MULTA

A história da semana.

Um conhecido passou um final de semana no Rio. Nos encontramos, conversamos, e falei sobre as diferenças entre as capitais. Disse que antigamente o metrô carioca não funcionava aos domingos e que as lojas não abriam, etc. Ele achou engraçado e comentei que a globalização unifica tudo como se as diferenças regionais/culturais não tivessem importância. “É o progresso”, comentei.

Sem nem saber direito o por quê falei sobre o guarda e o fiscal do cigarro e do pipi. Pois é…  É o Lixo Zero! Quem jogar lixo ou cigarro na rua ou urinar em via pública é multado. Todo governo que se preze – e com buraco nas finanças – descobre, mais cedo ou mais tarde, que além de aumentar ou criar impostos, o negócio é multar.

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O conhecido achou graça e perguntou: – Mas como se cobra?

– Te pedem a carteira de identidade e devem requerer que se pague na hora…

– Mas e se o cara não tiver dinheiro?

– Vai pra delegacia esquentar um banco – ri.

Nos despedimos e ele seguiu adiante. Ao se dirigir para um bar jogou a guimba do cigarro na rua. Em menos de um segundo, surgiram o fiscal e o policial que estendeu o bloco de notas para multá-lo. Ele lembrou do que eu havia contado minutos antes e não acreditou.

– Senhor policial, eu não sou daqui! Não joguei o cigarro no chão por mal!

– Turista ou não, ninguém pode sujar a rua.

– Por favor, seu policial. Não me multe!

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Um desconhecido em uma mesa ao lado intercedeu: – Eu também sou turista. Gostaria que em minha cidade multassem quem joga lixo na rua, mas por favor, seu guarda, deixe que o moço recolha o lixo para não ser multado.

Pressionado pela repentina notoriedade, o policial olha para o fiscal e ambos deixam o meu conhecido recolher o lixo para jogá-lo no lixo.

Aliviado, o meu amigo agradece ao estranho.

– Muito obrigado, amigo por ter me ajudado.

Se dão as mãos.

– Nunca mais jogo cigarro na rua, nem em minha cidade! Por falar nisso, de onde você é?

A resposta: a mesma cidade de onde veio o nosso personagem principal.

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A vida ocorre agora. O resto é memória.

sinc_mae_20_8_15_1921-22 Pablo Picasso (Spanish artist, 1881–1973) Mother and Child.

Viver o hoje, o aqui e o agora é a solução para nos afastar das armadilhas da mente. É um exercício diário, constante, e a bem da verdade, complexo. A tentação é grande em vivermos entre comparações, entre o que foi e o que há. Quando, por exemplo, acreditamos que uma gripe anterior é “parte” de uma gripe atual, por assim dizer.

A mente funciona como uma câmara de eco. Idéias do passado, mágoas, lembranças de ontem batem na parede, e retornam ao ponto de origem amplificadas. E incorremos em grande perda de tempo ao valorizar ecos que não são reais. Uma boa forma de tratar um trauma é não dar-lhe importância. Não desprezá-lo, mas não valorizá-lo. As lembranças não devem nos impedir de agir. A vida ocorre agora. O resto é memória.

Você sabe que o passado “existe”, mas ele já ocorreu, não acontece neste segundo. Por isso todo o tempo usado remastigando o que já foi engolido só cria suco gástrico e úlceras mentais. O coração fica pesado e rubro. Paralisado. O que “resta” após as nossas experiências (do passado) é uma espécie de reflexão. O trauma é o excesso, o eco reamplificado. E quem alimenta tudo isso somos nós quando damos importância a ecos. É a mesma coisa que fazemos ao julgar os outros pelos nossos parâmetros. Cada um é uma experiência única. Mas a maioria precisa de líderes sejam religiosos ou políticos para dizer-lhes o que fazer. Você pode ser o seu líder sem ser alguém desumano ou egoísta. Se você consegue conviver com isso, ótimo. Se não consegue aprenda a negociar ou se afaste…

As coisas que eu posso resolver agora eu resolvo. As que não posso, ou não quero, deixo para quando for possível. É como administrar as contas. Não dá para pagar tudo quando nos vemos entre a cruz e a caldeirinha. Saldamos o que é prioridade e administramos as dívidas. Os luxos (ou excessos) passam a não ter importância. E se alguém depende “miseravelmente” dos luxos para viver…

A pergunta é: como podemos negociar as soluções?

