Sobre Crianças e Escravos.

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Uma história.

No dia do meu aniversário, realizei um antigo sonho: conhecer o memorial dedicado aos “Pretos Novos”, os escravos recém chegados ao Rio de Janeiro, mas que ainda não haviam sido “adaptados” ou “amansados”, por isso mesmo chamados de “Novos”. Desde o início deste blog – que em final de setembro de 2015, comemora 5 anos – venho alardeando minha ligação com o número 28. Para tomar a decisão de ir ao Valongo, soube que neste cemitério haviam sido identificadas 28 ossadas.

A história do local, na verdade um sítio arqueológico, é fascinante: o casal Guimarães comprara uma antiga casa na Gamboa em 1996, zona portuária do Rio, mas ao fazer a reforma, os pedreiros descobriram ossos humanos sob as fundações. Arqueólogos e historiadores da Prefeitura concluíram que a casa havia sido erigida sobre o antigo Cemitério dos Pretos Novos, cuja localização havia se perdido no tempo, ou pior:  esquecida deliberadamente.

Idêntico aos fornos crematórios nazistas, milhares de escravos (oficialmente, cerca de 6 mil) foram atirados ao chão, e não enterrados em covas. Jogavam-lhes terra sobre os corpos em um espaço de 110 metros quadrados – cercado por muros baixos de casas residenciais. As análises dos fragmentos, feitas a partir de 1996, indicaram que os ossos foram queimados após a descarnação em busca de espaço para tamanho número de cadáveres.

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Estar ali, naquele local em 2015, e ver os ossos à flor da terra, me provocou um profundo pesar e reflexão. Mostra-se evidente uma triste característica de nossa “brasilidade”: a negação (ou esquecimento) e a não aceitação dos fatos. Fingir que nada aconteceu, responsabilizar as autoridades e negar o holocausto são faces da mesma moeda. Uma contradição chamada país que se diz amigável, festeiro, e “pacífico”. Todos sabem que “chover no molhado” é responsabilizar as “elites”, mas também é inegável que, como o país foi construído, e tem sido até hoje, quem determina o “modus operandi” é de fato a elite política e econômica.

A comparação entre a carbonização dos corpos no cemitério carioca entre os séculos XVIII (o século das “luzes”) e XIX e os nazistas no século XX é óbvia: os alemães, um povo desenvolvido, também foram capazes de fingir que não viam os judeus serem segregados. Desde que houvesse estabilidade econômica, o resto era perfeitamente aceitável.

Ao revelar ao mundo, os horrores dos campos de concentração alemães em 1945, o General americano Dwight Eisenhower exigiu que os cidadãos de Gotha, enterrassem as centenas de corpos encontrados em um sub-campo de Buchenwald, em Ohrdruf no sudoeste da Alemanha. Após testemunhar o horror, o prefeito de Gotha e a sua esposa se enforcaram.

O Brasil se desenvolveu graças à escravidão, fez vasta fortuna que não foi redistribuída, e ainda aprovou arduamente leis contra o tráfico negreiro, após décadas de muita discussão entre os Senadores. O fim da mão de obra escrava “acabaria com o país”, diziam, e a mudança de escravo para empregado assalariado deveria ser “lenta, gradual e segura”. A comparação com a ditadura implantada em 1964 e a Alemanha da Segunda Guerra são inevitáveis.

Uma questão espiritual e pessoal.

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Ajoelhado perante aqueles ossos, minha cabeça pesou e meu coração se encheu de remorso e vergonha. Senti uma energia tão forte vinda daquele solo, que perdi o ar. Isso me fez lembrar de algumas vivências que tive com escravos, a cultura negra e crianças.

A mais antiga me foi relatada por uma tia, há dez anos. Por volta dos meus dois anos, ela me viu “dar baforadas” e fazer sinais ritualísticos de Candomblé. Minha mãe, assustada, havia pedido para que nunca mais tocassem no assunto.

Quando criança, estudei em colégio público e tive amigos em comunidades próximas. Ao visitar um vizinho negro em um conjunto residencial de baixa renda, o irmão menor dele, talvez com uns 13 anos encostou o cano de um revólver na minha cabeça “de brincadeirinha”.

Com menos de 20 anos, vi a mãe de uma amiga, bastante nervosa, com a presença de um grupo de negros com lanças e escudos na sala de sua residência. Apenas achei curioso, mas fiquei alerta.

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Nesse período, presenciei em meu prédio um porteiro negro impedir uma visita de subir no elevador social porque era negra. Ela disse ser advogada e o porteiro alegou obedecer ordens do síndico. Depois, uma vizinha, professora de inglês, me perguntou por que eu recebia amigos negros em casa.

Uma década depois, vi a mãe de uma namorada incorporar um espírito infantil no dia das crianças e pedir para brincar de carrinho com ela, sentados nós dois, em meio à sala.

Passada mais uma década, um Exu me aconselhou a tomar cuidado com a pessoa invejosa ao meu lado. Era uma ex. Para amenizar, o Exu me pediu para tomar banho de ervas, lavar-me com Sabão da Costa – cuja origem é do Golfo da Guiné na África – e acender velas para as almas dos escravos na Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa, no centro do Rio. Ao estudar a história da igreja, soube que, a caminho da forca, Tiradentes fez ali as últimas preces em plena rua, pois condenados não podiam entrar em igrejas, e que se dizia que o escritor Machado de Assis (meu favorito) havia sido sacristão no local, o que é refutado pela falta de comprovação documental, mas fato é que a igreja da Lampadosa é citada no conto “Fulano”, publicado no livro Histórias Sem Data.

