DESCOBRIDORES DO INFINITO – A Vida Espiritual de Atletas Radicais e Suas Experiências de quase Morte, Paranormal e o Contato com o Além

DESCOBRIDORES DO INFINITO – A Vida Espiritual de Atletas Radicais e Suas Experiências de quase Morte, Paranormal e o Contato com o Além – Mary Coffey – 256 páginas – Lafonte.

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A premissa deste livro é fantástica e de certa forma, “incômoda” para os cartesianos: de que a prática de esportes radicais pode levar os desportistas à experiências com o divino e em alguns casos, de quase morte. E.Q.M. são estágios em que a nossa consciência parece sair do corpo físico, mas nos quais não há morte. Ao planarem sobre os corpos, que dormem ou estão inconscientes, as consciências despertas nos dão a dimensão de que o corpo é apenas uma parte e não a totalidade, e nos mostram que a consciência age independentemente do corpo. É bastante comum, retornar à vida com as lembranças da experiência, com as memórias do quase “pós-vida”.

A sobrevivência dos esportistas depende de manterem o foco constante e a atenção na escorregadia natureza. Um acidente ocorrido em uma fração de segundos, os faz recorrer à experiências passadas. Esse é o processo que os estudiosos chamam de “fatias finas” em que são descobertos padrões em situações e comportamentos baseados em segmentos muito exíguos da experiência. É o que se chama de intuição, ou melhor ainda, de “saber sem saber”. Uma experiência incrível que a autora teve, e que não conseguiu explicar racionalmente, foi a de ter sido ajudada pelo “espírito de um rio”, que impediu que bandidos a assaltassem. A autora e jornalista inglesa Coffey escreve colunas sobre esportes radicais e também pratica algumas dessas modalidades. Ela nunca havia pensado em semelhante tema antes, assuntos espirituais, mas apesar de sua anterior incredulidade, ela confessa que só se deu conta do assunto, ao viver 3 experiências, sendo que a mais forte delas ocorreu em uma viagem. Ao escalar o Scafell Pike, na Inglaterra, Coffey sonhou que o namorado, que estava escalando o Everest no Himalaia, havia morrido. De fato, três semanas depois, ela comprovou a morte do namorado, durante a tal escalada no Himalaia. Fora que, mesmo desencarnado, o namorado voltou a visitá-la e isso acabou com as suas dúvidas. Essa experiência a levou a pesquisar o assunto e surpreendentemente ela comprovou que durante a prática de esportes radicais, nos momentos mais extremos, alguns praticantes têm experiências de cunho espiritual. Entre os entrevistados, pelo menos os que resolveram falar e deixar os pudores de lado, havia mergulhadores de profundidade (Tanya Streeter, campeã mundial), alpinistas (Dean Potter), paraquedistas, praticantes de voo livre, surfistas, o montanhista himalaico Lou Whittaker, o piloto de longa distância Dick Rutan, e o pioneiro no esqui Kristen Ulmer, entre outros. Para embasar a pesquisa, a autora buscou análises de cientistas, além de estudar filosofia e espiritualidade. Em uma pesquisa feita pelo instituto Gallup nos Estados Unidos em 2005, entre mil entrevistados, 47% acreditam em percepção extrassensorial; 32% em fantasmas; 26% em clarividência e 21% na possibilidade de contato com os mortos.

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 Depoimentos:

“Passei boa parte dos meus 20 anos me drogando. Quando fui apresentada à escalada no gelo, descobri um novo tipo de risco, que canalizava minha energia desassossegada. Escaladores são viciados, não na atividade em si, mas no estado mental, que a escalada lhes proporciona. Hoje sei que escalar e fazer o trabalho espiritual são atividades que se completam, uma alimenta a outra. Estava em meditação profunda, quando chegaram as mensagens da minha amiga Karen McNeill, que havia desaparecido durante uma escalada. Oficialmente, o pessoal da expedição que foi procurá-las, disse que ela e uma amiga foram derrubadas pelos ventos da montanha. Recebi visões de como ela havia morrido e foi dentro de uma caverna. McNeill me enviou visões do que ela havia vivido, antes de morrer. Eu a via tão relaxada quanto possível, em uma caverna no gelo. Captei o medo e a ansiedade dela, ouvi o ronco dos aviões em sua busca. O que ela queria é que recuperassem o seu corpo e essa era a minha missão.”