As histórias que relato no texto de hoje dizem respeito a “tratar” o passado de forma terapêutica. Pelo menos é o que ocorre comigo, e tem servido como motivação.

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Tenho algumas histórias com minha mãe, muitas não muito agradáveis. Ela pode ter feito 80% de coisas ótimas, mas os 20% marcaram demais. Hoje, entendo vários dos seus “defeitos”, e não a julgo o que passou, mas sei que influenciaram o que ocorreria depois. Toda ação gera uma reação, muitas vezes inimaginável. Muitos pais, em sua autoridade – ou falta dela – se excedem, e alegam que não o fazem por “mal”, mas por “acharem” que fazem o “melhor para os filhos”. Muito disso é questionável. Mal comparando, é como a questão da maioridade penal ou de castigar os filhos. Há os contra e os favor. Quem ganha? Quem perde?

De todas as artes com as quais me envolvi, o desenho é – para mim – a mais terapêutica. Minha primeira paixão foram as histórias em quadrinhos. Colecionava várias revistas de superheróis, por volta de dez anos de idade. Certa vez, fiz alguma “malcriação” para minha mãe e ela rasgou cada uma das revistas – e era uma pilha -, bem na minha frente. Eu implorava, me agarrava em sua perna, chorando, para que ela parasse. Mamãe prosseguiu dizendo que eu deveria “virar homem”. Vi meus heróis virarem pó.

Para não dramatizar muito, mas já dramatizando, lembro que me ajoelhei perante àquele monte de papel e senti uma dor imensa, muito maior do que o meu tamanho, com apenas uma década de vida. Ninguém merece… Sei que apenas tive revistas rasgadas, e hoje, acho bobo ter chorado por causa disso, mas não eram revistas, eram sonhos. Conheci meninos da minha idade estuprados e vivendo em condições miseráveis, mas essa era a minha “realidade” de menino de classe média. Nunca vi criança de dez anos ter consciência social…

Desde àquela época decidi não mais desenhar. Perdi as forças, por assim dizer. Ainda tentei, mas não estudei, e nem me esforcei o suficiente e acabei deixando para lá. De certa forma, senti que não era mais para mim, que a “missão” era outra e que o tempo daria cabo ou resolveria a questão. Até parecia que eu fazia algo errado quando segurava um lápis… Muitos sofrem bullying no colégio. Meu primeiro bullying foi em casa…

Por que (re)conto essa história? Por que falo sobre não lembrarmos de traumas e recupero um? Para quê?

Passados 40 anos, um amigo me trouxe um presente: uma das revistas, uma das mais simbólicas, dos meus dez anos de idade. Ele nunca soube dessa história. O link entre os fatos foi inconsciente. O amigo serviu de ponte entre o passado e o presente para me intuir a respeito de um desejo relutante: retomar os pincéis.

Sabe a sensação de um filho sair pela porta de casa e voltar 40 anos depois? Qual seria a sua reação? Admoestá-lo ou perdoá-lo? Ter de novo a revista em minhas mãos apagou 4 décadas de intervalo entre um evento e outro. O religamento foi tão intenso que pesquisei na internet grande parte das revistas rasgadas. Nos anos 70, ninguém imaginaria ser possível “baixar” livros ou filmes. Era coisa de Jornada nas Estrelas. Aquela era a época do ter ou não ter. Hoje, grande parte do acervo mundial está disponível, como “energia” e não mais como algo físico, como “matéria”. Mesmo que não seja para lê-las, as baixei para recompor a partitura perdida, rasgada há tanto tempo, e principalmente para me perdoar e perdoar mamãe. Não mais me importa o fato de tê-las fisicamente ou não, isso não faz a menor diferença. Não se chora sobre o leite derramado. O que me importa hoje é compreender e me desapegar de todas as energias e lembranças ruins. E isso nada tem a ver com negação.

Tive vários insights poderosos ao recuperar as revistas rasgadas. O maior deles, voltar a desenhar. E é o que tenho feito. Esta arte abaixo foi feita ontem.

Todo dia é um novo dia para recomeçar.

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A SINCRONICIDADE DA PADARIA.

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A SINCRONICIDADE DA PADARIA

 

Uma amiga – que chamarei de X – procurou um quarto para alugar. O acordo foi fechado por um quarto e parte da sala para trabalhar. Tudo correu bem até que, uma manhã, minha amiga acordou sobressaltada nas primeiras horas do dia. A vizinha de baixo – era um prédio pequeno, com apenas dois andares – batia portas e andava sobressaltada. Impressionada, X presenciou a vizinha sair pela porta da frente, furiosa, e dobrar a esquina agitada.

