As SINCRONICIDADES de BRASÍLIA.

 A SECA EGÍPCIA EM BRASÍLIA:

 

AKHENATON OU JK?

Na tarde da quarta-feira, dia 7 de setembro, o Distrito Federal registrou umidade do ar de 11% e calor de 31.4º C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Há quase 3 meses não chove em Brasília, que literalmente está se transformando em um deserto. Ao ler essa notícia não tive como não comparar o que ocorre hoje com uma teoria que diz que Juscelino Kubitschek, o fundador de Brasília, teria sido a reencarnação do faraó Akhenaton, nascido por volta de 1350 a.C. Amenhotep IV, ou Akhenaton, esposo da rainha Nefertit, transferiu a capital do Egito para o interior do país para a adoração do deus Athon (deus Sol); Akhetaton foi edificada em menos de quatro anos assim como Brasília, também organizada em setores, curiosamente distribuídos em “asas” de uma grande ave voando em direção leste – figura de Íbis, uma divindade egípcia guardiã das pirâmides e dos mortos. Devido ao intenso calor e baixa umidade do novo endereço egípcio, um lago artificial chamado Moeris foi criado, sendo esse o primeiro lago artificial do mundo. Cá entre nós, esse detalhe não lembra o Lago Paranoá, construído com a mesma finalidade?

JK ou Akhenaton?

Exatamente como o faraó, Juscelino (que conheceu a história de Akhenaton, após visitar o Egito, na época em que foi fazer especialização na Europa) construiu a nossa capital em menos de quatro anos, e morreu de forma misteriosa em um acidente de carro, 16 anos após a fundação da nova capital. Curiosamente, Akhenaton também faleceu em circunstâncias estranhas. Suspeita-se que tenha sido assassinado a mando dos sacerdotes, prejudicados por sua administração austera, diferentemente de JK que precisou fazer um verdadeiro “pacto com o diabo” para construir a cidade, inflacionando o país. A ideia “absurda”, mas necessária, e prometida por vários presidentes (na verdade, desde o Marquês de Pombal e José Bonifácio) de transferir a capital do Brasil para o interior, provocou uma inflação monstro e várias acusações , nunca comprovadas, de corrupção e desvio de verba.

“Brasília Secreta” – Enigma do Antigo Egito (Iara Kern e Ernani Figueiras Pimentel, Editora Pórtico) é uma tese arqueológica de Iara Kern, autora de “De Akhenaton a J.K – Das pirâmides a Brasília”, que mostra inúmeras semelhanças entre a construção de Brasília e a capital do Egito, Akhetaton, que existiu há 3580 anos.

O Congresso Nacional dá a LUZ

Brasília foi fundada em 21 de abril, curiosamente a mesma data de dois fatos importantíssimos em nossa história: em 21 de abril de 1500, os portugueses descobriram o Brasil e Tiradentes foi enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792. Isso sem contar as construções de Brasília qye remetem ao Egito: o Centro de Convenções; o Teatro Nacional, o maior monumento piramidal de Brasília, comparado à pirâmide de Kéops;  a Rodoviária: em forma de um “H” deitado, que representa o homem mortal; o  Congresso Nacional, em forma de “H” em pé, representando o homem imortal, espiritual e suas duas conchas, o côncavo e o convexo, com a finalidade de captar energia cósmica e telúrica; a Esplanada dos Ministérios semelhante às avenidas de Akhetaton; o Lago Paranoá, semelhante ao lago Moeris; a Pirâmide da CEB (Central Energética de Brasília): semelhante à pirâmide de Sakara; o  Edifício Bittar II, construção semelhante à tumba do faraó Ramsés II fora as várias pirâmides da cidade como o famoso Templo da Boa Vontade, Ordem Rosa Cruz, Grande Oriente do Brasil, Catedral Metropolitana, Igreja Messiânica, Igreja Rainha da Paz, Memorial JK, entre outras.

   VÁRIAS EXPERIÊNCIAS   PESSOAIS OCORRIDAS ENTRE RJ & DF ATRAVÉS DAS DÉCADAS:

 Recebi um convite para visitar a capital do país em 2009. Algumas semanas antes desse convite, encontrei no Rio, um amigo das antigas da capital federal, que não via há mais de uma década. Ele me apresentou a esposa e passamos a tarde juntos. O dia foi tão especial, que àquela tarde quem passou na esquina de casa, foi a atriz Katie Holmes, que estava no Rio, com a filha Suri e o marido Tom Cruise. Refleti como o mundo, realmente, é pequeno. Alguns anos antes desse encontro de esquinas e almas, gostava de assistir a séries americanas e uma de minhas favoritas, ou a  única que eu assistia que se referia à questões adolescentes, era Dawson´s Creek cuja atriz principal era a Katie Holmes. Tê-la na minha esquina, no mesmo dia do encontro com um amigo de Brasília,  que não via há anos, era uma baita sincronicidade. Ou melhor dizendo: um aviso do que iria acontecer: parte do meu passado, não sei se do Egito, ou daqui mesmo, estava no Planalto Central. Haviam me ofertado mais uma peça do grande quebra-cabeças kármico que  regia a minha encarnação.

A Filha de Tom Cruise e Katie Holmes, Suri, dando uma voltinha na esquina de casa.

— Morei em São Paulo durante um bom tempo. Ganhei uma grana trabalhando com uma banda, mas foi um período terrível, bebida e drogas…, o amigo de Brasília deu início à conversa.

— Qual era a banda?, perguntei.

“A banda Y”, ele disse sem perceber qualquer alteração em meus olhos, que fascinados piscaram ao relembrar outra e significativa sincronicidade ocorrida há 20 anos.

— Há dez anos, contei ao amigo de Brasília, minha banda tocou com essa mesma banda Y em um festival. No hotel, o baixista deles me contou a seguinte história: “Há uma década estive no Rio e meus amigos de Brasília que moravam lá me disseram que “a moda” era ser careca, skin-head, para tirar onda. Raspei a cabeça, coloquei suspensórios, calça malhada e fomos zoar à noite. Como eu estava com a perna machucada, outro “careca” me carregou nas costas. Quando passamos em frente a um cabeludo otário, sentado na frente de um banco, eu, em cima do amigo, puxei o cabelo do cara para jogá-lo no chão. O negócio era meter medo mesmo, marcar território. O cara se levantou e nos encarou. Um dos outros carecas queria enfiar a porrada nele, porque o cara era abusado, mas cada um foi para o seu lado. Foi muito engraçado”, ele me contou rindo.  E eu respondi: “Pois é, esse otário era eu.”

