Papa Francisco, materialismo e ativismo

Salomão em Eclesiastes 11:1-6 diz que “os caminhos de Deus são tão misteriosos quanto o caminho do vento, tão difíceis de se descobrir como a maneira pela qual se forma a alma de uma criança no ventre de sua mãe.”

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 A semana do Papa Francisco no Rio de Janeiro (julho de 2013) marcou a nossa história, assim como os protestos de semanas antes. Se a Jornada Mundial da Juventude não tivesse sido agendada há dois anos, até se poderia dizer que ela foi criada para esvaziar os protestos… Curioso, pensar nessa possiblidade. De fato, todos os fatos estão conectados por processos inconscientes.

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Escrevi este texto de hoje, após ter assistido à entrevista do Papa Francisco a Gerson Camarotti, da GloboNews, e em seguida, ao documentário Hashmatsa (Defamation) de Yoav Shamir  sobre antissemitismo no domingo, dia 28 de julho. Começarei o texto mais reflexivo e no final do texto relatarei o que vivi no sábado, dia 27.

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Fui e ainda sou muito crítico em relação a dogmas e religiões, mas também aprendi como é exprimir reflexões e não ser entendido. Palavras para serem compreendidas dependem do emissor e do receptor. Se o receptor não tem boa vontade, e possui uma natural limitação (preconceito, falta de discernimento, medo), nada que é dito serve para entabular uma conversação. Quero crer que estamos em constante crescimento, físico, intelectual e espiritual. E aqui, aprendemos e desaprendemos a toda hora. “Acertamos” e “erramos”.

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Como este é um blog sincronístico, espiritual e não um blog político me atenho à questões mais inconscientes, apesar do momento “revolucionário” que vivemos, com a participação da juventude católica e dos “black blockers”. Será o jovem católico alienado por que mostra a cara e sorri ou mais alienado é o jovem que esconde o rosto e que quebra instituições capitalistas, que ele mesmo usufrui? Estaremos submetidos apenas à “passividade” ou ao “enfrentamento”? Será este mundo apenas preto ou branco?

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Lobbys são parte do processo político, necessários para quem os pratica mas enfadonhos para a massa. Sejam de esquerda, direita, judeus contra palestinos, palestinos contra judeus ou o lobby gay, tanto faz.

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São armas usadas para reforçar o poder, e não “apenas” para construir uma sociedade mais justa. Os interesses dos lobistas são pessoais e nunca coletivos. Você é contra ou a favor do aborto? Você quer ou não que as drogas sejam liberadas? Você é “moderno” ou “antiquado”?

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Liberdade de expressão…

 Li argumentos de pessoas contrárias e a favor da visita do Papa ao Brasil. Estudei a respeito do Estado laico, pesquisei sobre o investimento público para financiar a visita de Francisco ao país. Há razões da lógica, e há as do coração. Uma cena, histórica, me chamou a atenção: jovens católicos fazendo uma barreira na praia de Copacabana para que os black blockers não invadissem a festa de Francisco. Muito simbólico…

Rui Barbosa em 28 de julho de 1921: “Enquanto as revoluções eram políticas tinham praias que as circundavam e lhes punham raias visíveis. Depois que se fizeram sociais (e hoje, sociais são todas), todas beiram esse mar tenebroso cujo torvo mistério assombra de ameaça as plagas do mundo contemporâneo.”

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Não vou à festa para a qual não fui convidado, mas muitos, por questões religiosas e políticas, o fazem. O radicalismo e o fanatismo te impulsionam a isso. Respeito? Desrespeito? Dever?…

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Teria o poderio da Globo (tão criticada durante os protestos) sido usado para favorecer uma religião em detrimento de outras, ou favorecer uma política contra o Estado laico? Me parece que sim. Mas essa é uma guerra antiga pelo poder, sem sombra de dúvidas. Assista à TV aberta à tarde (Band, CNT, Rede TV) e veja que os horários foram comprados pelos evangélicos. Não há liberdade religiosa, não há Estado laico.

Na Globo, à tarde está no ar a reprise da novela espírita O Profeta, uma “religião” com muito menos adeptos do que as evangélicas. Então, percebemos que essa “briga” não é uma questão comercial, pois a Globo ganharia mais apoiando os evangélicos, que em futuro breve serão metade da população brasileira. A Globo apoia a Igreja católica e os espíritas porque do outro lado do cabo de guerra estão, principalmente Edir Macedo, Silas Malafaia e R. R. Soares, que também querem manipular, todos em nome de Jesus.

Do blog do jornalista Ancelmo Góis em 30 de julho de 2013: “A Revista de História da Biblioteca Nacional publicou artigo sobre o crescimento dos Evangélicos no Brasil que foi reproduzido em francês em uma edição da Revista Courrier Internacional: “Enquanto nos últimos 50 anos a população brasileira cresceu 63,2%, o número de evangélicos quase dobrou de tamanho, aumentou 93%. A religião que mais cresce é aquela que resolve os problemas individuais e distribui benefícios imediatos, mas tem pouco a oferecer à sociedade”.”

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Minha formação é católica, sou devoto da Virgem de Fátima, gosto de São Francisco. Tenho imagens em casa, não sou evangélico, mas também não sou católico tradicional pois não me sinto à vontade em missas.

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Desde que vivi meu primeiro fenômeno “não-católico”, abri minha mente, e questionei muitas coisas do catolicismo. A compreensão dos fenômenos depende de questões científicas, assim como da fé de cada um. Porém, também tenho críticas ao espiritismo, aos espíritas, como tenho aos evangélicos e ateus. Ninguém é perfeito. Perfeição não existe. Não existe “verdade”.

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Os anos 90 foram férteis em fazer pensar. Acompanhei a reação jovem católica, os carismáticos há 20 anos. Vi na Rede Manchete, os festivais de rock evangélico promovidos pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo (dos pastores Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes) e na Globo, assisti Edson Celulari como Edir Macedo na minissérie Decadência em 1995, mesmo ano do pastor Sérgio Von Helde da Igreja Universal (IURD) chutando a imagem da Nossa Senhora Aparecida porque era aniversário dela (12 de outubro), porque era uma imagem e porque era… negra.

