Sobre Crianças e Escravos.

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Uma história.

No dia do meu aniversário, realizei um antigo sonho: conhecer o memorial dedicado aos “Pretos Novos”, os escravos recém chegados ao Rio de Janeiro, mas que ainda não haviam sido “adaptados” ou “amansados”, por isso mesmo chamados de “Novos”. Desde o início deste blog – que em final de setembro de 2015, comemora 5 anos – venho alardeando minha ligação com o número 28. Para tomar a decisão de ir ao Valongo, soube que neste cemitério haviam sido identificadas 28 ossadas.

A história do local, na verdade um sítio arqueológico, é fascinante: o casal Guimarães comprara uma antiga casa na Gamboa em 1996, zona portuária do Rio, mas ao fazer a reforma, os pedreiros descobriram ossos humanos sob as fundações. Arqueólogos e historiadores da Prefeitura concluíram que a casa havia sido erigida sobre o antigo Cemitério dos Pretos Novos, cuja localização havia se perdido no tempo, ou pior:  esquecida deliberadamente.

Idêntico aos fornos crematórios nazistas, milhares de escravos (oficialmente, cerca de 6 mil) foram atirados ao chão, e não enterrados em covas. Jogavam-lhes terra sobre os corpos em um espaço de 110 metros quadrados – cercado por muros baixos de casas residenciais. As análises dos fragmentos, feitas a partir de 1996, indicaram que os ossos foram queimados após a descarnação em busca de espaço para tamanho número de cadáveres.

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Estar ali, naquele local em 2015, e ver os ossos à flor da terra, me provocou um profundo pesar e reflexão. Mostra-se evidente uma triste característica de nossa “brasilidade”: a negação (ou esquecimento) e a não aceitação dos fatos. Fingir que nada aconteceu, responsabilizar as autoridades e negar o holocausto são faces da mesma moeda. Uma contradição chamada país que se diz amigável, festeiro, e “pacífico”. Todos sabem que “chover no molhado” é responsabilizar as “elites”, mas também é inegável que, como o país foi construído, e tem sido até hoje, quem determina o “modus operandi” é de fato a elite política e econômica.

A comparação entre a carbonização dos corpos no cemitério carioca entre os séculos XVIII (o século das “luzes”) e XIX e os nazistas no século XX é óbvia: os alemães, um povo desenvolvido, também foram capazes de fingir que não viam os judeus serem segregados. Desde que houvesse estabilidade econômica, o resto era perfeitamente aceitável.

Ao revelar ao mundo, os horrores dos campos de concentração alemães em 1945, o General americano Dwight Eisenhower exigiu que os cidadãos de Gotha, enterrassem as centenas de corpos encontrados em um sub-campo de Buchenwald, em Ohrdruf no sudoeste da Alemanha. Após testemunhar o horror, o prefeito de Gotha e a sua esposa se enforcaram.

O Brasil se desenvolveu graças à escravidão, fez vasta fortuna que não foi redistribuída, e ainda aprovou arduamente leis contra o tráfico negreiro, após décadas de muita discussão entre os Senadores. O fim da mão de obra escrava “acabaria com o país”, diziam, e a mudança de escravo para empregado assalariado deveria ser “lenta, gradual e segura”. A comparação com a ditadura implantada em 1964 e a Alemanha da Segunda Guerra são inevitáveis.

Uma questão espiritual e pessoal.

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Ajoelhado perante aqueles ossos, minha cabeça pesou e meu coração se encheu de remorso e vergonha. Senti uma energia tão forte vinda daquele solo, que perdi o ar. Isso me fez lembrar de algumas vivências que tive com escravos, a cultura negra e crianças.

A mais antiga me foi relatada por uma tia, há dez anos. Por volta dos meus dois anos, ela me viu “dar baforadas” e fazer sinais ritualísticos de Candomblé. Minha mãe, assustada, havia pedido para que nunca mais tocassem no assunto.

Quando criança, estudei em colégio público e tive amigos em comunidades próximas. Ao visitar um vizinho negro em um conjunto residencial de baixa renda, o irmão menor dele, talvez com uns 13 anos encostou o cano de um revólver na minha cabeça “de brincadeirinha”.

Com menos de 20 anos, vi a mãe de uma amiga, bastante nervosa, com a presença de um grupo de negros com lanças e escudos na sala de sua residência. Apenas achei curioso, mas fiquei alerta.

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Nesse período, presenciei em meu prédio um porteiro negro impedir uma visita de subir no elevador social porque era negra. Ela disse ser advogada e o porteiro alegou obedecer ordens do síndico. Depois, uma vizinha, professora de inglês, me perguntou por que eu recebia amigos negros em casa.

Uma década depois, vi a mãe de uma namorada incorporar um espírito infantil no dia das crianças e pedir para brincar de carrinho com ela, sentados nós dois, em meio à sala.

