Dia dos Mortos.

Hoje, 2 de novembro, o blog presta uma homenagem ao dia dos mortos. Isso é, se o leitor acreditar que exista “morte”.

As duas histórias, que relato aqui, reproduzidas do livro “Mágica Vida Mágica”, falam sobre a continuidade da vida (e de comunicações) após o desencarne. Uma delas versa sobre o presidente Juscelino Kubitschek e outra sobre minha própria mãe.

A Sincronicidade do Presidente.

 

JK ou Akhenaton?

JK ou Akhenaton?

Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio.

manchete, predio

— Você já soube da mudança de endereço?, me perguntou a locutora durante a programação. — Mas não há data certa, pode ser na próxima semana ou daqui a seis meses, ninguém sabe.

— Pois é, você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói. Sabe o que eu gostaria de fazer hoje?, perguntei a ela.

— O quê?

— JK, o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui?

— Sim, já fui lá. É muito legal.

— Gostaria de visitá-lo ainda hoje.

— Fale com o porteiro. Ele tem a chave. Certamente ele te levará.

Desci, conversei com o porteiro responsável. Ele explicou que não tinha a chave e que teríamos que fazer uns “atalhos”. Insisti, ele subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés. Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave certa, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

— De quem? Dele?

— Acho que sim, mal terminou de falar a porta se abriu, fantasmagoricamente.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papéis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Achei que era isso o que procurava.

Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do tal versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

Pouquíssimo tempo depois, um conhecido “das antigas” me convidou a ficar uns dias em sua casa em Brasília, cidade que não visitava há mais de uma década. Fui.

Em um domingo, último dia da visita à capital, fomos conhecer a Catedral e no comecinho da tarde, pedi que me levassem a um museu sobre o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Fui até lá com a esposa do amigo, que me confidenciou que nunca se interessara em conhecer o local, cercado por um sereno espelho de água. Para entrar no memorial é preciso descer uma rampa em declive para uma entrada subterrânea, como se estivéssemos adentrando um templo egípcio. No centro da ampla sala do segundo andar, me deparei com uma espécie de nave no centro da construção, como uma bola de metal perdida entre colunas enigmáticas. A intuição me conduziu ao seu interior. Tremi de emoção assim que entrei. Um anjo surgido de um vitral avermelhado no teto me acolheu, com um quase imperceptível e doce movimento de rosto. Sua angélica mão direita suspendia uma coroa de louros sobre um túmulo de granito negro, na penumbra. Claro que era JK, só podia ser.

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Com os olhos úmidos, me lembrei do escritório no prédio da Rede Manchete no Rio e refleti sobre a inusitada caminhada da minha cidade até o repouso final do Presidente. Diante do túmulo de JK, explodi em um choro tranquilizador, de quem finalmente se depara com o seu destino: – Sei que minha história de agora em diante está ligada a esta cidade!”.

3 anos depois, meu primeiro e único filho nasceria em Brasília, a mesma cidade fundada por JK.

 …

A Sincronicidade das Despedidas.

Mamãe estava viva, mas debilitada pelo mal de Alzheimer.

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Mamãe, eu com 5 meses e vovó

Cheguei em casa à noite em um final de semana. Precisava ligar para alguém e usei o telefone na sala. Antes, verifiquei se a acompanhante e mamãe estavam dormindo no quarto no fim do corredor. Parecia tudo bem. Me sentei no lado direito do sofá na sala, em frente ao corredor. A luz do teto e da sala estavam sempre acesas para qualquer eventualidade. Desde que minha mãe adoecera, nunca mais consegui dormir em paz. Mais cochilava do que dormia, sempre acordando sobressaltado. Sendo assim, a porta do meu quarto nunca era fechada.

Eis que sentado no sofá e tendo o fone na mão direita, vi uma forma fluídica, como uma pequena nuvem elétrica, cruzar a janela aberta e estacionar em frente ao corredor. Não interrompi a pessoa no outro lado da linha, talvez a tenha escutado menos, não sei, mas não parei de ouvi-la, enquanto mantive a atenção focada no fenômeno. A mancha que começou a se parecer mais e mais com uma daquelas nuvens em céu tumultuado com relâmpagos piscando dentro da sua área, assumiu uma forma humana. A sombra luminosa, preenchida por raios que flamejavam, andou passo a passo até a porta do quarto da mamãe, ao mesmo tempo em que piscava como se fosse uma antiga imagem de televisão fora de sintonia. Me ergui com o aparelho na mão e torci o meu corpo à direita para ver a luz atravessar a porta do quarto de mamãe. Pedi desculpas, interrompi a ligação e abri a porta sem desespero. Estava tudo escuro, nada havia de estranho.