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“Há 05 canais de TV evangélicos, 05 canais católicos, dados de 1999. Há 271 rádios evangélicas, 180 rádios católicas. Dados para o ano de 1999. 80% da programação religiosa na TV brasileira é evangélica. Em 2001 havia a exibição de 90hs/semana de programas religiosos (fonte: Alexandre Brasil Fonseca, em Evangélicos e Mídia no Brasil; Associação Brasileira de Editores Cristãos (ABEC), Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (ABIEE), Fundação Perseu Abramo e Site Louvornet.com). No Congresso Nacional há uma agremiação chamada FPE – Frente Parlamentar Evangélica, formada por deputados e senadores eleitos de diversas igrejas.” (A ascensão da mídia evangélica – uma (mútua) interferência política, econômica e tecnológica. Heinrich Araújo FONTELES).

 Li muitos livros de autoajuda e esotéricos. Vários me foram muito úteis. Porém um dia tive um insight, após reouvir que o Brasil era atrasado porque católico (religião que “criminaliza” o dinheiro) e não materialmente evoluído como os Estados Unidos, que cresceram com conceitos como “livre mercado”, “capitalismo” e viés evangélico e ou judeu que associam o lucro e o sucesso material ao sucesso espiritual (23,9% da população norte americana é de católicos romanos, 16,1% de ateus e 51,3% de protestantes). Certo dia, compreendi que livros como “O Segredo” foram escritos por americanos, porque para eles a concepção de ganho material é a sua própria religião. Não falo que dinheiro não é bom, apenas compreendi que usar o seu poder mental para obtê-lo é uma forma egóica, que não te torna um ser humano melhor.  Só mais materialista.

 Voltando aos dias de hoje, o único testemunho que posso dar é que, graças a Deus, estamos vivendo tempos novos, revolucionários. Sejam eles, compreensíveis ou não. E toda mudança é boa, quando vem do coração e é claro, cumpre o seu papel de tornar melhor a vida da população.

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 Assim como vários, simpatizei com a eleição de um Papa franciscano e latino americano. Mas mesmo assim, as perguntas prosseguem: teria Sua Santidade sido eleita por causa do declínio do catolicismo? Teria ele apoiado a repressão militar e a ditadura na Argentina? De fato, essas questões são importantes, mas neste exato momento, e neste (con)texto a questão é dignamente humana e pessoal. Quanto ao Papa, como muitos, eu o admiro como pessoa, teólogo e político. Também não acredito em “homens”, mas não perdi 100% de esperança. Resolvo minhas questões sem depender do Papa, mas gosto que ele exista.

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No sábado, dia 27, após a melhora de uma retornada gripe (ou virose) que me derrubou mais uma vez, decidi dar uma voltinha até o início de Copacabana,  por volta de 17h para comer meu querido hamburger de soja na Francisco (olha só.. FRANCISCO!) Otaviano, mas a loja estava fechada. Comi uma salada de frutas e dei uma olhada na rua, nas pessoas, vi como estava o movimento. Defronte ao Forte de Copacabana, às minhas costas um grupo de quatro jovens cantavam canções mariachi (e muito bem por sinal). O clima estava eufórico, mas como sempre, em tudo ao que se refere ao Rio de Janeiro, “exótico” para dizer o mínimo. Vi duas representantes de biquíni da marcha das vadias e um senhor negro que passou atrás de mim, meio bêbado e com ódio, conversando com ele mesmo, dizendo que tudo aquilo era racismo… Por perto, um outro senhor sentado em uma motocicleta, na verdade em um triciclo, todo enfeitado com filas de leds azuis, uma monstruosidade de mal gosto, atraía jovens, com o mesmo mal gosto, que sentavam no banco ao lado do motorista para tirar fotos.

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Não havia propriamente uma “multidão” em frente ao Forte de Copacabana, mas sim um bom número de pessoas, o que permitiu que chegasse bem perto da avenida da praia. Repentinamente, surge um Papa Móvel com o… Papa que acenou a todos sob a luz de refletores das câmeras. Fiquei feliz de estar ali, vendo a história viva, fosse por “acaso”, “coincidência”, ou “sincronicidade”. O fato é que me senti bem ao ver o Papa, que emanava um bom astral, claro que “iluminado” pela histeria e pelos refletores. Pensei nos milhares de peregrinos, há horas e dias, passando “aperto” nas ruas para ter um vislumbre de Francisco, o Papa Pop. E acima de tudo pensei no coração dos missionários em busca de reforço a sua fé. Certamente, Francisco é um Papa que tem uma missão difícil: recuperar valores de honestidade e simplicidade, dentro e fora dos muros do Vaticano, em meio a este mundo materialista.

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Palavras de Francisco:

 “Deus está nos pedindo mais simplicidade.”

 “Gays não devem ser marginalizados, mas integrados à sociedade.”

 “Nosso povo exige a pobreza de nossos sacerdotes. Exige no bom sentido, não pede. O povo se ofende quando pessoas consagradas se apegam ao dinheiro.”

 “Não gosto do jovem que não protesta. O jovem gosta da utopia e utopia nem sempre é ruim.O jovem tem mais energia para defender suas ideias, porém os jovens devem se cuidar para não serem manipulados.”

 “Maria é mais importante que os apóstolos.”

 “Sejam revolucionários.”

 “É mais fácil ouvir uma árvore cair do que um bosque crescer.”

A LUA e o CRISTO de 2 de agosto

 

Ontem, dia 2 de agosto foi um dia, especialmente “diferente”. Já sou uma pessoa muito sensível mas ontem, foi “além”. Over. Como uma lua cheia prenunciava tomar o céu de assalto, os fatos misteriosos e sincronísticos começaram a tomar forma logo de manhã. Bem cedo, uma brincadeira feita comigo, me deixou muito angustiado. Senti meu coração correr aceleradamente. Incapaz de mudar o destino, me percebi engessado e ao mesmo tempo resignado. A sensação foi ainda mais virótica porque não tenho com quem conversar ou dividir esses sentimentos, por isso os compartilho com os leitores, para que se sintam, talvez em suas solidões, que estamos todos  irmanados. E que sempre há solução.

Estou envolvido em um projeto, no qual trabalho diariamente, saindo de casa às 8 da manhã e chegando entre meia noite e uma da manhã em casa. Por acaso, ontem foi o primeiro dia em que “descansei”. Estava exausto, a cabeça tonta, sem pensar direito e o coração acelerado.

