A CARTA DA MORTE

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Tenho por hábito tirar uma carta (dos arcanos maiores) de tarot, de manhã cedo, para que no final do dia, eu possa estabelecer uma correlação entre o arcano e o “resultado” (e a devida compreensão) das 24 horas. Muitas vezes, fico semanas sem tirar uma carta, ainda sentindo que a leitura dada pelo arcano, ainda não se desfez.

Esta postagem comenta uma carta do jogo de tarot, tirada “ao acaso”, e que me fez pensar mais uma vez sobre a vida. E a morte.

A partir dos 20 anos, realizei muitas coisas, e apesar dos conflitos internos, e das divergências. Ainda desejava realizar algo “dentro” deste mundo, realizações mais externas do que internas, por assim dizer. A década de 90 foi um período de estudos esotéricos, fenômenos e participação em  fraternidades e grupos espiritualistas. E comparativamente, o eu de hoje, ao analisar o eu do passado, “o vê” como um “produto do seu tempo” ou do tempo “dele”.  A cada nova década de vida, e principalmente após os 40 anos, deixei de acreditar em muitas coisas, e incrivelmente o mundo se tornou mais mágico.

Hoje, espero menos do mundo e das pessoas. Essa grande diferença – aprendida a duras penas, não nego  – é um dos caminhos para o desapego.

Esqueci de falar… Tirei a carta da morte.

Para quem a vivencia, a carta da morte é mais do que uma chance para mudar: é simplesmente a morte do que já não tem vida, é o fim do que não é mais necessário, do que não existe. Se recebemos a morte de braços abertos, ela apenas se comporta como um farol que alerta os navios para que não se percam no mar. Caso, se deseje correr da morte, aí sim, talvez o seu navio se choque nas rochas e afunde.

XIII-Morte

O alcance da morte é inusitado, pode não ter nada a ver necessariamente conosco, mas com as escolhas que fazemos e o universo criado – por nós – a nossa volta.

Vivenciei várias “mortes” nesta última semana, após a leitura da carta.

1 – Na última postagem falei sobre um parque público, no qual fui meditar há uma semana. Há uma belíssima mansão no local, cujo proprietário a mandou erigir na metade do século XX, para a mulher, uma cantora de ópera italiana. Ao estudar a história do parque, e da casa, encontrei o seguinte trecho:  “A escritora Marina Colasanti é sobrinha-neta de Gabrielle, a dona da casa.”  Marina é irmã do ator Arduíno Colasantique faleceu há 3 dias.

2 – No final de semana, assisti a uma entrevista do cantor Alceu Valença, na qual ele citava o violonista Paco de Lucia. Hoje, 3 dias depois, Paco falece no México.

3 – Há um vídeo na internet sobre o bate-boca entre um cineasta e um manifestante vestido de Batman, na porta de um shopping no Rio de Janeiro.

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O encontro ocorreu há mais ou menos um mês. Há duas semanas encontrei esse cineasta na esquina de casa e batemos um papo. Anteontem, antes de dormir, dei uma zappeada nos canais e vi que iria ser exibido um filme bem conhecido desse cineasta. Decidi assisti-lo. Um dos personagens era um vovó que não falava e que estava sempre em sua cadeira de rodas, assistindo a TV. Certa noite, os netos o encontram morto na sala: havia falecido em frente à TV… Um dos atores deste (grande) filme era o (também grande) Guará Rodrigues, que trabalhou em várias produções do cinema novo.

Guará Rodrigues
Guará Rodrigues

4 – Semana passada fui assistir à restauração do filme “Copacabana Mon Amour” de Rogério Sganzerla. Um dos atores que participaram do filme era o Guará Rodrigues.

Helena Ignez e Guará Rodrigues
Helena Ignez e Guará Rodrigues

Fiquei com a pulga atrás da orelha, nem sei direito o porquê e me meti a pesquisar ontem sobre o Guará. Para meu espanto, descobri que há alguns anos, ele foi encontrado morto, assistindo à TV… 

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AS SINCRONICIDADES SÃO NATURAIS COMO NOSSOS PENSAMENTOS

Perceba como as sincronicidades agem em nossas vidas, nos reconectando às nossas essências, nos permitindo tomar decisões baseadas não no voluntarismo, mas em questões inconscientes, para fora e além.

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Perceba e reflita sobre o dia-a-dia. É fácil ver gente nas ruas reclamando de tudo (no Rio, então…) e criticando umas as outras.  Outro dia, sorri quando um par feminino passou ao meu lado e uma delas comentou: “Você viu o cabelo da fulana? Que coisa horrível!”. Apesar de folclórico (tá… “engraçado”) e quase inofensivo, esse comportamento alheio não serviria para te aconselhar a ter mais cuidado com as críticas (externas) e principalmente com os seus pensamentos (internos)? Não abrir a boca, mas também manter pensamentos malignos, que crescem em sua mente, não é nada saudável. Não é saudável dizer o que se “pensa” sem refletir, como não é nada saudável perder tempo e energia perdendo tempo com pensamentos inúteis. Não concordar com o que os outros fazem é um direito seu, mas falar (a boca é livre) e não fazer nada para mudar é péssimo. A maior parte de nós não suporta qualquer crítica, porque fomos educados a nos manifestar através do ego. Ao sentir que vamos perder o controle, e não menos a razão – para não nos sentirmos uns zeros a esquerda – bloqueamos toda crítica externa e aceitamos todos os elogios. Nem 8 nem 80: não é para aceitar tudo o que despejam sobre você, pois não se sabe o real motivo das críticas serem feitas (há ego do outro lado também) mas é bom que se abra um espaço para a reflexão. A nossa natural “defesa” bloqueia o que não quer ouvir, reforçando uma autoimagem criada para a nossa proteção. O preconceito e as ideias fixas nascem da mesma fonte.

Há momentos na vida para deixar fluir e outros para tomar decisões.  Não conseguiríamos viver somente nos alienando (ou não… há controvérsias sobre isso).

Quando você tiver que tomar uma decisão e estiver sendo pressionado para isso, não se precipite. Equalize o tempo da consciência e o tempo do mundo. Medite calmamente antes de agir. Não pense em prós e contras, cale-se, silencie e deixe que o Ser Interno dialogue contigo. As sincronicidades abrirão um canal de diálogo, se antecipando no tempo-espaço, e te dando o amparo necessário. Não postergue além do tempo e nunca faça nada pelas costas, mesmo que façam contigo. Seja claro e educado, mas não deixe de agir, pois as energias da procrastinação são poderosas, são como cantos de sereia que afundam os barcos até o fundo do oceano.

Quanto mais expandimos a consciência para fora de nossas “cascas”, e quanto mais ela segue adiante, se reconectando a milhares de outros seres encarnados e desencarnados, mais somos (re)conduzidos ao nosso interior. Fazer essa viagem, em busca de respostas conscienciais, nos leva de volta a um tempo em que a nossa falta de experiência nos permitia, incrivelmente, nos impressionarmos com quase todas as experiências. Aproveitando o dia das crianças, pergunto-lhe se você lembra como era o ato diário de “descobrir a vida”?

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Você consegue recordar da primeira vez em que foi tocado pela água ao tomar banhinho? Você se lembra de colocar todos os objetos na boca para senti-los, ao invés de usar o tato? E… Você se lembra da primeira vez que teve prazer ao falar mal de alguém? Muitas vezes, o que foi, é e será. Crescemos em tamanho, mas a cabeça e a alma, nem sempre. A diferença é que a pureza anterior e o prazer pelas descobertas dá espaço a formas distorcidas de comportamento, todas influenciadas pelo medo.

As sincronicidades espelham o grau de compreensão de “sua” realidade, seja ela “inventada” ou “mais consciente”. Ninguém é superior a ninguém, cada um tem e merece vivenciar as próprias experiências.  Assim, como você pode ter várias sincronicidades que te conduzam a nada ou à realização de sua manifestação egoica. Cada caso é um caso. Por isso mesmo, como poderíamos julgar alguém?

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Vejam o que a imprensa – e obviamente o lugar-comum – faz com figuras como Eike Batista. Há anos era endeusado, agora é tratado com escárnio pelos compatriotas, do senhor ao escravo. Teria o senhor Eike pagado agora, com juros, por erros do passado, pessoais e administrativos, ou toda essa revolução é o prenúncio do seu renascimento ou do nascimento de um ser humano?

As sincronicidades são naturais como são naturais os teus pensamentos. Basta discernir qual te fala mais  diretamente ao teu Ser Interno.

A história que relato agora, fala sobre as estranhas conecções e relações humanas.

Há um bom tempo, assisti a um vídeo no YouTube sobre uma advogada carioca que havia sido presa por agredir um policial com uma navalha, e é claro, por embriaguez. Na delegacia ela deu na cara de um policial, e ficou famosa com o bordão “me filma, me edita”. Há umas duas semanas, se não me engano, cismei de mostrar o vídeo a um amigo. Dias depois, lemos a notícia de que essa senhora do “me filma” veio a morrer, ao se atirar pela janela do apartamento da mãe, após ter tentado matá-la. Foi uma “coincidência” pensar em alguém que não conhecemos e  que veio a morrer dias depois? Foi uma previsão? Uma intuição sobre a morte de alguém?

Para além dessa notícia,  conversamos sobre várias coisas, trocamos experiências sincronísticas, e o amigo falou que ao passar em uma determinada rua, Vinícius de Moraes em Ipanema, no Rio, gostava de olhar os pequenos prédios de 3 andares e pensar nos dramas pessoais que certamente ocorriam em cada um deles.  

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Aí tivemos um estalo. Voltamos à matéria sobre a morte da advogada e vimos que o nome da rua era o mesmo. Lemos a declaração de um porteiro que dizia que o prédio da advogada era em frente a uma casa noturna, já fechada. Como detetives, fomos ao Google Maps e com um pouco de pesquisa, descobrimos o número da casa noturna, em frente à casa da advogada: 288. Eu nasci no dia 28 de agosto. Mais intrigante ainda é que havia uma lista de canções pintada na porta da casa noturna com o nome do autor da lista. Ficamos de cara: era o nome e o sobrenome de uma pessoa que havia casado com a irmã do amigo (de outro Estado).  E mais incrível ainda, para nossas caras pasmas, é que a irmã do cara do “nome na porta” foi casada durante dez anos com o irmão do meu amigo… Vai entender!…

Há mais laços inconscientes entre as pessoas e os fatos do que ousamos conjecturar. Estejamos nós separados pela distância, pelos modos ou pelas ideias. É como se uma imensa rede, ou uma teia de conecções com uma intrincada e delicada construção, pudesse unir elos infinitos, como se um espirro dado em um lado do planeta, afetasse alguém do outro lado do orbe e vice-versa.