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Após essas dicas do destino, estudei a história da escravidão no Brasil e certo dia, há alguns anos, assisti a uma entrevista na TV Brasil com a dona da casa, onde hoje é o Memorial aos Pretos Novos. Foi a única vez que a ouvi citar um evento espiritual. Ela havia dito que ao entrar em um departamento do governo para tirar uma documentação sobre a casa, o atendente ficou lívido ao ver que atrás dela havia um grande número de escravos.

Perguntei à dona do local sobre a história relatada na TV e ela me contou que uma médium americana, em visita ao Memorial, contou ter visto espíritos de crianças na área dos ossos, que pediam para brincar, como se nada houvesse acontecido, como se o tempo não tivesse passado.

O que muito me comove é que a descoberta das ossadas ocorreu em 1996, 108 anos após a Lei Áurea e 166 anos após o esquecimento do local do cemitério, em 1830.

Retorno à uma questão anterior e falo das chagas que ainda enlameiam a história de duas nações citadas, o Brasil e a Alemanha. Se esses países não tomarem medidas severas contra o preconceito, ainda reinante, e se não ensinarem às crianças, desde muito cedo, as consequências da cultura do ódio, inevitavelmente veremos os mesmos erros se repetirem.

O que fará a Europa sobre a chegada em massa de imigrantes africanos? Construirá novos campos de concentração? E o Brasil a respeito das domésticas e dos concursos públicos com cota para negros?

Então, de que adianta falar em fraternidade, e amor universal, se ainda acreditam em superioridade racial?

A vida ocorre agora. O resto é memória.

sinc_mae_20_8_15_1921-22 Pablo Picasso (Spanish artist, 1881–1973) Mother and Child.

Viver o hoje, o aqui e o agora é a solução para nos afastar das armadilhas da mente. É um exercício diário, constante, e a bem da verdade, complexo. A tentação é grande em vivermos entre comparações, entre o que foi e o que há. Quando, por exemplo, acreditamos que uma gripe anterior é “parte” de uma gripe atual, por assim dizer.

A mente funciona como uma câmara de eco. Idéias do passado, mágoas, lembranças de ontem batem na parede, e retornam ao ponto de origem amplificadas. E incorremos em grande perda de tempo ao valorizar ecos que não são reais. Uma boa forma de tratar um trauma é não dar-lhe importância. Não desprezá-lo, mas não valorizá-lo. As lembranças não devem nos impedir de agir. A vida ocorre agora. O resto é memória.

Você sabe que o passado “existe”, mas ele já ocorreu, não acontece neste segundo. Por isso todo o tempo usado remastigando o que já foi engolido só cria suco gástrico e úlceras mentais. O coração fica pesado e rubro. Paralisado. O que “resta” após as nossas experiências (do passado) é uma espécie de reflexão. O trauma é o excesso, o eco reamplificado. E quem alimenta tudo isso somos nós quando damos importância a ecos. É a mesma coisa que fazemos ao julgar os outros pelos nossos parâmetros. Cada um é uma experiência única. Mas a maioria precisa de líderes sejam religiosos ou políticos para dizer-lhes o que fazer. Você pode ser o seu líder sem ser alguém desumano ou egoísta. Se você consegue conviver com isso, ótimo. Se não consegue aprenda a negociar ou se afaste…

As coisas que eu posso resolver agora eu resolvo. As que não posso, ou não quero, deixo para quando for possível. É como administrar as contas. Não dá para pagar tudo quando nos vemos entre a cruz e a caldeirinha. Saldamos o que é prioridade e administramos as dívidas. Os luxos (ou excessos) passam a não ter importância. E se alguém depende “miseravelmente” dos luxos para viver…

A pergunta é: como podemos negociar as soluções?

As histórias que relato no texto de hoje dizem respeito a “tratar” o passado de forma terapêutica. Pelo menos é o que ocorre comigo, e tem servido como motivação.

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Tenho algumas histórias com minha mãe, muitas não muito agradáveis. Ela pode ter feito 80% de coisas ótimas, mas os 20% marcaram demais. Hoje, entendo vários dos seus “defeitos”, e não a julgo o que passou, mas sei que influenciaram o que ocorreria depois. Toda ação gera uma reação, muitas vezes inimaginável. Muitos pais, em sua autoridade – ou falta dela – se excedem, e alegam que não o fazem por “mal”, mas por “acharem” que fazem o “melhor para os filhos”. Muito disso é questionável. Mal comparando, é como a questão da maioridade penal ou de castigar os filhos. Há os contra e os favor. Quem ganha? Quem perde?

De todas as artes com as quais me envolvi, o desenho é – para mim – a mais terapêutica. Minha primeira paixão foram as histórias em quadrinhos. Colecionava várias revistas de superheróis, por volta de dez anos de idade. Certa vez, fiz alguma “malcriação” para minha mãe e ela rasgou cada uma das revistas – e era uma pilha -, bem na minha frente. Eu implorava, me agarrava em sua perna, chorando, para que ela parasse. Mamãe prosseguiu dizendo que eu deveria “virar homem”. Vi meus heróis virarem pó.