A sessão de sincronicidades começou cedo: um rapaz, fiscal do metrô, veio em casa às 9 da manhã, e falou sobre “coincidências” e autoajuda. Ele era do sul e estava há uma semana no Rio. O presenteei com meu livro sobre sincronicidades. Ele o abriu aleatoriamente, e sorrindo me mostrou a página: “Sincronicidade do Destino”.

O telefone tocou: era um amigo de Manaus, que precisava me transmitir uma mensagem espiritual. Recebi o comunicado com o coração palpitando, mas ciente de que aquela mensagem àquela hora não poderia ser à toa. “A hora chegou”, ele disse.

Logo depois, um outro amigo querido me escreveu para me avisar que há dias, pensava em mim e que precisava falar comigo para me passar outras mensagens e percepções. Mas me adiantou algo: “que dar felicidade às pessoas era o plano cósmico”. Respirei fundo.

No começo da tarde do dia 2, eu deveria participar de uma filmagem com uma equipe do sul do país (lembrem do friscal do metrô, também do sul). Como era para voltar à rua do meu antigo colégio – já demolido – lá fomos nós, com a equipe de filmagem. Não compraram uma garrafinha de água, porque acharam caro: o preço era 2,28. Eu nasci no dia 28 de agosto. Entramos na rua para filmar. O Cristo Redentor, bem lá em cima, estava lindo, sob um belo céu. Ele é lindo demais. Entramos na rua do colégio, e logo de cara vi uma casa de número 28. Mais vinte e oitos.

 

Cristo Redentor

Cristo Redentor (Photo credit: Thiago Trajano)

 

Percebi a rua com um carinho que nunca havia sentido antes. Eu ia para o colégio todos os dias, há 30 anos e nem percebia a beleza a minha volta porque eu sempre ia chateado. Eu não percebia a beleza que havia na rua, nas casas, nas árvores, no céu, no ar… eu não via a beleza do mundo. Hoje meus olhos e alma percebem tudo diferentemente, a sensibilidade aumentou, e a percepção.

Rua.

Lua.

Ao filmar, a diretora de fotografia viu um livro semiencoberto em uma bancada em frente à uma antiga loja. Para não entrar em pormenores, posso dizer que o título do livro encoberto era o mesmo nome do filme. Todos ficaram estupefatos. No final da filmagem, já a noite, debaixo de uma gigantesca lua cheia, mais “coincidências” sucederam-se.

Ao chegar em casa, com o dever cumprido, tudo já cheirava a passado. O que havia antes, um dia antes, havia se desfeito. Não havia traços ou vestígios do dia anterior. A energia mudara, transmutara radicalmente. Era tão visível, perceptível que me espantava que todos não vissem. Ainda me sentia angustiado, com o corpo energizado, peito palpitando. Coloquei meu destino e vida nas mãos de Deus. Assumi que não tenho mais força e capacidade para lutar, para me conduzir, e me doei. Entreguei-me ao destino. A sincronicidade não só aponta, como conduz os caminhos. Confio neles.

O mundo não nos pertence. Estou nele, faço parte, mas não sou ele. Podemos ser mais, menos, demais, de menos. Sou apenas um filete de água no fluxo do rio caudaloso e vivo, bruto e singelo, forte e sereno. Ondas de energia, marolas de consciência. A sensação que tenho de dissolução é gigantesca. Mas não posso mais me deixar abater: doei minha vida à sincronicidade. Que ela conduza meus caminhos submetidos à vontade do Criador e do Universo. A nave mãe não virá nos buscar, pois nós somos as suas extensões, somos ela. Se conseguiremos, ou não, estar na nave, depende de nós. Entre levantar e cair, vivemos. Entre amar, amar e amar, vivo.

 

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Deutsch: Christus Erlöser in Rio de Janeiro Português: Cristo Redentor do Rio de Janeiro (Photo credit: Wikipedia)

 

Renasci mais uma vez, fiz aniversário antecipado em dia 2 de agosto, recebi presentes do Cosmos e ele me acarinhou. “Confie!” Pelo visto, datas não valem mais nada, mas números sim.

Sincronicidades sempre.

 

 

 

Os Apócrifos da Bíblia – Parte II (José de Arimatéia)

DECLARAÇÃO DE JOSÉ DE ARIMATÉIA


CAPÍTULO 1

Eu sou José de Arimatéia, aquele que pediu a Pilatos o corpo do Senhor Jesus para
sepultá-lo, e que por este motivo se encontra agora acorrentado e oprimido pelos Judeus, assassinos e rebeldes a Deus, os quais, além disso, tendo a lei em seu poder, foram a causa de aflições para o próprio Moisés e, depois de enraivecer o legislador e de não haverem reconhecido a Deus, crucificaram o Filho de Deus, coisa que ficou bem caracterizada para quem conhecia a condição do Crucificado. Sete dias antes da paixão de Cristo, foram enviados de Jericó ao governador Pilatos dois ladrões cujas culpas eram as seguintes: O primeiro, chamado Gestas, costumava matar viajantes com a espada, ou deixava-os nus. Quanto às mulheres, ele as pendurava pelos tornozelos, de cabeça para baixo, para depois cortar-lhes os seios. Tinha predileção por beber o sangue das crianças. Nunca conheceu a Deus, não obedecia às leis e, violento com era, vinha executando tais ações desde o início de sua vida.
O segundo, por sua vez, chamava-se Dimas, era de origem galiléia e possuía uma
pousada. Assaltava os ricos, mas favorecia os pobres. Mesmo sendo ladrão, parecia-se a Tobias, já que costumava sepultar os mortos. Dedicava-se a saquear a turba dos judeus. Roubou os Livros da Lei em Jerusalém, deixou nua a filha de Caifás, que era na época a sacerdotisa do santuário, e até mesmo furtou o depósito secreto, colocado por Salomão. Tais eram seus feitos.

Também Jesus foi detido na tarde do dia 3 antes da Páscoa. E não havia festa nem para Caifás nem para a turba dos judeus, mas sim uma enorme aflição, por causa do roubo do santuário, que havia sido praticado pelo ladrão. Chamando a Judas Iscariotes, falaram com ele. É necessário dizer que este era sobrinho de Caifás, não era discípulo sincero de Jesus, mas havia sido dolosamente instigado por toda a turba de judeus para que o seguisse. E isto, não com a finalidade de que se deixasse convencer pelas façanhas que Ele operava, nem para que O reconhecesse, mas sim para apanhar-Lhe em alguma mentira. E por esta gloriosa empreitada, davam-lhe presentes e um dracma de ouro por dia. Na época, já estava há dois anos na companhia de Jesus, como disse um dos discípulos, chamado João.

