necessariamente conosco, mas com as escolhas que fazemos e o universo criado – por nós – a nossa volta.

Vivenciei várias “mortes” nesta última semana, após a leitura da carta.

1 – Na última postagem falei sobre um parque público, no qual fui meditar há uma semana. Há uma belíssima mansão no local, cujo proprietário a mandou erigir na metade do século XX, para a mulher, uma cantora de ópera italiana. Ao estudar a história do parque, e da casa, encontrei o seguinte trecho:  “A escritora Marina Colasanti é sobrinha-neta de Gabrielle, a dona da casa.”  Marina é irmã do ator Arduíno Colasantique faleceu há 3 dias.

2 – No final de semana, assisti a uma entrevista do cantor Alceu Valença, na qual ele citava o violonista Paco de Lucia. Hoje, 3 dias depois, Paco falece no México.

3 – Há um vídeo na internet sobre o bate-boca entre um cineasta e um manifestante vestido de Batman, na porta de um shopping no Rio de Janeiro.

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O encontro ocorreu há mais ou menos um mês. Há duas semanas encontrei esse cineasta na esquina de casa e batemos um papo. Anteontem, antes de dormir, dei uma zappeada nos canais e vi que iria ser exibido um filme bem conhecido desse cineasta. Decidi assisti-lo. Um dos personagens era um vovó que não falava e que estava sempre em sua cadeira de rodas, assistindo a TV. Certa noite, os netos o encontram morto na sala: havia falecido em frente à TV… Um dos atores deste (grande) filme era o (também grande) Guará Rodrigues, que trabalhou em várias produções do cinema novo.

Guará Rodrigues
Guará Rodrigues

4 – Semana passada fui assistir à restauração do filme “Copacabana Mon Amour” de Rogério Sganzerla. Um dos atores que participaram do filme era o Guará Rodrigues.

Helena Ignez e Guará Rodrigues
Helena Ignez e Guará Rodrigues

Fiquei com a pulga atrás da orelha, nem sei direito o porquê e me meti a pesquisar ontem sobre o Guará. Para meu espanto, descobri que há alguns anos, ele foi encontrado morto, assistindo à TV… 

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O DEZ DE COPAS

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As experiências sincronísticas são como pérolas que guardamos em uma delicada caixa de lembranças. Quando nos deparamos com mais uma pérola, e mais uma, e mais uma, que parecem dar prosseguimento às anteriores, e as juntamos em uma sequência, elas constroem um belo cordão. Mas não apenas isso. A sequência de pérolas, que se parecem pertencer, são  como elos que se reencontram, que produzem ainda mais beleza quando enfileiradas. O cordão, construído a partir delas, não serve apenas para enfeitar um belo pescoço, mas também pode demonstrar que unidas, as pérolas se mostram ainda mais belas e poderosas, assim como ocorre com as sincronicidades.

Imaginemos que essas pérolas são como os pedaços de pão, como os do conto de João e Maria, deixados pelo caminho, para que encontremos a saída. Sincronicidades nos guiam.

As sincronicidades são como portais abertos entre dimensões, são como conselhos de anjos, que nos guiam contra a incerteza, a tristeza, a insegurança, a depressão, e principalmente contra a dúvida.

A sincronicidades nos aconselham a ouvir MAIS e falar MENOS, julgar e pedir MENOS e a agradecer MAIS.

Humanos somos todos, e por causa de nossa humanidade, acertamos e erramos, vivendo em nossos mundos conforme as nossas crenças e convicções. E lutamos por essas verdades, como se dependêssemos delas para viver, como se não pudéssemos estar errados. Criamos nosso mundo conforme nossa imagem e semelhança, como mini Deuses e pouco interagimos, de fato, com os próximos.  As sincronicidades são portas que nos libertam dessas limitações.

Há um ano iniciei um novo ciclo na vida, em uma esquina, e em um quarto de hospital: a união do “acaso” com a intuição e a ação. E quando os ciclos, que se iniciam, são “bons” queremos que durem para sempre e quando são conflituosos, desejamos que acabem o mais rápido possível. Mas bebê que não cai, não aprende a se levantar. E viver só no bem-bom não serve para – quase – nada. Só para dizer que se é “feliz”, mas sem saber, de fato, o que é ser feliz.

E como saber que uma análise pessoal não é fruto de imaginação? Através das sincronicidades.

Refletindo sobre o último ano, vi mais resoluções do que problemas, mais crescimento do que estagnação, mais foco do que diluição. Cada atividade ocorrida em seu tempo, mas todas motivadas por ações. Isso não quer dizer que os problemas cessaram, mas hoje, eles são entendidos de outra forma. É como andar na mesma calçada, mas pisar diferentemente. É como aprender a ver a beleza e o poder de uma boa chuva, sem maldizê-la.

Anteontem, comecei a ler um livro sobre tarot em função de jogos recentes de cartas, que indicaram um novo período de vida. Para não ficar muito animado com esse “refresco”, deixei rolar no esquema “vamos ver para crer”.