Com vontade de tomar um café, X foi a uma padaria duas esquinas adiante. mas desistiu por causa do clima ruim e do péssimo serviço.

Poucos dias depois, a proprietária do apartamento comentou que uma vizinha seria despejada, e pediu a permissão da minha amiga para recebê-la com hóspede por alguns dias e abrigar as suas coisas.

A vizinha era a dona da padaria em que X havia desistido de tomar o café.  Além de ser despejada de casa, a padeira estava falida.

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Apesar de o filho da dona da padaria ter preferido morar na própria padaria – até segunda ordem -, a mãe não quis se desfazer dos móveis, novinhos em folha.

A situação inusitada consistia de: uma moradora que pagava aluguel, mas que não podia mais usar a sala e uma nova moradora que vivia de favor em um pequeno apartamento de dois quartos. Como a dona do imóvel se recusou a dar um desconto à locatária e sugerir um prazo para a amiga padeira procurar onde morar, a inquilina preferiu sair.

Um ano depois de deixar o apartamento, X conversava com um amigo, que trabalha com locação e venda de imóveis. Este amigo, na verdade, a auxiliou na questão de um aluguel impagável.

Após a conversa, o corretor disse que passaria a tarde fazendo visitas, à procura de uma padaria para um cliente. X citou a padaria de um ano antes.

– Onde é? – o rapaz perguntou.

Ao ouvir o endereço, ele disse que por “coincidência”, era a mesma padaria que ele havia recentemente dado 400 mil reais para que um novo sócio pudesse colocar a casa em ordem.

– Mas vou te falar… – o corretor acrescentou. – Essa dona é muito enrolada, má administradora, difícil de conversar e os 400 mil não saldarão todas as dívidas, inclusive trabalhistas.

Muitas são as conclusões que nos servem, inclusive sobre como administramos as nossas vidas, mas a que mais me chama a atenção é que se nada aprendemos com os desafios, e principalmente se não buscamos o autoconhecimento e o entendimento de como podemos contribuir com o nosso crescimento e com o do planeta, seremos apenas uma alma penada a vagar apontando o dedo aos “responsáveis” pelos nossos “fracassos” sem nos conscientizarmos de nossas responsabilidades.

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SINCs do dia-a-dia

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Comentei sobre o filme espírita “Nosso Lar”. No dia seguinte, cruzei com o ator Fernando Alves Pinto – que trabalhou nessa película – descendo a esquina de casa.

Lembrei do caso do Imperador Maximiliano de Habsburgo-Lorena (primo-irmão de D. Pedro II, que pretendia se casar com Dona Maria Amélia, filha de D. Pedro I. O matrimônio não teve continuidade por causa da morte da princesa). Maximiliano foi elevado à Imperador do México, pelos franceses que o abandonaram à própria sorte. Maximiliano acabou por ser fuzilado pelos mexicanos. No dia seguinte, liguei a TV e assisti “por acaso” a um documentário sobre o pintor Édouard Manet que tornou mundialmente conhecida a cena do fuzilamento.

Pensei em determinada pessoa que não ouvia falar há mais de um ano, ela enviou um e-mail; depois pensei em outra (“Bem que ela poderia aparecer nessa hora”) e ela enviou outro e-mail no mesmo dia, algumas horas depois.

Para evitar fofocas e maledicências, opto por não esconder nada que possa ser mal interpretado (e muitas vezes, ocorre mesmo assim). Só de pensar nisso rolou um disse-me-disse. Expliquei o meu ponto de vista, antes que falassem mais do que eu havia dito. São as coisas chatas da vida que devem ser feitas. Nada a ver com quebra de confiança ou de promessas, foi uma conversa limpa e clara sem intermediários. Quando isso volta a acontecer sempre opto pela conversa, mas nunca deixo o meu ouvido ser lotado de reclamações que descarregam a pessoa e me sobrecarregam. Se a pessoa entender, ótimo, se houver um diálogo, ótimo. Caso contrário que cada um siga o seu caminho. Não é um processo indolor, mas separa alhos e bugalhos, o que sempre é melhor do que manter pessoas unidas à força. No mínimo, o processo de amadurecimento ou ruptura seguirá o seu caminho e a situação não mais ficará estagnada. Quando a sincronicidade indica esse caminho é o que faço.

Sonhei com determinada pessoa. Como era uma energia ruim, preferi dar crédito a este sentimento inconsciente. Sem julgar muito o significado, mas tendo que fazer algo, para não me culpar depois, cancelei o encontro.