— Você está falando sério?, o colega de Brasília me perguntou, admirado.

— O conflito com os carecas ocorreu bem aqui nessa esquina onde estamos, apontei. Por falar nisso, vamos almoçar?

Convite aceito, escolhemos uma mesa para três em um restaurante próximo. Estava bem quente, com aquele mormaço desestabilizador próximo aos 40 graus. Assim que retomamos a conversa, a esposa do amigo nos chamou a atenção: “Olha quem está passando na esquina, aqui ao nosso lado!” Era o governador de Brasília com short e chinelos, totalmente à vontade com a família.

Depois dessa, ninguém precisava me contar que o meu próximo destino seria a Capital Federal da Nação, onde tive vários insights poderosos, crises de choro “sem motivo” (choros de felicidade) e sincronicidades literalmente absurdas, descritas em pormenores no livro “Mágica Vida Mágica”.

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SINCRONICIDADE DO CARNAVAL E DO TSUNAMI

Marolas?

O efeito cascata funciona como uma fruta que cai de um galho na água parada de um lago. As pequenas ondas, marolas que nascem, seguem em frente sem questionamentos: elas nascem de um movimento, de uma ação e agem sem intenção de causar qualquer mal.

O ser humano joga uma pedra intencionalmente no lago. As marolinhas aparentemente têm a mesma direção, seguem o mesmo caminho, mas há uma grande diferença: a intenção.

Entre a fruta, a pedra e a água sempre há uma relação. Se a fruta causa o movimento no espelho d’água sem intenção, a partir do fluxo e do ciclo da vida, o resultado é sincronisticamente natural. A pedra, diferentemente, causa uma consequência sincronística diversa, pois depende, e muito, da intenção: se a pedra é jogada com raiva causa um determinado e invisível estrago, se é jogada por imaturidade causará outro mais leve, mas sempre causará algum. Não dá para infantilmente não assumirmos as consequências dos nossos atos, por considerarmos essas mesmas ações sem importância.

“Eu sou livre”.

“Eu faço o que quero”.

“Ninguém manda em mim”.


Mais ou menos, não é?

Somos ocidentais, temos valores ocidentais e alguns bem dolorosos sendo como somos, filhos do mundo judaico cristão, bem diferentes dos orientais. Os do oeste são mais ativos, diríamos assim e os do leste mais passivos. Tudo isso dito em tese, partindo do fundamento das religiões e das filosofias reinantes de cada lado do globo. Ocidentais agem, orientais contemplam.

Carnaval

Hoje, em março de 2011, enquanto os brasileiros pulam carnaval, os japoneses choram. Uma grande pedra foi jogada na água e inundou o Japão, provavelmente causando um desastre nuclear. Mas para falar a verdade, choramos por nossa própria culpa, e choramos bem mais do que os japoneses. Mas deixa isso pra lá, esse blog não versa sobre política…

Ondas

Esse novo desastre nuclear ocorreu com o mesmo povo que foi dilacerado pelas primeiras bombas atômicas em 1945; com o mesmo povo que tratou cruelmente seus prisioneiros na Segunda Grande Guerra; exatamente com o pequeno país que invadiu a gigante China e tratou os prisioneiros chineses como escravos e seres inferiores.

Este texto não é uma crítica aos japoneses, amo a cultura japonesa clássica (menos a parte mais ocidentalizada) e não misturo as coisas, mas estou um pouco impressionado – e não surpreso – pelas sincronicidades, ainda mais as que se referem a acidentes “naturais” como os da Região Serrana no Rio, na Nova Zelândia e agora no Japão.

Tsunami

Essa é uma constatação de que toda ação gera uma reação. Não existem povos ruins ou bons, todos nós somos tudo do pior e do melhor e muito mais. Aqui destaco uma notícia recente para que não vejamos as pessoas, ou um povo, como coitadas. A intenção dos Estados Unidos em ajudar o Japão não é humanitária, é estratégica: para que seus navios de guerra aproximem-se da Coreia do Norte e da China. Mas para isso eles precisam de um pedido de ajuda formal do Japão. Tudo feito muito educadamente, por baixo dos panos. E que se danem os mortos. Cuidem-se os futuros mortos de qualquer rusga militar que ocorra, seja no Japão, no Egito, no Iraque ou no Líbano.

Quantas vezes você não se perguntou, vociferando aos céus: “Por que isso aconteceu comigo? Eu não fiz nada!”

Alterações kármicas e genéticas precisam ser feitas urgentemente  e para isso o mundo físico se contorce, mexem-se as placas tectônicas, sobe o nível do mar.

O Brasil deve se preocupar mas creio que os mais preocupados mesmo estão no leste. Que a Austrália e a Nova Zelândia se cuidem.

O carnaval termina agora. A cidade está cheia de turistas, nunca se viu algo assim. E penso o que será depois da estreia do desenho do diretor Carlos Saldanha (“Rio”) a tendência é triplicar, inclusive em número de araras azuis.

Na semana passada,  ouvi uma casal branquérrimo falando inglês com um rapaz de pele morena e cabelo escuro, tipo indiano, no supermercado. O inglês era engraçado. Ontem liguei a TV e à tarde, o rapaz moreno do supermercado estava dando entrevista no mirante do Leblon sobre o carnaval do Rio (era turista) e ele disse: SOU DA NOVA ZELÂNDIA.

Na mesma semana, ouvi uma menina com sotaque paulistano falar com alguém:

“A primeira pessoa que conheci no Rio foi um carioca que mora em São Paulo. Ele me perguntou onde eu morava e respondi Higienópolis. Ele ficou surpreso e falou que também mora lá. Qual é o nome do seu prédio?, perguntei. Ele disse: Joia. Fiquei impressionada: É O MEU PRÉDIO!”

A Sincronicidade de GOETHE

 

Goethe

Era no início o Verbo
Era no início o Poder
Era no início a Ação

Cito no texto anterior que Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), filósofo, poeta, estudioso da natureza, político e cientista nascido no final do século 18 em Frankfurt na Alemanha, nasceu no mesmo dia e mês desse que vos escreve. Por causa dessa pequena coincidência, cresceu meu interesse pela sua obra e história.

Pode haver uma correlação inconsciente entre fatos da vida de alguém que nasceu no seu dia e mês ou isso é apenas fruto da imaginação?