Por isso é lícito, digno e fundamental tomar decisões baseadas em uma enlevada intuição e discernimento profundos. Não se deixe levar por ações motivadas pelo medo ou por relações de poder.

Obs: Há alguns anos, uma professora de astrologia leu o meu mapa natal e aconselhou: “Você deve lidar com a verdade sempre, em qualquer circunstância.  Mesmo que seja duro.”  É o que venho tentando fazer desde então, nem sempre com resultados, digamos, confortáveis.  Estamos unidos por simpatias, ideias afins e principalmente para vivenciarmos uma história coletiva, talvez em função dos nossos karmas. Não importa se você está certo ou errado, viver uma história mesmo que chegue ao fim é sábio. Não vivê-la por medo é um atraso. Não vivê-la por consciência é um direito. Porém, toda história boa tem o seu lado “ruim” e toda história “ruim” tem o seu lado bom.

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JUNG, Carl Gustav. Sincronicidade. Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 2000, 10ª edição, volume VIII/3 das Obras Completas.

NOTA: Os números em colchetes referem-se à numeração original dos parágrafos e serve como referência para citação bibliográfica.

[959] Talvez fosse indicado começar minha exposição, definindo o conceito do qual ela trata. Mas eu gostaria mais de seguir o caminho inverso e dar-vos primeiramente uma breve descrição dos fatos que devem ser entendidos sob a noção de sincronicidade. Como nos mostra sua etimologia, esse termo tem alguma coisa a ver com o tempo ou, para sermos mais exatos, com uma espécie de simultaneidade. Em vez de simultaneidade, poderíamos usar também o conceito de coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos. Casual é a ocorrência estatística — isto é, provável — de acontecimentos como a “duplicação de casos”, p. ex., conhecida nos hospitais. Grupos desta espécie podem ser constituídos de qualquer número de membros sem sair do âmbito da probabilidade e do racionalmente possível. Assim, pode ocorrer que alguém casualmente tenha a sua atenção despertada pelo número do bilhete do metro ou do trem. Chegando à casa, ele recebe um telefonema e a pessoa do outro lado da linha diz um número igual ao do bilhete. À noite ele compra um bilhete de entrada para o teatro, contendo esse mesmo número. Os três acontecimentos formam um grupo casual que, embora não seja freqüente, contudo não excede os limites da probabilidade. Eu gostaria de vos falar do seguinte grupo casual, tomado de minha experiência pessoal e constituído de não menos de seis termos:

[960] Na manhã do dia Iº de abril de 1949 eu transcrevera uma inscrição referente a uma figura que era metade homem, metade peixe. Ao almoço houve peixe. Alguém nos lembrou o costume do “Peixe de Abril” (primeiro de abril). De tarde, uma antiga paciente minha, que eu já não via por vários meses, me mostrou algumas figuras impressionantes de peixe. De noite, alguém me mostrou uma peça de bordado, representando um monstro marinho. Na manhã seguinte, bem cedo, eu vi uma outra antiga paciente, que veio me visitar pela primeira vez depois de dez anos. Na noite anterior ela sonhara com um grande peixe. Alguns meses depois, ao empregar esta série em um trabalho maior, e tendo encerrado justamente a sua redação, eu me dirigi a um local à beira do lago, em frente à minha casa, onde já estivera diversas vezes, naquela mesma manhã. Desta vez encontrei um peixe morto, mais ou menos de um pé de comprimento [cerca de 30 cm], sobre a amurada do Lago. Como ninguém pôde estar lá, não tenho idéia de como o peixe foi parar ali.

[961] Quando as coincidências se acumulam desta forma, é impossível que não fiquemos impressionados com isto, pois, quanto maior é o número dos termos de uma série desta espécie, e quanto mais extraordinário é o seu caráter, tanto menos provável ela se torna. Por certas razões que mencionei em outra parte e que não quero discutir aqui, admito que se trata de um grupo casual. Mas também devo reconhecer que é mais improvável do que, p. ex., uma mera duplicação.

Dias 12 e 21 de dezembro de 2012: uma revolução.

O ano terminou  com duas datas de grande significado: os dias 12 e 21, ambas ocorridas no último mês do ano.  No Tarô, a carta 12 é o “pendurado” que significa mudança s e o 21 é o “mundo”, a ordem que surge do caos, a vitória, a finalização das obras. Uma repetição de números/datas no mesmo nível do 12 do 12 do 12 só ocorrerá novamente no primeiro dia de janeiro de 2101, ou seja, daqui a quase 89 anos. E o dia 21 marcou o fim do mundo (digo “marcou”, pois para mim marcou mesmo). Nada foi mais intenso do que 2012.

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Muito se falou da importância dessas datas para uma percepção mais clara de como nos sentimos em relação ao mundo. Compreender o significado desses símbolos, no caso númericos,  nos faz compreender que espécie de sentimentos nos encaminham à determinadas opções pessoais e profissionais. A vida não é loteria e nem guerra, a vida é oportunidade e escolhas. Parece interessante que  o destino, a sorte nos acompanhe nesta jornada, porém melhor do que a sorte, podemos nos tornar os senhores de nossos destinos.

A data de 12 do 12 do 12 era boa demais para que passasse em claro (mesmo que já tivesse ocorrido no Japão. O que importa é o seu ponto de vista, a sua percepção da “realidade”). E melhor do que isso: teríamos dois horários para celebrar a data: à meia noite e doze minutos e ao meio dia e doze minutos.  Seria uma oportunidade única para quem sabe que o inconsciente é a resposta para toda ação consciente. Conectar-se aos números é como conectar-se a si mesmo: perceba as coincidências, sinta na alma o que elas te dizem, que decisões você poderia tomar, que caminho seguir. A sincronicidade te permite ver tudo com mais clareza.

12 do 12 do 12 às 12h12.

Combinei uma meditação coletiva com alguns amigos e recomendei que os mais “ocupados” dessem um “perdido” no trabalho, fossem ao banheiro,  se trancassem em algum local, mas que não deixassem de meditar.  Alguns conhecidos meus têm amigos da bola, outras da farra, eu tenho amigos sincrônicos ou sincronísticos, seja qual for o termo que o leitor achar mais adequado. Meus amigos literalmente não surgiram à toa em minha vida, eu não os escolhi por afinidades, nós nos escolhemos através de caminhos, anteriormente misteriosos, que se transformaram em odes à compreensão de quem somos.

Trabalhei desde cedo no dia 12 do 12, mas de bom grado, consegui dar o meu “perdido” e voltei para casa mais cedo. Calculei a duração da viagem de ônibus e consegui chegar em casa às 11h28. Não houve engarrafamentos ou interrupções, melhor assim. Em casa, tirei minha roupa suada e vesti uma camiseta branca. Faltava dez minutos quando recoloquei os pés na rua, mas não tinha planejado com antecedência onde meditar às 12h12. Só não quis meditar em casa. No mesmo instante, tive um insight que me fez seguir a direção de um parque ao lado de casa onde eu e meu irmão brincávamos.

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A praça é ladeada por um canal artificial, com águas turvas e paradas. Por acaso, a praça estava enfeitada com vários presépios em função do natal que se aproximava. Intuído,  me dirigi a um dos ancoradouros que ladeiam as margens da pracinha e vi que ele havia sido transformado em uma espécie de ateliê, com um banquinho e um quadro que exibia um estilizado nascimento de Cristo. Com o tempo voando e precisando meditar pelo menos um pouco antes da hora programada, sentei no banquinho, e concentrei toda a atenção na pintura, fechei os olhos e meditei prestando atenção ao palpitar do meu coração. Uma vibração poderosa tomou conta do meu corpo, que tremeu.

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Nesse momento, a partir do meio dia, os desejos, o meu e do universo se deram as mãos. Uma harmonia profunda me distanciou do notório dia-a-dia, muitas vezes, cansativo. Senti uma paz absoluta, relaxada, diferente das meditações que pratico. A vibração do 12 foi mais forte, como se estivessem me faxinando, e senti, de uma maneira não racional, mas simbólica, que as batalhas de 2012 haviam chegado a termo, que nada havia sido perdido. Calmamente ao abrir os olhos, vi o relógio: era 12h21. Sempre números… Os 21 minutos finais me lembraram da próxima – e importante – meditação: a do dia 21.

Dia 21 do 12 do 12, o fim do mundo.

Puxei uma carta do Tarô de manhã: deu 12.

Marcaram uma consulta médica para mim nesta data há pelo menos um mês e eu ainda não havia me dado conta de que era a data do fim do mundo. A médica que em atendeu tinah vitiligo e falamos menos de mim e mais dela. Quis ouvi-la e soube do preconceito que ela sofre por causa da doença, mas também a ouvi falar de sua paixão pela profissão, pelos filhos, e por Lacan. Ao sair da consulta, comecei a me sentir mal devido ao calor que faz na cidade (43 graus) e senti uma intensa dor física, que me prostrou durante o dia inteiro. A dor me fez intuir de minha limitação, das limitações de um corpo fragilizado contra uma mente em atividade. A dor me fez reduzir o ritmo, me fez descansar e ficar deitado.

A partir daí intuí que:

1 – Em primeiro lugar, deveria cuidar da minha saúde. Não dá para ajudar ninguém e nem cuidar do meu filho, sem condições.

2 – Faço coisas demais. Cortar os excessos e descansar.

3 – Morrer junto com o fim do mundo.