Para não dramatizar muito, mas já dramatizando, lembro que me ajoelhei perante àquele monte de papel e senti uma dor imensa, muito maior do que o meu tamanho, com apenas uma década de vida. Ninguém merece… Sei que apenas tive revistas rasgadas, e hoje, acho bobo ter chorado por causa disso, mas não eram revistas, eram sonhos. Conheci meninos da minha idade estuprados e vivendo em condições miseráveis, mas essa era a minha “realidade” de menino de classe média. Nunca vi criança de dez anos ter consciência social…

Desde àquela época decidi não mais desenhar. Perdi as forças, por assim dizer. Ainda tentei, mas não estudei, e nem me esforcei o suficiente e acabei deixando para lá. De certa forma, senti que não era mais para mim, que a “missão” era outra e que o tempo daria cabo ou resolveria a questão. Até parecia que eu fazia algo errado quando segurava um lápis… Muitos sofrem bullying no colégio. Meu primeiro bullying foi em casa…

Por que (re)conto essa história? Por que falo sobre não lembrarmos de traumas e recupero um? Para quê?

Passados 40 anos, um amigo me trouxe um presente: uma das revistas, uma das mais simbólicas, dos meus dez anos de idade. Ele nunca soube dessa história. O link entre os fatos foi inconsciente. O amigo serviu de ponte entre o passado e o presente para me intuir a respeito de um desejo relutante: retomar os pincéis.

Sabe a sensação de um filho sair pela porta de casa e voltar 40 anos depois? Qual seria a sua reação? Admoestá-lo ou perdoá-lo? Ter de novo a revista em minhas mãos apagou 4 décadas de intervalo entre um evento e outro. O religamento foi tão intenso que pesquisei na internet grande parte das revistas rasgadas. Nos anos 70, ninguém imaginaria ser possível “baixar” livros ou filmes. Era coisa de Jornada nas Estrelas. Aquela era a época do ter ou não ter. Hoje, grande parte do acervo mundial está disponível, como “energia” e não mais como algo físico, como “matéria”. Mesmo que não seja para lê-las, as baixei para recompor a partitura perdida, rasgada há tanto tempo, e principalmente para me perdoar e perdoar mamãe. Não mais me importa o fato de tê-las fisicamente ou não, isso não faz a menor diferença. Não se chora sobre o leite derramado. O que me importa hoje é compreender e me desapegar de todas as energias e lembranças ruins. E isso nada tem a ver com negação.

Tive vários insights poderosos ao recuperar as revistas rasgadas. O maior deles, voltar a desenhar. E é o que tenho feito. Esta arte abaixo foi feita ontem.

Todo dia é um novo dia para recomeçar.

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A SINCRONICIDADE DA PADARIA.

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A SINCRONICIDADE DA PADARIA

 

Uma amiga – que chamarei de X – procurou um quarto para alugar. O acordo foi fechado por um quarto e parte da sala para trabalhar. Tudo correu bem até que, uma manhã, minha amiga acordou sobressaltada nas primeiras horas do dia. A vizinha de baixo – era um prédio pequeno, com apenas dois andares – batia portas e andava sobressaltada. Impressionada, X presenciou a vizinha sair pela porta da frente, furiosa, e dobrar a esquina agitada.

Com vontade de tomar um café, X foi a uma padaria duas esquinas adiante. mas desistiu por causa do clima ruim e do péssimo serviço.

Poucos dias depois, a proprietária do apartamento comentou que uma vizinha seria despejada, e pediu a permissão da minha amiga para recebê-la com hóspede por alguns dias e abrigar as suas coisas.

A vizinha era a dona da padaria em que X havia desistido de tomar o café.  Além de ser despejada de casa, a padeira estava falida.

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Apesar de o filho da dona da padaria ter preferido morar na própria padaria – até segunda ordem -, a mãe não quis se desfazer dos móveis, novinhos em folha.

A situação inusitada consistia de: uma moradora que pagava aluguel, mas que não podia mais usar a sala e uma nova moradora que vivia de favor em um pequeno apartamento de dois quartos. Como a dona do imóvel se recusou a dar um desconto à locatária e sugerir um prazo para a amiga padeira procurar onde morar, a inquilina preferiu sair.

Um ano depois de deixar o apartamento, X conversava com um amigo, que trabalha com locação e venda de imóveis. Este amigo, na verdade, a auxiliou na questão de um aluguel impagável.

Após a conversa, o corretor disse que passaria a tarde fazendo visitas, à procura de uma padaria para um cliente. X citou a padaria de um ano antes.

– Onde é? – o rapaz perguntou.

Ao ouvir o endereço, ele disse que por “coincidência”, era a mesma padaria que ele havia recentemente dado 400 mil reais para que um novo sócio pudesse colocar a casa em ordem.

– Mas vou te falar… – o corretor acrescentou. – Essa dona é muito enrolada, má administradora, difícil de conversar e os 400 mil não saldarão todas as dívidas, inclusive trabalhistas.

Muitas são as conclusões que nos servem, inclusive sobre como administramos as nossas vidas, mas a que mais me chama a atenção é que se nada aprendemos com os desafios, e principalmente se não buscamos o autoconhecimento e o entendimento de como podemos contribuir com o nosso crescimento e com o do planeta, seremos apenas uma alma penada a vagar apontando o dedo aos “responsáveis” pelos nossos “fracassos” sem nos conscientizarmos de nossas responsabilidades.

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A Sincronicidade, o Maestro e a Teoria dos Seis Passos.

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O que as sincronicidades significam em termos práticos?

E como unir a interpretação das sincs com nossos sonhos, intuições e transformar todo o pacote em decisões?

Teria toda sincronicidade uma interpretação prática, “ordinária” ou seriam elas apenas conecções com aspectos mais profundos de nossa psique?