Passada mais uma década, um Exu me aconselhou a tomar cuidado com a pessoa invejosa ao meu lado. Era uma ex. Para amenizar, o Exu me pediu para tomar banho de ervas, lavar-me com Sabão da Costa – cuja origem é do Golfo da Guiné na África – e acender velas para as almas dos escravos na Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa, no centro do Rio. Ao estudar a história da igreja, soube que, a caminho da forca, Tiradentes fez ali as últimas preces em plena rua, pois condenados não podiam entrar em igrejas, e que se dizia que o escritor Machado de Assis (meu favorito) havia sido sacristão no local, o que é refutado pela falta de comprovação documental, mas fato é que a igreja da Lampadosa é citada no conto “Fulano”, publicado no livro Histórias Sem Data.

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Após essas dicas do destino, estudei a história da escravidão no Brasil e certo dia, há alguns anos, assisti a uma entrevista na TV Brasil com a dona da casa, onde hoje é o Memorial aos Pretos Novos. Foi a única vez que a ouvi citar um evento espiritual. Ela havia dito que ao entrar em um departamento do governo para tirar uma documentação sobre a casa, o atendente ficou lívido ao ver que atrás dela havia um grande número de escravos.

Perguntei à dona do local sobre a história relatada na TV e ela me contou que uma médium americana, em visita ao Memorial, contou ter visto espíritos de crianças na área dos ossos, que pediam para brincar, como se nada houvesse acontecido, como se o tempo não tivesse passado.

O que muito me comove é que a descoberta das ossadas ocorreu em 1996, 108 anos após a Lei Áurea e 166 anos após o esquecimento do local do cemitério, em 1830.

Retorno à uma questão anterior e falo das chagas que ainda enlameiam a história de duas nações citadas, o Brasil e a Alemanha. Se esses países não tomarem medidas severas contra o preconceito, ainda reinante, e se não ensinarem às crianças, desde muito cedo, as consequências da cultura do ódio, inevitavelmente veremos os mesmos erros se repetirem.

O que fará a Europa sobre a chegada em massa de imigrantes africanos? Construirá novos campos de concentração? E o Brasil a respeito das domésticas e dos concursos públicos com cota para negros?

Então, de que adianta falar em fraternidade, e amor universal, se ainda acreditam em superioridade racial?

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AS SETE LEIS DO SUCESSO – parte final – DEEPAK CHOPRA

A SÉTIMA LEI: A LEI DO “DHARMA” OU DA FINALIDADE DA VIDA

Todas as pessoas possuem uma finalidade na vida… uma dádiva singular ou um talento especial para oferecer aos outros. E quando pomos o nosso talento especial ao serviço dos outros, experimentamos o êxtase e a exultação do nosso espírito, que é a finalidade suprema da vida. Quando trabalhamos somos como flautas e, ao nosso coração o murmúrio das horas soa como música. E o que é trabalhar com amor? É tecer o pano com os fios do coração, como se estivéssemos a tecer a roupa do nosso bem-amado… Kahlil Gibran, O Profeta A sétima lei espiritual do sucesso consiste na Lei do Dharma. Dharma é um termo sânscrito que significa “finalidade na vida”. A Lei do Dharma diz-nos que nos manifestamos sob a forma física para cumprir uma finalidade. A divindade constitui a essência do campo da potencialidade pura e, o divino toma a forma humana para cumprir uma finalidade. Segundo esta lei, todos temos um talento específico e uma forma singular de o exprimirmos. Há qualquer coisa que conseguimos fazer melhor do que qualquer outra pessoa no mundo e, cada talento específico com a sua forma singular de se exprimir, também requer necessidades especiais. Quando essas necessidades se combinam com a expressão criativa do nosso talento, gera-se a centelha que dá prosperidade. Exprimir os seus talentos para realizar aquilo que é necessário cria riqueza e abundância ilimitadas. Se ensinássemos isto às crianças desde pequenas, veríamos o efeito que teria na vida delas. Na verdade, fiz a experiência com os meus filhos. Repeti-lhes muitas e muitas vezes que havia uma razão para cada um de nós se encontrar neste mundo e que eles teriam de descobrir a razão por que existiam. Eles começaram a ouvir isto a partir dos quatro anos. Também os ensinei a meditar mais ou menos a partir dessa idade e disse-lhes: “Nunca, mas nunca se preocupem em ganhar a vossa vida. Se não forem capazes de ganhar a vossa vida quando crescerem, eu hei de sustentar-vos, portanto não se preocupem com isso. Não quero que se esforcem por obter bons resultados na escola. Não quero que se esforcem por obter as melhores notas ou por ir para os melhores colégios. Aquilo que quero é que se interroguem acerca de como podem servir a Humanidade e quais serão os vossos talentos especiais. Porque cada um de vós possui um talento especial, que ninguém mais possui e cada um de vós tem uma maneira especial de exprimir esse talento, que também ninguém mais possui.” Eles acabaram por vir a frequentar as melhores escolas, obtiveram as melhores notas, e mesmo na universidade são estudantes especiais, porque já são economicamente independentes, pois a vida deles focaliza-se naquilo que devem dar para cumprir a razão da sua existência aqui. E esta é a Lei do Dharma.