Três dias antes de Jesus haver sido detido, Judas disse aos judeus:
— Eia! Usemos o pretexto de que não foi o ladrão que furtou os Livros da Lei, mas,
sim, Jesus em pessoa. Eu próprio comprometo-me a fazer a acusação.
Enquanto isto era dito, Nicodemus, encarregado das chaves do santuário, veio juntar-se a nós e dirigiu-se a todos, dizendo:
— Não façam tal coisa.
Sabe-se que Nicodemus era mais sincero do que todos os judeus juntos. Mas a filha de Caifás, chamada Sara, disse aos gritos:
— Pois ele falou deste lugar santo na frente de todos: sou capaz de destruir este templo e levantá-lo em três dias.
Ao que os judeus responderam:
— Damos-te todos os nossos votos de confiança, — já que tinham-na como profetisa.
Uma vez realizado consenso, Jesus foi detido.

CAPÍTULO 2

No dia seguinte, que era quarta-feira, levaram-nO ao palácio de Caifás à hora nona. E
Anás e Caifás perguntaram-Lhe:
— Ouve, por que roubaste nossa Lei e levaste a leilão público as promessas de Moisés
e dos profetas?
Jesus nada respondeu. E, diante de toda a assembléia reunida, indagaram dEle:
— Por que pretendes desfazer num único momento o santuário que Salomão erigiu em quarenta e seis anos?
Jesus nada respondeu a esta pergunta. Sabe-se que o santuário da sinagoga havia sido saqueado pelo ladrão. Mas ao cair a tarde de quarta-feira, a turba dispunha-se a queimar a filha de Caifás porque os Livros da Lei se haviam perdidos e não sabiam como celebrar a Páscoa. Mas ele lhes disse:
— Esperai, filhos, que mataremos este Jesus e encontraremos a Lei e a santa festa
celebrar-se-á com toda a solenidade.
Então Anás e Caifás entregaram às escondidas a Judas Iscariotes uma boa quantidade de ouro e lhe confiaram a seguinte missão:
— Dize, conforme nos afirmastes: eu sei que a Lei foi furtada por Jesus, para que o
delito recaia sobre ele e não sobre esta irrepreensível donzela.
Quando se puseram de acordo neste particular, Judas disse-lhes:
— Que o povo não saibas que me haveis dado instruções para fazer isto contra Jesus. É melhor soltá-lo e eu me encarregarei de convencer o povo de que a coisa é assim.
Assim, astutamente puseram Jesus em liberdade.
Assim, então, quinta-feira, ao amanhecer, Judas entrou no Santuário e disse a todo o
povo:
— Que me dareis se eu entregar aquele que fez desaparecer a Lei e roubou os Profetas?
Os judeus responderam:
— Se o entregares, dar-te-emos trinta moedas de ouro.
O povo não sabia, porém, que Judas se referia a Jesus, já que muitos reconheciam que era o filho de Deus. Então Judas ficou com as trinta moedas de ouro. Tendo saído durante a quarta e a quinta hora, encontrou Jesus passeando no átrio. Já estando a tarde por cair, disse aos judeus:
— Dai-me uma escolta de soldados armados de espadas e paus e eu pô-lo-ei em vossas mãos.
Deram-lhe, então, força para prendê-lo. Enquanto iam caminhando, Judas disse-lhes:
— Agarrai aquele a quem eu beijar, pois terá sido ele quem roubou a Lei e os Profetas.
Depois aproximou-se de Jesus e beijou-O dizendo:
— Salve, Mestre.
Era então a tarde de sexta-feira. E, uma vez preso, puseram-nO nas mãos de Caifás e
dos pontífices, dizendo-lhes Judas:
— Este é aquele que furtou a Lei e os Profetas.
Os judeus, então, submeteram Jesus a um injusto interrogatório, dizendo:
— Por que fizeste isto? — mas ele nada respondeu.
Então, Nicodemus e eu, José, diante daquela cátedra de pestilência, separamo-nos
deles, dispostos que estávamos a não perecer juntamente com o conselho dos ímpios.

CAPÍTULO 3

E depois daquela noite fizeram outras coisas terríveis contra Jesus; na madrugada de
sexta-feira foram entregá-lo ao governador Pilatos para crucificá-lo; e com este intuito todos acorreram. E o governador Pilatos, depois de interrogá-lo, ordenou que fosse crucificado na companhia de dois ladrões. E foram crucificados, juntamente com Jesus, à esquerda, Gestas, à direita, Dimas.
E o da esquerda começou a gritar, dizendo a Jesus:
— Olha quantas coisas más fiz sobre a terra, e até se soubesse que tu eras rei, teria
acabado também contigo. Por que te chamas a ti mesmo de Filho de Deus, se não podes socorrer-te em caso de necessidade? Como, então, prestarás auxílio a qualquer um que o peça? Se tu és o Cristo, desce da cruz para que eu possa crer em ti. Mas, neste momento não te considero como homem, senão como uma besta selvagem que está perecendo juntamente comigo.
E começou a dizer muitas outras coisas contra Jesus enquanto blasfemava e fazia
ranger os dentes contra Ele, pois o ladrão tinha sido preso no laço do diabo.
Mas o da direita, cujo nome era Dimas, vendo a graça divina de Jesus, gritava deste
modo:
— Conheço-te, ó Jesus Cristo, e sei que és o Filho de Deus. Vejo-Te como Cristo
adorado por miríades de anjos. Perdoa os pecados que cometi. Não faças os astros virem contra mim no momento do meu julgamento, ou a lua, quando julgares toda a terra, posto que foi à noite que realizei meus maus propósitos. Não movas o sol, que agora escurece por Ti, para que eu possa manifestar as maldades de meu coração. Já sabes que não posso oferecer-Te presente algum pela remissão dos meus pecados. A morte já se joga em cima de mim por causa das minhas maldades, mas Tu tens o poder para expiá-las. Livrai-me, Senhor universal, do teu terrível julgamento. Não concedas ao inimigo poder para engolir-me e fazer-se herdeiro de minha alma, como o é desse que está pendurado à esquerda, pois estou vendo como o diabo recolhe sua alma, enquanto suas carnes desaparecem. Tampouco me ordenes passar para o lado dos judeus, pois vejo-os submergir num grande pranto a Moisés e aos profetas, enquanto o diabo se ri às suas costas. Senhor, antes que minha alma
saia, ordena que meus pecados sejam apagados e lembra-te de mim, pecador, em teu reino, quando julgares as doze tribos por sobre o trono grande e alto, pois é grande e tormento que preparaste para o teu mundo por tua própria causa.
E, quando o ladrão terminou de dizes isto, Jesus respondeu-lhe:
— Em verdade, em verdade digo-te, Dimas, que hoje mesmo estarás comigo no
paraíso. Mas os filhos do reino, os descendentes de Abraão, de Isaac, de Jacó e de Moisés serão arremessados fora, para as trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mas tu serás o único que habitará o paraíso até a minha segunda vinda, quando julgarei aqueles que não reconheceram meu nome.
E acrescentou:
— Vai agora e dize aos querubins e aos anjos da sexta hierarquia, que estão brandindo a espada de fogo e guardando o paraíso de Adão, a primeira das criaturas, que depois de ter vivido ali foi arremessado por haver prevaricado e por não ter guardado meus mandamentos: nenhum dos primeiros verá o paraíso até que eu venha de novo para julgar os vivos e os mortos. Assim disse Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que desceu das alturas dos céus, aquele que saiu inseparavelmente do seio do Pai invisível e desceu ao mundo para encarnar-se e ser crucificado para salvar Adão, a quem formou, para conhecimento das milícias dos arcanjos, guardiões do paraíso e ministros de meu Pai. Quero e ordeno que adentre aquele que está crucificado comigo, e que receba por mim a remissão de seus pecados e que entre no paraíso com o corpo incorruptível e engalanado, e que habite onde ninguém jamais poderá habitar.
E eis que, quando disse isto, Jesus entregou seu espírito. Isto aconteceu numa sextafeira, à nona hora. As trevas cobriram a terra inteira e sobreveio um grande terremoto que derrubou o santuário e o pináculo do templo.