Desde que iniciei este blogue, às vezes penso se devo publicar algo, ou não, devido ao “absurdo” de certas situações vividas. Pode até parecer, mas eu não convivo em uma sociedade de bruxos, cercado de magos. Como todos tenho amigos que duvidam do que conto. E como tenho conhecidos bem mentirosos, reflito sobre como diferenciar a mentira da verdade.

Muitas das questões sincronísticas são íntimas e, em tese, apenas me servem. Seria algo como interpretar sonhos através de livros…

Leia as notícias diárias e veja o mundo que nos cerca: guerras, violência, ilusões, aparências. Um mundo consumista que produz lixo que polui o planeta e retorna a cada um de nós através da comida que consumimos. É um ciclo de contaminação. Este mundo não é só externo, ele está internamente em cada um de nós. Se há violência é porque somos violentos.

As sincronicidades se conectam ao universo mas também intimamente a cada indivíduo. Ao mesmo tempo em que a sincronicidade é uma experiência coletiva, também é uma experiência íntima. E como escrevi em outra postagem, se você for uma pessoa profunda, profundas serão suas sincronicidades. E como citei que em toda mentira há uma verdade, e vice versa, também em toda profundidade há superficialidade. Em um mundo complexo, a mente é uma armadilha, que mal conduzida nos faz derrapar em interpretações. Mas algumas interpretações podem ser o som de sinos declamando o final da guerra.

Fui educado como católico, mas não sou dogmático. Utilizo as rezas como mantras. Utilizo as igrejas como locais para meditação. Reinterpreto cada passagem das rezas e mentalizo sobre elas todos os dias, não me prendo ao que decorei. A reza favorita é a que fala sobre as sincronicidades: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso protetor que a ti me confiou a piedade divina, me rege, me guarda, me governa e me ilumina.”

A orquestra toca em sincronia sob a regência de um maestro, que conduz, mas depende e ordena o talento de cada um dos músicos para dar forma à música das Esferas, que soa pelo micro através do macro e ao Cosmos, ecoando pelos buracos negros até aos neutrinos e vice versa. A resposta concreta às sincronicidades me parece estar nesta sequência: “me rege, me guarda, me governa e me ilumina.“

Passei a gostar, ainda mais, desta reza porque a resposta mais simples parece ser a mais óbvia. Paulo Coelho sempre fala sobre a “lenda pessoal”. Basta a você concluir se a sua lenda é uma construção ou uma afirmação. A questão é delicada como entender se você é um teimoso que deixa as oportunidades passarem ou se você está sendo devidamente “regido, guardado, governado e iluminado”, sabendo que ao mesmo tempo suas escolhas “te regem, te guardam, te governam e te iluminam.”

É preciso buscar discernimento e paciência. Saber ter ouvidos. Ou você opta por crescer intimamente para então encontrar o seu lugar no mundo, ou então sua opção é brilhar no mundo para então reencontrar-se intimamente. Talvez viver a memória do que ainda não foi vivido.

O pintor tem o olhar apurado, o caminhante sincronístico também.

Hoje, recebi “indiretamente” uma mensagem sobre alguém que não conheço, que está conectado comigo àquela “teoria dos seis graus de separação”, e que me pareceu uma resposta a uma de minhas demandas.

Assim são as concretudes das sincronicidades: um maestro a reger estrelas e sendo regido por elas.

 

 

 

O GUERREIRO E A BALANÇA

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Sincronicidades são como sinais de uma vida interior pulsante.

Há alguns anos, talvez uns cinco, uma ideia para um projeto começava a me cutucar. Fui deixando que cutucasse mais – e que tomasse forma – e de tempos em tempos tentava imaginar como poderia fazê-la acontecer. Em primeiro lugar, e sem temor de ser criticado (o que de fato ocorreu) falei com algumas pessoas sobre a ideia. Ninguém deu muita importância. Acharam legalzinho, etc e tal, mas não viram viabilidade e para variar, me olharam como um sonhador. Ou um estranho. Mas nada disso me fez ficar chateado ou me desviar do “sonho”. Afinal de contas em primeiro lugar todo sonho é seu e depois vira realidade coletiva.

Fiz o que pude dentro de minhas possibilidades, sem parar de acreditar. Os lapsos de tempo ocorriam em função das demandas profissionais e pessoais. Às vezes deixava a ideia descansar, mas não parava de pensar nela e nem deixava que a afeição acabasse. Entre descansos e retomadas, fui adaptando a ideia às situações que surgiam. Desde o início do projeto, minha vida – e eu – parece ter mudado completamente. Objetivos mudaram, percepções de mundo se alteraram, separei mais alhos e bugalhos e o projeto continuava lá, em seu cantinho, hibernando. Hoje, consegui concretizar uma parte desta ideia, graças a sincronicidades que ocorreram muito intensamente há um ano. E é claro, que as sincronicidades de hoje estão fortemente ligadas, conectadas a eventos misteriosos ocorridos no início dos anos 2000. Ou seja: nada ocorre à toa, nada surge do nada. O nosso hoje é fruto de nossas percepções e escolhas. É como o Labirinto do Minotauro.

O meu lema é nunca desistir. Adaptar sim, mas nunca abrir mão do que teu coração, que a luz no âmago de sua alma, te aconselha a fazer. Saber ouvir a voz interna e fazer por onde. Não se deve ser orgulhoso de forma negativa, teimoso, é necessário saber ouvir, assim como é importante correr riscos, mas também é importante saber discernir. E no fundo do seu coração, longe de maledicências e achismos, há sempre uma voz de mãe para te guiar. Essa voz tranquiliza e também pode te preparar para tempos difíceis, mas parte da jornada que o guerreiro precisa enfrentar, para crescer, talvez mais internamente do que externamente, é nada temer. Ser sábio para seguir em frente com cuidado, mas nunca deixar o temor obscurecer a sua visão. Excalibur é sua. Mas não é para matar, para ferir quem quer que seja. É para servir de balança, a balança da vida. A jornada é como uma balança que pende de um lado a outro, até alcançarmos o desejado equilíbrio entre espírito e matéria. E este guerreiro, que ergue a balança, é você. Seja como a pomba e a cobra, aprenda a dobrar o seu corpo como junco ao vento, mas não deixe que o quebrem.

