Catolicismo Renovado, a Virgem e Pedro Siqueira.

“Se você quer voar, primeiro aprenda a andar.”

Friedrich Wilhelm Nietzsche.

Em uma postagem anterior publiquei um vídeo e um pequeno texto sobre Pedro Siqueira, um advogado carioca, autor do livro “Senhora das águas”, que diz receber mensagens da Virgem, seja de Fátima ou de Medjugorje.  Com um livro no mercado, tocando um bom violão, e sendo um sujeito carismático (sem trocadilhos) como ele não poderia fazer sucesso?

Pedro Siqueira, foto Extra On Line.

Havia escrito sobre o assunto para o nosso blog, mas como eu ainda não o havia presenciado, isso me incomodava um pouco. Acreditar por acreditar é questão de fé, mas a pulguinha do repórter investigativo andava soprando no meu ouvido… Inclusive recebi vários tipos de mensagens dos leitores: uns incrédulos e outros querendo acreditar e muito. Andei pensando em testemunhar o encontro com Siqueira, que ocorre em um bairro perto de casa, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Gávea, mas me faltava o toque da sincronicidade, ou melhor dizendo, uma forcinha do destino. Como os encontros ocorrem na última terça de cada mês, decidi presenciar a reunião de hoje, terça dia 30 de agosto, por causa de dois empurrõezinhos: fiz aniversário dois dias antes – a proximidade me motivou – e a minha , já famosa, vizinha do andar de cima, me disse que a irmã dela estudara na sala do Pedro, no colégio, antes desse bafafá todo.

E há dois dias, li várias críticas dirigidas a Siqueira, por ele se apresentar apenas em igrejas da zona sul, a parte mais rica da cidade. Enfim… Decidi testemunhar in loco.

Ciente de que muitos fiéis chegavam à pequena igreja da Gávea às 14h para o encontro às 19h30, decidi chegar cedo também. Às 16h20 eu estava lá, mas a igreja já estava lotada. Me dirigi a uma cadeira de plástico, próxima à porta, para não me sentir muito enclausurado. Bem, minha formação é católica, e amo estar em igrejas. Por adoração e respeito, desliguei o celular e saí do ar até o fim do encontro. Literalmente saí do ar mesmo, pois me concentro, medito e projeto minha consciência para fora do corpo, como que estabelecendo uma conversa com o inconsciente, termo esse não muito católico. Se eu desliguei o celular, muitas pessoas não o fizeram e a generalizada falação no templo obrigava os organizadores a intervirem frequentemente ao microfone pedindo serenidade, e que inclusive  deixassem de marcar lugares vazios com bolsas para que idosos em pé pudessem sentar. “Gente, Jesus admira a caridade, deem uma forcinha aí que todos serão recompensados!”, ouvi pelos alto-falantes. Mas sabe como é, pessoas são pessoas. As mentes não serenam e as bocas tagarelam, transformando igreja em feira, no clube Piraquê. Projetado, eu ouvia tantas vozes, que minha cabeça doía. O clima estava bastante tumultuado e eu sabia bem o porquê, só me faltava comprovar. As pessoas querem acreditar, mas precisam de alguém especial para isso, precisam de uma ponte, seja uma religião ou uma pessoa, um “veículo”, um “condutor físico”. Curioso foi reparar a existência de uma igreja evangélica do outro lado da calçada, VAZIA, e a católica com tanta gente que saía pela rua. Havia até projeção do encontro, esquema telão na parede externa da igreja, com som amplificado, para os que não conseguiram entrar. A igreja? LOTADA!  Hora da caça, hora do caçador.

Atrasado, Siqueira chegou às 20h e contou rindo, uma história curiosa sobre o recente nascimento do filho. Um padre amigo do casal, nascido em 19 de agosto, data do milagre de Fátima (19 de Agosto de 1917), disse que devido a Siqueira (nascido em agosto) ter decidido com a esposa (nascida em agosto) dar ao menino o nome do padre, por causa disso, ele também nasceria no mesmo 19! Siqueira não acreditou, mas não é que o menino veio ao mundo em… 19 de agosto!  Incrivelmente, durante o terço conduzido por Siqueira, os presentes sossegaram as matracas, entre manifestações de quase fanatismo, que a meu ver, e sentir, tem menos a ver com “viver a fé” e mais com “precisar de provas para ter fé”.