CAPÍTULO 4

Então eu, José, reclamei o corpo de Jesus e coloquei-o num sepulcro novo, ainda não usado. O cadáver daquele que estava à direita não pôde ser encontrado, enquanto que o da esquerda tinha adquirido o aspecto de um dragão. Pelo fato de ter pedido o corpo de Jesus para dar-lhe sepultura, os judeus, deixando-se levar por um impulso de cólera, encarceraram-me no mesmo lugar onde se costumava colocar os malfeitores. Isto aconteceu-me na tarde do Sabat em que nossa nação estava prevaricando. Quantas terríveis atribulações este Sabat infligiu à nossa mesma nação!
Precisamente na tarde do primeiro dia da semana, na quinta hora, quando me
encontrava na prisão, Jesus veio ter comigo, acompanhado daquele que tinha sido
crucificado à sua direita e a quem enviara ao paraíso. Havia uma grande luz no recinto.

Imediatamente a casa ficou suspensa em seus quatro ângulos, o espaço interior ficou e eu pude sair. Então reconheci primeiro a Jesus e depois ao ladrão, que trazia uma carta para Jesus. Enquanto caminhávamos até a Galiléia, brilhou uma luz tamanha que a criação não podia suportá-la. O ladrão, por sua vez, exalava um forte perfume procedente do paraíso.

Depois, Jesus sentou-se e leu assim:
— Os querubins e os hexaptérigos receberam de tua divindade a ordem de guardar o
jardim do paraíso. Soubemos disto pelo ladrão que foi crucificado juntamente Contigo, por tua disposição. Ao ver nele o sinal dos pregos e o resplendor das letras da tua divindade, o fogo extinguiu-se, já que não podia suportar o sinal ofuscante. Nós, tomados de um grande temor, ficamos amedrontados, pois ouvimos o autor do céu e da terra e da criação inteira que descia das alturas até as partes mais baixas da terra por causa de Adão, a primeira das criaturas. Ao ver a cruz imaculada, que fulgurava em meio ao ladrão e que fazia reverberar um resplendor sete vezes maior que o do sol, um grande temor apoderou-se de nós, presas da agitação dos infernos.

E nós e os ministros do inferno, em coro, dissemos aos brados:
“Santo, Santo, Santo é Aquele que impera nas alturas”. E as divindades deixavam escapar este grito: “Senhor, Tu Te manifestaste no céu e sobre a terra, dando a alegria dos séculos, depois de ter salvo a própria criatura da morte”.

CAPÍTULO 5

Enquanto eu ia contemplando isto, a caminho da Galiléia, em companhia de Jesus e do ladrão, Aquele transfigurou-se e já não era o mesmo de antes da crucificação, senão que era luz por completo. Os anjos serviam-no continuamente, e Jesus mantinha conversação com eles. Passei por três dia ao seu lado, sem que nenhum dos seus discípulos O acompanhasse, mas tão somente o ladrão.
Em meio à festa dos ázimos, veio o seu discípulo João, e até então não havíamos visto o ladrão nem sabíamos o que tinha sido feito dele. João então perguntou a Jesus:
— Quem é este, já que ainda não mo permitiste vê-lo?
Mas Jesus não respondeu nada. Então ele atirou-se aos seus pés e disse:
— Senhor, sei que desde o princípio me amaste. Por que não me fazes ver aquele
homem?
Jesus disse-lhe:
— Por que vais em busca do mistério? És obtuso de inteligência? Não sentes o perfume do paraíso que inundou este lugar? Não percebes quem era? O ladrão suspenso da cruz tornou-se herdeiro do paraíso. Em verdade, em verdade te digo que somente ele o é até que chegue o grande dia.
E João disse:
— Faze-me digno de vê-lo”.
Enquanto João ainda estava falando, o ladrão apareceu de repente. Então aquele,
atônito, caiu ao chão. O ladrão não conservava a mesma figura que tinha antes da chegada de João, mas parecia-se com um rei majestoso ao extremo, engalanado como estava com a cruz. Ouviu-se uma voz, emitida por uma grande multidão, que dizia assim:
— Chegaste ao lugar do paraíso que te havia sido preparado. Nós fomos designados
por Aquele que te enviou para servir-te até que venha o grande dia.
Ao produzir-se esta voz, o ladrão e eu ficamos invisíveis. Então encontrei-me em
minha própria casa e já não via Jesus.