Irmão, Seja bem-vindo à fraternidade.

TODA AÇÃO TRAZ UMA MISSÃO

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As melhores lembranças da vida são as agradáveis. É por aí mesmo. Rir é melhor do que chorar. Mas são as crises que nos fazem crescer ou cair no buraco de vez. É válido não esquecer os acontecimentos difíceis ou ruins, faz parte, nos ajuda a não repetir certas coisas, a seguir em frente. Viver só a alegria ou só a tristeza total, e sem entender o porquê, é uma péssima escolha. O equilíbrio entre os dois extremos é importante para a saúde mental, física e espiritual. Mas cada um que sabe o que é melhor para si, não dá para impor nada a ninguém. Dá para fazer tudo certo? Claro que não. Somos imperfeitos, porque perfeição não existe, ser imperfeito não é uma escolha nem opção, é como somos. E fazer o nosso melhor, quando você quer, sempre é uma missão. O defeito que você vê no seu amigo ou parceiro e que muito o incomoda, deveria servir para a compreensão de quem você é e como você age. Se você fizer um pouquinho de força, e conseguir se colocar no lugar do outro, com as limitações do outro, ajuda muito. Quando não der mais para perdoar, ou aturar, o melhor é dar tempo ao tempo, ou cair fora ou até mesmo aguardar que o próprio mundo dê algum jeito. E toda ação traz uma lição.

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Assim como o tempo marcado pelo A.C. e o D.C., o antes e o depois, marco o desenrolar da vida com fatos importantes, agradáveis ou tristes e consigo ter uma visão mais ampla do que fui, sou e provavelmente serei. Ajuda muito a me entender quando revejo o passado e analiso as consequências. Para isso, delimito o tempo com “após” e “antes” de tal fato.  Dá para entender direitinho, o que era só fase ou o que é a sua personalidade; se foi uma conclusão particular, sua, própria, ou se a escolha foi influenciada pelo meio ambiente. Nessa análise, nessa revisão de vida, obviamente, entram muitas sincronicidades que revistas a posteriori, nos mostram conclusões até mesmo inusitadas. A conclusão que gosto mais, é a que tudo o que vivemos hoje está intimamente ligado a fatos do passado, que vem desde a infância. Você crê que a escolha que você faz hoje é derivada da sua percepção de adulto vivido, mas não é apenas: ela também é consequência de histórias (pode mudar a  palavra para “crenças”) que você viveu. Mamãe costumava se explicar dizendo que “mas é assim que me explicaram” ou “mas foi assim que me ensinaram”, sem se dar conta que dá para rever tudo, até mesmo o que nos ensinaram, porque foram ELEs que ensinaram e não NÓS que aprendemos.

O que vimos e vivemos no passado influencia, inconscientemente, tudo o que virá. Por exemplo, hoje, você pode viver uma situação igual a de um livro que você leu há 20 anos, ou a sua vida atual pode estar se desenrolando sincronizada com as histórias de uma novela gravada há 36 anos! Ou pode ter sido influenciado por algo que falaram ao largo, quando você tinha apenas 10 anos e na época você não entendeu nada, mas ficou guardadinho no seu interior, aguardando o momento para aflorar. Sim, isso é possível. Isso é mais real do que a realidade. Muita gente, e porque não, encontra a verdade nas páginas da Bíblia, mas olha só: você pode ouvir a palavra de Deus através de uma novela. Assim como você pode perder o seu tempo com as duas, caso você não entenda o que está acontecendo e que continue aceitando o que “te ensinaram”. Essas palavras, isso que escrevo agora, também, podem ser interpretadas conforme a sua conveniência. Tem quem parta logo para o colo de Satã, e diga que todo o mundo atual é uma droga por causa do seu namorado, da sua mãe, do catolicismo, do judaísmo, do Brasil, da Dilma, do PT, do PSDB, dos muçulmanos, dos nigerianos, da Argentina, dos EUA, da Rússia, etc, etc, etc. Tanto faz o nome. Estamos todos conectados? Sim. Se um país rico espirra, o pobre pega gripe? Sim. Mas dá para ser diferente, fazer diferente e mesmo assim interagir com o mundo sem que ele mande em você, 24 horas por dia. A questão é você e não os outros. Isso não tem nada a ver com egoísmo, que é uma história completamente diferente, tem só a ver com escolhas, motivadas por valores aprendidos ou ensinados. John Lennon dizia uma coisa forte, e típica de sua época: que não há fronteiras. Que fronteiras e países são ilusões, porque foi como NOS ensinaram. Todo mundo sabe que no mundo “real” há fronteiras, mas todos gostaríamos que não houvesse fronteiras, porque somos todos irmãos, celularmente falando. Todos somos energia, células, átomos. E quando vistos do espaço, somos mais células ainda. Aí sim não mais diferença entre humanos e animais.