A Lei do Dharma possui três componentes. O primeiro diz-nos que cada um de nós se encontra aqui para descobrir o seu verdadeiro Eu, para descobrir por si próprio que o seu verdadeiro Eu é espiritual, que na essência somos seres espirituais manifestando-se sob uma forma física. Não somos seres humanos que têm experiências espirituais ocasionais, ao contrário, somos seres espirituais que têm experiências humanas ocasionais. Cada um de nós encontra-se aqui para descobrir o seu eu superior, ou o seu eu espiritual. Esse constitui o primeiro requisito da Lei do dharma. Temos de descobrir por nós mesmos o deus ou a deusa em embrião, que existe dentro de nós e deseja revelar-se, para podermos exprimir a nossa divindade.

O segundo componente da Lei do dharma consiste em exprimirmos os nossos talentos especiais. A Lei do dharma diz-nos que todo o ser humano possui um talento especial. Todos possuímos um talento, cuja expressão é de tal modo singular, que não existe mais ninguém vivo no planeta que possua esse talento ou essa forma de o exprimir. Isto significa que há uma coisa específica que cada um de nós sabe fazer melhor do que qualquer outra pessoa no mundo. Quando está a fazer isso, perde a noção do tempo. Quando exprime esse talento especial que possui ou, em muitos casos, os diversos talentos especiais, a expressão desse talento é transportada para o conhecimento do eterno.

 O terceiro componente da Lei do dharma consiste na vontade de servir a Humanidade. Servir os outros seres humanos é perguntar “Como posso eu ajudar? Como posso ajudar aqueles que me rodeiam?” Pondo a capacidade de exprimir o seu talento especial ao serviço da Humanidade, estará a aplicar totalmente a Lei do dharma. E se juntar a isto a experiência da sua própria espiritualidade, o campo da potencialidade pura, é impossível que não tenha acesso à abundância ilimitada, porque esta constitui a verdadeira forma de alcançar a abundância. Esta abundância não é temporária; é permanente, devido ao seu talento especial, à sua forma de o exprimir, aos serviços que presta e à dedicação que mostra pelos outros seres humanos, atitude que adquiriu, perguntando: “Como posso eu ajudar?”, em vez de: “O que posso eu obter?” A questão “O que posso eu obter?” constituí o diálogo interior do ego. Perguntar “Como posso eu ajudar? “ constitui o diálogo interior da alma. A alma representa o domínio do conhecimento onde experimentamos a nossa universalidade. Através da simples substituição, no nosso diálogo interior, da pergunta “O que posso eu obter?” pela outra “Como posso eu ajudar?”, passamos logo do plano do nosso ego para o domínio da nossa alma. Embora a meditação constitua a forma mais útil de entrar no domínio da alma, a simples mudança do nosso diálogo interior para “Como posso eu ajudar?” também nos dá acesso a alma, esse domínio do conhecimento onde experimentamos a nossa universalidade. Se quiser aproveitar ao máximo a Lei do dharma, terá de se comprometer a seguir algumas regras. A primeira regra é: Vou tentar descobrir o meu eu superior, que se encontra para além do meu ego, através da prática espiritual.

A segunda regra é: Vou descobrir os meus talentos especiais e, depois de os descobrir, vou entrar em estado de felicidade, pois o processo de felicidade ocorre quando adquiro o conhecimento do eterno. Nesse momento, entro em estado de beatitude. A terceira regra é: Vou perguntar a mim mesmo quais as minhas melhores qualidades para servir a Humanidade. Vou responder a essa pergunta e depois pôr em prática a atitude. Vou utilizar os meus talentos especiais para servir as necessidades dos outros seres humanos, vou combinar essas necessidades com o meu desejo de ajudar e servir os outros. Sente-se e faça uma lista das respostas a estas duas perguntas: Pergunte a si mesmo se o dinheiro não fosse uma preocupação para si e se tivesse todo o tempo e dinheiro do mundo, o que faria? se pensa que continuaria a fazer aquilo que faz no momento, isso significa que se encontra em dharma, porque tem uma paixão por aquilo que faz – exprime os seus talentos especiais. Depois, pergunte a si mesmo: “Quais as minhas melhores qualidades para servir a Humanidade?” Responda à pergunta e ponha a atitude em prática. Descubra a sua divindade, encontre o seu talento especial, utilize-o para servir a Humanidade e gerará toda a riqueza que quiser. Quando as suas expressões criativas responderem às necessidades dos outros seres humanos, a riqueza fluirá espontaneamente do não-manifesto para o manifesto, do âmbito da alma para o âmbito da forma. Começará a experimentar a vida como uma miraculosa expressão da divindade, não ocasionalmente, mas sempre. E conhecerá a verdadeira felicidade e o verdadeiro significado do sucesso, o êxtase e a exultação da sua própria alma.