Não falei com ninguém sobre o assunto. Passaram-se alguns dias.

A acompanhante de minha mãe era uma pessoa humilde e evangélica. Ela não era dada a inventar coisas, mas surpreendentemente, ela veio ter comigo, após o fato que eu presenciei, ter ocorrido.

— O senhor entrou no quarto agora?

— Não. Acabei de chegar. Por quê?

— Aconteceu algo muito estranho e estou assustada. Eu não acredito nessas coisas, mas preciso te contar. Eu estava deitada quando senti uma presença dentro do quarto. Me virei e havia uma mulher olhando para a sua mãe. Perguntei: “Quem é você?” A mulher não falou nada e desapareceu. Estou com medo, não quero dormir no quarto.

— Como era essa mulher?

— Uma senhora alta e magra com um corte de cabelo bem curto…

— Meu Deus, pela sua descrição, é a mãe dela.

— O que isso quer dizer?, ela me perguntou assustada.

— Não sei, não sei…

No fundo eu já sabia. Mamãe estava partindo, ou segundo o escritor argentino Jorge Luis Borges, “se encantando”.

E foi o que realmente aconteceu.

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A Sincronicidade PAPAL II

Julho de 2013, o Papa Francisco dos católicos está no Brasil para a Jornada Mundial para a Juventude. Ao ler as notícias, vi qual era o lema da JMJ e recordei de um fato sincronístico e inusitado, ocorrido há 5 anos.

papa

Em junho de 2008, eu fazia a produção de um programa de rádio no prédio da extinta Revista Manchete no Rio de Janeiro. O prédio era tombado e como tal, não poderia receber certas reformas necessárias, o custo benefício ficaria desigual e transferiram a rádio para uma sede moderna, com um equipamento melhor em Niterói.

— Você acredita que estou sentindo que hoje é o meu último dia aqui? Acho que na próxima vez farei o programa em Niterói – comentei com uma locutora.

— Sabe o que eu gostaria de fazer hoje? – perguntei a ela.

— O quê? – a locutora perguntou.

— J.K., o ex-Presidente da República não tinha um escritório aqui? Gostaria de visitá-lo antes que seja tarde.

— Converse com o porteiro. Ele tem a chave – a locutora deu a dica.

O porteiro, que não se mostrou muito simpático à ideia, pois só havia ele para tomar conta da portaria, explicou que para chegar ao escritório teríamos que fazer uns “atalhos”. Pedi encarecidamente, com o coração, que ele me ajudasse, expliquei que era meu último dia lá (sem ter certeza) e ele acatou. O porteiro subiu comigo até o último andar do prédio. Lá de cima, caminhamos por uma pequena passarela do lado externo do edifício, da qual víamos o chão lá embaixo, 12 andares sob os nossos pés.

manchete, predio

Depois dessa travessia, chegamos a um outro bloco, descemos por uma escada enferrujada na lateral de um prédio para alcançar o outro; nos abaixamos para entrar em uma sala de máquinas no escuro para em seguida subirmos uma elegante escada interna que dava acesso ao andar desejado. Ele procurou com um certo receio a chave da porta, entre dezenas de outras, como se pensasse em me convencer a não entrar no local.

— Você está com medo?, perguntei.

— Não, claro que não. É que o pessoal fala…

— Fala o quê?, perguntei intuindo a resposta.

— Teve um funcionário que desistiu de trabalhar aqui, porque viu um fantasma…

Após fazer o comentário, ele abriu a porta e se colocou de lado. Ele não entrou. Eu sim.

O escritório permanecia o mesmo há 3 décadas, como foi deixado no último dia de trabalho do ex-Presidente Juscelino Kubitschek em agosto de 1976. Próximo à janela, uma enorme prancheta ainda mantinha os decanos avisos escritos à mão perto das venezianas fechadas. No outro canto, uma mesa com papeis, dedicatórias de personalidades nacionais e internacionais, uma caneta-tinteiro, uma pequena Bíblia e um sofá para as visitas. Como eu me considerava visita, mesmo sem ter sido convidado, me sentei no sofá para meditar um pouco. O porteiro permaneceu de pé com seu uniforme azul escuro junto à porta em posição de sentido. Lhe pedi que me deixasse em silêncio durante alguns minutos. Ele atendeu, mas com o semblante de quem estava vendo fantasmas. A vibração no escritório ainda era muito vigorosa e palpável. Pude conhecer uma parte da essência daquele homem através dos resíduos de sua alma, plainando naquele local.