À noite, mesmo com alguma dor, voltei à pracinha dos presépios, que estava cheia de crianças, linda, iluminada sob uma lua cheia. Vi Mamães Noel, Papais Noel e gnomos dançando; havia famílias e crianças felizes, vivendo o lúdico, mesmo que por alguns instantes. Me lembrei das brincadeiras, na mesma praça, quando eu era criança. Senti o ímpeto de me dirigir a algum lugar, à algum presépio, para fazer parte de um “encontro”. Um amigo me conduziu, sem saber, para o meio de um deles, e exatamente entre os Reis Magos ou Apóstolos, senti uma energia de conecção atravessar meus corpos. Dirigi meu olhar para uma das figuras, que me conduziu em espírito aos 4 Evangelistas em frente à Catedral de Brasília.

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Foi assustadoramente belo. A energia da escultura era a mesma do Apóstolo João. Meu corpo tremeu todo. Me sentei logo em seguida até poder voltar para casa. A partir desse dia 21, tomei várias decisões.

Praticar rituais fortalece a intuição, que gera mais insights que nos conduzem a respostas. Ao fortalecer o link com seu inconsciente, através de “jogos”, de “brincadeiras” com as sincronicidades, a sua voz interior se torna mais clara, sem véus de mistérios. Por exemplo, rezar ou meditar diariamente, desculpem-me a comparação, é a mesma coisa que desejar a mulher do próximo… Ambos são rituais nos quais  a mente e o espírito focam um determinado objetivo. Ambos são pedidos, não importa de que espécie sejam. Sem julgamentos. O nível de sua compreensão do mundo e de si mesmo, depende da qualidade do seu pensamento.

2012 é o encerramento de um ciclo que teve vários inícios, mais especificamente ao finalizar/iniciar um em 2008 e outro em 2010. Nesse caso, são ciclos evidentes de 2 em 2 anos.  O destino me levou a trabalhar com crianças entre 2010 e 2012, o que fez e faz toda a diferença em minha vida.

Intuído pelas datas de 12 e 21 decidi iniciar uma vida nova, real, antecedida por um forte ato simbólico. Escolhi renascer através da sequência Crística de crucificação, morte e ressureição, conforme é ensinado nas sociedades iniciáticas. Decidi praticar um ato de grande simbolismo e impacto emocional: enterrei minha carreira de 32 anos em caixas, túmulos/caixões.

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Para seguir ao encontro do próximo estágio de vida, visualizei a mudança mentalmente, e em seguida pratiquei um ritual de morte física. Nesse caso, o enterro de quem fui não é apenas um ato meramente simbólico, é real. Saber que meu EU anterior está enterrado é um ritual poderoso. Confesso que não há muita diferença entre literalmente saber que o passado “está lá” ou deixá-lo dentro de um caixão para apodrecer. Literalmente, queimar todo o material seria um ato extremamente rebelde e um tanto despropositado, mas nada, nada mesmo, impede que eu venha a fazer isso. Após ver as caixas cheias com mais de 3 décadas de alegrias, lágrimas e suor empacotadas, me senti transmutado e livre, pronto para o novo.

 

 

 

 

Conversas diárias com DEUS.

Não conduzo minha vida, quem a conduz é DEUS.

Não me rendo perante às dificuldades, mas me sinto muitas vezes cansado. Nessas horas, lembro de uma grande amiga que diz: “Entregue e Confie”. Essa é uma grande verdade: entregar-se é um ato de total confiança no bom “julgamento” do destino. Entregar não significa desistência, mas confiança de que o resultado vindouro será o melhor para todos.

Confiança ilimitada seria excesso de confiança? Nós somos os piores julgadores de nós mesmos: ou nos excedemos em elogios e críticas aos “outros”, ou nos desmerecemos. E como saber de que “lado” estamos, se Deus, afinal de contas, é por todos, pois somos todos filhos Dele? Essa é uma questão que frequentemente volta à baila. Talvez, o julgamento de “certo” e “errado” não nos pertença, nem a juízes, nem às leis. Até mesmo por uma questão de sobrevivência mental e cultural da “espécie” nos apegamos a esses julgamentos: de que os “outros” são maus e nós “bons”. E isso gera dos pequenos aos grandes conflitos mundiais. Mas não somos todos filhos de Deus? E Deus tem filhos maus? Será que ele mesmo não deixa com que nós mesmos, e nossas energias resolvam a questão, sem qualquer ingerência? Isso posto, sem julgamentos sobre a fé, religião, ou filosofia que você segue.

Na maior parte do tempo, eu confio.  E o tempo, como senhor da razão, me mostra as falhas e as decisões corretas após alguns anos, às vezes décadas. Não vejo o dia-a-dia como rotina, pois espero, e realmente ocorrem, tantas surpresas, que cada dia tem o seu próprio espectro de variáveis. E todas nos conduzem a tomar decisões e essas escolhas nos levam a novas experiências, para que possamos viver ainda mais novas e mais amplas oportunidades. Enquanto agradeço a DEUS, por estar de pé de novo, aproveito e renovo a esperança no amanhã para viver o hoje com intensidade sincronística. Literalmente, o melhor a fazer é confiar.

O ato da entrega te submete todinho à ação do “acaso”, que “por acaso” não tem nada de “acaso”.

2013 será um ano de colheita do que foi plantado em 2012 e até bem antes, décadas inclusive. O que foi plantado neste ano estava escrito, ou “pré-plantado”. Sempre esteve “aqui”, como consequência de decisões tomadas anteriormente, no “ontem”, “hoje” e “sempre”. Desejo, sinto,pressinto e quero que minha vida mude radicalmente em 2013. A energia que habita meu corpo precisa de mais espaço, talvez de um “novo corpo”.  Necessito que o que foi plantado se manifeste intensamente. Segui o fluxo da vida, me atirei de cabeça e segui confiante. Nada tenho a temer. Nada tens a temer. “Entregue e Confie!”.

Suas decisões são regidas pelo medo? Pela mágoa? Por fraqueza ou pelo desejo de ser o dono da situação?

Perdoe, reze, mentalize e agradeça pelas conquistas e “fracassos”.  Agradeça pelos conflitos e desafios, pelos amores e pelas dores. Depois, e com a devida compreensão, libertado das amarras, você renascerá.

Repórter: “Devemos conversar com DEUS o tempo todo? Dê um exemplo do que você quer dizer com isso.”

Donald Walsh: “Você nunca pegou um telefone para ligar para alguém e essa pessoa já estava na linha? Ao dirigir, nunca pensou que nada faz sentido na sua vida e na rádio toca uma  música que fala diretamente a você? Ou quando uma pessoa entra em sua vida, aparentemente do nada, e você fica pensando como pôde viver sem ela? Tudo isso é DEUS.”

Donald Walsh, autor do livro Conversando com Deus.

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O seu mundo é uma criação mental.

Essa é um dos segredos das sincronicidades: elas se manifestam porque você as cria. Elas piscam como faróis, para que você mesmo “se” avise qual é a melhor decisão que o seu próprio Eu, ou o seu DEUS interno já escolheu. O Deus interno tudo vê e percebe sem amarras, enquanto você vê e julga. Mas o absurdamente incrível dessa história é que uma escolha sua pode ser derivada de decisões de terceiros, quartos e quintos espalhados pelo mundo, que não se sabe o por quê, têm ligação contigo, inconsciente. O resultado de uma ação, mesmo sem intenção, de um desconhecido afeta diretamente a sua vida porque estamos todos ligados através do tempo-espaço. Essa conecção misteriosa te conduz à real felicidade.

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Pai, cão e filho.

Contarei alguns casos, uns de 2008 e outro da semana passada.

Havia um personagem, menino, na série de TV, LOST, chamado Walt que conversava com bichos e pressentia coisas. Discutindo com o pai, Walt reclamou: “Você nem sabe o dia em que eu nasci!”. E o pai respondeu: “Claro que sim, foi em 28 de agosto!” Bem, 28 de agosto é o dia e mês em que nasci. Tomei um susto. O garoto era uma espécie de sensitivo. Como um epissódio de um seriado escrito há anos fala comigo HOJE de uma data que se relaciona contigo, no exato momento em que essa pessoa (eu) estava disponível em frente a TV? Isso provaria algum determinismo?

Logo depois ocorreu outra sincronicidade na mesma série: O personagem Hurley foi conversar com uma taróloga em busca de respostas. Quando ela abriu o jogo de cartas, era o mesmo jogo que eu tenho, um tarot especial, diferente dos tradicionais. Só tinha dois jogos em casa e um deles era esse.

No início de 2008, faltava 250 ou 300 reais para saldar uma dívida. O cheque que eu havia depositado iria bater sem fundos. No dia seguinte, de manhã, quando tiro o extrato, estava tudo bem, a conta zerada sem dívidas! O dinheiro que faltava surgiu do “nada”. Fui checar dias depois e era o pagamento de direitos autorais feitos naquele exato dia. Esses pagamentos podem levar até mesmo um ano para acontecer – se acontecerem. No outro dia, eu só tinha 60 reais para pagar 2 contas e depois de quitá-las, ficaria sem “nada”. Após pagá-las, decidi ir à uma casa lotérica. Reparei que os números da dupla sena eram os mesmos que eu sempre jogava: eu tinha ganho 60 reais, exatos.

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Neste final de semana, em novembro de 2012, tive que fazer uma prova em outro bairro. Ao procurar o endereço, me deparei com uma sequência de três ruas muito significativas: Coração de Maria, Getúlio e José Bonifácio, a última no bairro de Todos os Santos (obs: mesmo que por brincadeira, pensemos que não era apenas UM santo, mas TODOS juntos!).

José Bonifácio.

Como já escrevi em outras oportunidades, estudo muito a história brasileira, principalmente a partir da chegada da Família Real ao Brasil em 1808. José Bonifácio foi uma personagem histórico de fundamental importância, inclusive para a nossa Independência. Retornei a esse bairro da prova, após quase 2 décadas. Eu frequentava na própria rua Coração de Maria, ou próximo a ela, um dos núcleos da Gnose no início da década de 90. E em 1996, como já relatado neste blog, vivi uma experiência com a Nossa Senhora de Fátima em Portugal.

Coração de… Maria.

Caminhando em direção à rua, meu irmão me liga para dizer que estava em uma praçinha com a filha e que acabara de ouvir um pai chamar o filho: Gael! Esse é o nome do meu filho, recém-nascido. Parecia um ótimo sinal. E no trajeto à José Bonifácio, uma pessoa acena e se aproxima. Era um músico, que não via há tempos.