Há “amigos” de muitos anos que a gente até gosta, mas que mais aturamos do que realmente gostamos. Há os lamurientos, os exibidos, os carentes, os convencidos, mas há uma espécie que são os que reclamam de tudo, falam mal de todo mundo, te criticam sem parar e se acham seres superiores. Como no exemplo acima, não faço nada para magoar a pessoa até que o sinal vermelho é aceso. A pessoa me prometeu mil coisas, me fez assinar documentos e nada fez, me metendo em uma “pretensa” enrascada, que na verdade me amadureceu. Peguei tudo que pertencia a essa conhecida, meti em um saco e deixei com ela sem dar muitas explicações. Foi para “causar”? Claro que não. Acho que a maior explicação do que esse movimento não existe. Achei indigno jogar no lixo e também não queria mais dar uma de b….a. O movimento, me parece, que foi bom para ambos, se encaixou no padrão de cada um: eu segui o meu caminho, e a pessoa retornou a um estágio anterior sobre o qual ela sempre reclamava comigo.

Estava editando um vídeo gravado na cidade de Santa Isabel, interior de São Paulo e parei para descansar. Liguei a TV e estava dando um caso de disco-voador na cidade de…

Um amigo tem um monte de “medos” e um deles é andar de pedalinho – na água. Ele tem pavor de afundar. Prometi que lhe daria um presente caso ele aceitasse entrar em um pedalinho comigo no final de semana. Após anos de insistência ele topou. E qual não foi a nossa surpresa quando toda a água do lago do pedalinho evaporou por causa da seca que assola o sudeste do país?

De manhã, vi na TV que o beija-flor come duas vezes o seu peso. Sorri e pensei: “Daqui a pouco virarei um deles de tanto comer!”. Horas depois, à tarde, saí para comer. Subi até o terceiro andar de um prédio. Escolhi uma mesa, cercada por várias outras, todas lotadas. Um beija-flor surgiu do nada e estacionou em cima de minha mesa, durante microssegundos. A cena foi tão intensa, que aquele instante mínimo parecia em meu coração um longa-metragem.

O GUERREIRO E A BALANÇA

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Sincronicidades são como sinais de uma vida interior pulsante.

Há alguns anos, talvez uns cinco, uma ideia para um projeto começava a me cutucar. Fui deixando que cutucasse mais – e que tomasse forma – e de tempos em tempos tentava imaginar como poderia fazê-la acontecer. Em primeiro lugar, e sem temor de ser criticado (o que de fato ocorreu) falei com algumas pessoas sobre a ideia. Ninguém deu muita importância. Acharam legalzinho, etc e tal, mas não viram viabilidade e para variar, me olharam como um sonhador. Ou um estranho. Mas nada disso me fez ficar chateado ou me desviar do “sonho”. Afinal de contas em primeiro lugar todo sonho é seu e depois vira realidade coletiva.

Fiz o que pude dentro de minhas possibilidades, sem parar de acreditar. Os lapsos de tempo ocorriam em função das demandas profissionais e pessoais. Às vezes deixava a ideia descansar, mas não parava de pensar nela e nem deixava que a afeição acabasse. Entre descansos e retomadas, fui adaptando a ideia às situações que surgiam. Desde o início do projeto, minha vida – e eu – parece ter mudado completamente. Objetivos mudaram, percepções de mundo se alteraram, separei mais alhos e bugalhos e o projeto continuava lá, em seu cantinho, hibernando. Hoje, consegui concretizar uma parte desta ideia, graças a sincronicidades que ocorreram muito intensamente há um ano. E é claro, que as sincronicidades de hoje estão fortemente ligadas, conectadas a eventos misteriosos ocorridos no início dos anos 2000. Ou seja: nada ocorre à toa, nada surge do nada. O nosso hoje é fruto de nossas percepções e escolhas. É como o Labirinto do Minotauro.