Levantei-me e sem pudores, vistoriei a mesa do Presidente. Ao lado de uma pequena Bíblia, havia alguns versículos datilografados em páginas amareladas com anotações feitas a lápis. Especialmente uma delas me chamou a atenção: Marcos 16, versículo 15. Anotei e deixei a sala. Acreditei que havia achado o que procurava.

Assim que alcançamos o térreo, agradeci ao porteiro com gratidão. Realmente aquele havia sido o último dia que eu colocaria os pés na rádio. Ao chegar em casa verifiquei qual era o significado do versículo de Marcos, “O Sepulcro Vazio, A Ressureição”. Era uma frase única de Jesus, que encerrava uma lista de versículos e capítulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.”

O lema da Jornada de 2013, é curiosamente similar ao que “recebi” no escritório do Presidente em 2008. Dessa vez não é Marcos, mas Mateus, 28, versículo 19, ao citar a fala da pregação de Jesus na Galiléia aos discípulos: “Ide, fazei discípulos de todas as Nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

Este blog é um exemplo do que fiz a partir de 2008: me movimentar e contar o que vivo (“ide e pregai”); repartir com todos os amigos e leitores os fenômenos ou eventos sincronísticos que vivencio.

As sincronicidades não são exclusividade de um grupo seleto de escolhidos. Esses fatos (como digo são fatos, não criações) pertencem a todos, mas eles espelham o seu grau de compreensão e sua percepção do que é importante para você e do que você chama de realidade, a mesma que você cria, que inclui a sua zona de conforto, a sua crença, os seus conhecimentos e as suas alienações.

O que sinto, literalmente, não só com a  vinda do Papa, mas com as passagens da Bíblia abordadas neste texto, é que o ciclo de aprendizado dessa última meia década chega ao fim, para que outro se inicie, como um passo dado após o outro. Sempre em frente, mesmo aos tropeços, lá vamos nós.

Tudo é vitória, mesmo que não pareça.

As SINCRONICIDADES de BRASÍLIA.

 A SECA EGÍPCIA EM BRASÍLIA:

 

AKHENATON OU JK?

Na tarde da quarta-feira, dia 7 de setembro, o Distrito Federal registrou umidade do ar de 11% e calor de 31.4º C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Há quase 3 meses não chove em Brasília, que literalmente está se transformando em um deserto. Ao ler essa notícia não tive como não comparar o que ocorre hoje com uma teoria que diz que Juscelino Kubitschek, o fundador de Brasília, teria sido a reencarnação do faraó Akhenaton, nascido por volta de 1350 a.C. Amenhotep IV, ou Akhenaton, esposo da rainha Nefertit, transferiu a capital do Egito para o interior do país para a adoração do deus Athon (deus Sol); Akhetaton foi edificada em menos de quatro anos assim como Brasília, também organizada em setores, curiosamente distribuídos em “asas” de uma grande ave voando em direção leste – figura de Íbis, uma divindade egípcia guardiã das pirâmides e dos mortos. Devido ao intenso calor e baixa umidade do novo endereço egípcio, um lago artificial chamado Moeris foi criado, sendo esse o primeiro lago artificial do mundo. Cá entre nós, esse detalhe não lembra o Lago Paranoá, construído com a mesma finalidade?

JK ou Akhenaton?

Exatamente como o faraó, Juscelino (que conheceu a história de Akhenaton, após visitar o Egito, na época em que foi fazer especialização na Europa) construiu a nossa capital em menos de quatro anos, e morreu de forma misteriosa em um acidente de carro, 16 anos após a fundação da nova capital. Curiosamente, Akhenaton também faleceu em circunstâncias estranhas. Suspeita-se que tenha sido assassinado a mando dos sacerdotes, prejudicados por sua administração austera, diferentemente de JK que precisou fazer um verdadeiro “pacto com o diabo” para construir a cidade, inflacionando o país. A ideia “absurda”, mas necessária, e prometida por vários presidentes (na verdade, desde o Marquês de Pombal e José Bonifácio) de transferir a capital do Brasil para o interior, provocou uma inflação monstro e várias acusações , nunca comprovadas, de corrupção e desvio de verba.

“Brasília Secreta” – Enigma do Antigo Egito (Iara Kern e Ernani Figueiras Pimentel, Editora Pórtico) é uma tese arqueológica de Iara Kern, autora de “De Akhenaton a J.K – Das pirâmides a Brasília”, que mostra inúmeras semelhanças entre a construção de Brasília e a capital do Egito, Akhetaton, que existiu há 3580 anos.