“Nem acreditei que fosse você. Eu moro nesta rua. Que coincidência! Acho que a gente não se vê há 8 anos.”

Senti que o encontro não havia sido à toa e aguardei por alguma intuição. Contei para ele que estava de volta à rua após quase duas décadas e acrescentei que havia sido pai recentemente. Contente, ele me apresenta a esposa. Começo a  sentir a intuição mais forte, quase pulsando, e após um preâmbulo sobre “coincidências” e Deus (eles disseram que são evangélicos) olho bem nos olhos dela e pergunto: “Você está grávida, não é?”

Ela se assusta um pouco, e confirma: “Há 2 meses… Como você sabe?”

“Nos reconhecemos após tanto tempo, porque estamos em sintonia e só poderia ser por causa da chegada de crianças em nossas vidas. Esse é o poder de Deus”, respondi.

É preciso convicção para dizer essas coisas, certamente. Só não acrescentei à questão, a pista do número 28, uma constante em minha vida.

2 meses de gravidez e 8 anos sem ter encontrado o “futuro” papai.

Obs: Havia me esquecido: a sala da prova era D208

Sincronicidades de 27 de SETEMBRO a 6 de NOVEMBRO de 2012.

As sincronicidades não cessam, e te acompanham diariamente. Se eu tentasse escrever um livro de relatos sincronísticos a cada seis meses, mesmo assim eles estariam velhos em um passe de “mágica”. As sincronicidades são mais ágeis do que este teclado: elas se multiplicam em número e qualidade a cada instante. Questões de pelo menos 15 anos de minha vida estão sendo sanadas e encaminhadas em apenas um ano: 2012, o ano das resoluções.

Neste texto de hoje, por uma questão sequencial, dou continuidade ao texto anterior “Razão de Alegria”, sobre o nome do meu filho, Gael, antes dele ter encarnado a 28 de Setembro de 2012.

Desculpem-me pelo longo texto. Digito incorporado pela força do amor.

Quem leu meu livro “Mágica Vida Mágica”, deve se lembrar de que várias sincronicidades me indicaram, muito claramente, de que haveria um encontro futuro com a capital do país, Brasília. Relato várias “coincidências” muito poderosas que me conectavam à figura do Presidente Juscelino Kubitschek, fatos ocorridos entre 2006 e 2008. Em 2008, eu nunca teria imaginado que essa ligação me indicava que eu seria pai de um brasiliense em 2012. O preâmbulo ocorreu em 2009 com dois encontros fundamentais: com a mãe do meu filho em Brasília e o encontro com o médium Waldo Vieira em Foz do Iguaçu, que pouco conversou comigo, mas muito me disse.

Perto da data do meu nascimento, no dia 27 de Agosto de 2012, Waldo Vieira “recebeu” alguns artistas americanos “desencarnados” (linguagem espírita) que cantaram a canção Sealed With a Kiss. Se quiserem ler este texto daqui em diante, ao som desta canção, estejam à vontade. Sintonizem-se.

No dia do meu aniversário, 28 de Agosto de 2012, conforme texto publicado anteriormente neste blog, as sincronicidades ocorreram uma após a outra, e cada uma mais singela do que a anterior. Reproduzo uma passagem:

“À noite, em casa, um amigo médium me liga para dar os parabéns. Tava na cara, que era só um preâmbulo. Já devo ter escrito sobre esse amigo, que anos após o desencarne de minha mãe, ele a viu aqui na sala de casa, muito chateada comigo, porque eu ainda estava triste porque ela havia partido. O engraçado é que mamãe era católica (e ainda deve ser) e não acreditava em vida após a morte. O amigo me falou que já estava há um tempo querendo me transmitir algumas mensagens, mas que havia aguardado um pouco, para eu terminar um trabalho recente, e não me atrapalhar.  Era uma mensagem de mamãe (desencarnada há 6 anos). “Estou muito orgulhosa de você, meu filho. Você está fazendo a coisa certa, gosto muito de vê-lo junto ao seu irmão. Mesmo que suas decisões não sejam compreendidas, saiba que você soube ouvir e seguir o caminho certo. O tempo sanará as coisas. Tudo dará certo, já deu certo.””

No dia 27 de Setembro de 2012, no final da tarde, entreguei um trabalho à uma editora no bairro de Copacabana no Rio de Janeiro. Fomos eu e o designer do livro juntos. Os profissionais que nos atenderam, que não conhecíamos, nos disseram que jogam bola com os donos de um estúdio de gravação, onde eu havia trabalhado no mês anterior. “Mundo pequeno”, ri da situação. Como também estávamos falando de música citamos dois artistas. Descemos da editora, eu e o designer e fomos tocar uma coca-cola em um botequim do outro lado da rua. Havia uma máquina de jogo e um monitor: ambas as bandas que citamos na editora, na mesma hora, ali no bootequim.

Quando chego em casa à noite, recebo o recado que meu filho nasceria no dia seguinte de manhã, na manhã de 28 em Brasília, exatamente um mês após o meu aniversário, e menos de 20 horas após ter finalizado um longo trabalho que me consumiu durante meses. Era o fim de um ciclo dando início a outro, em oitavas mais elevadas.  Tudo sincronístico, tudo matemático.

 Até aquele momento eu não tinha certeza de que meu filho se chamaria Gael, mas no meu íntimo eu sabia que esse nome havia sido escolhido por Deus,  por causa do que foi relatado no texto “Razão de Alegria”.  E quando Gael “avisou” que encarnaria no mesmo dia 28 (leiam postagens anteriores sobre a importância deste número em minha encarnação), meu coração se encheu de amor. Tive a certeza de que a chegada de meu filho no planeta marcaria a morte do “meu” Eu anterior, algo que desejei ardentemente, e que finalmente se realizaria. Há noite, ao tentar dormir, tenso, minha cama e meu corpo tremeram sob um raio de luz que se materializou em meu quarto atingindo meu peito. O calor aumentou desproporcionalmente e a cama foi sacudida. Quando emprego os olhos espirituais, senti a presença materna desencarnada há 6 anos, ela estava feliz e me deu suporte nesse momento tão importante. “Estarei ao teu lado, meu filho”, a energia vocalizou.

Acordei muito cedo, sem ter conseguido dormir. Consegui resolver várias questões em tempo recorde para poder viajar no dia 28 de Setembro, pois meu filho não nasceria em minha cidade. Um grande amigo me ligou oferecendo ajuda e estrutura, nem precisou, mas a conecção e o carinho dele ajudaram muito. Ele se comunicou comigo por intuição, me dando forças em um momento em que eu estava praticamente sozinho. Liguei para meu irmão várias vezes, pois ele havia prometido ir em casa na manhã do dia 28, mas ele não dava notícias. Precisava avisá-lo da viagem, mas ele não atendia aos telefonemas. No aeroporto, encontro uma das famílias para quem dou aula… Estranha e improvável coincidência. Esse foi um dos primeiros recados do mundo oculto.

Na hora “H”, entrei no avião, e em meu assento, o celular tocou: uma amiga me liga chorando para me avisar que minha mãe estaria comigo no hospital. Ela confirmou o recado recebido de madrugada. Chorei muito, bastante emocionado e pouco a pouco me senti envolto por um abraço e carinho celestiais para que eu não desabasse antes da hora. Pergunto pelo celular se meu filho havia nascido: ele havia encarnado às 9h47 da manhã enquanto eu estava na fila de um banco, pagando pela passagem e hospedagem. Já no avião, que ainda não decolara do Rio de Janeiro, o celular toca mais uma vez: era meu irmão. Ele estava em um hospital, na emergência. Naquele momento, supliquei a Deus para que Ele não levasse o meu único irmão, para em troca, me dar o meu primeiro filho.

Já em Brasília, na maternidade, segurei meu filho em meus braços. Senti minha vida toda fazer sentido, ter enfim chegado o grande momento, à razão de ser e de estar neste planeta. Agradeci  a oportunidade, agradeci à mãe, que dormia, por ter-lhe dado o corpo físico. Meu bebê não abria os olhos, estava em sono profundo. Senti-o, tão leve e desprotegido, mas tão forte ao mesmo tempo. Não desabei, o que seria natural, mas senti que havia alguém comigo, alguém me amparando naquela sala… Os exames prévios haviam detectado a possibilidade dele ter nascido com rim policístico. Isso preocupava a todos. Então, ouvi uma voz ordenar: “Pouse sua mão sobre ele que vamos operá-lo” e foi o que fiz. À noite, o médico confirmou que o menino não tinha mais nada.

Gael, primeiras horas de vida.

No dia 2 de Outubro, rezei em algumas igrejas, incluindo a Catedral de Brasília, que tem uma vibração muito poderosa, e agradeci pela cura do meu filho.

Na Igreja de Dom Bosco, reparei em uma imagem que estava com um cajado. Me aproximei. O anjo do Gael é uma Virtude: categoria angelical, cuja atribuição é orientar as pessoas a respeito da sua missão e cumprimento do karma. Raphael é o Príncipe das Virtudes, auxiliador dos trabalhos de cura. Raphael deverá remediar os males da humanidade. Ele é representado por um Anjo segurando um bastão.

Bastão.

Quando estava na Praça dos Três Poderes, no dia 2, reparei em um discurso de Juscelino, estampado no monumento: era do mesmo dia, 2 de Outubro, só que de 1956. Mais “coincidências”…

2 de outubro.

No templo da Legião da Boa Vontade, vi as cartas do tarot de Brasília e as associei aos locais. Foram respostas intensas.

A Carta 1 – O Mago – O Congresso.

A Carta 5 – O Papa – A Catedral.

A Carta 12 – O Enforcado – Juscelino.

A Carta 13 – A Morte – O Mausoléu de Juscelino.

A Carta 20 – O Julgamento – A Praça dos Três Poderes.

A Carta 1 – O Mago – O Congresso.

Em seguida, ainda em Brasília, tirei o CPF do Gael e o número 28 estava lá, presente. Na saída, vi um táxi por perto, cujo número era 28.

Táxi 28.