COMO APLICAR A LEI DO “DHARMA” OU DA FINALIDADE DA VIDA

Ponho em prática a Lei do dharma, seguindo estes passos:

1 Hoje vou dar toda a atenção e amor ao deus ou deusa em embrião que se oculta no mais fundo da minha alma. Darei toda a atenção à minha alma interior que dá vida ao meu corpo e ao meu espírito. Vou tentar despertar para a profunda serenidade que existe dentro do meu coração. A consciência da eternidade e do Ser eterno acompanhar-me-á sempre durante a minha experiência temporal.

2 Faço uma lista dos meus talentos especiais. Depois faço uma lista de todas as coisas de que gosto de fazer quando exprimo os meus talentos especiais. Exprimindo os meus talentos especiais e utilizando-os ao serviço da Humanidade, perco a noção do tempo e crio abundância na minha vida, assim como na vida dos outros.

3 Pergunto a mim mesmo todos os dias “Como posso eu servir?” e “Como posso eu ajudar?”. As respostas a estas questões vão permitir-me ajudar e servir os outros seres humanos com amor.

AS SETE LEIS PARA O SUCESSO – parte VI

A SEXTA LEI: A LEI DO DESPRENDIMENTO

 

No desprendimento se revela o conhecimento da incerteza. No conhecimento da incerteza se revela a libertação do passado, do conhecido, da prisão da circunstância do passado. E pela nossa vontade de entrar no desconhecido, no campo de todas as possibilidades, entregamo-nos ao espírito criativo que orquestra a dança do universo. Como dois pássaros de ouro empoleirados na mesma árvore, como amigos íntimos, o ego e o Eu habitam o mesmo corpo – o primeiro come os frutos doces e amargos da árvore da vida, enquanto o último observa com desprendimento.

 Mundaka Upanissad

 

A sexta lei espiritual, do sucesso consiste na Lei do Desprendimento.

A Lei do Desprendimento diz-nos que para adquirirmos qualquer coisa no universo físico temos de renunciar à nossa ligação a ela. Isto não significa que desistamos da intenção de criar o desejo. Não devemos desistir da intenção, nem devemos desistir do desejo. Devemos desistir da nossa ligação ao resultado. Esta atitude é muito poderosa. No momento em que renunciamos à ligação ao resultado, combinando ao mesmo tempo intenção dirigida e desprendimento, teremos aquilo que desejamos. Tudo o que quisermos pode adquirir-se através do desprendimento, já que este se baseia na fé inquestionável, no poder do nosso verdadeiro Eu. Por outro lado, a ligação ao resultado baseia-se no medo e na insegurança – e a necessidade de segurança baseia-se no fato de não conhecermos o nosso verdadeiro Eu. A fonte de riqueza, de abundância ou de qualquer outra coisa do mundo físico encontra-se no Eu; é a consciência que sabe como realizar todas as necessidades. Tudo o mais constitui um símbolo: carros, casas, contas bancárias, roupas e aviões. Os símbolos são transitórios; vêm e vão. Procurar obter estes símbolos é o mesmo que preferir o mapa ao território. Provoca ansiedade; acaba por nos fazer sentir ocos e vazios por dentro, porque estamos a trocar o nosso Eu pelos símbolos do nosso Eu.

A ligação ao resultado significa consciência da pobreza, pois esta ligação prende-se sempre aos símbolos. O desprendimento significa consciência da riqueza, pois ele traz-nos a liberdade para criar. Só com um envolvimento desprendido se pode obter alegria e prazer. Só assim obtemos os símbolos de riqueza, com espontaneidade e sem esforço. Sem o desprendimento, tornamo-nos prisioneiros de necessidades mundanas desesperadas e impossíveis, preocupações triviais, desespero passivo e tristeza. Marcas distintivas de uma existência quotidiana medíocre e da consciência da pobreza. A verdadeira consciência da riqueza consiste na capacidade para obtermos aquilo que queremos, quando quisermos, e com um mínimo de esforço.