Você tá chateado? A sua vida é uma droga? A de muita gente também é, por várias razões, mas eu tenho os meus motivos e eles os deles. Não dá para generalizar. Todo mundo é um universo. Mas, só dói mesmo quando cai na sua cabeça ou dói no seu bolso. Mas dá para você escolher o caminho a  seguir, mesmo debaixo de um bombardeio. Não se esqueça, nunca, que estamos todos ligados, conectados. Ninguém vive sozinho, porque para a água sair pela sua torneira, você depende de gente que você nunca conhecerá, mas que afeta a sua vida diariamente. Mas a escolha é sua. E a consequência também. Toda ação traz uma missão.

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(RE) ENCONTROS

Alguém que você conheceu recentemente te contou que morava no mesmo prédio que você? Ou que estudou no seu colégio na sala ao lado e que você nunca a viu? Você já falou “não ponho mais os pés nesse lugar” e foi nesse lugar, que anos depois a sua vida mudou?

O processo inconsciente e sincrônico é fascinante, quando vivido, também, de forma “enviesada”, indireta. São acontecimentos não reconhecidos como importantes no exato momento em que ocorrem, mas que assumem a sua importância anos ou décadas depois.

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Recentemente, assisti a um documentário sobre Reidy, um arquiteto modernista. Desde menino, eu passava em frente a uma de suas obras, e nem sabia que ele a havia criado. Sempre fui fascinado pela beleza/feiura do “minhocão” ao lado do Planetário no bairro da Gávea no Rio de Janeiro. Reidy também é autor do famoso conjunto do Pedregulho em São Cristovão. Após ter visto o documentário, pesquisei sobre habitações populares nos anos 50 (o que de certa forma incluiria o conjunto dos prédios onde eu resido). Encontrei um trabalho acadêmico com as plantas de vários prédios construídos por associações ligadas a determinadas classes de trabalhadores. E durante a pesquisa, tive uma surpresa: um dos conjuntos se chamava 28 de agosto, data em que nasci, e na mesma página, surgiu um outro conjunto chamado Jorge Rudge, nome da rua de um grande amigo. Quando pesquisei sobre o conjunto 28 de agosto, mais e mais surpresas, como que me dizendo que datas, pessoas, escolhas e acontecimentos parecem ser pré-determinados.

Que relação poderia haver entre arquitetos, empreiteiros e alguém que apenas nasceu na data do nome do conjunto residencial? Eu não sei, mas nem por isso, pararei de buscar um por quê, nem que seja para me explicar os vários “erros” e “acertos” da vida. Nem que seja para me confortar. Durante a busca sobre este conjunto residencial, descobri um link surpreendente, que só pode ser explicado como uma questão kármica, isso se o leitor acreditar em karma.

Fui operado há alguns meses e dormi em um quarto com um leito a mais. Um paciente passou a noite comigo, e de manhã, a caminho do banheiro, dei bom dia ao desconhecido. O meu amigo da Jorge Rudge, citado acima, foi me visitar. Qual não foi a surpresa dele ao ver que ele conhecia a namorada do outro paciente?

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Alguém na rua já te chamou a atenção, e horas depois, você cruzou com a mesma pessoa, em outra rua, em outro bairro? Estranho, não é? Mas e quando isso acontece, cinco vezes, em bairros diferentes com a mesma pessoa e aparentemente isso não tem significado algum? Será que terá? Será que as decisões de uma pessoa que te chama a atenção, que está em contato indireto contigo, pode influir em sua vida?  A teoria dos seis graus de separação, seria uma resposta? Mas nem isso explicaria as várias nuances desses encontros.

Será que elocubro, imagino coisas, deliro?… Depois que vivenciamos essa experiência, não randomicamente,  certamente a pulga atrás da orelha fica tão pesada que não há mais como não pensar que há uma inteligência, uma conecção inconsciente que guia os passos de todos nós, para objetivos não muito claros.

No Espiritismo, se diz que tecemos acordos no além-vida antes de reencarnarmos. Seriam esses acordos tão extensos que nos envolveriam, como diria Jung, em uma teia quase tão extensa quanto a vida?

Essa “cola” que nos liga poderia se chamar Deus?

Sincs no início de agosto.

Sonho em ter cães. Talvez um labrador, que gosto muito. Interessado, pesquisei fotos na internet e logo de cara, achei a foto de um cão pequeno. Ao ver a data da foto (ou do nascimento do cãozinho, tanto faz) vi que era a data do meu próprio nascimento: 28 do 8 de 2008.

zhumgarian 28 do 8 de 2008

Hoje ouvi na TV, o termo “Maria das Almas” para simbolizar aquela “incômoda” babinha que fica nos cantos da boca quando a pessoa fala… Ri muito e fui pesquisar. O termo correto ligado à baba é sialorréia. Logo abaixo da explicação, vi o título do livro pesquisado e o seu autor. Era praticamente o meu nome completo. Notas e referências – ↑ Lopes, Antonio Carlos. Diagnóstico e tratamento. vol. 3. Barueri: Manole, 2007.

Na terça dia 6 de agosto, permaneci trabalhando durante a madrugada, com a TV ligada, e o volume baixo para não me atrapalhar e nem me dar sono. Começou a ser exibido o filme “Mães de Chico” sobre cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier. O apelido do personagem, um jornalista, que se aproxima de Chico era Carlzinho. Esse é um apelido carinhoso que tenho. Também sou formado em jornalismo.