(Margo Talbot)

“Fui guiado durante uma terrível tempestade no K2, o segundo pico mais alto do mundo, com o auxílio de espíritos das montanhas e do fantasma de um escalador que tinha morrido naquela encosta. Uma coisa eu sei: depois que você tem essas experiências, fica mais fácil passar por elas novamente. Você abre o canal. Por isso é que eu queria escalar sozinho e indo por trilhas tão difíceis. É uma espécie de vício espiritual.”

(Carlos Carsolio, escalador mexicano)

“Senti que estava sintonizado com algo muito maior do que eu mesmo, algo muito maior do que o planeta visível pela janela do console da Apollo 14. Algo incompreensivelmente grande. Até hoje, aquela percepção ainda me tira o fôlego… olhando mais além da Terra e enxergando a magnificência do panorama todo, tive um instante de compreensão de que a natureza do universo não era o que tinham me ensinado. Minha noção de separação, da relativa independência do movimento daqueles corpos cósmicos, foi feita em pedaços. Fui inundado pela sensação de uma nova compreensão, associada à experiência de uma harmonia generalizada, à interligação com os corpos celestes em torno de uma espaçonave… lembro vividamente de saber que eu estava separado das estrelas e dos corpos planetários, mas ao mesmo tempo saber que eu era uma parte integrante do mesmo processo. Não havia uma sensação de união e totalidade com o cosmo, mas de dualidade.”

(Edgar Mitchell, o sexto homem a pisar na Lua em 1971)

 

 “Um instante antes de Thomas entrar no carro, para subir ao penhasco a 480 metros e saltar de paraquedas, eu me aproximei para lhe dar a mão. Só que isso não era uma coisa que eu normalmente fazia. Thomas reagiu de uma maneira também incomum, ele fincou os olhos em mim e disse: “Nunca mais me olhe desse jeito.” Thomas entrou no carro sem falar nada e se foi. Vimos quando ele correu pelo ponto de saída e o perdemos de vista. Alguns segundos depois, meu celular tocou. Era uma das pessoas da equipe gritando. Thomas tinha aberto o paraquedas muito depois da hora. Quando seus olhos ficam travados em outra pessoa, às vezes você vê um espelho de si mesmo. “Nunca mais olhe para mim desse jeito.” Meia hora depois de Thomas ter dito isso, ele estava morto. Eu acredito que eu tive uma premonição da morte e isso transpareceu no meu olhar, que Thomas percebeu e isso confirmou, em algum nível, o que ele já sabia.”

 

Trecho de entrevista com a autora para mteverestmindcamp.wordpress.com.

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Como você descreve a importância dos insights em suas viagens pelo mundo?

 Eles me ajudam a entender que o meu impulso espiritual está conectado à Terra, à natureza. Quando nos aventuramos em explorar o mundo selvagem, deixamos a segurança de lado e nos conectamos à intuição, que reproduz o estado em que nossos ancestrais viviam, quando o perigo era mais presente. Esses caçadores viviam em um estado de constante perigo, o que fazia suas intuições serem mais fortes e em maior harmonia em um meio ambiente que venera os elementos, os animais selvagens. A vida deles era conduzida pela espiritualidade conectada à terra. Isso ainda está dentro de nós, e explica por que pessoas se reencontram em locais distantes, se reconectam quando estão nesses lugares. Quando eu estava praticando caiaque na Índia no rio Ganges, fiquei profundamente comovida pelos rituais que vi ao longo do caminho, como os peregrinos fazendo lingams, o símbolo fálico de Shiva, na lama e os espargindo com flores e os oferecendo em suas mãos ao sol nascente. Durante nossa viagem de seis semanas, segui a tradição hindu de me imergir três vezes no rio a cada dia, para pedir a proteção à deusa que eles acreditam viver em suas águas. Foi um ato instintivo. Depois eu perguntei se estava enlouquecendo, mas o meu trabalho com o livro, me mostrou que eu simplesmente havia percebido minha ligação profunda com a terra, com o rio no qual eu estava viajando. Ah, e por falar nisso, eu nunca fiquei doente naquela expedição, apesar de todas as imersões e de ter bebido a água do Ganges em várias ocasiões!