É fazer crer ou tanto desejar acreditar que a mais inocente pista se torna de fato uma verdade?

Mesmo que o leitor encare esse detalhe abaixo como uma mera “coincidência”, no mínimo vale a pena citar que curiosamente, Goethe escreveu três poemas sobre o Brasil (veja só!). Um deles está aqui:

Canção de morte de um prisioneiro brasileiro (1782)

Vinde com coragem, vinde todos,
E juntai-vos para o festim!
Pois com ameaças, com esperanças
Nunca me dobrareis.
Vede, aqui estou, sou prisioneiro,
Mas ainda não vencido.
Vinde, devorai meus membros,
E junto com eles, devorai
Vossos ancestrais, vossos pais,
Que foram meu alimentos.
Esta carne, que vos dou,
Insensatos, é a vossa,
E na minha medula está
Cravada a marca de vossos ancestrais.
Vinde, vinde, a cada mordida
Vossa boca poderá saboreá-los.

Para florear a argumentação, e tornar nossa conversa mais interessante destilo os fatos mais curiosos da vida deste cavalheiro que ficou famoso por ter escrito e divulgado (mas não criado) o mito de Fausto, aquele mesmo que vendeu a alma para Mefistófeles.

 

Índio de Marc Ferrez

O primeiro contato de Goethe com as artes plásticas surgiu de um estranho fato: quando tinha 10 anos, sua cidade foi invadida pelos franceses. Sua casa tornou-se quartel general de um ocupante e nobre francês de nome Thoranc que lhe influenciou vivamente, ao convidar artistas importantes para visitá-lo. Daí em diante o rapaz estudou filosofia, filologia (estudo da língua e de documentos) e direito, tornando-se escritor e homem de Estado em poucos anos. Uma verdadeira ascensão, pensada passo a passo por sua tradicional família burguesa.

Em 1770 decidiu superar todas as fraquezas da carne e mente permanecendo dentro de cemitérios escuros para superar o medo, subindo nos lugares mais altos para acabar com o pavor da altura, e frequentemente encostando os ouvidos nos instrumentos de altíssimas bandas de música para suportar o volume excessivo etc.

Em 1771 – através do seu personagem Werther – pensou diversas vezes em acabar com a própria vida na ponta de uma lâmina. Preferiu falar sobre isso através da ficção, apaziguando a dor e as incertezas de estar apaixonado pela noiva de outro.
Em 1775 já era um verdadeiro superstar, aclamado e reconhecido como grande escritor, antes mesmo dos 30 anos. Sua obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther” tornou-se um sucesso estrondoso.

Educado para acreditar no modelo de uma família perfeita, logo viu seus sonhos desmoronarem pelo simples contato com o sexo oposto. Não era tão fácil como pensava. Apesar de Goethe ter investido demasiadamente em tudo – ciência, artes plásticas, poesia, política e história -, nada disso findava os seus problemas com as mulheres e nada lhe aventava a possibilidade de alcançar o prazer perfeito do contato físico: um dilema difícil para homem tão preparado.

Apaixonado por uma mulher casada, decidiu abandonar o papel incômodo de ser o outro, casando-se com Christiane Vulpius, uma plebéia simples, de traços meridionais e bastante independente. As pessoas viravam-lhe a cara por causa da esposa.

Em 1786/88 viajou – desencantado – para a Itália. Lá entre museus e exposições viveu uma grande crise espiritual que o debilitou mentalmente e fisicamente. Em compensação reviu sua própria vida e pensamentos, buscando o belo em todos os lugares, percebendo a riqueza dos detalhes em uma simples flor, vegetal ou pedra, inclusive tendo produzido diversos desenhos eróticos – somente publicados após a sua morte. Ao retornar à cidade natal, tornou-se ainda mais místico estabelecendo contato com a alquimia e textos de fraternidades espirituais. Após um bom tempo sem escrever, ordenou à pena que criasse clássicos, o que fez sem pestanejar. Começou uma nova e mais rica fase, que nem as paixões e nem o tempo nada puderam fazer contra.

Em 1790 publicou a primeira versão de A Metamorfose das Plantas, resultado dessa nova fase. Em 1806, Napoleão conquistou o Império Alemão. Goethe curtiu essa vitória (afinal o corso era quase francês), mas depois de conhecê-lo pessoalmente em 1808 mudou de idéia, tornando-se seu crítico ferrenho. Ainda nesse ano, Goethe fez a última revisão de Fausto, após mais de 35 anos de trabalho árduo. Confessou a um amigo que se não tivesse selado o livro, certamente ainda teria tentado revisá-lo mais vezes. Em 1808 tem o seu primeiro Fausto publicado. São mais de 12 mil versos. Entre 1790 e 1810 desenvolveu sua teoria cromática; citando os “daímones” (forças côsmicas) e outras “coisas demoníacas” fazendo um paralelo pseudo científico entre as cores, luz e sombra, teorias bem mal recebidas pela comunidade científica do seu tempo. Goethe acreditava que a observação atenta da natureza seria a chave para a compreensão dos fenômenos naturais, ao contrário de Newton, por exemplo. O alemão desenvolveu o princípio da polaridade e da elevação. Acreditava que um só princípio regesse todas as regras da natureza, apesar de manter-se afastado de conceitos religiosos tacanhos. Goethe acreditava que o confronto entre o espírito humano e o mundo material criava a arte, que fundamentava a sua teoria da elevação, provando que a natureza possui a capacidade de se superar infinitamente.

Após a morte da esposa Vulpius em 1816 volta a investir nas esposas dos outros, granjeando os favores sexuais da também casada Marianne Willemer. Depois investiu ainda mais pesado: com 74 anos se relaciona sexualmente com Ulrike von Levetzow de apenas 19 anos.

Aos 82 anos de idade, concluiu a segunda parte do Fausto. “Minha missão está encerrada” ele disse. Morreu alguns dias depois em 22 de março de 1832.