 A palavra de Siqueira era venerada com a de um santo e a vibração do ambiente mudou completamente com a sua presença. Percebi que as mentes dos fiéis tornaram-se mais receptivas e serenas, acalmando o ambiente, não por que tivessem se educado em minutos, mas porque as pessoas só se concentram no que lhes interessa. A todo minuto alguém pisava no meu pé, se chocava com meus joelhos, me dava “ombradas”, e atrás de mim uma criança pequena me dava chutes nas costas, de tanta gente que insistia em entrar no recinto lotado, contrariando as contrariadas leis da física.

Durante uma hora, Siqueira rezou, cantou (bem por sinal) e entregou aos destinatários mensagens da Virgem, recados de conforto para casais em guerra; pais desesperados com filhos viciados; mães e filhos doentes e negócios quase falindo que não quebrarão. Siqueira, que vê e ouve a Virgem, cita os nomes dos presentes antes de lhes dar as mensagens. O advogado se dirigiu a uma moça que havia tentado se matar e lhe disse: “A Virgem te acompanha, tanto que ela sabe que sua cama é pequena, há um ventilador branco de teto e que seus chinelos estão em determinada posição, etc.”

De certa forma, Siqueira me lembrou Chico Xavier entregando psicografias, mesmo que os católicos mais católicos não gostem de ouvir isso. Mas não se diz que no Brasil, todo católico é espírita?

Às 21h, Siqueira encerrou o encontro e recomendou a todos rezar o terço. Na saída, ouvi uma testemunha, humilde por sinal, sem bolsas Louis Vuitton, relatar que ela havia recebido uma mensagem no encontro que presenciei. O que importa é que a “remetente” estava feliz. Se a questão é confortar as pessoas, um passo importante é dado por Siqueira e um passo que tem muito significado, mas enquanto as pessoas não aprenderem a andar sozinhas, como diz Nietzche, nunca poderão voar. E sempre serão projetos de pessoas, não pessoas livres, espiritualmente cônscias.

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AS SETE LEIS PARA O SUCESSO – parte IV

Quarta parte do livro AS SETE LEIS PARA O SUCESSO de Deepak Chopra.

A LEI DO MENOR ESFORÇO

 A inteligência da natureza funciona com um mínimo de esforço, com despreocupação, harmonia e amor. E quando aproveitamos as forças da harmonia, da alegria e do amor geramos sucesso e felicidade com um mínimo de esforço. Um ser integral conhece sem agir, vê sem olhar e realiza sem fazer.

Lao Tzu.

Lao Tzu

A quarta lei espiritual do sucesso é a Lei do Menor Esforço. Esta lei baseia-se no fato de a inteligência e a natureza funcionarem com um mínimo de esforço e total despreocupação. Este constitui o princípio da mais reduzida ação, da não resistência. Constitui, portanto, o princípio da harmonia e do amor. Quando aprendemos esta lição da natureza, realizamos os nossos desejos com facilidade. Se observarmos a natureza em ação, veremos como o esforço despendido é mínimo. A relva não se esforça Para crescer, cresce apenas. Os peixes não se esforçam para nadar, mas nadam. As flores não tentam florescer, apenas florescem. As aves não tentam voar, mas voam. É intrínseco à natureza. A terra não se esforça para girar em torno do seu eixo; faz parte da natureza. O estado de beatitude faz parte da natureza dos bebês. Brilhar faz parte da natureza do sol. Brilhar e cintilar faz parte da natureza das estrelas. Pertence à natureza humana fazer com que os sonhos se manifestem sob a forma física, com um mínimo de esforço. Na ciência védica, a ancestral filosofia da índia, que é conhecida como o princípio da economia de esforço, ou “faça menos e realize mais”. Acaba por Ir, dar a um estado em que não faz nada e realiza tudo. Isto significa que existe apenas uma tênue ideia e a manifestação dessa ideia surge sem esforço. Aquilo que vulgarmente se designa por “milagre”, na verdade constitui uma expressão da Lei do Menor Esforço.