 

Em sua entrevista na rádio com a Oprah, você menciona que ao entrarem em contato profundo com a natureza, alpinistas e outros aventureiros fortalecem a intuição interior ou o sexto sentido que todos nós temos, ainda em estado adormecido. Para alguém que não está inclinado a ser atlético ou aventureiro, como se pode descobrir e despertar esse sexto sentido na vida cotidiana?

A abertura a esse sexto sentido pode ocorrer em uma experiência de quase morte, através de um luto ou experiências extremas. Hoje, percebo que se abrem canais para outros reinos de consciência. Mais tarde, quando expandi meus próprios limites durante uma das expedições de caiaque, eu me conscientizei disso novamente. Para ter contato profundo com a natureza, não é preciso que você se atire de um penhasco. Isso pode acontecer no seu quintal ou na sua varanda. O que poderia ser mais elementar do que plantar uma semente no solo, alimentar o crescimento da planta, comer seus frutos ou desfrutar de suas flores? A chave é estar aberto ao milagre e prestar atenção. Da janela do seu apartamento, se pode prestar atenção aos ciclos da lua, para que direção o vento está indo, como as mudanças das nuvens pressagiam uma mudança no clima. Você pode estar em qualquer cidade e pensar em como uma árvore cresce em meio ao concreto, e em todos os pássaros que se abrigam em seus ramos. Ou, simplesmente, como é maravilhoso estar de pé em um planeta que está girando através do espaço!

SINCs do dia-a-dia

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Comentei sobre o filme espírita “Nosso Lar”. No dia seguinte, cruzei com o ator Fernando Alves Pinto – que trabalhou nessa película – descendo a esquina de casa.

Lembrei do caso do Imperador Maximiliano de Habsburgo-Lorena (primo-irmão de D. Pedro II, que pretendia se casar com Dona Maria Amélia, filha de D. Pedro I. O matrimônio não teve continuidade por causa da morte da princesa). Maximiliano foi elevado à Imperador do México, pelos franceses que o abandonaram à própria sorte. Maximiliano acabou por ser fuzilado pelos mexicanos. No dia seguinte, liguei a TV e assisti “por acaso” a um documentário sobre o pintor Édouard Manet que tornou mundialmente conhecida a cena do fuzilamento.

Pensei em determinada pessoa que não ouvia falar há mais de um ano, ela enviou um e-mail; depois pensei em outra (“Bem que ela poderia aparecer nessa hora”) e ela enviou outro e-mail no mesmo dia, algumas horas depois.

Para evitar fofocas e maledicências, opto por não esconder nada que possa ser mal interpretado (e muitas vezes, ocorre mesmo assim). Só de pensar nisso rolou um disse-me-disse. Expliquei o meu ponto de vista, antes que falassem mais do que eu havia dito. São as coisas chatas da vida que devem ser feitas. Nada a ver com quebra de confiança ou de promessas, foi uma conversa limpa e clara sem intermediários. Quando isso volta a acontecer sempre opto pela conversa, mas nunca deixo o meu ouvido ser lotado de reclamações que descarregam a pessoa e me sobrecarregam. Se a pessoa entender, ótimo, se houver um diálogo, ótimo. Caso contrário que cada um siga o seu caminho. Não é um processo indolor, mas separa alhos e bugalhos, o que sempre é melhor do que manter pessoas unidas à força. No mínimo, o processo de amadurecimento ou ruptura seguirá o seu caminho e a situação não mais ficará estagnada. Quando a sincronicidade indica esse caminho é o que faço.

Sonhei com determinada pessoa. Como era uma energia ruim, preferi dar crédito a este sentimento inconsciente. Sem julgar muito o significado, mas tendo que fazer algo, para não me culpar depois, cancelei o encontro.