Retornei ao Rio, na primeira semana de outubro. Um amigo de Manaus, que estava de passagem na cidade, marcou um encontro. Antes de encontrá-lo, um outro querido amigo, carioca, me liga para perguntar sobre o meu filho. Esse amigo é um médium que viu minha mãe desencarnada e que transmitira mensagens recentes dela, antes do encarne do Gael. À espera do amigo de Manaus, o amigo carioca se emociona com o nome do meu filho, que é também o nome de um filho dele: Gael. Eu não sabia… A gente se conhece há uns 15 anos, creio, e nunca imaginaríamos que a vida nos ligaria dessa forma… Ele começou a chorar ao telefone e eu contive as lágrimas do meu lado.

O amigo de Manaus chegou ao encontro, logo depois do telefonema, e me apresentou uma amiga, outra viajante cósmica. À noite, nós três, em um restaurante, vivemos uma forte experiência mediúnica. Eu e meu amigo já temos um histórico de juntos, aumentarmos o número de sincronicidades. Ao nos juntarmos à viajante cósmica, a bobina só faltou explodir.

Pouco tempo depois, meu amigo de Manaus tornou a ligar, já em Manaus, para dizer que decidira vir morar no Rio, após uma série de reflexões e intuições poderosas. Como ele tinha como fazer essa mudança em pouco tempo, por ter a estrutura necessária para isso, ele simplesmente comunicou à família e no trabalho que mudaria. O gerente da agência bancária do Rio para onde ele virá, “por acaso”, reside no mesmo prédio da amiga viajante cósmica. No mínimo, uma “coincidência” absurda. E quando ele me liga no dia 21 de outubro, para me contar essa história, começou a cair um pé d´água no Rio, logo após eu assinar uma procuração para resolver uma questão pessoal e no mesmo horário no qual uma ativação/mentalização mundial estava ocorrendo, sem que nós dois soubessemos.

Horário da ativação: 22:30 BRT outubro 21 ª (Rio de Janeiro)

Entre o final de Outubro e o início de Novembro, voltei a um supermercado perto de casa, para trocar latas de leite em pó que havia comprado para o meu filho. Próximo ao balcão com a nota fiscal em mãos, uma atendente chamou a outra: “Lindalva!”.

Esse era o nome de minha mãe. Gelei! Mamãe está de certa forma, presente, de olho em tudo o que se relaciona ao netinho.

No sábado dia 3 de Novembro, sem motivo “aparente”, cismei de ver no You Tube o diretor Martin Scorcese falando sobre o diretor brasileiro Glauber Rocha. Deveria fazer outras coisas “mais importantes”, mas não conseguia. No domingo dia 4, de manhã, conversei com um amigo sobre Glauber ao telefone. Prosseguia desatento, sem foco e desci para fazer algumas compras necessárias para casa, na verdade para minha saúde: um travesseiro ortopédico e um colchão. Minhas costas e meu braço estão me “matando” e eu sempre ocupado em pagar contas, desleixado da saúde. Decidi agir. Voltei da rua no finalzinho da tarde, liguei a TV e o computador para trabalhar. TV, hoje em dia, serve na maior parte dos casos, para não me deixar com sono, mas eu não faço muito esforço para assistir alguma coisa. Tentei, mas quando chegou a hora do Fantástico, literalmente não aguentei mais. Me perguntei: “Sou tão alienado para ver isso?”. Como a resposta foi não, mudei de canal. Futebol, nunca e segui em frente. Há coisa pior e mais máscula do que futebol na TV no domingo? Digitei o canal 82 para ver se havia algo útil no History Channel (nunca vejo a programação, me deixo guiar pelo acaso, sempre). Atenção: 82 ao contrário é 28 e esse é um canal sobre história, “sincronicidade” que rege a minha vida.

Digitei 82 errado e “sem querer”, caí no canal 8, TV Senado (de Brasília) em que estava sendo exibido um documentário sobre Glauber Rocha. “Pressinto a morte como Castro Alves”; “Tenho medo de ficar triste como gado berrando sob o sol” (Antonio das Mortes); “Estou no começo da vida mas não sei se resisto”, ouvi.  Para mim, era a própria morte do “meu EU” anterior.

Fui “tentar” dormir na segunda dia 5 de Novembro, e fiquei horas rolando na cama. Ao conseguir, quase dormir fui transportado através de um sonho onírico: estava sentado em um banco de pedra, em forma de trono, que existe mesmo, no qual costumo meditar, na Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro. Não estava propriamente dormindo, pois me sentia consciente, entre acordado e sonolento. Esse banco havia se transmutado em um trono de ouro puro, muito brilhante que emitia a energia de um imã poderoso. O trono resplandecia com fortes raios de luz dourada à beira da Lagoa, que deixavam meu corpo refletindo o dourado de uma coloração muito mais real do que seria em nosso plano. Foi uma visão linda. Os 4 elementos da natureza comungaram ao pés da Lagoa, ainda envolta pela escuridão da madrugada. Ao virar o rosto à esquerda, vi, mais acelerado do que o usual, entre as montanhas, o sol nascer majestoso, com raios expelidos de sua auréola. Então, ao virar o rosto para a frente, o número oito, surgiu pairando em pleno ar. Um raio elétrico, azul, corria pelas suas curvas. Quando as duas eletricidades vivas se encontravam no centro do 8, a luz faiscava, como uma solda elétrica, em forma de explosão em um amarelo vivaz.

Na verdade, o número era uma lemniscata: o “oito deitado”, o símbolo do infinito. Adotada por diversas linhas espirituais, ela simboliza, para os rosa-cruzes, a evolução quando observada de dois lados: o fisico e o espiritual. Um dos anéis de lemniscata é a jornada do nascimento à morte, o outro da morte ao novo nascimento. O ponto central é considerado o portal entre os dois mundos.

O oito refulgente começou a girar em seu eixo central até se tornar um círculo de fogo, de luz e ouro.

Acordei com uma sensação indescritível.

 

A cada novo mês, me desconecto mais de quem fui há 50 anos, a minha idade física atual na Terra. Meu corpo está sendo transmutado para uma nova realidade na qual o personagem, a persona anterior não tem mais função. É um processo bastante conhecido, mas pouco vivido, e bastante lido em textos dos livros iniciáticos. Nossos corpos estão sendo preparados para assumirmos novas missões que prosseguirão com amor em 2013.

Desfrute dessa oportunidade de transmutação.

 

Abro meu coração e vida para os leitores sem receio de julgamentos (Carta 8). Descarregue o peso extra que curva seus ombros e abra-se ao jogo da vida, compreenda o andamento das peças, e encontre a plena liberdade com a consciência plena.

Dê chance às sincronicidades, permita que elas se comuniquem contigo. Elas serão a Tua voz interna em comunhão com o Teu Eu, não com o Eu do Ego, mas através do Eu da Consciência Plena e assim Você Será somente e apenas UM, em estado de comunhão, uno com o universo.

RAZÃO DE ALEGRIA

Provavelmente o nome do meu primeiro filho, que nascerá daqui a algumas semanas será GAEL, um nome escolhido pela mãe, que significa “razão de alegria“ e segundo pesquisa na internet, Pégasus, o cavalo alado.

Desconfio da data em que o menino nascerá, mas creio ser mais um desejo do que uma profecia. Mas talvez a data mais importante não seja o dia e o mês do nascimento, mas o ano: 2012, tempo de profundas transformações, urgentes e radicais.

 A encarnação desta criança ratifica uma profunda transformação que vem ocorrendo há anos, décadas. Como o nosso tempo não é o tempo do universo, pretensamente achamos que certos fatos se desencadeiam  de forma muito lenta. Mas o que são os nossos desejos em relação a supernovas e galáxias?  No dia que conheci a mãe da criança soube, no mesmo segundo, que ela seria a mãe de nosso filho, assim como foi evidente que ele deveria encarnar em 2012. Era evidente que a sua encarnação não poderia ser protelada e que fomos escolhidos para sermos “os pais” do pequenino GAEL.

 E quem nos ajuda quando tudo parece estar a nosso favor ou contra nós?

 A sincronicidade em nome de Deus.

Na semana anterior, participei de uma leitura de tarô esclarecedora e reconfortadora.

Ficou claro que a energia renovadora de 2012 é fruto de uma mudança planetária, geracional: a mudança das mudanças. A desconstrução desse mundo velho, pré-2012, nos diz que antes havia paz e que agora há caos, mas há ordem e resolução em 2012; a impressão até pode nos dizer que tudo ocorre à toa, mas cada pequeno detalhe, ou “acaso”, ou “coincidência” é planejado; o racional nos diz que está errado, mas tudo está… CERTO.

 Desde ontem à noite vários sinais se pronunciaram.

 Procurei uma fita de vídeo entre dezenas (sim, eu tenho muitas desde os anos 80) amontoadas em gavetas e gavetas, caixas e caixas. As fitas atravessaram os anos 80, 90 e cruzaram o milênio até hoje, 2012. Quando as vi amontoadas do lado de fora, pensei por que deveria guardá-las de volta, se após tantos anos, eu prosseguia sem assisti-las. Lembrei de um fato ocorrido há apenas um dia: perdi quase uma hora ao procurar um simples objeto na sala e após todo esse tempo não o encontrei. Quando há coisas demais no caminho, que nem uma simples organização consegue dar jeito, é porque é chegada a hora de simplificar: olhei para as fitas de vídeo e selecionei 1/10 para guardar. Joguei fora a maioria sem pensar duas vezes. O ambiente ficou mais leve, mas essa leveza precisa estar unida à compreensão de como nos desapegamos do peso extra, com ou sem sentimento de culpa, com ou sem mágoas. De coração, gostaria que GAEL encarnasse sem “peso espiritual desnecessário”.

 Após dispensar as fitas de vídeo, desci para dar uma volta na rua de manhã, e deixei que o destino me guiasse. Olhei para o relógio na rua: 28 graus a 11:31 da manhã. 28, o dia em que nasci e 31, o dia do meu irmão. Dobrei na rua à direita: uma arte pintada na parede de um prédio exibia um número 28.