Ganância

A inteligência da natureza funciona sem esforço, na fricção, com espontaneidade. É não-linear; é intuiticalística e estimulante. E quando uma pessoa se encontra em harmonia com a natureza, quando já, adquiriu conhecimento do seu verdadeiro Eu, pode aplicar a lei do Menor Esforço. Despendemos o menor esforço quando as ações são motivadas pelo amor, porque a natureza é estruturada pela energia do amor. Quando procuramos poder e controle em relação às outras pessoas, quando procuramos dinheiro ou poder, usamos a energia de que desfrutamos para satisfazer o ego, gastamos energias atrás de uma ilusão de felicidade, em vez de desfrutarmos da felicidade do momento. Quando procuramos dinheiro apenas para nosso lucro pessoal, interrompemos o nosso fluxo de energia e interferimos na expressão da inteligência da natureza. Mas quando as nossas ações são motivadas pelo amor, a nossa energia multiplica-se e acumula excesso de energia que possuímos e, que pode ser canalizada para criar aquilo que quisermos, incluindo riqueza ilimitada. Pense no seu corpo físico como um instrumento de controle de energia: ele pode gerar, armazenar e despender energia. Se souber como gerar, armazenar e desprender energia de modo eficiente, poderá criar toda a riqueza que quiser. A atenção dirigida para o ego consome uma grande parte da energia. Quando o nosso Ponto de referência interior é o ego, quando procuramos Poder e controle em relação às outras pessoas ou a aprovação dos outros, desperdiçamos as nossas energias. Quando essa energia se encontra liberta, pode ser canalizada e aplicada, de modo a criar tudo o que quisermos. Quando a alma constitui o nosso ponto de referência interior, quando nos tornamos imunes à crítica e deixamos de temer desafios, podemos aproveitar o poder do amor e utilizar a energia de forma criativa, no sentido da prosperidade e da evolução. Em The Art of Dreamíng, Don Juan diz a Carlos Castaneda: “… gastamos a maior parte da nossa energia para preservarmos a nossa importância. Se fôssemos capazes de perder alguma dessa importância, duas coisas extraordinárias aconteceriam. Primeiro, libertaríamos a nossa energia do esforço para mantermos a ideia ilusória da nossa grandeza; segundo, ganharíamos energia suficiente para captar um relance da verdadeira grandeza do universo.”

Aceitação

 A Lei do Menor Esforço possui três componentes, três coisas que pode fazer para pôr em prática este princípio de “faça menos e realize mais”. O primeiro componente é a capacidade de aceitação. A capacidade de aceitação requer apenas que estabeleça a seguinte regra: “Hoje vou aceitar as pessoas, as situações, as circunstâncias e os acontecimentos tal como eles ocorrerem.” isto significa que sabemos que aquele momento foi aquilo que devia ser, e como deveria ser. Esse momento pelo qual está a passar agora constitui o culminar de todos os momentos que viveu no passado. Esse momento é como é, porque todo o universo é como é. Quando luta contra esse momento, está de fato a lutar contra todo o universo. Em vez disso, pode tomar a decisão de hoje não lutar contra todo o universo, lutando contra esse momento.

Isso significa que a sua aceitação desse momento é total e completa.

Aceita as coisas como elas são, não como gostaria que fossem. É importante perceber isto. Pode desejar que no futuro as coisas sejam diferentes, mas nesse momento tem de aceitar as coisas como elas são. Quando se sentir frustrado ou aborrecido por uma pessoa ou situação, lembre-se de que não está a reagir a essa pessoa ou a essa situação, mas aos seus sentimentos acerca da pessoa ou da situação. Esses são os seus sentimentos e os seus sentimentos não são da responsabilidade dos outros. Quando reconhecer e compreender isto na totalidade, encontra-se preparado para aceitar a responsabilidade por aquilo que sente e para modificar os seus sentimentos. E se conseguir aceitar as coisas como são, encontra-se preparado para se responsabilizar pela sua situação e por todas as ocorrências que lhe parecem problemas.