Há “amigos” de muitos anos que a gente até gosta, mas que mais aturamos do que realmente gostamos. Há os lamurientos, os exibidos, os carentes, os convencidos, mas há uma espécie que são os que reclamam de tudo, falam mal de todo mundo, te criticam sem parar e se acham seres superiores. Como no exemplo acima, não faço nada para magoar a pessoa até que o sinal vermelho é aceso. A pessoa me prometeu mil coisas, me fez assinar documentos e nada fez, me metendo em uma “pretensa” enrascada, que na verdade me amadureceu. Peguei tudo que pertencia a essa conhecida, meti em um saco e deixei com ela sem dar muitas explicações. Foi para “causar”? Claro que não. Acho que a maior explicação do que esse movimento não existe. Achei indigno jogar no lixo e também não queria mais dar uma de b….a. O movimento, me parece, que foi bom para ambos, se encaixou no padrão de cada um: eu segui o meu caminho, e a pessoa retornou a um estágio anterior sobre o qual ela sempre reclamava comigo.

Estava editando um vídeo gravado na cidade de Santa Isabel, interior de São Paulo e parei para descansar. Liguei a TV e estava dando um caso de disco-voador na cidade de…

Um amigo tem um monte de “medos” e um deles é andar de pedalinho – na água. Ele tem pavor de afundar. Prometi que lhe daria um presente caso ele aceitasse entrar em um pedalinho comigo no final de semana. Após anos de insistência ele topou. E qual não foi a nossa surpresa quando toda a água do lago do pedalinho evaporou por causa da seca que assola o sudeste do país?

De manhã, vi na TV que o beija-flor come duas vezes o seu peso. Sorri e pensei: “Daqui a pouco virarei um deles de tanto comer!”. Horas depois, à tarde, saí para comer. Subi até o terceiro andar de um prédio. Escolhi uma mesa, cercada por várias outras, todas lotadas. Um beija-flor surgiu do nada e estacionou em cima de minha mesa, durante microssegundos. A cena foi tão intensa, que aquele instante mínimo parecia em meu coração um longa-metragem.

Pai Nosso no metrô

No último dia útil de 2014, os operários e engenheiros se reuniram nas obras do metrô carioca para rezar um Pai Nosso. Nesse momento não importa a luta de classes, a religião, o time de futebol ou o governo. Terminar o ano, inteiros, é uma espécie de missão para todos. Entre conquistas, aprendizados e dificuldades lá vamos nós para mais um ano, sem mágoas e culpas. Agradeço a Deus todos os dias por mais um dia. Peço sempre menos e agradeço cada vez mais.

 

O GUERREIRO E A BALANÇA

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Sincronicidades são como sinais de uma vida interior pulsante.

Há alguns anos, talvez uns cinco, uma ideia para um projeto começava a me cutucar. Fui deixando que cutucasse mais – e que tomasse forma – e de tempos em tempos tentava imaginar como poderia fazê-la acontecer. Em primeiro lugar, e sem temor de ser criticado (o que de fato ocorreu) falei com algumas pessoas sobre a ideia. Ninguém deu muita importância. Acharam legalzinho, etc e tal, mas não viram viabilidade e para variar, me olharam como um sonhador. Ou um estranho. Mas nada disso me fez ficar chateado ou me desviar do “sonho”. Afinal de contas em primeiro lugar todo sonho é seu e depois vira realidade coletiva.

Fiz o que pude dentro de minhas possibilidades, sem parar de acreditar. Os lapsos de tempo ocorriam em função das demandas profissionais e pessoais. Às vezes deixava a ideia descansar, mas não parava de pensar nela e nem deixava que a afeição acabasse. Entre descansos e retomadas, fui adaptando a ideia às situações que surgiam. Desde o início do projeto, minha vida – e eu – parece ter mudado completamente. Objetivos mudaram, percepções de mundo se alteraram, separei mais alhos e bugalhos e o projeto continuava lá, em seu cantinho, hibernando. Hoje, consegui concretizar uma parte desta ideia, graças a sincronicidades que ocorreram muito intensamente há um ano. E é claro, que as sincronicidades de hoje estão fortemente ligadas, conectadas a eventos misteriosos ocorridos no início dos anos 2000. Ou seja: nada ocorre à toa, nada surge do nada. O nosso hoje é fruto de nossas percepções e escolhas. É como o Labirinto do Minotauro.