Segui adiante, e intuí que deveria permanecer durante algum tempo em uma praça perto de casa, na qual eu havia feito um ritual há dois dias. Sentei no banco e olhei para o monumento à frente, em forma de embarcação. Havia várias crianças no local, que brincavam no outro lado da praça. Muito jovem, eu tinha receio de subir nesse monumento. Me lembro que eu o achava muito, muito alto para escalar. Hoje, adulto, está longe de ser um desafio. Há dois dias, na praça deserta, subi na proa da embarcação esculpida no monumento, e de pé, proclamei com todo o coração, olhando à frente:

 

“Nesta embarcação, que conheço desde criança, olho em direção ao futuro, estando aqui e agora no presente. Deixo o passado para trás, encarnado neste mundo, e proclamo em alto e bom som que sou eu o comandante do meu destino, o capitão e o responsável pela embarcação de minha própria nau chamada vida. Sendo assim, nada pode me afetar. Que as ondas nunca derrubem a minha sustentação e  equilíbrio em mar bravio. A compreensão do antes e do depois me dá segurança e me protege em nome da sincronicidade e de Deus.”

 Assim que lembrei desse ritual, feito sem planejamento, como que brotado do nada, ouço uma menina chamar uma criança, bem novinha: GAEL!

 Virei o rosto em  sua direção e meus olhos marejaram. As crianças seguiram em direção ao monumento, bem à frente  e o escalaram, sentando-se em tudo quanto era lugar vago. GAEL ficou de pé na mesma posição em que fiz meu ritual há dois dias. Nenhuma criança das várias que lá estavam, ficou em pé no mesmo local ou olhou à frente, daquele mesmo ponto. Uma sensação de reencontro tomou conta de mim, como se estivesse ouvindo a voz de Deus: “Receba teu filho e renasça!”.

 

Rezei pelo GAEL encarnado que tanto me emocionou, rezei pelas famílias de todas as crianças na praça, no mundo, rezei pelo “meu” GAEL em vias de encarnar, rezei pela mãe e pela família,  e agradeci muito muito muito às sincronicidades e a Deus, que tudo sabe, que tudo vê.

Seja bem-vindo meu amado filho “razão de alegria”.

ÁGUA BENTA

Ontem fui dormir na casa de um casal amigo. Passei uma noite agradável com Clarinha, a amada filhinha deles. Durante nossas brincadeiras, ela me perguntou se eu queria brincar de “águinha”. Disse que sim e ela espargiu o conteúdo de uma vasilhame de plástico sobre mim, no rosto, e nos meus cabelos . “Você vai tomar banho de águinha, tio Tarlos!”, ela disse com T mesmo. Feliz, a menina não parava de gargalhar.

Os pais pediram a ela, um intervalo das brincadeiras para que pudéssemos jantar. Sozinho, olhei para o quarto de brincar, todo enfeitado, e cercado de bonecos, brinquedos e um armário todo incrementado, me senti irmanado, em um ambiente puro, de criança. Era onde eu dormiria. Estava escrito no travesseiro: “Eu acredito em fadas.”

Quando o pai de Clarinha entrou no quarto, me perguntou que água era aquela que ela havia usado para me molhar. Eu apontei o vasilhame e ele me falou:

“Você não vai acreditar, mas essa é a água benta que compramos na missa de sétimo dia de sua mãe há 6 anos!”

Clarinha e a água benta

Adendo: Agora mesmo, zapeando, decidi parar na TV Cultura. Como está sendo exibido um filme brasileiro, preto e branco, dos anos 50, dei numa conferida. A história se passa no Rio de Janeiro e um dos personagens acabou de falar, em menos de 5 minutos de exibição: “Amanhã, às 3 da tarde no Jardim de Alá!”. Eu moro ao lado do local. O que acontecerá? Até mesmo pela curiosidade, vou checar que informação sincronística é essa!

Aniversário, Elis Regina e mensagens maternas.

A dança de Shiva simboliza o renascimento do Universo e sua própria destruição.

Fiz meio século de vida. Essa foi a minha dança. “Cinco ponto zero” para ser mais carinhoso com a idade “quase” avançada. Parece exagero, mas eu nunca imaginei completar cinquentinha. Ganhei mais cabelos brancos, mais flacidez e talvez, mais humanidade. Ou quase isso… Não houve festa ou comemoração. O momento é, digamos, diferenciado. 2012 tem sido um ano surpreendente, inimaginável. Há meses sinto que nada nessa vida faz sentido, a não ser o amor. O resto é simplesmente o resto e não tem muita importância. O que quero dizer é que precisamos trabalhar, possuir nossos vínculos sociais, nos divertir, pensar, tudo faz parte da vida, mas a sensação é que vivo em um estado de sonambulismo, inadequação, desespero, urgência, desinteresse, vazio e espera. É como uma tristeza serena de quem sabe que não adianta domar o mundo, controlar o universo. Nos basta seguir o fluxo e fazer a vontade Dele, apenas isso. Seria essa percepção, a morte do EGO? Estaríamos caminhando ou já vivendo o prenúncio do novo mundo que se avizinha, sem EGO e karma? Parecemos “esvaziados”, como parte de um propósito, que nos aproxima desse limiar, de um precipício que antecede um salto mortal no escuro do qual não há mais salto para dar. O que está acontecendo? Não somos os mesmos, parece que nunca fomos. E essa mudança não ocorreu de maneira sutil ou gradual. Foi e tem sido uma experiência radical, paranormal. Nossos Eus foram como que sugados, arrancados e estamos aprendendo a viver entre sobressaltos; aprendemos a não mais conduzir a montaria, mas deixar que ela nos conduza.

Esse aniversário talvez tenha sido o momento mais solitário da minha vida e paralelamente, o momento no qual atingi a plenitude consciencial. Vivo esse divisor de águas sob vários aspectos: pessoal, profissional, espiritual. E não é uma “crise”, por assim dizer, como outra qualquer. Essa parece ser A crise das crises. Ao ouvir relatos de amigos mais próximos, que também vivem esses desafios íntimos , percebo o processo como coletivo.

Esse foi o preâmbulo. De agora em diante, inicio a descrição desse “hard day´s night” como cantaram os Beatles, ou de um “unforgatable day´s night”: o diário de um aniversário diferente.

Hoje estou mais relapso, mas por mais de uma década, pratiquei o ritual de acordar na hora do meu anjo, Hekamiah, para me comunicar com ele. Para estreitar esse laço, para encurtar o caminho entre terra e céu, concentra-se nos salmos da Bíblia, que se conectam ao seu anjo, e na hora determinada, no meu caso, de 5 às 5 e 20 da madrugada, medita-se.

Nasci de madrugada, um pouco depois de uma da manhã. Estava trabalhando, perto dessa hora. Olhei o relógio, e percebi que já era quase chegada a hora. Larguei tudo, desliguei o computador, a TV, e apaguei a luz para meditar. Me deitei e me concentrei no instante do meu nascimento, no momento da vinda à Terra, em como deixei o corpo de minha mãe para me perceber em outro ambiente, claro e desprotegido, assustador. Senti meu corpo tremer e um tubo de energia, vindo do alto, me acalentou. Senti minha visão nublar e meu corpo sacudir levemente. Não foi uma sensação desagradável, apenas diferente, como se daqui a algumas horas, com o sol nascendo, eu também conhecesse o mundo pela primeira vez.

“O mundo pela primeira vez”, refleti. Que loucura! “Como será reviver no mundo aos 50 anos?”.

Ao acordar, por volta de 7 da manhã, recebi os primeiros parabéns e também energias contrastiadoras, de quem não estava sintonizado comigo. Não há necessariamente nem mal nem bem em quem não está na mesma sintonia que você, não há certo, nem errado neste mundo. Há escolhas, percepções diferenciadas, pontos de vista que moldam seu comportamento; medos enraizados que conduzem a caminhos, desafios, certezas absolutas que se desfazem ao vento ou que perduram teimosamente. Respirei fundo, meditei e projetei a chama violeta sobre todos, para os presentes, ausentes, chegados, distantes, próximos e afastados. A campainha tocou. Era um mestre de obras amigo. Ao sair de casa, ele teve uma leve tonteira. Perguntei o que estava havendo. Fiquei preocupado. Ele se virou em minha direção, com o semblante estranho, colocou a mão em meu ombro e me transmitiu uma mensagem: “Tudo vai se acertar”, ele disse, como se soubesse mais do que aparentava. “Você fez a coisa certa, nada tema!”. Em seguida, como que saído do transe, ele ergueu a cabeça, sorriu e se dirigiu à porta. “Foi uma mensagem?”, perguntei. Ele confirmou com um sorriso.

Em seguida, um entregador me trouxe um livro enviado por um amigo queridíssimo, pai de uma menina linda e esposo de uma verdadeira dama. “Um Novo Mundo – O Despertar de uma Nova Consciência” de Eckhart Tolle.

Na hora do almoço, deveria me encontrar com meu irmão no centro da cidade. Apesar de feliz em vê-lo, fui com o coração pesado, e a cabeça distante. Já na rua, um dos amigos, daqueles que vivem a inadequação, me ligou para contar algumas percepções do que ele estava passando. Tudo fazia sentido. Parecia que o mundo caminhava para um lado, com todos bem “coerentes”, conectados com o ambiente, e nós “fora” de sintonia. O que ele me contou, conferia: as pessoas, o mundo parecia um filme velho, repetido pela enésima vez e que o nosso “sofrimento” era fruto da percepção de que “estamos marcando touca” (alguém ainda usa esse termo?). Sabemos que temos que mudar, mas por ainda estarmos presos a compromissos e principalmente a receios (falta de dinheiro e falta de amor, no topo do ranking), deixamos de nos dar a grande chance, que urge dentro de nós.

Há uma dúvida constante: erramos ou acertamos mais por ansiedade, por antecipação ou por uma excessiva demora em mudar esse quadro?

Depois do almoço, fui a um compromisso no centro da cidade. Fui recebido pela dupla Sérgio e André com 3 pequenos bolinhos e uma velinha de 5 anos para comemorar meu aniversário. Essas pessoas, não tinham obrigação, nem necessidade de fazer o que fizeram, mas fizeram para demonstrar afeição. Eles me “pagaram” na mesma moeda, a mesma que sempre dei a eles: conversa rica, respeito e consideração.

Parabéns pra Você!