“Vivi cada linha que escrevi, mas não as escrevi tal como foram vividas”

“Onde não há poesia não pode existir verdade e vice-versa”

 

Sincronicidade de ÓRION

Hoje dia 16 de fevereiro de 2011, enquanto edito o clipe para a música ORION surge essa noticia no jornal:

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/02/observatorio-europeu-divulga-foto-de-nebulosa-perto-das-tres-marias.html

A nebulosa Messier 78, a 1.350 anos-luz de distância da Terra, foi fotografada pelo telescópio MPG/ESO no Observatório La Silla, no Chile. O local faz parte do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). A foto foi divulgada nesta quarta-feira (16) e mostra uma nuvem de poeira e gás que reflete a radiação ultravioleta de estrelas ao redor. Messier 78 pode ser vista com um telescópio pequeno perto do grupo de estrelas conhecido no Brasil como Três Marias, na constelação de Órion (Foto: Igor Chekalin / ESO)

A SINCRONICIDADE DO BRASIL

 

A Sincronicidade das Sincronicidades (ou como as partes fazem o todo)

Não tirei o pé de casa durante alguns dias, talvez dois ou três. Se eu sinto que é para terminar um trabalho sem dar-me trégua, o faço sem crises, mesmo que trabalhe 16 horas seguidas (será a endorfina?).

Meu corpo suporta bem a carga de energia do Poder Criador que nos fertiliza de Amor, a semente da criatividade. E criatividade pode ser Amor ou Ego, depende do objetivo, depende da intenção, da interação. É bom trabalhar com um toque de pureza, pois quando o Ego comanda a ação (como por exemplo, fazer algo para provar alguma coisa), a energia não me parece tão abençoada e o resultado é apenas “a menor parte do todo” e isso te afasta da “maior parte do todo”, ou da “melhor parte”, o que é bem mais agregador, completo, bacana e sincronístico. Vivo meu isolamento de monge escritor, sem muitos problemas, pois para mim todo dia é igual ao dia anterior, caso não se faça por onde, caso não se viva a mágica do dia, e a magia necessariamente não está na rua, está em você, pois todos somos Deuses já que a partícula divina está em nós. É genética, é religião, humanidade e filosofia. Mas não adianta querer ser Deus, não é assim que acontece, não adianta exibir o Deus que há em você sem que haja um entendimento do processo, do que é vivenciar que o todo (Deus) está em você (a parte) porque é assim que acontece, não é algo intelectual, mas precisa de discernimento que nem todo mundo tem, um analfabeto ou uma criança podem sentir essa energia, sê-la e um místico pode ficar só no misticismo ralo.

“Mas eu tenho medo dessa história de parte, de todo”, alguém pode sinceramente argumentar. Mas eu também tenho, só que em outra proporção, em um nível diferente, não como o seu e nem você como o meu. E como mesurar, como saber como estamos? Pois é, não dá para saber porque o Ego interfere no julgamento. Mas o Ego serve para muitas coisas: para os artistas, para os políticos, para os ególatras, para galgar degraus na vida social e profissional, para se sair bem nos encontros, etc. Mas então por que recusar o poder do Ego se o Mundo é Ego? Pois é, essa também é uma questão complexa e que certamente envolve receios e medos. Se o mundo é Ego, por que não idolatrar o Ego? Simplesmente, porque você é diferente, porque você é um astronauta sincronizador e se souber disso, não haverá dor, cobrança ou sofrimento. Ah, mas minha mulher, meus amigos, meu filho, meu patrão, a sociedade não entendem, não querem saber, não ajudam, etc. Então dê o seu jeito. E separação faz parte da vida, do aprendizado, não dá para ter tudo para sempre. Tudo é finito.

A soma, quase sempre é difícil de conciliar. E a união dos interesses e necessidades não dependem só de você, dependem do todo, mas é útil entender o  todo através do que é mais “preciso” e do que é “desejado”. Hedonismo e prazer demais não ajudam muito a quem quer se interiorizar. Esses são amigões do Ego, que na maioridade das vezes é péssimo conselheiro.

Voltando ao primeiro parágrafo, fiquei alguns dias sem sair de casa. Após (quase) fechar 3 trabalhos, vi o céu azul e me dei uma folga: “Hoje vou espairecer”. Decidi ver os 140 metros quadrados da tela fenomenal Guerra e Paz de Cândido Portinari (1903-1962) exposto no Theatro Municipal no centro da cidade. Antes, fui entregar um presente de natal para um amigo em um bairro próximo. O prédio era no fim de uma longa rua e ninguém atendeu o interfone. Então um rapaz, morador do prédio que não conheço surgiu e pedi a ele que entregasse o pacote. Pode ter sido um pedido meio “mala”, a pessoa poderia nem querer fazer (e tem todo o direito), mas eu pedi porque senti que era para pedir e nem pensei muito, foi como um fluxo, ou pedia ou ficava com o pacote na mão.  Ele entrou no prédio com o pacote e agradeci. Bacana. Quando me virei para ir embora, vi que bem pertinho, em um larguinho no final da rua havia um santuário. Fui até lá e era a Virgem de Fátima, minha grande amiga. Fui lá e agradeci pela companhia. Me senti abençoado, no caminho certo.


Em direção ao Municipal, ali na esquina, encontrei um chafariz de 1807 (Na foto, não dá para ver a data com precisão, pois como se vê o monumento está pichado). A família Real, fugida de Napoleão, cá chegou em 1808, o monumento é do ano anterior. No Rio de Janeiro, não é difícil encontrar traços do antigo Portugal, mas ter visto o chafariz naquela hora me encantou pois um dos trabalhos que estou escrevendo fala sobre portugueses, índios e negros.

A fila para entrar no Theatro Municipal dava a volta no quarteirão. Como me preparei para uma situação dessas, levei um livro sobre a Guerra do Paraguai para ler na rua. Meu último lugar na fila era em frente ao Clube Militar, que tem dois alto relevos na parte externa do prédio com imagens da… Guerra do Paraguai. 10 minutos depois que cheguei, um amigo das antigas, que fiquei sem ver por mais de uma década, saiu do tal prédio. Nos últimos quinze anos só nos encontramos duas vezes e ambas em 2010: em uma rua perto de casa no início de 2010 e agora. No primeiro encontro, ele me contou da decisão que havia tomado de mudar de profissão porque seu coração o disse e acrescentou que estava feliz. Nesse nosso segundo fortuito encontro, no final do mesmo ano, agora em dezembro, ele me abraçou e falou que estava trabalhando no Clube Militar em um esquema bem mais legal. Ele surgiu no início e no fechamento do ano para passar a mensagem. O amigo abandonou o que nada mais valia para ele, deu uma pernada no Ego e se desapegou, mas para isso teve que ralar, se repaginou, melhorou, progrediu, mas o melhor dele ainda estava intacto: o coração. Na hora, pensei, é claro, que nenhum encontro desses é casual. Nos encontramos em datas simbólicas, início e fim de ano, porque estamos entranhados com a mesma energia: a mudança interna e externa.