Hoje, após um período de um mês, liguei para uma repartição pública. Como vocês devem imaginar, as ligações não completavam, caíam, eu esperava na linha sem resposta, etc. Depois de mais de uma hora, desisti porque tinha outro compromisso. Mal desisti, o telefone tocou em seguida e era da repartição. Eu, hein…

Há 3 meses, estive durante uma temporada com um grupo espiritual de outra cidade, para meditar e refletir. Durante esse período, um jornalista foi entrevistar e filmar os trabalhos da comunidade. Hoje, 3 meses depois, e separado por milhares de quilômetros, estive em um parque, uma floresta na verdade.  Logo à minha frente, surge o mesmo jornalista, saído do mato.  Tive que achar graça. É como a história das pérolas. Há um fio invisível que nos liga, que nos conecta e que que dá forma às pérolas.

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Após o encontro inusitado com o jornalista, ao invés de voltar direto para casa, e seguir um caminho “lógico”, decidi seguir por ruas nas quais nunca estive. Ao invés de seguir “reto”, dei voltas, fui por caminhos inusitados e em cada um deles só via beleza. Fui preenchendo meu coração com amor. Quarteirões depois, segui por outra rua, e sobre um frade de concreto (ou gelo-baiano) havia uma carta: um 10 de Copas.

A carta misteriosa, como o jornalista saído do meio do mato, parecia ter sido posta lá para que eu a encontrasse e entendesse a sua poderosa mensagem, para que eu entendesse o recado da poderosa sincronicidade.

O cordão de pérolas estava se formando, não eram mais pérolas separadas. Havia uma unidade, uma lógica, uma mensagem.

Algumas interpretações do 10 de Copas:

“Reencontro do seu caminho, a renovação do seu nível de status ou até mesmo a paz e harmonia com o cosmos e o mundo que o rodeia. Sejam quais forem os seus desejos, esta é uma altura de dar graças por tudo o que tem, e tudo o que virá a ter muito em breve.

“Em alguns aspectos, lembra a carta do Mundo, porque também fala de plenitude, de um estado de bem-estar e completude muito grande. Muitas vezes, olhando para o 10 de Copas sinto que tudo está certo, tudo está indo bem e não há nada para se preocupar. Sintam como a energia flui tranquilamente e tudo parece dar certo de uma forma meio mágica.”

 “Representa o homem que, tendo completado seu trabalho, volta-se pra a oração e pede a ajuda divina para seguir com sucesso o novo caminho de sua evolução.”

“O ato criativo exige uma renovação. Impõe algo que não existia, portanto não pode ser valorizado. Imponha-se. Muitas vezes, você vai surpreender até a si próprio. Este arcano mostra a importância de dar atenção em primeiro lugar, para o seu próprio interesse, independente da aprovação ou não dos outros. O ato criativo. As pessoas estavam ajudando você a se esconder, e existe uma falta de incentivos que vem desde a sua infância. Mas, o fato é que agora você descobriu a si mesmo.”

O DESENHO DA VIDA

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Acreditamos que a realidade é apenas a realidade, o reino do palpável. Porém, creio que o “real” seja mais fruto de nossas percepções e escolhas, do que de uma única realidade comum. Acredito que a visão tradicional da realidade é apenas uma parcela das inúmeras possibilidades, que não acessamos “normalmente”. Mesmo assim, várias possibilidades parecem interagir simultaneamente, quando, vivenciamos as sincronicidades.

Realidades paralelas?

A teoria das super cordas permite “calcular” o possível número de dimensões espaço-temporais.

“A grosso modo, é como medir a distância entre dois pontos. Se girássemos o nosso observador para um novo ângulo e a medíssemos novamente, a distância observada somente permaneceria a mesma se o universo tivesse um número particular de dimensões. Quando este cálculo é feito, o número de dimensões do universo não é quatro como esperado (três eixos espaciais e um no tempo), mas vinte e seis. Mais precisamente, a teoria bosônica das cordas tem 26 dimensões, enquanto a teoria das supercordas e a Teoria-M envolvem em torno de 10 ou 11 dimensões.” (Wikipedia.)

Uma, duas, mil realidades, mil possibilidades.

Este preâmbulo antecipa uma história pessoal de possibilidades e consequências, 40 anos depois.

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Meu primeiro sonho foi ser desenhista de quadrinhos, antes mesmo de fazer 10 anos. Meu avô era crítico de arte e colecionava pinturas. Minha mãe tinha medo do vovô, e talvez por causa disso, esse medo influenciasse o seu julgamento sobre arte em geral, para ela, algo incompreensível e inútil. Digo isso, porque ao confessar à mamãe que eu desejava ser artista, talvez com uns 10 anos, o mundo quase caiu. Ela me ameaçou para que eu desistisse, inclusive de me expulsar de casa. Convenhamos que ameaçar um adulto é uma coisa, mas ameaçar uma criança é outra bem diferente. Ela detestava que eu fosse diferente da maioria. Ela me disse isso com todas as palavras, que hoje interpreto como medo, o pavor de não ter controle sobre a situação. Eu possuía uma coleção de quadrinhos da editora Ebal, com algumas dezenas de revistas. Um dia, mamãe as pegou e na minha frente, as rasgou ao meio, uma a uma, me ordenando que eu me tornasse um “homem, com um emprego e uma família”. Eu me agarrei às pernas dela e implorava para que parasse, entre lágrimas, que não paravam de cair. Ela rasgou até a última das revistas, até sobrar, apenas, uma pilha de quadrinhos dilacerados, como se esperassem um fósforo para virarem fogueira. Foi a minha primeira dor excruciante. Isso seria o suficiente para chamá-la de monstro? Para mim, ainda não, até porque não lembro se algo a mais causou a sua ira. Talvez, alguma questão entre ela e papai, que ela preferiu descontar em mim…