"A culpa é sua!" Isso conduz-nos ao segundo componente da Lei do Menor Esforço: responsabilidade. O que significa responsabilidade? A responsabilidade significa não culpar ninguém, nem a si próprio, pela sua situação. Depois de ter aceitar determinada circunstância, ocorrência, ou problema, a responsabilidade significa a capacidade de ter uma resposta criativa à situação tal como ela se apresenta no momento. Se conseguir isto, todas as famosas situações problemáticas poderão tornar-se uma oportunidade para a criação de coisas novas e boas, e todas as pessoas atormentadoras e tiranas lhe servirão para aprender mais a realidade e constituir uma interpretação. E se escolher interpretar a realidade desta forma, aproveitará muitos ensinamentos e terá muitas oportunidades de evoluir. Sempre que tiver de enfrentar alguém tirano ou atormentador, um professor, um amigo, ou um adversário (todos significam a mesma coisa) lembre-se disto: “Este momento é aquilo que deveria ser.” Sejam quais forem as relações que tenha trazido para a sua vida, serão sempre aquelas de que necessita no momento que passa. Há Um significado oculto por trás de tudo o que acontece, e esse significado oculto serve a nossa evolução.

Distanciamento

O terceiro componente da Lei do Menor Esforço é o distanciamento, o que significa que o seu conhecimento se deve estruturar através do distanciamento e que deverá renunciar à necessidade de convencer ou persuadir os outros dos seus pontos de vista. Se observar as pessoas à sua volta, verá que elas passam noventa e nove por cento do tempo a defender os seus pontos de vista. Se renunciar à necessidade de defender os seus pontos de vista, por meio dessa renúncia ganhará acesso a imensas quantidades de energia que antes tinham sido desperdiçadas. Quando se torna defensivo, culpa os outros e não aceita render-se ao momento presente, a sua vida encontra resistência. Sempre que encontrar resistência, o melhor é reconhecer que se forçar a situação, apenas aumentará a resistência. Não deve manter-se rígido como os altos carvalhos que a tempestade quebra e derruba. Em vez disso, deve ser flexível como o junco que dobra durante a tempestade, mas sobrevive. Desista de todo de defender os seus pontos de vista. Se não tiver nenhum ponto de vista para defender, não dar ocasião a que surjam argumentos. Se praticar isto com consistência, se deixar de lutar e resistir, experimentará a plenitude do presente, que constitui uma dádiva.

 Alguém disse um dia: “O passado é história, o futuro, um mistério, este momento é uma dádiva.” Por isso este momento se chama presente. Se aproveitar o presente e formar com ele uma unidade, fundindo-se nele, sentirá um fogo, um brilho, uma centelha de êxtase vibrando em todos os seres vivos sensitivos. Quando começamos a sentir esta exultação da alma em todos os seres vivos, quando nos começamos a familiarizar com essa sensação, a alegria nasce dentro de nós, liberta-nos das terríveis amarras e obstáculos criados pelas pessoas defensivas, ressentidas e angustiadas. Só então sentiremos alegria, despreocupação, prazer e liberdade. Dotado desta liberdade simples e cheia de alegria, o seu coração sabe sem dúvida que você terá as coisas que deseja quando quiser, porque os seus desejos provêm do plano da felicidade, não do plano da ansiedade e do medo.