Para chegar a esta experiência tem de se basear no conhecimento da incerteza. Na incerteza encontrará a liberdade para criar tudo o que quiser. As pessoas estão sempre à procura de segurança, mas com o tempo verão que a busca da segurança constitui uma coisa muito efêmera. Mesmo a ligação ao dinheiro constitui um sinal de insegurança. Pode dizer: “Quando eu possuir X milhões de escudos, estarei seguro. Serei economicamente independente e poderei reformar-me. Nessa altura, hei de fazer tudo aquilo que de facto quero fazer.” Mas isso nunca acontece – nunca. Aqueles que procuram segurança perdem-na para sempre e nunca a encontram. É uma atitude ilusória e efêmera, pois a segurança nunca pode vir apenas do dinheiro. A ligação ao dinheiro gerará sempre insegurança, independentemente da quantidade de dinheiro que tivermos no banco. Na verdade, algumas das pessoas mais inseguras são as que mais dinheiro têm. O desejo de segurança constitui uma ilusão. Nas antigas tradições de sabedoria, a solução para todo este dilema encontra-se no conhecimento da insegurança, ou no conhecimento da incerteza. Isto significa que o desejo de segurança e certezas, na verdade, constituem uma ligação ao conhecido. E o que é o conhecido? O conhecido é o nosso passado. o conhecido não é mais do que a prisão do condicionamento do passado. Não há evolução aqui absolutamente nenhuma. E quando não há evolução, surge a estagnação, a entropia, a desordem e a decadência. A incerteza, por sua vez, constitui o solo fértil da criatividade e da liberdade puras. A incerteza significa entrar no desconhecido em cada momento da nossa existência. O desconhecido constitui o campo de todas as possibilidades, sempre vivas, sempre novas, sempre abertas à criação de novas manifestações. Sem a incerteza e o desconhecido, a vida consiste apenas na repetição obsoleta e desgostosa de memórias. Tornamo-nos vítimas do passado – aquilo que vivemos ontem é o que nos atormenta hoje. Renuncie à sua ligação com o conhecido, entre no desconhecido e entrará no campo de todas as possibilidades. O conhecimento da incerteza constitui um elemento da vontade de entrar no desconhecido. Isto significa que, em cada momento da sua vida, terá emoção, aventura, mistério. Terá a experiência da alegria de viver a magia, a celebração, a alegria e a exultação do seu próprio espírito. Todos os dias pode procurar a emoção daquilo que virá a ocorrer no campo de todas as possibilidades.

Quando tiver a experiência da incerteza, encontra-se no caminho certo, por isso não desista. Não precisa de ter uma ideia rígida e completa daquilo que vai fazer na semana seguinte ou no próximo ano, pois se tiver ideias bem definidas acerca do que vai acontecer e se ficar muito preso a elas, fechará um grande número de possibilidades. Uma característica do campo de todas as possibilidades consiste na correlação infinita. o campo pode orquestrar uma infinidade de ocorrências espaço-temporais para chegar ao resultado pretendido. Mas quando nos deixamos prender, a nossa intenção fecha-se num estado de espírito rígido e perdemos a fluidez, a criatividade e a espontaneidade inerentes ao campo. Quando nos deixamos prender, retiramos ao desejo a sua infinita flexibilidade e fluidez, encerrando-o numa moldura fixa, que interfere com todo o processo de criação. A Lei do Desprendimento não interfere com a Lei da Intenção e do Desejo. Com a definição de um objetivo Mantemos a intenção de seguir em determinada direção, mantemos o nosso objetivo. Mas entre o ponto A e o ponto B há uma infinidade de possibilidades. Tendo interiorizado o elemento da incerteza, podemos mudar de direção em qualquer momento, se encontrarmos um ideal mais elevado ou uma coisa mais emocionante. Também nos encontramos menos dispostos a forçar as soluções para os problemas e isso permite-nos manter-nos atentos às oportunidades. A Lei do Desprendimento acelera todo o processo de evolução. Quando compreender esta lei, não se sentirá compelido a forçar soluções. Quando força soluções ou problemas, apenas cria novos problemas. Mas se aplicar a atenção na incerteza e observar a incerteza enquanto espera, atento, que a solução surja do caos e da confusão, aquilo que surgirá será qualquer coisa fabulosa e muito estimulante. Este estado de atenção, encontrar-se-á preparado no presente, no campo da incerteza, liga-se ao seu objetivo e à sua intenção e permite-lhe aproveitar a oportunidade. O que é a oportunidade? Encontra-se em cada problema que tiver na vida. O menor problema que tiver na vida constitui a semente para uma oportunidade de um benefício maior. Depois de ter percebido isso, abre um grande número de possibilidades e mantém vivos o mistério, a dúvida, a emoção e a aventura. Pode ver cada problema da sua vida como uma oportunidade para um benefício maior. Pode manter-se atento às oportunidades baseando-se no conhecimento da incerteza. Se estiver preparado e a oportunidade surgir, a solução aparecerá espontaneamente. Aquilo que daqui advém designa-se muitas vezes por “boa sorte”. A boa sorte consiste apenas no encontro entre a oportunidade e a pessoa que se encontra preparada para ela. Quando as duas se juntam com a observação atenta do caos, surge uma solução, que constituirá um benefício evolucionário para a pessoa e para todos aqueles que a rodeiam. Esta constitui a receita perfeita para o sucesso e baseia-se na Lei do Desprendimento, que é o melhor caminho para a liberdade. Entro no campo de todas as possibilidades e antecipo a emoção que pode ocorrer se eu me mantiver aberto às escolhas. Ao entrar no campo de uma infinidade de escolhas Ponho em prática a Lei do Desprendimento, seguindo todas as possibilidades, experimento toda a alegria, com estes passos: aventura, magia e mistério da vida.