Comprei um produto de procedência chinesa (como quase tudo feito hoje em dia) através de um site chinês. Senti um pouco de receio, pois nem em fóruns achei qualquer comentário sobre a loja. Segui adiante porque era um valor que eu poderia pagar, bem mais barato do que os de mercado referentes ao mesmo produto. Na verdade, mais do que “achar que estava me dando bem”, senti que era uma oportunidade, inspirada pelo destino, pois eu digitei uma pergunta no google e sem muito trabalho, surgiram dois endereços. Vi as duas páginas, e senti uma vibração melhor em um deles. Arrisquei. A entrega estava prometida para um período de 20 a 45 dias. O aparelho chegou hoje, um mês depois da compra. No mesmo dia, tive notícias de uma pessoa “desaparecida” que relatou que trabalha em uma empresa “chinesa de importação”.

Tragédia anunciada (Santa Maria e Niterói)

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A tragédia na boate em Santa Maria, Rio Grande do Sul, com 231 vítimas no domingo dia 27 de janeiro, expõe mais uma vez a nossa desorganização. Parece incrível, mas o corpo de bombeiros local havia autorizado o funcionamento da casa noturna, conhecida como “arapuca”. Mas esta postagem se refere a outra tragédia: a do Gran Circus Norte-Americano em Niterói em 17 de dezembro de 1961, na qual morreram cerca de 500 pessoas. Na maior parte, as matérias jornalísticas sobre o incêndio em Santa Maria citaram essa outra tragédia, ocorrida há um pouco mais de 50 anos.

Um antiquário veio aqui em casa em novembro de 2010, comprar um antigo quadro sobre o incêndio do Circo em Niterói. O quadro ficou parado no mesmo lugar por mais de 3 décadas, só saindo daqui em função dessa venda. Conversando, soube que o antiquário estudara na mesma faculdade que eu, nos mesmos anos. Logo depois, ele me contou sobre o irmão, que tocava violão e que havia acabado de comprar um instrumento novinho.

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“Não existem coincidências”…

2 dias depois que o antiquário esteve aqui, exatamente no dia 30 de novembro de 2010, fui ao show de um amigo. Na entrada, ganhei uma revista de História da Biblioteca Nacional de brinde. Ao folheá-la, vi uma matéria sobre o incêndio em  Niterói, exatamente o mesmo tema do quadro. A coincidência me chamou a atenção. A primeira sensação que tive é que o quadro “se foi” na hora certa. Não era mais para estar comigo. Porém, refletindo um pouco mais, achei que havia algo nessa partida relacionado à morte.

No  primeiro dia de dezembro de 2010, logo depois do show, o antiquário me disse que o seu jovem irmão havia morrido em um acidente de carro.

Matéria da Revista de História sobre o incêndio no Circo em 1961.

Dias 12 e 21 de dezembro de 2012: uma revolução.

O ano terminou  com duas datas de grande significado: os dias 12 e 21, ambas ocorridas no último mês do ano.  No Tarô, a carta 12 é o “pendurado” que significa mudança s e o 21 é o “mundo”, a ordem que surge do caos, a vitória, a finalização das obras. Uma repetição de números/datas no mesmo nível do 12 do 12 do 12 só ocorrerá novamente no primeiro dia de janeiro de 2101, ou seja, daqui a quase 89 anos. E o dia 21 marcou o fim do mundo (digo “marcou”, pois para mim marcou mesmo). Nada foi mais intenso do que 2012.

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Muito se falou da importância dessas datas para uma percepção mais clara de como nos sentimos em relação ao mundo. Compreender o significado desses símbolos, no caso númericos,  nos faz compreender que espécie de sentimentos nos encaminham à determinadas opções pessoais e profissionais. A vida não é loteria e nem guerra, a vida é oportunidade e escolhas. Parece interessante que  o destino, a sorte nos acompanhe nesta jornada, porém melhor do que a sorte, podemos nos tornar os senhores de nossos destinos.

A data de 12 do 12 do 12 era boa demais para que passasse em claro (mesmo que já tivesse ocorrido no Japão. O que importa é o seu ponto de vista, a sua percepção da “realidade”). E melhor do que isso: teríamos dois horários para celebrar a data: à meia noite e doze minutos e ao meio dia e doze minutos.  Seria uma oportunidade única para quem sabe que o inconsciente é a resposta para toda ação consciente. Conectar-se aos números é como conectar-se a si mesmo: perceba as coincidências, sinta na alma o que elas te dizem, que decisões você poderia tomar, que caminho seguir. A sincronicidade te permite ver tudo com mais clareza.

12 do 12 do 12 às 12h12.

Combinei uma meditação coletiva com alguns amigos e recomendei que os mais “ocupados” dessem um “perdido” no trabalho, fossem ao banheiro,  se trancassem em algum local, mas que não deixassem de meditar.  Alguns conhecidos meus têm amigos da bola, outras da farra, eu tenho amigos sincrônicos ou sincronísticos, seja qual for o termo que o leitor achar mais adequado. Meus amigos literalmente não surgiram à toa em minha vida, eu não os escolhi por afinidades, nós nos escolhemos através de caminhos, anteriormente misteriosos, que se transformaram em odes à compreensão de quem somos.

Trabalhei desde cedo no dia 12 do 12, mas de bom grado, consegui dar o meu “perdido” e voltei para casa mais cedo. Calculei a duração da viagem de ônibus e consegui chegar em casa às 11h28. Não houve engarrafamentos ou interrupções, melhor assim. Em casa, tirei minha roupa suada e vesti uma camiseta branca. Faltava dez minutos quando recoloquei os pés na rua, mas não tinha planejado com antecedência onde meditar às 12h12. Só não quis meditar em casa. No mesmo instante, tive um insight que me fez seguir a direção de um parque ao lado de casa onde eu e meu irmão brincávamos.