Tendo sido testemunha ocular destas coisas, deixei-as escritas para que todos acreditem em Jesus Cristo crucificado, nosso Senhor, e já não sirvam à Lei de Moisés, senão que dêem crédito aos milagres e maravilhas operados por Ele, de maneira que, crendo, sejam herdeiros da vida eterna e possamos encontrar-nos todos no reino dos céus. Porque a Ele lhe convém glória, força, bem-aventurança e majestade pelos séculos dos séculos.

Amém.

Advogado carioca se comunica com a Virgem

Imagens da Virgem fotografadas na igreja de SANTO ELESBÃO E SANTA IFIGENIA no centro do Rio, uma igreja de escravos.

Vídeo do texto abaixo: http://www.facebook.com/video/video.php?v=10150195667594301

Muitos pontos me tocaram, como espectador, filho, amigo e discípulo de Fátima nessa entrevista do advogado Pedro Siqueira (para o programa da Ana Maria Braga) que mantém contato com a Virgem desde criança, mas um detalhe me chamou a atenção: Nossa Senhora pode se manifestar através de um simples fenômeno como a chuva…

Sabe o que acho mais fascinante dessa história toda? Cada um, dependendo de vários fatores (educação, compreensão, fé, religião etc) tem uma perspectiva muito própria do fenômeno. Creio que cada um de nós reinterpreta e vive o fenômeno à sua imagem e semelhança: se você é criativo, os fenômenos também o serão. Como o advogado Pedro Siqueira é muito católico, o fenômeno também é muito católico. Mas nenhuma das formas de contato pode ser considerada certa ou errada: são extensões da mesma luz, da mesma fonte.

Há um depoimento nesta entrevista, de uma moça, a última a falar, que presenciou juntamente com o grupo em Fátima, Portugal,  uma cruz surgida do céu com raios vermelhos, e uma auréola que cercava o sol… Na entrevista há uma foto dessa depoente no mesmo local em Fátima onde tive a honra, o prazer e a emoção de ter tido contato com a Virgem, em uma fase muito confusa da minha vida, em uma fase na qual eu precisava ardentemente me desligar do velho, da roupa velha para me despir, me deixar nu e aí sim poder me reencontrar com quem eu havia me esquecido que era. E esse processo dura até hoje, é um caminho progressivo, contínuo e maravilhoso. E graças a Deus, sem retorno: sempre à frente e com a Virgem.

A SINCRONICIDADE DO 28

“Viver não é necessário; o que é necessário é criar”. Fernando Pessoa – aquele que nada trazia de pequeno n´alma.

Em que dia você nasceu?

Há alguma coisa em sua data de nascimento que te desperta a atenção?

Você reconhece alguma coincidência significativa ligada a números?

Nasci no dia 28. Não sei se por aderência, carinho ou mania, o 28 não desgruda de mim. Achava estranho esse apego todo, mas com o tempo me acostumei e comecei a ver o lado positivo. Como ele me perseguia, eu comecei a persegui-lo: olho por olho, dente por dente. As brincadeiras com o número começaram em lugares inusitados como o valor de um produto no supermercado; os centavos no final de uma conta; 28 graus; acordar às 09:28; o CPF do meu irmão tem a data, dia e mês, do meu aniversário; ver um 28 perdido em meio a uma nova conta de banco; encontrar um 28 boiando em um novo número de telefone etc.

No aspecto da evolução da alma, o 2 representa a polaridade entre emoção e a mente (alma), e o 8, a consciência (espírito) que julga esses veículos.

Mas no 28, o que se destaca é o oito, não tem jeito. O número 8 representa a Justiça, o Julgamento, o equilíbrio entre matéria e espírito, o oitavo chakra Vibhuti. Tem relação direta com o Deus dos Mortos, Anúbis (Saturno) que quer teu coração mais leve do que uma pena.  O Nobre Caminho Óctuplo é, nos ensinamentos do Buda, um conjunto de oito práticas que correspondem à quarta Verdade Nobre do Budismo: o “caminho do meio”, baseado na moderação e na harmonia, sem cair em extremos. O Dharmachakra representa o Nobre Caminho Óctuplo.

Números são coisas matreiras, arteiras, como gênios brincalhões.

Essa tem tudo a ver com a experiência do 28 e do 8: fui ao banco pagar uma conta, mas como estava em atraso, tiveram que recalcular na hora. Eu tinha ideia de quanto seria, mas não sabia o valor exato. Deu X reais mais alguns centavos, um número bem quebrado tipo 35 centavos . O dinheiro que eu havia trazido era exatamente o valor X calculado em reais, mas não os centavos. Meti a mão no bolso de trás da calça e havia exatamente 35 centavos. Fiquei duro, mas paguei a conta. Matutei, meio aliviado e meio “bolado”: “Que coisa! Nem para dar uma folguinha? Precisava ser tão exato assim?” Rindo, vi o lado positivo da história: paguei a conta, cumpri com minhas obrigações. Palavra engraçada essa: obrigação. Obrigar a…

Colocando as coisas em pratos limpos no universo do 28: pago o que devo e quando não consigo, não fico desesperado nem me sentindo um péssimo pagador porque me empenhei, dei o meu melhor, não enganei, não menti, não enrolei, fui claro, mas não deu. A vida é assim. Simplesmente faço o possível e se não dá,  negocio; se não dá para negociar, faço o que posso e quando “nada dá certo” (certo para quem, né?) aceito o ocorrido e não brigo com ele. Curiosamente, tudo sempre dá certo e se resolve quando é chegada a hora, quando a sintonia está boa, quando os pêndulos estão alinhados em meio ao caos. A diplomacia e  a guerra são partes do processo, nem toda guerra é do mal e nem toda diplomacia é do bem, entender o mundo com uma visão maniqueísta não faz juz à grandeza do universo, que repito, é muito mais criativo do que supõe a nossa vã filosofia.

Escher vendo Escher

A imprensa noticiou: “Sábado e domingo são os últimos dias da exposição O MUNDO MÁGICO DE ESCHER do artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972).”