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Não acredito que existam pessoas totalmente boas ou más. A monstruosidade espelha o seu grau de convicção em suas verdades e no tamanho de seu medo. Essas energias podem te levar a mentir, enganar, chantagear, caluniar, ser covarde, mas ainda assim não te transformam em um monstro, que só deveria ser considerado um, se as suas ações afetarem um grande número de pessoas.

 …

Estou passando, há alguns anos, por uma mudança pessoal/profissional, que tem tudo a ver com a história relatada acima.

Hoje acredito que por causa das revistas rasgadas, desisti da carreira de desenhista, para me tornar algo ainda mais incômodo: músico. Uma ação que gerou uma reação, até então inesperada, até mesmo para mim.

Tive uma carreira musical constante por mais de 30 anos, mas a música não tem despertado maiores interesses em mim, por não ser mais divertido como era. E hoje, preciso de um bom motivo para tocar ou compor, prioritariamente profissionais, enquanto que é bem mais fácil e prazeroso, escrever.

Já confidenciei neste blog, que uma de minhas paixões é História do Brasil. E as sincronicidades me fazem vivê-la, acredito, para que seja possível eu me entender e paralelamente, compreender o país e as pessoas.

 Relatando os casos dos dois últimos dias.

 Primeiro, os “históricos”.

 J. Carlos

J. Carlos

Retirei um velho livro de José do Patrocínio da prateleira para reler.  No mesmo dia, na TV exibiram um bom documentário sobre o jornalista/escritor. Dois dias antes, eu estava no centro da cidade e resolvi visitar o Museu de Belas Artes. Para minha surpresa, uma das exposições, era sobre um dos meus desenhistas favoritos, J. Carlos. Fiquei igual pinto no lixo, ainda mais que eu não sabia de nada. No mesmo local, há salas dedicadas ao trabalho de outro caricaturista, o Cavalcante.

Tim Maia desenhado por Cavalcante

Tim Maia desenhado por Cavalcante

Querendo saber mais sobre ele, fiz uma pesquisa na internet e sem querer, ao invés de Cavalcante saiu Di Cavalcanti. O texto era esse:

“Di Cavalcanti nasceu como Emiliano Augusto Cavalcanti de

Albuquerque e Melo, no Rio de Janeiro e na casa do famoso

abolicionista e republicano José de Patrocínio situada na rua do

Riachuelo, que na época era casado com a sua tia Maria

Henriqueta…”

 

Fala sério, né?…

Hoje de manhã, antes de escrever este texto, cismei de escutar uma das horrorozidades gravadas pelo casal John Lennon e Yoko Ono na fase final dos Beatles.  E sabem quem está hoje, na primeira página da Folha de São Paulo? Yoko, a Ono.

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Ontem, caminhando pelo Passeio Público, na cidade do Rio de Janeiro, vi que alguns prédios do século passado estão sendo reformados. Fiquei feliz, porque sou um preservacionista. Mas um deles, ainda em péssimo estado me chamou a atenção. É uma construção antiga, ao lado da Escola de Música, antes mesmo de chegar a Lapa.  Decidi entrar pelo menos no vestíbulo, pertinho da porta. O interior todo destruído, sem sinal de reforma e com apenas um vigilante, que estranhou a minha chegada. A placa dizia: “Proibido entrar sem equipamento de proteção”. Mas querem saber… Entrei um pouquinho, mesmo que fosse pouco, mas meu coração bateu acelerado. Senti a história pulsando dentro da enorme casa. Senti uma estranha sensação de que deveria colocar a minha segurança em risco, e subir as escadas até o final da construção. Mas não o fiz. Impressionado pelo que havia sentido, pesquisei sobre o prédio.

 O nome é Automóvel Clube, que no século XIX se chamava Cassino Fluminense, e era frequentado, também, pela Família Real.  Há pouco, o governo fez uma grande homenagem a Jango Goulart, ou Jango, o Presidente deposto pelos militares em 1964. A história fala muito sobre o famoso discurso de Jango na Central do Brasil, para milhares de trabalhadores, em 13 de março de 1964, o número invertido da data “oficial” do golpe: dia 31, mas foi exatamente neste Automóvel Clube que Jango fez o seu último e mais radical discurso, em 30 de março.

 Aquele local onde senti algo muito forte, foi palco de duas grandes mudanças. Ambos, a Família Real e Jango, foram depostos por militares e em ambos os casos, a história deste país foi profundamente afetada.

 O caso dos desenhistas.

 desenho_colonnese

Um conhecido de outro Estado pediu para ficar uma noite aqui em casa. Com ele, veio um amigo dele, que me falou ser neto do desenhista Eugênio Colonnese, um de meus ídolos de infância. E o rapaz falou que era fã do meu trabalho.  As conecções me soaram interessantes, como se o fato de eu gostar do trabalho do avô dele, o trouxesse, inconscientemente, a mim. Seria uma conecção sendo refeita e resgatando o meu antigo desejo de ser desenhista? Ainda não possuía subsídios para julgar e aguardei por mais “provas”.