O Congresso Nacional dá a LUZ

Brasília foi fundada em 21 de abril, curiosamente a mesma data de dois fatos importantíssimos em nossa história: em 21 de abril de 1500, os portugueses descobriram o Brasil e Tiradentes foi enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792. Isso sem contar as construções de Brasília qye remetem ao Egito: o Centro de Convenções; o Teatro Nacional, o maior monumento piramidal de Brasília, comparado à pirâmide de Kéops;  a Rodoviária: em forma de um “H” deitado, que representa o homem mortal; o  Congresso Nacional, em forma de “H” em pé, representando o homem imortal, espiritual e suas duas conchas, o côncavo e o convexo, com a finalidade de captar energia cósmica e telúrica; a Esplanada dos Ministérios semelhante às avenidas de Akhetaton; o Lago Paranoá, semelhante ao lago Moeris; a Pirâmide da CEB (Central Energética de Brasília): semelhante à pirâmide de Sakara; o  Edifício Bittar II, construção semelhante à tumba do faraó Ramsés II fora as várias pirâmides da cidade como o famoso Templo da Boa Vontade, Ordem Rosa Cruz, Grande Oriente do Brasil, Catedral Metropolitana, Igreja Messiânica, Igreja Rainha da Paz, Memorial JK, entre outras.

   VÁRIAS EXPERIÊNCIAS   PESSOAIS OCORRIDAS ENTRE RJ & DF ATRAVÉS DAS DÉCADAS:

 Recebi um convite para visitar a capital do país em 2009. Algumas semanas antes desse convite, encontrei no Rio, um amigo das antigas da capital federal, que não via há mais de uma década. Ele me apresentou a esposa e passamos a tarde juntos. O dia foi tão especial, que àquela tarde quem passou na esquina de casa, foi a atriz Katie Holmes, que estava no Rio, com a filha Suri e o marido Tom Cruise. Refleti como o mundo, realmente, é pequeno. Alguns anos antes desse encontro de esquinas e almas, gostava de assistir a séries americanas e uma de minhas favoritas, ou a  única que eu assistia que se referia à questões adolescentes, era Dawson´s Creek cuja atriz principal era a Katie Holmes. Tê-la na minha esquina, no mesmo dia do encontro com um amigo de Brasília,  que não via há anos, era uma baita sincronicidade. Ou melhor dizendo: um aviso do que iria acontecer: parte do meu passado, não sei se do Egito, ou daqui mesmo, estava no Planalto Central. Haviam me ofertado mais uma peça do grande quebra-cabeças kármico que  regia a minha encarnação.

A Filha de Tom Cruise e Katie Holmes, Suri, dando uma voltinha na esquina de casa.

— Morei em São Paulo durante um bom tempo. Ganhei uma grana trabalhando com uma banda, mas foi um período terrível, bebida e drogas…, o amigo de Brasília deu início à conversa.

— Qual era a banda?, perguntei.

“A banda Y”, ele disse sem perceber qualquer alteração em meus olhos, que fascinados piscaram ao relembrar outra e significativa sincronicidade ocorrida há 20 anos.

— Há dez anos, contei ao amigo de Brasília, minha banda tocou com essa mesma banda Y em um festival. No hotel, o baixista deles me contou a seguinte história: “Há uma década estive no Rio e meus amigos de Brasília que moravam lá me disseram que “a moda” era ser careca, skin-head, para tirar onda. Raspei a cabeça, coloquei suspensórios, calça malhada e fomos zoar à noite. Como eu estava com a perna machucada, outro “careca” me carregou nas costas. Quando passamos em frente a um cabeludo otário, sentado na frente de um banco, eu, em cima do amigo, puxei o cabelo do cara para jogá-lo no chão. O negócio era meter medo mesmo, marcar território. O cara se levantou e nos encarou. Um dos outros carecas queria enfiar a porrada nele, porque o cara era abusado, mas cada um foi para o seu lado. Foi muito engraçado”, ele me contou rindo.  E eu respondi: “Pois é, esse otário era eu.”

— Você está falando sério?, o colega de Brasília me perguntou, admirado.

— O conflito com os carecas ocorreu bem aqui nessa esquina onde estamos, apontei. Por falar nisso, vamos almoçar?

Convite aceito, escolhemos uma mesa para três em um restaurante próximo. Estava bem quente, com aquele mormaço desestabilizador próximo aos 40 graus. Assim que retomamos a conversa, a esposa do amigo nos chamou a atenção: “Olha quem está passando na esquina, aqui ao nosso lado!” Era o governador de Brasília com short e chinelos, totalmente à vontade com a família.

Depois dessa, ninguém precisava me contar que o meu próximo destino seria a Capital Federal da Nação, onde tive vários insights poderosos, crises de choro “sem motivo” (choros de felicidade) e sincronicidades literalmente absurdas, descritas em pormenores no livro “Mágica Vida Mágica”.