Subitamente uma Deusa surgiu na avenida principal em carreata veloz, seguida por vários ônibus festeiros como barcas de quatro rodas: era Iemanjá a frente do cortejo em direção à praia de Copacabana. Iemanjá, linda, nos abençoou com seus longos cabelos e sua vestimenta branca com as mãos doando luz, como Nossa Senhora. A súbita cena me preencheu a alma, pois toda boa surpresa não marca visita, te pega pelo colarinho, te beija sem pedir. Ao vê-la, me senti leve, fazendo parte de algo muito especial, muito lindo, integrado, coeso e único. Sorri, quase chorei.

Na fila, jovens falavam das férias, que estavam loucos para deixar a cidade e de preferência o país. “Quero ir para a Austrália”, “Quero ir para Portugal ficar um ano” e uma menina acrescentou: “Vou trabalhar de garçonete em Lisboa”, etc (um deles falou: “Canadá não, porque é muito frio”). Todos, obviamente, empregados, mas insatisfeitos. E o papo me chamou a atenção, porque eu não estava ali naquela fila gigante para ver um quadro, mas para ver o Brasil, para conhecer o Brasil, para me reconhecer no meu país, no nosso país, para me emocionar e atrás de mim, outros estavam ali para ver um quadro, que poderia ser de qualquer artista, brasileiro ou não, tanto faz. Mas entre nós, eu e eles, apesar de fisicamente próximos, havia uma barreira interna enorme de percepções diferentes da vida e de diferentes objetivos: eles querendo se encontrar do lado de fora e eu querendo me encontrar do lado de dentro.

Portinari é o pintor da alma brasileira. O que se pode entender da obra que representa a brasilidade se ela não existe em seu coração? Só se poderá ver exterioridades, cores e tinta, mas não senti-la, vivê-la com a sua alma.

Depois de uma hora na fila, entramos no Municipal, reformado, lindo, uma coisa de louco e teve inicio uma projeção lindíssima contando a história do quadro Guerra e Paz de Cândido Portinari. O quadro havia sido exposto pela primeira vez, ali mesmo no Theatro em 1956 quando Juscelino Kubitschek era o Presidente. Tenho uma ligação espiritual muito grande com Juscelino e estando ali frente a frente com aquela obra monumental, de extrema beleza, o que eu poderia fazer a não ser me emocionar? A arte tem um poder impressionante de nos liberar, de nos libertar, de dar razão a tudo, de dar vazão a tudo.

Depois do Municipal, quis mais arte e fui para a Caixa Cultural, ao lado, para ver se havia exposições ou mostras.  No térreo havia um conjunto de tapeçarias inspiradas na tela Guerra e Paz. Uma delas me chamou a atenção: um Cérbero, o cão de três cabeças (foto). Quando se vê os dois painéis que compõem Guerra e Paz há tantos detalhes, que não há como perceber tudo, não há como reconhecer todas as figuras, a riqueza de detalhes é incrível e o Cérbero da tela me passou batido, mas lá estava a reprodução do animal em uma tapeçaria, dando-lhe o destaque necessário. O nome de um dos personagens do livro que estou escrevendo se chama… Cérbero.

Subi para o segundo andar. Na primeira sala dei de cara com fotos feitas por Darcy Ribeiro, o grande Darcy, sobre os grupos indígenas Kadiwéu, Urubu-Ka’apor e Ofayé-Xavante nas décadas de 40 e 50. Tudo absolutamente lindo, imperdoavelmente lindo, foi como uma pancada de brasilidade na minha alma. Darcy tudo pode. Mais uma vez associei: o trabalho que estou escrevendo é sobre portugueses, índios e negros. Mas me vi, debruçado, embevecido sobre um determinado grupo: os Kadiwéu. Seus traços belos parecem uma mescla de orientais com andinos e seus rostos, pintados com desenhos geométricos que formam mosaicos, indesculpavelmente lindos. Os índios Kadiwéu ou Cadiueus salvaram uma coluna brasileira (a Retirada da Laguna) de ser totalmente destruída pelas forças “inimigas” na Guerra do Paraguai. Não sabia disso e a fascinação começou a fazer sentido.

Na segunda sala, assisti a um maravilhoso documentário sobre o pensador negro americano Richard Wright. Parecia que estava tendo uma aula – bem criativa, por sinal – sobre portugueses, índios e negros. Lembrei do que escutei na fila, sobre jovens que nada querem com o Brasil: me vi tomando banho de Brasil enquanto os outros se enxugavam. Pois é, cada um na sua.

 

Ver exposições sobre temas que estou escrevendo exibe uma sincronia: de que estou fazendo a coisa certa na hora certa, sintonizado com o meu destino e com o destino do universo.

 

De volta para casa, no metrô, ao meu lado, três rapazes começam a falar que estavam loucos para deixar a cidade e de preferência o país. “Quero ir para a Austrália”, “Quero ir para Portugal ficar um ano”. Mas foram acrescentadas outras rotas de fuga como Suécia, Finlândia, Nova Zelândia e Noruega.

Portinari tinha um pensamento curioso: “Todas as coisas pobres e frágeis se parecem comigo.”

 

Sim, somos pobres e ricos, frágeis e fortes, brasileiros ou não, queremos ficar aqui em “nossa” terra ou não, queremos mudar ou continuar, queremos tudo e nada.

 

Mas só uma coisa é importante, a mais importante de todas: estando sincronizado, todas as escolhas são abençoadas, porque elas nos pertencem e nós ao mundo.

 

Não é só isso, mas é isso e isso é TUDO.

 

A Sincronicidade da Escravidão

 

Na semana passada, o país ou mais precisamente o Rio de Janeiro, viveu momentos de tensão quando a polícia e o exército “retomaram” o Complexo do Alemão na Penha, subúrbio do Rio.

Muita coisa se falou, muitos foram a favor, poucos contra – da forma como foi feita  – e desses poucos, sociólogos avisaram que não basta falar em esperança, torcer por ela sem mudar a estrutura… é preciso muito mais do que falar. Para posar de esperançoso é preciso mudar as atitudes. Aqui não é o espaço para falarmos sobre política, mas esse é o espaço ideal para falarmos sobre aparências, discutir a diferença entre o discurso e o conteúdo da alma.