 Jayme Cortez

Jayme Cortez

Ontem fui pesquisar sobre o Colonnese e encontrei na internet mais dois idolos do passado, o Jayme Cortez e o Ivan Wasth Rodrigues.

 Há meses, tenho jogado várias coisas fora. No bonde da limpeza, separei vários álbuns de figurinhas e dois Atlas antigos do colégio. Gosto muito de um deles, mas nem sabia direito o porquê. Simplesmente, separei os dois Atlas para jogar fora, mas me senti mal,e  só joguei fora o primeiro, preferi guardar o segundo. Isso ocorreu há menos de duas semanas. Ontem, descobri em uma entrevista na internet, que o Atlas que salvei havia sido desenhado pelo Ivan Wasth… Um dos desenhistas descritos na trindade acima.

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Ivan Wasth Rodrigues

E ontem, ao me lembrar de minhas antigas revistas rasgadas, pesquisei a história da editora Ebal, para mais vez comprovar a existência de um ciclo, que me pareceu muito plausível e me convenceu que uma nova vida se inicia, que um novo período de possibilidades ocorre, agora, em nossas vidas, mesmo que acreditemos que estamos cansados demais para o novo, ou que já fizemos tudo ao nosso alcance.

A nossa vida começa AGORA. Mesmo que ela tenha sido adiada. Não importa o por quê.

POR ENTRE RUAS MÁGICAS E ANÕES

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O leitor já se perguntou como conseguia ter tempo para fazer tantas coisas em 24 horas, se hoje parece difícil fazer a metade? Essa questão é uma constante. Há explicações racionais e outras nem tanto, essas últimas, as minhas favoritas.

Fato é que temos que ter tempo para nós, sem egoísmos. Nada de se lamentar sobre o que se faz ou se deixa de fazer. Há que equilibrar o tempo com os outros e o tempo conosco.

É necessário sim, resolver as nossas questões, pois elas são nossas e de mais ninguém. Mas, se possível é sempre bom contar com uma ajudinha extra do “destino”. Se você quer ter um milhão de amigos, tudo bem, mas para mim, quanto menos gente ao meu redor, fica mais fácil saber o que eu posso fazer de bom para cada um e o que cada um pode fazer por mim, em uma troca benéfica para todos. Mesmo que essas pessoas não percebam o que estão fazendo. E há trocas inusitadas com gente que te persegue e com os desafetos. Enquanto não nos adulam ou nos põem pra baixo, eles servem para nos tornar mais conscientes. Porém, quando a troca simplesmente deixa de rolar, o vínculo se desfaz. Simples assim.

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Estamos aqui no facebook. A rede social já me ajudou profissionalmente, como já me fez perder tempo. Ouvi de profissionais da indústria como é importante trabalhar diariamente com esta rede, para “estreitar relações”.  Sempre ouvi isso com desconfiança, e com o termo “superficializar as relações”, na cabeça. Há uma grande diferença entre o mundo das curtidas e o mundo dos que literalmente arregaçam as mangas. Mas fazer o quê, se muitos vivem de aparências, que justificam suas visões de mundo? Não se deve convencer ninguém de nada. Proselitismo ou fanatismo. Que cada um crie o seu mundo conforme o devido entendimento. Se der para os mundos distintos interagirem, ótimo. Caso contrário, bye bye. Melhor assim. Antes do fim, todos aprenderão muito mais.

Fica claro, que algumas pessoas que convivem conosco, são necessárias para o crescimento em conjunto, mesmo que elas não estejam conscientes disso.

Antes, quando eu me ocupava com mais tarefas não tão importantes, as sincronicidades não eram tão aparentes. Hoje, quando o meu tempo é melhor administrado, as sincs se manifestam mais vivamente.

As sincronicidades são o nosso respiro, o nosso refresco e a sombra fresca.

Repare como em uma conversa inocente, ouvimos respostas prontinhas para as nossas questões.

São vários os exemplos: eu precisava de um profissional para me auxiliar. Um amigo próximo tocou no assunto sem saber de minhas necessidades e hoje trabalho com este ótimo profissional.

Um outro conhecido me prometeu mundos e fundos para resolver uma questão. Um ano depois, descobri, de uma forma não muito agradável, que ele não havia feito nada. Meu instinto já dizia para não confiar mais, para não dar mais crédito, mas a voz interior me pediu para dar uma última chance, que fosse a definitiva, para que o “amigo” se enrolasse por conta própria. A mentira pode não ter pernas curtas, até pode ter vida longa, mas chegará o dia em que as peças se encaixarão e você saberá, sem fazer força, que o relacionamento com determinada pessoa chegou ao fim pelos motivos certos. Sem choro, nem vela ou drama.

Em outras oportunidades, citei neste blog, que as sincronicidades também servem para nos fazer sorrir (obs: e há coisa melhor em momentos difíceis?).