Não precisa de se justificar; reserve apenas a sua intenção para si próprio e conhecerá a realização, o deleite, a alegria, a liberdade e a autonomia em todos os momentos da sua vida. comprometa-se a seguir o caminho da não-resistência. Este constitui o caminho através do qual a inteligência da natureza se desdobra espontaneamente, sem fricção e sem esforço. Quando conseguir a delicada combinação aceitação, responsabilidade e distanciamento, sentirá o fluir da vida, sem nenhum esforço. Se nos mantivermos abertos a todos os pontos de vista, se não nos prendermos com rigidez a um único, os nossos sonhos e desejos fluem com os desejos da natureza. Então podemos libertar as nossas intenções, com distanciamento, e esperar pela altura própria para os nossos desejos se tornarem realidade. Podemos ter a certeza de que quando chegar a altura própria, eles se manifestarão. Esta é a Lei do Menor Esforço.

COMO APLICAR A LEI DO MENOR ESFORÇO

 Ponho em prática a Lei do Menor Esforço, seguindo estes passos:

 1 Terei de praticar a Aceitação. Hoje aceito pessoas, situações, circunstâncias e acontecimentos, tal como eles ocorrerem. Reconhecerei que este momento é aquilo que deveria ser, porque todo o universo é como deveria ser. Não lutarei contra todo o universo, lutando contra o momento presente. A minha aceitação é total e completa. Aceito as coisas como elas são no momento, não como eu gostaria que fossem.

 2 Depois de ter aceite as coisas como elas são, aceitarei a Responsabilidade pela minha situação e por todas as ocorrências que me aparecem. Sei que aceitar a responsabilidade significa não culpar ninguém, nem nada, pela minha situação (incluindo eu próprio). Também sei que em cada problema se encontra oculta uma oportunidade e o fato de me manter atento às oportunidades permite-me aceitar o momento que passa e torná-lo melhor.

 3 Hoje o meu conhecimento refere-se ao Distanciamento. Renuncio à necessidade de defender os meus pontos de vista. Não sentirei necessidade de convencer nem de persuadir os outros a aceitarem os meus pontos de vista. Permanecerei aberto a todos os pontos de vista e não me prenderei com rigidez a nenhum deles.

A Sincronicidade joga bola.

Sincronicidade esportiva.

Pois é… As nossas sincs “jogam bola” também.

E para corroborar o fato sincronicidade e futebol, relato a história vivida ontem. Porém, um cuidadoso aviso preliminar: antes de lerem este texto, os leitores que tiverem convicções futebolísticas arraigadas, e que não respeitarem as escolhas alheias, devem colocar as paixões de lado, convidar o bom humor a entrar em campo e deixar a sincronicidade apitar a partida .

Ontem, por volta de meio dia, desci para pegar um táxi em direção à Tijuca, um bairro carioca na zona norte. Nas duas vezes em que “pretendi” fazer sinal, alguém apareceu à minha frente e “papou” o táxi. Na terceira ou quarta vez, um táxi veio se chegando, meio sem eu pedir, na maciota e se acafifou. O motorista sorriu com rosto de “cheguei”.

Perguntei: “Qual é o melhor caminho para a rua Uruguai?”

O taxista perguntou: “Me desculpe, mas onde é a rua Uruguai?”.

“Na Tijuca…”

“Nunca vou a Tijuca, sempre “rodo” na zona sul e centro, mas vamos encontrá-la!”

“Que engraçado… Você é taxista há pouco tempo?”

“Trabalho desde os 18 anos!”

“E há quanto tempo não pega uma corrida para lá?”

“Há muito tempo. Nem lembro quanto.”

Em meio a viagem, para tirar uma dúvida sincronística, perguntei: “Qual é o seu time?”. Sempre faço essa pergunta, quando encontro alguém que suspeito ter sido “colocado à disposição”.

“Botafogo!”, sorriu.

“Eu também sou. Que bacana!”

E fomos “jogando” a nossa partida.

Já no bairro – para onde ele nunca vai – ele olha uma esquina e relembra sorrindo: “Semana passada, bem aqui, vi um senhor em um carro com escudo do botafogo, com camisa do fogão, bonezinho, flâmula, unhas pintadas de branco e preto e tocando o hino no som do carro, a toda. Muito figura!”

“Se essa é a maneira dele de ser alegre, de repartir a paixão com o mundo, ele tem mesmo é que fazer a diferença.”