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A praça é ladeada por um canal artificial, com águas turvas e paradas. Por acaso, a praça estava enfeitada com vários presépios em função do natal que se aproximava. Intuído,  me dirigi a um dos ancoradouros que ladeiam as margens da pracinha e vi que ele havia sido transformado em uma espécie de ateliê, com um banquinho e um quadro que exibia um estilizado nascimento de Cristo. Com o tempo voando e precisando meditar pelo menos um pouco antes da hora programada, sentei no banquinho, e concentrei toda a atenção na pintura, fechei os olhos e meditei prestando atenção ao palpitar do meu coração. Uma vibração poderosa tomou conta do meu corpo, que tremeu.

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Nesse momento, a partir do meio dia, os desejos, o meu e do universo se deram as mãos. Uma harmonia profunda me distanciou do notório dia-a-dia, muitas vezes, cansativo. Senti uma paz absoluta, relaxada, diferente das meditações que pratico. A vibração do 12 foi mais forte, como se estivessem me faxinando, e senti, de uma maneira não racional, mas simbólica, que as batalhas de 2012 haviam chegado a termo, que nada havia sido perdido. Calmamente ao abrir os olhos, vi o relógio: era 12h21. Sempre números… Os 21 minutos finais me lembraram da próxima – e importante – meditação: a do dia 21.

Dia 21 do 12 do 12, o fim do mundo.

Puxei uma carta do Tarô de manhã: deu 12.

Marcaram uma consulta médica para mim nesta data há pelo menos um mês e eu ainda não havia me dado conta de que era a data do fim do mundo. A médica que em atendeu tinah vitiligo e falamos menos de mim e mais dela. Quis ouvi-la e soube do preconceito que ela sofre por causa da doença, mas também a ouvi falar de sua paixão pela profissão, pelos filhos, e por Lacan. Ao sair da consulta, comecei a me sentir mal devido ao calor que faz na cidade (43 graus) e senti uma intensa dor física, que me prostrou durante o dia inteiro. A dor me fez intuir de minha limitação, das limitações de um corpo fragilizado contra uma mente em atividade. A dor me fez reduzir o ritmo, me fez descansar e ficar deitado.

A partir daí intuí que:

1 – Em primeiro lugar, deveria cuidar da minha saúde. Não dá para ajudar ninguém e nem cuidar do meu filho, sem condições.

2 – Faço coisas demais. Cortar os excessos e descansar.

3 – Morrer junto com o fim do mundo.

À noite, mesmo com alguma dor, voltei à pracinha dos presépios, que estava cheia de crianças, linda, iluminada sob uma lua cheia. Vi Mamães Noel, Papais Noel e gnomos dançando; havia famílias e crianças felizes, vivendo o lúdico, mesmo que por alguns instantes. Me lembrei das brincadeiras, na mesma praça, quando eu era criança. Senti o ímpeto de me dirigir a algum lugar, à algum presépio, para fazer parte de um “encontro”. Um amigo me conduziu, sem saber, para o meio de um deles, e exatamente entre os Reis Magos ou Apóstolos, senti uma energia de conecção atravessar meus corpos. Dirigi meu olhar para uma das figuras, que me conduziu em espírito aos 4 Evangelistas em frente à Catedral de Brasília.

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Foi assustadoramente belo. A energia da escultura era a mesma do Apóstolo João. Meu corpo tremeu todo. Me sentei logo em seguida até poder voltar para casa. A partir desse dia 21, tomei várias decisões.

Praticar rituais fortalece a intuição, que gera mais insights que nos conduzem a respostas. Ao fortalecer o link com seu inconsciente, através de “jogos”, de “brincadeiras” com as sincronicidades, a sua voz interior se torna mais clara, sem véus de mistérios. Por exemplo, rezar ou meditar diariamente, desculpem-me a comparação, é a mesma coisa que desejar a mulher do próximo… Ambos são rituais nos quais  a mente e o espírito focam um determinado objetivo. Ambos são pedidos, não importa de que espécie sejam. Sem julgamentos. O nível de sua compreensão do mundo e de si mesmo, depende da qualidade do seu pensamento.

2012 é o encerramento de um ciclo que teve vários inícios, mais especificamente ao finalizar/iniciar um em 2008 e outro em 2010. Nesse caso, são ciclos evidentes de 2 em 2 anos.  O destino me levou a trabalhar com crianças entre 2010 e 2012, o que fez e faz toda a diferença em minha vida.

Intuído pelas datas de 12 e 21 decidi iniciar uma vida nova, real, antecedida por um forte ato simbólico. Escolhi renascer através da sequência Crística de crucificação, morte e ressureição, conforme é ensinado nas sociedades iniciáticas. Decidi praticar um ato de grande simbolismo e impacto emocional: enterrei minha carreira de 32 anos em caixas, túmulos/caixões.

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Para seguir ao encontro do próximo estágio de vida, visualizei a mudança mentalmente, e em seguida pratiquei um ritual de morte física. Nesse caso, o enterro de quem fui não é apenas um ato meramente simbólico, é real. Saber que meu EU anterior está enterrado é um ritual poderoso. Confesso que não há muita diferença entre literalmente saber que o passado “está lá” ou deixá-lo dentro de um caixão para apodrecer. Literalmente, queimar todo o material seria um ato extremamente rebelde e um tanto despropositado, mas nada, nada mesmo, impede que eu venha a fazer isso. Após ver as caixas cheias com mais de 3 décadas de alegrias, lágrimas e suor empacotadas, me senti transmutado e livre, pronto para o novo.