Me apaixonei por desenhos e histórias em quadrinhos desde cedo. No alto dos meus 8 anos imaginei que seria desenhista. Naquela época fui brindado com um presente de amigos de meus pais: um álbum de Asterix e Cleópatra, com capa dura. A impressão que o álbum me deixou até hoje é forte: da história, aos desenhos, e ao cheiro do papel, tudo ficou impregnado na alma. Ao me lembrar do álbum na semana passada, liguei a TV e estava sendo exibido o filme “Asterix e Cleópatra”, que nunca havia visto.

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Outro dia, vi na TV uma matéria sobre uma dona que só veste violeta. Mesmo. Após o programa, desci, logo em seguida, e uma senhora na rua, toda trajada de violeta, me encarou durante um bom tempo. Outro dia, em outro canal, assisti a uma matéria sobre anões e vi uma mãe anã. Desci pra rua e uma anã me encarou. Deveria ser mãe. Parecia cena de sonho… Separei umas revistas antigas que não via há anos. Na capa de uma delas, a foto do cantor Nelson Ned, também anão. No dia seguinte, o cantor faleceu.

Para bom entendedor, meia palavra basta: quando eu era criança, com menos de dez aninhos, havia uma casa sinistra por perto que sempre vivia apagada. Em seu jardim, um anão mais sinistro ainda me olhava sarcástico e me olhou tão bem uma vez que tive medo eterno. A impressão foi tão forte que desviava do lado da calçada do anão, para não ver a sua risada maléfica. Os anos se passaram, as décadas também e a casa foi vendida. Virou um curso de inglês. E o anão… sumiu. Sumiu do mundo tridimensional, porque em minhas memórias ele permanece rindo para mim ou de mim.

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Tendo posto este assunto em pauta, conto a história do final de semana.

Gosto de arqueologia urbana, ou seja: de entrar em ruas nas quais nunca estive para pesquisar. Em uma delas, no alto de um morro, encontrei uma casa aberta e sem perguntar nada entrei, porque meu coração disse para seguir adiante e nada senti de perigoso. Não havia dono, vigia ou segurança. Me surpreendi. Era uma espécie de museu. Em seu interior, uma biblioteca com vários livros antigos em estantes que iam até o teto. O cheiro de velhos móveis e memórias, de tempos passados, que a humanidade agitada faz o favor de não querer tomar conhecimento. Lá embaixo, na rua, um bloco de carnaval, ensaiava a toda, mas seus batuques cessaram, assim que entrei na casa misteriosa. O som externo não conseguia atravessar o portal. E não atravessou. Parecia que eu havia entrado em um outro mundo paralelo. E quando digo isso, é essa a sensação que se tem, a de viver uma realidade paralela em nosso mundo “real”.  E é o tipo de coisa que não se pode vivenciar em grupo. Há experiências grupais e outras individuais. Só uma pessoa pode retirar Excalibur da pedra. É assim que é.

Ao olhar com mais atenção aos detalhes, percebi que estava em alguma fraternidade. Nas paredes, fotos emolduradas de antigas personalidades trajadas com vestes ritualísticas. Em uma das fotos, o Presidente Juscelino Kubitschek, uma referência poderosíssima para mim, vide as postagens anteriores. Depois de curtir um pouco a descoberta, deixei o recinto e desci o morro por uma outra rua na qual nunca estive. A rua encantada, com calçamento de grandes pedras como em Paraty, me fizeram viajar no tempo, para o tempo de uma cidade antiga, com mais de 200 anos.

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Mal virei a curva, me deparei com uma casa, em cuja entrada estavam todos os sete anões e a Branca de Neve, toda serelepe. Meu coração bateu acelerado, sem medo ou trauma. Eu estava no lugar certo e havia me reconectado com minha infância, em outra circunstância, e com novo entendimento. Agradeci a Deus, as intuições e as decisões corretas – intuídas -, frutos da conexão do Ser Interno com o Universo, que está muito além no tempo e do espaço, e ao mesmo tempo, conosco em cada segundo.

Assim é a sincronicidade.

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Dia dos Mortos.

Hoje, 2 de novembro, o blog presta uma homenagem ao dia dos mortos. Isso é, se o leitor acreditar que exista “morte”.

As duas histórias, que relato aqui, reproduzidas do livro “Mágica Vida Mágica”, falam sobre a continuidade da vida (e de comunicações) após o desencarne. Uma delas versa sobre o presidente Juscelino Kubitschek e outra sobre minha própria mãe.

A Sincronicidade do Presidente.

 

JK ou Akhenaton?

JK ou Akhenaton?

Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio.

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— Você já soube da mudança de endereço?, me perguntou a locutora durante a programação. — Mas não há data certa, pode ser na próxima semana ou daqui a seis meses, ninguém sabe.

— Pois é, você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói. Sabe o que eu gostaria de fazer hoje?, perguntei a ela.

— O quê?

— JK, o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui?

— Sim, já fui lá. É muito legal.

— Gostaria de visitá-lo ainda hoje.

— Fale com o porteiro. Ele tem a chave. Certamente ele te levará.

Desci, conversei com o porteiro responsável. Ele explicou que não tinha a chave e que teríamos que fazer uns “atalhos”. Insisti, ele subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés. Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave certa, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

— De quem? Dele?