O meu lema é nunca desistir. Adaptar sim, mas nunca abrir mão do que teu coração, que a luz no âmago de sua alma, te aconselha a fazer. Saber ouvir a voz interna e fazer por onde. Não se deve ser orgulhoso de forma negativa, teimoso, é necessário saber ouvir, assim como é importante correr riscos, mas também é importante saber discernir. E no fundo do seu coração, longe de maledicências e achismos, há sempre uma voz de mãe para te guiar. Essa voz tranquiliza e também pode te preparar para tempos difíceis, mas parte da jornada que o guerreiro precisa enfrentar, para crescer, talvez mais internamente do que externamente, é nada temer. Ser sábio para seguir em frente com cuidado, mas nunca deixar o temor obscurecer a sua visão. Excalibur é sua. Mas não é para matar, para ferir quem quer que seja. É para servir de balança, a balança da vida. A jornada é como uma balança que pende de um lado a outro, até alcançarmos o desejado equilíbrio entre espírito e matéria. E este guerreiro, que ergue a balança, é você. Seja como a pomba e a cobra, aprenda a dobrar o seu corpo como junco ao vento, mas não deixe que o quebrem.

Irmão, Seja bem-vindo à fraternidade.

Premonição

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Um amigo lembrou do seu antigo professor de educação física da época do colégio, que não via há várias décadas.  Ele me perguntou se uma lembrança, sem motivo aparente, poderia significar algo. Disse que dependia do caso, mas que provavelmente haveria alguma ligação, de alguma espécie, com o professor. “Mas eu nem me dava com ele!”, o amigo exclamou. “A gente nunca sabe…”, respondi.

De onde acessamos essas lembranças e por quê? Por qual motivo? A memória inconsciente pode não fazer parte do HD que carregamos conosco (o cérebro físico). Se guardássemos todas as memórias, alegrias e tristezas em nosso cérebro, talvez este HD interno explodisse. Então, o cérebro parece servir mais a propósitos próximos e práticos, para que lembremos e acionemos os dados mais pertinentes e necessários a nossa sobrevivência. As outras memórias – conscientes ou não – ficam gravadas em um HD universal externo ilimitado que pode ser acessado em determinadas circunstâncias.

O amigo nunca parou para se preocupar com essas coisas, sempre me diz que quando eu falo sobre isso, ele se assusta um pouco e que “é demais para a cabeça dele.”

Menos de uma semana depois de nossa conversa, o amigo me liga desesperado: ele havia recebido uma carta enviada pelo colégio comunicando a todos os ex-alunos, o falecimento do professor de educação física.

TODA AÇÃO TRAZ UMA MISSÃO

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As melhores lembranças da vida são as agradáveis. É por aí mesmo. Rir é melhor do que chorar. Mas são as crises que nos fazem crescer ou cair no buraco de vez. É válido não esquecer os acontecimentos difíceis ou ruins, faz parte, nos ajuda a não repetir certas coisas, a seguir em frente. Viver só a alegria ou só a tristeza total, e sem entender o porquê, é uma péssima escolha. O equilíbrio entre os dois extremos é importante para a saúde mental, física e espiritual. Mas cada um que sabe o que é melhor para si, não dá para impor nada a ninguém. Dá para fazer tudo certo? Claro que não. Somos imperfeitos, porque perfeição não existe, ser imperfeito não é uma escolha nem opção, é como somos. E fazer o nosso melhor, quando você quer, sempre é uma missão. O defeito que você vê no seu amigo ou parceiro e que muito o incomoda, deveria servir para a compreensão de quem você é e como você age. Se você fizer um pouquinho de força, e conseguir se colocar no lugar do outro, com as limitações do outro, ajuda muito. Quando não der mais para perdoar, ou aturar, o melhor é dar tempo ao tempo, ou cair fora ou até mesmo aguardar que o próprio mundo dê algum jeito. E toda ação traz uma lição.

