Premonição

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Um amigo lembrou do seu antigo professor de educação física da época do colégio, que não via há várias décadas.  Ele me perguntou se uma lembrança, sem motivo aparente, poderia significar algo. Disse que dependia do caso, mas que provavelmente haveria alguma ligação, de alguma espécie, com o professor. “Mas eu nem me dava com ele!”, o amigo exclamou. “A gente nunca sabe…”, respondi.

De onde acessamos essas lembranças e por quê? Por qual motivo? A memória inconsciente pode não fazer parte do HD que carregamos conosco (o cérebro físico). Se guardássemos todas as memórias, alegrias e tristezas em nosso cérebro, talvez este HD interno explodisse. Então, o cérebro parece servir mais a propósitos próximos e práticos, para que lembremos e acionemos os dados mais pertinentes e necessários a nossa sobrevivência. As outras memórias – conscientes ou não – ficam gravadas em um HD universal externo ilimitado que pode ser acessado em determinadas circunstâncias.

O amigo nunca parou para se preocupar com essas coisas, sempre me diz que quando eu falo sobre isso, ele se assusta um pouco e que “é demais para a cabeça dele.”

Menos de uma semana depois de nossa conversa, o amigo me liga desesperado: ele havia recebido uma carta enviada pelo colégio comunicando a todos os ex-alunos, o falecimento do professor de educação física.