— Acho que sim, mal terminou de falar a porta se abriu, fantasmagoricamente.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papéis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Achei que era isso o que procurava.

Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do tal versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

Pouquíssimo tempo depois, um conhecido “das antigas” me convidou a ficar uns dias em sua casa em Brasília, cidade que não visitava há mais de uma década. Fui.

Em um domingo, último dia da visita à capital, fomos conhecer a Catedral e no comecinho da tarde, pedi que me levassem a um museu sobre o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Fui até lá com a esposa do amigo, que me confidenciou que nunca se interessara em conhecer o local, cercado por um sereno espelho de água. Para entrar no memorial é preciso descer uma rampa em declive para uma entrada subterrânea, como se estivéssemos adentrando um templo egípcio. No centro da ampla sala do segundo andar, me deparei com uma espécie de nave no centro da construção, como uma bola de metal perdida entre colunas enigmáticas. A intuição me conduziu ao seu interior. Tremi de emoção assim que entrei. Um anjo surgido de um vitral avermelhado no teto me acolheu, com um quase imperceptível e doce movimento de rosto. Sua angélica mão direita suspendia uma coroa de louros sobre um túmulo de granito negro, na penumbra. Claro que era JK, só podia ser.

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Com os olhos úmidos, me lembrei do escritório no prédio da Rede Manchete no Rio e refleti sobre a inusitada caminhada da minha cidade até o repouso final do Presidente. Diante do túmulo de JK, explodi em um choro tranquilizador, de quem finalmente se depara com o seu destino: – Sei que minha história de agora em diante está ligada a esta cidade!”.

3 anos depois, meu primeiro e único filho nasceria em Brasília, a mesma cidade fundada por JK.

 …

A Sincronicidade das Despedidas.

Mamãe estava viva, mas debilitada pelo mal de Alzheimer.

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Cheguei em casa à noite em um final de semana. Precisava ligar para alguém e usei o telefone na sala. Antes, verifiquei se a acompanhante e mamãe estavam dormindo no quarto no fim do corredor. Parecia tudo bem. Me sentei no lado direito do sofá na sala, em frente ao corredor. A luz do teto e da sala estavam sempre acesas para qualquer eventualidade. Desde que minha mãe adoecera, nunca mais consegui dormir em paz. Mais cochilava do que dormia, sempre acordando sobressaltado. Sendo assim, a porta do meu quarto nunca era fechada.

Eis que sentado no sofá e tendo o fone na mão direita, vi uma forma fluídica, como uma pequena nuvem elétrica, cruzar a janela aberta e estacionar em frente ao corredor. Não interrompi a pessoa no outro lado da linha, talvez a tenha escutado menos, não sei, mas não parei de ouvi-la, enquanto mantive a atenção focada no fenômeno. A mancha que começou a se parecer mais e mais com uma daquelas nuvens em céu tumultuado com relâmpagos piscando dentro da sua área, assumiu uma forma humana. A sombra luminosa, preenchida por raios que flamejavam, andou passo a passo até a porta do quarto da mamãe, ao mesmo tempo em que piscava como se fosse uma antiga imagem de televisão fora de sintonia. Me ergui com o aparelho na mão e torci o meu corpo à direita para ver a luz atravessar a porta do quarto de mamãe. Pedi desculpas, interrompi a ligação e abri a porta sem desespero. Estava tudo escuro, nada havia de estranho.

Não falei com ninguém sobre o assunto. Passaram-se alguns dias.

A acompanhante de minha mãe era uma pessoa humilde e evangélica. Ela não era dada a inventar coisas, mas surpreendentemente, ela veio ter comigo, após o fato que eu presenciei, ter ocorrido.

— O senhor entrou no quarto agora?

— Não. Acabei de chegar. Por quê?

— Aconteceu algo muito estranho e estou assustada. Eu não acredito nessas coisas, mas preciso te contar. Eu estava deitada quando senti uma presença dentro do quarto. Me virei e havia uma mulher olhando para a sua mãe. Perguntei: “Quem é você?” A mulher não falou nada e desapareceu. Estou com medo, não quero dormir no quarto.

— Como era essa mulher?

— Uma senhora alta e magra com um corte de cabelo bem curto…

— Meu Deus, pela sua descrição, é a mãe dela.

— O que isso quer dizer?, ela me perguntou assustada.

— Não sei, não sei…

No fundo eu já sabia. Mamãe estava partindo, ou segundo o escritor argentino Jorge Luis Borges, “se encantando”.

E foi o que realmente aconteceu.

Este mundo é uma projeção?

Há momentos em que as sincronicidades pululam a nossa volta, com a graça de uma porta-bandeira. Mas cumpre afirmar que não somos os jurados, os responsáveis por lhes ofertar as notas. Na verdade, são as sincronicidades que se encantam quando somos encantados por elas.

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Nas últimas semanas, fiz várias anotações sobre alguns fenômenos, as horas em que ocorreram e as circunstâncias. Os eventos sincronísticos tanto se intensificaram, que muitas vezes, duvidei que tivessem ocorrido. Tentei ceder a explicações racionais, mas foram mais ilógicas. Irracionais. O que aconteceu, de fato aconteceu.