 1 Hoje vou praticar o desprendimento. Darei a mim próprio e aos que me rodeiam a liberdade de sermos como somos. Não imporei ideias rígidas sobre como as coisas deviam ser. Não forçarei soluções para os problemas, pois isso criaria novos problemas. Participarei em tudo com um envolvimento desprendido.

 2 Hoje interiorizo a incerteza como um ingrediente essencial da minha experiência. A minha boa vontade para aceitar a incerteza fará com que as soluções surjam, espontâneas, dos problemas, da confusão, da desordem e do caos. Quanto mais incertas as coisas parecem, mais seguro me sentirei, porque a incerteza é uma fonte inesgotável.

 

 

Reflexão sobre os votos de feliz ano novo

A cada passagem de ano, fazemos planos e refletimos sobre os objetivos a serem alcançados no próximo período de doze meses. Esse é um ritual que pratico há décadas. Os pedidos de sempre como saúde fazem parte das rezas diárias, não valem para compromissos de passagens de ano. As metas a serem atingidas em um futuro ano novo são um pouco mais específicas como “terei um emprego melhor” ou “terei um filho”, etc… Mas mesmo “brindados” com o emprego e o filho desejados, aparentemente nada “dá muito certo”.

E não dá certo por quê?

Como no conto do gênio da lâmpada, nem todo pedido é realizado exatamente como imaginamos. Muitas vezes, nossos sonhos se realizam através de caminhos surpreendentes e com detalhes indesejados.

Somos seres submissos a desejos e vontades. E quanto mais nossas vontades são realizadas mais ficamos, como dizer… “felizes”? Quando imaginamos um futuro melhor, pensamos em saúde sim, mas principalmente em nos sentirmos satisfeitos, em “sermos alguém”; em termos um “bom emprego”, reconhecimento, status, e quase sempre controle sobre o próprio universo, só nos reconhecendo nele quando nos interessa. E nossos pedidos geralmente são imaginados em forma de “brindes” externos, presentes caídos do céu em paraquedas para mudarem nossa vida radicalmente sem que precisemos fazer muito esforço. Exemplo? Ganhar na loteria para gastarmos nosso tempo com prazeres, materialidades e mulheres (ou homens).

“Só ganhar presentes” é como desejar que só haja sol e dias maravilhosos, que nunca fiquemos doentes ou que nunca tenhamos contrariedades… A vida não é assim. A vida é feita de luz e sombras. Crescemos e nos tornamos pessoas melhores, em razão de nossas próprias escolhas, assim como é sempre bom lembrar que nem tudo o que reluz é ouro. Ganhar algo é apenas continuar com a velha mentalidade de crianças que ganham presentes do Papai Noel, por terem sido boazinhas durante todo o ano. E o que é “ser bom”? Tirar boas notas e não questionar os pais? Sendo assim, mesmo na forma externa de adultos respeitáveis, continuamos a ser crianças e não comandantes dos nossos destinos. Continuamos a ser seres passivos sem responsabilidades, crianças que se satisfazem com barganhas como elogios, títulos ou presentes de Noel.

Sonhamos com dinheiro, mas não pensamos que dinheiro não é nada além de papel. Dinheiro não pensa, ele é um instrumento nas mãos dos que o tem. “Mas não se vive sem dinheiro”. Perfeito. Mas como é ganhar muito dinheiro e ser infeliz? Tudo nesta vida é uma soma de “conquistas” e “derrotas”, de luz e sombras. O desejo não realizado só pode ser ruim para quem não compreende que “derrotas” são parte do processo de aprendizagem. “Derrotas” ou “impossibilidades” deveriam ser compreendidas como parte do todo, como parte do pacote. Dinheiro, assim como toda energia, como toda ferramenta, serve para crescermos ou para nos aprisionarmos. Reflita sobre isso nesta passagem de ano. Nossa visão de vida pode ser pequena e limitada, compete a você decidir. Nossa visão de vida pode nos manter alienados e ignorantes, ao não pensarmos em detalhes “insignificantes”. Reflita sobre seus desejos e analise a contrapartida. O todo é a soma dos extremos.