Essa conversa de “retomada” é curiosa. Retomar o que já é nosso? É a velha questão: o que não é tratado com carinho, o que é tratado com desprezo se perde e aí há que se falar em “retomada”, exatamente como ocorre no amor. A cena da “reconquista” do Alemão simbolizada pela bandeira brasileira tremulando no topo de uma edificação do PAC, não era, mas se assemelhava, de forma inconsciente, à dominação norte-americana do satélite lunar, com aquelas bandeirinhas duras fincadas na terra por astronautas com roupas de robô e assemelhava-se à bandeira russa hasteada em Berlim ou à cena (forjada) da bandeira americana hasteada na ilha japonesa de Iwo Jima. A batalha foi ganha, mas não a guerra e a imagem vale mais do que um terabyte de palavras.

Complexo do Alemão

É verdade que “bons” exemplos externos estimulam a melhora do ambiente e é melhor falar em esperança do que amaldiçoar tudo e todos, mas não basta torcer pela esperança, é preciso fazê-la florescer, gerar frutos, flores e raízes em nosso jardim interno.

 

Relato aqui os eventos ocorridos nos últimos dias.

 

Decidi comprar dois livros, um sobre o presidente Juscelino Kubitschek e outro sobre a Guerra de Canudos. Pesquisando as prateleiras encontrei um bem interessante sobre escravidão no Império e como não tinha grana para três livros, fiquei com o de Canudos e o da escravidão. O amigo-gerente da livraria de usados, insistiu para que eu levasse os três. Disse que não podia, apesar de querer. Ele fez um baita desconto que me fez “retomar” o do Juscelino.

Toda pequena ação, por mais pequenina que seja, se conecta às grandes, essas sim que abrem as portas. As pequenas são as pistas, miolos de pão indicando o caminho. Curioso, abri a primeira página do Juscelino, me perguntando porque o gerente quis que eu o levasse. Lá estava o nome da ex-proprietária com uma data e o bairro: o meu bairro. Sorri.

Pensei: esses três livros sobre o Brasil querem me dizer algo sobre “a retomada” do Alemão e me veio à mente, a imagem dos bandidos da Vila Cruzeiro, fugindo em debandada da polícia como mostraram as emblemáticas imagens exibidas pela Rede Globo. Quando vi essas cenas ao vivo, e como os traficantes estavam a uma boa distância, não foi possível ver-lhes os rostos, somente era perceptível que eram negros e muitos estavam sem camisa. O local da fuga era no alto de um morro, a estrada de terra, não havia asfalto e o mato campeava ao largo, nada de diferente da época da colônia. A TV parecia uma máquina do tempo para o Brasil colonial. Estava com o livro sobre Canudos na mão. Olhei-o com atenção e virei o rosto para o livro sobre escravos. Negros sem camisas, fugindo. Canudos não deixava de ser uma favela de excluídos e foi devastada pelo Estado por ser considerada monarquista, foco de resistência.

De um Quilombo...

A fuga dos traficantes de um quilombo para outro.

 

Minha percepção fez o resto: o Brasil não muda, vive de mudanças em conta gotas, que se fossem feitas a tempo, poupariam o país de muitos sofrimentos. A invasão do Alemão é um ato para a audiência. Para a “retomada” da alma é preciso muito mais, coisas que câmeras não mostram e que não dão audiência.

Quem tem que mudar somos nós.

A impressão inicial falou muita coisa sobre o que vivemos hoje em 2010, que não é muito diferente do que ocorria no final do século XIX. A promiscuidade da Casa Grande e Senzala continua.

José Bonifácio tentou incluir o fim da escravidão na Constituição de 1823. Não conseguiu. Bonifácio me lembra o antropólogo Luiz Eduardo Soares que mais de 150 anos depois teve que se exilar, como Bonifácio que foi exilado, por tentar consertar velhos erros.

O maior argumento da oposição escravocrata era que os negros tinham teto e comida assegurados e que na rua morreriam de fome. Patrões piedosos e escravos desprotegidos.

Erros sociais, erros espirituais.

 

Correntes

Os proprietários dos escravos tinham medo de uma revolta, nem podiam dormir direito com receio de que os africanos os esfaqueassem à noite em suas camas, exatamente como ocorre hoje quando a classe média e alta se tranca em prédios cercados por seguranças e grades. No passado, os donos engravidavam as escravas, tanto pela mania brasileira de ter vantagem, como pelo fato de que eles eram donos dos seus corpos. Hoje, a questão é que há um grande consumo de drogas e é estranho ouvir os mesmos consumidores pedirem que os traficantes sejam eliminados e as favelas “pacificadas”.

“… A CORJA IGNARA QUE POVOA AS FAVELAS TUDO PODE (…) O PRÓXIMO PASSO É NOS TRANSFORMARMOS NUM HAITI, O ÚLTIMO DEGRAU DA DECADÊNCIA HUMANA…MAS NÃO ESTAREI VIVO ATÉ LÁ…” Esse é um texto que encontrei na internet escrito recentemente por um senhor a respeito dos negros de classe média baixa e pobres residentes no mesmo bairro de classse alta. Provavelmente o autor da “reflexão” participa de missas e cultos, lê a Bíblia e se jacta de ser religioso, mas não entende o que a própria Bíblia explica.

Tropa de Elite ou Capitões do Mato?

As esposas dos senhores de engenho passavam as tardes conversando com as escravas, para não enfrentarem a própria solidão. À noite as escravas dividiam a cama com o patrão.

Ontem, quando adentrei na fila de apostadores esperançosos na lotérica mais próxima, o sistema estava fora do ar, breves momentos nos quais o sistema verdadeiramente cai, e ouvi: “Tenho 80 anos, esse país não tem jeito!”, vociferou a senhora, que não aparentava possuir as tais 8 décadas de “suplício”, com contas a pagar na primeira posição da fila de idosos, impaciente, por ter que esperar.

“Eu acredito no MEU país”, disse sem altercação.

Quando a respondi, não disse que acreditava em UM Brasil, no Brasil de todos, pois são MUITOS os Brasis, como são muitas as almas. Disse que acreditava e acredito no país que posso construir a minha volta, à minha imagem e semelhança.

Esse país é MEU porque eu não posso viver sem acreditar, como não posso esperar a contribuição sem contribuir, não posso caminhar se não acredito na força das minhas pernas. Como querer paz se não dou paz, como querer amor se não dou amor?

Eu não reclamo, faço. Mas isso parece que não vale nada em um mundo de aparências.