Na mesa ao lado, tocou o telefone. Um dos funcionários que fez a festinha para mim, atendeu e me olhou sorrindo. “A pessoa quer saber a quem se deve pagar o direito autoral de uma música psicografada! Ao morto ou ao médium?!”.

André e Sérgio

“Esse aniversário não será igual aos outros”, concluí.

Como Nossos Pais – e Mães.

Depois fui rever a exposição da Elis Regina no Centro Cultural Banco do Brasil. Amo a Pimentinha. Ela é capaz de despertar sentimentos profundos em mim: quando ela sorri, com as gengivas de fora, me encho de alegria esfuziante e quando ela canta suas dores e se deprime, eu caio junto. É como um mestre dos bonecos conduzindo a sua marionete. O que ela faz, gravado em fita e vídeo se conecta à minha alma, como se não houvesse passado ou amanhã, somente o agora. E o agora é real. Então, Elis vive. Me emociono ao vê-la quase tropeçando com Hermeto Pascoal, improvisando em Montreux ou na “Canção do Sal” de Milton Nascimento; danço e reflito com “Me Deixa em Paz”; tremo ao vê-la trincar os dentes e arregalar os olhos pondo a alma para fora em “Como Nossos Pais”. Na última sala da exposição sobre Elis, há vários computadores com fones de ouvido para nos deliciarmos com todo o seu repertório. Para começar, ouvi “Comunicação”, uma de minhas preferidas.

“Só tomava chá
Quase que forçado vou tomar café
Ligo o aparelho vejo o Rei Pelé
Vamos então repetir o gol.”

Com os fones, comecei a cantar, sem perceber. Achei que era mímica, mas estava emitindo notas. Com gentileza, a atendente me pediu para não cantar. Sorri, agradecido, enternecido. Sem combinar nada, Sérgio e André apareceram e nos “Elisamos” ainda mais.

À noite, em casa, um amigo médium me liga para dar os parabéns. Tava na cara, que era só um preâmbulo, que tinha coisa aí. Já devo ter escrito sobre esse amigo, que anos após o desencarne de minha mãe, ele a viu aqui na sala de casa, muito chateada comigo, porque eu ainda estava triste porque ela havia partido. O engraçado é que mamãe era católica (e ainda deve ser) e não acreditava em vida após a morte. O amigo me falou que já estava há um tempo querendo me transmitir algumas mensagens, mas que havia aguardado um pouco, para eu terminar um trabalho recente, e não me atrapalhar.

Era uma mensagem de mamãe.

“Estou muito orgulhosa de você, meu filho. Você está fazendo a coisa certa, gosto muito de vê-lo junto ao seu irmão. Mesmo que suas decisões não sejam compreendidas, saiba que você soube ouvir e seguir o caminho certo. O tempo sanará as coisas. Tudo dará certo, já deu certo.”

Mamãe não era mole, para ela me dizer isso é porque a situação não está tão feia.

Um pouco após a meia noite, outra amiga, também médium, me passou mais uma mensagem: “Sorria, seja feliz. O resto é consequência.” Perguntei de quem era. “Tenho sonhado com sua mãe nos últimos dois dias.” E minha amiga – e não minha mãe – completou: “Tudo me leva a crer que hoje é um dia muito especial para você. Um divisor de águas.”

E começou a chover. Uma chuva suave, serena, apaziguadora.

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Apesar de não ter tido uma festa formal, com bolo, risos, abraços e álcool, recebi um abraço do destino, um abraço do além, recebi congratulações de quem mais amei e continuo amando. Reaprendo a cada dia, que é preciso deixá-la partir, mas que ela também se preocupa comigo, me olha e protege, esteja onde ela estiver.

Esse aniversário referenda uma nova fase e se esse momento chegou para mim, deve ter chegado para todos, leitores, amigos e desconhecidos. Basta saber ouvir e seguir o seu coração, sem seguir ninguém, sem seguir o lugar comum, sem julgar. Não devemos ser cegos que seguem cegos.

 Renasci.

“As pessoas parece que primam pela necessidade do círculo do elefantinho. Com a tromba, um segura o rabo do que está na frente e assim por diante, até fechar o circulozinho de elefantinhos.”

Elis Regina. Programa Jogo da Verdade. TV Cultura. 1982.

A LUA e o CRISTO de 2 de agosto

 

Ontem, dia 2 de agosto foi um dia, especialmente “diferente”. Já sou uma pessoa muito sensível mas ontem, foi “além”. Over. Como uma lua cheia prenunciava tomar o céu de assalto, os fatos misteriosos e sincronísticos começaram a tomar forma logo de manhã. Bem cedo, uma brincadeira feita comigo, me deixou muito angustiado. Senti meu coração correr aceleradamente. Incapaz de mudar o destino, me percebi engessado e ao mesmo tempo resignado. A sensação foi ainda mais virótica porque não tenho com quem conversar ou dividir esses sentimentos, por isso os compartilho com os leitores, para que se sintam, talvez em suas solidões, que estamos todos  irmanados. E que sempre há solução.

Estou envolvido em um projeto, no qual trabalho diariamente, saindo de casa às 8 da manhã e chegando entre meia noite e uma da manhã em casa. Por acaso, ontem foi o primeiro dia em que “descansei”. Estava exausto, a cabeça tonta, sem pensar direito e o coração acelerado.

A sessão de sincronicidades começou cedo: um rapaz, fiscal do metrô, veio em casa às 9 da manhã, e falou sobre “coincidências” e autoajuda. Ele era do sul e estava há uma semana no Rio. O presenteei com meu livro sobre sincronicidades. Ele o abriu aleatoriamente, e sorrindo me mostrou a página: “Sincronicidade do Destino”.

O telefone tocou: era um amigo de Manaus, que precisava me transmitir uma mensagem espiritual. Recebi o comunicado com o coração palpitando, mas ciente de que aquela mensagem àquela hora não poderia ser à toa. “A hora chegou”, ele disse.

Logo depois, um outro amigo querido me escreveu para me avisar que há dias, pensava em mim e que precisava falar comigo para me passar outras mensagens e percepções. Mas me adiantou algo: “que dar felicidade às pessoas era o plano cósmico”. Respirei fundo.

No começo da tarde do dia 2, eu deveria participar de uma filmagem com uma equipe do sul do país (lembrem do friscal do metrô, também do sul). Como era para voltar à rua do meu antigo colégio – já demolido – lá fomos nós, com a equipe de filmagem. Não compraram uma garrafinha de água, porque acharam caro: o preço era 2,28. Eu nasci no dia 28 de agosto. Entramos na rua para filmar. O Cristo Redentor, bem lá em cima, estava lindo, sob um belo céu. Ele é lindo demais. Entramos na rua do colégio, e logo de cara vi uma casa de número 28. Mais vinte e oitos.

 

Cristo Redentor

Cristo Redentor (Photo credit: Thiago Trajano)

 

Percebi a rua com um carinho que nunca havia sentido antes. Eu ia para o colégio todos os dias, há 30 anos e nem percebia a beleza a minha volta porque eu sempre ia chateado. Eu não percebia a beleza que havia na rua, nas casas, nas árvores, no céu, no ar… eu não via a beleza do mundo. Hoje meus olhos e alma percebem tudo diferentemente, a sensibilidade aumentou, e a percepção.

Rua.

Lua.

Ao filmar, a diretora de fotografia viu um livro semiencoberto em uma bancada em frente à uma antiga loja. Para não entrar em pormenores, posso dizer que o título do livro encoberto era o mesmo nome do filme. Todos ficaram estupefatos. No final da filmagem, já a noite, debaixo de uma gigantesca lua cheia, mais “coincidências” sucederam-se.

Ao chegar em casa, com o dever cumprido, tudo já cheirava a passado. O que havia antes, um dia antes, havia se desfeito. Não havia traços ou vestígios do dia anterior. A energia mudara, transmutara radicalmente. Era tão visível, perceptível que me espantava que todos não vissem. Ainda me sentia angustiado, com o corpo energizado, peito palpitando. Coloquei meu destino e vida nas mãos de Deus. Assumi que não tenho mais força e capacidade para lutar, para me conduzir, e me doei. Entreguei-me ao destino. A sincronicidade não só aponta, como conduz os caminhos. Confio neles.

O mundo não nos pertence. Estou nele, faço parte, mas não sou ele. Podemos ser mais, menos, demais, de menos. Sou apenas um filete de água no fluxo do rio caudaloso e vivo, bruto e singelo, forte e sereno. Ondas de energia, marolas de consciência. A sensação que tenho de dissolução é gigantesca. Mas não posso mais me deixar abater: doei minha vida à sincronicidade. Que ela conduza meus caminhos submetidos à vontade do Criador e do Universo. A nave mãe não virá nos buscar, pois nós somos as suas extensões, somos ela. Se conseguiremos, ou não, estar na nave, depende de nós. Entre levantar e cair, vivemos. Entre amar, amar e amar, vivo.

 

Deutsch: Christus Erlöser in Rio de Janeiro Po...

Deutsch: Christus Erlöser in Rio de Janeiro Português: Cristo Redentor do Rio de Janeiro (Photo credit: Wikipedia)

 

Renasci mais uma vez, fiz aniversário antecipado em dia 2 de agosto, recebi presentes do Cosmos e ele me acarinhou. “Confie!” Pelo visto, datas não valem mais nada, mas números sim.

Sincronicidades sempre.

 

 

 

POUCOS MESES PARA O FIM DE 2012. ÍCARO E FÊNIX.

A maioria certamente aguarda o fim do mundo em dezembro de 2012 com curiosidade e descrença. Muitos não acreditam, e outros como eu, vivem reformas internas que podem ser consideradas como “fins do – velho – mundo”. Essas reformas se materializam no mundo externo primeiramente através de um novo olhar, um novo sentir que não encontra espaço no lugar comum. Primeiramente, se vive um “despertencimento” do externo. Não há nada no mundo externo que te encha os olhos. Tudo passa a ser uma bobagem, a única coisa que importa é colher a boa semente plantada na alma: o amor. Percebe-se que não há outro caminho a não ser adequar os fatos internos e externos, normalmente dissociados. O aprendiz ou adepto dessa “Nova Era”, pressente em seu coração, que não há mais como “pretender”, “fingir que é”, “interpretar” ou “achar que é”. Ou é ou não é.