O meu lema é nunca desistir. Adaptar sim, mas nunca abrir mão do que teu coração, que a luz no âmago de sua alma, te aconselha a fazer. Saber ouvir a voz interna e fazer por onde. Não se deve ser orgulhoso de forma negativa, teimoso, é necessário saber ouvir, assim como é importante correr riscos, mas também é importante saber discernir. E no fundo do seu coração, longe de maledicências e achismos, há sempre uma voz de mãe para te guiar. Essa voz tranquiliza e também pode te preparar para tempos difíceis, mas parte da jornada que o guerreiro precisa enfrentar, para crescer, talvez mais internamente do que externamente, é nada temer. Ser sábio para seguir em frente com cuidado, mas nunca deixar o temor obscurecer a sua visão. Excalibur é sua. Mas não é para matar, para ferir quem quer que seja. É para servir de balança, a balança da vida. A jornada é como uma balança que pende de um lado a outro, até alcançarmos o desejado equilíbrio entre espírito e matéria. E este guerreiro, que ergue a balança, é você. Seja como a pomba e a cobra, aprenda a dobrar o seu corpo como junco ao vento, mas não deixe que o quebrem.

Irmão, Seja bem-vindo à fraternidade.

Premonição

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Um amigo lembrou do seu antigo professor de educação física da época do colégio, que não via há várias décadas.  Ele me perguntou se uma lembrança, sem motivo aparente, poderia significar algo. Disse que dependia do caso, mas que provavelmente haveria alguma ligação, de alguma espécie, com o professor. “Mas eu nem me dava com ele!”, o amigo exclamou. “A gente nunca sabe…”, respondi.

De onde acessamos essas lembranças e por quê? Por qual motivo? A memória inconsciente pode não fazer parte do HD que carregamos conosco (o cérebro físico). Se guardássemos todas as memórias, alegrias e tristezas em nosso cérebro, talvez este HD interno explodisse. Então, o cérebro parece servir mais a propósitos próximos e práticos, para que lembremos e acionemos os dados mais pertinentes e necessários a nossa sobrevivência. As outras memórias – conscientes ou não – ficam gravadas em um HD universal externo ilimitado que pode ser acessado em determinadas circunstâncias.

O amigo nunca parou para se preocupar com essas coisas, sempre me diz que quando eu falo sobre isso, ele se assusta um pouco e que “é demais para a cabeça dele.”

Menos de uma semana depois de nossa conversa, o amigo me liga desesperado: ele havia recebido uma carta enviada pelo colégio comunicando a todos os ex-alunos, o falecimento do professor de educação física.

TODA AÇÃO TRAZ UMA MISSÃO

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As melhores lembranças da vida são as agradáveis. É por aí mesmo. Rir é melhor do que chorar. Mas são as crises que nos fazem crescer ou cair no buraco de vez. É válido não esquecer os acontecimentos difíceis ou ruins, faz parte, nos ajuda a não repetir certas coisas, a seguir em frente. Viver só a alegria ou só a tristeza total, e sem entender o porquê, é uma péssima escolha. O equilíbrio entre os dois extremos é importante para a saúde mental, física e espiritual. Mas cada um que sabe o que é melhor para si, não dá para impor nada a ninguém. Dá para fazer tudo certo? Claro que não. Somos imperfeitos, porque perfeição não existe, ser imperfeito não é uma escolha nem opção, é como somos. E fazer o nosso melhor, quando você quer, sempre é uma missão. O defeito que você vê no seu amigo ou parceiro e que muito o incomoda, deveria servir para a compreensão de quem você é e como você age. Se você fizer um pouquinho de força, e conseguir se colocar no lugar do outro, com as limitações do outro, ajuda muito. Quando não der mais para perdoar, ou aturar, o melhor é dar tempo ao tempo, ou cair fora ou até mesmo aguardar que o próprio mundo dê algum jeito. E toda ação traz uma lição.

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Assim como o tempo marcado pelo A.C. e o D.C., o antes e o depois, marco o desenrolar da vida com fatos importantes, agradáveis ou tristes e consigo ter uma visão mais ampla do que fui, sou e provavelmente serei. Ajuda muito a me entender quando revejo o passado e analiso as consequências. Para isso, delimito o tempo com “após” e “antes” de tal fato.  Dá para entender direitinho, o que era só fase ou o que é a sua personalidade; se foi uma conclusão particular, sua, própria, ou se a escolha foi influenciada pelo meio ambiente. Nessa análise, nessa revisão de vida, obviamente, entram muitas sincronicidades que revistas a posteriori, nos mostram conclusões até mesmo inusitadas. A conclusão que gosto mais, é a que tudo o que vivemos hoje está intimamente ligado a fatos do passado, que vem desde a infância. Você crê que a escolha que você faz hoje é derivada da sua percepção de adulto vivido, mas não é apenas: ela também é consequência de histórias (pode mudar a  palavra para “crenças”) que você viveu. Mamãe costumava se explicar dizendo que “mas é assim que me explicaram” ou “mas foi assim que me ensinaram”, sem se dar conta que dá para rever tudo, até mesmo o que nos ensinaram, porque foram ELEs que ensinaram e não NÓS que aprendemos.