Na saída da lotérica, passei na porta do shopping bem alimentado e uma jovem bem alimentada, carregada de bolsas de grife, emitiu o seguinte pensamento para o seu amigo sob o jugo benéfico do ar condicionado:

“Tem que matar. Não pode deixar criminoso em penitenciária de segurança, tem que matar”, a “sinhá-moça” repetiu com seus óculos de grife.

Democracia de exceção, que beleza! O que serve para uns não deve servir para todos.  Muitos pensam assim, ela não é única mas a sinhá-moça deu o azar de passar por mim, que não admito ouvir isso e ficar calado. Não me assustaria de saber que ela faz parte de um grupo religioso ou tem amigos em ONGs.

A sensação, melhor dizendo, a regressão que vi – ou revi – nesses últimos dias é que nada mudará no país, no mundo, sem uma mudança interna. “Ter” uma religião ou uma posição social não é suficiente para te transformar em uma pessoa melhor, mas no mundo das aparências vale muito. De fato, as pessoas querem ser iludidas. A sinhá-moça sabe, com toda a certeza, que matar ou expulsar traficantes escravos não é o suficiente sem que os filhos dos senhores dos engenhos mudem, que abram mão de alguns dos seus prazeres em prol do coletivo, mas apesar disso ela não quer saber.

A verdadeira mudança é feita em silêncio. O clamor das massas serve para dopar e não para consertar, pode até servir para alertar, mas depois de uma boa noite de sono sem nenhum escravo pronto a clamar por liberdade na ponta da faca, não há quem não resista em acreditar que tudo está melhor, que há ordem e progresso.

Muitas vezes quando escrevo penso em apagar tudo e não publicar mais nada, pois me sinto falando com as paredes. Mas cada um desses exemplos citados, ao invés de me desestimularem, me forçam a seguir em frente, seja eu um Dom Quixote, um Profeta Gentileza ou eu mesmo.

Pena tenho, dos Escravos dos próprios prazeres e mentiras que NÃO se libertam, mesmo com a chave nas mãos.

Se falta AMOR, falta TUDO.

CORJA IGNARA.

A Sincronicidade dos Deuses Astronautas

 

No dia 9 de agosto, desci às 17h para meditar na igrejinha do bairro. A energia estava razoável e depois saí. Na escadaria da igreja, encontrei um palito de picolé de plástico laranja, com ranhuras para serem encaixados uns nos outros. Não sei se isso voltou a ser moda agora, mas certamente não era o mesmo palito que eu juntava nos anos 70, certamente não.

Com o palito na palma da mão, minha infância retornou à vida em questão de segundos, fragmentos de uma memória perdida se refizeram, não visuais mas sentimentais. Recordei que juntei  vários desses para montar várias coisas, dar asas à imaginação. Me perguntei  o que isso significava, pois procuro significados em quase tudo e quase sempre há um, sem exagero.

Ações externas estão ligadas às internas. Sempre.

Talvez o palito mágico estivesse me dizendo que eu deveria “voltar ao ponto de partida”, e isso para mim significa pureza, o ato puro de me libertar das pedras carregadas nas costas que atrasam o caminhar, a simbologia que me faz crer que é necessário abrir mão de quase tudo o que é desnecessário, para que a pureza e o amor pela vida possam reinar, sem traumas ou escândalos.

Só de acreditar nessa inspiração, várias ideias afloraram: projetos pessoais e profissionais, todos ligados em uma corrente do bem que soma alta estima, paciência, trabalho constante, objetivo, foco etc. Todos os meus sonhos são puros como a água mais fluídica, pois eu não busco nada que possa prejudicar quem quer que seja, eu me interesso em ter o meu espaço, e poder trabalhar livremente, e ser recompensado por isso dignamente. Não busco poder, sexo, fama ou status. Celebro o amor à vida e aos estudos sem vícios ou objetivos obscuros. Por isso me considero puro.

Já na rua, e inspirado, pensei que deveria seguir em direção à outra igreja, distante a uns 30 minutos a pé. Cheguei na missa das 18h, a igreja estava apinhada. Sentei, meditei e senti a vibração bombando, poderosa. É um negócio tão louco (e gostoso) que nesse estado de catarse, a sua mente dialoga livremente em um ambiente fluídico, onde nitidamente o “cliente” se desliga dos pensamentos mundanos do dia-a-dia (e inclusive de quem está sentado ao seu lado) para refletir sobre o que é realmente útil para sermos felizes. Nesse estado, uma assistente do padre começou a recitar um trecho do Profeta Ezequiel que relata o seu encontro com Deus:

(1,4) – Eu olhei: havia um vento tempestuoso que soprava do norte, uma grande nuvem e um fogo chamejante; em torno de uma grande claridade e no centro algo que parecia electro, no meio do fogo. (1,5) No centro, algo com a forma semelhante a quatro animais, mas cuja aparência fazia lembrar uma forma humana. (1,6) Cada qual tinha quatro faces e quatro asas.

(1,22) Sobre as cabeças do animal havia algo que parecia uma abóbada, brilhante como o cristal, estendido sobre suas cabeças, por cima delas. (1,24) Eu ouvia o ruído de suas asas, semelhante ao ruído de grandes águas, semelhante à voz de Shaddai; quando se moviam, havia um ruído como de uma tempestade, como de um acampamento; quando paravam, abaixavam as asas. (1,25) Houve um ruído. (1,26) Por cima da abóbada que ficava sobre suas cabeças havia algo que tinha a aparência de uma pedra de safira em forma de trono, e sobre esta forma de trono, bem no alto, havia um ser com aparência humana.

Ezequiel

De acordo com a Bíblia hebraica, Ezequiel (tradução: “Deus fortalecerá”, ou “Deus”), foi um sacerdote que profetizou por 22 anos durante o século VI a.C., através de visões que teve durante o exílio da Babilônia, tal como registrado no Livro de Ezequiel (wikipedia).

 

Mesmo em meu estado alterado, uma alegria imensa preencheu minha alma, por causa de uma “coincidência”: eu ouvi esse mesmo texto lido na igreja, sem que eu tivesse dado muita atenção,  em um documentário na TV, no dia 8 de agosto de 2010, ou seja no dia anterior. O programa televisivo era sobre um livro que li na adolescência: “Eram os Deuses Astronautas?”, escrito em 1968 pelo suíço Erich von Däniken, que apregoava que todos os deuses da antiguidade eram alienígenas.