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Assim como o tempo marcado pelo A.C. e o D.C., o antes e o depois, marco o desenrolar da vida com fatos importantes, agradáveis ou tristes e consigo ter uma visão mais ampla do que fui, sou e provavelmente serei. Ajuda muito a me entender quando revejo o passado e analiso as consequências. Para isso, delimito o tempo com “após” e “antes” de tal fato.  Dá para entender direitinho, o que era só fase ou o que é a sua personalidade; se foi uma conclusão particular, sua, própria, ou se a escolha foi influenciada pelo meio ambiente. Nessa análise, nessa revisão de vida, obviamente, entram muitas sincronicidades que revistas a posteriori, nos mostram conclusões até mesmo inusitadas. A conclusão que gosto mais, é a que tudo o que vivemos hoje está intimamente ligado a fatos do passado, que vem desde a infância. Você crê que a escolha que você faz hoje é derivada da sua percepção de adulto vivido, mas não é apenas: ela também é consequência de histórias (pode mudar a  palavra para “crenças”) que você viveu. Mamãe costumava se explicar dizendo que “mas é assim que me explicaram” ou “mas foi assim que me ensinaram”, sem se dar conta que dá para rever tudo, até mesmo o que nos ensinaram, porque foram ELEs que ensinaram e não NÓS que aprendemos.

O que vimos e vivemos no passado influencia, inconscientemente, tudo o que virá. Por exemplo, hoje, você pode viver uma situação igual a de um livro que você leu há 20 anos, ou a sua vida atual pode estar se desenrolando sincronizada com as histórias de uma novela gravada há 36 anos! Ou pode ter sido influenciado por algo que falaram ao largo, quando você tinha apenas 10 anos e na época você não entendeu nada, mas ficou guardadinho no seu interior, aguardando o momento para aflorar. Sim, isso é possível. Isso é mais real do que a realidade. Muita gente, e porque não, encontra a verdade nas páginas da Bíblia, mas olha só: você pode ouvir a palavra de Deus através de uma novela. Assim como você pode perder o seu tempo com as duas, caso você não entenda o que está acontecendo e que continue aceitando o que “te ensinaram”. Essas palavras, isso que escrevo agora, também, podem ser interpretadas conforme a sua conveniência. Tem quem parta logo para o colo de Satã, e diga que todo o mundo atual é uma droga por causa do seu namorado, da sua mãe, do catolicismo, do judaísmo, do Brasil, da Dilma, do PT, do PSDB, dos muçulmanos, dos nigerianos, da Argentina, dos EUA, da Rússia, etc, etc, etc. Tanto faz o nome. Estamos todos conectados? Sim. Se um país rico espirra, o pobre pega gripe? Sim. Mas dá para ser diferente, fazer diferente e mesmo assim interagir com o mundo sem que ele mande em você, 24 horas por dia. A questão é você e não os outros. Isso não tem nada a ver com egoísmo, que é uma história completamente diferente, tem só a ver com escolhas, motivadas por valores aprendidos ou ensinados. John Lennon dizia uma coisa forte, e típica de sua época: que não há fronteiras. Que fronteiras e países são ilusões, porque foi como NOS ensinaram. Todo mundo sabe que no mundo “real” há fronteiras, mas todos gostaríamos que não houvesse fronteiras, porque somos todos irmãos, celularmente falando. Todos somos energia, células, átomos. E quando vistos do espaço, somos mais células ainda. Aí sim não mais diferença entre humanos e animais.

Você tá chateado? A sua vida é uma droga? A de muita gente também é, por várias razões, mas eu tenho os meus motivos e eles os deles. Não dá para generalizar. Todo mundo é um universo. Mas, só dói mesmo quando cai na sua cabeça ou dói no seu bolso. Mas dá para você escolher o caminho a  seguir, mesmo debaixo de um bombardeio. Não se esqueça, nunca, que estamos todos ligados, conectados. Ninguém vive sozinho, porque para a água sair pela sua torneira, você depende de gente que você nunca conhecerá, mas que afeta a sua vida diariamente. Mas a escolha é sua. E a consequência também. Toda ação traz uma missão.

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Em Rota de Colisão

Assisti a um filme americano inspirado em histórias reais. “Em Rota de Colisão” (Stuck – 2007).