Obviamente, como quase todos os brasileiros deixam tudo para cima da hora, a história não poderia ter sido diferente: fiquei na fila durante uma hora e meia antes de entrar no prédio. E sabe aquelas perguntas que a gente se faz? “Por que não vim antes? Por que deixei para a última hora?” ”  Todas passaram pela minha cabeça. Mas uns cinco minutos depois a alma sossega, eu não fico  reclamando, é chato. A gente se aborrece com a nossa “falta de tempo”, mas quer saber? Antes tarde do que nunca. Ficar “plantado em pé” é um problema menor: eu estava lá para ver o grande Escher, que mais eu poderia querer? Como fã de arte, me senti realizado. “Furada”, nesse caso, é um conceito relativo.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/ultimo+dia+de+exposicao+de+escher+no+rio+reune+milhares/n1300007298311.html

Mas eu não deixaria a história ser tão simples assim, também gosto de complicar um pouco, vamos colocar dessa forma. Superficialidade não é a minha, então eu faço a minha vida ser dignamente profunda e artística. Também gosto do inusitado, ele não me assusta, dá um medinho, mas é um bom medinho, por assim dizer, é parte da brincadeira.

Assim que me aproximei do museu às 11 da manhã, no centro do Rio, e vi o tamanho da fila, senti que não era para entrar. Pelo menos, não àquele momento. Pensei, “mais tarde esse povo desiste e a fila fica menor”. Santa ingenuidade…  Em frente ao museu, há uma Igreja: a da Candelária. Em outra coluna, creio, falei sobre uma visita que fiz à mesma igreja há muitos anos, com minha mãe durante um encontro para ver a Imagem original de Nossa Senhora de Fátima. Entrei na Igreja e sentei em um dos primeiros bancos para meditar. Foi bem legal. Tirei fotos das imagens e desse anjo portentoso, sustentáculo de um parlatório, em cuja frente sentei.

Anjão

inclina avrem tvam et suscipe verba intellectus: Incline-se diante dele e receba as palavras da Inteligência.

Ao sair da igreja, por volta de meio dia e vendo que a fila não havia diminuído, preferi arriscar e ver qual era a exposição no prédio ao lado, no Centro Cultural dos Correios. Para minha surpresa: era sobre Fernando Pessoa, um dos meus poetas favoritos, se não o favorito.

A Pessoa do Fernando

Mal entrei na fila, com poucas pessoas, a porta foi aberta para que todos desfrutássemos do momento mágico, ou de um momento “Pessoa”. Após me deixar levar e flutuar entre as poesias transformadas em mil imagens, entrei em uma sala onde havia uma grande mesa com vários livros de Pessoa para quem quisesse ler. Sentei e logo à minha frente, vi um pocket book de Álvaro de Campos. Fernando, que foi amigo do mago Aleister Crowley devia ter sido mago também e não só das palavras: não satisfeito em ser Um escritor ou Um poeta, foi vários. Pessoa repartiu seu talento em heterônimos, múltipla personalidades, personagens extraídos de si, e o mais famoso deles estava ali à minha frente em forma de pocket: Álvaro de Campos.

Minha poesia favorita, como a de várias pessoas, é Tabacaria.

“Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,

Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,

Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,

Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,

Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,

Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada”.

Assim que abri o livro, vi que o texto completo de Tabacaria se distribuía por três páginas: a primeira sugestivamente começava em 287. Como nasci no dia 28 de agosto imaginei que haveria alguma surpresa na 288. É claro que havia. Ao abrir o livro, no final da página 288 – que fotografei, mas peço desculpas pela má resolução – encontrei exatamente essa parte:

“O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo”.

Começava assim a primeira linha no alto da página 289:

“Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu”.

A última quadra na página 288  – diagramada assim pelo destino ou pelo inconsciente do diagramador – falou demais àquele instante, falou como um buraco negro que engole todo o universo no meu peito. Creio que não há necessidade de me explicar mais. Curiosamente, a 289 confirmou que eu não estava ali à toa, que àquele livro não estava inutilmente ao alcance da mão e que todas as estradas conduzem a Roma.

Página 228

Havia postado a mais nova edição da revista O Martelo no dia anterior à visita ao museu e para ela escrevi sobre Kant.

Nossa Senhora de Fátima

Me ergui e mais uma vez, do lado de fora da exposição sobre Pessoa, soube que não era para entrar na fila do Escher. “Não é agora”, refleti. Saí de lá, atravessei o centro inteiro com uma energia renovada e fui à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, perto do Sambódromo para agradecer. De volta ao museu, por volta de 16h da tarde, ingressei na fila “amarradão”.

Calor? Que calor?

Dor? Que dor?

Cansaço? Que cansaço?

Escher é bom demais. É o próprio Yin Yang

E a vida é Yang para quem não se impõe, para quem conversa em silêncio com ela, como Yin, pois sabe-se que essa dama chamada VIDA é matreira como um 28.

Obs:  O primeiro disco que gravei em 1984 se chamou Ultimatum. Álvaro de Campos, autor de Tabacaria escreveu Ultimatum em  novembro de 1917, que também fala sobre o Brasil:

             tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
 Que nem te queria descobrir
 Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
 Que confundis tudo

Tópicos para discussão em Sincronicidade Mágica no Facebook

Tópicos para discussão em Sincronicidade Mágica no Facebook:

Nárnia x Terra-Média (ambos eram escritores cristãos, relações entre as obras e o cristianismo)

Arthur Koestler (autor do livro Sincronicity que inspirou a banda The Police)

Grandes Enigmas da Humanidade

 

Em busca de respostas, a humanidade tem esculpido há séculos a grande pedreira que une razão, ciência, ficção e superstição. A resultante nem sempre tem agradado, porque no final das contas, “todos queremos acreditar”, como se precisássemos desesperadamente preencher a nossa alma com o inexplicável, como se o mito fosse o único elemento capaz de perpetuar os nossos próprios desejos de galopar o impossível.

Por isso toda explicação racional nem sempre é bem-vinda.

E mitos existem aos montes, aos milhares, há séculos e quanto mais inexplicáveis, mais apaixonantes se tornam.

Grandes Enigmas da Humanidade

Grandes Enigmas da Humanidade (360 páginas – capa dura) lançado pela Larousse oferece uma boa parte dessas explicações. A capa dessa enciclopédia de mistérios exibe uma das famosas “áreas de pouso” para discos voadores em Nazca ao sul do Peru. Será? O livro descarta a hipótese ufológica e prefere assentar as explicações nas palavras dos arqueólogos que acreditam que os desenhos se referem a equinócios e solstícios ou a um calendário meteorológico, mas em compensação logo depois, o livro inclui a declaração do chefe do FBI, Edgar Hoover de que o exército havia “cravado as unhas” nos “discos recuperados” e que por causa disso, não lhe davam pleno acesso à informação.