O mundo dos “sonhos” parece ser uma releitura, um reflexo distorcido, do que vivemos quando estamos estamos “acordados”. Escrevo “releitura” porque em sonhos, encontramos pessoas que conhecemos. Porém,  alguma intuição nos diz que essas pessoas não são quem dizem ser. Só para exemplificar: um pouco antes de dormir, já deitado, no estado de vigília, entre estar acordado e dormindo, uma ex-namorada se materializou ao meu lado na cama. O seu rosto estava fora de foco, mas o corpo era o mesmo dela. A cama afundou com o seu peso. Ela se ergueu e senti os seus joelhos dobrados sobre o colchão que cedeu. Tentei me mexer para afastá-la e não consegui: estava “congelado”. Me certifiquei de que não estava dormindo, ao me fazer perguntas e respondê-las mentalmente. Essa personagem sem rosto sentou-se sobre mim, e indefeso estava eu de barriga para cima. Ela deitou sobre mim e pude sentir-lhe o calor do corpo. Eu sabia que ela não era ela. Mentalizei bem forte e disse “não quero!”. Ela bem que tentou mas nada conseguiu porque naquele momento minha mente estava desperta. Sem conseguir seu intento, ela se desmaterializou e eu fui “solto”. Se eu estivesse dormindo, “zumbizado”, “sonâmbulizado” , sem domínio sobre minhas ações, ela poderia ter sido bem sucedida. Mas dessa vez, não foi.

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Esse foi um fenômeno estranho, mas aconteceu dessa forma que descrevi. Agora, vamos às sincronicidades da semana.

A vida nem sempre é um mar de rosas. Ela te propõe desafios. Desafios justos ou injustos, tanto faz. São situações que aparentemente se deve enfrentar. Meditando sobre as opções atuais, sobre o que deveria fazer para resolver algumas questões, senti, sem grandes emoções, que simplesmente deveria agir. Em alguns momentos da vida, damos  tempo ao tempo e aguardamos a passagem dos acontecimentos. Em outras fases, nos antecipamos. Mas desta vez, para que a vida pudesse seguir o seu rumo, o corpo e a alma me pediram foco e ação. Assim que me movimentei, assim que decidi agir, as sincronicidades  pulularam. E como uma ação leva a outra, as peças do quebra-cabeças se encaixaram perfeitamente, “se” montando, explicando os fatos, intuindo outros, mas sempre me colocando nos trilhos. Fui tomado por um sentimento de definição, como se a minha encarnação e as das pessoas ligadas a ela estivessem a caminho de definir nossas metas neste planeta.

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Algumas sincronicidades ocorridas em um dia.

Li na imprensa sobre a exumação do corpo do Presidente João Goulart que ocorrerá em 13 de novembro de 2013. Mal acabei de ler a nota, tive que sair de casa para um compromisso. Entrei em um ônibus que não sabia se me levaria ao local certo, mas entrei. 15 minutos depois, quem passou ao meu lado? O filho do Presidente: João Goulart Filho.

Em uma reunião, no canto da sala, vi um dicionário que conheço muito bem. Era o mesmo que o meu avô me dera há 4 décadas, ofertado com uma carinhosa dedicatória. No dicionário da anfitriã também havia uma dedicatória, de um tio, desencarnado, de quem a proprietária gostava muito.  Ela me contou algumas histórias, muitas de eventos em comum, que me intuíram que “tudo tem o seu tempo” e que “nada que nos acontece ocorre à toa”. Me pareceu que algumas pistas fragmentadas, como o livro que você guarda com carinho, as pessoas com quem nos envolvemos, ou o programa que se decide assistir, se comunicam conosco através de uma região mental, além do tempo e do espaço.

À noite, sonhei que estava em meu prédio, porém ele estava deserto, sem luz e cinza, sem qualquer ornamento. Tudo estava “nu”. Desci pela escada, toda em pedaços, que juntamente com o piso, haviam sido submetidos à várias britadeiras. Alcancei o térreo, e as primeiras luzes vindas de fora, ainda me perguntando o que significava aquilo. O porteiro, com seu uniforme azul, ainda dentro do prédio destruído, puxou conversa comigo, como se tudo estivesse normal.  Ele vagava só. Nenhuma morador. Sob seus pés, o piso em pedaços.

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Saí para entender o que estava acontecendo. Quando percebi que tudo estava aparentemente bem do lado de fora, me vi no alto de uma pedreira, perto de casa, que não existe mais (Pedreira do Baiano). Desci, meio que escorregando e quando olhei para cima, para ver o meu prédio, me deparei com uma casa de um andar, sem teto, e quase que demolida, talvez abandonada há décadas.

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Tive uma sensação de presenciar algo absurdo, mas que deveria significar algo. Assim que pensei “isso não pode ser real”, despertei.

Dois dias depois, fui à uma festa de crianças. Ao me despedir do anfitrião, expliquei que precisava sair mais cedo para estudar. Uma menina sentada ao lado dele me perguntou o quê. Expliquei. Ela fará a mesma prova no mesmo dia. Voltei para casa e me preparei para estudar. Antes mesmo de pegar no batente, lembrei que seria exibido na TV, um documentário preto e branco sobre o Brasil no ano de 1961. Decidi assistir ao filme durante uma meia hora para depois começar a estudar. Mesmo sendo um filme sobre um país-continente, em menos de meia hora, apareceu uma cena do Presidente Eurico Gaspar Dutra lendo um livro na praça ao lado de casa onde cresci e no mesmo banquinho no qual sentei centenas de vezes. Fiquei meio “assim, assim”. Me senti “vítima das circunstâncias”. Não esperava por isso.