Saí de lá, como o mais feliz dos felizes, não sei se por causa da sincronicidade dessa passagem da Bíblia, que reforçava imagens contraditórias, lúdicas e lógicas, ou porque quando me deparo com as sincronicidades me sinto abençoado. E olha, que esse sentimento não é uma alegria de quem comemora um gol, ou de quem ganhou o primeiro beijo da mulher amada, mas é uma confraternização entre você com o seu ser interno e o mundo sincronizado. É uma sensação bonita demais, mais do que de conforto, é uma completa realização prenhe de entendimento. Essa sincronicidade dos Deuses Astronautas me ligou às estrelas, aos mundos paralelos, aos monumentos influenciados por esses seres, feitos por culturas antiquíssimas, e me tirou dos meus problemas mundanos de 2010, me projetando para 8 mil anos antes de Cristo e para o futuro em galáxias distante a milhões de anos luz.

Havia esquecido do palito, mas ao lembrar que ele estava comigo, o ergui como se fosse a minha espada cerimonial, como se mil raios saltassem das nuvens para unirem-se em um único foco, me dando moral e energia inexplicáveis. Se não fosse pelo palito eu não teria ido à igreja para vivenciar essa sincronicidade mágica.

Caminhei em direção à praia, que é bem perto dessa igreja. Me diriji às estátuas de Dorival Caymmi e Carlos Drummond no início do calçadão na praia de Copacabana para cumprir o meu ritual de praxe: pedir a benção aos mestres da música e da literatura, para abençoarem o meu caminhar e minhas decisões. Então lembrei de mais uma: entre sábado e domingo assisti no canal Globo News a um documentário sobre Drummond e também ao programa Sarau, de música brasileira , que “por acaso” foi sobre Caymmi.  Claro que os assisti sem ter programado nada, a TV estava ligada e os programas passaram.

E para minha surpresa na quarta, dia 10 de agosto, foi publicada uma portaria no Diário Oficial da União, que orienta pilotos civis e militares, controladores e demais usuários dos serviços de controle de tráfego aéreo nacional a repassar ao Comando de Defesa Aeroespacial, em Brasília, seus relatos e provas documentais a respeito dos óvnis e demais aparições extraterrestres.

A Portaria 551/GC3, com data de 9 de agosto, ressalva que caberá à Força Aérea apenas registrar os relatos, em formulário próprio.

Ezequiel Clássico

Essa é a passagem inicial do encontro de Ezequiel com Deus:

A visão da glória de Deus

1 No trigésimo ano, no dia cinco do quarto mês, encontrava-me eu entre os exilados, junto ao rio Cobar, quando os céus se abriram e contemplei visões divinas.

2 No dia cinco do mês (era o quinto ano do exílio do rei Joiaquin)

3 a palavra do SENHOR foi dirigida a Ezequiel filho do sacerdote Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Cobar. – Foi ali que a mão do SENHOR esteve sobre mim,

4 e eu vi que um vento impetuoso vinha do norte, uma grande nuvem envolta em claridade e relâmpagos, no meio da qual brilhava algo como se fosse ouro brilhante.

5 No centro aparecia a forma de quatro seres vivos. Este era seu aspecto: Tinham forma humana.

6 Cada um apresentava quatro faces e tinha quatro asas.

7 Quanto às pernas, tinham pernas retas e patas como as de bezerro; reluziam como o brilho do bronze polido.

8 Por baixo das asas tinham mãos humanas nos quatro lados, pois todos os quatro tinham rosto e asas.

9 As asas tocavam-se umas nas outras. Ao se moverem não se voltavam, mas cada um seguia para onde estava voltado o seu rosto.

10 Quanto à forma das faces, tinham rosto humano, rosto de leão do lado direito de cada um dos quatro, rosto de touro do lado esquerdo de cada um dos quatro, e rosto de águia cada um dos quatro.

11 Cada um tinha duas asas estendidas por cima, que se tocavam umas nas outras, e duas asas que cobriam o corpo.

12 Cada um caminhava para sua frente, para onde o vento os impelia, sem se voltar enquanto se movia.

13 No meio dos seres vivos aparecia algo como brasas; pareciam tochas acesas, faiscando entre os seres vivos. O fogo cintilava, e do meio do fogo saíam relâmpagos.

14 Os seres vivos coriscavam, parecendo raios.

15 Olhei para os seres vivos e vi que havia uma roda no chão, junto a cada um dos quatro seres vivos.

16 Quanto à forma e ao feitio, as rodas eram como o brilho do crisólito. Todas as quatro tinham o mesmo formato. Quanto à forma e ao feitio, eram como se uma roda estivesse no meio da outra.

17 Quando se moviam, podiam avançar em cada uma das quatro direções, sem se voltarem enquanto se moviam.

18 As rodas tinham aros, e eu vi que cada um dos quatro aros estava cheio de olhos ao redor.

19 Quando os seres vivos se movimentavam, moviam-se também as rodas ao lado deles. Quando os seres vivos se elevavam do chão, também as rodas se levantavam.

20 Iam para onde o vento os impelia. As rodas elevavam-se

junto com eles, pois o espírito dos seres vivos estava nas rodas.

21 As rodas moviam-se quando os seres vivos se moviam, paravam quando eles paravam e, quando se elevavam do chão, juntamente com eles elevavam-se as rodas, pois nelas estava o espírito dos seres vivos.

22 Acima das cabeças dos seres vivos havia uma espécie de firmamento, esplêndido como cristal, estendido sobre as cabeças.

23 Por baixo do firmamento estavam as asas estendidas, uma em direção à outra, sendo que duas delas lhes cobriam o corpo de um e de outro lado.

24 E eu ouvi o rumor das asas: Era como o rumor de muitas águas, como a voz do Poderoso; quando se moviam, seu ruído era como o estrépito de um acampamento militar. Quando paravam, abaixavam as asas.

25 Pois quando o ruído vinha de cima do firmamento que estava sobre as cabeças deles, eles paravam e abaixavam as asas.

26 Acima do firmamento que estava sobre as cabeças havia algo parecido com safira, em forma de trono, e sobre esta forma de trono, bem no alto, uma figura com aparência humana.

27 E eu vi como que um brilho de ouro brilhante, envolvendo-a como se fosse fogo, do lado de cima do que parecia ser a cintura. Do lado de baixo do que parecia ser a cintura vi algo como fogo. Estava toda envolta de resplendor.

28 O resplendor que a envolvia tinha o mesmo aspecto do arco-íris que se forma nas nuvens em dia de chuva. Tal era a aparência visível da glória do SENHOR. Ao ver isto, caí prostrado e ouvi a voz de alguém que falava.