O que vimos e vivemos no passado influencia, inconscientemente, tudo o que virá. Por exemplo, hoje, você pode viver uma situação igual a de um livro que você leu há 20 anos, ou a sua vida atual pode estar se desenrolando sincronizada com as histórias de uma novela gravada há 36 anos! Ou pode ter sido influenciado por algo que falaram ao largo, quando você tinha apenas 10 anos e na época você não entendeu nada, mas ficou guardadinho no seu interior, aguardando o momento para aflorar. Sim, isso é possível. Isso é mais real do que a realidade. Muita gente, e porque não, encontra a verdade nas páginas da Bíblia, mas olha só: você pode ouvir a palavra de Deus através de uma novela. Assim como você pode perder o seu tempo com as duas, caso você não entenda o que está acontecendo e que continue aceitando o que “te ensinaram”. Essas palavras, isso que escrevo agora, também, podem ser interpretadas conforme a sua conveniência. Tem quem parta logo para o colo de Satã, e diga que todo o mundo atual é uma droga por causa do seu namorado, da sua mãe, do catolicismo, do judaísmo, do Brasil, da Dilma, do PT, do PSDB, dos muçulmanos, dos nigerianos, da Argentina, dos EUA, da Rússia, etc, etc, etc. Tanto faz o nome. Estamos todos conectados? Sim. Se um país rico espirra, o pobre pega gripe? Sim. Mas dá para ser diferente, fazer diferente e mesmo assim interagir com o mundo sem que ele mande em você, 24 horas por dia. A questão é você e não os outros. Isso não tem nada a ver com egoísmo, que é uma história completamente diferente, tem só a ver com escolhas, motivadas por valores aprendidos ou ensinados. John Lennon dizia uma coisa forte, e típica de sua época: que não há fronteiras. Que fronteiras e países são ilusões, porque foi como NOS ensinaram. Todo mundo sabe que no mundo “real” há fronteiras, mas todos gostaríamos que não houvesse fronteiras, porque somos todos irmãos, celularmente falando. Todos somos energia, células, átomos. E quando vistos do espaço, somos mais células ainda. Aí sim não mais diferença entre humanos e animais.

Você tá chateado? A sua vida é uma droga? A de muita gente também é, por várias razões, mas eu tenho os meus motivos e eles os deles. Não dá para generalizar. Todo mundo é um universo. Mas, só dói mesmo quando cai na sua cabeça ou dói no seu bolso. Mas dá para você escolher o caminho a  seguir, mesmo debaixo de um bombardeio. Não se esqueça, nunca, que estamos todos ligados, conectados. Ninguém vive sozinho, porque para a água sair pela sua torneira, você depende de gente que você nunca conhecerá, mas que afeta a sua vida diariamente. Mas a escolha é sua. E a consequência também. Toda ação traz uma missão.

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Sincronicidade Musical

Ontem, aqui em casa, um amigo comentou sobre a falta de espaço para o músico autoral no Rio de Janeiro e como, muitas vezes, há mais espaço para o artista brasileiro no exterior do que em seu próprio país.

Mal ele saiu, pensei em enviar-lhe alguns vídeos sobre a questão. No Canal (a cabo) Curta! estava sendo exibido um documentário sobre o renascimento da Bossa Nova no Japão.  Fui ao YouTube coletar os links do mesmo documentário. Mal copiei o terceiro link, o player do vídeo começou a tocar. Como que por encanto, a TV ao vivo e o link virtual sincronizaram-se.

A CARTA DA MORTE

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Tenho por hábito tirar uma carta (dos arcanos maiores) de tarot, de manhã cedo, para que no final do dia, eu possa estabelecer uma correlação entre o arcano e o “resultado” (e a devida compreensão) das 24 horas. Muitas vezes, fico semanas sem tirar uma carta, ainda sentindo que a leitura dada pelo arcano, ainda não se desfez.

Esta postagem comenta uma carta do jogo de tarot, tirada “ao acaso”, e que me fez pensar mais uma vez sobre a vida. E a morte.

