A Verdade e a Espada.

Jesus apresenta as suas armas: a espada também é amor.

Na semana passada fui questionado sobre o meu livro recém-lançado: “Por que devo acreditar que você fala a verdade?”

Não deveria me surpreender com a pergunta, de tantas vezes que a ouvi, mas ela sempre me causa um impacto, “ter que provar que falo a verdade”… Como provar? Por que provar? Minha necessidade ao escrever o livro, em primeiro lugar, foi contar o que vivenciei e como aprendi a lidar com as informações e os resultados alcançados após as escolhas. Meu caminho foi muito próprio, muito particular, mas tudo que é particular é coletivo. É assim que funciona: no neutrino há o universo sob a ponta da agulha.

Confesso: nunca me dei muito bem com religiões e grupos sociais. Há quem adore grupos, há quem precise fazer seu caminho em silêncio.  Todos os caminhos levam a Roma.  Será?

Acredito, de coração, que todos os caminhos são dignos, você só precisa tomar uma decisão, ou encontrar o “seu”, que pode ser coletivo como uma religião (e ao mesmo tempo individual) e ou individual, como percorrer o caminho de Santiago de Compostela (que ao mesmo tempo é um caminho coletivo). A sincronicidade mostra que, se você estiver sincronizado, tudo o que você necessitar será posto em seu caminho. Parece mágica e é.

Provar que falo a verdade Provar que as sincronicidades falam a verdade. Nossa…

Em primeiro lugar, as pessoas são levadas a sério quando se comportam como o público espera que elas se comportem.  Todo sambista deve ser alegre (Nelson Cavaquinho é exceção), todo político corrupto, todo policial sujo, todo roqueiro muito louco e todos religiosos “certos”…

As escolhas são mentais e referendam valores, quem acha que minto ou estou contando histórias para boi dormir, já fez uma opção: não me levar a sério. Levar minhas escolhas a sério,  implicaria em destruir outras verdades fossilizadas. É uma guerra e não é uma guerra. Verdades, ó verdades. Há quem se ligue a religiões pela sensação coletiva de pertencimento. Muitos veem Jesus como um cara muito humano, mas humano mesmo ele foi quando deu um bom tapa nos vendilhões do templo e ergueu a espada.  Há tempo de paz, há tempo de guerra, como há dia e noite, saúde e doença, fidelidade e traição.

Releia e reflita sobre essa passagem, uma de minhas favoritas da Bíblia, em MATEUS 10:34-39.

“E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.

Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.

Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.

Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.

Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;

Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;

E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.

Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.

E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.

Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á

Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.

Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo.

E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.”

Por que dar atenção à Bíblia? Porque somos ocidentais. Essa mesma verdade poderia estar descrita em uma revista popular? Sim. Isso ocorre a todo instante. A sincronicidade prova isso.

Analise as imagens abaixo e pense em questões sócio-culturais.

(clique na imagem acima para ampliar e pense no assunto, como as religiões oficiais se dividem no mapa-múndi.)

A verdade está aqui e agora, em nossas mãos?

A verdade é uma questão cultural?, é ter paz de espírito? Sim e não. A verdade é compreender história? NÂO! A verdade cessa toda dor e angústia? TALVEZ.

Assim como muitos leitores, não vivo em um mundo interno e perfeito de harmonia e paz, mas a minha busca é sincera e se tornou mais concreta ao ter me tornado amigo das sincronicidades. Hoje, compreendo, muito mais, as questões da minha vida, por incrível que pareça. Entendo as decisões que fui obrigado a  tomar, desde minha fase criança. Questões pessoais, de família, do prédio, do bairro, da cidade, do país, do mundo, do universo. Comecei a entender a sequência “opção-escolha-ação-resultado” e fiquei cada vez mais surpreso, admirado, mas intensamente feliz. E o melhor de tudo: mais sereno com meus “erros”.

Compreendi que os erros são acertos quando você está pronto para crescer.

Entendo, como posso, o que está ocorrendo agora entre 2011 e 2012, que as sincronicidades guiam e indicam um caminho sobre o que podemos fazer. Mas as respostas, vindas de fora, estão dentro de nós, mas por causa da gritaria do mundo, por causa da nossa gritaria interna, não conseguimos ver e ouvir nada e nem receber a carta do nosso carteiro interno.

Quem fala a verdade? Jesus, Kryon, Saint Germain , Waldo Vieira, Trigueirinho, Edir Macedo, Marcelo Rossi, Elizabeth Clare Prophet, Divaldo Franco, Quem Somos Nós, A Profecia Celestina, os Maias?

É muita informação, a cabeça chega a doer.

Conto uma história que exemplifica esse dilema entre o externo e o interno, entre fato e imaginação, sobre a necessidade de acreditar: eu trabalhava em uma fraternidade como médium de cura e naquela época eu tinha cabelos compridos e bigode. Os médiuns trabalhavam com roupas brancas, e parecido com os rituais da doutrina espírita, o trabalho era uma espécie de “desobsessão”. Ao doarmos o “nosso” tempo aos outros, que não conhecemos, para que todos cresçam, devemos aprender a nos diminuir para crescermos, doar para receber, sem que isso queira dizer que todo médium saia milionário de cada sessão de tratamento. Pois bem, nessa época estava andando perto de casa, quando encontrei um casal de idosos, que o nosso grupo tratava. Eles se aproximaram e a velhinha beijou minha mão e disse: “Meu filho, gosto tanto de você. Você parece Jesus Cristo.”

No dia seguinte, cortei o bigode, não com a espada mas com uma tesoura mesmo. O bigode se foi porque me pareceu responsabilidade demais ser comparado logo a quem. Aprendi mais uma vez como a questão da imagem é poderosa. É como o primeiro encontro, uma entrevista para um emprego. Eu aparentava ser Jesus Cristo, mas eu não era. Tiradentes foi enforcado de cabeça raspada, o quadro famoso conta outra história. E quem o condenou à morte foram cristãos frequentadores de missa.

A minha espada é a minha pena, a minha verdade é interna.

 E a sua?

Não tenho mais tempo a  perder.

E você?

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