 

Escrito por diversos autores franceses, e obviamente focando muitos fatos ocorridos na França (há um capítulo inteiro pra essa tarefa: os ancestrais franceses), a obra se divide em 12 capítulos: Entre mito e ciência; os mistérios da Bíblia e do cristianismo; O significado oculto revelado; Nas garras do diabo; No centro dos fenômenos paranormais; Criaturas e animais extraordinários; Nos segredos das língua, dos povos e das culturas; Construções misteriosas; Mistérios da história da França, Pretendentes e impostores; na sombra da história e Dramas modernos.

Assuntos, os mais variados, são tratados de forma objetiva e em alguns casos, para eventos inexplicáveis, o texto apresenta as teorias. Diferentemente de livros do gênero, o Enigmas trata, também, de polêmicos assuntos da história europeia.

Maias

A obra discute se o modelo inacabado do big bang ainda serve com explicação para a origem do universo; se a panspermia (hipótese da vida na Terra ter nascido de organismos extraterrestres) referenda a vida como consequência da queda dos meteoritos (muitos ricos em carbono e água); se houve o dilúvio como descrito na Bíblia e quem a escreveu (o século XVII o filósofo Baruch Spinoza questionou racionalmente a origem dos textos sagrados) e se há explicações plausíveis para os prodígios do livro sagrado (ressureição, travessia do Mar Vermelho, as dez pragas do Egito); os manuscritos do mar morto; onde realmente fica o túmulo de Cristo (que se trataria de um arcosolium, uma mesa encimada por um arco abobadado, sobre o qual se depositava o cadáver); onde ficava o reino do padre João Presbítero, um soberano cristão que havia derrotado os muçulmanos em 2 dias em 1141; onde fica de fato a sepultura de São Pedro; se o Sudário de Turim é real (exames feitos em outubro de 1978 detectaram vestígios de sangue do grupo AB); se houve um papa mulher; quem era o conde de Saint-Germain, figura que encantou Paris entre 1758 e 1760 (uma interessante história conta que o duque de Choiseul, que o detestava, contratou Gauve um comediante para se passar pelo conde e que contava a todos que havia bebido com Alexandre, o Grande; comido nas bodas de Canaã e que conhecendo pessoalmente Jesus o alertara sobre uma morte abominável, o que ao invés de ridicularizar Saint-Germain, o fez mais famoso); fala sobre os rosa-cruzistas; astrologia, profecias e adivinhações feitas no passado; Nostradamus; Nicolas Flamel e a pedra filosofal; Cagliostro e a franco-maçonaria egípcia; Mesmer e a hipnose; a confraria secreta, a Liga da Corte Sagrada que julgava todo tipo de delitos e que impunha suplícios atrozes aos réus no fim da Idade Média; as bruxas de Salém; os comedores de múmias (os europeus chegaram a  consumir múmias em pedaços, como se fosse remédio, na forma de uma pasta escura e como pó desde o fim da Idade Média até o século XVI).

As pirâmides que vos contemplam

O fantasma de Ana Bolena; combustão espontânea e o poltergeist (espíritos batedores); a premonição sobre o fim do Titanic antecipada em detalhes pelo escritor norte-americano Morgan Robertson catorze anos antes (Robertson escreveu sobre o “maior navio já construído pelo homem”  e nomeou-o Titan); as mesas girantes das irmãs Fox e o médium voador Daniel Dunglass Home no final do século XIX; a experiência de invisibilidade feita com um escoltador da marinha americana na Experiência Filadélfia em 1943; Gilles de Rais, marechal da França aos 25 anos e companheiro de Joanna D´Arc executado pelos crimes de homicídio, magia negra e sodomia em 1440; casos de crianças criadas por animais; o Yeti, o homem das neves; sereias, lobisomens e vampiros; a incompreendida língua etrusca; os intocáveis na Índia; foram os bascos salvos do dilúvio?; as Amazonas; a torre de Babel; onde se localizava a Atlântida; os alinhamentos de Carnac (o caminho formado por menires isolados poderiam ter sido vários observatórios?); Stonehenge (apesar das divergências entre astrônomos e arqueólogos, a precisão dos locais de  megálitos  é muito grande para ser obra do acaso); as estátuas da ilha de Páscoa (mil delas, os moais, habitam na ilha; as pirâmides (o primeiro ocidental a penetrar na grande pirâmide no Egito foi o coronel britânico Howard Vyse em 1830, que abriu os corredores obstruídos com dinamite); o desaparecimento dos maias (o ápice da sua civilização se deu entre 625  a 800 d.C.); os reis franceses poderiam curar com o toque de suas mãos?; os cátaros (reencarnacionistas e “heréticos”, massacrados pela Santa Inquisição no século XIII, acreditavam que o mundo foi criado pelo demônio); Napoleão foi envenenado com arsênico?; a dançarina holandesa Mata Hari fuzilada na Primeira Guerra em 1917 espionava para os inimigos alemães? (como ninguém reclamou o corpo, após o fuzilamento, foi entregue à faculdade de medicina para dissecação); o misterioso Kaspar Hausar que ficou trancafiado 16 anos em uma casa no século XIX poderia ter sido filho de Stephanie de Beauharnais, filha adotiva de Napoleão?).

Objeto não identificado

Joana d´Arc escapou da fogueira? (com a cabeça coberta por uma mitra que a deixava irreconhecível, muitos acham eu a verdadeira Joana não foi queimada em 1431);.o czar russo Alexandre I teria sumido e assumido a personalidade de um vagabundo chamado Fedor Kusmitch?; os mistérios de Nefertite (Semenkhare, o faraó co-regente seria Nefertite?); Ramsés III foi assassinado por suas mulheres?; Tutancâmon e os 27 mortos que participaram direta e indiretamente da abertura de sua tumba; a guerra de Troia realmente aconteceu?; Homero existiu?; os fenícios estiveram na América do Sul? (mais exatamente na Paraíba, dois mil anos antes da descoberta do Brasil); Nero pôs fogo em Roma?; o Rei Arthur existiu?; a filha de Nicolau II sobreviveu ao massacre da família real russa?; Hitler era influenciado por sociedades secretas?; o que aconteceu com o cadáver do führer?; por que assassinaram Kennedy?; os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos foram forjados?