A partir dos 20 anos, realizei muitas coisas, e apesar dos conflitos internos, e das divergências. Ainda desejava realizar algo “dentro” deste mundo, realizações mais externas do que internas, por assim dizer. A década de 90 foi um período de estudos esotéricos, fenômenos e participação em  fraternidades e grupos espiritualistas. E comparativamente, o eu de hoje, ao analisar o eu do passado, “o vê” como um “produto do seu tempo” ou do tempo “dele”.  A cada nova década de vida, e principalmente após os 40 anos, deixei de acreditar em muitas coisas, e incrivelmente o mundo se tornou mais mágico.

Hoje, espero menos do mundo e das pessoas. Essa grande diferença – aprendida a duras penas, não nego  – é um dos caminhos para o desapego.

Esqueci de falar… Tirei a carta da morte.

Para quem a vivencia, a carta da morte é mais do que uma chance para mudar: é simplesmente a morte do que já não tem vida, é o fim do que não é mais necessário, do que não existe. Se recebemos a morte de braços abertos, ela apenas se comporta como um farol que alerta os navios para que não se percam no mar. Caso, se deseje correr da morte, aí sim, talvez o seu navio se choque nas rochas e afunde.

XIII-Morte

O alcance da morte é inusitado, pode não ter nada a ver necessariamente conosco, mas com as escolhas que fazemos e o universo criado – por nós – a nossa volta.

Vivenciei várias “mortes” nesta última semana, após a leitura da carta.

1 – Na última postagem falei sobre um parque público, no qual fui meditar há uma semana. Há uma belíssima mansão no local, cujo proprietário a mandou erigir na metade do século XX, para a mulher, uma cantora de ópera italiana. Ao estudar a história do parque, e da casa, encontrei o seguinte trecho:  “A escritora Marina Colasanti é sobrinha-neta de Gabrielle, a dona da casa.”  Marina é irmã do ator Arduíno Colasantique faleceu há 3 dias.

2 – No final de semana, assisti a uma entrevista do cantor Alceu Valença, na qual ele citava o violonista Paco de Lucia. Hoje, 3 dias depois, Paco falece no México.

3 – Há um vídeo na internet sobre o bate-boca entre um cineasta e um manifestante vestido de Batman, na porta de um shopping no Rio de Janeiro.

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O encontro ocorreu há mais ou menos um mês. Há duas semanas encontrei esse cineasta na esquina de casa e batemos um papo. Anteontem, antes de dormir, dei uma zappeada nos canais e vi que iria ser exibido um filme bem conhecido desse cineasta. Decidi assisti-lo. Um dos personagens era um vovó que não falava e que estava sempre em sua cadeira de rodas, assistindo a TV. Certa noite, os netos o encontram morto na sala: havia falecido em frente à TV… Um dos atores deste (grande) filme era o (também grande) Guará Rodrigues, que trabalhou em várias produções do cinema novo.

Guará Rodrigues
Guará Rodrigues

4 – Semana passada fui assistir à restauração do filme “Copacabana Mon Amour” de Rogério Sganzerla. Um dos atores que participaram do filme era o Guará Rodrigues.

Helena Ignez e Guará Rodrigues
Helena Ignez e Guará Rodrigues

Fiquei com a pulga atrás da orelha, nem sei direito o porquê e me meti a pesquisar ontem sobre o Guará. Para meu espanto, descobri que há alguns anos, ele foi encontrado morto, assistindo à TV… 

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O DEZ DE COPAS

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As experiências sincronísticas são como pérolas que guardamos em uma delicada caixa de lembranças. Quando nos deparamos com mais uma pérola, e mais uma, e mais uma, que parecem dar prosseguimento às anteriores, e as juntamos em uma sequência, elas constroem um belo cordão. Mas não apenas isso. A sequência de pérolas, que se parecem pertencer, são  como elos que se reencontram, que produzem ainda mais beleza quando enfileiradas. O cordão, construído a partir delas, não serve apenas para enfeitar um belo pescoço, mas também pode demonstrar que unidas, as pérolas se mostram ainda mais belas e poderosas, assim como ocorre com as sincronicidades.

Imaginemos que essas pérolas são como os pedaços de pão, como os do conto de João e Maria, deixados pelo caminho, para que encontremos a saída. Sincronicidades nos guiam.

As sincronicidades são como portais abertos entre dimensões, são como conselhos de anjos, que nos guiam contra a incerteza, a tristeza, a insegurança, a depressão, e principalmente contra a dúvida.

A sincronicidades nos aconselham a ouvir MAIS e falar MENOS, julgar e pedir MENOS e a agradecer MAIS.