1 – Desejo ficar rico, mas não penso em ser rico em sabedoria, discernimento, compreensão e amor.

2 – Quero ser uma linda mulher com aplicações de botox, plástica, silicone, mas não penso em ser uma linda mulher por dentro, em possuir uma beleza interna estonteante, que muitos podem nem ver.

3 – Quero ser feliz, mas não penso que minha felicidade pode ser egoísta, individualista, autocentrada.

4 – Quero encontrar um grande amor, mas não penso que podemos aprisionar o ser amado com individualismo, falta de respeito, carências, controle e ciúmes.

5 – Quero ser reconhecido, mas não reconheço o valor dos outros.

6 – Desejo a paz no mundo, mas pratico a guerra.

7 – Peço que me respeitem, mas não respeito os outros.

8 – Peço que me escutem, mas não escuto ninguém.

9 – Critico tudo e todos e não sou sincero e nada faço para melhorar.

10 – Tenho um discurso e uma ação diferentes.

 

Feliz 2012 e que você reflita sobre esses 10 exemplos e se possível, os concretize.

 

Pequenas Sincs de Natal (ou odes à sensação de estar sempre conectado):

Folheando uma revista sobre decoração, minha namorada me chamou a atenção sobre uma luminária no formato de um disco voador. No mesmo dia, ao entrarmos em uma casa, vimos a mesma luminária.

De manhã quis fazer um mimo à namorada e lhe dei um chocolate alpino. À noite ela ganhou um panetone alpino da tia.

Cansado, sentei em um banco da pracinha. No corredor em frente havia uma placa com o número 2808. Eu nasci no dia 28 de agosto.

Falei sobre um filme que gosto. Dois dias depois passando pelos canais à noite vimos o mesmo filme do início. Em um mesmo dia zapeando pelos canais (abertos) vi dois atores da série Lost em dois filmes diferentes. À noite fui convidado a ir ao cinema e um dos primeiros atores do filme também havia feito parte de Lost.

Fernando Pessoa e o sentido da vida

Queres pouco,
Terás tudo.
Queres nada,
Serás livre.

(Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa)

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura, que é o homem ?
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

(Fernando Pessoa, Mensagem)

Waldo Vieira e Mágica Vida Mágica.

Waldo Vieira e livro Mágica Vida Mágica de Carlos Lopes – CEAEC – 25 / 09 / 2011.

Herman Hesse, o pensar de.

O Lobo da Estepe

 “Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.”

Herman Hesse.

Escritor alemão que descobriu a espiritualidade oriental, a partir de uma viagem à Índia em 1911, e a psicanálise por meio de um discípulo de Carl Gustav Jung, em decorrência de uma crise emocional causada pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.

A Sincronicidade de GOETHE

 

Goethe

Era no início o Verbo
Era no início o Poder
Era no início a Ação

Cito no texto anterior que Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), filósofo, poeta, estudioso da natureza, político e cientista nascido no final do século 18 em Frankfurt na Alemanha, nasceu no mesmo dia e mês desse que vos escreve. Por causa dessa pequena coincidência, cresceu meu interesse pela sua obra e história.

Pode haver uma correlação inconsciente entre fatos da vida de alguém que nasceu no seu dia e mês ou isso é apenas fruto da imaginação?

É fazer crer ou tanto desejar acreditar que a mais inocente pista se torna de fato uma verdade?

Mesmo que o leitor encare esse detalhe abaixo como uma mera “coincidência”, no mínimo vale a pena citar que curiosamente, Goethe escreveu três poemas sobre o Brasil (veja só!). Um deles está aqui:

Canção de morte de um prisioneiro brasileiro (1782)

Vinde com coragem, vinde todos,
E juntai-vos para o festim!
Pois com ameaças, com esperanças
Nunca me dobrareis.
Vede, aqui estou, sou prisioneiro,
Mas ainda não vencido.
Vinde, devorai meus membros,
E junto com eles, devorai
Vossos ancestrais, vossos pais,
Que foram meu alimentos.
Esta carne, que vos dou,
Insensatos, é a vossa,
E na minha medula está
Cravada a marca de vossos ancestrais.
Vinde, vinde, a cada mordida
Vossa boca poderá saboreá-los.

Para florear a argumentação, e tornar nossa conversa mais interessante destilo os fatos mais curiosos da vida deste cavalheiro que ficou famoso por ter escrito e divulgado (mas não criado) o mito de Fausto, aquele mesmo que vendeu a alma para Mefistófeles.

