A CARTA DA MORTE

 13_Calvin_Emanuel

Tenho por hábito tirar uma carta (dos arcanos maiores) de tarot, de manhã cedo, para que no final do dia, eu possa estabelecer uma correlação entre o arcano e o “resultado” (e a devida compreensão) das 24 horas. Muitas vezes, fico semanas sem tirar uma carta, ainda sentindo que a leitura dada pelo arcano, ainda não se desfez.

Esta postagem comenta uma carta do jogo de tarot, tirada “ao acaso”, e que me fez pensar mais uma vez sobre a vida. E a morte.

A partir dos 20 anos, realizei muitas coisas, e apesar dos conflitos internos, e das divergências. Ainda desejava realizar algo “dentro” deste mundo, realizações mais externas do que internas, por assim dizer. A década de 90 foi um período de estudos esotéricos, fenômenos e participação em  fraternidades e grupos espiritualistas. E comparativamente, o eu de hoje, ao analisar o eu do passado, “o vê” como um “produto do seu tempo” ou do tempo “dele”.  A cada nova década de vida, e principalmente após os 40 anos, deixei de acreditar em muitas coisas, e incrivelmente o mundo se tornou mais mágico.

Hoje, espero menos do mundo e das pessoas. Essa grande diferença – aprendida a duras penas, não nego  – é um dos caminhos para o desapego.

Esqueci de falar… Tirei a carta da morte.

Para quem a vivencia, a carta da morte é mais do que uma chance para mudar: é simplesmente a morte do que já não tem vida, é o fim do que não é mais necessário, do que não existe. Se recebemos a morte de braços abertos, ela apenas se comporta como um farol que alerta os navios para que não se percam no mar. Caso, se deseje correr da morte, aí sim, talvez o seu navio se choque nas rochas e afunde.

XIII-Morte

O alcance da morte é inusitado, pode não ter nada a ver necessariamente conosco, mas com as escolhas que fazemos e o universo criado – por nós – a nossa volta.

Vivenciei várias “mortes” nesta última semana, após a leitura da carta.

1 – Na última postagem falei sobre um parque público, no qual fui meditar há uma semana. Há uma belíssima mansão no local, cujo proprietário a mandou erigir na metade do século XX, para a mulher, uma cantora de ópera italiana. Ao estudar a história do parque, e da casa, encontrei o seguinte trecho:  “A escritora Marina Colasanti é sobrinha-neta de Gabrielle, a dona da casa.”  Marina é irmã do ator Arduíno Colasantique faleceu há 3 dias.

2 – No final de semana, assisti a uma entrevista do cantor Alceu Valença, na qual ele citava o violonista Paco de Lucia. Hoje, 3 dias depois, Paco falece no México.

3 – Há um vídeo na internet sobre o bate-boca entre um cineasta e um manifestante vestido de Batman, na porta de um shopping no Rio de Janeiro.

batman-leblon

O encontro ocorreu há mais ou menos um mês. Há duas semanas encontrei esse cineasta na esquina de casa e batemos um papo. Anteontem, antes de dormir, dei uma zappeada nos canais e vi que iria ser exibido um filme bem conhecido desse cineasta. Decidi assisti-lo. Um dos personagens era um vovó que não falava e que estava sempre em sua cadeira de rodas, assistindo a TV. Certa noite, os netos o encontram morto na sala: havia falecido em frente à TV… Um dos atores deste (grande) filme era o (também grande) Guará Rodrigues, que trabalhou em várias produções do cinema novo.

Guará Rodrigues
Guará Rodrigues

4 – Semana passada fui assistir à restauração do filme “Copacabana Mon Amour” de Rogério Sganzerla. Um dos atores que participaram do filme era o Guará Rodrigues.

Helena Ignez e Guará Rodrigues
Helena Ignez e Guará Rodrigues

Fiquei com a pulga atrás da orelha, nem sei direito o porquê e me meti a pesquisar ontem sobre o Guará. Para meu espanto, descobri que há alguns anos, ele foi encontrado morto, assistindo à TV… 

cd

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