Humanos somos todos, e por causa de nossa humanidade, acertamos e erramos, vivendo em nossos mundos conforme as nossas crenças e convicções. E lutamos por essas verdades, como se dependêssemos delas para viver, como se não pudéssemos estar errados. Criamos nosso mundo conforme nossa imagem e semelhança, como mini Deuses e pouco interagimos, de fato, com os próximos.  As sincronicidades são portas que nos libertam dessas limitações.

Há um ano iniciei um novo ciclo na vida, em uma esquina, e em um quarto de hospital: a união do “acaso” com a intuição e a ação. E quando os ciclos, que se iniciam, são “bons” queremos que durem para sempre e quando são conflituosos, desejamos que acabem o mais rápido possível. Mas bebê que não cai, não aprende a se levantar. E viver só no bem-bom não serve para – quase – nada. Só para dizer que se é “feliz”, mas sem saber, de fato, o que é ser feliz.

E como saber que uma análise pessoal não é fruto de imaginação? Através das sincronicidades.

Refletindo sobre o último ano, vi mais resoluções do que problemas, mais crescimento do que estagnação, mais foco do que diluição. Cada atividade ocorrida em seu tempo, mas todas motivadas por ações. Isso não quer dizer que os problemas cessaram, mas hoje, eles são entendidos de outra forma. É como andar na mesma calçada, mas pisar diferentemente. É como aprender a ver a beleza e o poder de uma boa chuva, sem maldizê-la.

Anteontem, comecei a ler um livro sobre tarot em função de jogos recentes de cartas, que indicaram um novo período de vida. Para não ficar muito animado com esse “refresco”, deixei rolar no esquema “vamos ver para crer”.

Hoje, após um período de um mês, liguei para uma repartição pública. Como vocês devem imaginar, as ligações não completavam, caíam, eu esperava na linha sem resposta, etc. Depois de mais de uma hora, desisti porque tinha outro compromisso. Mal desisti, o telefone tocou em seguida e era da repartição. Eu, hein…

Há 3 meses, estive durante uma temporada com um grupo espiritual de outra cidade, para meditar e refletir. Durante esse período, um jornalista foi entrevistar e filmar os trabalhos da comunidade. Hoje, 3 meses depois, e separado por milhares de quilômetros, estive em um parque, uma floresta na verdade.  Logo à minha frente, surge o mesmo jornalista, saído do mato.  Tive que achar graça. É como a história das pérolas. Há um fio invisível que nos liga, que nos conecta e que que dá forma às pérolas.

10_copas

Após o encontro inusitado com o jornalista, ao invés de voltar direto para casa, e seguir um caminho “lógico”, decidi seguir por ruas nas quais nunca estive. Ao invés de seguir “reto”, dei voltas, fui por caminhos inusitados e em cada um deles só via beleza. Fui preenchendo meu coração com amor. Quarteirões depois, segui por outra rua, e sobre um frade de concreto (ou gelo-baiano) havia uma carta: um 10 de Copas.

A carta misteriosa, como o jornalista saído do meio do mato, parecia ter sido posta lá para que eu a encontrasse e entendesse a sua poderosa mensagem, para que eu entendesse o recado da poderosa sincronicidade.

O cordão de pérolas estava se formando, não eram mais pérolas separadas. Havia uma unidade, uma lógica, uma mensagem.

Algumas interpretações do 10 de Copas:

“Reencontro do seu caminho, a renovação do seu nível de status ou até mesmo a paz e harmonia com o cosmos e o mundo que o rodeia. Sejam quais forem os seus desejos, esta é uma altura de dar graças por tudo o que tem, e tudo o que virá a ter muito em breve.

“Em alguns aspectos, lembra a carta do Mundo, porque também fala de plenitude, de um estado de bem-estar e completude muito grande. Muitas vezes, olhando para o 10 de Copas sinto que tudo está certo, tudo está indo bem e não há nada para se preocupar. Sintam como a energia flui tranquilamente e tudo parece dar certo de uma forma meio mágica.”

 “Representa o homem que, tendo completado seu trabalho, volta-se pra a oração e pede a ajuda divina para seguir com sucesso o novo caminho de sua evolução.”

“O ato criativo exige uma renovação. Impõe algo que não existia, portanto não pode ser valorizado. Imponha-se. Muitas vezes, você vai surpreender até a si próprio. Este arcano mostra a importância de dar atenção em primeiro lugar, para o seu próprio interesse, independente da aprovação ou não dos outros. O ato criativo. As pessoas estavam ajudando você a se esconder, e existe uma falta de incentivos que vem desde a sua infância. Mas, o fato é que agora você descobriu a si mesmo.”