A trama gira em torno de uma enfermeira que atropela um morador de rua. Vi o filme sem saber do título. A enfermeira dirigia o seu carro à noite, preocupada em falar com o namorado ao celular.  Focada em seus próprios interesses, ela atropelou um desempregado obrigado a viver na rua por não ter dinheiro ou emprego. O corpo do desempregado atravessou o vidro do carro e a mulher não parou: levou o carro com o corpo para casa à noite e deixou ambos, o carro e o corpo atravessado no vidro, na garagem, para transar com o namorado. De manhã, a enfermeira foi ao emprego em um hospital e não falou nada para ninguém. Voltou para casa apenas para pegar o celular e não para salvar o homem, que pedia ajuda. Imaginem que a enfermeira tentou de tudo para sumir com o corpo, preocupada apenas com o emprego, no qual ela cuidava de velhinhos e salvava vidas.

Há uma teoria, não descabida, de que ver, ler e assistir a determinados filmes nos liga a situações mentais involuídas, que não nos fazem crescer. Que nos fazem perder tempo. Também é, também pode ser. Mas a vida não é só trabalho, é respiro. Alguns se alienam com coisas “sérias”, outros com “prazeres”. Aí é com cada um. E tem a ver com a experiência que cada um pode e deve vivenciar. Não sou dono da verdade, mas sou o responsável e aprendo com as consequências das minhas escolhas.

Este blog é principalmente, um espaço para depoimentos, pois as sincronicidades, uma mais “absurda” do que a outra, ocorrem diariamente. Que cada um analise se as suas escolhas ainda fazem sentido para você. Para muitos, a vida é um “baile iluminado”, para outros é “um parto”. Para este que vos escreve, a vida é a vida.  E pode mudar em um segundo. A sincronicidade faz parte da vida. Pessoas vêm e vão. A vida prossegue. E a maior lição que duramente aprendo é ter paciência. E “ficar vendo sinais” não resolve. Mas ajuda.

Trailer em português: 

Stuck em francês: 

Documentário sobre a filmagem de Stuck e os fatos reais:

Para quem se interessa por histórias reais e semelhantes, aconselho o filme sobre a vida do escritor, Donald Walsch, dos livros Conversando com Deus.

Poesia 2014

encontros

2014

 (Carlos Lopes)

Pacientes, os anjos me fizeram crer

Que dos mortos em vida

Pudesse eu me erguer

Chegaram a me ligar, acreditem

De celular

Sussurraram que “chegara a hora”

Será?, duvidei torcendo sem demora

Subindo a montanha vi que topo não havia

Que nem regresso haveria

“Sois vós, o nosso irmão”

Foi o que disseram

“O anjo da morte que mata a toda ilusão”

Logo eu, que me encontrava

Entre lapsos descontínuos

Sem saber como proceder

Desci de casa em passo reto, contínuo

Atravessei tonto, a faixa àquela hora

Durante a travessia

Que nem Caronte, a moeda queria

Vem o conhecido estranho que me olha

Ao afundar-se em meus olhos

Soube ele ter chegado a hora

Sobressaiu-lhe um desgosto profundo

Desejará ainda aproveitar o que lhe resta neste mundo?

A cada segundo, senti-lhe mais culpado

Nos olhos do consulente, o vi completamente desarmado

Sem poder falar, anunciei-lhe calado

É chegada a morte da ilusão

O fim do ser amado

Após a faixa me ter atravessado

Como punhal cravado em dor

Parei na esquina sozinho

E percebi que um silencioso calceteiro se dava por satisfeito

Por ter terminado o caminho

Para que o atravessasse

O seu amor

De direito

 

Sincronicidade Musical

Ontem, aqui em casa, um amigo comentou sobre a falta de espaço para o músico autoral no Rio de Janeiro e como, muitas vezes, há mais espaço para o artista brasileiro no exterior do que em seu próprio país.

Mal ele saiu, pensei em enviar-lhe alguns vídeos sobre a questão. No Canal (a cabo) Curta! estava sendo exibido um documentário sobre o renascimento da Bossa Nova no Japão.  Fui ao YouTube coletar os links do mesmo documentário. Mal copiei o terceiro link, o player do vídeo começou a tocar. Como que por encanto, a TV ao vivo e o link virtual sincronizaram-se.