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Mal refeito da surpresa, logo em seguida, uma filmagem área mostrou o prédio onde eu resido, onde vivi minha vida inteira, muito de perto, e cercado por um imenso areal. Posso garantir que o quarteirão de 1961 não era nada parecido com o de hoje, com as diversas construções que cercam o prédio hoje. Se pudesse descrever a sensação que tive com esse encontro kármico, com uma distância de 52 anos, diria que foi surpreendente e assustadora. O filme era sobre o Brasil, não sobre o meu prédio ou sobre o bairro. O que afinal de contas, “eu” estava fazendo ali, retratado indiretamente na película? E tendo optado por assistir a um documentário, sem qualquer razão aparente?… Eu nasci no ano seguinte ao da produção do filme. Para mim, isso já significou algo. Meu peito disse que sim. Tudo estranho e admirável.  Mas de boa. Me sinto recomeçando, preparado para ressuscitar de escombros.

Antes mesmo de nascermos, tudo parece estar escrito e determinado. Como se o nosso inconsciente fosse o manda-chuva e não a nossa versão encarnada “consciente”. Que tipo de escolhas você tem, dentro deste teatro cósmico onde representamos os nossos papéis?

Me parece é que este mundo não é real: é apenas uma outra projeção.

 

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” -Vinicius de Moraes.

(RE) ENCONTROS

Alguém que você conheceu recentemente te contou que morava no mesmo prédio que você? Ou que estudou no seu colégio na sala ao lado e que você nunca a viu? Você já falou “não ponho mais os pés nesse lugar” e foi nesse lugar, que anos depois a sua vida mudou?

O processo inconsciente e sincrônico é fascinante, quando vivido, também, de forma “enviesada”, indireta. São acontecimentos não reconhecidos como importantes no exato momento em que ocorrem, mas que assumem a sua importância anos ou décadas depois.

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Recentemente, assisti a um documentário sobre Reidy, um arquiteto modernista. Desde menino, eu passava em frente a uma de suas obras, e nem sabia que ele a havia criado. Sempre fui fascinado pela beleza/feiura do “minhocão” ao lado do Planetário no bairro da Gávea no Rio de Janeiro. Reidy também é autor do famoso conjunto do Pedregulho em São Cristovão. Após ter visto o documentário, pesquisei sobre habitações populares nos anos 50 (o que de certa forma incluiria o conjunto dos prédios onde eu resido). Encontrei um trabalho acadêmico com as plantas de vários prédios construídos por associações ligadas a determinadas classes de trabalhadores. E durante a pesquisa, tive uma surpresa: um dos conjuntos se chamava 28 de agosto, data em que nasci, e na mesma página, surgiu um outro conjunto chamado Jorge Rudge, nome da rua de um grande amigo. Quando pesquisei sobre o conjunto 28 de agosto, mais e mais surpresas, como que me dizendo que datas, pessoas, escolhas e acontecimentos parecem ser pré-determinados.

Que relação poderia haver entre arquitetos, empreiteiros e alguém que apenas nasceu na data do nome do conjunto residencial? Eu não sei, mas nem por isso, pararei de buscar um por quê, nem que seja para me explicar os vários “erros” e “acertos” da vida. Nem que seja para me confortar. Durante a busca sobre este conjunto residencial, descobri um link surpreendente, que só pode ser explicado como uma questão kármica, isso se o leitor acreditar em karma.

Fui operado há alguns meses e dormi em um quarto com um leito a mais. Um paciente passou a noite comigo, e de manhã, a caminho do banheiro, dei bom dia ao desconhecido. O meu amigo da Jorge Rudge, citado acima, foi me visitar. Qual não foi a surpresa dele ao ver que ele conhecia a namorada do outro paciente?

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Alguém na rua já te chamou a atenção, e horas depois, você cruzou com a mesma pessoa, em outra rua, em outro bairro? Estranho, não é? Mas e quando isso acontece, cinco vezes, em bairros diferentes com a mesma pessoa e aparentemente isso não tem significado algum? Será que terá? Será que as decisões de uma pessoa que te chama a atenção, que está em contato indireto contigo, pode influir em sua vida?  A teoria dos seis graus de separação, seria uma resposta? Mas nem isso explicaria as várias nuances desses encontros.

Será que elocubro, imagino coisas, deliro?… Depois que vivenciamos essa experiência, não randomicamente,  certamente a pulga atrás da orelha fica tão pesada que não há mais como não pensar que há uma inteligência, uma conecção inconsciente que guia os passos de todos nós, para objetivos não muito claros.

No Espiritismo, se diz que tecemos acordos no além-vida antes de reencarnarmos. Seriam esses acordos tão extensos que nos envolveriam, como diria Jung, em uma teia quase tão extensa quanto a vida?

Essa “cola” que nos liga poderia se chamar Deus?