Nada é negativo nesse estágio evolutivo, são ações internas mais importantes do que palavras, são mudanças incompreendidas pelo olhar exterior, que prima pelo “social”, pelo pior aspecto do coletivo: o medo, o julgar, o medir, o pensar negativo sobre os outros, ao invés de procurar as soluções em você mesmo. Há uma guerra descomunal entre as externalidades, que lutam desesperadamente para manterem-se no topo e uma nova força ascendente, interna, aparentemente sem ter como “competir”, dona de uma energia ensolarada, transformadora. O “choque” entre as duas energias é motivado pela necessidade de o planeta transcender ao estágio anterior, o estágio do querer ser, do pensar e não conseguir fazer, do perder-se de si mesmo por causa do julgamento confuso.

O novo estágio está além de religiões e valores sociais. Quando digo julgamento, me refiro à diferença entre o olhar interno e o externo. O viver em sociedade é moldado por valores irrealistas, que uniformizam o ser humano em atitudes externas que não encontram respaldo nas necessidades da nova alma.

Fortes mudanças externas mostram que o bebê gestado dentro de mim precisa vir à tona. E que está prestes a nascer.

Há alguns meses precisei de uma segunda vida de carteira de identidade. Para isso precisei de minha certidão de nascimento. Ao procurá-la descobri que ela havia desaparecido. Encontrei uma única cópia xerox com firma reconhecida. A sensação que tive é que eu não havia nascido ou que havia morrido. Motivado pela inexistência de um papel, para me referendar, para me dar “vida”, me senti inexistente ou “morto” pela falta da documentação. Precisei me recompor. Foi uma sensação estranha, angustiante. Consegui dar entrada no R.G. com o xerox e no mesmo dia, procurei me informar sobre o cartório para tirar uma segunda vida da certidão de nascimento. O cartório não existia. Pela circunscrição, fui até o novo endereço. Ao chegar lá, vejo operários derrubando o prédio. Me assustei. Me senti literalmente “demolido”. Ao perguntar a um porteiro no prédio ao lado, se ele sabia onde era o cartório, ele escreveu São João Batista, o endereço de um conhecido cemitério. Em seguida, o porteiro acrescentou um número: 28. O dia em que eu nasci. O recado estava dado. Nesse mesmo dia, me senti morto (o antigo sem documentos) e em seguida redivivo, por ajustar o interno com o externo (a documentação).

Vivi o estágio da fênix.

A partir desse mesmo mês, saldei dívidas inesperadas e investi em um projeto profissional ousado, que se mostrou bem sucedido. Era Ícaro rumo ao sol. Trabalhei sob uma saraivada de críticas, e descrédito de muitos, inclusive de pessoas que amo. Foi difícil, houve momentos angustiantes, mas segui adiante, voei com minhas asas de cera, cada vez mais alto, não por mim, mas pelo meu coração, pelo filho gerado dentro de mim, pela alma criança que tudo pode, pelo amor. Não consegui comemorar ao atingir o objetivo. Em meu coração não havia motivo para sentir júbilo, havia ganho uma batalha em meio a uma guerra de energias. Havia cumprido meu papel e não senti alívio, nem me senti especial. Na verdade foi importante, necessário mas cansativo.

O resgate de meus documentos, me fez sentir vivo de novo, mas não mais ligado ao mundo que conheci. Os documentos velhos se foram, porque eu não era mais a mesma pessoa. Decidi jogar muita coisa fora, doei roupas, dei móveis, quadros, pintei meu quarto em busca desse mesmo amor, fiz obras externas para referendar o interno, dei aulas para crianças em busca da pureza e de mais aprendizado, e cumpri as metas de 2012.

A proximidade do sol, não derreteu minhas asas, mas mostrou que o mundo de minha infância, da minha pureza “pura” estava ultrapassado. Aprendi com a  nova pureza a não me deixar contaminar pela maldade, pela incompreensão, pelas críticas. Rezei forte, muitas vezes para não cair em tentação, para não retaliar quem me atacava, para não responder à altura. A única solução possível para minhas necessidades materiais e espirituais seria seguir as sincronicidades e prencher meu coração com resoluções internas que nem sempre precisavam de respaldo externo. O aprendizado do passado me fez chegar até o hoje, é fato, mas era insuficiente para as novas resoluções. Cada vez mais, cada novo dia se tornava um novo dia. Cada bater de asas te eleva, mas te cobra mais determinação. Eu nunca havia vivido 24 horas como vivo hoje. Antes, as horas voavam, passavam. Hoje, sinto cada hora como UMA hora e não mais como minutos. Apesar de o tempo parecer mais acelerado, as sensações são muito diferentes.

Encarno o espírito dos novos tempos, trago em mim 2013 e ele é misteriosamente belo, transformador e revolucionário. Grandes asas e grandes metas. Era de  uma hélice a mais e de nova configuração para os “velhos” ADNs. 2013 antecipado faz meu corpo tremer, me desasossega e me rejubila. Me sinto o amanhã que não existe hoje. Me sinto família, pai e filho. Vishnu e Shiva. Sou o nada e o tudo, a esquerda e a direita, me amedronto e me rejubilo, porque estou a caminho da liberdade, e a liberdade de uma nave em pleno espaço aperta o coração. O Ícaro de asas abertas impressiona e assusta.

Em outros textos, detalhei experiências e vivências minhas e de pessoas próximas. Nesses últimos meses, vivi crises pessoais, dilemas, insights poderosos. Recebi amor e incompreensões demais, tudo em excesso. Nada era pouco, era como uma chuva torrencial, após a seca. Não sei em relação a todos os leitores, mas os sinais, não de um fim do mundo coletivo, mas do começo de outro, completamente diferente, são muito mais do que palpáveis. São tão reais que já nem acredito mais neles, simplesmente os vivo. Não são fáceis de entender, mas são mais do que sinais, são cartazes gigantes, outdoors de energia radiante. Esses sinais são mais complexos do que os de antes, que agora me parecem imaturos, fantasiosos. As experiências sincronísticas de antes, hoje me parecem muito distantes. Não fazem o mínimo sentido. As sincronicidades de hoje são como faca afiada, não vêm para colar pedaços, mas para retalhar o antigo. A complexidade das sincronicidades mais recentes tornam todas as experiências sincronísticas, verdadeiras experiências de quase-morte. E é muito difícil falar sobre isso, abrir o coração dessa forma, mas foi por esse motivo que iniciei o blog: para expor experiências muito fortes, radicais.

Não há como ter esperança no amanhã, sem que o coração esteja conectado, cumprindo as metas individuais que são na verdade, coletivas, ou ligadas a um determinado grau de evolução e cumprimento de ajustes na rede dos acontecimentos.

Nesses últimos meses houve muitas reviravoltas em minha vida, e na de amigos mais próximos, planos que se desfizeram ao sabor da mudança do vento, situações que necessitam de ajuste e que ainda estão em clima de espera, dores profundas da alma que ainda sangram, movimentos em zigue zague, e mudanças radicais, muito radicais, mudanças de quase-morte-em-vida. Fases de renascimento. Não sei em relação a vocês, mas hoje tudo para mim é excessivo, é sobressalente. Só me importa o básico, a vida, o amor. Estudei demais e concluí que a sabedoria do mundo está na simplicidade. Andei demais e vi que a nossa esquina é o quarteirão do mundo. Meu coração hoje diz claramente que não só o amanhã se faz hoje, como que eu não “estarei mais”, mas que “serei” e que viverei cada vez mais conectado aos desígnios da alma. 2012 nos faz sentir como cápsulas libertas no espaço. As cápsulas podem retornar à nave mãe, mas como não desejam fazer isso, estão prestes a cair na imensidão negra, misteriosa do universo, do espaço infinito, mas essa possibilidade é assustadora, não pelo medo, mas pelas possibilidades múltiplas. O grão de areia é o cosmos. O coração palpita, próximo à resolução.

Em dezembro de 2012, o meu, o nosso antigo mundo estará terminado, se assim quisermos e fizermos por onde. Ícaro e Fênix. O grão de areia, o cosmos inteiro.

Cada novo mês para mim é um avanço, uma nova compreensão, cada semana mais uma batalha vencida em busca de respostas e cada dia é um novo dia. Não vivo como antes medindo meu tempo em planejamentos, planos, certezas ou sonhos. Nem sei mais o que é me desiludir, se me desiludo ou venco um obstáculo, não comemoro mais, não há vitórias ou derrotas, só há a vida, só há o rio em movimento e não há por quê julgá-lo, não há por quê medir o seu curso, ele só é o que é. Hoje não sonho, vivo. Nem sou triste ou feliz, apenas sou. Não tenho paciência para novidades, para internet, para TV, para papo furado, conversa jogada fora, gente que sabe demais, gente que nada sabe, enfim… Estou “morto” em relação aos “vivos” e como a carta do tarô do louco, estou livre para renascer, para reencarnar em vida. As sincronicidades abençoam e nos alertam de que a hora está próxima. A realidade é mais palpável para mim do que era antes e essa realidade é bem diferente da anterior.

Todos somos irmãos, geneticamente, espiritualmente e miticamente como Caim e Abel. Todos nós fazemos parte de um mesmo grão, de uma mesma célula, brigamos e nos entendemos, aceitamos e refutamos. Somos escolhas. Parte da mudança depende de nós, outra parte depende do “destino”, engenhoso estrategista que nos apresenta charadas inteligentíssimas, que nos induzem a decifrá-las ou simplesmente nos intuir em que direção ir. O mais fantástico de 2012 é que o antigo sistema de karma parece estar chegando ao seu inexorável fim: já não há mais karma e correntes que nos prendam a ações passadas. Já não há mais karma, não há mais cobranças. É o sonho de qualquer ser que pretenda se libertar, se tornar Ícaro e seguir rumo ao sol, sem que as asas de cera se derretam. 2012 marca escolhas que não se podem mais nos punir. As antigas instituições morrem cada vez mais rápido e o novo Deus menino está prestes a nascer até antes que 2012 se encerre.

Ícaro e Fênix. O grão de areia, o cosmos inteiro.