A CARTA DA MORTE

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Tenho por hábito tirar uma carta (dos arcanos maiores) de tarot, de manhã cedo, para que no final do dia, eu possa estabelecer uma correlação entre o arcano e o “resultado” (e a devida compreensão) das 24 horas. Muitas vezes, fico semanas sem tirar uma carta, ainda sentindo que a leitura dada pelo arcano, ainda não se desfez.

Esta postagem comenta uma carta do jogo de tarot, tirada “ao acaso”, e que me fez pensar mais uma vez sobre a vida. E a morte.

A partir dos 20 anos, realizei muitas coisas, e apesar dos conflitos internos, e das divergências. Ainda desejava realizar algo “dentro” deste mundo, realizações mais externas do que internas, por assim dizer. A década de 90 foi um período de estudos esotéricos, fenômenos e participação em  fraternidades e grupos espiritualistas. E comparativamente, o eu de hoje, ao analisar o eu do passado, “o vê” como um “produto do seu tempo” ou do tempo “dele”.  A cada nova década de vida, e principalmente após os 40 anos, deixei de acreditar em muitas coisas, e incrivelmente o mundo se tornou mais mágico.

Hoje, espero menos do mundo e das pessoas. Essa grande diferença – aprendida a duras penas, não nego  – é um dos caminhos para o desapego.

Esqueci de falar… Tirei a carta da morte.

Para quem a vivencia, a carta da morte é mais do que uma chance para mudar: é simplesmente a morte do que já não tem vida, é o fim do que não é mais necessário, do que não existe. Se recebemos a morte de braços abertos, ela apenas se comporta como um farol que alerta os navios para que não se percam no mar. Caso, se deseje correr da morte, aí sim, talvez o seu navio se choque nas rochas e afunde.

XIII-Morte

O alcance da morte é inusitado, pode não ter nada a ver necessariamente conosco, mas com as escolhas que fazemos e o universo criado – por nós – a nossa volta.

Vivenciei várias “mortes” nesta última semana, após a leitura da carta.

1 – Na última postagem falei sobre um parque público, no qual fui meditar há uma semana. Há uma belíssima mansão no local, cujo proprietário a mandou erigir na metade do século XX, para a mulher, uma cantora de ópera italiana. Ao estudar a história do parque, e da casa, encontrei o seguinte trecho:  “A escritora Marina Colasanti é sobrinha-neta de Gabrielle, a dona da casa.”  Marina é irmã do ator Arduíno Colasantique faleceu há 3 dias.

2 – No final de semana, assisti a uma entrevista do cantor Alceu Valença, na qual ele citava o violonista Paco de Lucia. Hoje, 3 dias depois, Paco falece no México.

3 – Há um vídeo na internet sobre o bate-boca entre um cineasta e um manifestante vestido de Batman, na porta de um shopping no Rio de Janeiro.

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O encontro ocorreu há mais ou menos um mês. Há duas semanas encontrei esse cineasta na esquina de casa e batemos um papo. Anteontem, antes de dormir, dei uma zappeada nos canais e vi que iria ser exibido um filme bem conhecido desse cineasta. Decidi assisti-lo. Um dos personagens era um vovó que não falava e que estava sempre em sua cadeira de rodas, assistindo a TV. Certa noite, os netos o encontram morto na sala: havia falecido em frente à TV… Um dos atores deste (grande) filme era o (também grande) Guará Rodrigues, que trabalhou em várias produções do cinema novo.

Guará Rodrigues
Guará Rodrigues

4 – Semana passada fui assistir à restauração do filme “Copacabana Mon Amour” de Rogério Sganzerla. Um dos atores que participaram do filme era o Guará Rodrigues.

Helena Ignez e Guará Rodrigues
Helena Ignez e Guará Rodrigues

Fiquei com a pulga atrás da orelha, nem sei direito o porquê e me meti a pesquisar ontem sobre o Guará. Para meu espanto, descobri que há alguns anos, ele foi encontrado morto, assistindo à TV… 

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