 

Índio de Marc Ferrez

O primeiro contato de Goethe com as artes plásticas surgiu de um estranho fato: quando tinha 10 anos, sua cidade foi invadida pelos franceses. Sua casa tornou-se quartel general de um ocupante e nobre francês de nome Thoranc que lhe influenciou vivamente, ao convidar artistas importantes para visitá-lo. Daí em diante o rapaz estudou filosofia, filologia (estudo da língua e de documentos) e direito, tornando-se escritor e homem de Estado em poucos anos. Uma verdadeira ascensão, pensada passo a passo por sua tradicional família burguesa.

Em 1770 decidiu superar todas as fraquezas da carne e mente permanecendo dentro de cemitérios escuros para superar o medo, subindo nos lugares mais altos para acabar com o pavor da altura, e frequentemente encostando os ouvidos nos instrumentos de altíssimas bandas de música para suportar o volume excessivo etc.

Em 1771 – através do seu personagem Werther – pensou diversas vezes em acabar com a própria vida na ponta de uma lâmina. Preferiu falar sobre isso através da ficção, apaziguando a dor e as incertezas de estar apaixonado pela noiva de outro.
Em 1775 já era um verdadeiro superstar, aclamado e reconhecido como grande escritor, antes mesmo dos 30 anos. Sua obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther” tornou-se um sucesso estrondoso.

Educado para acreditar no modelo de uma família perfeita, logo viu seus sonhos desmoronarem pelo simples contato com o sexo oposto. Não era tão fácil como pensava. Apesar de Goethe ter investido demasiadamente em tudo – ciência, artes plásticas, poesia, política e história -, nada disso findava os seus problemas com as mulheres e nada lhe aventava a possibilidade de alcançar o prazer perfeito do contato físico: um dilema difícil para homem tão preparado.

Apaixonado por uma mulher casada, decidiu abandonar o papel incômodo de ser o outro, casando-se com Christiane Vulpius, uma plebéia simples, de traços meridionais e bastante independente. As pessoas viravam-lhe a cara por causa da esposa.

Em 1786/88 viajou – desencantado – para a Itália. Lá entre museus e exposições viveu uma grande crise espiritual que o debilitou mentalmente e fisicamente. Em compensação reviu sua própria vida e pensamentos, buscando o belo em todos os lugares, percebendo a riqueza dos detalhes em uma simples flor, vegetal ou pedra, inclusive tendo produzido diversos desenhos eróticos – somente publicados após a sua morte. Ao retornar à cidade natal, tornou-se ainda mais místico estabelecendo contato com a alquimia e textos de fraternidades espirituais. Após um bom tempo sem escrever, ordenou à pena que criasse clássicos, o que fez sem pestanejar. Começou uma nova e mais rica fase, que nem as paixões e nem o tempo nada puderam fazer contra.

Em 1790 publicou a primeira versão de A Metamorfose das Plantas, resultado dessa nova fase. Em 1806, Napoleão conquistou o Império Alemão. Goethe curtiu essa vitória (afinal o corso era quase francês), mas depois de conhecê-lo pessoalmente em 1808 mudou de idéia, tornando-se seu crítico ferrenho. Ainda nesse ano, Goethe fez a última revisão de Fausto, após mais de 35 anos de trabalho árduo. Confessou a um amigo que se não tivesse selado o livro, certamente ainda teria tentado revisá-lo mais vezes. Em 1808 tem o seu primeiro Fausto publicado. São mais de 12 mil versos. Entre 1790 e 1810 desenvolveu sua teoria cromática; citando os “daímones” (forças côsmicas) e outras “coisas demoníacas” fazendo um paralelo pseudo científico entre as cores, luz e sombra, teorias bem mal recebidas pela comunidade científica do seu tempo. Goethe acreditava que a observação atenta da natureza seria a chave para a compreensão dos fenômenos naturais, ao contrário de Newton, por exemplo. O alemão desenvolveu o princípio da polaridade e da elevação. Acreditava que um só princípio regesse todas as regras da natureza, apesar de manter-se afastado de conceitos religiosos tacanhos. Goethe acreditava que o confronto entre o espírito humano e o mundo material criava a arte, que fundamentava a sua teoria da elevação, provando que a natureza possui a capacidade de se superar infinitamente.

Após a morte da esposa Vulpius em 1816 volta a investir nas esposas dos outros, granjeando os favores sexuais da também casada Marianne Willemer. Depois investiu ainda mais pesado: com 74 anos se relaciona sexualmente com Ulrike von Levetzow de apenas 19 anos.

Aos 82 anos de idade, concluiu a segunda parte do Fausto. “Minha missão está encerrada” ele disse. Morreu alguns dias depois em 22 de março de 1832.

“Vivi cada linha que escrevi, mas não as escrevi tal como foram vividas”

“Onde não há poesia não pode existir verdade e vice-versa”