Faltando pouco para chegarmos ao destino, entramos na rua em que meu avô morava: Mariz e Barros, já perto da Uruguai. Quase em frente à casa do vovô, o motorista olha para a janela e exclama: “Que coisa! Meu pai tá bem aqui na esquina!”.

“Tu tá falando sério? Você nunca vem pra cá e quando vem, vê seu pai?”

“Que coisa, né?”

“Pois é, deve ser a santa luz alvinegra dos botafoguenses que nos guia!”

Na verdade, pensei “santa luz das sincronicidades que nos guia!”.

Após me despedir do amigo-taxista, olhei a placa com o nome “Uruguai” e me lembrei de que três jogadores da seleção uruguaia, campeã da Copa América de 2011, jogaram e jogam no Botafogo.

O dia começou muito bem.

E nesse jogo, somos todos campeões.

SINCRONICIDADE do último dia de JULHO.

Phillips Arthur Wellesley

Postei a minha revista eletrônica O Martelo no domingo no último dia de julho às 16:37. Tinha me prometido que não iria chegar a agosto sem ter fechado a  nova edição. Amo cada grande livro que leio para fazer a revista, cada texto com o qual aprendo mais, faço o que amo, me delicio.

Certa vez alguém me perguntou para que faço o Martelo se não ganho nada com ele, financeiramente. Respondi com naturalidade que em primeiro lugar me dá prazer, me incentiva a estudar mais e que é minha forma de dar amor, de contribuir. Umas pessoas atendem aos necessitados do corpo, outras da alma, certo dia comprendi que o que eu fazia era minha contribuição, exatamente mostrando que é possível falar de arte, cultura e espiritualidade sem ganhar nada com isso, no sentido material, externo, mas ganhando muuuuiiitttooo mais em termos globais, internos, invisíveis.

A pessoa me confrontou com uma cara de que eu era um doido. Pois bem, vi nos olhos deles, a imaturidade, a superficialidade e não o mau caratismo, mas convicções bobas baseadas em coisas que não me dizem respeito.

Enfim, a vida é um eterno aprender.

À noite, assisti a um programa na TV que amo, amo, amo: Caçador de Múmias com o durão arqueólogo Zahi Hawass. Adoro a impaciência dele com os “mortais”, pois ele ama muito o que faz (por isso o apelidaram de Faraó) e eu o compreendo. Arqueologia é uma missão para ele, para a maioria é divertimento, profissão para “tirar onda”. Mas meus amigos, entrar em um buraco dentro da Grande Pirâmide, onde só se passa apertado e no qual se pode ficar entalado, não é para qualquer um. Eu assisto ao programa, mas fico tenso, com tanto aperto, baratas egípcias e escuridão. Sabe os filmes de terror com os quais se toma susto? Não tomo susto, mas me dá uma aflição danada, como ser emparedado nos livros de Edgar Allan Poe. Sempre penso nos mártires, câmera man e iluminador que são nossos olhos e ouvidos para gravar esses programas, que loucura.

O doutor Zahi Hawass entrou em uma câmera no interior da Grande Pirâmide com 3 estagiários (fora o iluminador e o câmera). Era impossível ficar de pé dentro do espaço, apenas encurvado.

Ele fala para os jovens: “Vejam essa inscrição!”

No teto de uma das câmaras descobertas pelos ingleses no Egito há quase 200 anos, estava escrito na pedra, um nome e uma data, 30 de março de 1837. Na verdade a descoberta foi batizada com o nome de um famoso cidadão britânico.  Os arqueólogos do século XIX não tiveram problema algum em escrever em letras garrafais sobre a passagem deles e a subsequente descoberta. Hoje em dia, essa “adição” seria impensável.

O nome escrito pelos ingleses na câmara egípcia era Arthur Wellesley, 1° Duque de Wellington, o general britânico que derrotou Napoleão na batalha de Waterloo em 18 de Junho de 1815.

Na nova edição de O Martelo, postada no mesmo dia do programa, há uma matéria sobre o Duque de Wellington.